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sexta-feira, novembro 15, 2013

Os ruídos e o dedo roxo







http://i.olhares.com/data/big/285/2855999.jpg




Semidesperta, ouvi o filho chegar. É feriado. Estava sem chave e tentava abrir alguma janela. Desci com pressa. Chegou com a namorada. Voltei para a cama, me alonguei.

A cabeça pesava quando cheguei à cozinha, havia dormido demais. Há dias não tenho desejo de nada e, à tarde, durmo.

No café da manhã animado,  enquanto tomava iogurte com maracujá, engasguei com as sementes. Ufa! Que sufoco.

Cada um foi para seu lado, sentei aqui, o vidro vibrava com o  vento e incomodava. Levantei para fechar a janela, puxei com força, mas esqueci da mão. A dor foi grande, massageei, coloquei gelo. Ganhei roxo no dedo, ficou feio. Mais tarde, ao manipular cera de depilação, derramei cera quente na mão. Ui! Dor de novo.

Antes das duas da tarde, eu havia me machucado três vezes. Sentei, li jornais, e-mails e vi TV- programas de culinária, canal francês- qualquer coisa- para ouvir- adoro. “Delicatessen” estava sendo reprisado, vi o início que perdera outro dia, não quis rever todo- é triste, ando melancólica.

Anoiteceu, molhei as plantas com receio da cobra de outro dia. A noite tem lua, nuvens de algodão, estrelas e água tépida da mangueira nos pés.


Espero a hora de deitar. Antes abrirei a cortina para que a lua deite comigo.

quinta-feira, outubro 10, 2013

A vida de cabeça para baixo









Há dias minha rotina está de cabeça para baixo. Estamos pintando e restaurando algumas coisas na casa. Passo muitas horas do dia “pastorando”, ( como dizem aqui), os meninos pintores. Além deles, há o eletricista, que está colocando lâmpadas no muro- esqueci de colocar quando fizemos a casa- falta de experiência e, na ocasião, eu estava de luto.
Não quero falar nisto.

Bem, os filhos têm passado os dias fora trabalhando e estudando. Fico feliz por estarem bem, seguindo suas trilhas.

O pintor chefe levou a gatinha Florzinha para a sua casa. Se encantou por ela e eu dei. Era um sufoco passar o dia separando gatos de cão e tal. Ela está bem lá. Dá um pouco de saudade, mas ele disse que ela fica dentro de casa e a outra gata do lado de fora. Comprou uma caixa higiênica para ela- aqui ela urinava para fora, uma trabalheira lavar area de serviço todos os dias. 

Os jovens pintores, (20 e 22 anos), me elogiam o dia todo, dizem que nunca foram tão bem tratados. Têm aspecto de mal cuidados, um deles é estrábico e magrinho; o outro fortinho, olhos cor de mel, esverdeados, com pterígio enorme. Acreditei, quando vi pela primeira vez, que fosse cego daquele olho.

Anteontem, dia 9, não haviam recebido ainda. Depois soube que é falta de organização do chefe- que é uma simpatia, mas disperso demais. Chega diz algumas coisas, some, volta horas depois diz mais umas coisinhas e desaparece. Preciso orientar os rapazes- hoje ajudei-os a tirar a porta da frente, que é de correr, não sabiam como fazer.

Aliás, eu ando ótima para fazer coisas em casa. Acredite, semana passada, minha geladeira nova, uma Brastemp, frost free, foi consertada por mim. Congelou o ventilador, meu filho foi quem descobriu o problema e vimos um youtube que ensinava como descongelar. Tirei placas do fundo do freezer, descongelei e voltou a funcionar bem.
A Brastemp não é mais uma BRASTEMP- esta tem um ano e uns meses. Tive uma que vive até hoje- dei para a ex empregada- é do tempo do Collor e nunca parou de funcionar.

