Terça-feira, Março 31, 2009

Madonna adota menino do seu centro de ajuda a infância

"Em foto tirada ontem (30), Madonna caminha com seu filho adotado do Malauí, David Banda, no Mphandula Child Care Center, centro de caridade fundado pela cantora.Um tribunal do Malauí deve decidir na sexta-feira se a cantora pop norte-americana Madonna poderá adotar uma segunda criança no país.

Um destacado ativista local pelos direitos humanos disse que isso equivaleria a tráfico de crianças" AFP

Me poupe...mesmo que ela esteja querendo 'ficar bem na fita', que mal há nisto?

se o menino está num lugar deste é porque não tem recursos para sobreviver com a família, ou não tem família...faz favor...é perseguição aos astros, eu acho.



Um golpe nada brando-1964





Leiam aqui sobre O golpe de 1964 e o regime militar.


Eu era menina, estudava no Colégio São José em Curitiba, praça Rui Barbosa, em todos os intervalos de aulas rezávamos para que os subversivos não invadissem nossas casas- era dito que nossos lares seriam tomados por outras famílias. Tinhamos medo.
Meu pai, militar do Exército, aos 49 anos pediu para sair, era o momento em que os quartéis entravam em ebulição. Felizmente não sou filha de um general da ditadura- meu pai era uma figura doce e amável- um humanista.
Em 1970, agora na Puc- Rio, sentia medo- nossa colega de faculdade desapareceu- era do diretório acadêmico. A qualquer momento poderiam invadir sua casa e prendê-lo por ter um livro de Marx na estante. Amigos foram presos e torturados. Vivíamos sob tensão.
E agora vêm dizer que a ditadura foi branda...

Segunda-feira, Março 30, 2009

Vejam que foto linda aqui

Domingo, Março 29, 2009

Mini conto

Amo os desenhos de Picasso




Com o coração acelerado disca o número. A máquina diz: “Após o sinal deixe seu recado”.

Fica alguns segundos com o aparelho na mão. Desliga.

Queria mais.


Não resisto,né? Ele é um cara muito inteligente, conhece a alma humana, deve ser no mínimo interessante e pode dar bons papos depois.
Queria ver, mas não irei à Sampa agora.

Sábado, Março 28, 2009

Chico lança romance




Estes dias eu sonhei com ele- já sonhei muitas vezes- ai fiquei a pensar o por quê... lembrei que havia feito um post com "Budapeste".
No sonho ele me chamava pelo nome, me conhecia, e eu ficava surpresa, ele estava com febre...
Amo o Chico.

Chico lança romance em que faz um retrato do Brasil

'Leite Derramado', que enfoca a decadência de uma família, chega às livrarias neste sábado

Ubiratan Brasil - O Estado de S. Paulo


Em seu quarto romance, Chico segue a tradição do pai, Sérgio Buarque de Holanda
SÃO PAULO - Em janeiro, Chico Buarque de Holanda colocou o ponto final na obra que escrevia desde setembro de 2007 e que hoje chega com tratamento de best-seller às livrarias: Leite Derramado (Companhia das Letras, 200 páginas, R$ 36). A história do homem velho que, em um leito do hospital, revisita o próprio passado e, por extensão, a transformação da sociedade brasileira, chega com duas opções de capas e uma fornada inicial de 70 mil exemplares.



Daqui.

Deu no The New York Times





28/03/2009 - 00h35
No Brasil, debate sobre aborto intensifica-se à medida que aumentam casos de abusos contra meninas

The New York Times

Alexei Barrionuevo*

Em São Paulo

A sala de espera do Hospital Pérola Byington lembra sob vários aspectos um pequeno parque infantil. Garotas brincam no piso frio ou balançam-se para frente e para trás de maneira hiperativa em cadeiras de plástico, enquanto as suas mães olham com a expressão triste para o painel digital de números vermelhos na parede, que indica a vez de cada uma na fila.

Mas esta é uma clínica de saúde para mulheres, especializada no tratamento de vítimas da violência sexual. Dos 15 casos do gênero que o hospital atende em média a cada dia, quase a metade envolve crianças de menos de 12 anos.
Médico que fez aborto em menina
de nove anos diz que fez o "ético"

*

* População nos apoia, diz médico que fez aborto
* Religiosos não têm contato com o real, diz médico



Embora grande parte do Brasil tenha ficado furiosa devido ao caso da garota de nove anos de idade que abortou gêmeos neste mês, após alegar ter sido estuprada pelo padrasto, casos como o dela são bastante comuns na clínica.

A história de estupro e gravidez envolvendo uma pessoa de tão pouca idade parece ter pego a nação despreparada, e fez com que voltasse à tona um debate tenso a respeito dos direitos à reprodução no país que possui a maior população católica do mundo. Mas médicos, funcionários de clínicas e outros especialistas dizem que o caso dela é sintomático de um problema generalizado de abuso sexual de garotas menores de 18 anos - algo que há muito tempo é negligenciado e que só tem piorado.

"Infelizmente, isso está se tornando cada vez mais comum", diz Daniela Pedroso, uma psicóloga que trabalha aqui há 11 anos.

Pesando apenas 36 quilos e mal chegando aos 1,22 m de altura, a garota de nove anos de idade, de Alagoinha, uma cidade do nordeste brasileiro, foi submetida a um aborto na 15ª semana de gravidez em um dos 55 centros autorizados a realizar esse procedimento médico no Brasil. Aqui o aborto só é legal em casos de estupro ou quando a mulher corre risco de vida.

A ação dos médicos gerou uma onda de controvérsia. Um arcebispo brasileiro excomungou sumariamente todos os envolvidos - os médicos por terem realizado o aborto e a mãe da mulher por ter permitido a operação -, exceto o padrasto, que é acusado de ter estuprado a menina durante vários anos.

"A lei de Deus está acima de qualquer lei humana", disse José Cardoso Sobrinho, o arcebispo, que argumentou que, embora o estupro tenha sido ruim, o aborto foi ainda pior.

A tempestade intensificou-se quando uma alta autoridade do Vaticano apoiou as excomunhões. Mas depois a conferência dos bispos brasileiros anulou a decisão de Sobrinho, afirmando que a mãe da criança agiu "sob pressão" dos médicos, que afirmaram que a menina morreria caso fosse até o fim da gravidez, e que somente os médicos que realizam "sistematicamente" o aborto podem ser expulsos da igreja.
VEJA A REPERCUSSÃO NOS JORNAIS INTERNACIONAIS

* EL PAÍS - Vaticano censura excomunhão da mãe da menina violentada em PE
* LE MONDE - Excomunhão de médicos brasileiros agrava o problema dos católicos
* LE MONDE - Tenho a consciência tranquila, diz Dom Dedé sobre o caso de excomunhão



Finalmente, a principal autoridade de bioética do Vaticano, o arcebispo Rino Fisichella, também criticou a posição inicial, afirmando: "Ao que parece, a credibilidade dos nossos ensinamentos recebeu um golpe aos olhos de muitos, porque a decisão foi considerada insensível, incompreensível e destituída de compaixão".

O caso fez com que viessem à luz outros casos de meninas que foram estupradas e engravidadas por familiares, especialmente na região nordeste, que é mais pobre.

O número de abortos legais feitos por meninas de dez a 14 anos de idade mais do que dobrou no ano passado. Em 2008 foram registrados 49 desses casos, contra 22 em 2007, segundo o Ministério da Saúde. Esses números dizem respeito a um universo de 3.050 abortos legais realizados no ano passado em um país de mais de 190 milhões de habitantes. Mas a grande maioria dos abortos praticados no Brasil não é legal. O Ministério da Saúde calcula que a cada ano sejam praticados no país cerca de um milhão de abortos clandestinos e sem condições de segurança.

As leis brasileiras referentes ao aborto estão entre as mais rígidas da América Latina.

Somente o Chile, El Salvador e a Nicarágua, que proibiram totalmente o aborto, seja qual for o motivo, são mais rígidos quanto a isso, segundo o Centro de Direitos Reprodutivos, que apoia o direito ao aborto.

Em algumas regiões da América Latina, e, mais notavelmente na Cidade do México, onde os abortos durante o primeiro trimestre da gravidez são agora legais, as leis foram relaxadas. Mas em outras áreas e países, os legisladores tentaram tornar mais rígidas as restrições ao aborto.

Há 20 anos, o Brasil contava apenas com um centro para a realização do aborto. Hoje, além das 55 clínicas que fazem aborto, cerca de 400 outras tratam pacientes que foram vítimas de abuso sexual.

