sexta-feira, dezembro 28, 2007

A morte anunciada de Benazir Bhutto, a outra esperada, de Pedro, o príncipe





Não dá para não se chocar com a morte dela.
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Ele era simples, jeitão de lord, mas nada arrogante, tinha uma casa atrás da minha em Cabo Frio. Era a 'casa do príncipe', viveu bastante.

"A grande familia": Agostinho- melhores momentos



Estes dias eu subia a escada rolante do Shopping Leblon(que é um espaço bonito e gostoso) e na minha frente subia o Pedro Cardoso. Eu disse:
" Pedro, você é uma alegria na minha vida e na minha família. Felicidades para você". Ele riu e agradeceu. Pareceu surpreso.
O carioca finge não ver os astros, eu finjo quando não gosto :) quando gosto cumprimento, sem invadir. Já vi muito Fernanda Montenegro, nunca cheguei perto, ela mantém distância, pelo olhar, eu respeito. Também, eu a via dentro de bancos, negociando com gerentes, sempre.
Uma amiga querida, que gosta de mim e me admira, outro dia disse que não entende bem esta coisa minha com os famosos, depois acrescentou que entendia.
Eu fiquei pensando, já sabia que eu não superestimo os famosos. Conheci o Drummond, andava de mãos dadas com ele, ora...eu não o endeusava, por isso ele se sentia bem comigo. caminhávamos pelas ruas de mãos dadas, ele falando mais que eu sobre o que sentia. Antes dele outros, nem vou citar, pareço exibida.
Mas o que eu disse ao Pedro, acho que fez bem para ele. Uma vez um destes famosos me disse que tinha pouco retorno- ele é cartunista.
Encontrei, também, meu amigo virtual Pedro Paulo Rangel numa galeria, aquela onde eu tinha consultório na Visconde 156. Me apresentei, ele conhece a Laura faz tempo. Foi muito querido e gentil comigo e eu com ele, óbvio- é outro ator fantástico. Nos falamos via blogs.
E quanto aos famosos há uma questão mais íntima que eu saquei, mas isto é papo para amigos próximos ou analistas.
E vivam os Pedros!
Duas figuras que nos fazem bem quando aparecem na telinha, ou telão.
O Agostinho me faz rir mesmo quando estou triste. Ele e "Seinfeld" por isso lhes desejo vida longa e feliz.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

"Ah! como eu tenho me enganado"...

Foto Ana Moraes


Saí do Rio aos prantos. Desta vez acho que rompi de verdade. Não consegui ver algumas pessoas que eu queria muito ver. Sofri desapontamentos brabos. A vida tem me dado umas porradas boas. Triste. Felizmente tenho amigos queridos que me acolhem, me salvam. E vocês para me ouvirem.
Hoje correria, descobri que conta paga não foi creditada- mais de 500 reais- chateações. Matrícula filho, etc e tal. Acho que as energias andam baixas, torçam por mim, mandem energias positivas porque o que tem de negativa...E obrigada por estarem por aqui.
Responderei cada um com calma, viu Samanta?
Beijocas.
Laura


Até breve.
Meio termo

(Lourenço Baêta e Cacaso)

Ah! como eu tenho me enganado
como tenho me matado
por ter demais confiado
nas evidências do amor
como tenho andado certo
como tenho andado errado
por seu carinho inseguro
por meu caminho deserto
como tenho me encontrado
como tenho descoberto
a sombra leve da morte
passando sempre por perto
o sentimento mais breve
rola no ar e descreve a eterna cicatriz
mais uma vez,
mais de uma vez,
quase que fui feliz!

terça-feira, dezembro 18, 2007

Feliz Natal!

Diego -Rivera


Ai, tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo...
Estarei fora uns dias. Volto em breve. Viajo e volto logo.
Será um Natal diferente, longe dos meninos pela primeira vez, mas é preciso.
Torçam por mim. Muitas decisões a serem tomadas.
Feliz Natal a todos.
Não terei tempo de visitá-los.
Mas não esqueço de nenhum de vocês, são o presente que ganho todos os dias, a atenção de cada leitor. vocês me fazem prosseguir, desejar estar aqui.
Obrigada.
E um abraço forte em cada um.
Ah! ten receita de panetone de chocolate do Olivier aí em baixo, vejam e façam Hummm

Este desenho é do post do ano passado, mas coloco para quem não viu. Não é um lindo desenho? adorei. Eu gosto de repetir posts, ninguém lê coisas passadas- só a Madoka, né, querida?

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Panetone Olivier





Desde 2004, o Programa do Olivier passou a ser transmitido pela internet.
Veja aqui

Felicidade no Natal 2007


Receita: Panetone de chocolate

domingo, dezembro 16, 2007

" O que há em mim é sobretudo cansaço"...


Este desenho é meu- antigo



"Perdi a esperança como uma carteira vazia...
Troçou de mim o destino;
Fiz figas para o outro lado"...

Fernando Pessoa


"O que há em mim é sobretudo cansaço-
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço'.

Fernando Pessoa(Albero Campos)

"O que eu sinto falta hoje em dia é de classe"




Jack Nicholson

Este cara é um dos atores que mais gosto. Sempre gosto de vê-lo na tela, na telinha, em fotos- tem um rosto muito especial.
Nesta entrevista ele respondeu com grosseria um repórter, mas, faz favor, leiam a pergunta do carinha e digam se ele não mereceu a tal resposta do Jack. Jovens não respeitam os mais velhos, é coisa rara- todos acima dos 48 anos, por aí. Somos entulhos, não servimos mais para nada. Se esquecem que um dia chegarão lá, se tiverem sorte, podem ficar pelo caminho.
O carinha desrespeitou também a Morgan Freeman, que é um ator de primeiríssima, excelente.
Hoje eu vi num blog de uma jornalista, não vou colocar link-óbvio-, uma carta aberta ao Presidente da Republica onde ela diz: "Vá se f..., Lula", com todas as letras, o palavrão por extenso. Eu não gosto do Lula, mas acho isto de uma falta de classe... é isto que o Jack diz aí em baixo, falta classe atualmente- antes havia uma hipocrisia maior, eu sei, mas este tipo de linguagem num blog de uma jornalista, faz favor. Ah! é um espaço com vários colaboradores, nem é um diário íntimo, não. Coisa feia. Eu abri e fechei a tal página- recebi de uma amiga por email a tal carta com o link. Feio.