E assim a vida continua. Cabeça na casa, nos filhos e nos agregados. É bom, apesar de dar sensação de falta, de invasão da vida privada. Fazer o quê? Há momentos em que é preciso.
Bye, bye.
Estou com u olho aqui e outro nos surfistas ali no canal51- meu filho, Dan, ama. Acabei curtindo também. Tanto mar, tanto mar...


domingo, julho 28, 2013

A visita matinal





Encontrei novo morador na amoreira.
Fiz várias fotos do novo amigo. É amistoso, não se moveu quando toquei sua calda. Aos poucos, movia-se desconfiado, talvez para me conquistar com sua bela cor e aparência incomum.

quarta-feira, maio 08, 2013

Rir é o melhor remédio:

Rir é o melhor remédio:






I

Outro dia sai do consultório às 22 hs. Como fiz a cirurgia nos olhos, ainda estou muito sensível à luz, uso óculos escuros quase o tempo todo.
Dez da noite, só há os seguranças no prédio. As luzes das lojas estão apagadas, todos se foram. Subo uma escadinha em direção ao pátio- que tem iluminação- onde está o carro e digo para o rapaz:
- Que escuro que está hoje! (Imediatamente percebo que estou de óculos escuros- mas não digo nada- o segurança se dirigia ao portão para abri-lo. Deve ter rido sozinho, como eu.).

II

Ligo para a lojinha que entrega água mineral em casa, digo:
- Bom dia! Pode me mandar duas águas H. Stern? (Percebo o erro e corrijo):
- Dois garrafões da Ster Bom*, por favor.
E fico rindo sozinha. O moço do outro lado nem sonha o que é H. Stern.

Rs ai ai Só rindo da minha maluquice.

* Empresa que fornece água e sorvete aqui em Natal.

terça-feira, abril 02, 2013

Dias de iguana








*


Os dias têm sido diferentes, num ritmo mais lento. Preciso cuidar dos olhos, não posso fazer exercícios físicos, nem baixar a cabeça- recomendações pela cirurgia das cataratas. Não pensei que estivesse com estas teias a me tomarem. Quando o médico disse, fiquei um pouco surpresa- levei quase um ano para voltar lá- ele havia dito que estava no início. Há anos tenho sentido dificuldade para ler, cada vez lia menos, difícil enxergar letrinhas de embalagens, bulas, então, impossível- lia na internet- santa net.

Pode ser que tenha piorado pelo excesso da telinha, há muito meus amigos estão longe e me comunico por aqui, mais do que aqui na terra. Poderia rir, mas isto me entristece. O interessante é que fiz amigos- poucos aqui- e eles se vão. É de doer. Se eu não tivesse os dois filhos amados aqui perto, viveria numa solidão de dar dó.

Por que vim para cá? Muitos perguntam. Porque os irmãos estavam todos aqui, inclusive meu pai, que faleceu dois anos depois que cheguei. Vim em 2002- dezembro. O que me salva além dos filhos? O meu trabalho, que eu amo. Sou muito feliz com a psicanálise. É um dom maravilhoso, ver as pessoas crescerem, serem mais felizes porque você está ali, atenta, ouvindo-as, ‘lendo’ cada uma além do que é dito. Tentando chegar mais próximo do seu desejo. É ali naquele ‘silêncio’, penumbra, que me sinto mais inteira.

Mudando da água pro vinho. Outro dia meu filho, Dan, saia para surfar e eu disse: Gosto tanto de praia... O outro completou: A mãe tem amor platônico pela praia. Eu: Acho que todos os meus amores são platônicos. E rimos. Atualmente são. É pra rir ou chorar rs. Fui à praia durante muitos anos. Quando morava em Cabo Frio. Mocinha, só íamos nas férias porque era muito deserta e perigosa. Esperávamos os amigos chegarem de fora para irmos: Carlinhos, César, os paulistas... eram muitos. No Rio fui muito também com Marilda. Se tivesse sol e pudéssemos ir, íamos- ela chagava cedo, eu só depois da duas horas- acordava tarde e nunca suportei sol forte. Ela torrava, ficava negra. Marildinha...se foi cedo- droga de vida- ou de morte, que levou tantos amigos antes de mim- dirão: Ainda bem, pero... dói. Também em Cabo Frio tinha poucos amigos. Penso que eu tive uma educação que acabou me fazendo diferente: lia muito, era muito quieta, triste, nunca gostei de beber, de perder o controle.

Pois é, dias lentos e sem sol. Numa das amoreiras mora um iguana- quero que fique meu amigo. Ontem tentei lhe dar uma amora, mas fugiu. Procuro e a encontro com dificuldade, está camuflado- é verde como as folhas, que ele come. Eu como as frutinhas, ele as folhas. A amoreira que o síndico detesta. Está enorme, puxamos para dentro do jardim os galhos, amarramos- são bem flexíveis- já nos deixa menos devassados- a sala não é vista de fora como antes pelos vizinhos. OK. Quem iria ficar a olhar? Ninguém. Mas prefiro assim. A cortina é leve demais, passa luz e imagem à noite.