"Ainda não é suficiente", afirma Beatriz Galli, advogada de direitos humanos da Ipas, uma organização que exerce pressões pela expansão dos direitos reprodutivos da mulher. A maioria das clínicas financiadas pelo Estado fica em capitais que, em certas regiões, só podem ser alcançadas após uma viagem de barco de até 11 horas de duração, e elas encontram-se concentradas na região sudeste, que é a mais rica do país.

Os indivíduos que são contrários ao aborto, e que representam a maioria no Congresso brasileiro, estão pressionando para tornar a legislação para o setor ainda mais rígida. Dentre as cerca de 50 propostas relacionadas ao aborto que estão sendo avaliadas no Congresso, pelo menos 40 procuram criminalizar ainda mais o procedimento, segundo um estudo realizado pelo Centro Feminista de Estudos e Assessoria, um grupo brasileiro que apoia leis de aborto menos restritivas. Uma delas tornaria obrigatória a inserção de rótulos nos exames caseiros de gravidez com advertências como "A pena para o aborto varia de um a três anos de prisão".

O acesso às clinicas legais de aborto é um desafio. A menina de nove anos de Alagoinha procurou ajuda médica após reclamar de dores. Mas, como não havia um centro legal de aborto perto da sua casa, ela teve que ser levada a uma clínica pública em Recife, a 225 quilômetros da sua cidade. Lá, os médicos afirmaram que o útero dela era muito pequeno para abrigar um bebê, e muito menos dois.

O padrasto da garota de nove anos foi preso e acusado de estuprar tanto ela como a sua irmã de 14 anos de idade em diversas ocasiões, segundo declarou mais tarde a polícia.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, disse lamentar a decisão do arcebispo de excomunhar os dois médicos, afirmando que estes agiram corretamente ao salvar a vida da garota. "Ela provavelmente precisará de décadas de tratamento psicológico para voltar à vida normal", disse o presidente.

Aqui no Hospital Pérola Byington, os médicos dizem que os abortos são muitas vezes necessários para proteger a vida das vítimas da violência sexual. Dos 47 abortos que o hospital realizou no ano passado, 13 foram feitos em garotas de menos de 18 anos de idade, todas elas vítimas de estupro.

Segundo os médicos da clínica, em mais de 80% dos casos, pais e padrastos cometeram abuso sexual.

"Uma parcela da sociedade brasileira ainda não deseja deixar de tratar as mulheres como se elas fossem uma propriedade", afirma Jefferson Drezett, ginecologista e coordenador do serviço prestado pelo hospital às vítimas de abuso sexual. "Isso tem que mudar".

No início deste mês, uma mulher de 21 anos entrou no hospital com a filha de seis anos de idade. A menina havia sido molestada pelo padrasto da mulher, que deseja que ele seja preso.

A mulher, que não quis que o seu nome fosse publicado, sentou-se para passar por uma entrevista em uma sala que tem cadeiras pequenas e bonecas, e que é usada para a avaliação psicológica das vítimas. Ela disse que morou com o padrasto até os 14 anos de idade, quando se sentiu desconfortável com as investidas dele e pediu a mãe para deixá-lo.

Lutando para conter as lágrimas, ela diz temer que o homem abuse sexualmente de crianças que ainda moram com ele, incluindo as filhas do próprio filho dele, que tem a idade aproximada da menina que foi vítima de abuso.

"Não queremos acreditar no que aconteceu", diz ela. "Achamos que isso só acontece na televisão, que é um conto da carochinha. Mas a realidade é que pode acontecer com qualquer família, e, quando acontece, é muito difícil lidar com isso".

* Mery Galanternick, no Rio de Janeiro, contribuiu para esta reportagem.
Estou tentando acessar o Blogger e diz que não sou membro do

www.lauravive.blogspot.com

hihihi

alguém pode me ajudar.

Tudo porque fui no Blogblogs e lá me enviaram pro site blogger.

Um amigo está me dando dicas para incrementar o blog, são tantas coisinhas, fico zonza. Fui lá na Luma e uauuuuuuuu como ela consegue administar tantas coisas.

Bom dia a todos.

Sexta-feira, Março 27, 2009

Olivier em Piracicaba




Hoje recebi este e-mail:

No momento eu estou fazendo o espetáculo,
este final de semana vou para
Piracicaba.

Muito obrigado pelo seu apoio.



Salut!

Olivier Anquier


Pronto!

Aqui está o pequeno vídeo do espetáculo "Olivier, Fusca e Fogão"!


Preparei um pequeno vídeo e uma página com as informações do espetáculo além da entrevista e crítica da Folha de São Paulo, espero que goste.

Clique aqui e assista!


PS: Ele é o homem mais generoso que eu conheço no virtual, não é nada arrogante, sabe agradecer, sabe ser gentil, outros... nem ai.Da divulgação do Olivier:

Alados por Elis e Hermeto...



Alguém disse lá no Nassif: se deus existe...

Vejam. É mágico, maravilhoso!

O curta de Almodóvar



Aqui
coloquei mais Almodóvar. Tem uma foto linda...
Vou pirar com dois blogs, vou ter que deixar um, eu penso. E tem o outro da psi- tão abandonadinho. E, pior com repetições aqui ou ali. Eu hein, Laura? Ontem me disseram que quando se repete nao aparece no Google, tsc tsc tsc não sei nada disto.

Quinta-feira, Março 26, 2009

Onde você estiver...



Não se esqueça de mim...
O que há de mais bonito na novela da Globo.
Nana cantando, amo.

Acordei com esta música na cabeça. É linda.

Faz calor insuportável em Natal. Minha casa é super ventilada, mesmo assim faz calor. Pela manhã é difícil ficar aqui.

Vou para a piscina, vocês sabem, ai melhora pelo frescor da água, o corpo refresca.

Anteontem fui ao médico, me sentia esquisita,mal. Nada no coração- já sabia. Preciso ir a um neuro, uma hora vou.

Fui ler a bula do remédio para reposição hormonal e li que pode dar vertigem, retenção hídrica, enxaqueca... acho que vem dai. Vou para uns dias e voltar a tomar outro, o que tomava antes- este foi a médica que me deu, outro laboratório. Hoje estou melhor, a cabeça estava muito estranha, zonza e esquecida. Melhorei.

Fui a aula de yoga de tarde no Pium, gosto de ir até lá, fica uns 7 kms daqui, perto. É um lugar mais praieiro (é assim que se diz?), mais simples que aqui. Quem não conhece Natal pensa que é só praia, mas não é. E as pessoas aqui se vestem bem, não é como em Ipanema, Copa, que todos andam à vontade, aqui eles não vão à praia, sabiam? Potiguar não vai à praia, só quem é de fora. Eles vão à praia nas casa de praia, no litoral sul- é mais chic. Eu estranhei muito isto, porque no Rio, fez sol, vai todo mundo pra rua, aqui não. É cultural, diz minha amiga. É estranho, digo eu.

Tanto mar, tantas praias... até eu não tenho ido. É diferente do Rio, lá eu vivia a duas quadras do mar, era só vestir o biquíni, pegar um jornal e ir. Aqui é preciso ir de carro, estacionar, descer duna, ficar só na areia, pouca gente- ou bastante estrangeiro estranho- não vou explicar mais, caem sobre mim, eu sei.

No final da aula de yoga uma cigarra começou a cantar- era cinco e pouco, estranho...

Agora há uma reunião de orações aqui na casa da frente, eu me sinto peixe fora d'água- há muitos católicos aqui, estão cantando agora, pior se fossem hinos evangélicos aos berros.

Sábado vou a uma reunião de budistas, aquele pessoal que conheço e simpatizo- sou simpatizante do budismo há anos :)é o grupo de Jo, minha amiga, que eu amo, aquela do acidente.

Vou buscar Dan na casa do tio, foi pegar onda- disse que as ondas estão ótimas,o vento vem pelo lado, a lua está crescendo...
Está descalço, pés doendo, como virá?
ai filhos... eu amo tanto os dois.

Quarta-feira, Março 25, 2009

Os pássaros em V




















Os pássaros em V

Faziam, há dias, o trajeto em silêncio. Ela sabia que dissera algo que o tocou profundamente e feriu. Caminha e tenta lembrar dos dias anteriores, o que sentiu, o que disse. Tantas coisas... Viveu num turbilhão. Sentia-se 'enlouquecida', louca de amor por ele. Como ele recusava este amor tão pleno? Ela se perguntava, e tentava, sem saber, que ele lhe dissesse que também a amava. Ele calara. Sabe que nada o tira do silêncio, é preciso saber esperar.

Há dias caminhavam pelas mesmas ruas de sempre. Ela o espera desde que se conheceram, numa esquina. Ele vem de algumas quadras adiante.

O primeiro encontro foi ao acaso, ela tropeçou, derrubou livros e papéis, ele estava próximo, veio ajudá-la. Caminharam então na mesma direção.

