Impossível não pensar mais sobre mulheres este mês, a GNT, especialmente, fez uma programação voltada para nós. Balela ou não, há muito o que pensar sobre nós.
A dor maior, exposta, da mãe da Terri Schiavo. Foi o mês da agonia da Terri, da exposição chocante do seu drama, o marido cansado depois de 15 anos...Não vou falar mais a respeito já andei dizendo o que penso em outros posts e aqui.
Vi uma entrevista, creio que na Globo News, uma jornalista do Iraque, eu acho- já disse para não confiarem em ninguém depois dos 50 anos- dizia que as mulheres iraquianas estão viciadas em Valium, o remedinho para acalmar e dormir.Tomam sem prescrição médica, nos tempos do Saddam era proibido, agora liberaram e é baratíssimo, basta chegar na farmácia e pedir por uns trocados. Sufocam a dor dos maridos e filhos perdidos, e do medo da morte iminente, com o comprimidinho branco. Como não se viciar? Como agüentar tanta dor?
Li um artigo sobre as mulheres e o tsunami.
Vocês sabiam que as mulheres e as crianças foram as maiores vitimas do tsunami? Era dia de folga, feriado, levaram os filhos à praia, ou esperavam os maridos que foram pescar, muitos deles longe da costa nem perceberam a tragédia anunciada. As sobreviventes estão tendo dificuldades para sobreviver por causa do preconceito, não são atendidas como deveriam por serem mulheres. Pode?
Fiquei impressionada com a mulher que se crucificou na “Paixão de Cristo” pela segunda vez consecutiva nas Filipinas. Que pecado terrível a perturba? Chocante!
Mulheres vítimas de estupro, mutiladas, violentadas de todas as formas.
Nos chocamos com as mulheres muçulmanas de burca e ficamos mais chocados ao saber que muitas se sentem protegidas pelas burcas, se o corpo aparecer são possíveis vitimas de violência sexual.
Aqui no Brasil foi aprovada a lei que dispensa de B.O. (boletim de ocorrência da policia) a mulher que foi violentada e deseja fazer aborto. Ah... nem vou entrar nesta questão, vou postar um texto do Calligaris, vocês lêem e tiram suas conclusões, eu não quero falar mais sobre isto hoje.
Nós, mulheres, sabemos esperar, esperamos o homem que foi pescar, esperamos que as leis mudem, esperamos...
Henriette, uma linda jovem de Ruanda, viu sua família ser massacrada na sua frente há dez anos. Eram muitos homens e ela foi estuprada por todos, várias vezes, esperou que se cansassem e dormissem para fugir. Está viva. Quantas vezes não esperamos o algoz cansar para fugir? Não me refiro a algozes subjetivos, domesticados, mas a algozes reais, capazes não só de subjugar, mas matar.
Bispo Desmond Tutu disse que espera um mundo governado pelas mulheres, eu também, sabemos esperar. Tal Penélope.
Com a palavra:
CONTARDO CALLIGARIS
Gravidade e complexidade do estupro
Na coluna da semana passada, comentei a nova norma do Ministério da Saúde, segundo a qual o BO (boletim de ocorrência) policial não será mais uma condição necessária para que seja permitido interromper a gravidez produzida por estupro. Muitos leitores me escreveram. Não conseguirei responder a cada e-mail, mas agradeço a todos e discuto hoje uma das questões levantadas.
Meus correspondentes (sobretudo os advogados e os juristas) notaram que o BO policial não é nada mais do que uma declaração. Ele não prova que um estupro aconteceu, apenas atesta que uma mulher se declarou vítima de estupro. Que houve estupro só seria confirmado juridicamente depois da instrução criminal, do processo etc. Desse ponto de vista, o BO não é substancialmente diferente da declaração que seria recolhida pelo médico.
Concordo com meus interlocutores. Mas eis que alguns acrescentam: como não é possível aguardar a decisão judicial, o médico poderia assumir a responsabilidade de verificar mesmo se houve ou não estupro. Como? Pelo exame do corpo da vítima. O pressuposto é o seguinte: se houve estupro, deve haver marcas que indicam uma penetração forçada.
Ora, acontece que a sexualidade humana é bastante mais complexa do que isso. Por um lado, o encontro sexual pode ser consensual e, ao mesmo tempo, violento a ponto de deixar marcas e rasgos no sexo de uma mulher.
Por outro lado, e é isso que nos interessa agora, é possível que um encontro não deixe nenhuma marca física de violência e que, mesmo assim, não seja consensual.
Para entender como isso seria possível, é útil recorrer à distinção, proposta há tempo pela escola francesa de psicanálise, entre gozo e prazer. Explico do que se trata por um exemplo.
Uma tradição antiga diz que os supliciados na forca, na hora do estrangulamento fatal, conheciam uma ereção repentina e uma ejaculação final. Desde a Idade Média, se não antes, acreditava-se que, ao pé das forcas, crescia a mandrágora, uma planta que devia seu poder afrodisíaco ao privilégio sinistro de ser freqüentemente regada pelo sêmen dos enforcados.
Pouco importa que essa história seja verídica ou não. De qualquer forma, recomendo que ninguém tente validar ou invalidar a lenda. Mas admitamos por um instante que ela corresponda à verdade: o enforcado gozava de seu suplício, mas, obviamente, seria absurdo dizer que ele achava prazer na experiência ou mesmo que não havia suplício algum, visto que o condenado "gostava".
No caso do estupro, pode funcionar algo parecido com o que acontece com o enforcado da lenda. Imagine que a ameaça dos estupradores desperte, num canto esquecido da mente da vítima, uma fantasia de estupro (que, aliás, é freqüente, sobretudo na adolescência). Seria suficiente para que se produzisse uma excitação fisiológica da vítima e que o ato sexual acontecesse propriamente sem fricções. Os estupradores, nesse caso, poderão se gabar: "Viu, essa p... está gostando". Não por isso, se forem assassinos, pouparão a vida da vítima. Desapontados por terem a impressão de que não estão forçando a mulher quanto gostariam, eles serão, provavelmente, mais cruéis.
De qualquer forma, a eventual excitação da vítima e a conseqüente falta de marcas de violência sexual não provam de nenhuma maneira que não tenha havido estupro -assim como a ejaculação do enforcado não demonstra que não tenha havido enforcamento.
Outro exemplo: acontece, às vezes, de um sujeito seqüestrado passar a se identificar com a causa de seus seqüestradores e dar provas de extrema complacência na sua relação com eles. O fenômeno é conhecido em psicologia sob o nome de "Síndrome de Estocolmo". Como se explica? Estar inteiramente no poder de alguém é uma experiência que evoca uma vivência antiga e fundamental para cada sujeito: a de ser um nenê desamparado nas mãos dos adultos que cuidam dele. Essa vivência persiste na nossa memória como uma fantasia que promete gozo (sem nenhum prazer) nas entregas e nas servidões mais radicais. Ora, a complacência dos seqüestrados, eventualmente produzida por essa fantasia, não altera em nada o fato de que houve seqüestro.
Em suma, um abuso pode produzir gozo. Isso não significa que ele encontrou o consenso da vítima, mas implica que é sem utilidade o exame do sexo de uma mulher estuprada à procura de escoriações que comprovem o estupro. Há mais. O exame repete o escárnio dos estupradores: "Vamos ver se é verdade que ela não gostou".
Proponho essas reflexões porque gostaria que, nos próprios debates jurídicos, não ficasse esquecida a complexidade humana. Também, nas palavras de quem se opõe ao aborto mesmo em caso de estupro, parece-me, às vezes, que fica esquecida a gravidade e a violência do ato. Pede-se a uma mulher que aceite e celebre a vida de um rebento que será a lembrança encarnada do desprezo de quem a estuprou, de seu ódio pelo estuprador e, às vezes (pior ainda), do ódio e do desprezo que ela não consegue deixar de sentir por si mesma por ter sido estuprada. Não deve ser impossível um amor materno capaz desse prodígio. Mas como ter a ousadia de exigi-lo?
terça-feira, março 29, 2005
Poeminhas antigos, amores nem tanto.
Hoje passamos a manhã sem energia, consertos na rede.
Catei dois poeminhas antigos para postar, apenas para não frustrar os visitantes habituais.
Te quero tanto
E é tanto querer
Te espero tanto
E é tanto querer
Que me perco
Inquieta em busca de pouso.
*******
Como um feitiço
Tua imagem me persegue
Me confunde
Me conflitua.
Tenho dúvidas
Quanto à minha realidade.
1981
Boa tarde!
Até amanhã.
Catei dois poeminhas antigos para postar, apenas para não frustrar os visitantes habituais.
Te quero tanto
E é tanto querer
Te espero tanto
E é tanto querer
Que me perco
Inquieta em busca de pouso.
*******
Como um feitiço
Tua imagem me persegue
Me confunde
Me conflitua.
Tenho dúvidas
Quanto à minha realidade.
1981
Boa tarde!
Até amanhã.
segunda-feira, março 28, 2005
O mundo virtual e o estar vivo.

Sempre viva. Foto Fernando Tasca.

Chovia a cântaros quando fui dormir ontem, parecia Macondo, pensei que teríamos cem dias de chuva, mas não, amanheceu um sol caliente. Abri o apartamento todo, deitei no sol, no chão da sala, e fiquei a pensar no blog.
Há menos de um mês criei este espaço e já mudou minha rotina, antes dormia até mais tarde, detestava acordar cedo, agora gosto de acordar cedo e dormir antes da meia noite. Meninos, como mudei... O mundo virtual me chama.
