segunda-feira, junho 13, 2005


Mundo vasto. Posted by Hello

Segunda feira, depois de muita chuva, hoje amanheceu com sol, mas será por pouco tempo, estamos na época das chuvas, fico aflita, parece que não vai parar nunca, tudo mofa, a geladeira sua de pingar, um horror.
Depois de ficar olhando meu umbigo e me exibindo aqui nestes dias, hoje vou colocar umas questões que me tocaram de alguma forma.
Vocês leram sobre a moça Argentina de 21 anos que foi condenada porque matou o filho fruto de um estupro?
Terrível, fico pensando como este mundo ainda engatinha nestas questões, ela é vítima de um sistema jurídico com leis obsoletas. Como obrigar uma jovem a ter um filho de um homem que ela odeia, que a violentou terrivelmente? Imagino o desespero dela, é terrível.
Uma vez no Rio de Janeiro uma moça jogou o filho bebezinho pela varanda, era de família muito conhecida e rica, foi presa depois não sei mais o que aconteceu, foi na década de 80, eu acho. Denise outro dia falava da depressão puerperial, é real, mas ainda desconhecida da maioria.
Andei lendo estes dias o livro de Zuenir Ventura “Minha história dos outros”, da ed. Planeta. Conta muitas histórias dos bastidores dos jornais. O capítulo que se refere ao suicídio de Pedro Nava me incomodou muito. Ele conta o que foi que aconteceu quando descobriram que Nava vinha sendo chantageado, alguns queriam que fosse divulgada a descoberta, outros não, Xexeo, era o defensor da divulgação, argumentava que todos indistintamente mereciam saber que ele foi chantageado por estar tendo um caso com um homossexual de quinta.
Este argumento me incomoda muito, por que todos devem saber o que se passa com a sexualidade de um homem? por que é um escritor famoso? o que este conhecimento acrescentaria aos leitores de nava, à escrita dele, ao texto?
Não sei, os jornalistas acreditam que devem ser fiéis à noticia, daí o que vemos é este desmascaramento geral, esta corrida ao privado dos famosos, vide Princesa Diana, Príncipe Charles (precisávamos saber o que Charles disse para Camila?)
Quando Elis Regina morreu houve quem dissesse que foi suicídio, eu gostava da Elis demais, mas não me importo mais se foi suicídio ou acidente, ela era uma pessoa que sabíamos exagerada, se quis se matar teve as razões que a mim não importa, adianta ficar conjeturando? Mudará alguma coisa? Não.
Se Nava tivesse sido assassinado, ai eu acho que sim, qualquer pista deveria ser seguida, mas ir atrás do viado que diz ter tido um caso com ele, acreditar na história, tê-la como verídica, não sei se isto é relevante, para mim não, o cara pode dizer qualquer coisa que ficará sempre a dúvida, o sujeito disse que tinha uma foto com Nava mas só mostrava se pagassem, até hoje ninguém viu a foto, sei lá, isto me incomoda.
Nava morreu num domingo, na quarta eu encontrei com o Drummond, ele estava abatido, não entendia o que foi que houve com o amigo, me dizia:” o que você acha que foi?”, eu não tinha resposta. Já contei num post anterior que depois deste dia Drummond se aproximou mais de mim, me quis mais perto, acredito que foi por eu ter tido sensibilidade de lhe dar um cartão com um desenho meu e ter sido mais amorosa com ele naquela quarta feira, andamos de mãos dadas por Ipanema, até a casa dele, em Copacabana- inicio de Copa.

Vocês sabiam que há mais de um milhão e crianças que trabalham no Brasil, liam aqui o que o IBGE diz.

E para não dizer que não há esperança, o Grupo dos Nove perdou a dívida dos paises mais pobres, são dezoito, a maioria na África. Lembro de Brizola falando sobre isto, Brizola para mim é uma boa lembrança, sei que muitos não gostam, mas eu acreditava que ele defendia causas justas, ninguém é perfeito. Leia aqui.

Eu mudei de Pc, como muitos sabem, e perdi os endereços todos dos favoritos, eu havia colocado todos que vêm aqui e que eu gosto nos favoritos, agora ando procurando nos blogs dos outros alguns links que perdi. Se você é meu leitor/a e eu sumi, coloque na caixa de comentários seu endereço para que eu possa voltar a te visitar. OK?

Bom dia!
Um belo dia para todos.

sábado, junho 11, 2005

Dia dos namorados.

Não há nada para festejar, não tenho namorado, mas lembro dos namorados e enamorados.
Namorar é a melhor coisa que existe, não tem melhor, as pessoas ficam com pressa para casar, bobagem, deviam namorar muito ou namorar para sempre, o que poucos casais conseguem.
Casamento na maioria das vezes é solidão a dois.
Ontem vi “A dona da história”, todos já devem ter visto. Calligaris na ocasião do lançamento do filme fez este artigo elogiando muito o filme, fiquei curiosa, mas só agora vi. Gostei muito, é divertido e faz a gente pensar nas nossas escolhas - “Closer” é outro filme que fala das escolhas, deste eu sai realmente mobilizada, tive até insônia, coisa que hoje é raríssima. Ontem durante o filme lembrei muito de um namorado que eu tive, que eu amava muito, mas terminei o namoro por bobagens, queria ser livre, e fui. Talvez não tenha sido uma bobagem, foi uma escolha e tanto. Agora não vou chorar sobre o leite derramado, se tivesse casado com ele - namoramos quase quatro anos, eu teria sido infeliz, eu me conheço, e teria feito o bom moço infeliz, também. Mas o filme me fez pensar no quanto eu não sabia ser feliz, eu era muitoooo triste, ficava dias sem ir para a faculdade de tristeza, acabava entrando em situações que me levavam a mais dor e desamparo.
Chega de falar de mim.
A história do João Falcão, no “Dona da história” traz um maridão, acredito que existam por aí, mas são raros, ainda por cima pegam o Fagundes com aquela cara de bom moço, bom pai, para interpretar um homem completamente doce, difícil a gente não torcer por ele, não é?
Mas considerando que eles existem, a Lucia está aí para provar, me remeteu aquele programa “Companhia ilimitada”, uma série que o canal GNT levou no ano passado. Quem não viu perdeu um bom programa, era comovente ver aqueles casais ali expostos falando dos seus parceiros- João e Adriana Falcão, Rita Lee e Roberto de Carvalho, Luci e Luiz Carlos Barreto, foram alguns dos casais, D. Luci contando que dá um abraço no marido todas as manhãs para sentir força suficiente para enfrentar o dia foi uma das cenas que mais me comoveu. Adriana e João falando do amor que sentem um pelo outro foi muito bonito. Aí a gente pensa que além de ter desejo pelo outro, querer acima de tudo estar com aquele parceiro, é preciso ter sorte, no filme a Carolina diz: “mas como o grande amor da minha vida foi aparecer justo na minha vida?” Pois é, nem sempre o grande amor de nossas vidas acontece na nossa vida ou na hora certa. Isto é uma questão de sorte.
Feliz dia dos namorados!

quinta-feira, junho 09, 2005

Amor clandestino.


Casal Posted by Hello



Amor dádiva


Ouço teus passos
não me volto.
Tuas mãos, taças,
aquecem meus seios frios e ávidos.
Você roça minhas costas,
sopra hálito quente,
beija minha nuca tensa.
Fecho os olhos,
procuro congelar amor tão breve.

A negação da morte do filho


M�e Posted by Hello

Chove, pára de chover, faz sol, chove, pára de chover, faz sol, chove...amanheceu assim hoje, quando o sol sai eu vou para minha mini varanda e fico que nem lagartixa ao sol.
Estou desde ontem com uma história na cabeça, gostaria de fazer um conto, ainda não sei se consigo, contei para Betânia ontem.
Um dia peguei um taxi no Rio, o motorista era um senhor mais velho que eu, mais de 60 anos, cabelos grisalhos, e como sempre faço com os motoristas puxei papo:
- “o Sr. é nordestino?”
- “sou do interior da Paraiba”, etc e tal
Ele então me contou que a mãe era boa parideira e havia tido 17 filhos, mas só nove sobreviveram, moravam no meio do mato, (seria caatinga, semi- árido?), não havia médico, nem recurso nenhum em termos de saúde alí.
Como era o mais velho assistiu a agonia e morte dos irmãos. O destino escolhia os que deveriam vingar quando adoeciam e não havia mais o que fazer, a mãe colocava o bebê num canto da mesa de sala e esperava que morressem.
Betânia me disse que depois de mortos são colocados em redes rebolados* no mato.
Esta história terrível eu ouvi, não estou inventando, há uns sete anos no meio do trânsito de Copacabana ou Ipanema.
Aí estes dias meu filho Dan estava vendo o canal National Geographic, e eu vi uma macaca mãe cuidando de um filhote, limpando, catando piolhos, carregando aquele corpo mole, o filhote estava morto, já se desfazia e ela insistindo em não aceitar, tratando-o como se estivesse vivo. Eu e meu filho nos comovemos.
Aí eu fico a pensar naquela mãe nordestina que deixava os filhos morrendo à mingua- talvez o nordestino, agora homem maduro,não lembre da dor da mãe, ele me disse que não havia desespero e sim silêncio, resignação, será? Desesperança, negação, talvez.
*rebolar no mato aqui significa fogar fora.

