Linda esta canção, já chorei muito ouvindo.
Eu cantava, quando era jovem. Adorava Edu Lobo. Já contei que era meio apaixonada por ele- coisa de ídolos- e um dia nos apresentaram, fiquei ao lado dele, na boate do Club Canal, muda, ele também tímido, não disse nada :) Eu era tímida demais, mudei bastante.
Foi em Cabo Frio, antes de 70, eu acho. Faz tempo... eles tinham casa lá. Todo mundo tinha, desde B. Bardot(Búzios) passando por Tônia Carrerro, os Menescal(acho que ainda andam por lá) e o Silveirinha(tecidos Bangu), que tinha um iate enorme.
Era chic lá, agora não é mais. Mas ainda é muito lindo. O mar é azul, a areia branca com açúcar. indescritível. Conhecem?
Mani tks pelo link. Esta moça canta muito lindo.
quarta-feira, janeiro 16, 2008
Mônica Salmaso - "Canto triste" de Edu Lobo
A bela Liz Taylor
Meu amigo Betão me enviou este link e outros.
Vi, estes dias, “Gata em teto de zinco quente”, “Butterfly 8” e há algum tempo, "Quem tem medo de Virginia Woolf", que eu comento aqui
Ela está belíssima em "Butterfly 8" e está muito bem também. A beleza deve ter atrapalhado muito Liz Taylor. Era uma linda boneca. Agora uma mulher que luta contra doenças, teve muitas. Casou não sei quantas vezes. Vive tentando. Tenho pena. Ou não. Ela vive com pode.
Asas, para que te quero?

Ontem, eu perguntei para um aviador, depois que me disse, en passant, que o avião deu pane e não puderam seguir a viagem:
"E como você se sentiu?"
Ele respondeu que estava no alto e pensou na mulher, na pensão que deixará, e pediu a Deus que a morte fosse sem dor, rápida.
Eu penso o mesmo.
Sonhei com o amor da minha vida, ele estava na sala, mais jovem, cabelos castanhos. Eu ia para outra sala telefonar para ele. Pode?
eu entendi...
Estou em fase de mudanças. Muita insegurança. Sou muito medrosa, tenho medo de mudar. Mudei muito na vida, em todos os aspectos, mas tenho medooooooooooooo. Sei que será para melhor. É. Entonces... Segura a peteca ai, anda, nada de fricotes ou fraquezas, não é? 'E os cães ladram e a caravana passa', não é? pois é... mas dói.
E como diz Shakespeare: “Nossa vida é tecida pelos mesmos fios dos nossos sonhos.”
domingo, janeiro 13, 2008
PS: eu não te amo...foi engano
Eu ontem vi este filme. A atriz Hilary Swank fica melhor em papeis menos doces, como na personagem transexual de 'Meninos não Choram', ou a lutadora de boxe de 'Menina de Ouro'. Mas dá para ver o filme. Uma amiga disse que chorou e riu, eu nem ri nem chorei, mas achei bonzinho. Se você gosta de romances água com açúcar vai adorar, e tem dois bonitões, prefiro este ai da foto, um charme, o conheço de outros lugares, não lembro- já li mais não lembro de novo. :)
Jeffrey Dean Morgan
Ah! no filme tem cenas de filmes antigos que eu adoro, alguns com Betty Davis, uma delícia, aquela era uma senhora atriz uauuuuuuuuu E tem a Judy Garland cantando 'PS: eu te amo', numa linda voz. Não achei no Youtube para colocar aqui.
Vi a metade de 'Meu nome não é Johnny', não que eu não estivesse gostando, mas o som pifou e eu preferi ver outro filme à esperar até outra sessão mais tarde. Selton Mello está ótimo, como sempre, o rapaz entra fundo nos personagens, é um prazer vê-lo trabalhando. Sou sua fã. E é um cara bonito sem ser em excesso, bom para ele, se encaixa melhor nos papeis. Imaginem se um Gianecchini faria um papel destes... :)não colava. Viram "Lavoura arcaica"? Inesquecível!
O João Estrela, que é o sujeito que é retratado no filme, tem um blog, é estranho isto, sair do cinema e dar de cara com o sujeito de verdade num blog, respondendo às perguntas, aos comentários, muito estranho. Ou é estranho porque ele é um cara que teve uma vida super pesada? sei lá... não vi o final, sei como acaba, como todos que o viram divulgando o filme sabem. Tudo muito estranho, meio Big Brother.
Sai do filme pensando o que todos pensam: por que ele se envolveu daquele jeito com o tráfico?
No filme o João é um cara muitoooo solitário Teve infância 'normal', depois os pais foram cada um para um canto, ele mal via a mãe. A mãe vivia fora do ar, nega o que vê, e o pai sempre doente. Este está tão mal que nem se importa mais com o que se passa ao redor, apenas sobrevive. João, o solitário, vai até o pai, dá um alô e volta para a droga. O pai num momento diz para que ele viva intensamente, reforçando o viver descompromissado e louco do filho.
Ah! alguns dirão que ele tinha uma mulher, a bonita Cléo Pires, faz a moça, tão irresponsável e doida quanto João.
Para mim todo usuário de drogas é um solitário e suicida. A droga é usada para suportar a vida, que é um peso ou tédio- João não fazia nada, tinha uma casa linda, dava festas quando queria. Era solitário mesmo com a mulher.
Eu é que não vou perguntar nada para o próprio. Você vai? ele está aqui e responde a todos.
Aqui um blog dedicado ao Selton, que escreve de vez em quando lá, parece.
Adoro a cara cínica do Selton, tem cara de bon vivant, é charmoso. Conhecem o programa de Tv dele? eu via, não tenho mais Sky, só a cabo e não tem mais o canal Brasil ou coisa parecida, nunca sei o nome do canal, faço confusão com Tv cine Brasil, este passa aqui.
sábado, janeiro 12, 2008
A Tunísia vista por Klee e Macke. Maravilha!
PAUL KLEE e AUGUSTE MACKE. TUNÍSIA - 1914
Veja no site o livro. Entendeu tudo? :)
Betão me enviou, adorei. Amo aquarelas e sei que são difíceis de fazer. A mão tem que ser leve, tudo rápido. Eu arrisquei algumas, mas faz tempo.
Tks, Betão.
sexta-feira, janeiro 11, 2008
Sharon Stone decidiu jogar no outro time

