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domingo, dezembro 05, 2010
terça-feira, março 16, 2010
Vida longa para Ju!
Hoje é aniversário desta figuraça- quem o conhece sabe que é um sujeito muito especial.
Inteligentíssimo, talentossíssimo, bon vivant, um homem inesquecível( os mais velhos lembram do "Meu tipo inesquecível" da revista Seleçőes Reader`s Digest- ainda existe, né? Nunca mais vi, meu pai colecionava).
Feliz Aniversário, Juarez!
Espero encontrá-lo de novo ai ou cá no Brasil. Sei que será muito divertido.
Continue com boa sorte, talento e saúde- vida!
Conto sobre nosso primeiro encontro aqui. Mais aqui.
domingo, março 15, 2009
Viva o Juarez!

Juarez Machado.

Meu encontro com Juarez
Eu morava em Curitiba, estudava no Colégio São José na Praça Rui Barbosa. Juarez Machado fazia muito sucesso, saia nos jornais, era um jovem de Joinvile, que estudava artes plásticas. Na TV Iguaçu fazia um quadro de humor com Ari Fontoura. Era hilário. Ari Fontoura fazia um deputado politicamente incorreto e Juarez um play boy de cabelos compridos- coisa rara na época, ele tinha um cabelo louro muito lisinho, olhos azuis, azuis.
Uma amiga de ginásio se apaixonou pelo play boy e quis conhecê-lo.
Eu o via passar pela praça na hora que saía da escola, um dia corri e disse que gostaríamos de ver os seus desenhos. Combinamos o dia e lá fomos nós, umas quatro meninas `a pensão onde ele morava na rua 24 de maio.
Quando minha amiga viu Juarez de perto se desencantou e eu me apaixonei.
Sabe aquelas paixonites de menina moça que não quer nem lavar as mãos depois que cumprimenta o amado? Pois eu era assim. Caminhava com ele até a pensão e seguia o meu caminho em êxtase. Lembro do cheiro do cigarro, ele fumava muito.
Ia, com a amiga, visitá-lo no estúdio da TV, onde ele fazia enormes painéis cenográficos, conversávamos sobre literatura, eu toda faceira, lembro, vestido de algodão engomado- aposto, mas absolutamente tímida. Tinha 15 anos.
Aos 16 meu pai resolver mudar-se para Cabo Frio e foi um sofrimento enorme.
Ganhei um desenho na despedida. Um estudo grande em preto e branco, um flautista.
Juarez namorava Gia, sua musa, dedicava todas as esculturas e desenhos para ela. Foi premiado como revelação pelas esculturas. Eu me sentia tão pequenininha, tão pouco mulher para competir com ela que guardei meu amor em segredo. De longe eu lia tudo que saía sobre ele na imprensa, já sabia que ele vivia no Rio, e acompanhava as noticias. Ele se casou com a Gia e teve dois filhos.
Um dia em 70, morando no Rio, recebo de uma loja um convite para a exposição de Jorge de Salles, era apresentado por Juarez Machado. Peguei meu pai e fui até a loja na esquina da Praça Gal. Osório em Ipanema, pertinho de casa, Apresentei-me ao Jorge- ficamos muito amigos depois- e esperei Juarez. Mas nada dele chegar e eu já com pena do meu pai que era avesso a estas festas, o lugar estava lotado- Jorge é a pessoa que mais gregária que eu conheço- resolvi voltar outra hora.
Encontrei Juarez uns dias depois, ele tinha um atelier ali na praça, em cima da OCA, no escritório do Sergio Rodrigues, o arquiteto. Passamos a nos ver ali, eu ficava vendo-o desenhar. Ele fazia uma tira para o Jornal do Brasil, um desenho nonsense, saia todos os sábados, tenho todas as tiras até hoje.