Bom dia!

quarta-feira, junho 08, 2005


O Cristo Redentor e a lua. Posted by Hello

Algumas questões nos incomodam e insistem em se manter presentes, uma delas o fato do casal “garotinho” estar livre para disputar a presidência da republica. É inacreditável... Se não começarmos agora a fazer campanha contra, eles chegam até lá.
Vivemos num país onde o povo busca a salvação, é crente, e aqui entram os oportunistas como eles. Como o carioca os elegeu? É de chorar, mas é real, estão lá, canastrões, mas poderosos, afundando cada vez mais o Rio de Janeiro.
Vi imagens na TV de Ipanema sob fogo cruzado, ali na esquina da Praça General Osório, na entrada do bairro mais charmoso do Brasil. É muito triste. Eu morava ali pertinho, meu consultório era nesta quadra da Visconde de Pirajá. Antes de vir para cá, houve um dia que eu atendia, lá pelas nove e meia da noite, ouvimos tiros, parecia guerra, quando saímos do prédio às 22 horas, estava tudo calmo, o “Bofetada”, bar famoso, estava cheio e tocavam chorinho, senti uma sensação tão ruim, acho que foi a partir deste dia que senti que eu não conseguiria mais viver no Rio. No dia seguinte ninguém comentava, eu queria saber mais e ouvia: “Ah é, ouvi, mas passou logo, foi lá no morro”, o carioca é assim, cuca fresca demais, por isto o Rio está tão violento. Em 1990, por aí, começaram os tiroteios entre os traficantes dos Morros Pavãozinho e Cantagalo, ninguém fez nada, era lá no Morro... A última vez que vi Copacabana, em dezembro de 2002, véspera da vinda para cá, saí com um amigo para jantar no "Lucas", fiquei angustiada, assustada, não havia quase ninguém na Av.Atlântica lá por meia noite, cadê a festa, os ambulantes, os gringos, as putas? Eu vim embora, sou medrosa, meio paranóide, muito antenada, como educar os meninos naquela paranóia? eu não tinha coragem de mandá-los à Praça N. Sra da Paz com as babás, só saiam comigo, pois eu sou atenta, tão atenta que quando vi que as coisa só iam piorar, caí fora. Se eu não tivesse os meninos continuaria vivendo lá, sairia menos, viveria como vivem os meus amigos, mas adolescentes precisam de mais liberdade.
Eu amo o Rio, morei 30 anos alí, choro de saudades quando ouço Tom Jobim: “Nascimento Silva 107, Vinicius cantando com a Elizeth...” , a letra é nostálgica e eu fico tristíssima, com saudades dos amores que eu tive ali na Nascimento Silva 97.

Não vamos deixar este casal chegar ao poder, por favor, vamos fazer campanha intensa.
14:30 Acabo de ler o comentário de José Luis. "Não deixe que o garotinho cresça, nem a rosinha floresça". Perfeito.

Até amanhã.
Bom dia!

segunda-feira, junho 06, 2005

Vôo clandestino.


Querendo al�ar v�o. Posted by Hello

Este desenho é meu, postarei alguns para vocês verem, meu traço é assim limpo, suave, qualquer dia vou colocar um erótico, daqueles que Drummond tanto gostava, ele tinha duas bailarinas "parecem esvoaçar entre livros e papéis", ele disse. Um dia, quando estiver bem por baixo, mostro o que ele escreveu sobre os desenhos, hoje não, podem me chamar de cabotina. Que medaaaa...

Vôo clandestino.

A lembrança agradável é o vôo do outro
Onde o meu vôo?
Onde estâo as minhas asas?

Escrevi isto em 81, ainda está valendo, continuo tentando alçar vôo.
Hoje entrei no blog da Nora , ela postou um texto de Clarice Lispector que tem tudo a ver comigo, sobre felicidade clandestina, vocês conhecem? vão lá ler.
Chove a cântaros, parece Macondo. Confesso que me esforço para encontrar a alegria no dia a dia, encontro sim, mas a tristeza ainda me persegue, insiste.
Simão está de férias, não tendo ele para me alegrar com suas piadas, hoje entrei no Tutty

Bom dia!

Amores intensos. Posted by Hello

Hoje amanheci meio triste, sei lá, chove, chove sem parar, é preciso afastar os móveis das janelas. A chuva sempre me entristece, deve ser pelas lembranças de infância, naquele frio horrível de Curitiba, detesto sentir frio, detesto não poder abrir uma janela, ir à varanda, adoro o sol...
“tem dias que a gente se sente
como quem partiu o morreu...”
Ontem vi “Amores Brutos”, de Alejandro González Iñárritu , melhor “Amores Perros”- não sei porque não traduzem melhor, insistem em dar nomes que são mais uma interpretação pessoal do tradutor. Acredito que me deixou mal, que filme... é muito bom, mas é uma porrada. Vocês já devem ter visto, eu demorei para ver, sabia que ia ser uma porrada. Tragédia, desesperança, desengano, desespero, tudo junto. Até que a cena final, do cara que havia abandonado tudo por ideais políticos, e virado um trapo, é alentadora, me lembrou “Teorema” de Pasolini, deve ter sido referência mesmo, estou por fora.


Cena final de "Teorema"  Posted by Hello


Esta frase do filme diz a minha angústia: "todos eles são aquilo que perderam. Todos irão sentir uma angústia pelo que foram algum dia, e não podem mais ser".
O curioso é que meu filho de 15 anos viu junto- passou na Tv a cabo- e gostou muito, disse: ” Estes filmes espanhóis são bons, mesmo”. Corrigi, disse que é mexicano e fiquei feliz por já ter introjetado os filmes de língua espanhola como bons, ufa, é tão bom...eu adorava Saura, Bunnel, Adorei "Cria Cuervos", lembro da musiquinha, da menina cantando até hoje, “ Bodas de sangue” com Antonio Gadesmaravilhoso, quero que eles vejam, é tão importante ter um olhar critico, quero rever, preciso procurar.
Parou de chover, quem sabe o sol não aparece.

Bom dia!

domingo, junho 05, 2005

Mini conto- A viagem

Ele chegou com uma surpresa-uma passagem para New York- ela iria com uma amiga, não poderia deixar o escritório.

Telefonou para dizer que chegou bem, não o encontrou, duas outras tentativas, nada, desistiu. A amiga, solícita passou a fornecer os comprimidos para dormir- não poderiam estragar a viagem.

De volta fingiu que não acontecer nada, ele em casa, o vinho francês de sempre, o silêncio conhecido.

Uma manhã o telefone toca, uma voz feminina- reconheceu Dora, a amante antiga do marido:

“É a mim que ele ama, sua vaca”.

Fechou a casa, abriu o gás e colocou a cabeça dentro do forno.

Ele não precisaria mentir mais, nem ela fingir.


Este mini conto eu mandei para o site português para um concurso de contos, foi selecionado, enviei mais dois que depois mostro para vocês. Tem centenas de contos lá, não entendi bem como é.
Mandei um conto para outro site, italiano, e foi aceito, neste são poucos os selecionados, 15.

Este mês de maio foi cheio de concursos de contos, minis e micros. Entrem em " A casa das mil portas"- enviei dez micros contos para o Nemo Nox que teve no blog este mês recorde de visitas-" 235 mil page views (A Casa das Mil Portas) foi responsável por cerca de 100 mil page views)". Isto é incrível, não?


Bom domingo.

sexta-feira, junho 03, 2005

Marcão, simplesmente Marcão





Um dia meu ex-marido disse que Marcão viria pegar um terno emprestado, eram amigos, haviam trabalhado juntos numa loja de Ipanema.

Eu vivia há poucos meses com ele, não conhecia seus amigos, como já contei na nossa relação tudo aconteceu muito rápido.

Chegou um negro lindo, mais de um metro e oitenta, sorriso largo, dentes muito brancos. Estava indo ao casamento da neta do Roberto Marinho. Vestiu o terno de linho branco, os sapatos de couro alemão e foi para a festa. Dias depois voltou para contar da festa e assim foi se aproximando, ficamos muito amigos.

Marcão trabalhava como faxineiro, mas era massagista e cozinheiro. Vivia no meio de intelectuais, fazia faxina e pagamentos para Ana Carolina, a cineasta; Cecília Boal, psicanalista, mulher de Augusto Boal; M., psicanalista famosa. Morava na casa de Sérgio, um sociólogo escritor, amigo de dona Ruth Cardoso, casado com V. , psicanalista.

Um dia me disse que chegou na casa de M., a psicanalista famosa, ela chorava sem parar, ele disse: “Hoje não tem faxina nós vamos ao Jardim Botânico”.
Passaram o dia no meio das árvores, conversaram muito, fez massagem nela, e lá pelas tantas, ela encontra um homem, cumprimenta formalmente, apresenta o Marcão, sem identificá-lo, depois conta que o sujeito era cliente dela- imaginem a psicanalista sendo massageada por um negão no Jardim Botânico!... Que escândalo!

Quando meus meninos nasceram ele se emocionou muito, quando chegava bêbado insistia: "Também sou pai deles, não sou?"
"É, Marcão, é". "Sou o pai negro deles, não sou?"

Chegava sempre com algo para mim: flores que pegava nos jardins do bairro onde morava, Horto, livros, que a psicanalista não queria mais, xícaras de café. Nunca vinha de mãos abanando, e eu lhe dava todos os perfumes franceses que ganhava, ele adorava se perfumar, vivia limpo e cheiroso.