Eu sei que vocês vão pensar que estou falando bobagens, mas não agüentei, eu também falo muita bobagem, e quero comentar esta notícia. Sharon é linda, parece inteligente, já passou por maus pedaços, deve ser madura e, como gosta de homens firmes, resolveu sair com mulheres. Tenho uma amiga que vai concordar, não é Gui?
Lá, como cá, não há homens disponíveis. Só que para mudar de time é preciso gostar do outro gênero, eu tô fora.
Onde estão os homens??? não é pergunta do "Pequeno Príncipe", do Exupéry não, é valendo aqui na terrinha. Acredito que cada dia haverá mais bissexuais, ou homos, mulheres, assim com existem homens. O mundo se torna cada dia mais livre, é bom isto. Não vejo mal. Acho ruim não haver homens disponíveis, só isso. cada um deve viver como quer.
Tem um filminho na Tv Euro channel, é um seriado, eu vi hoje, vejo de vez em quando quando calha de estar passando, não sei a hora- hoje acho que era lá por uma e meia da tarde aqui, aí no sudeste, duas de meia. Bom, há um rapaz gay, que mora com uma amiga apaixonada por ele. Transaram uma vez, acho , ela engravidou. Não sei se perdeu, ou o que foi, perdi o fio da meada. Hoje ele beijava um vizinho, por quem se apaixonou- por sinal um homem muito interessante- e depois ela beijava o tal vizinho. O seriado é super moderno e atual. Se passa em Paris, eu adoro ver a paisagem- hoje sentaram a beira do Sena para conversar. É interessante, mostra os conflitos, os desejos... as nossas confusões. Eu fui apaixonada por um homossexual, e sei que ele era confuso em relação a mim, às vezes 'namorávamos', sem transar, nos beijávamso muito, eu adorava. Ele não quis fazer sexo comigo, dizia que estragaria nossa relação, estava certo.
A notícia:
Sharon Stone decidiu jogar no outro time
Cansada de homens que não são suficientemente masculinos, a atriz pretende investir em relacionamentos com mulheres
A atriz Sharon Stone parece ter se cansado dos homens. Por isso, declarou estar disposta a testar o outro time. Segundo informações do site Hollyscoop, Sharon disse que os homens não estão “másculos o suficiente” e que pretende sair com uma mulher, para variar.
“Todo mundo é bissexual até certo ponto”, declarou a diva. “Agora, os homens agem como mulheres e é difícil manter um relacionamento, porque eu gosto de homens à moda antiga”.
Mas, então, por que Sharon, tão afeita à pegada masculina, procura agora uma mulher?
“Eu gosto de masculinidade e, na verdade, só as mulheres fazem isso agora”, explica a atriz. Segundo Sharon, ao sair para uma noite romântica com uma mulher, elas são mais firmes. “Elas ligam e dizem: ‘te pego às sete’. Elas te levam a um lugar legal e você ainda pode se vestir com feminilidade”, completa.
Boa sorte, Sharon.
Da Redação
Foto: Divulgação daqui
O Amor nos Tempos do Cólera- a traição