Na Folha hoje:

"O que eu sinto falta hoje em dia é de classe"
, diz ator

Aos 70 anos, Jack Nicholson interpreta um paciente terminal de câncer e afirma ser difícil achar em roteiros um componente sexual para personagens mais velhos

MARCO AURÉLIO CANÔNICO
ENVIADO ESPECIAL A LOS ANGELES

O clima no corredor do hotel onde, no último domingo, uma dúzia de repórteres esperava sua vez para entrevistar Jack Nicholson era de apreensão, para não dizer terror.
Não apenas porque, sentado no quarto, fumando cigarros em cadeia e beliscando pedaços de melancia, estaria um dos maiores atores da história do cinema, mas principalmente porque, no dia anterior, durante uma entrevista coletiva, Nicholson havia arrasado um jornalista por causa de uma pergunta de que não gostou.
"O que resta para interpretar depois de fazerem dois velhos moribundos?" foi a questão de um jovem repórter à dupla Nicholson e Morgan Freeman, que estava ali para falar de seus papéis em "Antes de Partir", com estréia prevista no Brasil para 15 de fevereiro.
A cara de desgosto de Nicholson, afundado na cadeira e escondido atrás de seus óculos escuros, foi instantânea e provocou risadas da platéia. "Um serial killer que mata as pessoas por causa de perguntas idiotas", respondeu o ator.
À grosseria acrescentou um "ho, ho, ho" sinistro e completou dizendo que não era de "afagar a imprensa estrangeira para ganhar elogios". "Tira essa merda de boné", prosseguiu, agora já convicto em sua atuação. "Está com medo?", finalizou, instalando um clima de "meu Deus, baixou o "Iluminado'" na sala.
Depois desse começo, seria difícil a coisa ficar pior (e, realmente, não ficou; Nicholson estava mau humorado, mas até se desculparia, no meio de outra pergunta, pelo ataque inicial). De qualquer modo, estava criada a expectativa para entrevistas tensas no dia seguinte, como a que a Folha faria com ele.
As esperanças de não ser atacado à base de sapatadas (como o personagem de Leonardo DiCaprio em "Os Infiltrados") residiam em uma frase da estrela: "Com meus óculos de sol, sou Jack Nicholson. Sem eles, sou um gordo de 70 anos". Para alívio do repórter, o homem que recebeu a Folha -além de uma jornalista argentina- estava sem óculos.
Era o gordo de 70 anos (completados em 22 de abril), com seu característico sorriso do gato de Alice. Estava cansado ("Não ajudou ficar acordado até as 5h assistindo a uma luta de boxe", justifica-se), mas bem humorado e bem falante -consumiu os 20 minutos da conversa respondendo a apenas seis perguntas.
Na conversa, cujos principais trechos estão abaixo, deu alfinetadas no novo Coringa, falou sobre suas ligações com a nouvelle vague, sua amizade com o diretor Hector Babenco e seu projeto de adaptar Philip Roth.

NOVO CORINGA
Adoraria fazer o Coringa de novo [em "The Dark Knight", que estréia em 2008], mas não fiquei furioso por não ter sido convidado [como havia dito à MTV]. Só digo essas coisas quando estou fingindo ser uma diva. Não temo ninguém que interprete um papel após eu tê-lo feito.

VIAGEM AO RIO
Já estive no Rio, mas, como o pessoal de lá diz, todos os visitantes falam sobre o quanto amam a cidade, mas não voltam uma segunda vez [ri, com a jornalista argentina]. Mas é claro que eu adoraria voltar ao Rio, foi uma viagem fantástica. E sempre quis ir a Buenos Aires também, nas fotos você vê quão chique era nos anos 30 e 40. Ainda não fui lá, está na minha "lista de coisas para fazer antes de morrer" ["bucket list", título original de "Antes de Partir"].

MEU AMIGO BABENCO
Hector é fabuloso, quando me perguntam sobre os filmes de que gosto e que acho que não foram devidamente reconhecidos, "Ironweed" é sempre o primeiro que cito, ele fez um grande filme. Hector é uma dessas pessoas que podem ser muito divertidas e extremamente sérias, adoro isso nele. Sei muito mais sobre ele do que sobre outras pessoas com quem trabalhei e que moram em outros lugares. É um amigo querido. Se o entrevistarem, perguntem a história sobre o irmão dele [veja texto na outra página]. Ele vai querer me matar e matar vocês, mas vai contar.

NOUVELLE VAGUE
Levei meus filmes proibidos [como "Viagem ao Mundo da Alucinação", 1967, com roteiro seu] para Paris, na verdade os contrabandeei e, na primeira exibição, estava Godard que, por acaso, gostou dos filmes.
Em minha primeira temporada na Europa, sem um tostão, ele me abrigou sob sua asa e, no fim da jornada, no festival de Pesaro, na Itália, eu estava sentado com a delegação da "Cahiers du Cinéma" discutindo as mais variadas idéias sobre filmes. Conheci Bernardo [Bertolucci] lá, éramos garotos dedicados, ficamos acordados até as 4h por causa de uma palestra com Pasolini e o reitor da Sourbonne discutindo qual era a unidade básica de linguagem na sintaxe do cinema, se a tomada ou seu conteúdo.
Antes de chegar ao festival, Godard havia feito a declaração de que "um filme deve ter começo, meio e fim, não necessariamente nessa ordem". Esse tipo de declaração existe porque é estimulante. Roubei muito da nouvelle vague para "Antes de Partir".
Adoro os filmes, não só do movimento mas dos teóricos da época, Kurosawa, Antonioni, posso nomear 15 grandes diretores italianos trabalhando naquela época.

CINÉFILO
Hoje em dia não vemos os filmes estrangeiros aqui, eles não os distribuem como costumavam. Antes, víamos uma obra-prima por semana, foi assim por 14 anos. Bergman, Kurosawa, De Sica, Pasolini, Bertolucci, Truffaut, Resnais, cada semana era alguém. Não sabíamos, mas era a melhor educação possível. Além disso, eles adoravam os filmes americanos tanto quanto, Huston, Ford, Hawks. Essa é a parte boa de pertencer à indústria cinematográfica, não gostamos de admitir, mas somos muito sentimentais sobre as tradições.
Ainda assisto aos filmes como cinéfilo, mas a indústria mudou, foi tomada por conglomerados. Um filme que faz, digamos, US$ 10 milhões, não significa nada porque agora se lida com centenas de milhões. Uma empresa de filmes é, de certo modo, só um departamento de organizações maiores, mesmo para as pessoas que assistem aos filmes a sensação de sucesso fica distorcida por esses parâmetros, é difícil encaixar cinema de autor nesse conceito.