Gostava de sair por Ipanema descalço com os dois meninos, um no cangote, outro agarrado no short, dizia que eu precisava ver a cara das madames- "o que estaria aquele negão fazendo com aquelas crianças muito branquinhas? Seqüestro não é, estão numa boa..." e a gente ria.
Imaginem Lucas- três anos- agarrado com força na bainha do short para não se perder, levava-os para tomar guaraná na esquina das ruas Vinicius de Moraes com Nascimento Silva, os distraia e tomava uns goles de conhaque.

Uma vez chegou arrasado porque havia quebrado uma mesa de vidro do Boal ao limpá-la. Contou que Augusto teve um ataque, receberia amigos para jantar. Brigaram. Não trabalhou mais lá. Encontrei Cecília num encontro de psicanalistas, algum tempo depois, e conversamos sobre isto, ela disse que eu dissesse a ele que aparecesse, pois sentia saudades e Boal não estava mais zangado.

Fui morar em Cabo Frio, ele acabou conseguindo comprar um terreno lá perto, numa área de meus irmãos, construiu uma casinha. Vinha quase todo fim de semana ver a obra.
Estava bebendo muito, ficava desagradável, chatíssimo, eu ficava com raiva e pena ao mesmo tempo. Não sabia o que fazer.

Um dia- dia das crianças- ele telefona, está em Cabo Frio- pela voz percebo que bebeu- diz que está levando sanduíches do MacDonald’s para os meninos e dirá que o pai deles deu o dinheiro para a compra, que eu teria que sustentar isto. "O.K."

A decisão de me mudar para Natal amadureceu em um ano, neste período fui me preparando, às crianças e a todos os amigos, a maioria achou sábia a decisão, os mais cosmopolitas se assustaram, diziam que eu pensasse bem, que não me imaginavam numa cidade pequena etc e tal, Marcão ficou pesaroso, mas achou que seria bom, principalmente para os meninos, estariam perto dos três tios...

Eu não conseguia começar a encaixotar as coisas para sair do apartamento de Ipanema, chorava feito condenada lendo cartas de Pim, vendo fotos, e ele dizia enquanto embalava a louça:
“Vamos lá, as coisas do seu quarto são com você”.
De repente me pegava com força e balançava os braços para que eu relaxasse, alongava minhas costas, aquecia as mãos, esfregando uma na outra e colocava no meu rosto, lembro das mãos quentes dele nas minhas faces.

Dia de mudança, viagem, tristeza e ansiedade, aviso os amigos próximos, sairei do Galeão às onze da manhã. O pai dos meninos diz que vai fazer o possível para ir, Marcão diz que vai.
Dez horas de manhã, aparece Marcão, sorriso nos lábios, mais gordo, mais velho, não mais bonito, os meninos ficam tão felizes que pegam o dinheirinho que a avó havia dado para a viagem e compram presentes para ele naquelas lojas de souveniers.
Marcão foi a única pessoa que foi ao aeroporto se despedir de nós-o pai negro dos meninos. Pegou três ônibus para chegar lá, morava na Gávea.
Esqueci de dizer que ele era gay, o que o fazia, talvez, mais especial- aquele homem enorme, forte, bonito e super sensível. Morreu há dois anos. Marcão caiu na rua, teve um infarto fulminante.

Sinto nó na garganta e os olhos marejam ao lembrar o meu amigo negro.

quinta-feira, junho 02, 2005


Tal pai, tal filho? Cuidado... Posted by Hello

Conversando com pais.

Sábado fiz palestra para funcionários do Colégio Marista, estava ansiosa, pois seria a primeira palestra para homens, eu estou acostumada a falar com mulheres, homens são sempre minoria, desta vez as mulheres eram minoria. Eram funcionários de limpeza, gente simples que passa o dia com vassouras nas mãos e possivelmente invisíveis para a maioria dos alunos e professores. Falei da pesquisa feita por um psicólogo de S. Paulo sobre isto.
Escolhi falar sobre filhos em geral, não apenas adolescentes, comecei falando da mudança da dinâmica do casal com a chegada do filho, aproveitei para falar da relação mãe/ filho, da exclusão que os homens sentem neste período, do prazer que a mulher tem em estar com o filho, amamentar, da dificuldade em fazer sexo, e de que é preciso inserir o homem nesta relação. Muitas mulheres excluem os pais criando problemas sérios para os filhos mais tarde.
Então falo do educar, dos nossos pais como modelos, do perigo de repetir sem consciência, que é preciso saber o que fazemos, poder parar para pensar nas nossas dificuldades, nos afetos presentes na nossa relação com os filhos. Depois falo das dificuldades em colocar limites, de castigar ou não, dos problemas infantis como sintomas do desequilíbrio do casal, etc e tal. Naturalmente falo de forma muito clara, como gosto, sem rebuscar. Gostaram muito, vieram me cumprimentar e agradecer depois da palestra com alegria nos olhos- sempre mostro a importância de ser pai e mãe e o quanto é difícil ser bom pai e mãe, ser pai é fácil, ser bom pai é muito difícil.
Fiquei muito feliz.

Bom dia!
Namastê.

terça-feira, maio 31, 2005

Drummond e os meus meninos




Drummond entrou realmente na minha vida ao morrer.
Era agosto, meu inferno astral, mês de mau agouro. A TV noticia a morte de Drummond. Fico triste e confusa, não sei se devo ir ao enterro, detesto estas cerimônias. Dia cinzento, chuva fina, às nove da manhã a imagem de Drummond no caixão me comove na capela quase vazia. Resolvo ir.

Onze horas, hora do enterro, a capela cada vez mais cheia me sufoca. Saio para a varanda do cemitério São João Batista. Havia um homem bonito de terno de linho azul à espera, e outros homens- políticos, artistas, curiosos. Pergunto, a um homem qualquer, se há outra saida para o caixão- pois vejo repórteres correndo, homem de terno de linho azul diz: "Vou ver". Na volta diz: "Venha comigo". Fui. Algum tempo depois eu esperava meu primeiro filho- dele.

Diz um amiga astróloga que quando morre um escorpião nasce outro, no meu caso nasceram dois geminianos.
Devo a Drummond meus dois lindos meninos, hoje homens.

Que viva Drummond! Que vivam meus meninos!

sexta-feira, maio 27, 2005

Uma semana sem computador, é difícil, semana que vem compro outro, já pesquisei o mercado.
Estou numa loja onde o PC está tão lento que estou ficando nervosa.
Que maravilha de comentários! estou feliz da vida com os amigos que fiz aqui no blog, leiam e vejam se não tenho razão.
Esta semana andei lendo um livrinho de contos de Dalton Trevisan "Rita Ritinha Ritona", da Ed. Record, confesso que não achei nada de mais, muitaaaa saganagem, e cheio de clichês, se você quiser ler sacanagem, leia.

"Vestido
de sentimento
sou tecido
por um olhar"
Truck Tuleh.

Bonito, não?

Volto domingo, amanhã vou fazer palestra de manhã no Marista, finalmente, e 'a noite tenho festinha em casa, depois eu conto.
Um bom fim de semana a todos, me aguardem que eu volto breve.

quarta-feira, maio 25, 2005

Sindrome de abstinência.

Sem computador desde sábado, estou sofrendo de abstinência, não é fácil, no inicio dá estranheza, sua rotina é inesperadamente quebrada, me senti desorientada, irritada, confusa, que coisa estranha!
Nos primeiros dias pensei que seria bom me obrigar a quebrar o “vicio” pela internet (seria vicio sem aspas?), hoje quarto dia sem o computador me sinto mais normal, não estou mais irritada, acabou a ansiedade.
Senti muita falta dos amigos virtuais e pensei como seria se fosse irreversível...
Alguns blogueiros não atualizam todos os dias, nós o visitamos, outros atualizam diariamente, como eu, dão noticias, usam quase como um diário virtual, mesmo. O que nos faz escrever diariamente? Eu sinto um impulso, um desejo de atualizar, de dar coisas novas aos leitores, dividir coisas que li, vi...
Na próxima semana espero estar de volta normalmente, escrevendo de casa, com a intimidade que eu gosto-estou numa loja, é ruim, estranho.

Para vocês um trecho de Neruda:
“Não sou um pastor doce como em contos de fadas mas um lenhador que comparte contigo terras, vento e espinhos das montanhas”.
Pablo Neruda.

Boa tarde, obrigada por estarem me esperando, voltarei a postar amanhã ou depois.

segunda-feira, maio 23, 2005

Passei o fim de semana sem computador, ele pifou, tadinho, está velhinho. Amanheci hoje com chuva torrencial, sem faxineira- os ônibus estão em greve- o técnico não apareceu como previsto, mais caixa eletrônico fora do ar, etc e tal.
Como é difícil depender de outras pessoas para coisas importantes!
Bom amanhã espero que tudo volte ao normal.
Uma alegria: hoje uma ex cliente me encontrou em Natal, estava radiante, vai ligar 'a noite, nestes momentos sinto que valeu a pena ter escolhido esta profissão, são encontros que não mensuráveis que nos fazem melhores, não?

Boa tarde!
Namestê.

sexta-feira, maio 20, 2005

Violência contra crianças.