Emanuel, meu amigo, sabendo que eu detestei o filme, me enviou este texto, que eu adorei- diz o que eu não disse claramente nos posts anteriores- Eu acho que para fazer um comentário maior a gente tem que tomar mais cuidado, saber quem são os atores todos, o que o diretor já fez... eu estava por fora, eu nem sabia quem era a inexpressiva Fermina, aliás, continuo sem saber. Quanto à Fernanda concordo, acho que a direção coloriu demais a louca, (as cenas anteriores foram boas), não só na maquiagem, que foi horrível no filme todo, mas no exagero. Lembrei do 'Chaves', da D. Florinda quando envelheceram a Fermina. Triste ou cômico, você escolhe.
E o nariz do moço incomodava ver, eu me senti incomoda no filme todo.
Bom, leiam aqui:
QUANTO TEMPO VOCÊ ESPERARIA PELO FINAL DE UM FILME?
Por CARLOS ALBERTO MATTOS
24/12/2007
A história de amor de Gabriel García Márquez com o cinema começou nos anos 1950, quando ele estudou no Centro Sperimentale della Cinematografia, em Roma. Desde então, escreveu e ensinou a escrever roteiros, teve vários de seus filmes transpostos para a tela, ajudou a criar a Fundação do Novo Cinema Latino-americano e até arriscou-se como ator em alguns filmes. Esta, porém, é uma história de amor muito triste. Há mais de 50 anos, Gabo espera em vão ser correspondido. Mas o cinema insiste em maltratá-lo, interpretá-lo mal e virar as costas para a magia de sua literatura.
A rigor, nem os cineastas amigos, profundamente identificados com seu universo – como Ruy Guerra e Tomás Gutiérrez Alea –, conseguiram aquecer a relação. Há no realismo mágico e no romantismo alucinado de Gabo uma qualidade que parece irredutível à brutalidade da imagem. A delicadeza de sua imaginação necessita da distância que a leitura imprime. Quando transformada em metáforas visuais e arroubos de encenação, a magia se despedaça. O cristal vira vidro vagabundo.
Amor nos Tempos do Cólera é um desastre ornamental de grandes proporções, daqueles que arrastam tudo o que está em volta. Difícil saber onde estão os maiores equívocos. Se na produção que concebe cada cena com o esmero plastificado de uma minissérie de televisão. Se no roteiro de Ronald Harwood, que trata a história de maneira tão literal a ponto de não considerar diferenças fundamentais entre as linguagens literária e cinematográfica. Se na direção de Mike Newell, que torna o patético simplesmente ridículo, como é o caso das transas “acidentais” que abrem caminho para a devassidão de Florentino Ariza. Se na direção de arte, que entope o espaço cênico de plantas, papagaios e cores berrantes para nunca deixar dúvida de que estamos no paraíso tropical da latinidade caricata. Se, ainda, nos descaminhos de identidade de um filme falado em inglês, mas com uso freqüente de expressões latinas para dar um certo “som local”.
O filme só não soa cômico quando soa piegas. Nem o talento de Javier Bardem consegue insuflar alguma legitimidade romântica a um personagem que se arrasta pelo filme como se carregasse um piano nas costas. E, convenhamos, contracenar com a inexpressividade de Giovanna Mezzogiorno (que vive a “impossível” Fermina) e os exageros de John Leguizamo pode ser mais pesado que um Steinway de cauda. Nem mesmo Fernanda Montenegro escapa à enxurrada, tendo que repisar clichês de velha louca para cumprir o que o papel exigia.
Uma investigação rigorosa desse delito fílmico pode apontar, ainda, outros culpados: o maquiador, por exemplo, que errou todas as medidas de envelhecimento e criou uma prótese nasal pavorosa para o ator Unax Ugalde passar-se por Bardem jovem. Ou o montador, que deveria ter insistido mais para cortar uns 30 dos 140 minutos totais. A certa altura, o espectador menos condescendente tem que confrontar outra versão do slogan: “Quanto tempo você esperaria pelo final de um filme?”
A globalização do cinema de espetáculo é uma tendência irreversível, a gente sabe. Mas essa inacreditável adaptação literária exemplifica o que de pior pode advir: profunda incompreensão de uma expressão regional e recursos reunidos atabalhoadamente para explorar uma grife de sucesso. Para os milhões de leitores fiéis de García Márquez, um filme como esse pode ser apenas mais uma traição. Para o próprio Gabo, é outro adiamento trágico de um final feliz com sua Fermina, o cinema.
PS:(Laura) É isto ai. :) Vou ler mais este C Alberto, não conhecia.
A cidade luz
Veja aqui Paris em 360°.
Para ver toda a foto, use as setas (ad) do teclado ou o mouse sobre a régua horizontal inferior.
Engraçado, eu coloquei este link antes, em março de 2006, parece que foi outro dia...
quinta-feira, janeiro 10, 2008
Mini conto A escolha/ sem revisão
A escolha
Olha-se no espelho. O corpo magro deixa costelas expostas. Passa a mão no peito antes delineado. A pele sem viço, o nariz maior. Há manchas espalhadas, "manchas senis", disse o médico. Não há o que fazer.
Ele ri, vê os dentes amarelados e mal tratados. Ri mais ainda. Tantas possibilidades, tantas mulheres o desejaram... Ele nada. Travado. Esperava mais e mais delas. Ria, ria do amor delas. Todas loucas. Loucas de amor. Ele se escondia, se fazia de morto diante do fogo feminino. Elas enlouqueciam. Desesperadas se jogavam implorando afeto.
Uma delas se jogou, literalmente, pela janela. Olhou o corpo na calçada, a mancha de sangue enorme, e pensou: “Ela poderia ter esperado chegar em casa, a filha da puta me complicou. A louca, se jogou nua, nem uma roupa vestiu".
Ele lembra bem, ela levantou da cama e disse: "Não agüento mais, vou me matar". Ele disse:"Duvido..." rindo. Ela abriu a janela e voou. Não acreditou na fala dela, achava que todas fossem histéricas. Esta foi até o fim.
Não tem coragem para alçar vôo, ele pensa. Terá que esperar a morte, assim, definhando.
quarta-feira, janeiro 09, 2008
Mini conto/Sem revisão, nem título
“Não consigo dormir. Ele me persegue, diz que me quer. Manda que tire a roupa. Diz: ”Abra as pernas, deixe eu ver a minha florzinha.
Eu me desabrocho, me entrego. E ele quer mais e mais. Olhe aqui, doutor, estou toda lanhada. Ele não me deixa em paz”.
O médico continua escrevendo no prontuário. “Vamos modificar sua medicação, e quero que procure o setor de ginecologia. Vou te encaminhar”.
Quando levanta os olhos, ela está em pé, despida, à sua frente.
Vê o corpo seco, as mamas flácidas caídas.
Diz, tirando o jaleco e cobrindo os ombros magros: ”Vista isto, Isaura, está frio. Vou te levar até a enfermaria. Vamos lá”
terça-feira, janeiro 08, 2008
A flor / sem revisão