Alguns anos depois, ele mudou-se para a Rua Joana Angélica, num apê que se debruçava sobre a Lagoa Rodrigo de Freitas, era ali que eu o via pintar então. Conversávamos muito pouco- ele era quietão, era, não é mais, nem eu. :)
Um dia eu lhe disse que queria fazer análise, sabia que ele fazia com a Dra. Katarina Kemper, ele contava historinhas.
Ele disse: "Vá fazer com Eduardo, irá se apaixonar na hora". Acertou, foi transferência imediata, E Requião foi um dos homens mais bonitos que eu vi. Na primeira entrevista estava bronzeado, tem lindos olhos azuis, não resisti. Deitei no divã 5 anos, depois ficamos amigos- agora ele é assessor do irmão no Paraná, abandonou a psicanálise.
Durante alguns anos vi menos o Ju, ele casado, eu namorando, estudando, fazendo estágio em hospitais psiquiátricos. O atelier de São Conrado, que era lindo, eu não conheci.
Um parênteses: Tenho quase certeza, não posso afirmar, que a casa da pintora que Sônia Braga fez numa novela era o antigo espaço do Ju.
Nesta época nos encontrávamos na rua, em Ipa. Na última vez que o vi ele disse:
- Quando irá me visitar em Paris?
- Um dia irei, respondi.
Fui no ano passado, foi super divertido, ele estava com a corda toda, sarcástico, como sempre, foi uma tarde inesquecível para mim e minha amiga.
O atelier é uma beleza, um espaço incrível, de três andares em Montmartre.
Já contei sobre este encontro em outro post quando cheguei.
Conheci o filho dele, só havia visto menino, é um belo rapaz, faz cinema, mora em NY.
É filho de Eliane C. de quem Ju se separou há alguns anos depois de um longo casamento.
Eu voltei dia 13 de outubro, logo depois ele fez uma exposição na rue de Senne, eu passei na galeria, vi os quadros no chão- coloquei fotos aqui.
Pois é, Juarez faz anos hoje, que tenha vida longa. É uma das poucas pessoas que conheço que sabe viver. Soube ganhar dinheiro fazendo o que gosta, vive nos lugares que ama, parece um homem feliz, o ser angustiado dos desenhos de 1970 deve existir apenas no seu imaginário.
Que os deuses o protejam. Amém!
Do arquivo do blogspot de 2005:
A Leila, do cadernosdabélgica, convidou-me para responder um questionário literário.
Começa com a pergunta “Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?”
Para quem não sabe- tenho leitores muito jovens - “Fahrenheit 451” é um filme dirigido por François Truffaut e com Julie Christie no elenco. É um filme/livro* de ficção em que todos os livros devem ser queimados, porque propagariam a infelicidade. Há uma perseguição feroz aos livros, até que um bombeiro começa a questionar o porquê da destruição dos livros.
É um filme de ficção muito interessante e assustador.
O título Fahrenheit 451 é uma referência à temperatura que os livros são queimados.
Fiquei pensando e achei estranho escolher um livro, melhor seria um personagem, aí me lembrei do meu querido Juarez Machado.
Juarez tem um livro que saiu na década de 70, inicio, onde um personagem tenta de todas as maneiras sair do quadrado que o contém, o emoldura. Juarez com a criatividade fantástica que tem, faz a cada página um desenho onde o homenzinho se vira de todas as formas para iludir o enquadramento. Dá para imaginar que no fim ele sai, consegue sair, mas que ilusão... continua preso. É a vida. Nós criamos nossa prisão.
sábado, março 14, 2009
Para lembrar Juarez Machado
Ele faz aniversário segunda-feira, vamos festejando, afinal material é que não falta.
Este vídeo é muito bom, Juarez fala com os desenhos, eu adoro esta fase dele, talvez até por ser mais triste, agora ele é mais leve, mais colorido. Vocês sabem que eu prefiro as coisas densas, que me façam pensar. Mas também gosto dos atuais, são belíssimos.