A ansiedade diminuiu, nas duas primeiras semanas eu “tinha” que postar, agora quero postar sem compromisso, se um dia não tiver vontade ou tempo, que diferença fará? Relacionei o meu encanto com o mundo virtual, num dos posts iniciais, com o encanto amoroso, talvez eu já esteja um pouco mais segura aqui, saiba que alguns leitores conquistados não me abandonarão. Na paixão, você “tem” que se fazer presente para garantir o amor do outro, é preciso estar junto todos os dias, reafirmar o amor todas as horas.
Tenho descobertos novos blogs, me surpreendo com a qualidade de alguns, há muita gente jovem escrevendo, alguns com talento para a literatura, outros pessoas interessantes. Descobri -o que não é surpreendente - que são poucos os acima dos 40 anos, é pena, porque, mesmo virtual, há encontros interessantes aqui. Tenho tido contato com pessoas que nunca imaginei esbarrar um dia, houve afinidade intelectual, aí fico a pensar como a literatura nos faz, nos reinventa, não seria o que sou sem as leituras que fiz.
Citei Garcia Marques hoje, um dos meus autores preferidos- quem leu “Cem anos de solidão” nunca esquecerá Macondo e os Buendia, passam a fazer parte do nosso imaginário. Eu li muito Garcia Marques, “O amor no tempo do cólera”, comprei em espanhol, li, depois comprei em português, tenho os dois, eu acreditei naquele amor e sonhei com um reencontro amoroso na maturidade, será que acontecerá? Já não sonho mais. “Homem maduro, coração duro”- Raduan Nassar em “Ventre livre”que postei aqui outro dia, viram como os livros nos fazem?
Voltando aos encontros virtuais, eu me pergunto: o que é virtual e não virtual nas nossas relações na internet?
Não saberia responder, e lembrando o que Guinhah comentou estes dias, pergunto: que importância tem este novo mundo virtual? Ainda não sei, apenas posso dizer que me sinto menos só, estou conseguindo escrever, me alinhavando, eu estava esgarçando. Estou viva. Por isto já valeu o blog e também pela alegria dos nossos encontros possíveis neste vasto mundo virtual.
Namastê.
domingo, março 27, 2005
Drummond surpreende
Fiquei surpresa com o sucesso do texto sobre o Drummond, eu até brinquei que se soubesse teria sido o primeiro post. Guinha, nos comentários de ontem, diz que eu o mostro como pessoa comum. Ele era um homem especial, todos sabemos, mas eu mostro um lado dele que poucos conhecem, um lado sacana, sapeca, talvez seja isto. Eu conhecia pouco sua poesia, como a maioria de nós. Conhecia o mito Drummond, impossível não conhecer, mas gostava mesmo era do Neruda. Drummond eu gostava, mas não era paixão. Quem já leu os dois sabe do que estou falando, Neruda é o eterno apaixonado. Mas o encontro com Drummond mudou minha vida mais tarde, radicalmente- outro dia conto.
Ganhei dois livros dele, comprei a “Poesia Completa” e reconheço o mérito dele como O Poeta Brasileiro.
Um dos livros que me deu tem a linda dedicatória:
“Quanta ternura cabe em um abraço?
Receba o meu e conte”
Receba o meu e conte”
Realmente o homem transpirava poesia. Mas era um homem como os outros homens da geração dele-nasceu em 1902, início do século, mineiro... Quem conhece os mineiros sabe do que estou dizendo, os mineiros se escondem, acostumados à proteção das montanhas continuam a se proteger na vida.
Drummond tinha uma namorada que visitava diariamente há 30 anos, a moça era de boa família, segundo as palavras dele, e deixou a casa dos pais para poder recebê-lo. Manteve o casamento para sempre.
Ao telefone um dia me disse que à noite ele cuidava da mulher e de manhã era ela quem cuidava dele, que dormia tarde, bebia um licorzinho, ouvia música clássica.
Há 18 anos ele morreu e tenho saudades da voz dele, frágil, dizendo poemas engraçados no telefone para mim, naqueles dias em que eu me encontrava muito triste.
Lembro apenas deste:
Tertuliano
Tertuliano, frívolo peralta,
Paspalhão desde fedelho,
Incapaz de ouvir um bom conselho;
Tipo que, morto, não faria falta.
Mas um dia deixou de andar à malta.
E indo à casa do pai, honrado e velho,
Mirou-se diante de um espelho,
E à própria imagem disse em voz bem alta:
Tertuliano, és um rapaz formoso,
És rico, és talentoso.
Que na vida se te faz preciso?
O pai, sisudo,
Que por trás da cortina ouvia tudo,
Serenamente respondeu: JUÍZO!...
De Artur Azevedo
Imaginem, este era Drummond.
sábado, março 26, 2005

Paisagem noturna.

Pensar o blog- palavra que soa estranha, ainda- tem sido às vezes impertinente ou incômodo. Tão mais fácil se não pensasse. Pensar, pensar... mas não consigo evitar.
Ontem fui dormir nocauteada por uma rinite alérgica, às 4 da manhã despertei com sede, vi um brilho vindo de fora e vi a lua deslumbrante. Se não estivesse a nocaute teria ficado ali a conversar com Deus, presente na natureza exuberante em sua forma que eu mais gosto.
Acordei com Caetano cantando em mim :
Lua, lua, lua, lua...
Lua lua lua lua.
Caetano Veloso
Lua lua lua lua...
Por um momento meu canto contigo compactua
E mesmo o vento canta-se compacto no tempo.
Estanca.
Branca branca branca branca...
A minha a nossa voz atua sendo silêncio
Meu canto não tem nada a ver
Com a lua
Depois me diga se não vale a pena estar viva...
Moro sobre uma duna e da minha mini-varanda vejo uma paisagem muitíssimo semelhante a esta, há o Parque das dunas lá na frente, é um privilégio. O apartamento é pequeno mas tem esta paisagem, divina em noites de lua.
Ah! Hoje é sábado de Aleluia, lembrei da minha infância em Curitiba, menina assistia a um ritual violento, não sei se ainda existe: ao meio dia, pontualmente, as pessoas “malham o Judas”, pegam um boneco de pano do tamanho de um homem, e batem, batem, depois ateiam fogo. Era assustador. Agora penso como cristãos podem fazer isto? Cristo, aquela figura maravilhosa, não pregou a não violência? Fizeram e fazem muitas barbaridades, de barbárie mesmo, em nome de Deus ou Cristo.
Vocês viram ontem nas Filipinas uma mulher que é pregada na cruz pela segunda vez consecutiva. Porque quer. Pode?
Aleluia!
quarta-feira, março 23, 2005
Notícias recentes, reflexões nem tanto e um poema do Pim

Pensar, professor, pensar...

Algumas notícias cismam em não nos abandonar, são as famosas perguntas que não querem se calar.
Coloquei um artigo do Calligaris no meu primeiro post aqui, há menos de um mês, e volto a falar de M. Jackson, não sou fanática por ele, não, apenas sou boa observadora.
Estes dias vimos na TV Michael Jackson de pijamas, desprovido dos recursos que ele tanto gosta para aparecer. Dias depois divulgaram uma lista dos apetrechos e revistas pornográficas encontradas no seu “Neverland Valley”. Devassar vidas privadas têm que objetivo? Quem ganha com isto?
O marido da jovem que está há 15 anos em coma ganha na justiça o direito de deixá-la sem alimento até morrer de inanição. Horrível, triste. A família recorre, Bush se envolve e é proibido novamente deixá-la morrer. Quando ouvi a notícia, pensei imediatamente que deveriam deixá-la morrer, depois li melhor: os pais não querem que ela morra e sim o marido que teria motivos para desejar que ela morra, quer se casar, já tem dois filhos com outra mulher, sei lá mais o quê, deve estar cansado de cuidar da ex... compreensível, não vamos crucificá-lo. Então, por que a guarda da moça não passa para os pais?
Por que ele precisa se casar se já está “casado”?
O clérigo no Vaticano se manifestou contra o livro "O Código da Vinci", depois que vendeu milhões, venderá outros milhões. Comecei a ler “O código da Vinci” e não gostei, achei mal escrito, li três capítulos, não me interessei. Conheço pessoas que lêem, a partir do “Código”, tudo que sai sobre o assunto. Que assunto? Jesus ter sido casado com Maria Madalena? Os bastidores da Igreja? Vocês leram “O nome da rosa” um livro extraordinário de Umberto Eco?
Madalena, Maria ou José são figuras bíblicas que eu respeito.
Que diferença faz na nossa vida de cristão, ou não, se Jesus foi casado ou não? Não alcanço...
Notícia de primeira página, um choque para qualquer mortal: “Fidel Castro é milionário!
Deu no Monbläat, o jornal do Fritz Utzeri, boa leitura, é para assinantes: flordolavradio@uol.com.br, fale com o Fritz se quiser assinar um jornal completamente livre.
"Caro Fritz.
Você acredita realmente que Fidel tem 550 milhões de dólares? Aliás, você considera a revista Forbes confiável?
Fidel tem todos os defeitos do mundo como ditador, mas agora afirmar (fonte de uma revista capitalista americana) que ele possui tal fortuna é uma afronta a qualquer inteligência mediana.
Estive em Cuba em janeiro último, e pude constatar a grande dificuldade desse país em conseguir trocar os seus dólares em divisas (só conseguia através de bancos suíços com deságio de cerca de 20%). Por essa razão, implantaram o peso conversível.
Será que a Forbes considera os lucros das Empresas cubanas como dividendos de Castro?
Eduardo Pereira"
Simão pergunta:"Se ele é tão rico por que usa sempre a mesma roupa?" Hi, hi, hi...
