Poxa, eu não vejo este filme faz tempo.
Vocês encontram o filme todo neste link:
http://www.youtube.com/watch?v=o-UuyIXtRi0
sexta-feira, julho 31, 2009
01 - Freud: além da alma (Freud: the secret passion) - parte 01
Sentimentos mais ou menos natalinos
Sentimentos mais ou menos natalinos
É Natal: espera-se que a gente se abarrote, festeje em família e, naturalmente, compre e ofereça presentes. Também é esperado que sejamos generosos. A onda sazonal de bons sentimentos pode parecer hipócrita: um momento anual de altruísmo para resgatar o esquecimento do resto do tempo. Tanto faz, melhor no Natal do que nunca.
Mas cuidado: para o ideal da generosidade natalina, distribuir panetones, por exemplo, é ótimo, mas não é suficiente. Confira o repertório das histórias de Natal: o espírito desta época do ano supõe que a gente enxergue os outros, ou seja, reconheça que, antes de serem necessitados, eles são nossos semelhantes.
No Natal ideal, não basta jogar dinheiro pelo vidro do carro entreaberto, olhando para a frente. No Natal ideal, quem tenta chamar a nossa atenção, do outro lado do insulfilme, deve nos aparecer como um dos nossos.
Em princípio, reconhecer que todos os outros são nossos semelhantes, por diferentes que sejam suas condições de vida, não deveria custar esforço nenhum. É um pacto fundamental de nossa cultura: pressupomos a humanidade comum de todos, não obstante a diversidade.
Esse pacto nos leva a calçar um pouco os sapatos do outro, e a compaixão evita que os únicos árbitros de nossa vida social sejam o rigor da lei ou a violência. Se o vizinho abaixa seu som antes das 22h, é porque, embora não sejamos convidados à sua festa, ele reconhece que somos tão humanos quanto ele; ou seja, ele "sabe" o que significa estar triste, cansado ou mesmo, simplesmente, a fim de ouvir uma música diferente da que está berrando pelo seu alto-falante naquele dia.
Almoço quase sempre na rua. Com freqüência, leio e escrevo numa mesa de bar, na calçada. Há os engraxates que me propõem seus serviços e, como eu recuso, pedem um pão de queijo; há o sem-teto da esquina que quer comprar cigarros; há aqueles que chegam com longas e confusas histórias de ônibus para voltar para o Norte ou de remédios para a mãe doente. Que eu possa ou não oferecer ajuda naquele dia, que acredite ou não na história que me é contada, de qualquer forma, escuto, olho, troco palavras. Nenhum mérito nisso; não é uma decisão moral, apenas o efeito de minha voracidade: não quero perder nada da variedade da vida. Gosto das pessoas, porque sempre me reconheço (ao menos em parte) na diversidade dos destinos. Nisso, sou apenas, banalmente, moderno.
Você poderia pensar que essa coluna é uma exortação natalina a enxergar os miseráveis ao redor de nós. Digo, enxergá-los nos encontros concretos, em que a pobreza e o desamparo têm rosto e revelam uma humanidade parecida com a nossa.
Agüente mais um pouco, pois não se trata exatamente disso.
No sábado passado, à noite, sentei-me a uma mesa na calçada de uma sorveteria paulistana. No meio de meu sorvete, recebi um telefonema inesperado e triste; alguém, de muito longe, me trazia notícias difíceis. Eu escutava com os ombros para a frente, como um boxeador fechando a guarda. Durante essa conversa tensa, percebi que alguém parava na minha frente e ouvi uma voz feminina: "Moooçô, me dá um trocado?". Estranhei; parecia-me impossível que minha interlocutora não percebesse meu estado. Continuei na minha. De novo: "Moooçô, me dá um trocado?". Levantei o rosto: era uma jovem mulher com uma criança no colo. Ela encontrou meu olhar, mas não me viu. E, na lengalenga mecânica de quem acha chato ter que repetir, insistiu: "Moooçô, o trocado?".
Não sei nem quero saber se sua necessidade do momento era ou não mais importante do que o desamparo em que me deixava minha conversa telefônica. De toda maneira, era intolerável constatar que ela não me enxergava. Os sinais de meu estado de espírito não a atingiam. Para ela, eu era tão abstrato quanto são abstratos os pedintes no farol para os motoristas que os ignoram e os afastam com um gesto, como se fossem moscas.
O bairro Cinco, em que eu morava nos anos 70, em Paris, era o xodó dos moradores de rua por causa da concentração de restaurantes baratos para uma clientela "progressista". Quando saía de casa, sempre havia alguém para pedir um franco. As palavras que me eram endereçadas, mesmo que fossem proferidas nas brumas do álcool, afirmavam primeiro nossa humanidade comum. Caso eu estivesse de cara fechada, diziam assim: "Quelque chose qui va pas, mon vieux? O que foi, algo que não está dando certo?".
As diferenças eram extremas. Não era raro que os moradores de rua do bairro Cinco comessem ração para gato ou para cachorro. Mas aquela pequena troca discursiva afirmava que, apesar das diferenças, a gente estava num barco comum. Eles não renunciavam à sua humanidade, porque me declaravam que reconheciam a minha.
Ora, algo em nosso tecido social deve estar mais doente do que imaginamos ou do que eu imagino. Pois parece que, nos dois extremos das diferenças sociais, se manifesta uma mesma capacidade de não enxergar a humanidade do outro.
Sem o amparo do sentimento de uma humanidade comum, não há convivência possível entre diferenças. Apenas a promessa de um extermínio recíproco.
Sem ironia, feliz Natal a todos.
quinta-feira, julho 30, 2009
Acabo de ser ameaçada por um vizinho-atualizado

Hoje enviei para todos os vizinhos o post abaixo, lamentando o desaparecimento da gata.
Leiam o que um deles me enviou com esta imagem do Tom sendo esmagado. Não precisa ser psicanalista para saber que se trata de alguém muito violento.
Acho que é uma ameaça grave, vou procurar ajuda policial.
O e-mail:
----- Original Message -----From: tantorTo: elianneSent: Thursday, July 30, 2009 1:23 PMSubject: O caralho dessa porra de gata.
Dona Elianne, dona sim, pois é assim que costumo me referir às pessoas idosas. Sempre fui um cara educado, não muito paciente, mas educado. Mas essa sua ladainha de mulher mal comida já ultrapassou, e muito, os limites de minha paciência. A senhora ainda não entendeu que ninguém nesse condomínio não está nem aí prá sua gata. Foda-se essa gata, gato bom é gato morto. E pior ainda são suas insinuações que essa bosta de gata sumiu por causa de nossa festa. Acorde mulher, ninguém tem culpa disso, sua gata fugiu talvez por não ter mais saco de aguentar a senhora, que diga-se de passagem, foi a pessoa mais chata que tive o desprazer de conhecer. Você nunca vai saber quem eu sou, pois prefiro manter o anonimato para não causar um problema maior entre vizinhos. Se bem que, a senhora já deve ter percebido, a maioria dos seus vizinhos, depois daquele seu faniquito por causa de nossa festa, só olham prá senhora atravessado, não é mesmo? Só mais um aviso: que seja a última vez que recebo email seu, seja ele prá falar de gata ou qualquer outra besteira, tais como sua dores de cabeça, seu blog, enfim qualquer outra coisa. Se eu receber, cadastro seu email em todos os sites com cadastro de spams e no próprio UOL. Está avisada!
Para entender melhor sobre a festa aqui.
Mais aqui.