- São cartas?

- Sim, estou compilando algumas de escritores famosos para um livro.

- Interessante...

O resto do trajeto foi em silêncio, quebrado por ela quando se aproximava de sua casa:

- Moro neste prédio. Você mora aqui perto?

- Sim.

Despediram-se com um aperto de mão.

Ela não dormiu naquela noite, acreditou que algo novo iria acontecer na sua vida vazia. Aconteceu.

À noite jogou as cartas do 'Tarot' que guardava há anos numa gaveta: "O enforcado", "O ermitão", "A estrela". Tirou mais uma vez: "A força".

Sabia que iria sofrer por este amor.

No dia seguinte saiu na mesma hora, sonhava encontrá-lo. Viu quando ele se aproximou buscando por ela na esquina. Cumprimentaram-se sem aperto de mão, nada. Caminharam em silêncio. Quando chegavam perto do seu prédio, ele disse:

-O que você faz aos sábados?

Nada que fizesse teria importância agora, estaria livre para ele, ela pensou.

Encontravam-se aos sábados à tarde na casa dela. Ele tinha mulher e dois filhos. Depois de três anos, ela mal sabe da vida dele, ele não conta, nem ela quer saber. Espera uma mágica, que um dia ele não vá embora e fique para dormir.

Agora caminha com ele ao lado. Conhece e ama aquele corpo melhor do que o dela, adivinha cada traço. Deseja tocá-lo. Caminha quase roçando nele, que não se afasta, mas também não a toca.

Há dois sábados ele não vem. Inventa desculpas esfarrapadas, ela sabe. É difícil esperar. Esperar que ele volte a desejá-la.

Ele, de repente, olhou para o céu e disse:

-Olhe, veja os pássaros! Que lindos! Formam um V!

- São lindos. Há anos não via pássaros juntos assim...

Olharam-se e riram.

Ela sabia que neste sábado ele não daria nenhuma desculpa. Sabe que ao sentir o corpo dele, solto e pesado, sobre ela, como gosta, uma lágrima brotará. Ele não perceberá, não importa, é melhor assim. Quer que a veja apenas sorrindo. E estará sorrindo nos próximos dias.



Foto daqui




Ironia na França

Papa 'vira' camisinha em Paris

Preservativos com a imagem de Bento XVI foram lançados na França.


Eles ironizam a posição da Igreja Católica na prevenção da Aids.

Do G1, com AFP


Foto: AFP




Mulher mostra camisinhas com a imagem do Papa Bento XVI e a inscrição 'Eu disse não' nesta quarta-feira (25) em Paris. Elas foram feitas para criticar o pontífice, que voltou a criticar o uso da camisinha na prevenção da Aids durante sua visita à África. (Foto: AFP)

Augusto Boal vira embaixador do teatro pela Unesco


Augusto Boal vira embaixador do teatro pela Unesco
Cerimônia conta com apresentação de peça, exposição de fotos e de video-documentário

SÃO PAULO - O teatrólogo Augusto Boal, criador do teatro do oprimido e para quem "tudo é teatro", participa nesta quarta, 24, de uma cerimônia na Maison Fongenoy de Paris, onde será nomeado embaixador mundial do teatro pela Unesco. O evento contará com a apresentação da peça O Cozinheiro Disse Para o Coelho: Vamos Preparar o Jantar?, de Julián Boal, além de uma exposição de fotos dos trabalhos de Augusto Boal e um vídeo-documentário sobre suas atividades no Centro de Teatro do Oprimido.


Daqui

Marguerite Duras by Avedon, 1993

Foto Marguerite Duras by Avedon, 1993



Que imagem linda! Amei.




Quando Duras denunciou a exploração


Deu no Le Monde, aqui.

No caminho das Índias


Foto daqui

Bruno Gagliasso está bem no papel de jovem em conflito com sexualidade, que pressionado pelo pai autoritário, acaba surtando.
Aliás, este núcleo da novela é assistível- Cristiani Torlone, ele, Bruno, e o Humberto Martins estão bem- ela completamente histérica, diferente dos papéis que já fez antes. E por falar em Torlone, a mulher está enxutíssima para a idade, quantos anos tem? sei lá, mas está que tá. Pilates, parece, não é?
eu queria fazer Pilates, mas acho caro, acabo ficando me virando com meus movimentos na piscina- é de graça hohoho e refresca :)

Terça-feira, Março 24, 2009

A foto do Hotel Ritz




Hoje recebi um e-mail dizendo que esta foto minha sairia num site com guias de cidades.

Eu quase sempre não leio estes:

Hi Laura,

mas desta vez eu li e gostei. Fui ver e existe o tal site. Não pagam, óbvio. Mas achei legal.

A foto nem é bem tirada, estava dentro de um bus, num daqueles de dois andares.
É a Place Vendôme- Hotel Ritz. Estava havendo um encontro da ONU, à noite eu vi na TV, por isso tanta gente de terno.

Segunda-feira, Março 23, 2009

O relicário- de novo





Que tal ler aqui?

Eu ando zonza atualizando dois blogs :)
OK, sou viciada, gosto, mas fico zonzinha- ontem fiquei muito aqui- ainda tem a discussão lá no Portal no Mídia...

Quero colocar nos dois tudo que leio é achointeressante: exposições,livros, filmes...
Amenidades.

Ontem esqueci de dizer que a Juliana Paz está linda demais na tal novela, é redundância dizer isto- a Globo capricha, ela veste cada sari... belíssimos.

Gisele Bündchen fará festa de casamento



Brady e a modelo brasileira devem fazer uma festa para amigos e familiares na Costa Rica


Deu na Folha

"da France Presse, em Los Angeles

A modelo mais bem paga do mundo, a brasileira Gisele Bündchen, repetirá seu casamento com o jogador de futebol americano Tom Brady, com dois dias de festa ao lado de amigos e parentes na Costa Rica, após sua discreta união no Estado americano da Califórnia, informou nesta segunda-feira a revista "People"
."

Eu sempre me pergunto o por quê de tanto sucesso desta moça, há tantas outras tão lindas, ou mais lindas. Enfim, ela sabe viver, eu acho- é leve, rica e agora, como qualquer mortal, está enamorada- é visível ai na foto.

Budapeste- agora em filme



Daqui.

Todos sabem que amo Chico Buarque, é um dos meus chicos amados, há outros.

Gostei muito do livro, assim como gostei de "Estorvo".

"Budapeste" é surpreendente, inteligente, denso- um belo livro. Vi o trailer ai e acho que vou gostar, o ator tem a ver com o personagem que eu vi ali.

Tenho um autógrafo em "Estorvo", naquele dia, em que estavam Raduan Nassar e Chico no auditório do O Globo, foi um dia inesquecível. O sorriso que ganhei será lembrado para sempre, e aqueles olhos azuis... belíssimos, a cor dos olhos de Chico é inenarrável como dizia a Scarlet Moon, vocês a conhecem? Uma figuraça. Gosto dela.
Foi um dia muito especial.

Domingo, Março 22, 2009

Mini conto: Como, Maria?






- Viver dói.
- Como, Maria?
- Doem as pernas, dói a cabeça, doem as costas...
- É o corpo que dói, Maria, não viver.
- O coração também dói.
- Então precisa de um médico, Maria.
- Depois que Antonio se foi, viver dói.
- A outra levantou os olhos do livro e viu, pela primeira vez, os fios de cabelo branco na cabeça daquela que viu crescer.

- É, Maria, às vezes viver dói.

Maria Bethânia, a diva do palco



Maria Bethânia aqui para se ouvir e gravar. Uauuuuuuuuu tem até 'Drama', que eu amo e sabia de cor de tanto ouvir o disco- vi o show mais de uma vez, no teatro da Praia em Copa. Saudades.

Bethânia era minha vizinha na rua Nascimento Silva, pois é, ela e Tom Jobim. Eu era uma mocinha tímida, se fosse hoje seria diferente, com certeza. Não tenho medo dos famosos, todos já sabem.

Sorry, não me invejem eu não fui amiga nem dela, nem dele. Ela vivia com Leina Crespi, atriz e 'guarda-costas' da cantora. Assim parecia. Eu ganhava ingresso para os shows porque conversava com o Milton, o motorista(como lembrei não perguntem, coisa surpreendente:). Ela tinha um Dodge Dart, na época um carrão super confortável.

Bethânia morava na cobertura, eu no 3° andar, eram apenas quatro andares.

Um dia Caetano passou a noite cantando...depois eu conto, já contei antes aqui.

Se você nunca a viu num palco, veja, é a rainha do pedaço, literalmente- usa-o como ninguém- fica bonita, leve, é impressionante. E a voz...



Vejam aqui- Almodóvar.

