

Estes dias li
"MARILYN E JFK" de François Forestier
Editora: Objetiva.
Foi tipo leitura dinâmica, meio por alto.
O livro nos deixa curiosos. Há um clima de que algo vai ser revelado no final- e é. Para mim foi algo novo, mas não fiquei surpresa, afinal...
O livro conta o relacionamento do pai de
John, Joe Kennedy, com a Máfia, que todos conhecem, mas acrescenta que ele fez o filho presidente através de sua influência e dinheiro- Joe estava comprometido com a Máfia. Os filhos não sabiam. Bob tenta pegar os mafiosos, o velho tenta dissuadí-lo, sem conseguir.
Mostra os Kennedys bastante arrogantes e mimados. John é o menos arrogante, mas é o mais mimado, talvez. Um homem sedutor, imaturo,
doente- tem doença de Addison- que o faz tomar drogas, várias, é internado, quase morre, toma duas vezes a extrema unção. Voltando sempre com garra à caça de novas mulheres.
Num certo momento numa festa ele pergunta a um negro, que trabalhava com Sinatra:
- O que os negros desejam?
- Não tenho a mínima idéia, sr. Senador.
- Me chame de John, por favor.
- E você o que deseja...John?
- Comer todas as mulheres de Hollywood.
Eu fico com a pulga atrás da orelha.
Marilyn a loira ingênua e imatura, que joga sedução para todos os homens, uma mulher que sonha com poder- não a vejo assim atrás de homens poderosos, eu a vejo frágil, perdidona, com aquela sensualidade produzida e mantida a custa de muito antidepressivo - drogas, alcool. Os poderosos eram loucos por ela, que homem não era?
Em alguns dias ela aparecia com hematomas provocados por Joe DiMaggio, que Marlon Brando*, amigo da atriz, via.
Marilyn foi casada com um policial, com Joe DiMaggio- um dos maiores astros do futebol americano- e com Arthur Miller, conhecido dramaturgo, a quem traía muito.
Fez mais de uma dezena de abortos... uauuuuuuuuuuuuuu pobre mulher.
Miller teria escrito num diário sobre seu desapontamento com ela.
Yves Montand foi filmar com Marilyn e tiveram um caso, segundo o autor ela o levou para o quarto e o seduziu. Será? Sedutor com era, o charmoso Yves não teria ido com as 'próprias pernas'? Françoise diz que Yves assim que acabou o filme se mandou fugindo da loira maluca.
Histérica, sedutora, escandalosa, volúvel, drogada, Françoise diz que para a loira um casamento durava 2 minutos... a chama de prostituta.
Enfim... desconfio destes relados apaixonados e inescrupulosos- ele diz na orelha que é preciso não ter escrupulos, ou coisa do gênero- e que ele não tem.
A maioria dos citados ali já morreram.
Ele conta que Marilyn um dia se drogou muito e que Sam Giancana, um gângster de Chicago, inimigo número um dos Kennedy a teria possuído dopada e mandado fotografar para enviar as fotos ao Bob Kennedy, mas quando Sinatra, que era amigo do sujeito viu as fotos vomitou e as queimou.
Putz! tudo pode ser verdade, claro. Tudo é possível, mas pode ser uma estória para vender. É um livro fácil de ler, nos seduz com as fofocas dos atores, do
Actor's Studio de Lee Strasberg, Paula Strasberg, a amizade intensa com a atriz. Paula é pintada como uma mulher gorda, insuportável, e odiada por todos.
Ah! Marilyn diz que Yves Montand, depois do marido dela(AM) e Marlon Brando, era o homem mais sedutor que conheceu. Isto na frente da Simone Signoret. Concordo com ela, eles são os mais sedutores do cinema para mim também.
O livro começa com a morte detalhada de JFK, horrível, triste. Bom gancho.
Jackie é pintada com cores leves, fútil, solitária, abandonada pelo marido. Sempre pedindo socorro ao sogro,que a queria bem e a convence de não desistir de John, o marido frio e desumano- ela perdeu um filho que esperava, enquanto ele estava num passeio de barco pelo Mediterrâneo. Ele não queria abandonar o barco e as mulheres, voltou porque o pai exigiu pois pegaria mal politicamente. O velho Joe sabia que o filho seria presidente.
Eu o via de forma diferente, agora fiquei sem saber. Precisaria ler mais. Aquele belo sorriso, os filhos perto, a mulher que o amou até o fim- ela diz para o corpo que jaz no seu colo: "Eu te amo, John". Ele não ouviu...
Enfim, o retrato de um jovem irresponsável, uma atriz cheia de vontades, uma esposa abandonada e carente- que logo cairia nos braços do armador grego.
O retrato de uma sociedade rica e em conflito, infeliz.
Curioso, mas triste relato.
Não contei aqui a conclusão do autor sobre a morte de JFK, nem de Marilyn, quem quiser leia o livro,eu não gosto de contar os finais, acho que desmancha o prazer.
* Ela, como Marlon Brando, passaram dificuldades, não vieram de famílias ricas, deviam se identificar em relação a isto. Marlon Brando sofreu quando chegou a NY, e antes só tinha um sapato, o mesmo que usava para ordenhar os vacas, saia à noite cheirando a bosta- ele conta no livro auto biográfico-que eu adorei ler, já comentei lá no Caminhar . Imaginem aquele deus com cheiro de bosta nos pés... eu o amaria mesmo assim ah! se não...