E aqui
Os dados do e-mail:
Return-Path: <>
Received: from sinai1.uol.com.br (sinai1.srv.intranet [172.27.64.14])
by samba13-a with LMTPA;
Thu, 30 Jul 2009 13:23:13 -0300
Received: from localhost (localhost.localdomain [127.0.0.1])
by shark1.uol.com.br (Postfix) with ESMTP id 7E9961A00009E;
Thu, 30 Jul 2009 13:23:13 -0300 (BRT)
Received: from shark1.adm.intranet (localhost.localdomain [127.0.0.1])
by shark1.uol.com.br (Postfix) with ESMTP id 748F31A0000A7;
Thu, 30 Jul 2009 13:23:09 -0300 (BRT)
DKIM-Signature: v=1; a=rsa-sha256; c=relaxed/simple; d=uol.com.br; s=ubz;
t=1248970992; bh=5zeiPiatypdKJgmH8h4kvUrOyySQsksvZ8tFlsmjbhk=;
h=Date:From:To:Message-Id:Subject:Mime-Version:Content-Type;
b=eDbbcGjVWtcd1ZPRGTK2IkPybPoobxxKqDZukkBtNSxqHyOCbCTybguRIfnQLJHQx
fM58LDwhlOiabpAc3xTpqK/fvjwb4CHlDXfoSObbpQo8gYiiRdOCNIyaSmHCn7iu1n
l0I8bBG0qlJKYyqILEwC/mNVHfPL4wOqLOpHGh/c=
Received: from localhost.localdomain (weasel1.srv.intranet [172.26.14.26])
by shark1.adm.intranet (Postfix) with ESMTP id 31DF71003DD2E;
Thu, 30 Jul 2009 13:23:09 -0300 (BRT)
Date: Thu, 30 Jul 2009 13:23:09 -0300
From: tantor <>
To:elianne
Message-Id: <4a71c8ed2d5e3_38011555555881ac78c@weasel1.tmail>
Subject: O caralho dessa porra de gata.
Mime-Version: 1.0
Content-Type: multipart/mixed; boundary="mimepart_4a71c8ed2d6ba_38011555555881ac823"
X-SenderIP: 189.124.129.98
X-SIG5: 0522970ce7e5e47527bc7abac90caa9d
X-UOL-Srv: N1248970993577tantuol.
Um dia vieram e levaram meu vizinho...
"Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar".
Martin Niemöller – pastor luterano alemão – 1933 (data presumida)
Este texto é sempre atual. Tão bom se todos conseguissem ver o que acontece ao redor...
Mas ignoramos por preconceito, por indiferença, frieza, por não querermos ver- a cegueira inconsciente.
Não percamos a ternura jamais, nem na batalha- já disse o Che, certíssimo.
Desde que a Florzinha desapareceu eu penso nisto. Penso que foi roubada. Como alguém pode ser indiferente ao sentimento do outro? Vocês precisam ver o gatinho como está quieto, nem come bem, mais, dorme o dia todo. Mia procurando por ela. Triste pensar que alguém possa tê-la tirado de nós, muita ruindade. Mas,commo diz o texto acima, um dia é nosso vizinho, no outro o outro vizinho, até que pode chegar até nós.
Para nós, hoje, é uma metáfora, uma triste metáfora.
Buenos dias para ustedes, yo me voy para la cocina ahora, cocinar, los hijos llegan en breve :).
Por que o espanhol me soa mais leve como língua? Ana, você que é argentina, sabe? Talvez a língua de
mi albuelo. Pode? meus antepassados, memória inconsciente?
quarta-feira, julho 29, 2009
Obama...
Callie Shell capturou um momento da intimidade de Barack Obama durante sua campanha presidencial. Com 196 fotos em 62 painéis, a World Press Photo faz uma retrospectiva dos fatos marcantes de 2008 Mais Callie Shell/Divulgação
Cinco anos blogando e ...
Este post eu fiz em março de 2005, uma semana depois de criar o blog. Ainda está valendo.
Algumas pessoas não são mais amigas virtuais, outros até hoje estão por perto.
Para mim o melhor do virtual é a troca afetiva. Hoje tenho muitos amigos queridos qu eme ajudam a seguir em frente sem tanto xororô :) Obrigada a todos, quem lê sabe quem é :) Impossível citar todos, não é Madoka?
O que escrevi há cinco anos:
Há uma semana criei este espaço e passei estes dias em ebulição intelectual, tantas as idéias que surgiram, lembranças...
Semana de homenagens às mulheres, muitos textos para ler... Crio este pedaço e fico em cima do muro, pensando como usá-lo.
A primeira coisa que fiz foi colocar um texto de Contardo Calligaris, queria que todos lessem, fala de Michael Jackson, acho que não devemos ser levianos nesta história e nem nas outras semelhantes, onde se confundem vítimas e carrascos.
Esta foi a semana do beijo do Chico, melhor não falar disto, deixemos o Chico em paz, mas que mexeu comigo mexeu.
Quis mostrar logo um poema do Pimenta, um amigo querido que morreu muito cedo e que me elegeu como musa, escreveu dezenas de poemas lindos para mim, vou mostrá-los aos poucos, tenho cartas de amor belíssimas, que todos vão adorar.
Raduan Nassar é um escritor pouco conhecido e fantástico, precisava mostrar algo dele, se você gosta de bons livros não deixe de ler os três livros que Raduan escreveu, são apenas três, não quer mais ler nem escrever, quem somos nós para julgar ou interpretá-lo, não é? Eu o respeito muito, tiro meu chapéu, para mim é o melhor escritor, talvez eu tenha me identificado mais com o texto dele do que com outros, mas não sou só eu que digo isto, muita gente entendida considera Raduan Nassar extraordinário. “Lavoura Arcaica” é um livro que você lê e se comove com aquela família cheia de afetos contidos, tanta paixão, foi belamente filmado por Luiz Fernando Carvalho, proeza difícil, filmar um texto denso e não cair no vazio, Luiz Fernando Carvalho fez um dos mais belos filmes brasileiros no meu ponto de vista. “Um copo de cólera” é uma novela do Raduan que adoro, escrevi sobre ela, é a história, estória, de uma casal que se ama, apaixonadamente e briga muitooo, discute, é um belo texto de amor, se você está apaixonada/o, leia, vai adorar, ele narra a cena de sexo mais linda e forte que já li, fantástico o Raduan. Fizeram um filme que detestei, não tem nada a ver com o livro dele, ele mesmo não diz que não gostou do filme, mas eu que li o livro muitas vezes, achei o filme péssimo por ser superficial e o livro do Raduan é denso como tudo que ele escreveu.
Desejei nesta semana que as pessoas me conhecessem um pouco através do que gosto, senti ansiedade, desejo de postar mais, o mesmo que sentimos diante de um novo amor, queremos nos mostrar naquilo que achamos melhor, mais bonito. Coloquei um poeminha meu, pouco comprometedor. Senti falta dos amigos reais aqui, eles não estão habituados a freqüentar blogs, não têm blogs, alguns fizeram comentários no meu e-mail, outros ainda não se manifestaram.
Estive bisbilhotando e conhecendo outros blogs, são muitos, tem muita gente boa escrevendo blogs, alguns são bastante informativos: http://www.sindromedeestocolmo.com é um;
há muitos escritores e candidatos a, alguns são muito pessoais, umbigo puro, destes eu não gosto, mas alguns muito bons, há uma menina de 17 anos que promete como escritora: http://www.eladesatinou.blogger.com.br ;
Victor Az muito bom e melancólico- http://intristeza.blogspot.com ;
os meninos do http://www.ocaosemplumas.blogspot.com / escrevem bem;
Patrícia Antonelle do http://www.naodiscuto.com escreve lindamente sobre encontros e desencontros amorosos. Adorei também:
http://idelberavelar.blog.uol.com.br , culto sem ser pedante, ótimo;
uma carioca exilada: http://stuckinsac.blogspot.com , gente fina, escreve bem; um blog imperdível http://www.gardenal.org/inagaki ;
outro que deve ser lido http://www.nemonox.com/ppp , vários assuntos que nos interessam; e por último um blog que me agrada muito por ser lindo esteticamente e falar de arte com graça e sem arrogância:
http://sheilaleirner.blogspot.com
Como vêem ainda estou engatinhando aqui.