Nós mulheres descobrimos esta semana que somos diferentes dos homens, alguém aí duvidava?
Somos xx, todas já sabíamos, mas o que não sabíamos é que um dos xx funciona como um estepe, só entra em campo quando o outro tem um problema. Aline, Margarida, vocês que entendem do assunto e me lêem, estou correta? Foi o que entendi. Gostei. Será que Deus nos deu mesmo algo a mais?
E o aborto? Quanta hipocrisia...
Questão polêmica e difícil, não quero me aprofundar, só perguntar: vocês acreditam que o aborto não é livre no Brasil? Vocês acreditam que não existem aborteiros há anos, em todas as classes sociais atuando?
Para quebrar o clima um poema do meu amigo Pim.
Soneto
Não me dê muita força
às pobres asas
para que o sol danado
acabe derretendo.
Não me dê muito apego
aos pés vadios
para que um caminho novo
me carregue a labirintos.
Não me dê muito afeto:
sou dos que se entregam
por um preço baixo.
Não me dê muita luz:
sou dos que se batem
como uma borboleta em frente à lâmpada.
Lindo, não acham? É por isto que eu sou tímida para escrever. Depois de Pimenta-amigo querido e parceiro de estudo, que faleceu muitooo cedo-, Raduan Nassar e Drummond como ousar ser poeta ou escritora? Eu não ouso. Escrevo despretensiosamente, eu juro.
Um bom dia! Namastê!
terça-feira, março 22, 2005
Retratos da vida com humor.

Mulheres...

Andei muito séria estes dias, e depois de um texto do Raduan me deu vontade de brincar. Gosto de mostrar os textos do Raduan para que todos possam ler, há muita gente jovem que não o conhece, Raduan é uma das pessoas que mais admiro e amo, posso dizer, eu sinto um afeto enorme por aquele homem tímido e precioso, é um dos meus amores impossíveis- ele ri muito quando digo isto- um dia eu conto.
Vou mostrar alguns quadrinhos que gosto, fora a Mafalda, minha ídala, de quem já falei no inicio do blog, gosto muito da Radical Chic, também já citada. Radical é a cara da mulher moderna, vaidosa, charmosa e sempre insatisfeita. Gosto do criador e da criatura, Miguel Paiva é um homem interessante, sensível às mulheres, coisa rara.
Outro quadrinho que gosto muito é o Geraldão, uma figura, solteiro, 30 anos, não faz nada na vida, passa os dias a se masturbar, bebendo, fumando, um tarado. Surfa na mesa de passar roupa, olha a mãe pelo buraco da fechadura, aí apanha prá valer. Geraldão vive com a mãe, uma mãe autoritária e grossa. Se não me engano, o pai dele saiu para comprar refrigerante e não voltou mais, ótimo!É de Glauco. Existe também o Geraldinho. Versão light do Geraldão, conheço menos o Geraldinho.
O Casal Neuras, também de Glauco, tem um quadrinho que jamais esquecerei, é antigo, vou contar:
Título: Vida sexual abundante.
Desenho: o casal deitado bunda contra bunda vistos de cima.
Pode? É o retrato do casamento depois de um certo tempo, estou errada?
Uma vez um amigo me disse que não agüentava mais a mulher, nem estavam se falando, eu perguntei: “como consegue dormir com ela? Resposta:” a cama é larga “. Triste”. Retratos da vida.
Aqui estão algumas pérolas da Radical Chic:
"Certas dietas são simples. É só cortar açúcar, frituras, massas, molhos, bebidas alcoólicas, pães, biscoitos... e os pulsos."
"Que me despreze, me maltrate, me agrida, tudo bem. Mas não falar de mim nem pro analista, é demais."
"Dizem que estou ficando amarga, enjoada, ácida, sem graça. Não é verdade. É só colocar limão, adoçante, sexo, gelo, brilhantes e mexer gostoso, que eu fico maravilhosa!"
"Adoro quando os feirantes, os porteiros e os pedreiros do meu bairro me chamam de gostosa. É a comunidade solidária!"
"Paulo era lindo, sensível, carinhoso, engraçado, elegante, delicado, gostoso, honesto, companheiro, discreto... e gay."
"E aí a gente vai sair daqui, vai para um motel, aí vai transar, aí vai querer de novo, aí eu me apaixono, aí você vai dizer que não quer compromisso, aí eu vou achar você um babaca, aí a gente vai brigar, aí eu vou te odiar... Tem certeza de que ainda quer saber o meu nome?"
"Sexo seguro, pra mim, é transar com o melhor amigo.”
“ Faço dieta americana, uso produtos franceses, malho com um personal neozelandês, faço localizada com uma russa, e não adianta. Não consigo diminuir essa bunda brasileira.”
“ Terminei com o Betão. A gente se entendia superlegal, gostava das mesmas coisas, tinha tesão um no outro, se tratava com carinho, detestava o cinema iraniano... mas faltava conflito, entende?”
"Faço meditação, aeróbica, judô, musculação. Jogo xadrez, vídeo game, King e batalha-naval. Estudo antropologia, física quântica, matemática e arqueologia.
Escalo montanhas, faço vôo livre, salto de pára-quedas. Leio, escrevo, toco piano, pinto e bordo. Ufa!!!!! O que a gente não faz para compensar a falta de sexo gostoso..."
"Casamento é loteria. Agora, me responda, com sinceridade: quantas vezes você já ganhou na loteria?"
E o José Simão? imperdível, é quem me faz rir nos momentos mais difíceis- no ano passado e inicio deste fiquei muito deprimida, perdi meu pai e um amigo que amava, foi muito doído, eu abria a UOL como terapia, às vezes escutava mais de uma vez as críticas divertidas do Zé. Já falei dele antes aqui.Ele me lembra este amigo que morreu, Carlinhos Varella, riamos muito juntos, havia cumplicidade, não era preciso se desculpar nem fazer gênero, é maravilhoso encontrar alguém com quem possamos dividir tudo-menos sexo, no nosso caso-sem equívocos, afinal víamos a vida pelo mesmo angulo.
Eu adoro brincar, achar semelhanças com animais nas pessoas. Vocês já viram como o Jean do Big Brother5 se parece com um alce? meus filhos não gostam das minhas comparações, tenho certeza que Carlinhos iria concordar e já associar outro "brother" a um bicho. José Simão disse que o Severino parece um bichinho daqueles de pelúcia que as crianças levam para a cama, parece mesmo,lembra um macaquinho, toda vez que o vejo lembro do Simão. Valeu Simão!
Lembro também da Rê Bordosa, era uma mulher muitooo pirada, saia para arranjar alguém na night, bebia todas, dormia na banheira, acordava e se surpreendia com um homem saindo do seu banheiro. Uma figura! Rê Bordosa é de Angeli. Outro bom de desenho e humor.
Lembrei de Jorge de Salles, meu amigo querido, outro bom de desenho e Millor, mas o Millor não é preciso apresentar, tem o melhor site que conheço, você encontra os melhores momentos da internet lá também, é inteligentíssimo, culto, um erudito, além de ter uma história de vida que dá um romance, tipo Charles Dickens, estou exagerando, claro. Millor conta a Genesis sob o seu ponto de vista, é fantástico! Não percam! Vida longa aos nossos queridos desenhistas. Ih, não citei Ziraldo, nem Veríssimo, nem Jaguar- tinha uma personagem que vivia na fossa, era meu retrato na época. E o Henfil? maravilhoso, adoro os seus desenhos, atuais ainda hoje, e o Zeferino? moro no nordeste agora e volta e meia lembro da Graúna e do Zeferino. E as cartas da mãe? Tenho aqui, são ótimas! e o Baixim... Um perda irreparával a do Henfil, tão frágil... eu o via na rua sempre. Está vivo na nossa memória. Viva Henfil!
Um bom dia e curtam as figaraças que lembrei aqui.
segunda-feira, março 21, 2005
Raduan Nassar em 'Ventre seco'
"Conversar é muito importante, meu filho, toda palavra, sim, é uma semente"
Mais um conto de Raduan Nassar para vocês:
O ventre seco
1. Começo te dizendo que não tenho nada contra manipular, assim como não tenho nada contra ser manipulado; ser instrumento da vontade de terceiros é condição da existência, ninguém escapa a isso, e acho que as coisas, quando se passam desse jeito, se passam como não poderiam deixar de passar (a falta de recato não é minha, é da vida). Mas te advirto, Paula: a partir de agora, não conte mais comigo como tua ferramenta.
2. Você me deu muitas coisas, me cumulou de atenções (excedendo-se, por sinal), me ofereceu presentes, me entregou perdulariamente o teu corpo, tentou me arrastar pra lugares a que acabei não indo, e, não fosse minha feroz resistência, até pessoas das tuas relações você teria dividido comigo. Não quero discutir os motivos da tua generosidade, me limito a um formal agradecimento, recusando contudo, a todo risco, te fazer a credora que pode ainda chegar e me cobrar: "você não tem o direito de fazer isso". Fazer isso ou aquilo é problema meu, e não te devo explicações.
3. Nem foi preciso fazer um voto de pobreza, mas fiz há muito o voto de ignorância, e hoje, beirando os quarenta, estou fazendo também o meu voto de castidade. Você tem razão, Paula: não chego sequer a conservador, sou simplesmente um obscurantista. Mas deixe este obscurantista em paz, afinal, ele nunca se preocupou em fazer proselitismo.