Uma menina te ameaça? Posted by Hello

Há cenas que não conseguimos esquecer, ficam teimando em se repetir na nossa memória. Aquela menina algemada ontem me chocou, como deve ter chocado a todos vocês, sei que não estou sendo original, apenas preciso falar sobre isto.
O que aconteceu com aqueles adultos? não era um, eram vários. O que estavam sentindo quando agarraram a menina e a algemaram? Hoje li que foi algemada nos pés, também. Que ódio pode ter despertado? Que impotência insuportável?
Uma criança violentada por uma pessoa nos choca, mas quando são várias é assustador. O que está acontecendo? Confesso que não sei, penso que deve ter sido racismo, ódio contra a frágil figura da negrinha. Chocante.
Crianças violentadas ficam marcadas para sempre, esta menina perdeu a inocência naquele momento, se não for tratada adequadamente não sei que destino dará as marcas indeléveis que ganhou. Qualquer tipo de violência contra uma criança, que ainda não dispõe de recursos para se defender emocionalmente, provoca marcas indeléveis, não há divã que resolva, a história dela passará sempre pelo episódio da violência, tudo será desenhado a partir daí, para o mal ou para o bem.
Amém, espero que seja bem tratada.

Bom dia!
Namastê.

quinta-feira, maio 19, 2005

Crônica- Um basta e livros que comovem




                 


[15:45hs] Basta! não é possível ficar impassível diante do que acontece com o Rio de Janeiro, várias vezes já me manifestei via email contra a situação insustentável da cidade maravilhosa. Vamos aderir aos movimentos que estão surgindo-nunca é tarde- e botar a boca no trombone,
Acessem o "Basta" e o Rio contra o caos , leiam o texto da Beatriz Kuhn. Vamos reverter a situação. Colem o selo do movimento no blog de vocês, divulguem.
BASTA!


 
Crônica do dia 

Estou com ressaca de dor de cabeça, ontem foi um dia difícil, hoje melhorei, mas ainda estou estranha.
Vocês viram o Monumento às vitimas do Holocausto? Fiquei impressionada, gostei muito, deve ser desconfortável andar naquele labirinto, o arquiteto criou uma obra que choca, conseguiu o que queria.

Domingo fui à livraria do Praia Shopping e vi um livrinho com um nome conhecido Armony, Adriana Armony, tive um colega psicanalista, vizinho de consultório que tem este nome, nos cruzávamos nos corredores e no cafezinho.
Peguei o livro para dar uma lida, a moça é filha dele, lembro dela menina, não a via quase nunca, não sei se vivia fora do Brasil, pouco sei do pai também.
Tive uma boa surpresa, gostei tanto do livro que comprei, vocês sabem que compro poucos livros, a grana não permite. O livro se chama “A fome de Nelson”, e o Nelson é Nelson Rodrigues, ela defendeu uma tese de doutorado ”Nelson Rodrigues, leitor de Dostoiéviski” e deu um golpe de mestre ao aproveitar o conhecimento que tem dos dois para escrever este delicioso e comovente romance. É muito bom, dividido em capítulos mistura o narrador, memórias e alucinação. É muito bom de ler. Se você gosta de Nelson Rodrigues leia. Todo o universo rodrigueano encontra-se ali. Eu adorei ler “O anjo pornográfico” livro fantástico de Ruy Castro, ela leu e releu estes livros todos e fez um lindo romance. A vida de Nelson daria um romance, ela fez.
O livro é da Ed.Record, tem 111 páginas, capa de Roberto Rodrigues- deve ser o irmão assassinado de Nelson- é fininho, li rápido. Eu acredito que o livro ainda ficaria melhor se ela não se revelasse no inicio, se fosse mais confuso, se tivéssemos surpresa no final, como o “Budapeste” de Chico, mas é um bom livro, podem comprar.
Lembrei de outro livro que gosto “Sete cartas e um pintor” de Lygia Bojunga Nunes ilustração de Tomie Ohtake , fui procurar na estante e não achei, fico irritada quando não acho, mas sei que devo ter guardado em lugar especial, me perco nas mudanças, fico maluquinha. Então fui ver no Google detalhes do livro e não é que mudou de nome e não tem mais as pinturas de Tomie? não entendi.
O livro que eu tenho é da editora Berlendis & Vertecchia Editores, mas agora se chama ”Meu amigo pintor” e é editado pela José Olympio com outra ilustração. É um livro comovente, um menino tenta entender o porquê do suicídio do amigo pintor, eu chorei muito ao ler, coisa rara, Raduan Nassar em “Lavoura Arcaica” também me comoveu às lagrimas.


segunda-feira, maio 16, 2005

Tecendo a teia- eu e o blog.


Teias. Posted by Hello

Fazer um blog é fácil, se manter na rede não é nada fácil.
Ao criarmos nosso espaço não sabemos bem como usá-lo, comecei às cegas, aos poucos linkando aqui e ali, trilhando caminhos desconhecidos. Então fui descobrindo que existem tribos já formadas, algumas com laços fortes de amizade virtual. Você é bem- vindo, afinal é um visitante que poderá vir a ser um freqüentador assíduo, todos são bem- vindos. Você entra num blog que descobriu ao acaso, se apresenta, diz algo na caixa de comentários se te interessa, se gostou, se não gostou sai de fininho assim como entrou- é o momento mais voyeur da blogosfera. Você espia o espaço do outro, lê, não se interessa e sai- para mim um momento incômodo, me sinto intrusa, sempre acho que devo dizer algo- coisa de iniciante, já aprendi. Algumas pessoas são gentis, te respondem, vão te conhecer, outros te ignoram, você fica sem saber se o comentário foi inoportuno, se não gostaram do que viram no seu espaço, se o outro é tão tímido que não quer aparecer, ou se não quer sair do Olimpo. Aos poucos vai descobrindo as pessoas que circulam no mesmo espaço que você, são muitas, e vai exercitando esta nova forma de se relacionar.
Vai tecendo tua teia, vai reforçando teus laços afetivos, e descobrindo os pontos que têm em comum, os nós, os desafetos. Alguns nós não têm importância, afinal somos diversos, diferentes, a graça deveria estar aí, mas há também a competição, a inveja, o ciúme, e precisamos saber lidar com todos estes afetos.
É preciso escolher as palavras para não chocar, não assustar, não há tempo suficiente para que te conheçam e saibam que está ironizando, brincando... É preciso saber até onde pode se expor, vem o arrependimento pela exposição, o receio de desagradar, mas como agradar a todos? Impossível!...
A vida no mundo virtual pede urgência, uma intimidade irreal, ansiedades, amores fugazes.
Quem disse que se relacionar no mundo virtual é fácil?
Quem disse que manter um blog é fácil ?

Bom dia meus caros amigos virtuais.

sábado, maio 14, 2005

Drummond e a "Garganta Profunda".

Drummond me contou que foi ver “Garganta Profunda” no Cine Scala, em Botafogo no Rio de Janeiro. Chegou de mansinho, pediu o ingresso, meio de lado para que mal fosse visto- era quase uma linha imaginária. Viu o filme, saia pé ante pé, quando ouviu a bilheteira dizer em alto e bom tom:”E aí, poeta, gostou do filme?”

Neste site um robozinho esperto adivinha o que você está pensando, um barato.

Nemo Nox avisa que já está aberta a "A casa das mil portas", uma coletânea de micro contos- contos com até 50 letras. Eu participo com dez micro contos. Entrem na casa e se divirtam, tem estorinhas muito interessantes e é muito gostoso ver contos de, apenas, 50 letras. Foi um desafio muito bom. Aqui a direita você encontra o desenho da casa, se quiser o link na sua página entre no site e faça uma cópia.


Bom dia!

sexta-feira, maio 13, 2005

Mais uma carta de Pimenta.


Inatingível. Posted by Hello


Hoje acordei à flor da pele, já me comovi com o texto do Santos Passos e com uma amiga que me escreveu, aí decidi colocar um texto do meu amigo Pimenta, que me amou intensamente sem nada pedir- se você quiser ler mais cartas e poemas dele encontrará em posts anteriores. Abri a pasta e encontro esta carta, é de doer. Ele morreu um pouco depois de aneurisma, ou doença de Chagas, não sei, não importa mais, tinha menos de trinta anos, era engenheiro e poeta. Onde encontrar amigos deste teor? Pois é, amiga, é difícil viver longe dos amigos, a vida fica seca.

Niterói, 13 de março.


Laura querida

“Você está linda. Assim na carta, o caminhar estranho em chão de pedras, o velho, seu livro, deram-me uma sensação de desencontro em mim mesmo, o que você deve ter sentido também, um analfabeto acharia sua carta bonita, a letra, o jeito feminino ( aliás esta mulher –total em você até me assusta, porque não se dá,não se conhece) de tudo, lembrando seda/rosa, quietude e horizontais. Eu não posso falar destas coisas, não, eu não posso, porque existe a promessa de uma nitidez e coerência, apego ao aparente –real e o encanto me leva a desvarios, e as palavras embriagam. Mas, que fique a proposição : Laura, você é linda.
A morte, suas redondezas, radijacências. Nós estamos computados. Não creia na data/fim, ela é medo apenas. Eu a vi no espelho hoje, branca, trêmula, sardenta, ruiva: roubara-me a figuração. Caratonhei, vias de dúvida- ela mesma suarenta, querendo sentar. Eu não costumo aceitar ordens da morte, mesmo quando me leva amigos e mestres conhecidos. E ouvi dizer: espera. Entende? Não há porque, janelas abram-se em plenilua. Meu anjo.
Ah, Laura, quanta forquilha, quando se espera! Deixa estar.
Vou escrever para você- a que me ouve,a que não tem medo de dizer amizade. Meu anjo, ainda te conheço qualquer dia desses!
Um beijo,
Pimenta.
PS: Sou um imbecil, mas não vem ao caso. Em miúdos: até hoje não sei falar com você. Aceita uma visita?