Ele é super gaiato vejam aqui:
sexta-feira, outubro 26, 2007
Juarez Machado no "Conexão Roberto D'Ávila"

Juarez era assim quando o conheci. Ele é o loirinho em pé, era uma graça.
Foto daqui.
Hoje, dia 26, tem "Conexão Roberto D'Ávila" com a segunda parte da entrevista com Juarez Machado. Vai ser reprisado no domingo, vejam no link. Está uma delícia o programa, Ju está super à vontade, eles são amigos, conta muitas historinhas. Muitas eu já conhecia, eu o conheço desde adolescente.
Aqui uma historinha que ele conta no site também:

Abbesses St. Workshop
Edifício construído em 1896, projetado pelo arquiteto Besnard, especialmente para a função de atelier de artista. Situado nas colinas de Montmartre, na rue des Abbesses, onde ilustres moradores viveram, como Theo e o seu irmão Van Gogh. Toulouse Lautrec, Picasso, Modigliani, Van Dogen, Max Jacob e tantos outros que também nesta região viveram, deram ao quartier, a fama e o prestígio da "Cidade Luz", onde as pedras falam de arte.
Após incessante procura de um verdadeiro "atelier d'artiste" em 1991 o encontrei, e consegui adquiri-lo. A partir do pós-guerra estes atelieres, que são um símbolo de um tempo em Paris, tornaram-se cada vez mais raros no mercado imobiliário, pois deixaram a sua função original e passaram a ser a habitação de pessoas que buscavam um lugar especial para viver. Com alta janelas voltadas para a fachada norte onde a luz é ideal, por ser constante, grandes espaços com volumes de seis metros de pé direito se intercalam por mezzaninos.
No 2º e 3ª andar onde trabalho, tenho os meus cavaletes, tintas, livros telas e um rádio que jamais é desligado, mesmo quando saio.Muitas pessoas acendem velas ou incenso, eu uso a música para purificar. Lá pintei tantos quadros, para tantas exposições, entre eles a coleção
Copacabana, inspirado na poesia e na música de seus anos dourados, especialmente para as comemorações de seu Centenário em 1992. Esta exposição foi mostrada nas principais capitais brasileiras e ainda em Paris, Nova York e Miami. Moro nos 4º, 5º e 6º andares do edifício. No último andar, por isso não jogo pedra no telhado do vizinho, o teto é de vidro. De lá se vêem os telhados da velha Montmartre, com sol, chuva ou neve, é sempre um prazer se olhar.
Da janela grito ao Mr. Frédéric, do restaurante em frente "La Mascotte" que me traga as ostras, "Fine Claire nº3", que o champagne já está no gelo. Lá embaixo a rua é viva e musical. Com som próprio, orquestrada com os gritos dos comerciante anunciando suas ofertas, a conversa animada nos bistrôs, o choro de acordeons e a melodia dos "chansonniers". Por entre bancas de frutas, legumes, queijos, flores e peixes seus moradores circulam com a baguete debaixo do braço e na sacola o bom vinho.
Numa esquina, algum pintor com seu cavalete registra o "Village Lepic-Abbesses" para qualquer dia ser visto em algum museuo, o retrato da continuação deste tempo, que é assim há cem anos, pois muitas vezes olho no calendário para ter certeza do ano em que estou.
Quando compro o sagrado pão nosso de cada dia, a jovem padeira, gentil me cumprimenta: "bonjour monsieur le peintre", como certamente fazia sua avó para algum pintor do bairro na sua época. Feliz, sinto que juntos estamos apenas cumprindo a bela tarefa de dar continuidade à história da vida.
sexta-feira, maio 06, 2005
O homem libertado. Freud e Juarez.

Juarez Machado.

A Leila, do cadernos da Bélgica, me convidou para responder um questionário literário. Começa com a pergunta “Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?”
Para quem não sabe- tenho leitores muito jovens - “Fahrenheit 451” é um filme dirigido por François Truffaut e com Julie Christie no elenco. É um filme/livro* de ficção em que todos os livros devem ser queimados, porque propagariam a infelicidade. Há uma perseguição feroz aos livros, até que um bombeiro começa a questionar o porquê da destruição dos livros.