4. E já que falo em proselitismo, devo te dizer também que não tenho nada contra esse feixe de reivindicações que você carrega, a tua questão feminista, essa outra do divórcio, e mais aquela do aborto, essas questões todas que "estão varrendo as bestas do caminho". E quando digo que não tenho nada contra, entenda bem, Paula, quero dizer simplesmente que não tenho nada a ver com tudo isso. Quer saber mais? Acho graça no ruído de jovens como você. Que tanto falam em liberdade? É preciso saber ouvir os gemidos da juventude: em geral, vocês reclamam é pela ausência de uma autoridade forte, mas eu, que nada tenho a impor, entenda isso, Paula, decididamente não quero te governar.
5. Sem suspeitar da tua precária superioridade, mais de uma vez você me atirou um desdenhoso "velho" na cara. Nunca te disse, te digo porém agora: me causa enjôo a juventude, me causa muito enjôo a tua juventude, será que preciso fazer um trejeito com a boca pra te dar a idéia clara do que estou dizendo? É bastante tranqüilo este depoimento, é sossegado, ao fazê-lo, me acredite, Paula, não me doem os cotovelos. Está muito certa aquela tua amiga frenética quando te diz que sou "incapaz de curtir gentes maravilhosas". Sou incapaz mesmo, não gosto de "gentes maravilhosas", não gosto de gente, para abreviar minhas preferências.
6. Você me levava a supor às vezes que o amor em nossos dias, a exemplo do bom senso em outros tempos, é a coisa mais bem dividida deste mundo. Aliás, só mesmo uma perfeita distribuição de afeto poderia explicar o arroubo corriqueiro a que todos se entregam com a simples menção deste sentimento. Um tanto constrangido por turvar a transparência dessa água, há muito que queria te dizer: vá que seja inquestionável, mas tenho todas as medidas cheias dos teus frívolos elogios do amor.
7. Farto também estou das tuas idéias claras e distintas a respeito de muitas outras coisas, e é só pra contrabalançar tua lucidez que confesso aqui minha confusão, mas não conclua daí qualquer sugestão de equilíbrio, menos ainda que eu esteja traindo uma suposta fé na "ordem", afinal, vai longe o tempo em que eu mesmo acreditava no propalado arranjo universal (que uns colocam no começo da história, e outros, como você, colocam no fim dela), e hoje, se ponho o olho fora da janela, além do incontido arroto, ainda fico espantado com este mundo simulado que não perde essa mania de fingir que está de pé.
8. Você pode continuar falando em nome da razão, Paula, embora até o obscurantista, que arranja (ironia!) essas idéias, saiba que a razão é muito mais humilde que certos racionalistas; você pode continuar carreando areia, pedra e tantas barras de ferro, Paula, embora qualquer criança também saiba que é sobre um chão movediço que você há de erguer teu edifício.
9. Pense uma vez sequer, Paula, na tua estranha atração por este "velho obscurantista", nos frêmitos roxos da tua carne, nessa tua obsessão pelo meu corpo, e, depois, nas prateleiras onde você arrumou com criterioso zelo todos os teus conceitos, encontre um lugar também para esta tua paixão, rejeitada na vida.
10. Sabe, Paula, ainda que sempre atenta à dobra mínima da minha língua, assim como ao movimento mais ínfimo do meu polegar, fazendo deste meu canto o ateliê do desenhista que ia no dia-a-dia emendando traço com traço, compondo, sem ser solicitada, o meu contorno, me mostrando no final o perfil de um moralista (que eu nunca soube se era agravo ou elogio), você deixou escapar a linha mestra que daria caráter ao teu rabisco. Estou falando de um risco tosco feito uma corda e que, embora invisível, é facilmente apreensível pelo lápis de alguns raros retratistas; estou falando da cicatriz sempre presente como estigma no rosto dos grandes indiferentes.
11. Não tente mais me contaminar com a tua febre, me inserir no teu contexto, me pregar tuas certezas, tuas convicções e outros remoinhos virulentos que te agitam a cabeça. Pouco se me dá, Paula, se mudam a mão de trânsito, as pedras do calçamento ou o nome da minha rua, afinal, já cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho, dou-lhe o meu silêncio.
12. No pardieiro que é este mundo, onde a sensibilidade, como de resto a consciência, não passa de uma insuspeitada degenerescência, certos espíritos só podiam mesmo se dar muito mal na vida; mas encontrei, Paula, esquivo, o meu abrigo: coração duro, homem maduro.
13. Não me telefone, não estacione mais o carro na porta do meu prédio, não mande terceiros me revelarem que você ainda existe, e nem tudo o mais que você faz de costume, pois recorrendo a esses expedientes você só consegue me aporrinhar. Versátil como você é, desempenhe mais este papel: o de mulher resignada que sai de vez do meu caminho.
14.. Entenda, Paula: estou cansado, estou muito cansado, Paula, estou muito, mas muito, mas muito cansado, Paula. (Teu baby-doll, teus chinelos, tua escova de dentes, e outros apetrechos da tua toalete, deixei tudo numa sacola lá embaixo, é só mandar alguém pegar na portaria com o zelador.)
15. Ainda: "a velha aí do lado", a quem você se referia também como "a carcaça ressabiada", "o pacote de ossos", "a semente senil" e outras expressões exuberantes que o teu talento verbal sempre é capaz de forjar mesmo para falar das coisas mirradas da vida, nunca te revelei, Paula, te revelo agora: "aquele ventre seco" é minha mãe, faz anos que vivemos em kitchenettes separadas, ainda que ao lado uma da outra. Não seja tola, Paula, não estou te recriminando nada, sempre assisti com indiferença aos arremedos que você fazia da "bruxa velha, preparando a poção pra envenenar nossas relações". Te digo mais: você talvez tivesse razão, é provável que ela vivesse a espreitar minha porta das sombras da escadaria, é provável que ela do fundo dos corredores te olhasse "de um jeito maligno", é provável ainda que ela, matreira dentro do seu cubículo, te alcançasse todas as vezes que você saía através do olho mágico da sua porta. Mas contenha, Paula, a tua gula: você que, além de liberada e praticada, é também versada nas ciências ocultas dos tempos modernos, não vá lambuzar apressadamente o dedo na consciência das coisas; não fiz a revelação como quem te serve à mesa, não é um convite fecundo a interpretações que te faço, nem minha vida está pedindo esse desperdício. Quero antes lembrar o que minha mãe te dizia quando você, ao cruzar com ela, e "só pra tirar um sarro", perguntava maliciosamente por mim, te sugerindo eu agora a mesma prudência, se acaso amanhã teus amigos quiserem saber a meu respeito. Você pode dispensar "a ridícula solenidade da velha", mas não dispense o seu irrepreensível comedimento, responda como ela invariavelmente te respondia: "não conheço esse senhor".
Extraído do livro ""Menina a caminho", Companhia das Letras – São Paulo, 1997, pág. 61.
Para conhecer mais sobre Raduan Nassar. Mais: Raduan Nassar.
domingo, março 20, 2005
A vida como ensaio- Vittorio Gassman
Mesmo velho-fascinante.
A vida como ensaio.
Vittorio Gassman, ator extraordinário, disse numa entrevista que deveríamos viver duas vezes, uma seria ensaio, como no teatro, a segunda seria para valer, seria fantástico, não é?
Agora me diga “se fosse possível viver novamente o que você faria diferente?” Pense primeiro, não é tão fácil quanto parece.
Às vezes, digo, irrefletidamente, para meus meus filhos: “Se eu tivesse casado com fulano...”, o filho mais novo responde na lata, como faz sempre: “Aí a gente não existia, você não gosta da gente?”.
Pronto, acabou com a minha brincadeira. Mas se eu pudesse recomeçar teria uma infância feliz, a minha foi péssima, isto teria sido decisivo para que a vida tivesse sido mais fácil.
É engraçado, até os 30 anos eu não queria compromisso com nada, nem ninguém, quando foram chegando os 40 eu fui mudando, descobrindo que poderia ser diferente, descobri que vivia um equívoco, pois eu queria, e muito, ter filhos. Eu levantara, até então, a bandeira de que filhos tiravam a liberdade, etc e tal. Eu os tive, corajosamente, depois dos 40- quando ainda não era moda as mulheres depois dos 36 terem filhos-ouvi coisas desagradáveis do médico, tentou me assustar para fazer cesariana, fiz partos normais depois dos 40/42 anos, foi fantástico, facílimo, nem sonhava que era boa parideira.
Os meus 40 foram anos decisivos, filhos, mudanças incríveis- minhas amigas me estranham, estou vivendo de maneira diferente, mudei meu cotidiano, muito.
Acredito que podemos mudar o rumo de nossas vidas a partir de uma certa maturidade, é possível escolher caminhos com mais clareza, menos neuroses, eu disse maturidade e não idade.
Escolhas implicam em perdas, sempre, por isso é tão difícil fazer escolhas e mudanças.
Outra hora eu continuo minhas reflexões aqui, preciso sair.
Hoje é domingo, dia de pescaria, lá vou eu de caniço e samburá...
Bom domingo!
A vida como ensaio.
Vittorio Gassman, ator extraordinário, disse numa entrevista que deveríamos viver duas vezes, uma seria ensaio, como no teatro, a segunda seria para valer, seria fantástico, não é?
Agora me diga “se fosse possível viver novamente o que você faria diferente?” Pense primeiro, não é tão fácil quanto parece.
Às vezes, digo, irrefletidamente, para meus meus filhos: “Se eu tivesse casado com fulano...”, o filho mais novo responde na lata, como faz sempre: “Aí a gente não existia, você não gosta da gente?”.
Pronto, acabou com a minha brincadeira. Mas se eu pudesse recomeçar teria uma infância feliz, a minha foi péssima, isto teria sido decisivo para que a vida tivesse sido mais fácil.