O sol a pino aquecia o pátio onde eles se protegiam, na estreita sombra. Amontoavam-se recostados na parede encardida e tépida. Alguns jogados no chão, em pleno sol. Talvez não sentissem o queimar.
Os homens com canecas nas mãos batiam ruidosos no portão de ferro, que se abriria em alguns minutos. Era hora do almoço.
A alegria do primeiro emprego desapareceu ao cruzar a porta para os alojamentos, que recendiam à urina.
Uma mulher lhe sorria sentada perto da entrada. Esperaria alguém? Boca desdentada, faces rubras de batom, boca carmim borrada. Uma flor murcha caía de sua orelha esquerda. Retribuiu o sorriso.
No carro, de volta, chorou. Não sabe se por eles ou por ela.
segunda-feira, janeiro 07, 2008
Michelangelo Antonioni e "Tecnicamente Doce"
Ontem, eu li na 'Folha' este roteiro e quis dividir aqui, sei que a maioria não tem acesso ao UOL ou ao jornal impresso.
Uma pena ele não ter feito o filme, seria um dos meus preferidos, eu creio.
Leia cenas do roteiro de "Tecnicamente Doce", escrito por Michelangelo Antonioni nos anos 60
Seqüência 16 - Casa de T - Interior - Dia
Um interior rústico: dois quartos, um banheiro. Um dos dois quartos é também a sala de estar. Uma jovem mulher está tirando o seu pulôver.
Jovem Mulher:
Não estou me sentindo bem. Acho que é excesso de felicidade.
Ela continua a tirar a roupa enquanto T a observa. Ela o faz de forma desenvolta: poucos gestos, rápidos, e está nua.
Ela se joga na cama. Poucos instantes depois, T a acompanha, também nu.
T:
Deveria ser tão simples ir para a cama juntos, e no entanto eu não consigo deixar de me maravilhar com isso.
Um silêncio.
T:
Acho que estou envelhecendo.
Jovem Mulher:
Então, vou embora.
T a segura pelos braços.
T:
Tinha que acontecer logo comigo, encontrar alguém como você.
Jovem Mulher:
Bem, pelo menos você terá salvado alguém em vida.
T fica subitamente sério.
T:
Não gosto do que você acabou de dizer.
A jovem mulher sorri. Eles se olham longamente.
Jovem Mulher:
E esse silêncio, o que quer dizer?
T:
Nada. O silêncio é só o silêncio.
Jovem Mulher:
Hm... nós somos bem complicados.
T mexe nos cabelos da jovem mulher, levando-a a ficar de perfil. Ela também se move para olhá-lo melhor. Agora ela se deita de costas, com as pernas ligeiramente abertas. T aponta para os dois corpos na cama.
T:
E nós, ao contrário, é tão simples.
Jovem Mulher:
É, tão simples.
Colocando as mãos sobre o seu sexo, ela abre ainda mais as pernas.
Jovem Mulher:
Entra.
Seqüência 30 - Casa de T na Sardenha - Interior/Exterior -Dia
A jovem mulher e T estão no quarto. Ela parece agitada, não para de ir e vir.
T:
O que você fez nestas últimas horas?
Jovem Mulher:
Erros.
T:
O que você quer dizer?
Jovem Mulher:
Tudo que eu faço são erros.
T:
Errare humanum est.
Jovem Mulher:
Não seja banal.
T:
Qual foi o erro desta vez?
Jovem Mulher:
Estar com um cara como você.
T:
O que quer dizer "um cara como eu"?
Uma pausa.
Jovem Mulher:
Acabei de pensar em algo que eu nunca disse.
T:
Como assim?
Jovem Mulher:
Um dia eu estava falando com alguém e pensei: eu vou terminar essa frase e depois eu conto algo definitivo para ele.
Em vez disso, esqueci o que eu ia dizer.
T:
E o que era?
Jovem Mulher:
Não lembro. Mas se eu tivesse dito essa frase, tudo teria mudado, tenho certeza.
T:
Tudo o quê?
Jovem Mulher:
Eu não seria mais como sou.
Ela continua a ir e vir no quarto, pega um jornal que começa a folhear. Alguma coisa chama a sua atenção.
Jovem Mulher:
Você sabe quantas pessoas morreram aqui hoje?
T:
Não.
Jovem Mulher:
Quatro. Está numa rubrica que se chama "crisântemos".
Tem até a idade delas. Uma delas tinha um minuto de vida.
T se volta para olhar para ela.
Jovem Mulher:
Pense nisso: ele viveu um minuto. Menos que uma borboleta.
De repente o seu tom muda, como se ela falasse para si mesmo.
Jovem Mulher:
E eu, ao contrário, tenho tantos anos diante de mim.
[A última cena do filme]
Seqüência 55 - Descampado -°Exterior - Dia
Uma imensa clareira começa no ponto em que a selva acaba. Um terreno sem vegetação, uma savana. À medida que nos distanciamos da floresta, a grama também tende a desaparecer. Então começam as estradas. Largas, asfaltadas. Todas convergem na direção do mesmo ponto no horizonte, onde se vê, branca contra o céu azul, uma cidade, toda de vidro e de cimento.
Um grupo de crianças entre oito e 12 anos está acampado à margem da floresta. Eles organizam um jogo, capitaneados por um menino mais velho, de 14 anos. Eles cobriram uma zona da floresta com uma rede, na esperança de que um animal selvagem e com fome se aventure até ali e caia na armadilha que armaram.
Um animal se aproxima lentamente. Não se pode ainda discernir que tipo de animal é. As crianças silenciam, em lenta espera. O animal está próximo, agora, da armadilha. As crianças seguem os seus movimentos com uma angústia controlada. O animal estanca. Está sem fôlego e não consegue mais avançar. Chegou até ali cravando as suas unhas na terra. É então que reconhecemos S.
O rapaz levanta o rosto e vê, ao fundo, o sol e as silhuetas dos meninos. Num último esforço, ele estica o braço e consegue se arrastar por mais alguns metros. Tem dificuldades em respirar, mas, centímetro após centímetro, continua a avançar. Até o ponto em que ele percebe uma corda estendida a sua frente. Ele a reconhece confusamente: uma corda, um objeto familiar. Ele a segura como quem agarra a sua última esperança. A armadilha se tende, aprisionando S. As crianças reagem com satisfação. Observam o que ocorre com uma fria curiosidade. Reconhecem um homem nesse ser que avança, mas isso só faz aumentar o interesse delas.
O homem tem os olhos fixos na direção das sombras, atrás da armadilha. Ele não tem nem mesmo a força de abrir a boca e pedir ajuda. Estende a mão e espera. As crianças não reagem. S avança mais um pouco, mas as crianças permanecem impassíveis. Seguem a sua agonia com muita atenção, como se estivessem assistindo a uma lição de história natural. A morte de um homem, um espetáculo ainda desconhecido.
Esse diálogo surdo entre S e as crianças se prolonga por mais alguns momentos -e então, ele não tem mais a força de levantar a cabeça ou os braços. Deixa-se cair e permanece assim, de costas, a olhar o céu cada vez mais azul e o azul que pouco a pouco se torna rosa. O rosa se transforma numa mancha que toma a forma de uma casa: uma casa rosa, e no portal a silhueta de uma jovem mulher.
E então tudo fica escuro.
Ele parece tão velho agora. O jovem rapaz, frente a essas crianças. Um velho cadáver que nem mesmo os animais selvagens comerão.
Fim.
Antonioni e Walter Salles falam sobre "Tecnicamente Doce"