Até breve, amigos, espero retomar o blog- também amo blogar e vocês me fazem bem. Hoje tenho menos leitores, mas não importa, é bom escrever aqui. Bye e boa semana para vocês.




*
"O doodle - grafismo em homenagem a personalidades ou datas comemorativas - do Google desta terça-feira, 2 de abril, presta homenagem ao 366º aniversário de Maria Sibylla Merian, naturalista e ilustradora científica que se dedicou a estudar plantas e insetos, fazendo pinturas detalhadas sobre eles.
Maria Sibylla Merian nasceu em Frankfurt em 1647. Em 1675, aos 28 anos, publicou seu primeiro livro, intitulado "Novo livro de flores", em que ela reproduz de forma detalhada apenas flores. Dois anos depois, Merian publica os dois últimos volumes da obra."

Muito legal!

domingo, fevereiro 24, 2013

Um anoitecer estranho






Estranheza. Acampamento militar na mata- que não é densa, mas é o que temos aqui.
Estranho ter soldados em treinamento tão perto. Ouço tiros- de verdade? Penso que não. Ontem à noite vi barracas iluminadas, ouvi som de marcha e vozes masculinas.
Tomava sol no quintal há pouco e ouvi tiros em meio ao vento devastador. Senti medo, não dos tiros, mas de telhas. O vento sul, quando vem levanta saias e leva telhas.
Hoje não vi as vaquinhas...

sexta-feira, fevereiro 08, 2013

O que fazer com os pés de romã?

By Danton Reis



Faz calor. Venta, sim, mas o calor é intenso. Acordo cansada, me alongo e demoro a levantar. Por que tanto cansaço?
A ajudante doméstica se foi inesperadamente disse que iria em breve- dispensei na hora- foi injusta, teve ganhos extras inumeráveis. Foi fria e lacônica. Foi. Ela dizia na hora de sair: Fui.
O trabalho ficou comigo, nada de faxinas- porque já tenho uma querida faxineira que conheço há muitos anos- mas há sempre algo para fazer, a casa é grande, temos dos gatos e um cão e o jardim. Ah! Dan ama plantas, pero... os filhos são jovens e não disciplinados, apesar de todo meu esforço- temperamento é difícil mudar.
O jardim tem me tomado muito tempo, com todo este calor é preciso molhar mais, cuidar mais. Hoje passei o dia, fora a hora de sol a pino, por lá. Arranco grama, planto, replanto. Hoje foi dia de achar lugar para goiabeira, pé de romã, pé de lichia. Arranquei pés novos de tomates- dá trabalho e já tenho um tomateiro que está dando uns tomatezinhos.
O terreno não é grande, o condomínio não deixa plantar árvores altas na frente- o síndico tem me chateado para podar uma amoreira que tem 4 anos e está firme e forte e dando frutos o tempo todo. Eu dou uma podada, mas não como ele quer- reclama, fala com o funcionário do condomínio para vir podar, ele me conta. Tivemos a ideia de puxar os galhos que ficam sobre a calçada, para dentro do jardim, com algo forte- fios de metal, sei lá.
O Carnaval vai passar em branco. Promete muita jardinagem e um bom solzinho para bronzear, além de apreciar com prazer e orgulho os primeiros desenhos aguados de meu filho Dan.
Ando muito fechada, sem vontade de sair- apenas para Pilates e trabalhar. nada lá fora me estimula.
Não há lugar algum que me dê vontade de ir. Pode? Calor excessivo também. Sem vontade de me abrir mais, até escrever... sei lá, passou o desejo de me expor mais. OK estou me expondo, mas... não sei se entenderam. Bye, fui :)




Já tomaram açaí com romã ou maracujá(sementes)? Uma delícia inenarrável, como diz a Scarlet Moon.


sábado, novembro 10, 2012

A morte em sonho









As palavras ferem, nem todas, mas as secas, frias. Os olhos marejam e seguro o pranto.
No sonho, a tristeza me toma- o amor iria morrer e queremos nos encontrar. Há pouco tempo. Sempre houve pouco tempo. Desperto angustiada, os dias, mesmo com sol, são sombrios.
Ele, o amor, já me deixou há anos. Não gosto de fazer contas, dói mais.
Não ouço a bela voz do outro lado. Posso ouvi-la de olhos serrados, em silêncio- amo o silêncio-, lembro das palavras na secretária eletrônica- as mesmas que eu usava.
No encontro, tanta entrega...
Hoje não há ninguém que deseje. Minto, há, mas há um mar entre nós.




sexta-feira, outubro 26, 2012

Vida amena



Flor Moreia


A vida mais calma, nada premente, nada dói.