Percorrendo estes blogs muitas vezes me senti voyeur, intrusa, e senti que algumas pessoas são generosas, receptivas, outras não te dão bola e dá sensação de estranheza, afinal você não é amiga daquelas pessoas, chega lá escreve algo e quer retorno? Mas senti alegria quando me deram retorno, aprendi que é importante dar retorno.
Uma coisa eu já sabia, é fácil fazer um blog, como é fácil clicar no e-mail de alguém, um cronista, por exemplo, e dizer algo, o difícil e o que vem depois, algumas vezes não nos fazemos entender, nos expressamos por vias tortas- (não é Radical Chic?)-, outras depois vem a ansiedade pela resposta como se este outro tivesse um compromisso com você, o compromisso de te ouvir e reconhecer.
Pois é, acredito que estamos todos aqui buscando uma nova experiência, uma nova forma de relacionamento e no fundo TODOS buscamos ser reconhecidos.
PS: na época eu não sabia colocar os links, hoje sei, mas muitos destes endereços mudaram,não posso buscar agora os endereços novos, preciso fazer outras coisas- há vida além do virtual e eu preciso me lembrar disto :)
#mussumday está no toptwitter hoje. :)
15 anos sem Mussum, faz falta, o grupo perdeu a graça, eu acho, assim como o "Casseta" nem vejo mais...
terça-feira, julho 28, 2009
segunda-feira, julho 27, 2009
Na esquina da Vinicius
Drummond e eu, marcávamos encontro sempre na esquina das ruas Vinicius de Moraes com rua Nascimento Silva, onde eu morava. Ele vinha da casa da namorada que ficava na rua Barão de Jaguaribe, eu estava num dos meus intervalos do consultório, nunca gostei de trabalhar direto, saía para dar uma volta, tomar um café, ir à uma livraria, encontrar um amigo para um encontro rápido.
Neste dia eu estava levando um cartão desenhado por mim, um flor estilizada, era um cartão especial. Não lembro o que escrevi, mas era um bonito e curto texto sobre amizade e perda. Pedro Nava, amigo de Drummond de uma vida inteira havia se matado naqueles dias. Havia um grupo de intelectuais que se reunia aos sábados na casa de Plínio Doyle, nos chamados sabadoyles- Nava e Drummond se encontravam lá, Hélio Pellegrino, Fernando Sabino. Por que eu não pedi para ir um sábado? Vivia nas nuvens naquela época, enamorada.
A morte de Nava foi um choque para todos os amigos e nós que o acompanhávamos de longe por sabê-lo amigo de tantos daquela geração. Estava com 80 anos, sofreu dura chantagem, não suportou e deu um tiro na cabeça. Drummond não se conformava, até aquele momento não se sabia o que havia provocado o gesto desesperado, depois soube-se que havia algo a ver com homossexualismo.
Imaginem como Drummond devia estar se sentindo? Péssimo. Acredito que estes gestos devem nos deixar completamente impotentes e amargurados: Como não percebi? Por que não me confiou? Por que o nossa amizade não bastou?
Ele gostou muito do meu cartão e a partir daquele dia, um dia de maio de 84, nos aproximamos mais. A dor da morte de Pedro Nava fez com que o poeta me quisesse mais perto. E por causa disto minha vida tomou outro rumo. Conto outro dia.
Mais aqui.
Gata desaparecida
Florzinha desapareceu.
domingo, julho 26, 2009
sábado, julho 25, 2009
Onde a minha Florzinha?
Amanhã fará 3 semanas que Florzinha desapareceu. É muito triste, era tão alegrinha...
Pra mim foi roubada, tenho certeza, era operada, não saia daqui da frente, se não foi um vizinho, foi alguém que esteve aqui no condomínio- que é fechadíssimo, só entra quem se identifica, estas coisas. Os peões vieram com papo de que foi cobra depois de 3 dias...hã, que alguém viu uma cobra grande blá blá blá- tá bom...
A gatinha era linda, é linda, devem ter roubado, vendido por 5 real(é assim mesmo) ou alguém levou pra se vingar de mim, eu fui contra a festa aqui na frente.
É triste pensar que pode ser por maldade, mas há muita maldade no mundo contra bichinhos, gatos, principalmente, e eu sou meio paranóide, vocês sabem, penso que não gostam de mim, sou diferente da maioria, gosto de ler, de silêncio de ficar em casa, sou bicho estranho, ainda mais sem marido e sem religião.
Ulalá.
Seinfeld, o gato, vive tristonho, ficou dias sem comer, agora mia pedindo afeto, passava o dia a lambendo, já contei aqui,ou não?
Esta semana vou adotar uma gata para fazer companhia para ele, uma clínica aqui perto tem convênio com uma ONG. Tudo nos trinquis. Quero outro gatotambém paranão ficar tão infeliz se acontecer algo de novo, sabe como é...agora estou com medo.
Eu tenho um livro sobre gatos que diz algo que nunca havia pensado: cães a gente protege, andam de coleira, presos em casa, gatos não, a gente expõe a todo tipo de perigo, inclusivo quedas de janelas- o que é vero.
Torçam por mim, tanta coisa tem acontecido, nem conto pra não ser chata. Mandem boas energias porque acho que as negativas anda por aqui, infelizmente- vou acender um incenso. Por causa disto já perguntaram se sou macumbeira- a empregada de uma vizinha- mandei dizer que sou das boas hihihi
sexta-feira, julho 24, 2009
Mini conto

RenéMagritte
No espelho
Olha o rosto no espelho, diferente, mais claro.
Levanta devagar o vestido observando o corpo.
A calcinha apertada marca a gordura, encolhe a barriga. Alonga-se, abaixa o tecido de algodão florido, observa a púbis, alisa os poucos pelos. O rosto se crispa. Levanta a calcinha nas ancas buscando um ângulo melhor. A cabeça cai para o lado, volta para o centro, retesa-se.
É com os olhos dele que se vê agora.
Ainda sente o elástico a apertando, mas se reconhece naquele outro olhar e sorri.
Mini conto
Perdeu a parada. Quando ele levantou, ofegante, viu a boca desdentada sorrindo sarcástica.
Permaneceu ali até o cobrador dizer:
- Ponto final, dona.
quinta-feira, julho 23, 2009
Um gênio ou um louco?
Emygdio de Barros Leiam aqui a resposta do Contardo ao Ferreira Gullar, eu fiz um post também falando sobre isto aqui, pulem o blá blá blá do início do post.
Coloco o Contardo Calligaris porque ele escreve com seriedade, e eu concordo com ele, eu apenas digo o que penso sem compromisso, sou livre, escrevo para amigos aqui. :)
quarta-feira, julho 22, 2009
Brasil um país de, ainda, e-excluídos
Brasil um país de, ainda, e-excluídos
22/07/2009 in Internet: Fernand Alphen’s Blog
Aqui se vota na urna eletrônica e ainda tem político comprando voto a troco de chinelo.
Aqui se faz declaração de imposto de renda pela Internet e a sonegação mora nas barbas do poder.
Aqui se faz BO pelo computador e ainda tem filas kafkianas no Detran.
Aqui 50% da penetração das pessoas que acessam a Internet ganham menos de 2 salários mínimos de renda familiar, e 50% das famílias ainda ganham menos de 2 salários mínimos.
Aqui acesso à Internet não tem nada a ver com renda. Somos o país das correlações arrevesadas.
A penetração de Internet no Brasil é de 35%, segundo a última pesquisa F/Radar. Vamos nos comparar primeiro com outros pobres anabolizados: na Rússia é 26%, incluindo as matrioscas; no México, 23%, sem contar os zapatistas; na China 23%, segundo o mais democrático governo do mundo, e na Índia 6%, incluindo as vacas sagradas. Isso significa que somos o mais digital dos nossos primos.
Já nos Estados Unidos, a penetração de Internet é de 73% e nos países europeus, por aí também. Essa diferença tem alguma coisa a ver com grana?
Pois vejamos: a renda per capita dos Estados Unidos é de 46 mil dólares (ou era, antes do catastrobushismo, sei lá). A do Brasil é de quase 8 mil dólares.