Minha batalha contra o filme
Michelangelo Antonioni
A batalha entre o filme e mim se encerra com a publicação deste roteiro. Essa batalha durava desde 1966, quando escrevi a primeira versão da história.
Em paralelo, eu estava desenvolvendo o roteiro de "Blow-Up". Ofereci os dois ao produtor Carlo Ponti [1912-2007], que preferiu o segundo.
Depois de rodar "Blow-Up", finalmente recebi o acordo de Ponti para a realização de "Tecnicamente Doce". Quando tudo estava pronto para a filmagem, roteiro, locações, equipe técnica, atores, o financiamento me foi retirado. Os atores do filme seriam Jack Nicholson e Maria Schneider.
Falei um pouco acima em "batalha". Eis por quê: esse era um filme que eu queria fazer acima de qualquer outro, mesmo sabendo quão árduo era o projeto. Por que árduo? Porque o que estava em jogo era um mergulho no coração da selva amazônica, onde deveríamos ficar no mínimo dois meses.
Eu já tinha conhecido todo tipo de selvas e de florestas virgens e percorri o mundo em busca daquela que fosse a mais intimidante -e a encontrei na Amazônia. Posso dizer hoje que existe uma relação inversamente proporcional entre o horror de uma floresta virgem e sua fotogenia. Quanto mais densa a floresta, menor a sua fotogenia.
A vegetação é tão espessa que os verdes se fundem uns nos outros, atenuando as nuances, diminuindo os relevos. A sombra domina. Numa vegetação tão compacta, o sol penetra com dificuldade, tornando necessária a utilização de projetores. Mas tenho dificuldade em imaginar uma luz artificial na floresta, por causa das sombras que ela fatalmente provocaria, falseando a realidade.
A minha intenção era fazer desse "fragmento de filme" uma espécie de oposição crua entre a luta de dois organismos humanos e a de outros organismos, vegetais e animais. Mas também queria falar de uma outra luta ainda mais aterrorizante, aquela que ocorre entre as plantas que lutam pelos poucos raios de sol. E a dos animais, à cata de qualquer tipo de alimentação. Minha intenção, em resumo, era tocar no tema do canibalismo, declinado sob todas as suas formas.
Adicione-se aos problemas de realização aqueles que a produção fatalmente traria, e pode-se compreender quanto minha perplexidade em relação ao filme era legítima. No entanto, durante o verão de 1966, eu tinha ultrapassado essas dificuldades. Me considerava o vencedor de uma batalha entre o filme e mim.
Mas tinha me esquecido do árbitro implacável que tem entre suas mãos a possibilidade de decidir se um filme vai existir ou não -o produtor. Quando Carlo Ponti me declarou de forma imprevista e inexplicável que não iria mais financiar o filme, o mundo que eu tinha logrado construir com tanta dificuldade no meu espírito, ao mesmo tempo fantástico e realista, ruiu de uma só vez. Os escombros ainda subsistem, em algum lugar no fundo de mim.
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Este texto foi publicado em "Techniquement Douce" (ed. Einaudi, Itália, 1976). Tradução de Walter Salles .

Atração e repulsa
WALTER SALLES
ESPECIAL PARA A FOLHA
U m triângulo amoroso. T, jornalista de 37 anos, sente-se estrangeiro no seu próprio mundo. S, jovem antropólogo, também. Uma mulher de 22 anos que "ama sem saber como" é o elo de ligação entre esses dois homens que se desconhecem. Os temas que definem o cinema de Antonioni afloram em "Tecnicamente Doce". A alienação e a desumanização trazidas por meios de produção cada vez mais massificados. A oposição entre o mundo "civilizado" e o estado "selvagem". A impossibilidade amorosa.
Um estado de insatisfação latente vai conduzir T e S, personagens aparentemente opostos, na mesma direção. Ambos abandonam a Sardenha (Itália) para se perderem no coração da selva amazônica. A aridez em oposição à umidade. Ao longe, uma outra miragem: Brasília, "feita de vidro e concreto". Antonioni escreveu o roteiro com seu companheiro Tonino Guerra e Mark Peploe, com quem viria a colaborar em "Profissão: Repórter".
Veio ao Brasil, fez locações na selva amazônica e em Brasília. Teve uma relação de atração e de repulsa pelo que viu. O resultado é um dos roteiros mais rascantes e radicais que Antonioni criou. O diretor disse que queria fazer esse filme "mais do que qualquer outro". Chegou a definir toda a equipe técnica e escolher os atores: Jack Nicholson e Maria Schneider. Nunca conseguiu filmar. Pouco antes da rodagem, o produtor Carlo Ponti retirou o financiamento.
Frustrado pela experiência, Antonioni retomou os temas do filme que nunca viria a realizar no Brasil em "Profissão: Repórter". Ambos começam e acabam da mesma maneira: pelo desconforto de um homem em crise de identidade e pela inevitabilidade da morte.
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WALTER SALLES, 51, é cineasta. Dirigiu "Terra Estrangeira", "Central do Brasil" e "Diários de Motocicleta", entre outros filmes; atualmente finaliza "Linha de Passe" e trabalha em "On the Road", ambos ainda sem estréia prevista.