O vento não aplacou. Hoje ultrapassa seu limite quase diário- silencia depois do pôr-do-sol.
Passamos horas procurando peças para o carro no bairro Alecrim. O nome é suave e cheiroso, o lugar quente e sujo, mas cheio de vida, gente simpática, esperta- como diz minha mãe. O comércio ferve como o asfalto. Eu e Dan saímos com dor de cabeça e exaustos. Almoçamos comida japonesa para compensar num bom restaurante.

Deixamos as peças na oficina. Ao lado o homem que vende plantas, simpático e sedutor. Retira o boné e recoloca-o,  vejo um cabelo muito loiro- ele é um senhor. Pergunto ao Dan se viu o cabelo, “vi”. O homem diz que está cansado também, queria tirar férias e ficar curtindo as meninas de cinco anos. Pergunto: Filhas ou netas? Filhas, responde. Também tem um bebê. Casou há sete anos. É uma pessoa jovial, percebe-se- o cabelo comprova.

Saímos de lá com boldo, arruda (sempre morre), tomate, pimenta e flores- não sei os nomes- uma delas é Moreia- o nome da cobra. 

Tomei um banho e tentei cochilar, enquanto ouvia Dan no jardim cavando com enxada.  Gosto de vê-lo interessado no jardim, que está bonito, eu Auxiliadora temos cuidado- felizmente, ela gosta de plantas, coisa rara.

O pai dos meninos chega semana que vem, por isso compramos coisas para culinária- é excelente cozinheiro.
Já temos bastante manjericão- quando molho sobe um perfume delicioso.

Não fui ao Pilates, iria compensar faltas- vou amanhã de manhã. A dor de cabeça só agora passou. 

Amanhã também atendo no consultório- prefiro sábado pela manhã do que sexta à noite- o trânsito é desagradável.

Domingo é aniversário de Sathia, sobrinha- faz quatro anos, comprei um cofrinho- uma porquinha rosa linda- e uns bonequinhos pequenos, quero dar um bicicleta de duas rodas- ela ainda não tem.

A minha mãe queria que a festa fosse hoje, ficou contrariada: “Mas por que não é hoje?!”. O tempo e a memória comprometidos e ela diz: “Ainda não estou senil!”- (braba).
Sabe cozinhar algumas coisas, lava algumas louças, mas não consegue encontrar suas roupas, guardadas numa gaveta- esquece que estão lá. Ah! Vida...
Ontem fomos à médica:
-  “Não tenho nada!”.
- “É braba demais, eu digo.”
- “Tenho sangue espanhol”. Diz, com orgulho.

A médica diz que também é neta de espanhóis e é mansa.
- “Me aborreço com o ambiente”, diz mi madre.
Médica endocrinologista, temos hipotireoidismo, o que altera humor, se não for tratado. Eu demorei para saber que tinha, melhorei da tensão que sentia pela manhã- sentia como se um elástico fosse repuxado na cabeça- melhorei muito.

O vento parou. Há grilos cantando, a lua ilumina. Ontem ficamos sem energia e as janelas abertas trouxeram a luz da lua, não foi preciso acender velas.
É bom estar em paz.

O filho acaba de chegar, vou sair daqui.  Se organizam para festa de Halloween.
Boa noite.