Viram isto?
Se ela que é simbolo- ainda é, sexual não faz sexo há anos, imaginem as simples mortais...Mas duvido que não seja assediada até porque é muito sedutora, na novela está um enjoo. Por que será que de uns tempos pra cá só usa cores como turquesa, rosa, verde? Olha, eu gosto dela, viu? Simpatizo. E nunca me esqueci de uma fala do Wilker sobre ela, dizia que é muito inteligente e culta, coisa que a maioria ignora- isto naquela fase braba dela, quando foi se tratar na Argentina com Kalina. Gente, como lembrei disto? será que estou inventando? não era Kalina? sei lá. Este Eduardo Kalina 'vivia' no Rio dando cursos, eu fiz um curso com ele, que estava em todas.

E esta notícia?

E esta ótima notícia, leram? O cara tem um instituto aqui em Natal- legal, não é? Meu irmão disse que é politicagem, para dar prestígio à governadora. Pode ser...mas mesmo assim é legal. Acho que vou me oferecer para estágio. Não aceitam, só jovens, aposto.

Sábado, Março 21, 2009

Um dia atrapalhado


Ela está tão parecida com a


Katherine Hepburn ou com a Rita Hayworth.


Ontem eu cheguei da piscina e molhada ainda comecei a ver o almoço. Ouvi alguém dizendo que entrava, voz de homem. Peguei uma camiseta para vestir e o tal homem adentrava minha casa dizendo que era da prefeitura.
Me desculpei pelos trajes, ele disse que era natural, afinal eu estava em casa. Nem se desculpou. Atrás dele vinham outros dois, um deles falava no celular, nem cumprimentou.
Bom, eram da prefeitura de Parnamirim e vieram fazer vistoria para o ‘Habite-se’. Estou aqui há 4 meses.
De manhã, sete e pouco, o homem do almoxarifado da construtora que fica ao lado, veio pegar minha assinatura num papel, onde dizia que eu concordava com a construção de muros nas laterais de minha casa. Não entendi por quê. Pero, quando o homem de prefeitura estava aqui eu entendi- nenhum dos muros que me cercam são meus, dois deles são do próprio condomínio- minha casa é a última- e o muro do lado direito da casa é do vizinho, segundo a prefeitura. Eu disse: Então sou desmurada!
O cara que anotava a metragem da casa olhou pra mim com um sorriso feliz e disse:
- Gostei, nunca tinha ouvido esta.
Rs
Bom, saíram me dizendo que era preciso colocar um borda na calçada em amarelo e com baixo relevo. Perguntei por quê, disse que é para deficientes visuais. Ah! Estão está certo. A construtora vai colocar, já disseram. As casas mais novas já têm - achei feio, mas... nem tudo é esteticamente bonito. É em amarelo... Enfim, ‘se não fosse gosto o que seria do amarelo’.
Bom, descobri que não tenho muros, então eu não devia ter pagado os muros. Hohoho Duvido que não tenham sido computados Hã!


Hoje, acordei cedo e fiquei lembrando do sonho que tive com Caetano Veloso - falávamos do blog, eu dentro de uma piscina, ele do lado de fora. Eu leio o blog dele quando me lembro, gosto. Comento, ele me ignora, só fala com quem discute linguística lá. Tá certo, eu sou fã... hihihi mas não vou deixar de ir lá- gosto de ler os papos, tem gente que não consegue ler Caetano, mas eu leio, ouço, vejo, admiro-até sonho...

Oito e meia da matina chegou Aparecida. Vem de vez em quando me ajudar, Bethânia não dá conta de tudo, nem eu.
É uma figuraça, aliás, as duas são especiais. Fala sem parar. Não é possível silêncio com ela - fala com os gatos, chama os meus de “Polinho”- nome do seu gato que morreu envenenado, independe se for a Florzinha ou o Seinfeld. Fala sozinha: “Acabando aqui vou lá para cima”... Gosto muito dela, mas não aguentaria todos os dias.
Era dia de arrumar o meu escritório que até hoje não está sendo usado pela bagunça.
Ao meio dia Dan ligou:
- Mãe, estou indo almoçar, vou levar M e a namorada.
Eu: Vocês não iam num churrasco?
Dan:- vamos, mas é mais tarde, estamos com fome, vamos almoçar. Posso levar os dois?
Eu: Pode, filho.
A sorte é que fizemos uma carne que dava para todos.
Na hora de servir o almoço a moça que veio foi para o banheiro e ...Bom, vou poupá-los de detalhes escatológicos, mas fiquei impressionada com o que houve, ela sujou o banheiro todo. Pobre menina. Foi constrangedor. Tadinha. Emprestei roupa para ela vestir, tomou banho aqui. Me disse que foi um remédio para um cisto- hormônio- que deu a reação. Aparecida me disse que deve ser a pílula do dia seguinte, que dá estas coisas. Pode ser.
Almoçaram e saíram.

Passamos a tarde vendo fotos, ( quem resiste?), limpando livros e colocando nas estantes-eu tinha que separar, Dan havia misturado tudo quando os tirou das caixas. Fiquei cansada, ainda não acabei, mas gostei de rever meus livros, é um objeto que eu amo- livro. E tenho tantos bons livros. Fico feliz por ter lido tanta coisa boa- ainda tenho livros que não li, outros gostaria de reler. Me sinto feliz por ter voltado a ler bastante, há anos não conseguia. Eu antes era leitora contumaz , depois levei anos lendo pouco, alguns livros por ano, agora voltei a ler bastante- estou lá pela página 400 daquele livro que eu disse que iria parar “Histórias de uma cidade” (San Francisco- década 70), é bom para ler na hora de dormir. Leio o “Fragmentos...” de Barthes, em francês, e português, quando não consigo entender.

Achei o livro da M. Duras que eu li, mas quero reler-dois contos. Uma beleza. Depois comento.

Lá por sete horas Dan voltou com a namorada e outra moça, disse que ela precisava tomar banho, estava molhada da piscina.
- Pegue uma toalha para ela, filho.
Ela tomou banho e vestiu o biquíni molhado, Dan viu e pediu então um biquíni seco. Eu ri e disse que deste jeito vou ter que ter umas roupas para elas aqui em casa- foi a segunda do dia que levou roupas minhas :).
Procurando algo para ela percebi que tenho muito pouca roupa, não gosto de gastar com isto e não encontro o tipo de roupa que eu gosto- preciso mandar fazer, esqueço. Gosto de vestidos leves de algodão, não existem por ai.
Antes de sair a mocinha elogiou a casa e vendo um Santo Antonio aqui disse:
- Ele não tinha que estar de cabeça pra baixo?
Hihihi vou colocá-lo. Daí, quem sabe minha sorte melhora.

Escrevo vendo a novela das nove da Globo. Deus meu! É muito ruim. Os protagonistas são fraquíssimos; V Fischer está péssima, com sempre; a amiga que contracena com ela, não sei o nome, triste- nos dois sentidos, só chora desde a outra novela; A.Borges não entrou no personagem, soa falso demais; ver Toni R. de turbante é demais- fico pensando nos pelos todos hihihi A Débora B. está linda, mas prefiro vê-la em personagens engraçados,está forçada nesta granfina. Olho para ela e lembro do ex marido, que pena... formavam um casal tão simpático e bonito. Gosto dos dois. A outra, L Sabatella, lindíssima, está bem de má.



Como alguém tem coragem de colocar M Garcia à frente de um elenco?
Tem gente boa ali, talentos desperdiçados numa estória que não cola. Personagens caricatos...
Inacreditável.

Começou o BBB, vou dormir. estou sem Tv a cabo, porque não tenho conseguido ficar parada aqui vendo nada, nem filme. Vi 3 filmes do Oscar,um dia comento.
Bom domingo para vocês.

PS: Quero agradecer ao Ailton Medeiros por ter feito um post tão simpático para mim, leiam aqui. Fiquei feliz porque sei que há muito o pessoal de Natal circula por aqui, mas não diz nada, afinal ele diz e é uma figura super conhecida, jornalista, está sempre em todas. Vi no site meter que vieram leitores de lá. Merci, Ailton. :)

Sexta-feira, Março 20, 2009

Insensatez


Insensatez*


"Venha, estou te esperando. Desça a Montenegro, entre na terceira, à direita. É um prédio antigo e pequeno no meio da quadra", disse ele.

Eu fui, como sempre. Obedeço aos homens.

Tinha pressa. As mãos suavam ao descer do ônibus no ponto indicado.

Lembro de um sonho em que deslizo pela Rua Prudente de Moraes deserta, desejando alar ao seu encontro.

Na esquina, um bar, mais à frente duas vilas. Adoraria morar no bucolismo de um espaço silencioso, com flores nos jardins. Com este olhar, me deparei com a vila ao lado do prédio dele.