É engraçado, até os 30 anos eu não queria compromisso com nada, nem ninguém, quando foram chegando os 40 eu fui mudando, descobrindo que poderia ser diferente, descobri que vivia um equívoco, pois eu queria, e muito, ter filhos. Eu levantara, até então, a bandeira de que filhos tiravam a liberdade, etc e tal. Eu os tive, corajosamente, depois dos 40- quando ainda não era moda as mulheres depois dos 36 terem filhos-ouvi coisas desagradáveis do médico, tentou me assustar para fazer cesariana, fiz partos normais depois dos 40/42 anos, foi fantástico, facílimo, nem sonhava que era boa parideira.
Os meus 40 foram anos decisivos, filhos, mudanças incríveis- minhas amigas me estranham, estou vivendo de maneira diferente, mudei meu cotidiano, muito.
Acredito que podemos mudar o rumo de nossas vidas a partir de uma certa maturidade, é possível escolher caminhos com mais clareza, menos neuroses, eu disse maturidade e não idade.
Escolhas implicam em perdas, sempre, por isso é tão difícil fazer escolhas e mudanças.
Outra hora eu continuo minhas reflexões aqui, preciso sair.
Hoje é domingo, dia de pescaria, lá vou eu de caniço e samburá...
Bom domingo!
sábado, março 19, 2005
Insônia

Doação. Dafni Amecke Tzitzivakos

Acordei de madrugada sem sono, me assustei, há muito não acontecia isto, dormi depois de um chá de camomila, despertei cedo. Estou me estranhando, a ansiedade é grande, como já disse antes, escrever aqui é como estar começando uma nova relação com os temores inerentes ao novo encontro.
Rolland Barthes, homem fantástico, diz: “o trajeto amoroso parece então seguir três etapas (ou três atos): a primeira é instantânea, a captura (sou raptado por uma imagem); em seguida vem uma série de encontros(encontros pessoais, telefonemas, cartas, pequenas viagens), no decorrer dos quais “exploro”’ , extasiado, a perfeição do ser amado, ou melhor, a adequação inesperada de um objeto ao meu desejo: é a doçura do começo, o tempo do idílio . Esse tempo feliz adquire sua identidade( sua limitação) pelo fato de se opor (pelo menos na lembrança) à “continuação”: a “continuação” é o longo desfile de sofrimentos, mágoas, angústias, aflições, ressentimentos, desesperos, embaraços e armadilhas dos quais me torno presa, vivendo então sem trégua sob a ameaça de uma decadência que atingiria ao mesmo tempo o outro, eu mesmo e o encontro prodigioso que no começo nos descobriu um ao outro”.
Estou aqui na internet na primeira etapa, ou ato, como gosta o Barthes e espero não passar para o ato do desencanto. Vai depender de como encaminhar este encontro, para uma bela sinfonia ou um desastre. Irghhhhhhhhh. Prefiro a sinfonia.
Quero agradecer a todos os meus novos amigos e leitores eventuais. Alguns me dão dicas (Sheila, Henrique Luna,Victor Az), outros como Fernando (mandou lindas fotos de Ipanema e Leblon), Inagaki me dá destaque e postou a foto lá para mim, adorei, Sub rosa faz altos elogios, Idelbar dá força, Franka( a Lucia) é leitora assídua e estimulante, Leila, nova no pedaço, Daniela, Leo, o baiano arretado, Denise,( foi por ela que criei o blog, para dar palpites lá), Luz de paz , Nemo nox que é uma mistério para mim, trocamos idéias sobre literatura e não sei quem é, se é alguém que já conheço... mas deixa pra lá. E meus amigos reais e virtuais antigos, meus queridos amigos. Além de José Simão que foi capturado, “adorou”o blog e é a pessoa que eu procuro na UOL sempre estou muito triste, só Simão para melhorar o meu humor naqueles dias terríveis. Perdoem-me se esqueci alguém, a Gal canta: “não confio em ninguém com mais de 30 anos, não confio em ninguém...” eu digo: “não confiem em ninguém com mais de 50 anos”, a memória nos traí, além de confundir os blogs, ainda não sei bem quem é quem, sorry. Vou aprender.
O desenho é de Dafni Amecke Tzitzivakos uma pintora maravilhosa, há um livro com poemas de Neruda da editora Vergara e Riba Editoras ilustrado por ela, lindo!
Namastê.
Bom sábado!
Ah! a palestra sobre auto estima começa assim, vejam se gostam:
"A auto estima no mundo atual".
Escolhi falar da auto estima,tema bastante atual, mas a minha intenção não é dar uma aula sobre auto estima, mas fazê-los refletir sobre este tema.
Há um trecho de em “Mulheres Alteradas 3” de Maitema, que ilustra bem a relação das mulheres no mundo atual. Este texto também vale para os homens, pois sabemos o quanto sofrem pelas exigências do mundo moderno. Maitema começa falando de 1920, quando as mulheres estavam ansiosas por um bom marido, e isto bastava, e vai acrescentando, década à década, mais desejos e expectativas.
Quando chega a 1990 ela diz:
“Em 1990, nós mulheres, estávamos ansiosas por uma paixão, obcecadas por conseguir um bom marido, preocupadas em ser boas mães, inquietas por estudar alguma coisa útil, transtornadas para participar de coisas interessantes, culpadas por trabalharmos fora...estressadas por exigir-nos conquistas profissionais...e desesperadas para nos vermos jovens, magras e sem celulite!!”
Ganhamos em muitos aspectos da vida moderna mas em outros a exigência é cada vez maior. Ganhamos em liberdade de escolha, mas o leque de escolhas hoje é muito maior. É preciso, além de ter sucesso profissional, ter sucesso na vida pessoal , ter uma atividade extra interessante, ser politicamente correto, ser magro, bonito, inteligente e, como diz Maitema, sem celulite, no caso das mulheres.
Se todos nós procuramos ser felizes , por que algumas pessoas têm uma auto estima maior do que outras, sentem-se mais confortáveis na vida, vivem em paz com o que têm, enquanto outras se sentem insatisfeitas, nada as satisfaz?
Como foi a nossa infância?..."
Sigo por aí.
Tchau.
sexta-feira, março 18, 2005
Vôo livre, Leila Diniz e eu
Hoje amanheceu chovendo, o inverno chegou, parece conversa de maluco, mas não é, aqui no nordeste- Natal- o mês das chuvas é o inverno e ponto final. Estranhei muito quando cheguei, não entendia, estamos abaixo do Equador, como inverno? Desisti de entender e hoje estou esperando o inverno como todos.
Que venha a chuva! E tem mais, se não chovesse até amanhã, dia de S.José, não choveria mais e teríamos uma seca terrível, ainda bem que está chovendo. No ano passado choveu o mês de fevereiro todinho, a casa ficou mofada, a geladeira suava sem parar, será que este ano vai ser o mesmo?
Escrever diariamente tem sido uma experiência nova para mim. Eu há algum tempo venho mantendo contato com alguns amigos via internet, repassando textos, fazendo comentários, mas poucos respondiam, agora estou tendo uma resposta maior, amigos queridos com quem não tinha quase contato estão reaparecendo.
Escrevo com receio, não quero parecer narcisista demais- um pouco, não faz mal- e escrever coisas que só interessariam aos mais íntimos.
Outro dia minha ex cunhada leu o que escrevi sobre as mulheres e disse: “você esqueceu a Leila Diniz!” Não esqueci, não, mas a Leila Diniz não foi importante para mim, eu me via no mesmo barco que ela, sou filha de general, mãe católica- naquela época atuante- vivi em Curitiba até os 16 anos, família repressora, estudei em colégio de freiras francesas insuportáveis. Virei a mesa, não casei, tive filhos depois dos 40 anos, escolhi ser psicanalista, enquanto as moçoilas da época estavam fazendo enxoval, juro, elas tinham um bau, e cursando a escola normal. Ganhei muito, perdi ...sei lá o que perdi? Depois que tive os filhos acho que perdi muito pouco, os filhos são muito importantes para mim, sem eles eu, com certeza, estaria mal, mas isto é papo para outro dia.
Eu e Leila Diniz freqüentávamos a mesma praia, Ipanema, e vivíamos como achávamos certo, sem saber se os vizinhos estavam controlando-eu tinha uma vizinha de corredor, bem em frente e via a sombra dela por baixo da porta sempre que eu saía, ou me despedia de um namorado, nunca me importei...era uma beata, pobre mulher. Leila Diniz é importante para as gerações que nos seguiram, eu me orgulho de ser da mesma geração.
Eu tinha vinte anos quando fui morar em Ipanema só com minha irmã, era dona do meu nariz, o que significa que quebrei a cara algumas vezes, mas nada muito grave, afinal mesmo os superprotegidos quebram a cara, faz parte. Nunca li Simone de Beauvoir, comecei a ler um livro dela, acho que é “ A convidada”, tenho aqui, agora depois dos 40, achei bom, era um livro onde havia uma relação a três- eu nunca fui liberal a este ponto, acho que amor e sexo é bom a dois- mas não lembro porque cargas d’água, não li até o fim. Eu nunca leio até o fim se não gostar muito. Comecei a ler o “Código da Vinci” e parei no terceiro capítulo, para que perder tempo lendo algo que não está me interessando apenas porque todos estão lendo? Li Sartre, gostei. Acho a figura de Simone de Beauvoir importante, mas não li. Eu não li muita gente boa, fui lendo apenas o que eu queria, sem compromisso com nada nem ninguém.