Ou seja, somos quase 6 vezes mais pobres mas só 1,6 vez menos conectados.
Então, se ainda somos mais pobres do que Botsuana – aqui 31% estão abaixo do nível de pobreza contra 30% no país africano –, a gente deu um jeito e já dá pra falar em inclusão de acesso (e não digital). Obrigado, informalidade.
Já o acesso em casa são outros quinhentos. A penetração é ridícula ainda: pouco mais de 20%: 63% nas classes AB, 19% na C e ridículos 2% na DE.
Mas será que isso tem alguma importância? Talvez não tenha, na teoria, afinal de contas, se a Internet é canal de relacionamento, não precisamos estar em casa para xavecar, nem convém. Se Internet é informação, idem. Se Internet é atividade profissional, menos ainda. Quem tem tempo em casa de fazer muito mais do que dormir?
Mas tem sim: para comprar. Onde já se viu “comprar pela Internet fora de casa?” 72% dos internautas que já fizeram compras pela Internet o fizeram de casa. Vai saber por quê!
Em outras palavras, se a maioria das pessoas no Brasil acessa a Internet fora de casa (77%), esse monte de gente nunca comprou.
Aí está o nosso novo desafio, o gargalo que não tem nenhuma importância pra quase tudo, menos para aquilo que parece ser uma das salvações da lavoura da economia: o comércio eletrônico.
Esta é a nova fronteira: a inclusão comercial.
Copiei daqui.
terça-feira, julho 21, 2009
O que será do amanhã?...

Daqui e daqui.
Aterrise na lua com o Google Earth. Aqui
Ainda não fui ver, Literatus. :)
Ontem eu fui ver uma rua em Paris, ai que saudades... Anda-se com este novo mapa nos lugares, é um barato!
segunda-feira, julho 20, 2009
domingo, julho 19, 2009
"O Divã" - Filme- Parte 4- Post Atualizado
O filme estava chatinho até aparecer este Adonis e o baseado, melhorou. :)
Vi o filme todo, não é mau, mas é cheio de clichês, filme para público pouco exigente, eu sou uma chata. Achei a estorinha tão familiar, já vi este filme antes. E colocar o Gianne foi um apelo- que funciona, óbvio- ele está um grande sedutor, quem não gosta de vê-lo é doente da cabeça, ou invejoso :)
Marília Gabriela... hã...esta sabe que o vier agora é lucro.
Mini conto
O amor que arranha
Febril via TV recostada no sofá. O rosto dele aparece no vidro da porta. Pede para entrar. Senta-se. Pega um dos meus pés, ainda frios sob a meia, e massageia.
Vejo os olhos doces.
Diz: Poderíamos subir...
Digo: Não, não quero.
Vejo a pele curtida, o mau trato e tenho pena. Não dele, mas de mim.
sábado, julho 18, 2009
sexta-feira, julho 17, 2009
50 anos sem Billie Holiday
Mas ela vive em mim, traz tantas lembranças boas, transborda afeto.
Eternamente Billie.
Abaixo censura a Zé Simão-atualizado
Leiam aqui:
Justiça proíbe Zé Simão de fazer piada com Juliana Paes
Estou com o Zé Simão, ele ainda usou uma palavra do contexto da novela- casta- não vejo porque se ofender, deve ser para chamar atenção ou cansou das piadas dele.
Ora bolas, Simão é o que é, querido e famoso, por não perder uma piada.
Simão sem censura é mto melhor e mais engraçado. Viva Simão, meu macaquito preferido.
Atualizando:
Leia aqui o que diz o Simão.
O meu sonho
Veja sem som, please. Eu vou morrer amando Marlon Brando e dizendo que este é o filme da minha vida.
Esta noite sonhei que um homem me abraçava, não era ele, nem sei quem seria, mas foi tão bom...
quinta-feira, julho 16, 2009
"Educar pelo cinema"
'Educar pelo cinema" de Contardo Calligaris aqui.
Um bom artigo.
Quem não sofre com filhos adolescentes? Contardo sempre diz que nos tornamos o que somos pelas identificações, inclusive via cinema. Eu já sabia-psicanálise- e o cito porque quem repete sempre isto é ele.
Eu acho que escolhi o nome Laura pela imagem linda de Laurel Bacall, pelo casal- era casada com Humphey Bogard- e porque o Jean, meu amigo, era fã dela- e eu dele :)
Tenho um vídeo do " Café filosófico" muito bom onde ele fala disto. Vejam aqui. Vocês podem comprar, existe à venda por ai nas melhores casa do ramo. :)
quarta-feira, julho 15, 2009
Ah! Insensatez...
Meus caros amigos
Eu enviei este conto sobre bossa nova para um concurso do Estadão no ano passado. Era preciso incluir este verso:
"Chega de saudade...
Não quero mais esse negócio de você longe de mim/ Vamos deixar esse negócio/ De você viver sem mim"...
O Jornal Estadão não o escolheu. Já comentei aqui antes.
Insensatez
"Venha, estou te esperando. Desça a Montenegro, entre na terceira, à
direita. É um prédio antigo e pequeno no meio da quadra", disse ele.
Eu fui, como sempre. Obedeço aos homens.
Tinha pressa. As mãos suavam ao descer do ônibus no ponto indicado.
Lembro de um sonho em que deslizo pela Rua Prudente de Moraes deserta,
desejando alar ao seu encontro.
Na esquina, um bar, mais à frente, duas vilas. Adoraria morar no bucolismo de
um espaço silencioso, com flores nos jardins. Com este olhar, me deparei com
o prédio dele.
Anoitecia.
Bati à porta, alguém tocava violão, abafando meus toques. Repeti as batidas
com mais força. O som do violão cessou. Ruídos de cadeiras e vozes. Ele abre
a porta no momento em que eu inspirei fundo, aflita, pensava o que fazer se
não me ouvissem.
Havia homens espalhados pela sala, alguns no chão em almofadas, eu era a
única mulher. Um deles me olhou com desdém, por pouco não me sinto
intrusa, apenas porque os olhos dele me observavam e sorriam.
Minutos depois ficamos a sós entre copos e cigarros espalhados sobre o
piano, chão, janela. A pequena sala, que dava para a frente do prédio,
rescendia a cigarros. Comecei a juntar copos e cinzeiros. "Deixe, depois eu
limpo", ele disse. "Limpamos agora, é melhor", respondi.
Queria mais tempo para me acostumar à idéia de
estar ali. Não queria que ele percebesse minhas mãos frias.
Na pia cheia de copos, garrafas vazias, um gato cinza de olhos azuis tentava subir.
Ele veio por trás e beijou minha nuca. Me desvencilhei caminhando em direção
à janela. "Veja o Cristo, dá para vê-lo, não sei até quando..."
Senti seu hálito de álcool e cigarro. Aquele cheiro me excitava.
Segurou meu rosto entre as mãos em taça, beijou meus lábios sorvendo meus
mistérios. De olhos fechados, eu adivinhava o rosto que amei no primeiro
encontro. Abri os olhos para conferir. Seus braços me envolviam.
Aos poucos fomos nos afastando da janela. Debruçando-se sobre mim, deitou-me
no sofá, abrindo, com dedos ágeis, caminho para a minha entrega plena.
Um dia ele viajou, precisava ir a trabalho, disse. Não voltou. Eu chorava
desolada. Enviei uma carta, por um amigo comum, onde dizia:
"Desde sua partida minha vida é só tristeza e melancolia. Não sei viver
assim. Volte".
Meses depois recebo um telefonema. Era Vinícius, dizia que tinha algo para
mim. Fui até lá, ele cantou, jamais esquecerei, esta música, como um
recado do Tom:
"Chega de saudade
... Não quero mais esse negócio de você longe de mim,
Vamos deixar esse negócio
De você viver sem mim"...
Ele voltou, anos depois. Soube pelos jornais.