Outro dia eu meti o pau no filme "O amor nos tempos do cólera" , coisa que faço muito pouco aqui, não entre íntimos :), aí vem uma amiga diz que outra amiga adorou. Fui ao Google e achei isto. Talvez eu tivesse detestado por ter gostado tanto do livro, é um dos meus preferidos, mas acho que não, acho que o filme é ruim mesmo.
Vejam vocês, leiam a crítica deste cara que eu não conheço.
Eu achei a iluminação péssima, a maquiagem, todos feios demais.
Cenas aqui.
O Javier, que é excelente ator, está curvado demais, caricato, muito mal, pouco à vontade, como diz o rapaz aqui.
Érico Borgo diz:
'Quando li pela primeira vez O Amor nos Tempos do Cólera, um amigo que me emprestou o romance avisou categórico: "Cem Anos de Solidão é incrível, mas o próprio Gabriel García Márquez disse que este é o livro que ele 'escreveu com as entranhas'".
Concordo. Repito o que disse antes, num post anterior, Fernanda Montenegro está ótima- como sempre.
domingo, janeiro 06, 2008
Eles se tocam, mas...
Hoje eu lembrei Confúcio, de quem sei pouco- o 'Y Ching' cita bastante- e uso uma frase atribuída a ele, desde que eu ouvi pela primeira vez, eu era adolescente- faz tempo.
"O amor e o ódio são dois extremos que se tocam e se confundem".
É vero. Hoje li esta frase como se fosse de Chico Xavier, era a mesma coisa dita de outra forma- nem sei mais. Foi num PPS. O tal PPs falava do amor- 'o que é o amor?
Ha ha ha
Acho que Confúcio sabia melhor o que era o amor. Falar de amor cai no vazio, sempre. Todos gostamos de ouvir alguém falar de amor, ouvimos embevecidos, mas é tudo uma ilusão tão grande, uma balela...Lembramos nossos amados, sentimos emoção intensa e só.
Viver o amor é outra coisa, muito difícil. Ai a porca torce o rabo, vem o ciúme, o ódio, a inveja. Também vêm: o carinho, a empatia- o sentir o que o outro sente- o desejo pelo corpo do outro, mas ...
Bom, é isto, vejam esta foto- às vezes me sinto assim- e leiam sobre Confúcio que é muito melhor que eu.
Uma historinha:
As três coisas
Chen Ziqin perguntou ao filho de Confúcio: "teu pai te ensina algo que não sabemos?"
O outro respondeu: "Não. Uma vez, quando eu estava sozinho, ele perguntou se eu lia poesias. Respondi que não, e ele mandou que lesse algumas, porque abrem na alma o caminho da inspiração divina. Outra vez ele me perguntou se eu praticava os rituais de adoração de Deus. Respondi que não, e ele mandou fazer isto, pois o ato de adorar faria com que entendesse a mim mesmo. Mas nunca ficou me vigiando para ver se eu o obedecia”.
Quando Chen Ziqin retirou-se, disse para si mesmo:
"Fiz uma pergunta, e obtive três respostas. Aprendi algo sobre as poesias. Aprendi algo sobre os rituais de adoração. E aprendi que um homem honesto nunca fica vigiando a honestidade dos outros”.
Copiei daqui.
Sábio este Confúcio, e pensem, foi antes de muitosssss outros pensadores. Agora só se repete, nada é original. E se você gosta de ouvir alguém cantar o amor, ouça aí embaixo a Maria Callas, é de arrepiar. :)
sábado, janeiro 05, 2008
Lanternas vermelhas...
Eu estou assim
há luz
embutida
e sombras
Ouçam aqui o maravilhoso Mozart. Escolhi a Sinfonia. Mozart foi músico de talento fantástico e personalidade interessante. Vocês viram o filme da vida dele? Eu vi a peça também com Raul Cortez como o Salieri de 'Amadeus'. Excelente, como sempre o Raul. Uma pena ter morrido tão cedo, que pena... faz falta.
sexta-feira, janeiro 04, 2008
20 anos sem Henfil

Henfil foi um cartunista extraordinário. Adoro a "Turma da Caatinga",a grauna, o Zeferino... as "Cartas à mãe", tenho aqui, leio de vez em quando. Eu o via na rua em Ipanema, tinha um problema na perna. Naquela época eu não tinha coragem de dizer obrigada: pelo sorriso que despertava em mim, e pela inteligência aguda dele. Morreu aos 43 anos. Uma pena. Ainda bem que ainda é reproduzido por aí.
Leiam aqui
Charme e elegância

Hoje foi dia de exames: mamografia, densitometria, papa nicolau, estas coisas. Cansei. Mas eu sei viver melhor hoje. Apesar de ter corrido- havia esquecido de autorizar- depois parei para tomar sorvete, tomei café, fiz 2 mini contos na sorveteria fresquinha. O guardador deixou meu carro um brinco enquanto eu fazia exame ginecológico. E ainda por cima dei uma boa gorgeta para ele que ficou super feliz. Eu adoro fazer isto- fazer este povo pobre mais feliz, ele me pediu 5 reais para lavar, eu dei 12 reais, mas mereceu, porque passou cera também. E disse que precisava comprar um remédio, depois que eu paguei, eu acreditei, se foi mentira não faz mal... Quando eu saia disse que tinha 3 filhos e se chamava Valério- eu acho, que quando eu voltar... :)
Mas foi bom, conheci um nova médica, é sensível e atenciosa- havia ido em outra muito apressada, detesto. Ok, eu sei que ela trabalha num esquemão, uma clínica, etc e tal, mas a sensação de desatenção é muito ruim, vocês sabem. Médico não pode ser desatento- que mude de profissão. Eu tive um analista de grupo uma vez, lá por 74, saí brigada com ele depois de um ano, era um babaca- depois de alguns anos ele abriu um pequeno mercado- eu disse:" Agora se encontrou, é pra isso que tem talento- vender". Era uma piada íntima- um amigo meu também fez análise com ele. :) é um cara famoso lá no Rio, bastante. Aliás, tenham medo dos famosos, são perigosos, ficam inebriados com o sucesso e ferram a vida de quem cai na mão deles, não prestam atenção- é verdade. São narcisistas até a alma. Eu vi muitos casos de analistas fazerem barbaridades com clientes- principalmente os famosos, aqueles que têm livros editados, são citados, falo sério. Não conto os santos, é feio. Mas, dizem, cada um tem o analista que merece, né? Eu demoro um pouco a sacar, mas enxergo uma hora, pior é quem finge não ver.
Mudando de assunto:
Vocês conhecem o Gary Cooper? eu adoro a figura elegante, o charme.
Da geração dele é o meu preferido. Jean era parecidíssimo com ele- lindo e chamoso.
E se você gosta de moda, entre aqui. Um blog chic, indicado pela Glorinha Kalil, e é da filha do Lino, nosso amigo blogueiro, entonces, vão lá ver.
quarta-feira, janeiro 02, 2008
..."Dejaré a tu lado mi corazón frió"...