Anoitecia.

Bati à porta, alguém tocava violão, abafando meus toques. Repeti as batidas com mais força. O som do violão cessou. Ruídos de cadeiras e vozes. Ele abre a porta no momento em que eu inspirei fundo, aflita, pensava o que fazer se não me ouvissem.

Havia homens espalhados pela sala, alguns no chão em almofadas, eu era a única mulher. Um deles me olhou com certo desdém, por pouco não me sinto intrusa, apenas porque os olhos dele me observavam e sorriam.

Minutos depois ficamos a sós entre copos e cigarros espalhados sobre o piano, chão, janela. A pequena sala, que dava para a frente do prédio, rescendia a cigarros. Comecei a juntar copos e cinzeiros. "Deixe, depois eu limpo", ele disse. "Limpamos agora, é melhor", respondi.
Eu precisava arranjar coisas para fazer. Não queria que ele percebesse minhas mãos frias e úmidas. Queria mais tempo para me acostumar à idéia de estar ali.

Na pia cheia de copos, garrafas vazias, um gato cinza de olhos azuis muito claros tentava subir.

Ele veio por trás e beijou minha nuca. Me desvencilhei caminhando em direção à janela. "Veja o Cristo, dá para vê-lo, não sei até quando..."

Eu senti seu hálito de álcool e cigarro. Aquele cheiro me excitava.

Segurou meu rosto entre as mãos em taça, beijou meus lábios sorvendo meus mistérios (ou me sorvendo?). De olhos fechados eu adivinhava o rosto que amei no primeiro encontro. Abri os olhos para conferir. Seus braços me envolviam. Aos poucos fomos nos afastando da janela. Debruçando-se sobre mim, deitou-me no sofá, abrindo, com dedos ágeis, caminho para a minha entrega plena.

Um dia ele viajou, precisava ir a trabalho, disse. Não voltou. Eu chorava desolada. Enviei uma carta, por um amigo comum, onde dizia:
“Desde sua partida minha vida é só tristeza e melancolia. Não sei viver assim. Volte”.

Meses depois recebo um telefonema. Era Vinícius, dizia que tinha algo para mim. Fui até lá e ele me cantou, jamais esquecerei, esta música, como um recado do Tom:

“Chega de saudade

... Não quero mais esse negócio de você longe de mim,

Vamos deixar esse negócio
De você viver sem mim"...

Ele voltou, anos depois. Soube pelos jornais.

* Este conto eu fiz para um concurso intitulado Bossa Nova do Estadão. Era preciso ter a frase de 'Chega de saudade'. Selecionaram vários, não lembro quantos. Não peguei nem resfriado, aliás... nunca pego resfriado hihihi
Acho que ficou muito carioca. Eu gosto, me sinto nos braços de Tom, nunca é demais sonhar.
E, pra quem não sabe, eu quase fui sua vizinha, morei no 97, Nascimento Silva, ele no 107, mas em 1970, quando fui para lá ele já vivia fora- nos States, acho. Eu amava o Tom. Ainda amo, pra mim não morreu, apenas partiu.

Quinta-feira, Março 19, 2009

O entardecer na praia




Hoje consegui ir à praia. Fui com Dan que queria pegar ondas, mas o mar estava manso.
Chegamos tarde, mais de 3 da tarde, logo a sombra tomou conta da areia, mas mesmo assim estava gostoso. Ao entardecer o céu se coloriu de tons róseos, belas nuvens. Não levei a máquina fotográfica, uma pena. Encontrei dois irmãos lá, meus irmãos sabem curtir a praia, vão sempre que podem. Minha sobrinha também estava lá- acabara de sair da escola. Se todos pudessem viver assim... é um privilégio mesmo.

Estas fotos peguei no Google. A das cestas acho que fui eu quem fiz, nem lembro, ando assim, a memória...Todas são da Praia de Ponta Negra, a mais conhecida de Natal, moro a 7 minutos do mar, antes morava mais perto ainda. Estou acostumada a viver perto do mar, no Rio morava entre o mar e a Lagoa, era mais fácil ir a praia, hoje complico mais... antes ia só, lia na praia, aqui não sei fazer isto, leio na piscina, na praia não. Por que será?
Tenho mais medo, acho. Dan hoje me disse: "Mãe, estamos em Natal, não no Rio". Eu não fico relax, fico atenta. Uma m. É trauma de praia no Rio, já vi tanto roubo lá, isto na década de 70, imaginem hoje. Os gringos eram alvo fácil. Mas vamos mudar de assunto. Quase comprei uma passagem para o Rio estes dias, depois mudei de idéia. A TAM está liquidando,vocês devem saber. Algo me impede, ando meio travada.
Quem puder viajar aproveite, 50% de desconto, mas vi passagens pela GOL mais baratas ainda. É só conferir.
Bye, bye.






Quarta-feira, Março 18, 2009

Tal mãe, tal filha




Mãe e filha com talentos inegáveis.
Gosto das duas, a Elis é minha preferida para sempre pela voz e emoção. A Maria Rita ainda chegará lá.
Why not?


Terça-feira, Março 17, 2009

Lembrando Elis Regina




Elis faria aniversário hoje, acabo de ler lá no Nassif, não lembrava. Lembro do dia que morreu, lembro da emoção quando soube, liguei para C., que faria aniversário ontem- um dia que demorou para a passar. Agora não esquecerei mais, associo a ele.

Elis é para mim, a maior cantora brasileira de todos os tempos.
É emoção pura.
Há dias em que não posso ouví-la, choro.





Ela e o marido César Camargo Mariano- devem estar apaixonados aqui, vejam a expressão dos dois.



E esta? é demais. Amo, tanto que está ai em cima.

Também adoro esta, com Gil ou com Elis.

Hoje li comentários no youtube sobre Elis, é interessante as comparações, pra mim não dá para comparar. Gal tem linda voz, Nanna eu amo, choro de emoção, Bethânia me leva ao passado aos meus amores, me dá nostalgia e dor- ou não, depende do dia.
E Maria Rita... ora, é filha, herdou o timbre, é graciosa, mas a mãe era mais intensa- melhor, quem sabe M Rita seja mais feliz- com certeza deve ser.
As imitações... me poupem, tem uma que nem vou citar o nome, que me irrita pela cara de pau- copia tudo.
Que viva Elis, que sempre seja lembrada. Eu lembro e ainda hoje lamento muitooooooo. Uma pena.

Objetos de Elvis vão a leilão



Objetos pessoais de Elvis Presley vão a leilão na internet.
Mais aqui.

Segunda-feira, Março 16, 2009

Mini conto: Calou-se- sem revisão

Foto Google

16 de março de 2009


Calou-se



Um zumbido a acordou. Olhou a janela, a noite se despedia, o céu se rasgava em tons róseos.
Procurou um inseto. Nada. Olhou sob a cama, quem sabe uma abelha perdida... Nada. O ruído a intrigou, seria uma alucinação?
Foi até o banheiro, o som diminuiu. Investigou cada canto. Nada. A luz acesa a incomodava.
Pegou o travesseiro e saiu arrastando o lençol em busca de outro quarto.
A manhã corria frouxa quando despertou. Fazia calor. Encolheu-se, "não quero viver o dia de hoje", pensou.
Como fugir? Os filhos chegariam para almoçar, os gatos miavam na porta, pediam a liberdade na grama.
Temia este dia desde o ano passado. A voz dele não mais existe. Como viver sem aquele tom suave e amoroso?
Precisava exorcizar a dor. Tentou nadar, não conseguiu. Inspirou fundo, a respiração veio entrecortada. Encheu a banheira-luxo para dias especiais - a tensão não a deixou.
Pintou o cabelo, tirou as cutículas, as sobrancelhas, passou creme no rosto, no corpo.
O olhar no espelho era distante, desconhecido.
Não chorou, apenas um breve gemido surdo. Emudeceu.
Não havia o que dizer hoje, precisava soltar a fala que sabe de cor depois de tantos anos:
"Feliz aniversário, meu amor".

Domingo, Março 15, 2009

Viva o Juarez!