Questionário Proust e eu

Questionário Proust
O Questionário Proust não é de autoria de Marcel Proust, o escritor famoso, mas ficou conhecido quando ele respondeu às perguntas na infância e na fase adulta.
No livro da Françoise Sagan, que li faz pouco, ela responde. Já não lembro mais o que ela disse... tsc tsc tsc ai memória...
Vou responder porque adoro estas brincadeiras e gostaria que vocês também respondessem. Que tal? Eu mudo muito, esta resposta estou dando agora, amanhã poderá ser outra :)
1. Qual é sua maior qualidade?
Solidariedade.
2. E seu maior defeito?
Desconfiança.
3. A coisa mais importante em um homem?
Saber estar com você em todos os momentos.
4. E em uma mulher?
Ser acolhedora- talvez o mesmo que eu espere de um homem.
5. O que você mais aprecia nos seus amigos?
Saber que mesmo longe torcem por mim e me amam.
6. Sua atividade favorita é...
Olhar as nuvens de dentro de uma piscina, ou a lua... Contemplar.
7. Qual é sua idéia de felicidade?
Estar em paz com meus filhos e me sentir amada- confortada.
8. E o que seria a maior das tragédias?
Perder seres amados. Não gosto nem de pensar nisto.
9. Quem você gostaria de ser, se não fosse você mesmo?
Uma missionária, tipo Dra Zilda Arns, Madre Teresa de Calcutá. Gostaria de ser desprendida e generosa.
10. E onde gostaria de viver?
Onde estiverem meus filhos com dinheiro para viajar para Rio, São Paulo e Paris.
11. Qual sua cor favorita?
Vermelho e preto. Isoladas? Preto.
12. Sua flor?
Papoula- uma flor da infância: frágil e bela.
13. Um pássaro?
Um gaivota para estar sempre perto do mar.
14. Seus autores preferidos?
Raduan Nassar, Javier Marias, Clarice Lispector, Freud, os clássicos russos, Camus, M.Duras ... muitos
15. E os poetas de que mais gosta?
Fernando Pessoa, Neruda, Drummond, Mario Quintana...Não sou grande leitora de poesia, apesar de gostar.
16. Quem são seus heróis de ficção?
Super homem- pela cena em que abre a Terra para salvar a amada.
17. E as heroínas?
...
18. Seu compositor favorito é...
Francisco Buarque de Holanda.
19. E os artistas que você mais curte?
Marlon Brando, Raul Cortez, Antonio Gades...
20. Quem são suas heroínas na vida real?
Dra. Zilda Arns, Madre Teresa, e todas as mulheres invisíveis que sobrevivem com garra sozinhas cuidando de filhos.
21. E quem são seus heróis?
Gandhi, Martin Luther King...nesta linha.
22. Qual é sua palavra favorita?
“Eu te amo”.
23. O que você mais detesta?
Hipocrisia.
24. Quais são os personagens históricos que você mais despreza?
Hitler, Adi Amin, Mussolini, estes caras...
25. Quais os dons da Natureza que você gostaria de possuir?
Cantar, nadar, voar :)
26. Como você gostaria de morrer?
Em paz e sem saber da dor dos filhos.
27. Qual seu atual estado de espírito?
Triste- perdi uma gatinha que eu amava faz dez dias - sumiu.
28. Que defeito é mais fácil perdoar?
Ignorância.
29. Qual é o lema da sua vida?
Viver em harmonia com todos.
30. Você seria capaz de matar alguém?
(Esta pergunta está no livro da Sagan, mas não vi na internet.
Espero nunca chegar a uma situação limite que me obrigue a matar para não morrer ou salvar alguém. Acho que mataria para salvar meus filhos.
Aqui o Questionário de Pivot, que eu já respondi, gosto mais.
Foto de Man Ray- Proust em seu leito de morte.
Antonio Gades
terça-feira, julho 14, 2009
sábado, julho 11, 2009
Mini conto
O pianista
Ele disse, parando o carro aqui em frente:
"Você sabe o quanto gosto de você, mas não daria certo, melhor ficarmos apenas amigos".
Beijou minhas faces, eu queria mais, sempre quero mais.
À porta, a mão dentro da bolsa não encontrava as chaves, o abandono me inundou. Entrei na sala escura, joguei-me no sofá aos prantos. O cão veio atrás, afastei-o. "Sai, Zampa, sai!"
Não sei quanto tempo se passou. Os móveis, antes contorno, sobressaiam. Não queria que amanhecesse. Cobri os olhos com as mãos. O cão veio novamente me cheirar, afastei-o de novo: "Sai, Zampa!".
Poderia me matar. Saberia como. Ele ligaria dois dias depois. Nada. Ligaria no terceiro dia. Nada. Uma semana depois, talvez batesse à porta e sentisse o mau cheiro. Eu me vingaria.
Mas não, eu não apodreceria num apartamento em Ipanema.
Acabei adormecendo no sofá, despertei, passava do meio dia, corpo e vestido amarrotados, me encolhi entre almofadas.
Era domingo, ninguém me ligaria.
Anoitecia quando a fome passou a doer mais que o desamor.
"Zampa, desculpe, mas hoje você não vai descer". Disse.
Liguei a TV sem som.
Poderia telefonar e dizer que não viveria sem ele.
Fazia calor, era verão. As janelas davam para um pequeno prédio de onde vinha o som de um piano e alguém cantava.
Debruçada ouvi: "Chega de saudade, a realidade é que sem ele não pode ser...".
Fechei a janela quando amanhecia.
Voltar para casa passou a ser um prazer.
Um dia, perguntei ao porteiro:
- O Senhor sabe quem é que toca piano no prédio ao lado?
- É um tal de Tom Jobim, a senhora conhece?
Nunca mais dormi de janelas fechadas.
*
Este conto eu fiz pensando no concurso do Estadão do ano passado, mas só podia mandar um, enviei o que coloquei neste post. Hoje reli e cortei bastante. Ah! aceitaram vários contos, não o meu :(.
Olha eu em Cannes
Olha eu em Cannes :)
Que delícia ser famosa na net: vejam aqui. Uma das coisas mais charmosas da net, tinha que vir de lá- depois falam mal dos franceses... Que graça isto! Entrem lá e vejam- coloquem seus nomes e curtam os minutinhos de 'fama' :)
sexta-feira, julho 10, 2009
Mini conto
Ele sabia
Ele sabia, desde o primeiro dia, ela não, que a faria sofrer.
A transparência dela o cativara, o amor excessivo causava-lhe náuseas.
Um dia ela veio, os olhos vermelhos de choro. Ele não lhe sorriu, com sempre, observou-a em silêncio. Vestia preto, mantinha a postura elegante. De costas, olhava a janela. Ele a abraçou levantando o vestido, esfregando as mãos grandes nas suas coxas, o pênis duro nas suas costas. Beijou-a com violência, ajoelhou-se tirando a meia calça com força. Jogou-a no sofá, mordeu seus mamilos. Ela gemeu de dor. Penetrou-a fundo num ritmo intenso.
Ela disse:"Pare, está doendo".
Ele não parou. Gozou espargindo sobre ela o sêmen.
Depois daquela tarde ela não chorou mais. Não mais voltou.
Desta vez ela entendeu tudo.
quinta-feira, julho 09, 2009
O olhar dos líderes

Líderes do G8 unem-se em momento extrovertido para fazer foto oficial do encontro da cúpula do G8 Jason Reed/Reuters
"Tu me acostumbraste..." / Arquivo

Tu me acostumbraste, a todas esas cosas
Ele disse, voz firme, mas sem rancor:
-Refaça sua vida, por favor, eu refiz a minha.
Minha voz apagou-se.
Desde aquela manhã vertem lágrimas de meus olhos. Não contenho, envergonho-me, evito sair.
Não encontro alívio. Meus sonhos são invadidos pela sua imagem.
Sou prisioneira. Os grilhões, antes consentidos, agora doem. Só ele pode soltar-me.