Nosso apartamento era ponto de encontro de amigos, tive sorte na vida, sempre fui seletiva, nunca tive problemas, nos reuníamos e saíamos para algum lugar. Às vezes alguém aparecia com um “baseado”, fumava quem quisesse, quem não quisesse não fumava, eu era um pouco medrosa, vivíamos em plena repressão política, fui comprar “O capital” depois da abertura. Este é um outro assunto.
Havia sempre uma festa, um filme, uma boate para ir, ou simplesmente dávamos voltas sem parar na Lagoa Rodrigo de Freitas com Pedro, filosofando e rindo. Pedro é um amigo que considero gênio, ele iniciou várias faculdades, acabou fazendo direito, é advogado e tradutor de umas oito ou nove línguas, éramos vizinhos na Rua Nascimento Silva, ele ainda está lá. Foi meu amigo e confidente durante anos, há coisas, detalhes da minha vida que ele lembra e eu não, é engraçado... ele é uma figura, rio muito com Pedro, ele e Pedro Alexandrino, o primo, me fazem rir às lágrimas, porque são inteligentíssimos e fazem humor. Coloquei fazem em vez de faziam, porque Pedro está lá, ao alcance, e ainda me faz muito bem.
Bom, chega, tenho que escrever uma palestra sobre auto estima, aliás, já está escrita, preciso modificá-la para uma nova platéia. Não tenho conseguido tirar o foco daqui do blog e preciso focar também a auto estima. Aliás, este blog melhorou muitooo minha auto estima, eu estava muito mal, esgarçando, estou retomando meus pontos e dando os nós .
Esta foto me lembra "Mar adentro", é um filme imperdível se você não tem medo de olhar para dentro. Há um vôo libertador no filme, lindo, me emocionei muito. É um filme sobre a morte e o amor, não é possível separar amor e morte. É um filme sobre as possibilidades e impossibilidades, vá ver, você sai com vontade de viver e envergonhado pelas suas impossibilidades, foi assim que eu vi, você já viu? gostou? eu adorei. O Javier Barden está charmoso e perfeito, todos estào perfeitos.
Bom dia!
Que venha a chuva! E tem mais, se não chovesse até amanhã, dia de S.José, não choveria mais e teríamos uma seca terrível, ainda bem que está chovendo. No ano passado choveu o mês de fevereiro todinho, a casa ficou mofada, a geladeira suava sem parar, será que este ano vai ser o mesmo?
Escrever diariamente tem sido uma experiência nova para mim. Eu há algum tempo venho mantendo contato com alguns amigos via internet, repassando textos, fazendo comentários, mas poucos respondiam, agora estou tendo uma resposta maior, amigos queridos com quem não tinha quase contato estão reaparecendo.
Escrevo com receio, não quero parecer narcisista demais- um pouco, não faz mal- e escrever coisas que só interessariam aos mais íntimos.
Outro dia minha ex cunhada leu o que escrevi sobre as mulheres e disse: “você esqueceu a Leila Diniz!” Não esqueci, não, mas a Leila Diniz não foi importante para mim, eu me via no mesmo barco que ela, sou filha de general, mãe católica- naquela época atuante- vivi em Curitiba até os 16 anos, família repressora, estudei em colégio de freiras francesas insuportáveis. Virei a mesa, não casei, tive filhos depois dos 40 anos, escolhi ser psicanalista, enquanto as moçoilas da época estavam fazendo enxoval, juro, elas tinham um bau, e cursando a escola normal. Ganhei muito, perdi ...sei lá o que perdi? Depois que tive os filhos acho que perdi muito pouco, os filhos são muito importantes para mim, sem eles eu, com certeza, estaria mal, mas isto é papo para outro dia.
Eu e Leila Diniz freqüentávamos a mesma praia, Ipanema, e vivíamos como achávamos certo, sem saber se os vizinhos estavam controlando-eu tinha uma vizinha de corredor, bem em frente e via a sombra dela por baixo da porta sempre que eu saía, ou me despedia de um namorado, nunca me importei...era uma beata, pobre mulher. Leila Diniz é importante para as gerações que nos seguiram, eu me orgulho de ser da mesma geração.
Eu tinha vinte anos quando fui morar em Ipanema só com minha irmã, era dona do meu nariz, o que significa que quebrei a cara algumas vezes, mas nada muito grave, afinal mesmo os superprotegidos quebram a cara, faz parte. Nunca li Simone de Beauvoir, comecei a ler um livro dela, acho que é “ A convidada”, tenho aqui, agora depois dos 40, achei bom, era um livro onde havia uma relação a três- eu nunca fui liberal a este ponto, acho que amor e sexo é bom a dois- mas não lembro porque cargas d’água, não li até o fim. Eu nunca leio até o fim se não gostar muito. Comecei a ler o “Código da Vinci” e parei no terceiro capítulo, para que perder tempo lendo algo que não está me interessando apenas porque todos estão lendo? Li Sartre, gostei. Acho a figura de Simone de Beauvoir importante, mas não li. Eu não li muita gente boa, fui lendo apenas o que eu queria, sem compromisso com nada nem ninguém.
Nosso apartamento era ponto de encontro de amigos, tive sorte na vida, sempre fui seletiva, nunca tive problemas, nos reuníamos e saíamos para algum lugar. Às vezes alguém aparecia com um “baseado”, fumava quem quisesse, quem não quisesse não fumava, eu era um pouco medrosa, vivíamos em plena repressão política, fui comprar “O capital” depois da abertura. Este é um outro assunto.
Havia sempre uma festa, um filme, uma boate para ir, ou simplesmente dávamos voltas sem parar na Lagoa Rodrigo de Freitas com Pedro, filosofando e rindo. Pedro é um amigo que considero gênio, ele iniciou várias faculdades, acabou fazendo direito, é advogado e tradutor de umas oito ou nove línguas, éramos vizinhos na Rua Nascimento Silva, ele ainda está lá. Foi meu amigo e confidente durante anos, há coisas, detalhes da minha vida que ele lembra e eu não, é engraçado... ele é uma figura, rio muito com Pedro, ele e Pedro Alexandrino, o primo, me fazem rir às lágrimas, porque são inteligentíssimos e fazem humor. Coloquei fazem em vez de faziam, porque Pedro está lá, ao alcance, e ainda me faz muito bem.
Bom, chega, tenho que escrever uma palestra sobre auto estima, aliás, já está escrita, preciso modificá-la para uma nova platéia. Não tenho conseguido tirar o foco daqui do blog e preciso focar também a auto estima. Aliás, este blog melhorou muitooo minha auto estima, eu estava muito mal, esgarçando, estou retomando meus pontos e dando os nós .
Esta foto me lembra "Mar adentro", é um filme imperdível se você não tem medo de olhar para dentro. Há um vôo libertador no filme, lindo, me emocionei muito. É um filme sobre a morte e o amor, não é possível separar amor e morte. É um filme sobre as possibilidades e impossibilidades, vá ver, você sai com vontade de viver e envergonhado pelas suas impossibilidades, foi assim que eu vi, você já viu? gostou? eu adorei. O Javier Barden está charmoso e perfeito, todos estào perfeitos.
Bom dia!
Outono
Outono
O azul outonal
me faz desejar sair
como os pássaros
em busca de anil.
Mas não saí.
quinta-feira, março 17, 2005
Poema despretensioso: Penélope

Mulher, a eterna tecelã.

Um poema
Penélope
Teço lembranças, desejos,
na malha de meus dias frios
Tua imagem transparece,
as mãos ternas.
A distância, tempo, esgarça
meus pontos mágicos,
tecendo com dor a saudade.
Com paciência amorosa,
desfaço os nós,
refaço os pontos,
e te entrelaço no meu sonho,
hoje espera.
Trégua.
Julho/85
Penélope
Julho/85
01/Jan/2017
Teço lembranças,
desejos,
na malha de meus dias frios
Tua imagem transparece em mãos ternas.
A distância esgarça os pontos mágicos,
Trazendo dor e saudade.
Com paciência amorosa,
desfaço pontos,
refaço nós,
e te entrelaço no meu sonho.
Hoje espera.
quarta-feira, março 16, 2005
Encontros e desencontros amorosos

Encontros e desencontros amorosos.
Vivemos em busca de um encontro, encontro mágico que preencheria o nosso vazio existencial, acabaria com a solidão. Este encontro encantado não existe, porque cada encontro vem com nossas fantasias, nossos fantasmas, com uma expectativa tão especial que geralmente é frustrada.
Somos complexos, não somos previsíveis, temos momentos de generosidade, de doação, mas na maior parte do tempo estamos a espera de que o outro nos dê aquilo que desejamos, sem que o outro saiba o que desejamos, e nem mesmo nós, na maioria das vezes, sabemos o que esperamos do nosso parceiro a não ser amor incondicional.
Os encontros amorosos acontecem quando imaginamos que o outro vai suprir nossas expectativas, quando acreditamos que o parceiro é como nós, quando estamos identificados com este outro, que ainda nem conhecemos. Quando percebemos no outro coisas que não gostamos acreditamos que ele poderá mudar, a mudança mágica para sermos felizes para sempre. Na entrega amorosa acreditamos ser um em dois.
Neste momento muitas vezes estamos apaixonados pela paixão, pelo estar apaixonado, com toda a adrenalina que este momento traz. É uma viagem maravilhosa e assustadora, cheia de ansiedades e alegrias, onde o medo de perder o objeto amado se faz constante.
Este encanto se quebrará em algum momento, pode ser um gesto bobo, uma escolha “brega”, uma palavra mal colocada, uma sujeirinha no antes belo sorriso, uma descoberta qualquer que não se encaixa naquilo que esperávamos do ser amado.