Juarez Machado. Posted by Hello


Meu encontro com Juarez

Eu morava em Curitiba, estudava no Colégio São José na Praça Rui Barbosa. Juarez Machado fazia muito sucesso, saia nos jornais, era um jovem de Joinvile, que estudava artes plásticas. Na TV Iguaçu fazia um quadro de humor com Ari Fontoura. Era hilário. Ari Fontoura fazia um deputado politicamente incorreto e Juarez um play boy de cabelos compridos- coisa rara na época, ele tinha um cabelo louro muito lisinho, olhos azuis, azuis.
Uma amiga de ginásio se apaixonou pelo play boy e quis conhecê-lo.
Eu o via passar pela praça na hora que saía da escola, um dia corri e disse que gostaríamos de ver os seus desenhos. Combinamos o dia e lá fomos nós, umas quatro meninas `a pensão onde ele morava na rua 24 de maio.
Quando minha amiga viu Juarez de perto se desencantou e eu me apaixonei.
Sabe aquelas paixonites de menina moça que não quer nem lavar as mãos depois que cumprimenta o amado? Pois eu era assim. Caminhava com ele até a pensão e seguia o meu caminho em êxtase. Lembro do cheiro do cigarro, ele fumava muito.
Ia, com a amiga, visitá-lo no estúdio da TV, onde ele fazia enormes painéis cenográficos, conversávamos sobre literatura, eu toda faceira, lembro, vestido de algodão engomado- aposto, mas absolutamente tímida. Tinha 15 anos.
Aos 16 meu pai resolver mudar-se para Cabo Frio e foi um sofrimento enorme.
Ganhei um desenho na despedida. Um estudo grande em preto e branco, um flautista.
Juarez namorava Gia, sua musa, dedicava todas as esculturas e desenhos para ela. Foi premiado como revelação pelas esculturas. Eu me sentia tão pequenininha, tão pouco mulher para competir com ela que guardei meu amor em segredo. De longe eu lia tudo que saía sobre ele na imprensa, já sabia que ele vivia no Rio, e acompanhava as noticias. Ele se casou com a Gia e teve dois filhos.

Um dia em 70, morando no Rio, recebo de uma loja um convite para a exposição de Jorge de Salles, era apresentado por Juarez Machado. Peguei meu pai e fui até a loja na esquina da Praça Gal. Osório em Ipanema, pertinho de casa, Apresentei-me ao Jorge- ficamos muito amigos depois- e esperei Juarez. Mas nada dele chegar e eu já com pena do meu pai que era avesso a estas festas, o lugar estava lotado- Jorge é a pessoa que mais gregária que eu conheço- resolvi voltar outra hora.

Encontrei Juarez uns dias depois, ele tinha um atelier ali na praça, em cima da OCA, no escritório do Sergio Rodrigues, o arquiteto. Passamos a nos ver ali, eu ficava vendo-o desenhar. Ele fazia uma tira para o Jornal do Brasil, um desenho nonsense, saia todos os sábados, tenho todas as tiras até hoje.

Alguns anos depois, ele mudou-se para a Rua Joana Angélica, num apê que se debruçava sobre a Lagoa Rodrigo de Freitas, era ali que eu o via pintar então. Conversávamos muito pouco- ele era quietão, era, não é mais, nem eu. :)

Um dia eu lhe disse que queria fazer análise, sabia que ele fazia com a Dra. Katarina Kemper, ele contava historinhas.
Ele disse: "Vá fazer com Eduardo, irá se apaixonar na hora". Acertou, foi transferência imediata, E Requião foi um dos homens mais bonitos que eu vi. Na primeira entrevista estava bronzeado, tem lindos olhos azuis, não resisti. Deitei no divã 5 anos, depois ficamos amigos- agora ele é assessor do irmão no Paraná, abandonou a psicanálise.

Durante alguns anos vi menos o Ju, ele casado, eu namorando, estudando, fazendo estágio em hospitais psiquiátricos. O atelier de São Conrado, que era lindo, eu não conheci.
Um parênteses: Tenho quase certeza, não posso afirmar, que a casa da pintora que Sônia Braga fez numa novela era o antigo espaço do Ju.
Nesta época nos encontrávamos na rua, em Ipa. Na última vez que o vi ele disse:
- Quando irá me visitar em Paris?
- Um dia irei, respondi.
Fui no ano passado, foi super divertido, ele estava com a corda toda, sarcástico, como sempre, foi uma tarde inesquecível para mim e minha amiga.
O atelier é uma beleza, um espaço incrível, de três andares em Montmartre.
Já contei sobre este encontro em outro post quando cheguei.
Conheci o filho dele, só havia visto menino, é um belo rapaz, faz cinema, mora em NY.
É filho de Eliane C. de quem Ju se separou há alguns anos depois de um longo casamento.


Eu voltei dia 13 de outubro, logo depois ele fez uma exposição na rue de Senne, eu passei na galeria, vi os quadros no chão- coloquei fotos aqui.




Pois é, Juarez faz anos hoje, que tenha vida longa. É uma das poucas pessoas que conheço que sabe viver. Soube ganhar dinheiro fazendo o que gosta, vive nos lugares que ama, parece um homem feliz, o ser angustiado dos desenhos de 1970 deve existir apenas no seu imaginário.
Que os deuses o protejam. Amém!





Do arquivo do blogspot de 2005:

A Leila, do cadernosdabélgica, convidou-me para responder um questionário literário.
Começa com a pergunta “Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?”
Para quem não sabe- tenho leitores muito jovens - “Fahrenheit 451” é um filme dirigido por François Truffaut e com Julie Christie no elenco. É um filme/livro* de ficção em que todos os livros devem ser queimados, porque propagariam a infelicidade. Há uma perseguição feroz aos livros, até que um bombeiro começa a questionar o porquê da destruição dos livros.
É um filme de ficção muito interessante e assustador.
O título Fahrenheit 451 é uma referência à temperatura que os livros são queimados.

Fiquei pensando e achei estranho escolher um livro, melhor seria um personagem, aí me lembrei do meu querido Juarez Machado.
Juarez tem um livro que saiu na década de 70, inicio, onde um personagem tenta de todas as maneiras sair do quadrado que o contém, o emoldura. Juarez com a criatividade fantástica que tem, faz a cada página um desenho onde o homenzinho se vira de todas as formas para iludir o enquadramento. Dá para imaginar que no fim ele sai, consegue sair, mas que ilusão... continua preso. É a vida. Nós criamos nossa prisão.



Sábado, Março 14, 2009

Para lembrar Juarez Machado



Ele faz aniversário segunda-feira, vamos festejando, afinal material é que não falta.
Este vídeo é muito bom, Juarez fala com os desenhos, eu adoro esta fase dele, talvez até por ser mais triste, agora ele é mais leve, mais colorido. Vocês sabem que eu prefiro as coisas densas, que me façam pensar. Mas também gosto dos atuais, são belíssimos.

Ele é super gaiato vejam aqui:

Juarez Machado



Quem serão os outros?
Ele é o loirinho no centro da foto.

A lua no Pium



Ontem a lua nasceu colorida.
Fui à formatura de minha cunhada- a mais querida. Fez filosofia. Foi legal. Há anos não assistia uma cerimônia destas. Depois fomos para um bar ao ar livre no Pium- Bar Zen. Muito gostoso lá. Pizza ótima- o dono é italiano- e ambiente delicioso, as mesas sob pés de cajá e sem mosquitos, música boa e variada, quando chegamos tocava canções espanholas que lembravam minha infância, depois veio João Gilberto, Gal, Zizzi Possi... As pessoas eram simpáticas- perentes dela e amigos do Santo Daime, eu a única de fora.
Fiquei feliz por ela, foi difícil entrar para a Universidade, estava com bebê no colo. Meu irmão, o ex dela, foi super legal- é o pai da menina, foi um paizão- é- e deu-lhe espaço para ela estudar e trabalhar, ela dá aulas.
De graça a lua e uma apresentação de dança do ventre- coisa que não acho graça alguma, devo ter parafusos a menos, ou não gostar de mulheres sedutoras à dançar- deve ser. A de ontem era baixinha, tinha uma barriguinha- sempre têm, já repararam? tá bom, sou insuportável. É que eu penso que se eu fosse me apresentar com o corpo de fora, ah! eu jejuava, mas a barriga seria bonita- tão bonito uma barriguinha sem gorduras sobrando. É uma questão complicada esta da barriga pra mim, foi tema de análises, portanto deem um desconto.

Engraçado, eu nunca havia ido ao Pium sozinha, fui quinta e ontem. É diferente daqui, muito, mais praino, mais simples- gostei.
Voltei estrada a fora à uma da manhã(tem crase? nunca sei- olhe que eu estudo crase e nunca sei, juro). Primeira vez que fiz isto. Deu receio, mas não medo. Enfim... é preciso viver, não é?

Quinta-feira, Março 12, 2009

Um dia diferente e colorido

Este é um dos meus exercícios favoritos. Faço dentro da piscina- uma delícia.