Bom dia!
Namastê.

quinta-feira, maio 12, 2005

Betânia, uma mulher de valor.


Precariedade. Posted by Hello

Esta noite choveu a cântaros e tenho dificuldade para dormir quando chove muito, é estranho porque a maioria das pessoas diz adorar barulho de chuva para dormir, eu não. Fico ouvindo o plaft no chão, na árvore, lembro de Betania...
Betania é a minha faxineira, vive numa favela, num barraco precário e quando chove muito ela e a irmã- moram juntas- passam a noite cavando ao lado do barraco para que a água não entre para dentro. Ela tem um filho de 8 anos, a irmã duas jovens adolescentes. Depois de uma noite destas de chuva, eu digo:”Betania, pensei que não viesse hoje, pensei em você por causa da chuva”, ela responde:”pois é Dona Laura, passei a noite acordada, em volta do barraco, eu e minha irmã”. Já ouvi várias vezes esta frase. Mas vocês pensam que Betania é um trapo? qual nada! tem 40 anos, teve um caso com um sargento safado, casado e aproveitador, pode? ela o evita agora. Está sempre nos trinques, arrumadinha, limpinha, com uma roupa diferente, deve ter muitas roupas, varia muito o vestuário, compra tudo no “quatro real”, lojas que vendem tudo a quatro reais, aí tem o 1,99 aqui tem os “quatro real”.
Uma historinha para ilustrar: ela tem um fã, um vizinho, muito feio que ela chama de ratinho, ele a corteja faz algum tempo, ela diz que não quer nada, mas confessou outro dia que fica pensando se não seria bom, ele não é estas coisas de caráter, ela já sabe. Outro dia ele veio com um celular de presente para ela, assim sem mais nem menos, ela recusou para não ter que “fazer favores” em troca, mas para que ele não se ofendesse disse que assim que pudesse compraria o celular dele, afinal ela tem um velhinho não precisa de celular.
Agora sábado é aniversário do filho, está preparando uma festa, está toda ansiosa, não servirá bebidas alcoólicas para que não dê confusão entre os convidados, o filho fará oito anos. Às vezes ela diz: “ele já é um homem!” Digo: “não, Betãnia, ele ainda é um menino”. O filho quer crescer logo para dar uma vida melhor para a mãe e ela parece ansiosa para que isto aconteça.
Betânia, uma mulher de valor.

Bom dia!

quarta-feira, maio 11, 2005

Ex-Libris da Tugosfera

Leila da Bélgica, finalmente respondo as perguntas, não é fácil escolher alguns livros em tantos que gosto, procurei não fugir muito do que é pedido. Acredito que poderia fazer outras escolhas e seria bem acompanhada na ilha deserta. Vamos lá:

Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?


Esta resposta eu dei outro dia no post sobre Juarez Machado.
Fiquei pensando e achei estranho escolher um livro, melhor seria um personagem Juarez tem um livro que saiu na década de 70, inicio, onde um personagem tenta de todas as maneiras sair do quadrado que o contém, o emoldura, Juarez com a criatividade fantástica que tem, faz a cada página um desenho onde o homenzinho se vira de todas as formas para iludir o enquadramento. Dá para imaginar que no fim ele sai, consegue sair, mas que ilusão... continua preso. É a vida. Nós criamos nossa prisão.
Seria o livro do Juarez, um ser aprisionado, tentando ser livre.

Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por um personagem de ficção?

O personagem masculino de “Um copo de cólera”de Raduan Nassar.
Mafalda de Quino, as personagens de Clarice Lispector, são muitos, Lou Andréas Salomé
pela vida entre artistas, poetas, discípula do meu mestre, Freud.

Qual foi o último livro que compraste?

Budapeste, de Chico Buarque, ou “As boas mulheres da China” de Xinran, ou “Gigantes Belgas” de Burkhard Spinnen, não lembro, tenho comprado muito menos do que gostaria.
Gostei dos três, “As boas mulheres da China” é escrito por uma jornalista, conta histórias verdadeiras; “Gigantes Belgas” é para crianças ou jovens, um estórinha mágica para contar as crianças que existem pessoas diferentes delas, dos pais dela, um menino vai descobrindo as dores, as vidas diversas, através da amizade com uma menina e de Chico gostei muito,não é leitura fácil, mas é livro muito bem escrito, no deve ter sido fácil escrevê-lo.

Qual o último livro que leste?


“Contos” de Tchechov, andei relendo, “Contra o fanatismo” de Amós Oz.

Que livros estás a ler?

“Debaixo da minha pele” de Doris Lessing, primeiro volume de sua autobiografia, “Um eco muito distante”de Muriel Spark, a escritora do delicioso “Memento Mori”, “Escritos”de Antonin Artaud, “’ Quando Nietzsche chorou” de I. Yalon, depende do meu humor. Dois deles releio, estou sempre relendo livros que gosto.

Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?

Cinco é pouco, mas vamos lá, vou escolher... é difícil, vou escolher livros que me fazem falta:
“Interpretação de Sonhos” de Freud,
“Fragmentos de um discurso amoroso”,
”Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada", de Pablo Neruda,
uma boa coletânea de contos russos e
uma coletânea de peças de Shakespeare.

A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e por quê?


Wilton porque adora livros, foi dono de livraria anos a fio e é o único amigo não virtual que se conecta comigo neste universo.

Lucia
, apesar de só escrever crônicas no blog talvez deseje responder.
Não sei quem mais gostaria de responder, há várias pessoas já se dizendo cansadas dos questionários nos blogs. Acho que deve ser aberto, responde quem quer, Denise também pensa assim.


Bom dia!

terça-feira, maio 10, 2005

Devastações.


Chagal. Posted by Hello

Hoje eu queria postar o meu questionário ex-libris, mas como Inagaki mandou o recado via mail que postou o dele, mesmo sabendo que ele não iria pensar que estou competindo, achei melhor deixar para amanhã. competir com Ina? quem vai querer?
Ando pensando sobre o blog, preciso voltar a falar sobre isto, anda me incomodando, hoje tenho que sair, vou visitar um projeto social, querem que eu faça um trabalho com crianças pobres, prefiro trabalhar os pais das crianças, mas me disseram que é difícil se deslocarem, é lógico, trabalham, não têm dinheiro para ônibus. Quem sabe não convenço a empresa- uma escola suíça, Instituto Marie Jost- a fazer o trabalho lá na comunidade, eu acredito que a solução é esta, também acredito que é fundamental orientar os pais, não adianta só educar as crianças, temos que trabalhar com os pais.
Esta noite sonhei com uma onda Tsunami, tenho muito medo de ondas, adoro olhar o mar, sou contemplativa, mas tenho muito medo de mar, desde menina, me assusta tudo que não dá para dominar, o imprevisível. No sonho a onda vinha até a rua, o asfalto, onde eu estava e recuava, íamos ver se era uma Tisunami e precisávamos sair dali o mais rápido possível. Morei muito perto do mar quase sempre, no Rio, em Cabo Frio era assustador algumas vezes ouvir o mar batendo de madrugada, aqui em Natal é mais longe, vejo uma fileira de dunas altas lá na frente do mar. Ainda bem.
A catástrofe que abalou a Ásia me abalou muito também, fiquei deprimida, impossível não sofrer com toda aquela desgraça.
Mas por que onda gigante no sonho? já sofri o impacto e a devastação de algumas ondas na minha vida, duas delas me arrasaram, uma na infância,sinto até hoje resquícios do estrago, outra aos 42 anos.
Ontem recebi de um amigo a historinha, lenda, de um lavrador que tem um cavalo, o cavalo cai num poço sem água e não consegue sair, chora muito. Desesperado o lavrador convoca os vizinhos para jogar terra sobre o cavalo para enterrá-lo vivo, o cavalo a cada pá de terra, se sacode e pisa sobre a terra elevando o solo e sai trotando do poço. Moral da história, é preciso saber usar as cacetadas- não achei palavra melhor, sorry- que a vida nos dá para sair melhor da situação. Mas que é difícil, é. Passei muitos anos no divã e até hoje não me curei, quem disse que estas dores curam? apenas ficam lá no escurinho, em silêncio até que algum gesto, uma palavra ríspida, traga a lembrança à tona, mas agora já não nos devasta mais. Ainda bem.

Bom dia!
Namastê.

segunda-feira, maio 09, 2005

O questionário de Bernard Pivot


Jeanne Moreau e James Lipton. Posted by Hello

James Lipton do “Actor’s Studio” tem um programa de entrevistas há nove anos e fez mais de 100 programas. Lipton entrevistou alguns dos maiores atores e diretores do cinema, e ficou quase tão conhecido quanto seus entrevistados. O programa é gravado no Actors Studio e conta com uma platéia formada por estudantes. No final do programa ele faz dez perguntas de um questionário de Bernard Pivot, jornalista francês que já entrevistou mais de 8000 escritores em 28 anos na TV francesa. O progrado do James Lipton passa no canal Multishow aos domingos no início da tarde, sempre vejo quando lembro, muitas vezes passam vários seguidos em "Maratona Actors Studio", uma delícia, adoro as entrevistas.

O questionário de Bernard Pivot:

1.Qual sua palavra preferida? solidariedade

2.E a palavra que menos gosta? miséria, miserável...

3.Qual o seu som ou barulho favorito? riso de criança.