Virando a página. Hoje acordei com poemas e lembrei de Lorca, poeta maravilhoso. Morreu tão cedo, vítima da Guerra cívil espanhola. Adoro esta peça, vocês viram no cinema? Filme maravilhoso de Carlos Saura. Adoro os filmes dele- todos que vi, saudades de 'Cria cuervos', maravilhoso!. Acabo de achar. Coloquei aí embaixo. Vejam a menina que coisa linda. Esta música faz parte so meu imaginário. Viajo longe com ela.
Vejam o site de Antonio Gades, maravilha esta internet. Uauuuuuuuuuuuuu
Vejam cena do filme aí embaixo, no Youtube.
Adorei a foto do toureiro também. Uma das figuras mais belas masculinas- o toureiro.
Leiam:
Aire noturno
Tengo mucho miedo
de las hojas muertas,
miedo de los prados
llenos de rocío.
Yo voy a dormirme;
si no me despiertas,
dejaré a tu lado mi corazón frió.
¿Qué es eso que suena
muy lejos?
Amor. El viento en las vidrieras,
¡amor mío!
Te puse collares
con gemas de aurora.
¿Por qué me abandonas
en este camino?
Si te vas muy lejos,
mi pájaro llora
y la verde viña
no dará su vino.
¿Qué es eso que suena
muy lejos?
Amor. El viento en las vidrieras,
¡amor mío!
Tú no sabrás nunca,
esfinge de nieve,
lo mucho que yo
te hubiera querido
esas madrugadas
cuando tanto llueve
y en la rama seca
se deshace el nido.
¿Qué es eso que suena
muy lejos?
Amor. El viento en las vidrieras,
¡amor mío!
Cria Cuervos - Porque te vas
Filme inesquecível de Carlos Saura. saudades de um filme inesquecível :(
terça-feira, janeiro 01, 2008
A nuvem negra se afasta...
2007 foi um ano muito importante para mim. Retomei o trabalho como psicanalista, voltei a estudar, escrevi bastante. Meus filhos amadureceram, criaram asas.
Realizei fantasias. Ok, algumas me fizeram sofrer luto brabo, mas faz parte. Cair na real dói. Mas não caí do cavalo, só na real, o chão se abriu, a areia era movediça. Fiquei mais medrosa, desconfiada, mas aos poucos o tempo cura, cura tudo, o tempo.
Como não sofrer se aquele que você acreditou amar era um blefe ou blefa com você? o que não faz diferença- é preciso se afastar, cair fora antes que diabolicamente se perpetue a prisão nas teias daquela rede.
2008 será ano de mudanças externas, com certeza- vou ter que mudar de casa- o que vai trazer outras mudanças. Quero fazer o livro de contos, não faz mais sentido esperar, não há mais o que esperar.
Não há alegria em mim, há um luto constante, mas um dia passa, eu sei.
Um filme imperdível

Ontem enquanto todos festejavam eu revia "Durval discos" de Anna Muylaert. É um dos melhores filmes brasileiros que eu vi. Divertido e denso ao mesmo tempo. Difícil ver um filme que surpreenda. Gostei muito da história. Li num blog que o filme se perde no final, eu achei que não se perdeu, não, é uma espécie de metáfora da vida. Como se ali fosse possível realizar as fantasias. A Etty Fraser está perfeita , o ator também- Ary França. A menina, Isabela Guasco, é uma delícia. Além deles tem Marisa Orth, uma ponta de Rita Lee, Letícia Sabatella, numa personagem diferente das que costuma fazer, mais leve.
O antigo e o moderno se chocam- a menina, traz a vida àquela casa, a velha se apega e não consegue se desprender, fazendo o que lhe dá na telha. Muito bom, vejam. Aliás, muitos de vocês já devem ter visto. Foi premiado, estas coisas.
Trailer aqui no Youtube
Curiosidades da produção aqui.
Este destrincha o filme.
Se eu visse um filme destes por semana ficaria feliz da vida. Fui ver o "O amor nos tempos do cólera", que blefe!
Ah! e a passagem do ano foi absolutamente normal, sem traumas- acho que agora vou fazer isto, ficar em casa, sem obrigação de ser eufórica, não sou. A não ser que tenha um lugar muito especial para ir com um grupo de amigos, ainda não tenho aqui, tenho amigos, mas todos dispersos, cada um na sua, entonces... meu tapetinho da sala é muito bom de estar. Depois do reveillon de Copacabana- onde passei vários- é melhor não ir assistir fogos em lugar nenhum, a não ser em Paris ou Sidney. No Rio é extasiante, vale a pena, sempre, é demais.
segunda-feira, dezembro 31, 2007

Bonitinho, não é?
E viva o Google! sem ele seriamos muito menos sábios. Santa ignorância... quem se acha o tal devia abrir o Google e pesquisar, quanta ignorância temos. :)
Vida longa ao Google :)
E está chegando o novo ano, estou aqui, sem expectativa nenhuma, vendo Tv. Acabo de me deliciar com Joaquin Cortés, uauuuuuuu há pessoas que nascem com o privilégio da sedução, do charme, este é um, é um dom.
Vejam aqui a maravilha que é.
Feliz Ano Novo!

