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domingo, fevereiro 09, 2020

Carlos Drummond de Andrade e meus meninos



Drummond entrou realmente na minha vida ao morrer.
Éramos amigos, sim, mas a minha vida mudou com a morte dele. Conto aqui o porquê da data ser tão importante para mim. Viva Drummond!

Era agosto, meu inferno astral, mês de mau agouro. A TV noticia a morte de Drummond. Fico triste. Havia falado com ele pouco antes, alguns dias depois da morte de sua filha, Maria Julieta. Ele pareceu tranquilo, disse que ela sofria muito, que foi um alívio para ela. Sofria de câncer nos ossos- ele cuidava dela, eu o encontrava na rua à caminho de sua casa, que ficava na rua Barão da Torre- pertinho da minha rua. Tinha pena de vê-lo tão triste, contou que ela usava colchão de água por causa das dores.

Confusa, não sei se devo ir ao enterro, detesto estas cerimônias. Dia cinzento, chuva fina. Às nove da manhã a imagem de Drummond no caixão me comove numa capela quase vazia. Resolvo ir.

Onze horas, hora do enterro, a capela, cada vez mais cheia, me sufoca. Saio para a varanda do cemitério São João Batista. Havia ali um homem bonito- alto, de terno de linho azul claro e olhos orquídea- e outros curiosos, políticos, artistas... Pergunto, a um homem qualquer, se há outra saída para o caixão- pois vejo repórteres correndo- o homem de terno de linho azul diz: “Vou ver". Na volta diz, fazendo um gesto com a mão: "Venha comigo". Fui.

Algum tempo depois eu esperava meu primeiro filho- dele.

Diz um amiga astróloga que quando morre um escorpião nasce outro, no meu caso nasceram dois geminianos.

Devo a Drummond meus dois lindos meninos, hoje homens.

terça-feira, maio 31, 2005

Drummond e os meus meninos




Drummond entrou realmente na minha vida ao morrer.
Era agosto, meu inferno astral, mês de mau agouro. A TV noticia a morte de Drummond. Fico triste e confusa, não sei se devo ir ao enterro, detesto estas cerimônias. Dia cinzento, chuva fina, às nove da manhã a imagem de Drummond no caixão me comove na capela quase vazia. Resolvo ir.

Onze horas, hora do enterro, a capela cada vez mais cheia me sufoca. Saio para a varanda do cemitério São João Batista. Havia um homem bonito de terno de linho azul à espera, e outros homens- políticos, artistas, curiosos. Pergunto, a um homem qualquer, se há outra saida para o caixão- pois vejo repórteres correndo, homem de terno de linho azul diz: "Vou ver". Na volta diz: "Venha comigo". Fui. Algum tempo depois eu esperava meu primeiro filho- dele.

Diz um amiga astróloga que quando morre um escorpião nasce outro, no meu caso nasceram dois geminianos.
Devo a Drummond meus dois lindos meninos, hoje homens.

Que viva Drummond! Que vivam meus meninos!