4.Qual o som ou barulho que menos gosta? som de ambulância.

5.Qual seu palavrão predileto? f. da p.

6.O que o excita? um olhar.

7.O que o repugna? hipocrisia.

8.Qual profissão gostaria de exercer se não tivesse a sua? artista plástica.

9.Qual a profissão não gostaria de exercer jamais? médico patologista.

10.Se o céu existe, o que gostaria que Deus lhe dissesse ao lhe encontrar?
“Bom te ver, venha, vamos encontrar seus amigos (esta resposta não é original, eu ouvi de alguém, não lembro quem num dos programas).

Leila I
, este questionário postei lembrando de você, sei que gosta, responda as perguntas no seu blog, vamos passar adiante. Não sei se vocês já conhecem...
O questionário do ex-libris vou postar em breve, não esqueci,viu LeilaII?

Bom dia!
Namastê.

domingo, maio 08, 2005

Dia das Mães...

Estive pensando no que escrever para as mães estes dias, só tive pensamentos dispersos, sou assim para escrever, tenho pensamentos vagos, só consigo colocar em ordem no ato de escrever.
Esta noite tive um sonho que se repetiu quando estava grávida, vejam como é o inconsciente, sonhei que estava começando a ter dores do parto e ainda não havia preparado a bolsa com as coisas do bebê para levar para o hospital. Tive várias vezes este sonho quando estava grávida, que sufoco, é aflitivo, no sonho eu já com dores pegava as roupas do bebê nas prateleiras achando que não estava tudo passado, limpo, como deveria estar.
Acredito que ser mãe é ter este sentimento de que estamos em falta, há sempre algo que gostaríamos de fazer e que, como não somos super mães não fazemos.
Lucia disse outro dia que “ter um filho é ter saudade no instante seguinte”, é por aí, falta-nos algo, estar grávida é não estar com esta falta.
Ser mãe é olhar, é saber olhar, toda mãe boa sabe olhar, vê o que seu filho precisa e supre esta falta. Ser mãe é deixar de olhar o seu próprio umbigo, é crescer, é aprender a dar. A maternidade nos faz mais generosas, mais bonitas por dentro.
Como vocês sabem vivo só com os dois filhos adolescentes e hoje ao acordar recebi o melhor presente que uma mãe pode receber, meu filho mais velho, que faz 17 anos dia 30, deixou na minha porta de madrugada um cartão onde diz que sou "a melhor mãe do mundo não apenas por ser legal, amiga,generosa, companheira, etc, mas por ter nos educado muito bem e é o mais importante para uma mãe. Eu te amo!" são as palavras dele, não é o melhor presente do mundo? um filho, um rapaz de 17 anos te dizer isto!?
O outro de 15 anos, acordou agora e me deu um cartão que fez há dias, manteve em segredo, diz que eu sou uma super mãe, imaginem... desenhou uma super heroína no meio da sala, dando ordens- é autoritária a mãe super heroina, com ele tenho que ser mais dura mesmo, é muito danado. E eu achando que estou sempre em falta... pois é, ser mãe é mais ou menos isto para mim.

Quero deixar meu abraço para as minhas amigas virtuais mães, aquelas que eu sei que são mães, e que já percebi o cuidado com os filhos, Lucia, Leila, Marilia, Denise, Mani e as outras que estão aí quietinhas,e também para as amigas não virtuais, amigas de uma vida toda, as Anas, as Marias, e tantas outras.

Este desenho de Glauco é engraçado, não acham?


Mães... Posted by Hello

Feliz dia das Mães!

sábado, maio 07, 2005

Hoje tem marmelada? tem, sim senhor.


Romeu e Julieta. Posted by Hello


Costumamos afirmar que Tv é uma droga, uma porcaria, etc e tal. Intelectual que se preza despreza a Tv. Eu vejo TV e vejo muita coisa boa. Tá bom, não sou uma intelectual que se preze.
Assisto, sem cansar os episódios de “Seinfeld”, como a série já acabou, eles repetem muito, eu vejo sem muita concentração, revejo numa boa, rio todas as vezes, meu filho diz: “mas mãe você já viu este...” respondo que não importa, eu gosto de ver, sempre. Adoro o “Seinfeld”, adoraria conhecer uma turma como aquela e me lembra muito a minha tchurma, sou um pouco Seinfeld, um pouco Elaine (Julia Louis-Dreyfus) e sou fã incondicional de Michael Richards, o Cosmo Kramer, feio e charmoso. As histórias são ótimas, são várias histórias num mesmo episódio e todas sem exceção são engraçadas e inteligentes, quando entram os pais de George, é graça em dobro, lembra as mães dos filmes de Woody Allen, as brigas dela com o marido são hilariantes.
"Seinfeld", o seriado, para quem não sabe, é um seriado de um comediante –também na vida real- tem um show numa boate e sofre para escrever algo que preste, é medíocre. Eles são politicamente incorretos, e neuróticos, todos, a graça está aí, fazem coisas que nós faríamos se nos fosse permitido, se não fossem as barreiras culturais e morais. Seinfeld tem uma mania de limpeza sob controle, mas às vezes pira.
Elaine vive atrás de um namorado, mas ama o Seinfeld, que já foi seu namorado um dia, ela transa com facilidade-se o entregador do colchão é bonitinho, por que não dar um trepadinha, e quem sabe não vira um romance? É livre, leve e solta, sua família não aparece nunca, vi o pai uma só vez. É uma Alice, meio fora do ar, atrás de algo que não sabe bem o que é.
Ficarei nos dois personagens, falaria do Kramer, que adoro, mas Kramer é preciso ver, a figura do ator é importante. Vejo na Sony às 13:30 hs, se estiver em casa, sempre, passa agora no meio da tarde e a noite também, de segunda à sexta.
Outra série muito boa é: “Everybody loves Raymond”. Raymond- Ray Romano- é uma cara que escreve com sucesso para um jornal sobre futebol, mas isto é apenas um detalhe, as histórias giram em torno dele, a mulher-Patricia Heaton, o irmão, e os pais dele- Peter Boyle e Doris Roberts. Estão todos perfeitos nos papéis, são hilariantes, e olha que eu sou dura para achar graça. A mãe é aquela mãe judia, como a de George do “Seinfeld” , prefere o Raymond e rejeita o outro filho. Tudo é para Raymond, é o filho perfeito. Comem muito nos episódios, a comida é importante, como em qualquer casa que tenha uma mãe judia. A mãe comete, sem reconhecer nunca, muitas injustiças com o pobre do grandão- Brad Garrett. Não perco, vejo domingo à tarde na Sony, passa as duas horas.
“Monk” com Tony Shalhoub, é outro que adoro, já escrevi nos primeiros posts sobre ele, me identifico, entendo perfeitamente a aflição dele com as mãos sujas, já fui uma neurótica obsessiva. Ele é investigador da polícia, um sujeito para quem não existe o crime perfeito, ele vai descobrir onde o criminoso vacilou, é muito bommmmm.
Além destes é gostoso ver “Sex and the City”, mulheres modernas, muito sexo, N. York, a gente se sente um pouco lá, o universo não é diferente do meu em Ipanema, galerias de arte, papos com amigas, jantares em restaurantes, relacionamentos instáveis, acho que a autora coloca muito sexo numa das personagens, exagera, mas não existem figuras assim por aí? Lembrei de uma amiga catarinense que era ninfomaníaca, nunca mais soube dela, era interna no colégio de freiras onde eu estudava, só que eu saia e ela ficava lá dentro, ninguém me tira da cabeça que no universo dos colégios de freiras e padres está cheio de sexo. Xii, este assunto é polêmico e vou deixar para outro dia.
“Os Simpsons” quem não vê perde, é uma crítica ao modo de viver americano e burguês, muito bom, muito inteligente. Outro dia vi um “making off”, é feito na Coréia agora, desenhado lá, mas o texto é americano, lógico.
“Ei Arnold” é um desenho ótimo, Arnold é um adolescente complicado que quer acertar e não consegue, dá aflição ver. Helga é a menina feia e complicadíssima apaixonada por ele. É muito bom e engraçado, o universo adolescente ali expressado com delicadeza e inteligência. Este episódio do Romeu e Julieta foi ótimo. Passa na Nickelodeon, de segunda à sexta às 13 hs.
Bob Esponja é outro desenho inteligente, criativo e engraçado, muito bom. Lá nos Estados Unidos estavam querendo proibir o Bob Esponja insinuando que induz ao homossexualismo, um absurdo a cabeça perversa desta gente,vejam e digam se não estou certa.
Aqui no Brasil temos ótimos programas de entrevistas na Globo News, muitos, é só escolher, na GNT temos “Marilia Gabriela entrevista”, esta semana entrevistará Fernanda Montenegro e Fernanda Torres, imperdível, domingo 22 hs.
Esta semana vale a pena ver “Contemporâneo” hoje, sábado, às 13:30 e 18hs, hs, “Contemporâneo” é apresentado por Christiano Cochrane, filho de Marilia Gabriela , um gato, charmoso e bonito, recebe a mãe para uma pequena entrevista.
Hoje às 16 hs e às 22hs no GNT Fashion tem novamente as duas Fernandas, Lílian Pacce as entrevista sobre estilo. Mãe e filha estão divulgando um filme por isto tão evidentes estes dias.
Vocês conhecem “Um pé de quê”? é um programa ótimo de Regina Casé sobre a nossa rica flora, é comovente, eu chego a me engasgar com a Regina neste Brasil a fora, fantástico. Canal Futura domingo inicio da noite.
Ah! e a novela das 7 hs da TV Globo está engraçadíssima, "A lua me disse".Arlete Salles encabeça um elenco de primeira, estão afinadíssimos, pena que eu só comecei a ver esta semana, Débora Bloch, está fantástica, Zezé Polessa, Elizangela, Luiz Salém, Patrícia Travassos estão engraçados. A maioria do elenco está excelente, não sei o nome de muitos deles. Vale a pena ver.