Algumas pessoas, mais que outras, entram em pânico diante de incertezas, ficam dominadas pelo ciúme. Aqui entram os fantasmas de cada um. Se você experimentou abandono viverá a espera de um novo abandono, não haverá amante amantíssimo que te deixe seguro. Você perdeu lá atrás. Estará à espera de um reconhecimento, que faltou quando era bebê.
A paixão, o estar apaixonado se quebrou mas há afeto, há amor.
Por que diferenciamos paixão de amor?
O amor seria mais generoso, mais tolerante, cúmplice. Quando amamos vemos no outro imperfeições, mas mesmo assim sentimos afeto por ele, algumas imperfeições te comovem e te fazem transbordar de afeto. Lembro de um casal de atores famosos franceses, Yves Montand e Simone Signoret, ele dizendo que quando a via colocando os óculos, depois dos 50 anos, se enchia de afeto.
Mas na maioria dos casais existe muita intolerância, cobrança, muita culpa jogada no outro pela própria infelicidade. Quando isto acontece é hora de parar e repensar a relação, pensar o que esta relação significa. O que esta pessoa representa.Temos medo de mudar, medo do novo, medo de falar de assuntos delicados, de mágoas, e não percebemos que estes sentimentos vão alimentando o rancor, nos distanciando de quem amamos e nos adoecendo.
Na década de 70, no auge do amor livre e de liberdade sexual, as pessoas passaram a viver, algumas vezes, de forma promíscua, digo no sentido de que tudo é válido, tudo deve ser dito, confessado, discordo, nem tudo deve ser dito, por que contar para o parceiro uma fantasia sexual, por exemplo? Este comportamento acabou gerando casais que se propunham “modernos” mas que na realidade estavam confusos, quanto ao comportamento. Tudo pode? Não. Então por que não guardar as fantasias? Afinal é o que temos de mais intimo.
Atualmente, temos disponível uma quantidade enorme de livros, que se propõem a ensinar casais a se relacionarem, fomos todos bombardeados por manuais, vídeos sobre sexo, como dar prazer, como obter prazer. Isto trouxe mais informações, coisa que não havia antes, mas também um nível de exigência muito grande, não basta um orgasmo, é preciso ser múltiplo, é preciso saber onde é o ponto G. Sabemos que isto tudo é irrelevante numa relação amorosa, pois cada casal tem uma
química própria, não existem regras na verdade. Não sabemos o que se passa entre um casal na intimidade.
O mundo real é muito diferente do mundo criado pela mídia e pelo nosso imaginário. Vivemos com nossas imperfeições os nossos encontros e desencontros.
Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, como diz o poeta Caetano.
A paixão é virtual e o amor seria virtual, também? e os amores aqui na internet seriam sempre virtuais? Agora você tem a palavra. O que pensa sobre isto?
terça-feira, março 15, 2005
O sonho, o espaço e "Canto Noturno".
Acordei depois de um sonho que mexeu muito comigo, fiquei “relatando” este sonho na minha cabeça, pensando se deveria colocá-lo aqui, resolvi que não, porque seria muita intimidade, como numa relação amorosa, a intimidade excessiva prematura muitas vezes acaba com o encanto. Concordam? Pensei na possibilidade de ter outro espaço para usar como divã, mas hoje quero falar de sonhos.
Os sonhos são fantásticos, sonhar é um ato libertador, pena que poucos saibam disto e tentem dar significados universais aos sonhos. Freud, para mim O gênio do século passado, nos revelou um mundo desconhecido até então, o mundo do inconsciente. Depois que você descobre o inconsciente e passa a prestar atenção no seu mundo interior, não há retorno, você passa a fazer uma nova leitura da vida, do mundo que o cerca, dos teus afetos e desafetos. Sonhar é libertador porque nos abre uma brecha para o inconsciente e nos possibilita entender o que está acontecendo, o porquê de uma angústia, ou ansiedade, fora do nosso controle, por exemplo. Não são só os sonhos que nos trazem o inconsciente à tona, atos falhos e sintomas também, ontem chamei um novo amigo de Fernando, trocando o seu nome, Fernando é um ex namorado, mais jovem que eu alguns anos, este amigo também é mais jovem, me remeteu aquela vivência anterior. Não quero dar aula de psicanálise, só queria falar dos sonhos porque acordei com um sonho perturbador esta manhã. Aprenda a “ouvir” o seu inconsciente, não tenha medo, faça associações com os elementos do seu sonho, tenho certeza que um leque de memórias se abrirá e você será mais coerente e mais livre dos seus fantasmas.
Muita gente diz que não gosta de psicanálise, que a psicanálise está morta, etc e tal, não sabe que está mergulhado num mundo cheio de conceitos vindos da psicanálise, atualmente não há como negar a importância da psicanálise na cultura. Você acha que o mundo seria o mesmo sem que Freud tivesse tido a coragem, lá em 1895-1900, de estudar e abordar temas como sexualidade infantil e Complexo de Édipo? Duvido o dó. Quem não concordar que levante a mão.
Que viva Freud!!!
Bom dia!
Lembrando Nietzsche
Hoje, mesmo sabendo que vai ficar um post enorme, não poderia deixar de trazer este texto. Leiam e digam se Nietzsche não é outro gênio admirável.
O Canto Noturno.
Friedrich Nietzsche
É noite: falam mais alto, agora, todas as fontes borbulhantes.E também a minha alma é uma fonte borbulhante.
É noite: somente agora despertam todos os cantos dos que amam.E também a minha alma é o canto de alguém que ama.
Há qualquer coisa insaciada, insaciável, em mim; e quer erguer a voz.Um anseio de amor, há em mim, que fala a própria linguagem do amor.
Eu sou luz; ah, fosse eu noite!Mas esta é a minha solidão: que estou circundado de luz.
Ah, fosse eu escuro e noturno!Como desejaria sugar os seios da luz!
E até vós desejaria abençoar, pequenos astros cintilantes e vagalumes, lá no alto! - e ser feliz com as vossas dádivas de luz.
Mas eu vivo na minha própria luz, sorvo de volta em mim as chamas que de mim rompem.
Não conheço a felicidade dos que recebem; e muitas vezes sonhei que roubar deve ser ventura ainda maior que receber.
É esta a minha pobreza: que minha mão nunca pára de dar presentes; é esta a minha inveja: qie vejo olhos à espera e as noites iluminadas do anseio.
Ó desventura de todos os dadivosos! Ó obscurecimento do meu sol! Ó desejo de desejar! Ó fome insaciável na saciedade!
Eles recebem os meus presentes; mas tocarei ainda a sua alma?Há um abismo entre dar e receber; e também o menor dos abismos precisa ser transposto.
Nasce uma fome da minha beleza: desejaria magoar aqueles que ilumino; desejaria roubar aqueles que presenteio: assim tenho fome de maldade.
Retirar a mão, quando já a outra mão se lhe estende; hesitar como a cachoeira, que ainda hesita ao precipitar-se: assim tenho fome de maldade.
Tal vingança medita minha plenitude, tal perfídia brota da minha solidão.
Minha ventura em dar extinguiu-se ao dar, minha virtude cansou-se de si mesma pela sua superabundância!
Quem sempre dá, corre o perigo de perder o pudor; quem sempre reparte, cria calos em suas mãos e coração, de tanto repartir.
Meus olhos não choram mais ante o pudor dos pedintes; demasiado endureceu minha mão, par sentir o tremor das mãos satisfeitas.
Para onde foram as lágrimas dos meus olhos e o frouxel do meu coração? Ó solidão de todos os dadivosos! Ó silêncio de todos os que espalham luz!
Muitos sóis gravitam nos espaços vazios: falam, com sua luz, a tudo o que é escuro - como silenciam.
Oh, essa é a hostilidade da luz por tudo o que é luminoso: implacável percorre ela sua órbita.
Injusto, no fundo do seu coração, com tudo o que é luminoso; frio para com os outros sóis - assim segue, cada sol, o seu próprio caminho.
Como uma tempestade, percorrem os sóis, velozmente, suas órbitas: esse é o seu curso.Seguem, inexoráveis, a sua vontade: é essa a sua frieza.
Ó seres escuros, noturnos, somente vós criais o calor, haurindo-se dos corpos luminosos!Somente vós bebeis o leite e o bálsamo dos seios de luz!
Ah, há gelo em volta de mim; queima-se minha mão tocando em gelo!Ah, há uma sede, em mim, que almeja pela vossa sede!
É noite: ai de mim, que tenho de ser luz!E sede do que é noturno. E solidão!É noite: como uma nascente, rompe em mim, agora, o meu desejo - e pede-me que fale.
É noite: falam mais alto, agora, todas as fontes borbulhantes.E também a minha alma é uma fonte borbulhante.
É noite: somente agora despertam todos os cantos dos que amam.E também a minha alma é o canto de alguém que ama.
- Assim falava Zaratustra.
Maravilhoso! Que viva Nietzsche!!!
Os sonhos são fantásticos, sonhar é um ato libertador, pena que poucos saibam disto e tentem dar significados universais aos sonhos. Freud, para mim O gênio do século passado, nos revelou um mundo desconhecido até então, o mundo do inconsciente. Depois que você descobre o inconsciente e passa a prestar atenção no seu mundo interior, não há retorno, você passa a fazer uma nova leitura da vida, do mundo que o cerca, dos teus afetos e desafetos. Sonhar é libertador porque nos abre uma brecha para o inconsciente e nos possibilita entender o que está acontecendo, o porquê de uma angústia, ou ansiedade, fora do nosso controle, por exemplo. Não são só os sonhos que nos trazem o inconsciente à tona, atos falhos e sintomas também, ontem chamei um novo amigo de Fernando, trocando o seu nome, Fernando é um ex namorado, mais jovem que eu alguns anos, este amigo também é mais jovem, me remeteu aquela vivência anterior. Não quero dar aula de psicanálise, só queria falar dos sonhos porque acordei com um sonho perturbador esta manhã. Aprenda a “ouvir” o seu inconsciente, não tenha medo, faça associações com os elementos do seu sonho, tenho certeza que um leque de memórias se abrirá e você será mais coerente e mais livre dos seus fantasmas.