Com que palavra ou gesto me salvaria?
quarta-feira, julho 08, 2009
O conto que não entrou no livro

Dia de jogo do Flamengo
Pediu:
- Por favor, pare de arrastar este chinelo, veja o jogo sentado!
Ele fingiu não ouvir, continuou andando de um lado para o outro falando sozinho, xingando os jogadores do time adversário.
Ela, em desespero, se ajoelhou no chão e arrancou os chinelos daqueles pés imundos. Jogou-os pela janela, agarrou seus próprios cabelos, batendo a cabeça na parede.
Ele fingiu não ver.
Ela saiu da sala em direção ao quarto. Abriu as persianas velhas com dificuldade.
Ele ouviu o estrondo do corpo no chão, levou um susto, foi até a janela.
"A esta hora e ela ainda veste roupa de dormir"- pensou.
O show deve continuar...agora com trailer
Já está aqui no youtube o primeiro capítulo, vejam lá
Foto Blog do PP
Fernando Meireles dirigindo PPRangel, foto daqui.Copiei dela

Ontem depois de ter visto a cena mais triste do dia na TV, triste por muitas razões, é comovente- eu chorei paca vendo a menininha dizendo que ele era o melhor pai do mundo aos prantos- e constrangedor. Como expõem uma criança, ou mesmo um filho, a uma situação destas? Os tios parecem algo que não posso nomear aqui, melhor não dizer o que me lembra esta cena. Muito triste a morte dele, o show (que eu não vi, estava trabalhando e não vou ver na NET), tudo.
Que Michael Jackson descance em paz, porque aqui na Terra continuarão a disputar o que era dele- até os filhos. Ele deve ter sido bom pai, era muito sensível, afetuoso, com certeza, e infantil, então...
Acabo de ver a tal cena, vem a novela, o "Casseta" com a Fernanda Torres, impagável- ela se joga no personagem com tudo, por isso é excelente atriz. Caindo de sono espero o seriado "Som e fúria" e valeu a pena, e se valeu.
É excelente, quem perdeu tente ver. O nosso amigo PPRangel fez uma bela sinopse aqui.
O texto, que é uma adaptação , é ótimo, o elenco de primeira, tem um roteiro dinâmico, produção de qualidade. Maravilha se sempre fosse assim a nossa TV, quando eles querem fazem coisas da melhor qualidade, "Hoj eé dia de Maria" também foi excelente.
Gente, o show deve continuar, mas eu vou sair daqui.
Querido Pedro Paulo:
Merde!
Ah! vida...cadê minha gatinha?
Pois é, amigos, desolée estou eu, também, Leila.
A gatinha não apareceu, algo me diz que foi roubada, sinto isto no ar. Sou muito intuitiva, preferia não ser, seria mais feliz.
Vejam, eu mandei e-mails com foto dela para os vizinhos todos que têm endereço eletrônico- ninguém disse nada-
esperava que um, pelo menos, dissesse: espero que ela volte, qualquer coisa.
O síndico conversou comigo quando cheguei ontem, na portaria- ele é boa praça, como dizia meu pai, a mulher dele também, gosto bastante dela- já esteve aqui, conversamos. Gosta de ler- o que já diz bastante.
Acordei com meu filho aos prantos na minha cama, dizia que não sabia bem o porquê da tristeza- depois de uns dez minutos falou da Florzinha- foi ele quem a trouxe um dia, pagou vinte reais numa loja do Alecrim, o bairro onde vendem tudo mais barato. Eu fiquei assim assim, mas me enamorei pela bichinha, que ao me ver no tapete, (adoro deitar no chão), deitava no meu colo massageando meu estômago antes para se acomodar. É encantadora, era quem nos acordava, não mia, geme: aóummm. Passava o dia todo ao meu lado, tipo, se eu subisse, subia, se eu fosse ao banheiro entrava junto, se estivesse com frio subia no meu colo. Dormia com este meu filho algumas vezes, é friorenta.
Era a mais levada, enquanto o Seinfeld parece um lorde, ela era abusada, corria pelos sofás, deitava em poses divertidas sobre o muro ou sofá. Seinfeld cuidava dela, até as fezes dela era ele cobria na caixa higiênica, tanto que ela mal sabia cobrir, se atrapalhava toda, várias vezes por dia ele a lambia, dando 'banho'.
Era a caçadora todos os dias trazia lagartos, grilos, rãs, libélulas, borboletas para dentro de casa. Fora as baratas no calor, ela as acuava.
É muito triste viver sem ela, vou arranjar outra para fazer companhia para o gatinho, mais por ele, que estes dias nem está comendo direito.
Fico pensando como alguém pode maltratar um bicho destes, ou roubar... Mordo minha língua se ela não foi roubada.
Eu conheço um rapaz que parece um urso de pelúcia grande, amoroso, ele confessa que odeia gatos e já matou vários- nem escuto os detalhes sádicos. É amigo dos meus filhos. Não, ele não esteve por aqui :).
Ontem Dan disse, que depois que soube disso descobriu que qualquer um pode maltratar animais, a aparência não diz nada- é verdade.
segunda-feira, julho 06, 2009
Ela sumiu- segundo dia
A Florzinha está desaparecida desde ontem. Putz! a vida não dá refresco.
Acho que foi roubada, é muito mansinha e graciosa. Já aconteceu da gente ir dormir e ela ficar de fora por não encontrá-la na hora de fechar tudo, mas ela pedia para entrar de madrugada, miava num telhado do andar de baixo. Estou muito triste.
Logo depois da festa...
Queria tanto ter paz! sou tão tranquila, quero escrever com calma, ter tranquilidade para me organizar, não consigo, cada dia um problema, um dia um adoee, no outro o outro, no outro minha cabeça parece estourar. Putz! ando cansada.
Boa noite, torçam para a minha bichinha voltar, o gato Seinfeld está choroso, miando pela casa. Ainda bem que tenho ele. Pior é a sensação de que pode ser uma vingança por causa da objeção á festa na minha porta, fizeram em frente à casa ao lado, o mesmo que aqui pelo barulho...
Queria sumir eu.
Terça-feira:
Ela não apareceu, acho que a roubaram. Havia muita gente do interior hospedada aqui pela festa, que foi embora naquele dia. Não acredito que ela tenha fugido, circulava por aqui apenas, é um condomínio de casas, fechado, com muros altos. Ela ia atrás de lagartos, mas voltava com eles.
Estou muito triste. Não consigo ir atrás. Estou esperando meu filho acordar para ir procurar.
Ontem uns meninos do condomínio foram de casa em casa e no condomínio ao lado.
Talvez eu esteja pessimista, mas sou muito intuitiva e pra mim foi roubo. Ela estava aqui até umas dez da noite, eu estavana sala. Chegaram amigos do Luc, veio o homem da pizza- ouvi quando se despediram do rapaz- Luc disse que ela estava na garagem- depois não a vi mais.
A possibilidade de ter sido atropelada existe, mas eu teria ouvido- sai da sala lá por onze e meia.
Pensei que ela estivesse no quarto do Dan, ela gostava de dormir lá. Não estava.
FLIP- Antonio Lobo Antunes-Atualizado
Que delícia! Queria conhecer este homem. Conta historinhas ótimas.
Esta FLIP já valeu por eu ter prestado atenção nele, vou comprar e ler.
"Ele parece escrever nos bicos dos pés" -eu amo algumas expressões portuguesas.
Veja aqui. Ele diz o que eu penso, não há lugar para inveja, há lugar para todos. Como aqui no virtual, há leitores para todos.
Levou 30 anos para ser aceito por uma editora... Márcio de Souza foi generoso, viram? Acho comovente isto, ele levou o livro do Antunes para um editor norte americano, que publicou.
Achei mais esta entrevista maravilhosa.
São três vídeos, entrem aqui e aqui e aqui.
"O Arquipélago da Insónia" de António Lobo Antunes
Texto que acompanha o vídeo:
"Começamos por uma casa, pelo sentimento uma força em exercício, um poder que vem de há muito tempo, quando essa casa era igual mas era uma herdade, um latifúndio, quando nada faltava a família, as empregadas na cozinha, o feitor, os campos, a vila ao fundo, e a voz do avô a comandar o mundo.