quarta-feira, outubro 10, 2012

De lá pra cá






Difícil concentrar-se aqui em casa com empregada pra lá e pra cá e mi madre también. Não param.
Como a ajudante diz: "Ela come de instante a instante." Gosta de comer escondido doce e beber vinho ou cerveja- sempre tem agora- antes nunca havia nada para se beber. Também tomo vinho no almoço.
A funcionária veio por causa da mãe...
Tá bom, eu deveria ficar num canto quieta lá em cima, mas não fico. Penso que se deixar a mãe sozinha será pior- ela é uma pessoa com temperamento forte e ... Ufa! É complicado.
Quem conhece, sabe.
O ano passou e eu não sinto que fiz nada importante. Felizmente o consultório me deu alegrias- os clientes estão em pleno desenvolvimento. Mas me sinto meio acuada, presa, estagnada? Y Ching explica?
Queria ter viajado e não foi possível, não só pela mãe- otras cositas más... ano que vem viajo. Talvez vá ao Rio e Sampa este ano- preciso me reabastecer de afeto- aqui só recebo dos filhos- Amém! E dos bichos rs. O cão é ligadíssimo em mim, cansa- sou eu quem cuida dele. Sobrou pra mim, eu sabia, sempre soube. Mas eu gosto, já pensei que pode ser uma desculpa para estar sempre ocupada com tarefas que me tiram de objetivos mais importantes. Tem coisa melhor do que cuidar do jardim? Arrancar grama, pragas? Lavar carro, dar banho em cãozinho que fica lindo depois?
A vinda para Natal me fez uma pessoa diferente em muitos aspectos. Nunca havia cuidado de plantas, não tinha paciência. Aqui era impossível ignorar o jardim. Você começa com uma plantinha e acaba com mania de plantar tudo. E é preciso molhar, cuidar, claro.  Antes eu acordava tarde e dormia idem. Hoje durmo cedo e acordo lá por oito horas. Se passar fico com dor de cabeça. O quarto é claro, eu gosto, me incomoda imaginar o quarto com black out, por exemplo. Gosto de acordar de madrugada e ver a lua, ou ver o nascer do dia, o céu colorindo.
Como trabalho menos no consultório- tenho poucos clientes ainda, (espero), me sinto menos cansada, mais disposta. Gosto de cuidar da casa também, varrer, lavar varanda, estas coisas.
Agora chove aqui, agradeço aos céus, assim não preciso molhar a grama amanhã de manhã :)
Sinto falta do blog, há algum tempo perdi o elo que tinha aqui. Preciso voltar, me faz escrever mais, narrar em pensamento. Quando ‘estava’ blogueira ativa, passava o dia com a cabeça aqui- algumas vezes incomodava- era como se não bastasse viver, era preciso contar para alguém. Parece que a vida é assim, o Contardo diz isso sempre ( coisa de lacaniano- tudo é dirigido ao Outro- concordo).
E a piada do cara que está numa ilha deserta sozinho com a Sharon Stone, acabam fazendo sexo e ele, em seguida, pede para ela se vestir de homem e dar uma volta na ilha. Quando está chegando o “homem”, ele diz eufórico:
- Cara, você não acredita com quem eu acabei de transar?
Com a Sharon Stone!!!!
O ser humano... tsc tsc tsc rs


Uma foto do Rio- imperdível. De Rogério Travassos, via FB



domingo, outubro 07, 2012

No dia de votar...





Descobri, há algum tempo, que se dormir demais fico com dor de cabeça- ou durmo mais porque não estou me sentindo bem? O dia todo com dor, mas saímos- eu, a mãe e filhos. Almoçamos, fiz compras no supermercado, em casa deitei e nada de passar a dor. A pressão estava 14/ 9, como sempre tive pressão baixa...
Eu não votei, perdi a data da transferência do título, vou ver se transfiro logo. Meus filhos votaram num professor, sem chance de vencer, mas que acreditam seria um bom candidato, dei força- esta coisa de voto útil, já fiz, mas acho que os jovens precisam acreditar em seus candidatos, senão o mundo está perdido.
Minha mãe, 86 anos, queria votar, repetiu, estes dias, algumas vezes, eu deixei sem esclarecer que o título não é daqui... ela está com a memória péssima para fatos recentes, pergunta tudo o tempo todo- tenho a maior paciência. A novela então... não entende bulhufas e pergunta o tempo todo quem é quem.
É a vida.
Hoje fomos tomar um café e ela quis uma mudinha de um vaso da porta. Pegamos. “Plante assim que chegar e molhe, minha filha.” Plantei. Peguei a mania dela e de minha avó, também roubo mudas, hoje peguei na casa da vizinha umas florezinhas rosas. É ‘dama da noite’, acho. O jardim está cheio de plantas, as árvores- tipo limão, laranja, goiaba, amora... terei que tirar porque não há espaço para se desenvolverem, apenas algumas. É preciso escolher entre bananeira e limoeiro, por ex. A laranjeira(laranja bahia) está com pulgão, vi hoje- é uma praga este bicho, vou tratar.
Nada melhor do que cuidar do jardim para aplacar ansiedade e dar bem estar.
Experimentem um vasinho, uma jardineira. É muito bom.