FALTA DE CLASSE
O que eu sinto falta hoje em dia é de classe, essa era uma palavra que se ouvia muito antes, não apenas sobre os filmes. "Aquele cavalo tinha classe", "aquele lutador tinha classe", "aquele era um pintor de classe". Gostaria de ouvir mais isso, é algo que me deixa nostálgico.
Pelo modo como eles a usavam, eu sabia exatamente o que queriam dizer: sem truques, sem tolerar estupidez, sem comprar afeições, sem escolher o caminho fácil, sem fazer o que eu faço, ficar se promovendo. Sinto falta dessa palavra no repertório da nossa indústria, é quase embaraçosa para algumas pessoas, acham que é ingenuidade se preocupar com esse tipo de coisa. A influência dos conglomerados no mundo é a última instância, todos os outros valores são desprezados, e isso não é bom para nós.

PROJETOS
Eu venho querendo reler "O Teatro de Sabbath", de [Philip] Roth. Li todo o Roth que caiu nas minhas mãos enquanto fazia "As Confissões de Schmidt" [2002], e esse é um projeto. A coisa mais difícil de achar, tanto na literatura quanto em roteiros, é um componente sexual para um personagem mais velho. O filme que Nicole [Kidman] e Anthony Hopkins fizeram ["Revelação", baseado em "A Marca Humana", de Roth] tinha esse componente, não tenho certeza sobre "O Teatro de Sabbath", mas acho que tem, o personagem tem uma relação louca com uma húngara. Há também biografias que as pessoas vivem dizendo que deveriam ser feitas, Tesla, Napoleão, sobre quem eu preferiria dirigir um filme em vez de atuar, porque estou muito velho, segundo dizem.



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O repórter MARCO AURÉLIO CANÔNICO viajou a convite da Warner Bros.

sábado, dezembro 15, 2007

Oscar Niemayer faz cem anos. Viva Oscar!!




"Niemeyer é 9º em lista que reúne 100 'gênios vivos'"


Um dos homens a quem admiro: Oscar Niemayer. Podemos nos orgulhar de ter um brasileiro como ele- são poucos. Faz cem anos mantendo a mesma postura ética que sempre o destacou. Um gênio do bem, sempre desejando um Brasil mais justo, menos desigual.
Ainda é otimista, o que me faz pensar que talvez esteja certo. Não devemos cair na tentação de achar que nosso país não tem jeito.
Na entrevista que deu à Folha disse:

"Cem é sacanagem, pô! Eu tenho sessenta!"
Ainda por cima tem humor. Um barato! Uma das pessoas que eu gostaria de ter convivido, não são muitas, como alguns podem pensar, mas este é especial. O Darci também era.

Está no UOL:

Frases:
Todo o prestígio da arquitetura brasileira se deve a ele. E é um prestígio advindo da idéia de imaginação, que, para o país, sempre representou uma esperança.
Paulo Mendes da Rocha, arquiteto

A metade do que ele fez ele não cobrou. Da metade que ele cobra ele cobra a metade.
José Carlos Süssekind, engenheiro

O ideal dele é mais ou menos igual ao do modernismo, o da arquitetura para todos.
Ricardo Ohtake, designer

As obras de Niemeyer estão impregnadas de tal modo que somos, todos e desde criança, capazes de esboçar, de cor, um par delas.
Angelo Bucci, arquiteto

A gente imagina que daqui a 300 anos ainda vão falar de nós, mas é ilusão. Vão lembrar só do Oscar. Sempre haverá alguém estudando a obra dele.
Darcy Ribeiro, antropólogo

A característica principal da obra de Niemeyer é a intuição, baseada na lógica da natureza. Por isso mesmo, a sua obra é capaz de emocionar qualquer ser humano, independente de sua formação intelectual ou categoria social.
João da Gama Filgueiras Lima (Lelé), arquiteto

Eu havia feito um post sobre em junho, se quiser leia aqui uma entrevista da Folha com ele.

"Cem é sacanagem, pô! Eu tenho sessenta!"

Mais aqui também na Folha.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Ella canta Summertime

Para mim esta é uma das mais belas músicas de todos os tempos.
Será que conforta o coração da criança?
Não sei...
Eu vi esta peça no Municipal do Rio há anos. Maravilha!

Summertime

Janis Joplin (tradução)

Composição: George Gershwin

Época De Verão

Época de verão
Criança, a vida é fácil
Os peixes pulando fora d'àgua
E o algodão, Senhor,
O algodão está alto, Senhor, tão alto.
Seu pai é rico
E sua mãe é de tão boa aparência
Ele parece bem agora
Calma, baby, baby, baby, baby, baby,
Não, não, não, não, não chore
Não chore!
Em uma destas manhãs
Você estará crescendo, cantando animado
Você estará alargando as suas asas,
Criança, e alcançar, alcançar o céu,
Senhor, o céu.
Mas ate esta manhã
Querida, nada vai te causando alarde,
Não chore
Chore.

Mais aqui:

http://letras.terra.com.br/george-gershwin/16047/

E nada /sem revisão

Chagall maravilhoso! Adoro.


E nada

Ela pediu um abraço, ele disse: "Ah! sempre o abraço, quer sempre mais..."
e a envolveu.
Ela o viu colocando o casaco em silêncio. Fechou a porta e jogou-se no sofá. Não se lavou nem chorou desta vez. Encolheu-se no espaço exíguo e dormiu.
O sol ainda não nascera quando despertou. Tinha fome. No frio do amanhecer, pensou nele. Uma faca amolada a cortou. Queria lhe dar o presente que fez- míninos caracóis num frasco de vidro transparente. Transparente como ela, ele pensaria. Esqueceu o pacote envolvido no papel de festa. Não se lembrará mais, ela sabe.
Ela marcava os encontros, ele apenas acedia. Muitas vezes dizia: “Mais tarde te ligo, assim que for possível, irei". E nada, nem uma palavra.
Há dias não o vê. Lembra sua fala, sua voz, tem medo.
Sabe que ele não virá atrás dela.
Ela não chora, está seca.

O belo...


Eu recebi um PPS com muitas máscaras belíssimas. Se vocês quiserem ver mais me peçam, eu envio por email.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Escrever contos...