Detesto final de ano, sempre detestei.
Há uma alegria forçada, uma confraternização enganosa no ar. Exageros em tudo: compras, comidas bebidas- tô fora.
Meu pai era totalmente avesso à festas, ficava inibido, se recolhia. Será que vou pelo mesmo caminho? Amanhã terei que ir a algum lugar.
Queria ficar quieta, mas sei que me sentirei muito só se ficar- os meninos, pela primeira vez têm programas próprios. Meus filhos ficaram homens este ano- pra valer, isto não me entristece, apenas muda e dá sensação de 'déjà vu'- - volto a ficar só nos fins de ano.
Nunca me sinto integrada numa festa de fim de ano, eu realmente envelheço e não me integro em lugar nenhum a não ser no meu núcleo familiar- devia desistir, deixar de tentar- eu penso o mesmo em relação a homens- desisti. Relaxei. Cansei de tentar. Estive anos só e em paz, inventei um amor e me dei mal- desisto ainda ferida, melhor assim, terei mais tranqüilidade. Vou morar numa casa, fazer um atelier para mim, desenhar, escrever, e viver de lembranças em relação ao amor, felizmente tenho ótimas recordações hihihi só rindo mesmo, eu me divirto comigo mesma kakaka
Decidi nos últimos tempos isto, os homens que tenho encontrado não me merecem, ou não há possibilidades- é sério.
Algumas pessoas me escreveram estes dias e me deram muita alegria- amigos virtuais e reais. Dos virtuais PPRangel escreveu um email super carinhoso falando do nosso encontro no Rio, que eu contei outro dia. A Franka me escreveu um email lindo, eu gosto muito dela, desde o começo, presto atenção nela sempre - é uma mulher e tanto, talentosa e gente boa. Mani tão querida sempre, amiga de todos os dias. Dai, sumida, namorando, mas atenta a mim. Madoka, Ivana... Tantos... A amiga de Cabo Frio, a única que restou ligou para entender melhor o que se passa, lê nas entrelinhas. A prima que pede desculpas pelo mal jeito- eu sonhei com ela e ela comigo esta noite. Pois é, há outros tantos, mas há os que fazem falta, há aqueles que o silêncio dói, por não estarem mais aqui ou por termos emudecido para sempre. Odeio o 'para sempre', mas algumas vezes é preciso para que a dor maior seja evitada.
Enfim, 'c'est la vie', sigo depois de um ano em que aconteceram coisas inesperadas boas e más. Onde fantasias se tornaram realidade e morreram ali. Aguardo um ano melhor, este foi uma passagem, eu acho. Um ano definitivo. Espero não morrer na praia, não é?
Ah! ouvi uma de Gustavo que adorei disse: "Quero te ver, como não ver a bruxa mais encantada de Natal?" Uauuuuuuuuuu, este sabe o que dizer a uma mulher. Tks Gu. :) Além de ter me dado muita força para escrever. Tks so much.
Obrigada a vocês todos que estão aqui me ouvindo nos bons e maus momentos. Para todos um feliz 2008.
domingo, dezembro 30, 2007
Que delícia de rosto, não é?Ontem vi "O amor nos tempos do cólera" e achei o fim. É um dos livros meus livros preferidos do Gabo, comprei antes de sair em português numa edição em espanhol.
A moça sentada ao meu lado gostou.
José Wilker detestou*.
Bom...
Nem vou perder muito tempo falando. É péssimo, mal filmado, mal fotografado, feio. Até o Bardem está feio. Incomoda a maquiagem tão pesada e mal feita. A expressão corporal está péssima. Detestei a atriz que faz a Fermina, também. Fernanda Montenegro está bem, como sempre a nossa dama faz cenas boas, mas não justifica o filme.
Se quiser perder tempo e se irritar vá ver. Quanto desperdício... Pena, foi o primeiro filme da Fernanda fora do Brasil. O Gabo deve ter odiado- leiam o Wilker:
*"O AMOR NOS TEMPOS DO CÓLERA, que deve ter sido feito com a clara intenção de encolerizar o GABRIEL GARCIA MARQUEZ e destroçar com a nossa paciência". José Wilker.
Que em 2008...

Onda atinge o barco
Foto: Gary Robertshaw/G1Globo
Que nenhuma onda gigante te atinja em 2008- eu fui atingida por várias, ainda estou avariada- que nem este barco. Não, melhorzinha :)
Uauuuuuuuuuuu, morro de medo de ondas grandes. Socorrooooooooooooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!
sábado, dezembro 29, 2007

O conto de ontem, que provocou respostas tão sinceras, eu inventei, nunca vivi aquela situação.
Eu parti do desconforto das pernas. Dobrei-as em lótus e doeram, aí eu fiz aquilo, sem nem pensar, foi tipo transe- baixou santo. Mas minhas pernas estão ótimas, apenas não tenho feito o lótus. :)
Isto que eu escrevi aí embaixo é meio bobo, eu sei, mas eu acredito. Também acredito que é bom ter um mantra, eu tenho.
Não vou dizer aquí, só diria se todos fossem amigos, mas há estranhos lendo, não é? Pois é...
Mas tem a ver com a yoga, com bem estar. Estou em férias da Yoga, preciso voltar.
Ontem fiquei horas com Gustavo olhando o mar e conversando. Almoçamos num restaurante à beira mar. Foi uma delícia.
Eu contei para ele da idéia do conto, ele riu e disse que é isso que precisa para o curso sobre inspiração que dará agora em Brasília. Pena que mora lá. Tão bom estar com ele...
A música e o pintor
Meu pintor preferido e a música é uma delícia, não é?
Recebi do Betão. Se você não conhece o Betão está perdendo. Este blog dele é sobre arte, vi agora um filminho lá, estranho, uma cena de um casal no deserto, ele é mordido por uma cobra aí obriga a mulher a chupar o veneno- na marra, mesmo- é divertida a cena, mas tensa. Vejam lá. Tem que clicar na figura da frente do blog para ver o resto- é um blog diferente- até hoje não entendi, desisti de entender :), mas é interessante. Mais interessante mesmo é o almanaque do Betão, que envia por email- este desta semana está imperdível, cheio de artes plásticas- imperdível pra mim, que adoro arte e quem mais gosta.
sexta-feira, dezembro 28, 2007
Mini conto O outro /sem revisão

O outro
Faz calor, as pernas dela doem inchadas, lamenta o dia todo:
"Ai minhas pernas... ai como doem"...Fala com o cão, que a olha indiferente.
Teve lindas pernas, além de bonitas, lisas. Ele dizia: "Sente aqui do meu lado", e colocava suas pernas sobre as dele, as tocava, dedos suaves, alisando-as em direção à sua púbis.
"São minhas estas pernas de seda, cor de âmbar", dizia.
As mãos dele estão longe. Se tivesse morrido sofreria menos, mas não, está vivo, e as mãos alisam agora pernas torneadas e masculinas. Nunca pensou viver isso, ser deixada por outro. Enoja-se quando o vê em fantasia sorrindo, o mesmo sorriso que antes era dela, agora é para o outro. Às vezes se pergunta se é mais dolorido por ser um homem, ou seria maior a dor se fosse outra? A outra teria algo que ela não tem, e este tem algo que ela não tem. Tem falo e força. Ela é frágil, chora à toa. Não imagina o outro chorando no ombro dele, mais provável que ele se debruce no ombro do outro.
As pernas incham porque mal caminha. Não só as pernas sofrem, sente falta de ar, nem as janelas abre. A casa cheira a mofo, respira com dificuldade.
Não se importa.