quarta-feira, outubro 03, 2012

Sábado passado- um bom dia




By Catrin Velz Stein, via Analu Prestes no FB





Um bom dia- Sábado 29/09

Ontem adormeci com a lua na cama. Acordei, me cuidei, cumpri os deveres diários: dar comida aos bichos, ler e-mails e fui ao Pilates. Voltei peguei filhos e mãe e fui trabalhar- atendi apenas uma cliente. Os filhos e mãe seguiram para o restaurante aonde vamos aos sábados- um chinês- japonês (Ok, é estranho, mas este é excelente). Minha mãe ficou mal humorada porque acreditava que eu iria direto para o Shopping. Ela está 86 anos e é egocêntrica até a alma- se as coisas não giram em torno dela... irritada-se. Comida boa, café da Kopenhagen com biscoitinho de chocolate joia. Paguei umas continhas- gosto de pagar nos fins de semana, sem filas.

Em casa todos sumiram, cada um para um canto e eu liguei a TV, passava “Água para elefante”. Já havia ouvido falar do livro e filme, gostei, mas não tem nada de extraordinário- lembrei dos filmes que via com meu pai quando era criança rs Vi muitos filmes com ele num salão paroquial- era baratinho, íamos todos os domingos- eu acho, não tenho mais certeza de nada, a memória me engana rs

O pôr do sol foi bonito, mas só vi o céu daqui da sala, já desbotava quando lembrei. Fui comprar pão, bolo e coca para mi madre- que gosta destas coisas- eu só como pão integral no lanche, meus filhos evitam refrigerante. Fui molhar o jardim observando a linda lua sobre o muro com cerca elétrica- por um segundo pensei num campo de concentração. Por que? Associação de ideias. Ai pensei que hoje foi um dia bom, fiz coisas que gosto. O friozinho, pela água que vento trazia, era prazeroso. Pensei em fotografar a lua, mas achei desnecessário.

Ao entrar, minha mãe disse que a coca- cola havia estourado feito champanhe. Ela havia limpado a cozinha. Quando olhei, vi as paredes cheias de coca, fogão encharcado. Tudo estava coberto por líquido escuro. Passei pano úmido no chão e ladrilho- a cozinha levou um banho e foi limpa. Rs Minha mãe, aqui na poltrona, já comeu bolo com coca, dando migalhas para o Dersu. Fica zangada quando digo para não dar. Come, de instante em instante, como diz a funcionária daqui.

Bom, cansei. Vocês devem estar cansados também. É hoje foi um dia cheio. As costas cansaram no jardim, na cozinha, preciso deitar no chão e fazer uns movimentos para a lombar. E tem gente que pensa que eu passo o dia aqui no lap- top hihihi. Ah! Hoje atendi só uma cliente- é sábado-, mas há dias em que atendo bem mais e adoro.

Bye bye

segunda-feira, agosto 13, 2012

“Quem disse que viver é fácil?”







“Quem disse que viver é fácil?”, me disse uma vez Coimbra, o meu analista preferido- tive vários analistas. Viver é difícil, não há trégua, é preciso estar atenta a tudo, qualquer deslize vêm as consequências, algumas desastrosas.

Nunca planejei minha vida- talvez o inconsciente me levasse por caminhos traçados anteriormente, mas não de forma racional. Seguia por impulso, por intuição, sei lá. Mas, quantas vezes intui que não era o melhor caminho e segui? Rs Ai ai

Vim parar no nordeste sem pensar muito- estava cansada de estar só com os filhos em Cabo Frio- busquei a proximidade com os irmãos.

Olhar para trás, dói- o Rio é o meu lugar- lá estão os amigos, minhas referências. Mas aqui construí a casa que não poderia ter lá- gosto deter uma casa, do jardim, dos bichos- de arrancar a grama, que resiste à minha força. 

Aqui comecei a escrever mais, com disciplina. Há quase um ano não faço mais isto- tantas solicitações externas e inquietações, mas vou retomar.

Daqui da minha janela vejo as Fazendas vizinhas e penso no meu pai que amava mato. Dizia: “Venha morar aqui, é tão bom, tão fresquinho.”. “Eu respondia: Deus me livre, odeio o vento, parece “O morro dos ventos uivantes”... Ele morava num lugar semelhante a este em Cabo Frio, de lá via uma lagoa- eu daqui vejo um feixe de rio e campo, coqueiros, mangueiral, gado, vaqueiros, crianças alegres  e saltitantes perto do rio aos domingos. E venta... o vento me enlouquece- tenho dores de cabeça fortes, insuportáveis quando está Úuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu...