O Pedro Paulo Rangel, nosso amigo virtual diz

"Tessy Callado me enviou o que disse Dalton Trevisan:
"Só a obra interessa. O autor não vale o personagem. O conto é sempre melhor que o contista. Vampiro sim, de almas. Espião de corações solitários, escorpião de bote armado. Eis o contista. Só invente o vampiro que exista. Com sorte, você advinha o que não sabe. Para escrever mil novos contos a vida é curta. Uma história nunca termina. Ela continua depois de você. Um escritor nunca se realiza. A obra é sempre inferior aos sonhos. Fazendo as contas percebe que negou o sonho, traiu a obra, cambiou a vida por nada. O melhor conto só se escreve com tua mão torta, teu avesso, teu coração danado. Todas as histórias a mesma história. O conto não tem mais fim senão começo. Quem me dera o estilo do suicida em seu último bilhete. Isto sim é conhecer o sortilégio"

Falô... disse tudo.(digo eu)
Vocês conhecem o Dalton? Durante anossssssss foi considerado nosso melhor contista, 'o vampiro de Curitiba'.
Mais aqui.

Who's Afraid of Virginia Woolf?


Ontem vi dois espetáculos fantásticos:
o Coral Canto do Povo, do Governo do Estado, e pela tv vi um filme, que acreditava ter visto há muito tempo, mas acho que havia visto outra versão, esta é inesquecível: "Quem tem medo de Virginia Woolf".
Uauuuuuuuuuuuuuuuuuuuu
Richard Burton e Elizabeth Taylor dão um show. Acho que todos já sabem disto, não é?
O casal está excelente. O filme é baseado em peça teatral de Edward Albee- é um primor em dramaturgia, vai crescendo a tensão, e surpreende no final.
A moça que faz a visita está ótima, eu a conheço de outros filmes, mas não sei o nome**, acabo de ler que teve um aborto espontâneo durante a filmagem*- realmente, tadinha fazer aquela personagem grávida...é demais para qualquer mulher.
George Segal está tão jovem que é difícil reconhecê-lo. Estes dias vi um filminho de segunda com ele- faz um aposentado que viaja numa excursão e encontra um mulher para recomeçar a vida- aqueles filmes previsíveis, tolos, mas que a gente gosta de ver.
Elizabeth Taylor e Burton formaram um dos casais mais famosos pela beleza e paixão, eram absolutamente apaixonados, mesmo com algumas separações. Lembro de Katherine Hepburn e Spencer Tracy , foram amantes a vida toda- ontem passou um filme com os dois, peguei no final, ótimos também, mais velhos, um filme que fala de preconceito racial com Sidney Poitier, fracote o filem, gostei de ver o casal.
Outro casal que eu gosto de ver é Humphrey Bogart e Lauren Bacall.

Mas voltando ao Coral, é um dos corais mais bonitos que ouvi, é impressionante. Eu me emociono às lágrimas com vozes, vocês sabem, é muito bonito ver um grupo tão grande e tão afinado- penso que nem tudo está perdido, que o homem ainda pode estar com o outro e afinar. Será?
Na próxima semana na terça-feira o Coral se apresentará no Palácio do Governo, quero ver se vou. O maestro é uma figura muito interessante, tem uma performance bonita, intensa, vê-se o prazer que tem em reger- chama-se Pe Pedro e fez formação na Europa, é daqui. Pois é... aos poucos vou descobrindo a terrinha.
E, saibam, o Coral está sob perigo de acabar, acreditam? não querem liberar verba, acham que cultura é forró- quem me disse isto foi uma pessoa do Coral, quem me convidou e ontem na platéa havia umas 40 pessoas, acreditam? na Igreja Matriz, o Monsenhor até se desculpou dizendo que muitos foram convidados, mas que está próximo do Natal, blá, blá, blá. Pois é... isto é Brasil.
Ah! vi estes filmes co canal TCM, adoro estes filmes antigos, acho que estou ficando velha :) que nada, sempre gostei, via a sessão da madrugada da Globo quando era jovem até acabar.

* Curiosidades do adorocinema


- Estréia de Mike Nichols na direção.

- Este é o 4º de 11 filmes em que Richard Burton e Elizabeth Taylor trabalham juntos. Os demais foram Cleópatra (1963), Gente Muito Importante (1963), Adeus às Ilusões (1965), A Megera Domada (1967), Dr. Faustus (1967), Os Farsantes (1967), O Homem que Veio de Longe (1968), Ana dos Mil Dias (1969), Unidos pelo Mal (1972) e Divórcio Dele, Divórcio Dela (1973).

- O personagem Nick chegou a ser oferecido ao ator Robert Redford, que recusou o papel.

- A atriz **Sandy Dennis, que estava grávida durante as filmagens de Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, teve um aborto espontâneo bem nos sets de filmagens.

- Todos os integrantes do elenco de Quem Tem Medo de Virginia Woolf? foram indicados ao Oscar. O único filme que repetiu esta façanha foi Trama Diabólica (1972).

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Veja aqui do que o homem é capaz, e muito mais...
Vou querer clonar o 'Seinfeld', meu gatinho lindo- é o mais lindo do mundo :)
Tem olhos azuissssssssssssss e é doce, vou fazer meia duzia, assim o vejo em todos os lugares :) até no escuro. Cruz credo!!!
Vejam .

Ela ganhou o Nobel de literatura...que bom!



"Nasci com algumas peles a menos. Ou quem sabe aquelas mãos robustas e eficientes me esfolaram viva".
Doris Lessing


Uauuuuuuuuuuuuuuu...

Há alguns anos eu li "Debaixo da minha pele" e gostei demais. Doris Lessing é uma mulher interessantíssima, à frente do seu tempo. Conta no livro- que é o primeiro de sua auto- biografia- coisas que eu ficava pensando: como ela consegue ser tão livre? É um livro de uma mulher corajosa e inteligente. EStá a venda por aí leiam, é grande, muitas páginas, mas você fica com pena quando acaba. Não li os outros, vou ler uma hora. Tantos livros para ler...
Agora ganhou o Nobel, achei ótimo, está com 88 anos. Não está bem, não foi recebê-lo.

Esta foto é deliciosa

terça-feira, dezembro 11, 2007

♫ Erik Satie - Gymnopédie No.1 [piano] ♫

Eu quero silêncio ou Satie no piano.
Já disse que quando eu estiver morrendo- se não for de repente :) prefiro, né? -alguém coloque Satie para eu ouvir, vou sorrindo.
Vou para onde? sei lá :)
hihihi
não estou triste viu? Eu sou do tipo que vê o bom mesmo no momento difícil e sei que há muita coisa boa acontecendo. Muitaaaaaaaaaaaaaa
Viva!!!!
é só um pensamento que eu tive ouvindo ruídos na casa.
Quero Satie!

segunda-feira, dezembro 10, 2007

"Se eu quiser falar com Deus"

Eu estou precisando ficar num canto, sozinha, viajar, qualquer coisa do gênero. Sinto que estou no meu limite. Nem 'hidro' tenho feito- sempre um obstáculo. Um compromisso.

Gosto muito desta letra.