Como a Martha hoje disse ai, eu resolvi deixar de me entristecer e ser feliz.
Ufa! é difícil.
Hoje de manhã, estudei francês lá na beira da piscina lendo Barthes, que eu amo. Levei o filho de Bethânia comigo e eu jogava uma pedrinha para ele e um outro menino acharem- crianças a gente engana bem- adultos... hã. Eu os distrai, estavam fazendo farra.
Mais cedo fiz um post lá para o LNassif sobre Mira Schendel- ela foi sogra de um ex namorado meu- ele também pintor- para mim ele ficou à sua sombra, talvez tivesse sido melhor se não a conhecesse. Ele era intuitivo, ousado na criação, estava sendo destacado como novo talento- agora ninguém mais fala nele- os entendidos o conhecem porque fez trabalhos importantes, mas... uma pena, parece que trabalha com madeira agora, segundo o Th é o melhor nisto, enfim, c'est lá vie.

À tarde fui fazer yoga com uma nova professora, Salete, num lugar diferente, super simpático. Fica no Pium, uma praia perto daqui, e mais longe de Natal. Gostei muito, é uma yoga diferente, terapêutica. Eu conhecia todos os exercícios- sou ligada nestas coisas há muitos anos, mas ela pratica com intenção de tirar dor, curar.
A professora veio de Curitiba, ficamos amigas, já contei outro dia que por coincidência estudou no mesmo colégio S José que eu estudei anos, eu detestava, mas deixa pra lá- freiras...
Se alguém tiver interesse em aulas de yoga é só me pedir o endereço e telefone. É um grupo legal, o espaço é uma espécie de taba gigante, que meu irmão fez. Fica no meio do mato.
Amanhã será open house, quem quiser poderá fazer aula de graça, meditação...
Bom, hoje recebi e-mails simpáticos de amigos do além mar, aqueles de quem gosto muito. Fico feliz. Engraçado, ontem foi Syl, de Paris, hoje os dois outros. Todos me querem muito bem, é tão bom...

Hoje foi aniversário de Th Cohn hoje, pensei em ligar, mas acabei só mandando e-mail, gosto muito dele também.
Ligo amanhã.

Estaria Joaquin Phoenix representando?



Equipe de filmagem acompanha Joaquin Phoenix para documentário dirigido por Casey Affleck (Foto: AP)

Eu acredito que ele está representando- agora mais ainda depois de saber que uma equipe de filmagem o acompanha desde que decidiu ser cantor de hip hop. Meno male.
Leiam mais aqui.


Viram aqui?


Eu o observei bem, só vi uma vez, não revi, não tenho paciência- o Letterman é insuportável- mas acredito que um 'maluco' beleza, como ele tem se apresentado, se tivesse colado chiclete debaixo da mesa do Letterman não o teria retirado depois- ele colou o chicle na mesa e segundos depois retirou- como se tivesse pensado: Exagerei.

Não acredito que tenha perdido a cabeça. Espero, né? Eu havia notado algo mais, até comentei aqui e com uma amiga, mas esqueci...:)
Acho que foi o sorriso dele. A seriedade parece forçada- como é bom ator... ficamos em dúvida.

Um arcebispo mais ou menos





Copio o Contardo, diz exatamente o que eu penso.


Um arcebispo mais ou menos


Contardo Calligaris


Lula se expressou numa ordem perfeita: ele é (primeiro) cristão e (segundo) católico


NA SEMANA passada, no Recife, descobriu-se que uma menina de nove anos estava grávida de gêmeos. A mãe imaginava que a barriga crescente fosse o efeito de um parasito. Mas não era um parasito; era o padrasto, que abusava regularmente a menina e a irmã (de 14 anos, portadora de uma deficiência mental). O abuso começou quando as crianças tinham, respectivamente, seis e 11 anos.
O padrasto foi preso, e uma equipe médica, autorizada pela mãe, interrompeu a gravidez da menina, seguindo a lei brasileira, que permite a interrupção de gravidez em caso de risco de vida para a mãe e também em caso de estupro. Quem conhece alguma menina de nove anos pode facilmente imaginar o que significaria submeter aquele corpo a uma gravidez completa e a um parto duplo.
Além disso, qualquer um pode intuir que carregar na barriga, parir e "maternar" o fruto de um estupro é devastador para a mãe assim como para os eventuais rebentos dessa catástrofe. Alguém dirá: "Mas a mulher acabará esquecendo o estuprador (que foi gentil, nem a matou, não é?), e o sentimento materno prevalecerá". Esse conto de fada (machista) não se aplica no caso da menina de Recife.
Pede-se o quê? Que ela esqueça que, durante três anos, quem devia ser para ela o equivalente a um pai se serviu de seu corpo de uma maneira que ela não tinha condição de entender e num quadro em que ela não tinha a quem recorrer, é isso? No meio da semana, o arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, declarou que os que estivessem envolvidos na interrupção da gravidez da menina (a mãe, os médicos, os enfermeiros) fossem excomungados. Agora, o padrasto não; pois o crime dele seria mais leve. Isso, segundo o bispo, é a "lei de Deus". O bispo se confundiu: essa não é a lei de Deus, é a lei da Igreja Católica.
E faz alguns séculos que essa igreja não tem mais (se é que um dia teve) a autoridade moral para ela mesma acreditar que seus decretos sejam expressão da vontade divina. Portanto, sua persistência em tentar convencer os fiéis de que a voz da igreja coincide com a voz de Deus se parece estranhamente com a conduta do padrasto da história (e de qualquer pedófilo): trata-se, em ambos os casos, de tirar proveito da "simplicidade" de crianças e ingênuos. Mas voltemos aos fatos. O presidente Lula, "como cristão e como católico", achou lamentável a declaração do arcebispo. Dom José não gostou e afirmou que o presidente Lula é "um católico mais ou menos".
O presidente Lula se expressou numa ordem perfeita: ele é (primeiro) cristão e (segundo) católico. Ou seja, se a igreja diz algo que contraria seu entendimento da mensagem de Cristo, tanto pior para ela. A mensagem cristã da qual se trata não tem a ver com a interrupção de gravidez. Ela é mais fundamental: trata-se da liberdade do indivíduo e da consciência em sua relação com Deus. Explico.
É trivial constatar que, na modernidade, a decisão moral é um questionamento constante e, às vezes, atormentado: cada um, levando em conta as ideias de seu grupo, seus valores mais singulares, seus sentimentos, sua fé (se ele tem uma) e os fatos (caso a caso), chega a uma decisão ou a uma opinião que acredita justa. Um pouco menos trivial é lembrar que esse aspecto da modernidade é o melhor fruto da tradição judaico-cristã e, mais especificamente, da novidade cristã, pela qual Deus pode ser o mesmo para todos porque ele não se relaciona com grupos ou pelo intermédio de grupos, mas com cada indivíduo, um a um.
Ser moderno não significa topar qualquer parada e perder-se no relativismo. Ao contrário, ser moderno (e ser cristão) significa tomar a responsabilidade de decidir no nosso foro íntimo o que nos parece certo ou errado. Claro, é mais difícil do que procurar respostas feitas e abstratas no direito canônico. Mas, contrariamente ao que deve achar dom José, ninguém nunca disse que ser cristão (e moderno) seja fácil.
Felicito o presidente Lula, que falou como cristão, ao risco de parecer "católico mais ou menos". Quanto a dom José, ele falou como católico e se revelou como um "cristão mais ou menos". O dia em que ele quiser ser cristão, ele nos dirá, com suas palavras, por que e como, em seu foro íntimo, acha o gesto de quem interrompeu a dupla gravidez de uma criança de 30 quilos muito mais grave do que a abjeção de um padrasto que, por três anos, estuprou suas enteadas.

Quarta-feira, Março 11, 2009

E o sol invade minha cama às sete da matina...



Eu ganhei de minha amiga parisiense, Syl, um calendário deste pintor, que eu já havia visto, mas não conhecia.
Hundertwasser. Ele faz desenhos belíssimos, deve desenhar muito, pois o calendário tem um desenho para cada dia. É da Taschen, aquela editora que eu já falei antes, fui à livraria lá no bairro dos intelectuais franceses-Saint-Germain-des-Prés, é perto do bar onde Sartre ficava.

Passei o dia fora daqui hoje, fiquei menos cansada intelectualmente- ando zonza, acho que estou me excedendo aqui- faço muitos posts, leio muita coisa. Vou tentar diminuir pra ver se a tonteira passa, se não passar vou a um neurologista- pode ser labirinto também, fico pior nos dias de muito ventooooooooooooooooooo uuuuuuuuuuuuuuuuuu
aqui é assim úuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu
Morro dos ventos uivantes- ironia, eu detesto este assobio úuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu
já acordo com ele úuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu

Bom, fui pegar exames hoje e pelo que li está tudo bem- fiz ultra vaginal, mamografia e ultrassonografia das mamas- sinto pontadas no peito esquerdo- deve ser do execício ou angústia, sei lá.