É um filme de ficção muito interessante e assustador.
O título Fahrenheit 451 é uma referência à temperatura que os livros são queimados.
Fiquei pensando e achei estranho escolher um livro, melhor seria um personagem, aí me lembrei do meu querido Juarez Machado.
Juarez tem um livro que saiu na década de 70, inicio, onde um personagem tenta de todas as maneiras sair do quadrado que o contém, o emoldura. Juarez com a criatividade fantástica que tem, faz a cada página um desenho onde o homenzinho se vira de todas as formas para iludir o enquadramento. Dá para imaginar que no fim ele sai, consegue sair, mas que ilusão... continua preso. É a vida. Nós criamos nossa prisão.
Eu estudava em Curitiba no Colégio São José, que fica ainda na Praça Rui Barbosa. Juarez fazia muito sucesso na época, saia muito nos jornais, era um jovem de Joinvile, que estudava artes plásticas em Curitiba e fazia um quadro de humor com Ari Fontoura na TV Iguaçu. Era hilário. Ari Fontoura fazia um deputado politicamente incorreto e Juarez um 'play boy' de cabelos compridos- coisa rara na época, tinha um cabelo louro muito lisinho, olhos azuis, azuis. Uma amiga de ginásio se apaixonou pelo 'play boy' e quis conhecer o Juarez. Eu o via passar pela praça na hora que eu saía da escola, e um dia corri e disse que gostaríamos de ver os desenhos dele. Combinamos o dia e lá fomos nós, umas quatro meninas `a pensão onde ele morava na rua 24 de maio. Quando minha amiga viu Juarez de perto se desencantou e eu me apaixonei. Sabe aquelas paixonites de menina moça que não quer nem lavar as mãos depois que cumprimenta o amado? Pois eu era assim. Caminhava com ele até a pensão e seguia o caminho em êxtase, lembro do cheiro do cigarro, ele fumava muito. Eu tinha 15 anos. Aos 16 meu pai resolver mudar-se para Cabo Frio e foi um sofrimento enorme. Ganhei um desenho na despedida. Juarez namorava Gia, sua musa, dedicava todas as esculturas e desenhos para ela. Eu me sentia tão pequenininha, tão pouco mulher para competir com ela que guardei meu amor em segredo, de longe eu lia tudo que saía sobre ele na imprensa, já sabia que ele estava no Rio, e acompanhava as noticias. Ele se casou com a Gia e teve dois filhos.
Um dia, já morando no Rio, recebo de uma loja um convite para a exposição de Jorge de Salles, era apresentado por Juarez Machado. Peguei meu pai e fui até a loja na esquina da Praça Gal. Osório em Ipanema, pertinho de casa, Apresentei-me ao Jorge- ficamos muito amigos- e esperei Juarez, mas nada dele chegar e eu já com pena do meu pai que era avesso a estas festas, o lugar estava lotado- Jorge é a pessoa que mais agrega gente em torno que eu conheço- resolvi voltar outra hora.
Encontrei Juarez uns dias depois, ele tinha um atelier ali na praça, em cima da OCA, no escritório do Sergio Rodrigues, o arquiteto. Passamos a nos ver ali no atelier, eu ficava vendo-o pintar e desenhar Ele fazia uma tira no Jornal do Brasil de desenho nonsense, saia aos sábados, tenho todas as tiras até hoje.
Amanhã conto mais sobre Ju.
*12:00 hs. Nemo Nox me corrigiu dizendo que o filme "Fahrenheit 451" é baseado no livro de Ray Bradbury, publicado mais de uma década antes do filme de François Truffaut. Eu não me lembrava do livro, como digo sempre: não confie em ninguém com mais de 50 anos, muitas lembranças nossas são vagas. obrigada Nemo, valeu.
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