Hoje está menos forte, ontem estava enlouquecedor- fico um trapo: irritada, mal humorada, doente.
E assim sigo a vida-  agora, por exemplo, os filhos vieram conversar comigo, vou deixar de escrever. Bye.




quinta-feira, junho 07, 2012

Sonhos, Corpus Christi...


Foto do site da prefeitura de Cabo Frio



Trégua. O vento silenciou. A chuva trouxe frescor. Não há luz ofuscante. Despertei com aves grunhindo em grupo. Olho. Voam em bando- são seis. Fazem círculos abertos no espaço. O olhar mais distante percebe a mudança da paisagem. A árvore, que finalizava com beleza o enquadre, foi derrubada para a construção de uma caixa d’água. O cimento se sobressai mesmo à distância.

Lembro dos sonhos. Duas cobras gigantes apareciam num buraco da parede, descubro que por ali percorria a água da caixa d’água. Tenho nojo. Elas se entrelaçam no espaço aberto na parede e depois somem. A abertura da parede me remete à Cabo Frio, casa onde vivi com minha família. As descargas ficavam na parede acima do vaso e tinham uma placa de plástico, quando travavam, eu desmontava e, quando não conseguia consertar, ficavam algum tempo assim- abertas- até um entendido vir.

Depois sonhei que estava de mudança para o Rio, ainda morava em Cabo Frio, pensava nos clientes e que poderia atendê-los uma vez por semana. No sonho me dava alegria saber que estaria de novo nas ruas do Rio- cidade onde gosto de caminhar- flanar. Minha mãe estava saindo da casa também- acho que eram duas casas- havia uma cortina enorme e ela encrencava sobre a cortina, não queria dar ou levar a cortina. Uma barata aparece na cabeceira de uma cama- tenho nojo. A casa era velha. Acordei.

Cabo Frio está presente hoje porque lembrei, estes dias, da festa de Corpus Christi. Eu costumava levar os meninos para verem. É bonito. Tantos desenhos coloridos feitos de sal ou areia colorida. Como não há tantas flores por lá... Depois vem a procissão. Comovente. Mesmo a mulher agnóstica, aqui, se comove diante da fé e paixão das pessoas. A fé comove. ‘Deus tende piedade de nós.’

Ontem sonhei com Chico Buarque. Se eu contasse todas as vezes que sonho com ele... Acho incrível!
Era meu amigo, eu o cumprimentava entre outras pessoas. Se um lacaniano me ouvisse saberia o porquê do Chico- eu também sei. Mais fácil sonhar com o Buarque. Às vezes penso no número de pessoas que sonham com ela- dormindo mesmo- e que, por mais que isso o envaideça, deve ser incomodo. Não gostaria de ser famosa, conhecida a este ponto. Putz! Conheço outras pessoas que sonham com ele. Nos meus sonhos ele sempre é gentil, amoroso, mas nunca tive um erótico. Digo aqui em casa, "eu amo o Chico"- os meninos debocham um pouco deste meu encanto por um estranho- dizem que está velho, estas coisas, para me provocar, respondo que não importa, que envelhecemos juntos- e que ele não tem idade- o que importa é a densidade deste homem. Ai, ai :)
Neste dia, fiquei entristecida pela manhã, nostálgica. Sei porquê. Nada há a fazer contra lembranças fortes. Tomei um cálice de vinho tinto, comi uma bela salada, vi meu seriado preferido (Mad men). Passou o banzo.
Acho que estou aprendendo a viver. :)

Vinho= Corpus Christi :) Depois dizem que a psicanálise é blefe... este, que pensa assim: Vá catar coquinho em NY. rs
Bom feriado para vocês.

sexta-feira, julho 13, 2007

Um dia de mau humor

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Olha eu velhinha ai.
kakaka
Adorei.