Agora há fotografias no Alentejo em vez de pessoas, e há objectos, cientes que também acabarão sem ninguém, há memórias de quem dorme, ou morreu, mortos que não sabem se a vida foi vida, há os irmãos, um é autista, e a imagem da mãe muito nítida, sempre de costas
(alguma vez a vi sem ser de costas para mim?).
Nessa altura já não se sabia a que cheira o vento, como não se sabe para onde foi a Maria Adelaide, morta também, foi para Lisboa?
A herdade foi tirada ao autista, e a doença (de quem?) é um arquipélago branco nas radiografias dos outros, um arquipélago normal, inocente. Estão todos mortos ou estão todos a sonhar e trocaram de sonhos, como se pudessemos trocar de sonhos.
De qualquer forma, sabemos que daqui a nada será manhã mas aquilo que se disse ainda se ouve lá dentro
(- Não precisa de se casar comigo menino o seu pai nunca casou comigo)
E então vamos sabendo que não será manhã nunca."
Sophie Calle e Gregoire Bouillier
Eu não fui à FLIP, mas adoro saber o que andou rolando por lá.
Lembram da escritora francesa que levou um fora via e-mail e fez um livro inspirada no "Cuide-se" que recebeu do namorado? Eu falei disto aqui.
Fantástico o que ela fez, vejam aqui, pediu para 104 mulheres interpretarem a mensagem. Queria que outras decifrassem entrelinhas, queria saber se haveria retorno- as histórias de amor se repetem exaustivamente, não é?
Ela estava na FLIP, vejam ai.
Eu aprendi escrevendo a fazer do limão uma limonada como ela :) A literatura me salva, digo sempre.
Cuidado comigo, eu mudo o nome do personagem mas a figura que me feriu se reconhece, eu sei.
Parte II
domingo, julho 05, 2009
O que rolou na FLIP

Você não foi à FLIP? Nem eu. Mas o Chico foi e você não quis ir? Não.
Gente demais.
Mas o Maurício foi e conta para a gente aqui
Ou no seu Twitter, as melhores tuitadas destes dias por isso, informou.
Poeminha nada perfeito
Van Gogh: Como eu entendo o meste da pinturaO vento rasga
invade espaços segretos
enlouquece
Esfarrapa a bananeira
que lançada ao muro
sangra
O vento grita à porta
em súplicas
Trancada
aguardo o silêncio
Onde me encontro senão no vento?
PS: Mon dieu, que vento!
Eu não me sinto poeta, é um desabafo. Mas sei que tenho alma de poeta, pela estranheza que a vida me traz.
Ontem houve a festa aqui na frente. Música boa, mas altíssima.
O que acontece com as pessoas que só ouvem música em decibéis acima do suportavel para mim? Sou eu a louca? Em alguns momentos as janelas vibravam- tipo trio elétrico. É um condomínio, uma rua, se fosse no tempo antigo seria uma vila de casas.
Fui deitar às dez horas, meu quarto fica nos fundos, aqui não era possível ficar. Rolou barulho até umas três horas. Havia muitas crianças, será que não percebem o mal que fazem a elas? A casa ao lado tem trigêmeos de um ano.
Sou bicho estranho, meus filhos também. Somos de outra massa. Minha família toda é silenciosa. Meu pai não suportava barulho- cada dia pareço mais com ele.
Não há lugar para nós no mundo atual. Onde vou viver? Vim para cá atrás de silêncio... Começo a pensar na possibilidade de me mudar. Para onde iria?
Ah! Ontem amanheci no hospital com Dan intoxicado por algo que comeu na casa de um amigo, voltei para casa às dez da manhã, fui molhar as plantinhas, pegar o capim limão para chá- as formigas haviam comido quase tudo. Só não chegaram perto do bambuza, até a orquídea as infelizes comeram- algumas, como o hortelã e a bromélia, só restou raiz. Lembro do livro de Raduan Nassar, "Um copo de cólera", o personagem tem um ataque quando vê o que as formigas fizeram no seu jardim. Outro com quem me pareço- Raduan Nassar- também gosta do silêncio.
O verso veste o poeta

Quem amanhece lendo isto, tem que ser feliz, não é?
o verso de um poema
veste o poeta
ou versa sem rima
em busca da solução?
©Márcia(clarinha).
Vão até lá e me digam se não tenho razão. Que importa se uns não me querem se tenho amigos como ela?
Obrigada flor de lóviu(quem a conhece entende).
sábado, julho 04, 2009
sexta-feira, julho 03, 2009
Ele vieram para quebrar o estabelecido
Você conheciam esta foto? Eu não. Adorei ver a quebra de protocolo, adoro ver quebras de comportamentos, penso em mudança, sempre. A Rainha aceitou o abraço de Michele Obama numa boa. O casal Obama é admirável. Torço por eles. Há esperança na Terra depois que ele foi eleito.
A China na FLIP
FLIP 2009 dia 2 de julho
Perguntaram para Xinran: A Sra. se sente outsider na Inglaterra, onde mora com o seu marido inglês? Ela respondeu algo que eu não havia pensado.
Parênteses:
Ontem o CCalligaris também disse algo que eu não havia pensado sobre nós e as crianças, leiam no post de ontem. Pois é, estamos sempre aprendendo.
Bom, Xinran disse que não se sente muito chinesa na China e que fora do seu país não é reconhecida com sua história- algo assim, vejam ai.
Explico: na China tinha trabalho, ajudou muitas pessoas(ela disse assim), um reconhecimento público, fora da China é uma desconhecida.
Entendi isto, pode ser que tenha entendido errado. Ela diz que nem os chineses que vivem na Inglaterra a reconhecem.
Eu me identifiquei pensando que quando a gente se muda, recomeça tudo e se não há espaço para nos mostrarmos, hoje ninguém tem tempo para olhar o outro, ficamos num vazio, sem chão. Falta-nos referências. Há uma sensação de desrealidade. Vem a tristeza, a nostalgia, como se a solução estivesse lá onde deixamos a "vida toda". Eu sempre digo que vivi muinha vida toda no Rio, não é exatamente isto, mas é como sinto- lá fui feliz, tive filhos, fui infeliz, me separei do pai deles, amei muito, namorei muito, trabalhei bastante, tenho um nome, me reconhecem na rua, no meio psicanalítica, sou respeitada.
Agora quando eu digo: Sou psicanalista, trabalhei em consultório 30 anos no Rio.
Pode soar, para alguns, como autopromoção, mas não é, é tentativa desesperada de ser vista com uma história, passos percorridos há meio século.
Como fazer para que te vejam, se não há interesse nos outros?
Quando faço palestras, muda bastante o olhar das pessoas para mim, há respeito, até uma certa reverência- eu me sinto ótima, fico feliz, me dá muita energia.
Por que não faço mais palestras? Ando desanimada para ir atrás, e precisaria de uma pessoa para ir vender meu peixe, é desagradável falar de você. Há sempre um ar de desconfiança. Será que ela é boa mesmo?
Eu queria ter uma assessoria, falo sério, uma secretária eficiente...
"Fãs de Chico vão à FLIP mesmo sem ingresso". Deu no G1
Acrescento, mesmo sem ter lido nenhum livro dele. Conheço gente que não quer ler, já basta o compositor. Ele quer ser visto como escritor, eu já o ouvi dizer isto. É interessante o desejo das pessoas. Não basta ser o mito Chico Buarque é preciso ser mais, ser o escritor Chico Buarque. Pensei agora no pai dele. Perhaps, pois é, o pai grande intelectual, escritor, e mentor do filhos.
Conheço um cara famoso, e respeitadíssimo como um dos intelectuais na nossa época, ele não se contenta com isto, quer mais, quer ser reconhecido como escritor.