Escrevi isto aí, o parágrafo anterior em julho. Viajei, fiquei feliz reencontrando gente querida, me feri com outros, voltei ao meu canto. A sensação de desconforto continua. Sabe pássaro ferido?
Na semana passada tive duas grandes alegrias: encontrei Jo, a amiga querida que estava na Itália em tratamento (está bem melhor, sem dores), me trouxe um presente lindo, uma carteira chiquérrima, e meu amigo que mora no Caribe, Patrício, me avisou que nasceu Hector, seu primeiro filho, ele tem uns 58 anos, está radiante. Ele é como um irmão, disse:"Nasceu seu sobrinho".
Outras pequenas alegrias, como a Márcia Tiburi dizer que gostou muito de me conhecer, me desejar sorte e para meus filhos lindos(estavam comigo), dizer coisas agradáveis para mim. Ou o Olivier, o príncipe, que está sempre delicado comigo. Uma amiga disse que homens como o Olivier, tão raros, fazem com que não perca completamente a fé na humanidade. Pois é, mas príncipes não existem mais por aqui e são destinados às princesas. Voltando à Márcia, ela é doce e linda. Fiquei surpresa com a delicadeza dela- ela disse isso de mim também, mas fui apenas o que tinha que ser- gentil. Já impliquei um pouco com ela, no início dela no "Saia Justa", mas sempre reconheci que tem sempre algo lúcido para dizer, é muito inteligente. E é muito bonita pessoalmente, tem uma pele muito linda, é muito educada.
Enfim, véspera de festas natalinas, desentendimentos familiares- com irmãos- preocupações objetivas- decisões a serem tomadas, me deixam com vontade de fazer como o avestruz. Mas não, reajo, vou conversar com alguém, preciso.
Ai, como queria ter fé nestas horas, fazer o Daimoku, promessas, ir à missa, ao Pai de Santo. Mas quando nasci um anjo torto disse: vá ser gauche na vida...* Pois é...

"Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

Drummond.


domingo, dezembro 09, 2007

Entrevista Clarice Lispector - Parte 1

Eu não gosto de rever esta entrevista. Ela está muitoooo triste, me sinto mal, impotente.
Mas quem não conhece deve ver.
Mais Clarice aqui
É a escritora com quem mais tenho afinidades, entendo a tristeza dela.

sábado, dezembro 08, 2007

"Paris, je t'aime"

Vi este filme hoje, há pouco. Achei que fosse gostar mais. Fui com Dai, que se emocionou muito e curtiu mais. Não sei se estou numa fase mais travada, mas não me tocou muito, queria mais.
Esta historinha do vídeo acima me tocou, me identifiquei, óbvio. Também há simplicidade, falta de pretensão e me parece resume bem o filme. Um mulher qualquer, de um país estrangeiro, chega à Paris e vai descobrindo a cidade e se descobrindo. Esta uma americana, simplória, uma carteira. gostei dela. Muita gente riu no cinema, mas eu não.
Algumas seqüências são dispensáveis- como a da vampira e a da mulher oriental...tsc tsc tsc
O filminho com Juliette Binoche é interessante, tristíssimo, mas com final apelativo, místico, achei. Gostei da história com o africano, um belo africano...a da babá estrangeira(Walter Salles e Daniela Thomas), a do Gérard Depardieu. Ah! e da primeira história, do cara só, carente, adoro homens carentes e bonitos, melhor ainda, mais fácil de gostar. :)
Há um episódio confuso, na rua, com Nick Nolte, eu tenho um problema com ele, não o suporto, desde a primeira vez que vi- não pensei ainda quem ele lembra, mas parece mal caráter sempre, me incomoda. Gente mal caráter eu não suporto nem na tela, nem no virtual.
Vejam mais aqui:
http://www.65anosdecinema.pro.br/Paris_eu_te_amo.htm
O Nicolas Cage tem um ar de mal caráter também, mas eu gosto dele, passa sensibilidade, o Nolte não.
Mas, eu estou muito cabreira com as pessoas, muitas passam, através do que dizem sensibilidade, mas no fundo são de pedra. " Como tenho me enganado...".
Estou com sono e escrevendo mal.
Boa noite para vocês, ou bom dia!

30 anos sem Clarice Lispector



Deu na 'Folha de São Paulo'

Tributo

Atração dupla relembra vida e obra de Clarice Lispector, morta há 30 anos



Juntos, o documentário inédito "Retratos Brasileiros: Clarice Lispector", e o curta-metragem "Clandestina Felicidade", de 1998, revelam algumas interseções entre a trajetória e a obra da escritora Clarice Lispector. As duas atrações vão ao ar hoje, às 17h30, em homenagem à autora de, entre outros, "A Hora da Estrela", que morreu em 9 de dezembro de 1977.
Dirigido por Nicole Algranti, sobrinha de Clarice, o documentário traz diversas entrevistas com pessoas que conviveram de perto com a escritora.
A prima Bertha Lispector recorda as conversas na infância em Recife. A amiga Rosa Cass rememora os encontros e preferência gastronômica da escritora, no restaurante La Fiorentina, no Rio. E os escritores Affonso Romano de Sant'Anna e Marina Colasanti contam como uma cartomante acabou virando personagem de Clarice.
O curta é adaptado do conto autobiográfico "Felicidade Clandestina", de 1971. O filme também serve para melhor entender a obra da escritora, a partir da infância em Recife e lembranças da cozinheira Macabéa, que inspirou seu personagem em "A Hora da Estrela".

RETRATOS BRASILEIROS: CLARICE LISPECTOR E "CLANDESTINA FELICIDADE"

Quando: hoje, dia 8/12, a partir das 17h30

Onde: Canal Brasil

sexta-feira, dezembro 07, 2007

O homem mais charmoso do Brasil é francês...





Ele não parece um anjo que caiu do céu?
Vejam esta foto dele em frente ao carro. É o próprio anjo. É bonito, charmoso e tem uma coisa que a maioria dos homens bonitos- e outros tantos feios não têm- não é arrogante. É um príncipe.
Todos já o viram por aí na TV, sempre cordial, sorrindo, bom humor, impossível imaginá-lo insensível. Tenho comprovado que é um dos raros cavalheiros existentes- peças raras no mundo atual, os homens na maioria estão se comportando com uma grosseria que beira a anormalidade.

Ele, o padeiro, conta aqui a história do pão, coloco o início para vocês ficarem com vontade de ler mais.