Decidi largar- já no final- o livro da Kristeva, chega de ler sobre dor, melancolia, tristezas- parei de ler a Clarice também- estes dias fiquei péssima e elas não me ajudaram nada, pelo contrário, fico me identificando e sofrendo mais ainda.
Hoje comecei a ler um dos livros que mais gosto em francês, li antes em português:
"Fragmentos de um discurso amoroso" de Roland Barthes, já falei nele várias vezes, amo.
É sobre a paixão, sobre o enamorado, é na primeira pessoa, o enamorado sente ciúmes, sofre- mas é um livro tão bonito que não dói. Ele vai citando os enamorados famoso como Proust, Werther... cita Freud, Lacan, Winnicott, é delicioso para quem gosta- o meu querido amigo Chico não conseguiu ler-dei de presente para várias pessoas, era assim antes de ter os filhos. Leio em francês, quando empaca pego a tradução, que parece boa, pelo menos para a semi analfabeta aqui, bamos abeire. Digo isto tudo para contar que hoje melhorei da tristeza que me tomava com estas decisões: parar os livros sobre deprê; não me debruçar muito sobre as tristezas( Drummond me disse isto num cartão, vou mostrar pra vocês); sair mais da toca- quinta vou fazer uma aula de yoga em outro centro com uma nova amiga. E hoje trabalhei mais- o que me faz muito bem. Preciso fazer palestras, o que me faz ficar ótima, também. Pela manhã consegui me exercitar mais- o que me faz muito bem.

Enfim, a vida segue, é preciso pensar mais nos ganhos do que nas perdas.

Domingo meus filhos me fizeram uma surpresa: acordaram cedo- nunca o fazem nos fins de semana, saíram para comprar o café da manhã, trouxeram flores brancas, varreram a casa. Quando acordei os dois estava aqui para me abraçar- foi o que me curou, podem crer.

Hoje o jardineiro, um sr. tímido, esquisitão, me disse que a orquídea que está no meu vaso da frente com o bambu foi ele que me trouxe da presente, e não meu irmão como eu supunha, fiquei super feliz- ele está fazendo muda de bouganville também, disse, eu havia pedido, adoro bouganville. Joguei sementes de mamão num cantinho e está cheio de brotos, ele disse que dará uns 10 pés. Espero não precisarcom prar mais. :)

Ah! quase esqueci de comentar: vocês acreditam que jogaram um ovo na lateral da minha casa?
Não sei quem foi, me dou bem com os peões e com a criançada toda- pelo que ficou de ovo espalhado foi um adulto. Conversei com o engenheiro responsável pela obra, disse que fiquei mais apreensiva, afinal não parece haver motivo para tal gesto violento.
É uma incógnita, mas ele na segunda dispensou um dos rapazes por ter desobedecido e circulado por aqui fora do horário. Queria acreditar que foram os meninos por farra, mas todos são meus companheiros na piscina, converso muito com eles. São gentis comigo, abrem guarda-sol, não fazem farra enquanto me exercito. Eu gosto muito de todos e sei que eles também me têm como aliada- uma vizinha agrediu verbalmente um deles, eu assisti, conversei com os dois- ela veio até mim pedir desculpas, e ele estava na piscina- faz exercícios comigo quando nos encontramos lá- tem 11 anos. Foi malcriado com a vizinha. Já notei que é um menino carente- outro dia me disse: "Obrigado pelas dicas",é gordinho e fez ginástica muito empolgado, ai eu disse que também precisava comer coisas que não engordassem e dei uma listinha. Por isso agradeceu. A irmã também faz exercícios comigo quando estou lá. Olha, criança precisa ser bem tratada, ai ela é legal, se você trata com dureza, grosseria, você perde, fica um jogo de poder e todos perdem.

Cansei, boa noite. O sol invade minha cama às sete da matina. E a lua cheia lá pelas 3 da manhã... ai ai

Os queridos que comentaram e não respondi, me desculpem, amanhã os visitarei.

Brasserie " Les Deux Magots " Place St Germain des Près ---Paris noir et blanc por regis frasseto.Ai eu quero voltar lá...
Esta foto daqui é linda, mas de dia fica cheio de gente, muito badalado, passei duas vezes ali, não sentei, fiquei em outra cafeteria um pouco atrás, mais conservador, antigão.


Terça-feira, Março 10, 2009

O homem mais charmoso do Brasil II



Achei ao acaso esta entrevista deliciosa, não poderia deixar de ser, afinal ele é um cara muito especial. Podem crer.
Leia e vejam
aqui

UAUUUUUUUUUUUUUuuuuuuuuuuuuuuuuuu

Entrem no site dele ai ao lado.

Segunda-feira, Março 09, 2009

Este, sim, é o povo brasileiro



Recebi esta pérola da Elizabeth da comunidade do LNassif
VÍTIMA É QUE FOI EXCOMUNGADA!!

Por Miguezim da Princesa *

I
Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.

II
Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição,
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão.

III
Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.

IV
Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.

V
O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.

VI
Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.

VII
É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.

VIII
Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
E bolindo com os meninos.

IX
Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na lingüiça
É uma coisa do Cão.

X
E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão,
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
A vaga de sacristão.

(*) Poeta popular, Miguezim de Princesa, é paraibano radicado em Brasília.

Domingo, Março 08, 2009

Casais...


1960. Yves MONTAND, Simone SIGNORET, Marilyn MONROE and Arthur MILLER

Que foto!
de novo? e dai? eu gosto demais dela.
Imagino o que se passava na cabecinha de cada um. Ciumeira, sedução...Yvens teve caso com Marilyn, não sei se nesta época, ou depois, sei lá, quem souber diga.

Dia Internacional da Mulher




Ontem convidei amigos para postarem sobre a menina- mulher, em cima da hora, foi mal. Muitos não conseguem improvisar- eu sou boa quando estou com prazo apertado, mas amanheci com a cabeça estourando.

O que faz um adulto desejar uma criança? É pergunta que não se cala. Eu acredito que é algo que vem da história pessoal do sujeito que pratica o ato violento, muitos sofreram abuso sexual. Mas não quero seguir por ai, justificar este gesto tão perverso. OK é perversão.
O que eu queria pensar com vocês é como alguns homens, por serem homens, acham que têm direito sobre o corpo de qualquer mulher. Por que creem poderes sobre nós? Desde as cavernas é assim. Por que ainda é assim?
Eu acredito que esta menina sofreu abuso sexual desde os seis anos de idade porque o tal sujeito, o padrasto, se achava no direito de possuí-la- a mãe não estando, estava ela, mais jovem, carne mais fresca.
Sempre me pergunto por que as mães não percebem as mudanças no comportamento dos filhos. Acredito que seja uma espécie de negação, um véu que nubla a realidade para não precisarem agir- é difícil aceitar o fato, é difícil lidar com o fato. Ou, quem sabe, estão tão envolvidas com o sustento da casa, que mal veem as crianças.
É um drama familiar tocante e assustador. Assusta saber que o percentual é enorme de casos de abuso sexual na própria casa. Quantos sofrem violência praticada pelos próprios pais?

Enfim, o que se pode fazer com isto? Conscientizar mães, pais, esclarecer. Apoiar as vítimas.
Esta menina- mulher, além do abuso sexual, engravidou de gêmeos e sofreu aborto indicado por médicos e aprovado judicialmente. Qualquer mulher sabe o que é um aborto e quanto isto é doloroso. Você não precisa praticá-lo para saber, basta imaginar. É de doer. Imaginem numa menina de nove anos.

Nós, mulheres, somos, em geral, naturalmente passivas, tomar posições adversas, defender pontos de vista contra a maré, é muito difícil.
Reagir ao agressor é ato de valentia pouco visto. Mas precisamos encontrar em nós a guerreira- somos surpreendentemente fortes quando o momento exige. Somos, muitas, sobreviventes, a cada dia matando um boi.
Que a força não esmoreça. Que possamos mudar o mundo para melhor. Afinal somos nós que parimos, que embalamos nossos rebentos. Vamos fazer deles homens melhores, menos machistas, mais sensíveis.

Sábado, Março 07, 2009

Dia Internacional da Mulher


Convite a todos.

Esta semana se comemora o Dia Internacional da Mulher, dia 8 de Março.

Que tal se todos nós fizéssemos uma referênca em apoio à menina- mãe, que acaba de abortar e sofrer ataque da Igreja?

OK. a excomungada foi a mãe, os médicos que a socorreram, ela é 'de menor' como disse o arcebispo.


Acho que ela precisa saber que nós a apoiamos, se a Igreja excomunga, nós protegemos.

Abraços,

Laura

Leia aqui:

http://lauravive.blogspot.com/2009/03/revoltante.html

ou na minha página aqui no Portal:

http://blogln.ning.com/profile/LauraDiz