Chico é um grande escritor, podem crer, os livros não são como canções fáceis de agradar, mas são bons e não para todo leitor. Eu, por ex. não leio o Saramago, que dizem ser maravilhoso, não gosto do texto prolixo dele, li um livro só. O que não quer dizer nada, ele é um excelente escritor, eu sei. Clarice Lispector também não é para todos. Os meus textos tambem não são para todos, são pesados, densos, há quem não suporte- entendo. Um amigo querido, diz que há dias em que passa batido aqui, não aguenta :)
A vida é tão estranha...

Esta foto está ótima, mostra um distanciamento, ele ar pensativo, o cão ao lado... Copiei do site da entrevista.
Ontem eu li aqui que este rapaz morreu, fui ver quem era e lembrei do rosto, de alguma entrevista, não sei onde.
Era amigo de uma amiga virtual muito querida e é muito conhecido. Inagaki deu a dica deste link. Que homem interessante ele era! Realmente uma grande perda.
Fala da loucura, da vida, da morte com uma clareza incrível, eu assinaria embaixo do que ele diz. Fala mal dos psis, tem toda razão, é um meio... conta-se nos dedos gente interessante, não medíocre ali. Leiam a entrevista toda, o link está lá embaixo.
A entrevista com Rodrigo de Souza Leão:
O que é a morte?
Rodrigo – Eu torço para que exista algo além. Gostaria de ver o que as pessoas acham de mim quando eu estivesse morto. Sabe? A reação das pessoas. Para saber se meu melhor amigo iria chorar, se alguma namorada ia lembrar de mim, se meu livro ia vender depois de morto... Por que depois que morre todo escritor vende.
O que é loucura?
Rodrigo – Isso é engraçado. Porque quando se é um louco folclórico, cheio de indumentária e adereços – tipo Bispo do Rosário, Plínio Marcos, Gentileza –, aí ele é bem-vindo. Eu quero acabar com esse folclore porque eu me visto como uma pessoa normal. Não tem como definir loucura. Loucura é uma coisa perigosa de ser definida, por isso as pessoas falam tão pouco. As pessoas têm uma idéia mitificada da loucura, o Michel Foucault falava disso. Definir loucura é não saber como se está no mundo. Não posso crer que só existam loucos como eu, que têm noção do que é a doença. Têm loucos como o Bruno, que são menos capacitados a isso. E também têm os agressivos. Acho que os hospícios não deveriam misturar os loucos. Assim as clínicas se tornam um depósito de gente. Os oligofrênicos deveriam estar separados dos outros loucos. Eu não vou ser mais internado, eu acho. Vou ser internado só no cemitério do Caju. (RISOS).
O que é a vida?
Rodrigo – A vida é excepcional. É o lugar onde tentamos construir sonhos. Vida é algo que foi dado e só você pode tirar, se você se suicidar. Ou Deus, que também pode tirar. Mas nem sei se Deus existe. Eu sou meio revoltado com Deus. Por que eu fui nascer esquizofrênico? Por que eu não nasci mais alto como o fotógrafo (Tomás Rangel). Eu nasci com 1,70. Eu queria 1.85. (RISOS) Ramon também faz parte da família dos ‘gnomídios’. Você deve se achar um anão. (RISOS).
Por que escrever?
Rodrigo – Escrever foi o que me sobrou. De tudo que tive, foi o que me restou a fazer.
Mais aqui.
Pois é, tão estranha esta vida... tsc tsc tsc
quinta-feira, julho 02, 2009
A infância perdida-Contardo Calligaris
quarta-feira, julho 01, 2009
Enquanto os grilos cantam...

Fiz um post enorme, sumiu porque apertei sem querer uma telha, que m.
No Outlook não consigo inserir merda. Que educado este correio. Eu escrevo lá. Por que? Prefiro, vivo lá :) erro muito ao escrever aperto espaço antes da hora sempre. Que é sempre qu e. :)
Amanheceu com chuva, fez sol, choveu, fez sol. Minha cabeça dói. A médica da acupuntura me disse que eu sou Terra e sofro com vento e umidade. Sou Terra no horóscopo também, sou bem virginiana em muitas coisas. Já fui arrumadinha, depois dos filhos perdi o prumo. Para a dor tomei Sumax, conhecem? Caro, mas faz efeito. Amanhã tenho acupuntura de novo, ainda bem.
Dormi de tarde, acordei com barulho de canos jogados aqui na frente- para o toldo da festa. Queria sumir, acho que vou para a casa de minha cunhada, lá tem espaço e é tranquilo- não vou aguentar esta festa, já sei, não estou suportando barulho, a cabeça dói.
Sonhei que o gato Seinfeld estava doente, doença da mosca, ai que nojo. Na casa da mãe tínhamos um cão, Laio, sofreu com esta doença nojenta, tadinho, sofreu depois porque caiu do primeiro andar, passou o ultimo ano de vida chorando de dor, eu tinha tanta pena, dava calmante para ele às vezes. Os nomes dos cães da minha mãe: Laio, Gradiska, Zampanô, Luna... Tivemos cães sempre, a casa era grande, muro baixo- só entrou ladrão uma vez. Um amigo me disse que casa devassadas são menos vulneráveis pela visibilidade da rua- deve ser verdade, minha mão viveu lá mais de 30 anos.
Sonhei também que ao dar gorjeta para alguém, me atrapalhava com as moedas- sempre acontece- e ele ficava com cinco reais, eu fico zangada e o firo com algo pontiagudo e fujo, ele quer me matar. Cruzes! que sonho.
Já esqueci o que havia escrito no post perdido :)
Estou sem manteiga, para comprar preciso pedir por telefone, não vou subir ladeira e andar não sei quanto para comprar.
Meu filho foi com o carro. Saudades de uma cidade grande. Já? Já. Gosto de descer e ter tudo perto como vivi sempre no Rio. Conversava com todo mundo na rua. Acho que não vou aguentar muito viver aqui.
Em Paris a padaria era em frente, no Rio na esquina.
Ontem uma cliente disse: Estou aborrecida com minha irmã, ela falou para amigas minhas que estou ficando louca porque estou fazendo análise.
Como mudar esta mentalidade? Difícil, é muito lento. Eu nunca atendi loucos, nada contra, vocês sabem, mas quem nos procura para análise são pessoas que querem crescer, desatar nós que atrapalham, nunca loucos.
O Bruno Gagliasso está bem no papel de psicótico. O texto é didático, soa falso, mas ele está muito bem, me comoveu outro dia- parece real. Fez Van Gogh no teatro.
É difícil encontrarmos pessoas neste estado, todos estão sempre medicados, nos hospitais ficam com impregnação- termo que
se diz quando o remédio tem efeitos colaterais, dopa, é triste. Será que isto mudou?
Acredito que tenham mias recursos medicamentosos, mas, creiam, muito não mudou.
Eu trabalhei com pacientes psiquiátricos em 73, 74, por ai. Na Casa de Saúde Dr. Eiras e na Clínica Villa Pinheiros- onde foi internado o filho do F Gullar, ele contou outro dia, vocês viram? Levou anos para falar publicamente, direito dele, o que a gente tem a ver com isto? Mas eu penso que se ele falasse antes ajudaria a diminuir o preconceito. O filho dele era muito jovem, frágil, lembro dele dormindo, encolhido. Eu estava de plantão no dia em que foi internado, nem conhecia o FGullar a não ser de nome. Ele estava com a mulher. Depois eu os via na praia na Farme de Amoedo, o filho junto, algumas vezes. Ficavam num grupo grande. A praia era uma festa, encontro certo de amigos.
Hoje no Fora de pauta do Nassif alguém falava num comentário muito bem escrito sobre a normalidade, todos precisamos ser normais- uma forma. Ele se referia às Síndromes excessivas que existem, tudo é anormal, até colecionar selos- não disse assim, eu estou dizendo.
Xô nostalgia.
Agora parou o vento, ouço os grilos cantando. A lua está crescendo, antes de dormir olho a lua.