"Logo após o homem primitivo descobrir o fogo, ele aprendeu outra coisa importantíssima para a história da humanidade. Viu que a mistura de cereais com água, quando colocada sobre uma pedra quente, transformava-se em uma espécie de massa densa e saborosa. Apesar de ainda não batizado como pão, a "coisa" era gostosa e saciava a fome em dias de caça fraca.

Alguns milhares de anos depois, nas margens do Rio Nilo, a produção de trigo era abundante. O "galette", um pão muito denso e pesado, era ótima fonte de energia para o povo. Certo dia, um homem apressado preparou sua massa sem limpar a vasilha direitinho. Mal sabia ele que os restos da pasta de água e farinha haviam se transformado numa espécie de fungo "mágico" unicelular responsável por grande parte dos processos de fermentação. Na hora de assar seu pãozinho de sempre, viu que a danada da mistura crescia mais que o normal, ficando fofa e leve.

Os judeus não gostaram muito daquela história de "levedura", "fungo mágico”... Moisés, em pessoa, deu um recado aos filhos de Abrãao: "quem comer do pão levedado será expulso de Israel". Assim, muitas pessoas continuaram inventando receitas de pão sem fermento.

No entanto, os gregos, que não estavam na disputa pela terra prometida, gostaram da idéia de mais leveza ao galette. Começaram a aperfeiçoar as misturas, fazendo pães de cogumelos, em formatos de trança, em meia-lua... um pão para cada Deus, quase.

Enquanto isso, os romanos estavam engajados em conquistas imperiais. Mas a falação entre os viajantes era tamanha que o imperador quis experimentar a especialidade da ilha vizinha. Roma rendeu-se aos encantos do quitute grego e passou a promover a política do "pão e circo" para acalmar a multidão revoltada.

Passaram-se algumas centenas de anos. Um judeu 'très connu' resolveu dizer que sua carne era...
Leiam mais aqui".



Na rede "Pão de açúcar" paulistas acham os pães do Olivier, pena que é só em Sampa...E vejam que produtos bonitos ele tem com sua marca uauuuuuuuu, trés chic!
Quem for fã, fuce o site dele, vai amar.

Carlos Drummond de Andrade

Vi no blog da Denise(www.sindromedeestocolmo.com)este vídeo. Eu já conhecia o programa, tinha visto. Não consigo rever, dói muito ouvir a voz dele, hoje não dá.
Mais Drummond aqui
http://lauravive.blogspot.com/2005/03/drummond-e-eu-i.html

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Poeminha despretensioso: Ponte/sem revisão




Ponte

No início via a margem do outro lado do rio.
À medida que avanço,
meus pés, cansados, ardem.
A mão já não segura firme o guarda-chuva.
Se pudesse, sentaria na madeira fria e me deixaria.
Caminho, agora, com o tecido laranja à frente.
Finjo, finjo sempre.
Talvez finja um amor, uma vida, uma ponte...
Só avanço porque sigo o pôr-do-sol à minha espera.

A mulher de frente


Ontem foi o encontro com Márcia Tiburi. Foi ótimo, ela é muito simpática, generosa, boa ouvinte... tivemos afinidades de cara. Ela disse que é ótimo quando chega num lugar e encontra alguém que fala a mesma língua, foi um elogio, eu também senti o mesmo- tanto que cinco minutos depois de nos conhecermos, já estávamos trocando figurinhas(estas coisas eu não conto)
E, como também sou gaúcha... Mas, bah tche, tens alguma dúvida?*
Eu sinto uma certa culpa, acho que tenho uma dívida comigo e com o lugar onde nasci- nunca voltei lá.
Carlinhos, meu querido amigo, era gaúcho, um gaúcho especialmente querido. Scliar, o pintor: 'Pois é, guria, precisa voltar à terrinha', como dizia. Na verdade o Scliar me chamava de filhotinha- todos eram filhotinhos dele.
Bom, a Márcia é o que a gente já sabe: inteligente, bonita, moderna, simples. Não é nada arrogante, é uma moça muito doce.
Ele tem uma forma de discordar sem confrontar- tudo o que foi dito ela respondeu na sua fala, algumas coisas discordando, mas não diretamente- esperta, a danada.
Veio para falar do livro "Mulher de costas", que é muito bom, um romance que ficou como finalista no Prêmio Jabuti.
Uma mulher que veio de navio da Península Ibérica, fugindo da perseguição aos mouros. Aqui se transforma numa salamandra e percorre labirintos em busca de sua identidade. É baseado na lenda da Salamanca de Jarau. Márcia tem um domínio muito bom da escrita, não se perde, o vocabulário é rico. Um livro que instiga, você quer saber mais, o que vai acontecer. Vale a pena ler. E nós, mulheres, gaúchas ou não, teremos a versão dela do nossa história.
Hoje no Solar Bela Vista tem Guinga, que eu já vi na Tv, pouca coisa. É considerado um dos maiores talentos da atualidade. Vou lá conhecer.
Ah! o Chacal foi ótimo, também é super gente fina, doce, tímido. Disse seu poemas, foi festejado. Ontem estava lá assistindo à filosofa que disse que os poetas deveriam ser reverenciados- sustentados para que pudessem fazer poemas. Concordo.
Todo artista deveria ter espaço para criar sem pensar no ganha pão- precisamos deles, precisamos mostra para toda gente que arte é o que nos salva, não o dinheiro.
*Ok, eu me apresento como carioca, vocês devem estar sem entender. Sou carioca de alma, porque o Rio é a minha cidade, vivi lá 30 anos ou mais(na região dos Lagos antes), mas sou gaúcha d enascença- é assim que se diz? nasci lá, minha mãe conta do friooooo, do minuano, do rio Guaiba. Enfim, acabei vindo para o Rio Grande do Norte, ironias da vida. É o terceiro rio da minha vida, do sul, de janeiro e agora do norte, acho que agora fico. Será??? Quem sabe de mim...

O homem dos olhos da cor do céu



Chacal

Eu não sou grande leitora de poetas, é uma lacuna, sou um pouco impaciente com poesia. Poemas há que se ler com calma, eu ando com pressa...
Surpresos? Pois é...eu tapeio um bocado, né? Nem Drummond, eu lia muito, só de vez em quando. Mas conheço alguns poetas e gosto.
Gostei de conhecer o Chacal, a presença dele tranquiliza, é tímido, quieto. E diz os poemas com certa inibição, é bom ouví-lo.
Uma historinha que diz mais:
Eu conversava com ele no salão de exposições, havia uma mesa com uma moça vendendo os livros e nós, mais ninguém. Ele olhando nos meus olhos falando, abriu a calça,a braguilha, e colocou a camisa para dentro. Foi singelo, o gesto, me lembrou crianças.
E tem olhos claros, azuis, bem claros.
Ah! ele disse que os poemas dele são para crianças...Agora vai fazer livros direcionados aos jovens, mas disse que sempre fez.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Diálogos literários no Solar




Diálogos literários no Solar.
Leia aqui.