Bom sábado, divirtam-se.

Namastê.

sexta-feira, maio 06, 2005

O homem libertado. Freud e Juarez.


Juarez Machado. Posted by Hello



A Leila, do cadernos da Bélgica, me convidou para responder um questionário literário. Começa com a pergunta “Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?”
Para quem não sabe- tenho leitores muito jovens - “Fahrenheit 451” é um filme dirigido por François Truffaut e com Julie Christie no elenco. É um filme/livro* de ficção em que todos os livros devem ser queimados, porque propagariam a infelicidade. Há uma perseguição feroz aos livros, até que um bombeiro começa a questionar o porquê da destruição dos livros.
É um filme de ficção muito interessante e assustador.
O título Fahrenheit 451 é uma referência à temperatura que os livros são queimados.

Fiquei pensando e achei estranho escolher um livro, melhor seria um personagem, aí me lembrei do meu querido Juarez Machado.
Juarez tem um livro que saiu na década de 70, inicio, onde um personagem tenta de todas as maneiras sair do quadrado que o contém, o emoldura. Juarez com a criatividade fantástica que tem, faz a cada página um desenho onde o homenzinho se vira de todas as formas para iludir o enquadramento. Dá para imaginar que no fim ele sai, consegue sair, mas que ilusão... continua preso. É a vida. Nós criamos nossa prisão.
Eu estudava em Curitiba no Colégio São José, que fica ainda na Praça Rui Barbosa. Juarez fazia muito sucesso na época, saia muito nos jornais, era um jovem de Joinvile, que estudava artes plásticas em Curitiba e fazia um quadro de humor com Ari Fontoura na TV Iguaçu. Era hilário. Ari Fontoura fazia um deputado politicamente incorreto e Juarez um 'play boy' de cabelos compridos- coisa rara na época, tinha um cabelo louro muito lisinho, olhos azuis, azuis. Uma amiga de ginásio se apaixonou pelo 'play boy' e quis conhecer o Juarez. Eu o via passar pela praça na hora que eu saía da escola, e um dia corri e disse que gostaríamos de ver os desenhos dele. Combinamos o dia e lá fomos nós, umas quatro meninas `a pensão onde ele morava na rua 24 de maio. Quando minha amiga viu Juarez de perto se desencantou e eu me apaixonei. Sabe aquelas paixonites de menina moça que não quer nem lavar as mãos depois que cumprimenta o amado? Pois eu era assim. Caminhava com ele até a pensão e seguia o caminho em êxtase, lembro do cheiro do cigarro, ele fumava muito. Eu tinha 15 anos. Aos 16 meu pai resolver mudar-se para Cabo Frio e foi um sofrimento enorme. Ganhei um desenho na despedida. Juarez namorava Gia, sua musa, dedicava todas as esculturas e desenhos para ela. Eu me sentia tão pequenininha, tão pouco mulher para competir com ela que guardei meu amor em segredo, de longe eu lia tudo que saía sobre ele na imprensa, já sabia que ele estava no Rio, e acompanhava as noticias. Ele se casou com a Gia e teve dois filhos.
Um dia, já morando no Rio, recebo de uma loja um convite para a exposição de Jorge de Salles, era apresentado por Juarez Machado. Peguei meu pai e fui até a loja na esquina da Praça Gal. Osório em Ipanema, pertinho de casa, Apresentei-me ao Jorge- ficamos muito amigos- e esperei Juarez, mas nada dele chegar e eu já com pena do meu pai que era avesso a estas festas, o lugar estava lotado- Jorge é a pessoa que mais agrega gente em torno que eu conheço- resolvi voltar outra hora.
Encontrei Juarez uns dias depois, ele tinha um atelier ali na praça, em cima da OCA, no escritório do Sergio Rodrigues, o arquiteto. Passamos a nos ver ali no atelier, eu ficava vendo-o pintar e desenhar Ele fazia uma tira no Jornal do Brasil de desenho nonsense, saia aos sábados, tenho todas as tiras até hoje.
Amanhã conto mais sobre Ju.


*12:00 hs. Nemo Nox me corrigiu dizendo que o filme "Fahrenheit 451" é baseado no livro de Ray Bradbury, publicado mais de uma década antes do filme de François Truffaut. Eu não me lembrava do livro, como digo sempre: não confie em ninguém com mais de 50 anos, muitas lembranças nossas são vagas. obrigada Nemo, valeu.

quinta-feira, maio 05, 2005

O homem aprisionado e Juarez Machado.


Juarez Machado. Posted by Hello



A Leila, do cadernos da Bélgica, me convidou para responder um questionário literário. Começa com a pergunta “Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?”
Para quem não sabe- tenho leitores muito jovens - “Fahrenheit 451” é um filme dirigido por François Truffaut e com Julie Christie no elenco. É um filme/livro* de ficção em que todos os livros devem ser queimados, porque propagariam a infelicidade. Há uma perseguição feroz aos livros, até que um bombeiro começa a questionar o porquê da destruição dos livros.
É um filme de ficção muito interessante e assustador.
O título Fahrenheit 451 é uma referência à temperatura que os livros são queimados.

Fiquei pensando e achei estranho escolher um livro, melhor seria um personagem, aí me lembrei do meu querido Juarez Machado.
Juarez tem um livro que saiu na década de 70, inicio, onde um personagem tenta de todas as maneiras sair do quadrado que o contém, o emoldura. Juarez com a criatividade fantástica que tem, faz a cada página um desenho onde o homenzinho se vira de todas as formas para iludir o enquadramento. Dá para imaginar que no fim ele sai, consegue sair, mas que ilusão... continua preso. É a vida. Nós criamos nossa prisão.
Eu estudava em Curitiba no Colégio São José, que fica ainda na Praça Rui Barbosa. Juarez fazia muito sucesso na época, saia muito nos jornais, era um jovem de Joinvile, que estudava artes plásticas em Curitiba e fazia um quadro de humor com Ari Fontoura na TV Iguaçu. Era hilário. Ari Fontoura fazia um deputado politicamente incorreto e Juarez um 'play boy' de cabelos compridos- coisa rara na época, tinha um cabelo louro muito lisinho, olhos azuis, azuis. Uma amiga de ginásio se apaixonou pelo 'play boy' e quis conhecer o Juarez. Eu o via passar pela praça na hora que eu saía da escola, e um dia corri e disse que gostaríamos de ver os desenhos dele. Combinamos o dia e lá fomos nós, umas quatro meninas, `a pensão que ele morava na rua 24 de maio. Quando minha amiga viu Juarez de perto se desencantou e eu me apaixonei. Sabe aquelas paixonites de menina moça que não quer nem lavar as mãos depois que cumprimenta o amado? Pois eu era assim. Caminhava com ele até a pensão e seguia o caminho em êxtase, lembro do cheiro do cigarro, sempre fumou muito. Eu tinha 15 anos. Aos 16 meu pai resolver mudar-se para Cabo Frio e foi um sofrimento enorme. Ganhei um desenho na despedida. Juarez namorava Gia, sua musa, dedicava todas as esculturas e desenhos para ela. Eu me sentia tão pequenininha, tão pouco mulher para competir com ela que guardei meu amor em segredo, de longe eu lia tudo que saía sobre ele na imprensa, já sabia que ele estava no Rio, e acompanhava as noticias. Ele se casou com a Gia e teve dois filhos.
Um dia, já morando no Rio, recebo de uma loja onde havia comprado uns móveis o convite para a exposição de Jorge de Salles, era apresentado por Juarez Machado. Peguei meu pai e fui até a loja que ficava na esquina da Praça Gal. Osório em Ipanema, pertinho de casa, me apresentei ao Jorge- ficamos muito amigos- e esperei Juarez, mas nada dele chegar e eu já com pena do meu pai que era avesso a estas festas, o lugar estava lotado- Jorge é a pessoa que mais agrega gente em torno que eu conheço- resolvi voltar outra hora.
Encontrei Juarez uns dias depois, ele tinha o atelier ali na praça, em cima da OCA, no escritório do Sergio Rodrigues, o arquiteto. Passamos a nos ver ali no atelier, eu ficava vendo ele pintar e desenhar, ele fazia uma tira no Jornal do Brasil de desenho nonsense, saia aos sábados, tenho todas as tiras até hoje.
Como esta história está ficando longa, acabo outro dia, fiquei com saudades de Ju, faz uns 3 anos que não o vejo.