Ontem vi por acaso um filme que eu gostei muito. Canadense, acho, na Tv. Estava com sono não anotei os nomes, perdi o início, foi no Euro Channel. Era a história de uma tia velha que vai morar com o sobrinho. A mulher dele faz tudo para agradar a velha, que é perversa, má, finge, arma maldades o tempo todo. Adora ler, odeia crianças e o cão. Abandona a criança numa praça e abandona o cão numa rua distante. Ela faz amizade com uma acompanhante, que a peitou. A atriz era excelente. Eu me identifiquei. Nunca faria o que ela fez, mas já tive fantasias do tipo. Lembram aquele episódio que a Elaine do 'Seinfeld" quer se livrar de um cãozinho? hihihi
Pois é...

Ontem passei a tarde num shopping grande, odeio shoppings grandes, tive que acompanhar meu filho um tempão, olhava as pessoas e achava todas feias, implicava. Está liquidando, todos ficam alucinados, odeio ver gente comer demais e no 'frisson' de comprar. A 'Arezzo' liquidava e estava cheia de mulheres loucas. Olhei e achei tudo detestável. O barulho me incomodava, estava louca para sair dali. Fomos comprar um agasalho para ele. Depois de umas 3 horas, ele quis voltar à praça de alimentação para comer algo, eu olhei a distância, enorme, e disse: "Não vou, vá você, por que não comeu quando estávamos lá? Espero você aqui". Ele, então, resolveu comer chocolates. Ainda teríamos que ir para outro shopping menor- ele não achou agasalho que queria lá.
Como é difícil satisfazer um adolescente! Mas eu não me irrito com ele, não, viu? tenho muito carinho por adolescentes, sei o quanto é difícil esta fase. Acabamos comprando um do jeito que gosta aqui pertinho, não precisávamos ter ido lá naquele templo de consumo horroroso(não é feio, viu? só que é enorme, tudo gigante, odeio). Quando chegamos em casa, me deu um beijo, adora ganhar algo novo.

Hoje fui ao colégio dele conversar com a psicóloga- não gosta de estudar. É inteligentíssimo, poderá ser o que quiser, se quiser fazer um certo esforço. Além de inteligente, é safo, questionador, e tem carisma.
Odeio quando psicólogos de colégio, professores e médicos me chamam de mãe: "Mãe, o seu filho"... é moda que nem o tia? que implicância...
Fiquei no pátio esperando uma hora para trazê-lo. Escrevi um continho lá.
Que irritante a zoeira das crianças! Acho que mais de 3 crianças juntas eu não agüento, dou o maior valor às professoras, acho que são heroínas. Eu nunca quis estar com mais de 3 crianças juntas. Uma a uma, sim, numa boa, mas juntas? Não agüento. sei que é mal humor, sei que é pela alegria delas, sei que é pelo descompromisso delas. Sou uma mulher mal humorada quando me colocam no meio de gente demais. Não é fobia, é mal humor. Vejo os feios, os desajeitados, os cabelos mal cortados. Não, vejo tudo. também vejo as meninas lindas, os cabelos corretos. No 'shopping' tem muitas vendedoras lindas, com peles muito alvas, maquiadas, nunca tomam sol. Vejo tudo. Acho que é isto que incomoda, meu olhar fica saturado. Empanturrado(como diz o Raduan num texto sobre o Ariano Suassuna no Caderno de literatura do Moreira Salles), o olhar dele ficou empanturrado de cabras. Eu gosto tanto do Raduan...tem uma simplicidade que incomoda um pouco, acho que lembra meu pai nisto, mas eu o admiro muito. Meu pai foi general e engenheiro civil e era muito simples, ao mesmo tempo tinha um refinamento como Homem, era um liberal, nunca julgava ninguém, nunca me recriminou por nada, me deixou sempre livre.

Peguei um livro do Italo Calvino- "Palomar"- para ler, na Poty livros, o último dele, e é sobre detalhes de tudo. Deve ser mais profundo, eu não cheguei a ler. Não comprei. Comprei o de M Duras. Eu já vejo demais, não gosto de ler quem escreve com detalhes demais. Ok, ele escreve bem. Li um conto erótico ótimo- um homem e uma mulher num trem, cheio de detalhes, mas este eu gostei, porque o clima vai crescendo, não são apenas detalhes descritivos.
Agora já sabem como eu sou 'má' hohohoho Ah! bem que eu gostaria de fazer umas maldades, mas não com crianças, nem cães, gatinhos- eu amo meu gatinho, mas com homens. Ah! eu queria, pena que não consigo. Nunca consegui, eu me calo, ou faço os continhos, acho que vou fazer um conto bem mau. hohohoho