Eu estarei como mediadora no último- o de Márcia Tiburi.
O Solar também tem uma lenda, leia aí. Como sempre as mulheres à espera...

Diz a lenda da salamanca do jarau...

O livro da Márcia Tiburi é baseado na lenda da salamanca do jarau, que conta...


A LENDA DA SALAMANCA DO JARAU

(Lenda Gaúcha)


Rosane Volpatto


Há muitos séculos, quando caiu o último reduto árabe na Espanha, os mouros foram obrigados a fugir e acabaram aportando no sul do Brasil. Trouxeram consigo uma jovem princesa, transformada por magia, em uma enrugada velhinha, a fim que não fosse reconhecida e aprisionada.

Logo de chegada, deram com o Anhangá-pitã, o demônio dos índios. Contaram-lhe toda a história e o diabo resolveu ajudá-los. Deste dia em diante, a linda princesa passou a ser uma salamandra com a cabeça de pedra brilhante ou "Teiniaguá" e viveria em uma lagoa no morro do Jarau.

Mas eis que um dia, um moço sacristão que morava atrás da Igreja da aldeia, assoleado com o calor veio até a lagoa, com o intuito refrescar-se. Assustou-se ao verificar que a água fervia, feito chaleira quente e, de repente no meio dela surgiu a própria Teiniaguá. Ficou pálido de medo, pois sabia que tal bicho tinha parte com o diabo, mas sabia também, tratar-se de uma linda princesa moura jamais tocada pelo homem e aquele que conseguisse conquistar seu amor, seria feliz para sempre.

Num gesto rápido, o sacristão agarrou-a, colocou-a dentro de uma guampa e encaminhou-se às pressas para os seus aposentos atrás da Igreja. À noite ao descobrir a guampa, eis que se opera um milagre, a Teiniaguá tinha voltado a ser princesa e lhe sorriu pedindo-lhe um pouco de vinho. Louco de paixão, correu até a sacristia e roubou o vinho do padre. Todas as noites era a mesma coisa, uma romaria até a Igreja na busca do vinho, até que os padres começaram a desconfiar do sumiço inexplicável da bebida e invadiram o quarto do moço. A princesa tomada de susto, transformou-se em Teiniaguá e fugiu para as barrancas do Uruguai e, o sacristão, coitado, acabou preso.

Um crime tão terrível, roubar o vinho sagrado de Deus, só poderia ter uma pena à sua altura, e o moço foi condenado a morte no garrote vil.

No dia da execução, toda a aldeia reuniu-se em torno da Igreja. Teiniaguá sentiu um aperto no coração, pressentindo que algo ruim estava para acontecer. Se utilizando de magia, começou a procurar o seu amado, abrindo sulcos na terra, até chegar à igreja, no momento em que lhe foi possível interromper o garrotear do sacristão. Se ouve a seguir, um estrondo muito grande, que produziu muito fogo e fumaça e tudo afundou.

A princesa conseguiu salvar seu amado, mas os dois ficaram confinados a uma caverna muito funda e comprida no Cerro do Jarau e só se libertariam de tal encantamento, quando surgisse alguém capaz de vencer todas as provas de coragem e, depois de realizar um desejo que lhe seria concedido, desistir dele.

Duzentos anos se passaram sem que ninguém tenha conseguido quebrar o encanto. Até que em uma tarde linda de primavera, campeando o gado, Blau chega à furna de Jarau. Conhecia a lenda, pois sua avó charrua já tinha lhe assoprado no ouvido quando era criança. Sendo assim, foi entrando. Saudou o antigo sacristão das Missões e submeteu-se a todas as provas de coragem sem pestanejar. Ao término delas, foi levado à presença da salamandra encantada, que alertou-o sobre o consentimento de um desejo.

A resposta do gaúcho a espantou:

- "Não desejo nada"

A princesa ficou cabisbaixa e desiludida, pois necessitava que ele aceitasse algo para que pudesse desistir depois, tal qual rezava uma parte do encantamento.

Quando o gaúcho montava seu cavalo para ir embora, o sacristão alcançou-lhe uma moeda de ouro como lembrança de sua estada. Sendo assim, não podia fazer desfeita e colocou-a no bolso.

Durante muitos dias, Blau nem lembrou mais do acontecido e até tinha esquecido da tal moeda. Então, lhe apareceu um bom negócio, um amigo queria desistir de criar gado e dizia-se interessado em vendê-los. Foi quando puxou a guaiaca e lembrou-se da moeda. Todos os bois não poderia comprar, mas quem sabe um? Retirou a primeira moeda, mas pelo peso percebeu que havia mais e saiu então uma segunda...uma terceira... e assim de uma em uma, conseguiu as moedas necessárias para efetivar a compra.

O amigo surpreso, tratou de espalhar a notícia. E todos ficaram estarrecidos, pois Blau era um gaúcho pobre, que não tinha "eira nem beira", de onde teria vindo tanta riqueza? Todo mundo sabe, que boato é que nem fogo, quando pega, ninguém segura, de ouvido em ouvido cogitava-se que o homem tinha feito um pacto com o diabo. Depois que correu a fama, ninguém mais quis vender-lhe nada. Tinha gente que se desviava quilômetros só para não encontrá-lo.

O gaúcho começou a sentir saudade de sua vida de antes. Algum tempo depois, não agüentou mais. Só tinha um modo de consertar tudo, era devolver a moeda mágica. Foi exatamente o que tratou de fazer. Partiu então decidido.

Chegando à entrada da gruta, contou toda a sua estória ao sacristão, depois pegou a moeda, colocando-a na mão do homem, dizendo:

- Eis aqui sua moeda. Agradeço-lhe o presente, mas não preciso dele. Rico eu era dono de alguma coisa, mas como pobre recebo de herança o mundo.

O encantamento foi quebrado com uma grande explosão. Das furnas saíram os dois condenados, transformados em um belo par de jovens. Casaram-se e trouxeram descendência indígeno-ibérica aos povoados do Rio Grande do Sul.

Eu agradeço a Salamanca do Jarau
Por me ensinar o que aprendeu com "velho" Blau:
Com ALMA FORTE e SERENO CORAÇÃO
Achei meu rumo pra sair da escuridão.
Vi uma luz no ritual do Chimarrão,
E descobri que é a Cordialidade
Que nos conduz à real felicidade.