*12:00 hs. Nemo Nox me corrigiu dizendo que o filme "Fahrenheit 451" é baseado no livro de Ray Bradbury, publicado mais de uma década antes do filme de François Truffaut. Eu não me lembrava do livro, como digo sempre: não confie em ninguém com mais de 50 anos, muitas lembranças nossas são vagas. obrigada Nemo, valeu.

quarta-feira, maio 04, 2005


Perscrutando até sua alma. Posted by Hello

Acordei desanimada a tal virose me deixou zonza e com tosse. Não tenho vontade de fazer nada, nem de escrever aqui, a cabeça está pesada.
Fico pensando se o cansaço não seria um certo desencanto com o mundo virtual, sabe a manchinha na ponta do nariz de que Barthes fala? Estava muito encantada, tudo fluía muito bem, até levar uma bela cacetada. Eu tinha um cuidado especial em não provocar polêmicas evitando assuntos que despertassem a ira de radicais, mas despertei a ira de quem eu menos esperava.
Hoje abri o Outlook e havia um email que me fez um grande elogio, veio de um intelectual importante, de alguém que admiro muito, elogiou meus micro contos- não mostrei para vocês ainda- enviei para o Nemo Nox publicar primeiro.
Como estou sem vontade de escrever, vou indicar um filme que todos devem ver pela importância do personagem biografado "Kinsey - Vamos Falar de Sexo", de Bill Condon. Vou deixar o Calligaris falando por mim, pois sabe melhor do que eu falar sobre o filme. Depois que eu vir o filme volto para comentar.

CONTARDO CALLIGARIS


Kinsey: vamos falar de sexo?
Estréia amanhã o filme "Kinsey - Vamos Falar de Sexo", de Bill Condon. Liam Neeson é Alfred Kinsey, o biólogo que, no fim dos anos 40, forçou os americanos (e o mundo) a encarar a diversidade das fantasias e dos comportamentos sexuais humanos.
Claro, já fazia tempo que a "Psychopathia Sexualis", de Krafft-Ebing, se escondia nas estantes mais altas das bibliotecas da classe média. Adolescentes e adultos encontravam no latim do título (mantido nas inúmeras traduções) uma boa desculpa para acessar um repertório de sacanagens sem perder a compostura. É um tratado científico, não é?
Também fazia tempo que Freud repetia esta evidência: a sexualidade humana não é orientada só pelas necessidades da reprodução.
No entanto, até Kinsey, a extravagância dos desejos podia ser concebida como catálogo das bizarrias de loucos e louquinhos; pouco ou nada a ver com a gente.
Kinsey não queria explicar nada; não era psicólogo e não se propunha a descobrir motivações. Mas ele era um extraordinário entrevistador, capaz de perguntar e escutar sem julgar. Com um pequeno time, percorreu os Estados Unidos dando a palavra a milhares de homens e mulheres para que falassem de sua vida sexual. Revelou assim a estranha cara da pretensa "normalidade".
Em 1948, ele publicou "O Comportamento Sexual do Homem", que foi um imenso sucesso. Mas, em 1953, quando saiu "O Comportamento Sexual da Mulher", a reação foi brutal. A idéia de que o homem comum seja um tarado é aceitável; agora, não nos digam que nossas mulheres e mães têm fantasias e desejos.
Eram os tempos da caça às bruxas; a comissão Reece do Congresso americano investigava supostas "infiltrações comunistas" nas fundações filantrópicas do país. A comissão achou que Kinsey ameaçava a moralidade da nação; ele devia ser um perigoso comunista, não é? A Fundação Rockfeller, que subvencionava a pesquisa de Kinsey, se apavorou e cortou os fundos.
Na verdade, "perigosa comunista" era a própria comissão Reece, visto que ela queria subordinar o trabalho científico a exigências ideológicas, no melhor estilo da ciência stalinista. Alguém se lembra de Lyssenko? Foi o biólogo que destruiu a biologia soviética negando as descobertas básicas de Mendel porque não colavam com o materialismo dialético do catecismo marxista. Quem não concordava com Lyssenko ia para a Sibéria. Lyssenko é o padroeiro dos que tentam usar a "ciência" para confirmar suas ideologias e crenças entre eles, os que afirmam que existem práticas sexuais que seriam "contra a natureza".
Para Kinsey, a expressão patológica não é a variedade dos desejos, mas o silêncio.
O silêncio alimenta exclusão e culpa. É raro (obrigado, dr. Kinsey), mas acontece: há adolescentes que pensam ser os únicos no mundo a ter "pensamentos impuros". Basta encontrá-los para entender os tormentos aos quais o silêncio sobre o sexo pode condenar homens e mulheres. Como tolerar nosso próprio desejo se ele nos aparece como uma aberração? Como viver se, no discurso ao redor de nós, nada indica que nosso desejo tenha o direito de existir?
O silêncio sobre o sexo tem também um outro efeito. Ele pode transformar as fantasias e as práticas sexuais em baluartes últimos do narcisismo. Assim: "Sou um homem qualquer. Quando transo, sou bem-comportado, mas penso em coisas que não falo nem para minha parceira. Graças a esses porões escondidos de meu desejo, mantenho a ilusão de que, apesar de meu dia-a-dia cinza, eu sou especial, inconfundível". A armadilha narcisista mais antiga, a idéia de que não sou apenas um entre outros, serve-se da sexualidade silenciada para confortar o sujeito na crença idiota de sua excepcionalidade.
Onde estamos 50 anos depois de Kinsey?
Estou lendo "Sexualidade e Saberes: Convenções e Fronteiras", uma publicação (ótima) do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos, do Instituto de Medicina Social da Uerj. O instituto foi criado com o apoio da Fundação Ford, que não por isso é acusada de ser "comunista". O mundo mudou. A diversidade dos desejos é reconhecida. Surgiu uma disciplina, a sexologia, que, por exemplo, convida os casais a melhorar sua vida sexual reconhecendo os desejos que cada um esconde do parceiro. Kinsey mal acreditaria seus olhos e ouvidos.
Entretanto voltam com força vozes que Kinsey acharia familiares. São os fundamentalistas de todo tipo que, nos EUA, tentaram impedir o acesso aos cinemas que projetavam "Kinsey". Por uma vez, em lugar do papa ou de um imame, podemos escolher o rabino Schmuley Boteach (autor de um livro intitulado "Kosher Sex").
Para Boteach, a obra de Kinsey nos corrompeu, introduzindo "a época da pornografia, do amor livre, da troca de casais" e mesmo da percentagem de 50% de casais que divorciam.
Um psicanalista perguntaria ao rabino Boteach de onde vem seu ódio pelos desejos "divergentes": "Você se sente ameaçado pelo quê, rabino?".
Já Kinsey, se encontrasse o rabino Boteach, agiria de outra forma, abriria sua pasta e sua caneta-tinteiro, puxaria um questionário e perguntaria calmamente: "Rabino, com que idade você começou a se masturbar?".
Obrigada Calligaris.
Este texto foi publicado pela "Folha de S. Paulo", dia 28/04/2005.

Bom dia!
Namastê.

segunda-feira, maio 02, 2005

Oferenda


Oferenda. Posted by Hello

Lírios brancos

Te espero, coração em sobressalto.
Mas teu silêncio é morte.
Caminhas, gestos contidos,
meu coração em descompasso
com o roçar das tuas bainhas no chão frio.
Teu silêncio é morte.
Sufocada saio.
Volto
e te encontro
Entregue
Pronto
Teus pés em oferenda.
Lírios brancos.

Este poema foi feito baseado numa cena do livro de Raduan Nassar “Um copo de cólera”, para mim um dos maiores romances da nossa língua-não vejam o filme antes de ler o livro, o filme é muito ruim.
Ah! eu sei que esta foto é de copo de leite e não um lirio.

domingo, maio 01, 2005

"A costura do invisível".


Brilho e inteligência. Posted by Hello



Ontem vi uma entrevista de Regina Marteli com Jum Nakao, na Globo News, quem não o conhece procure conhecer, é o figurinista paulista que fez um desfile com as modelos vestidas de papel, o desfile foi MARAVILHOSO e ao final elas rasgaram as roupas provocando emoção e espanto.
Jum trabalhou 180 dias com uma equipe enorme e guardando o segredo da destruição do final. Há um vídeo de Kiko Araújo: “A costura do invisível”. Parece que o invisível me persegue estes dias.
Pensando nisto lembrei da lenda do vagalume e da serpente, é para vocês pensarem. Brilhar incomoda, Jum Nakao, roubou a cena o ano passado, aposto como caíram em cima dele. Até Tom Jobim denunciava que no Brasil, não podemos ser bem sucedidos para sermos queridos, mas Tom está aí, como um dos maiores compositores do século. “Uns passarão, eu passarinho”. disse Mário Quintana, outro que foi subestimado, até a morte.
Há espaço para todos, sejamos generosos e democráticos, como educar filhos num mundo hostil e ainda recomendar que não pisem no rabo do tigre porque ele pode não gostar? e se este tigre estiver adormecido ou disfarçado de gatinho, como sabê-lo?
Portanto é preciso que sejamos ousados, só com liberdade, sem medo, poderemos criar algo original.


Rasgando... Posted by Hello



A SERPENTE E O VAGALUME:
Conta a lenda que uma vez uma serpente começou a perseguir um vaga-lume. Este fugia rápido, com medo da feroz predadora e a serpente nem pensar em desistir. Fugiu um dia e ela não desistia, dois dias e nada... No terceiro dia, já sem forças o vagalume parou e disse a cobra: - Posso lhe fazer três perguntas?
- Não costumo abrir esse precedente para ninguém, mas já que vou te devorar mesmo, pode perguntar...
- Pertenço a sua cadeia alimentar ?
- Não.
- Eu te fiz algum mal?
- Não.
- Então, por que você quer acabar comigo?
- Porque não suporto ver você brilhar....


Bom domingo.

Namestê. ( acredito que os deuses, ou deusas nos protegem de todo mal, amém!)