Avante, cavaleiro mirim!
Em frente, veterano peão!
Lado a lado, prenda e prendinha!
Todos juntos dando a mão.
Avante, seguindo os avós!
Em frente, trazendo os piás!
Coisa linda é se ver gerações
Convivendo em santa paz.
E dá uma gana de sair dançando, ou gritando com força juvenil:
"Viva a TRADIÇÃO GAÚCHA
dos campeiros do Brasil"

Luiz Carlos Barbosa Lessa

Na lenda da "Salamanca do Jarau", visualiza-se um motivo mítico, incrustado na tradição: a atração que exerce a mulher sobre o homem, quando esta, apresenta-se metamorfoseada em um animal e sob o total domínio de seu instinto. Deste modo, ela age como fêmea, mulher demoníaca, recusando-se a dar expressão às considerações humanas. O personagem Blau, por sua vez, representa num só paradigma as características essenciais do gaúcho e é o elemento que assegura a ultrapassagem regionalista para alcançar o território da universalidade.

O imaginário gaúcho apresenta sempre temas contrastantes, decorrentes da miscigenação de raças e tradições que aqui foram chegando. Ao contrário do pensamento da maioria, o sul (Rio Grande do Sul), sempre acreditou na magia da diversidade cultural e apostou nela. Seus contos, lendas ou músicas, retratam um pouco das atividades, sentimentos e caráter de cada um destes povos.

As tradições de cunho regionalistas, aqui cristalizadas, são as expressões máximas dos diversos mundos espalhados pelo mundo, por isso serem elas tão enriquecedoras.

O cavaleiro gaúcho viveu sua época dourada no final do século XIX, junto com o surgimento da literatura romântica, portanto a formação deste mito é bem recente. O símbolo do gaúcho representa uma imagem sem definição e que transcende o seu significado e seu mito exprime uma experiência que todos nós gostaríamos de viver.

O cavaleiro gaúcho é um arquétipo universal: é um homem honrado, honesto, hospitaleiro, amigo de todas as horas, audacioso e corajoso. Ele, como se observa, possui os mesmos atributos que o cavaleiro medieval. Entretanto, este herói mítico vive num mundo só seu, gauderiando os pampas, livre, leve e solto, deixando-se carregar pelo vento minuano, que assobia e assopra nas verdejantes coxilhas. Vivendo de acordo com suas próprias regras, conforme o famoso poema:

"Quem é gaúcho de lei,
E bom de guasca de verdade,
Ama, acima de tudo,
O bom Sol da liberdade.
Nos campos da minha terra,
Sou gaúcho sem patrão;
De a cavalo, bem armado,
Minha lei é o coração."
(Meyer, p.37)


Colaboração de Rosane Volpatto para a Jangada Brasil


Aqui
tem mais sobre o livro, eu só li o primeiro capítulo ainda, e estou achando muito interessante, depois conto mais.
É estranho porque salamandra é o réptil, mas Salamanca é a cidade espanhola, parece que a personagem veio de lá de lá, por isso é salamanca e não 'Lenda da salamandra'... Eu tenho certeza que descendo dos mouros, meu avô era espanhol -Diz- acho que de Cadiz, minha mãe diz :)e por acaso nasci lá no sul- Rio Grande, mas isto foi acaso, meu pai, militar, foi servir lá nos pampas- na fronteira, depois foi para Cachoeira onde nasci.

domingo, dezembro 02, 2007

A beleza da lotus flagrada



Ele faz fotos lindíssimas, acabo de descobrir. E é amigo virtual de Dai, nos cruzamos na blogosfera faz tempo, nos visitamos raramente. Hoje descobri as fotos.
Maravilha Wagner! Tks.

"Tira as mãos de mim"




Deste ontem estou com esta música no meu radinho subjetivo. Vocês sabem o que é isto, né? aquela música que nos persegue o dia todo, não sai da cabeça. Eu sofro deste mal :) pior quando a música é do rei ou alguém que eu acho chato, mas é raro, quase sempre são músicas que gosto e que fizeram parte da minha vida. Eu ouvi muitooooooooooo'Calabar', muitoooo, foi lá por 72, 73.
Esta letra diz o que eu sinto hoje, tudo não passa de uma delírio, ok, mas é o que eu sinto. É para um traidor.

Tira as Mãos de Mim

Ouça aqui com Chico Buarque, bela música do disco 'Calabar'.

Ele era mil
Tu és nenhum
Na guerra és vil
Na cama és mocho
Tira as mãos de mim
Põe as mãos em mim
E vê se o fogo dele
Guardado em mim
Te incendeia um pouco

Éramos nós
Estreitos nós
Enquanto tu
És laço frouxo
Tira as mãos de mim
Põe as mãos em mim
E vê se a febre dele
Guardada em mim
Te contagia um pouco

sábado, dezembro 01, 2007

"Avanti populi!!!"



Hoje é o Dia Mundial do Combate à AIDS. Data importante, mesmo que alguns acreditem ser tema batido, estejam cansados de ouvir.
É uma dura realidade. Esta doença dizima milhares de pessoas por ano e muitos acreditam estar sob controle.
Ok, o governo faz sua parte, mas há muita ignorância ainda. Eu vejo à volta isto- conheço mulheres e homens que não se previnem, que não usam camisinha porque acham que é como 'chupar bala com papel' . Já ouvi muito isto. Vejo muito perto isto. Dá sensação de impotência.
Devemos TODOS, não só os governos, falar mais no assunto. Sexo ainda é tabu, tirando algumas poucas 'repúblicas', como Ipanema, sexo é tema difícil de ser abordado.
Vou contar uma historinha:
Outro dia fui fazer palestra para adolescentes numa escola aqui em Natal, disse, então, à pessoa que me convidou, mais ou menos do que eu falaria, quando eu disse que falaria de AIDS, camisinha, masturbação...ela disse que a escola era religiosa e era melhor eu não tocar no assunto. Acreditam?
É verdade. Em 2007! Século XXI. Eu não discuti, era uma palestra isolada, não faço parte da equipe de lá, se fosse um trabalho regular teria que ser assunto discutido exaustivamente, até aceitarem que é preciso falar disto.
Portanto, não pensem que a AIDS está sob controle, nem que a sociedade sabe do que se trata, não sabe e tem preconceito. Sabemos nós um pouco à respeito, somos uma elite intelectualizada e informada, por isso precisamos fazer a nossa parte- falar sobre.
Avante gente, falem mais, discutam! É assim que se muda a mentalidade de um povo- falando sobre.

Leiam "Uma jornada para dizer 'não' à Aids, que mata 5.700 pessoas por dia" aqui.