Muita gente diz que não gosta de psicanálise, que a psicanálise está morta, etc e tal, não sabe que está mergulhado num mundo cheio de conceitos vindos da psicanálise, atualmente não há como negar a importância da psicanálise na cultura. Você acha que o mundo seria o mesmo sem que Freud tivesse tido a coragem, lá em 1895-1900, de estudar e abordar temas como sexualidade infantil e Complexo de Édipo? Duvido o dó. Quem não concordar que levante a mão.
Que viva Freud!!!
Bom dia!
Lembrando Nietzsche
Hoje, mesmo sabendo que vai ficar um post enorme, não poderia deixar de trazer este texto. Leiam e digam se Nietzsche não é outro gênio admirável.
O Canto Noturno.
Friedrich Nietzsche
É noite: falam mais alto, agora, todas as fontes borbulhantes.E também a minha alma é uma fonte borbulhante.
É noite: somente agora despertam todos os cantos dos que amam.E também a minha alma é o canto de alguém que ama.
Há qualquer coisa insaciada, insaciável, em mim; e quer erguer a voz.Um anseio de amor, há em mim, que fala a própria linguagem do amor.
Eu sou luz; ah, fosse eu noite!Mas esta é a minha solidão: que estou circundado de luz.
Ah, fosse eu escuro e noturno!Como desejaria sugar os seios da luz!
E até vós desejaria abençoar, pequenos astros cintilantes e vagalumes, lá no alto! - e ser feliz com as vossas dádivas de luz.
Mas eu vivo na minha própria luz, sorvo de volta em mim as chamas que de mim rompem.
Não conheço a felicidade dos que recebem; e muitas vezes sonhei que roubar deve ser ventura ainda maior que receber.
É esta a minha pobreza: que minha mão nunca pára de dar presentes; é esta a minha inveja: qie vejo olhos à espera e as noites iluminadas do anseio.
Ó desventura de todos os dadivosos! Ó obscurecimento do meu sol! Ó desejo de desejar! Ó fome insaciável na saciedade!
Eles recebem os meus presentes; mas tocarei ainda a sua alma?Há um abismo entre dar e receber; e também o menor dos abismos precisa ser transposto.
Nasce uma fome da minha beleza: desejaria magoar aqueles que ilumino; desejaria roubar aqueles que presenteio: assim tenho fome de maldade.
Retirar a mão, quando já a outra mão se lhe estende; hesitar como a cachoeira, que ainda hesita ao precipitar-se: assim tenho fome de maldade.
Tal vingança medita minha plenitude, tal perfídia brota da minha solidão.
Minha ventura em dar extinguiu-se ao dar, minha virtude cansou-se de si mesma pela sua superabundância!
Quem sempre dá, corre o perigo de perder o pudor; quem sempre reparte, cria calos em suas mãos e coração, de tanto repartir.
Meus olhos não choram mais ante o pudor dos pedintes; demasiado endureceu minha mão, par sentir o tremor das mãos satisfeitas.
Para onde foram as lágrimas dos meus olhos e o frouxel do meu coração? Ó solidão de todos os dadivosos! Ó silêncio de todos os que espalham luz!
Muitos sóis gravitam nos espaços vazios: falam, com sua luz, a tudo o que é escuro - como silenciam.
Oh, essa é a hostilidade da luz por tudo o que é luminoso: implacável percorre ela sua órbita.
Injusto, no fundo do seu coração, com tudo o que é luminoso; frio para com os outros sóis - assim segue, cada sol, o seu próprio caminho.
Como uma tempestade, percorrem os sóis, velozmente, suas órbitas: esse é o seu curso.Seguem, inexoráveis, a sua vontade: é essa a sua frieza.
Ó seres escuros, noturnos, somente vós criais o calor, haurindo-se dos corpos luminosos!Somente vós bebeis o leite e o bálsamo dos seios de luz!
Ah, há gelo em volta de mim; queima-se minha mão tocando em gelo!Ah, há uma sede, em mim, que almeja pela vossa sede!
É noite: ai de mim, que tenho de ser luz!E sede do que é noturno. E solidão!É noite: como uma nascente, rompe em mim, agora, o meu desejo - e pede-me que fale.
É noite: falam mais alto, agora, todas as fontes borbulhantes.E também a minha alma é uma fonte borbulhante.
É noite: somente agora despertam todos os cantos dos que amam.E também a minha alma é o canto de alguém que ama.
- Assim falava Zaratustra.
Maravilhoso! Que viva Nietzsche!!!
segunda-feira, março 14, 2005
Tateando e lembrando- eu e o blog.
Continuo sem saber como usar o blog, tenho muitas idéias, penso em fazer perguntas, trazer mais discussões, ao mesmo tempo,como ainda não sei quem lê, tenho receio de despertar um certo tipo de discussão que não leve a nada e aborreça, mas como me conheço, sei que em algum momento virão à tona, melhor esperar. Pode parecer que sou pouco ousada, em algumas coisas sim, noutras mergulho de cara.
Escrevi aquela crônica ontem, mas não pensem que sou escritora, escrevo desde a adolescência , mas não conseguiria estar com a cabeça ocupada por personagens todo o tempo, enlouqueceria, além do mais tenho dois adolescentes em casa que precisam de mãe atenta-a minha mãe escreve muito e vive no mundo da lua, ou no mundo imaginário dela, é difícil conviver com pessoas assim.
Esta é a primeira vez que me exponho para pessoas que não conheço, dá paura, sou virginiana, perfeccionista, ex-neurótica obsessiva de livro - lembram do Jack Nicholson em “Melhor é impossível?” eu era quase aquilo, menos...vocês conhecem o "Monk"? Vejam, passa no canal 43 da SKY, é engraçadíssimo e comovente, eu adoro, conheço bem a aflição de estar com as mãos “sujas”.
Escrever aqui é como se estivesse me revelando para um novo amor, ou para um psicanalista, como já fiz muitas vezes.
Tenho dificuldades na gramática, acho nossa língua linda e difícil, quando alguém perceber um erro ficarei grata se me apontar, nunca sei onde colocar vírgulas, por exemplo, é uma dúvida constante. Escrevi errado o nome de Woody Allen, afinal são palavras que nunca havia escrito e, como todo bom neurótico obsessivo- mesmo sendo ex-neurótica- fico sempre em dúvida. Pensei em criar um espaço aqui para as dúvidas do português, vocês responderiam.
Esqueço sempre algo. Esqueci de mulheres que admiro como Gilda Arns, Marina Silva (esta me comove), Martha Medeiros, Maria Adelaide Amaral e tantas outras, vou lembrando aos poucos, afinal isto não é para ser levado a ferro e fogo, não é?
Esta Freud explica, falo sério: Thomas me lembra que não coloquei Bergman na minha lista de cineastas, é incrível, é o meu preferido, me identifico, choro muito, deve ser por isto que esqueci. Aquela solidão, aquele silêncio, a densidade dos personagens...Quando vi “Cenas de um casamento” tinha recém acabado um namoro e chorei o filme todo, “Morangos Silvestres” é belíssimo, adoro, “O sétimo Selo” não entendi na época e queria rever, outros como “Silêncio”, “Sonhos de uma noite de verão”, “Persona”, adoraria rever, adoro a Liv Ullman, é linda. “Gritos e Sussurros” foi um sofrimento, não quero nem rever, lindo e terrível. Tenho muitas saudades do tempo em que ir ao cinema significava ver Bergman, Fellini, Antonioni, este também não citei, por não pretender parecer metida, afinal eu não sou especialista em nenhum deles, apenas gosto, adorava os filmes de Bertolucci- “Último tango em Paris” é um dos melhores filmes que já vi, e tem as cenas mais excitantes do cinema para mim. Marlon Brando é, continua sendo, o mais bonito e o meu preferido ator. Foi uma das muitas perdas que tive no ano passado, fiquei muito triste com a morte dele, principalmente por sabê-lo infeliz, que vida trágica!
Teria de falar de Marcelo Mastroiani, que amo também, aí não saio daqui hoje-tenho escrito espontaneamente como um diário mesmo.
Tudo que escrevi sobre cinema foi para te responder, Thomas, estou perdoada?
Estou pensando o que nos faz fazer um blog, e acredito que é o desejo de ser reconhecido, como já disse antes, o desejo de estar menos só, o desejo de ser ouvida, aliás, o que nos impulsiona na vida senão o desejo de reconhecimento?
Acabo de receber um email do Simão, que me tirou do prumo, elogia meu blog, e eu fiquei tontinha, adoro o José Simão, para mim um dos caras mais inteligentes da atualidade, Millor é outro, quem não lê não sabe o que está perdendo, é brilhante. Vida longa ao Simão!
Depois desta do Simão, vou me retirar. Bom dia !
Escrevi aquela crônica ontem, mas não pensem que sou escritora, escrevo desde a adolescência , mas não conseguiria estar com a cabeça ocupada por personagens todo o tempo, enlouqueceria, além do mais tenho dois adolescentes em casa que precisam de mãe atenta-a minha mãe escreve muito e vive no mundo da lua, ou no mundo imaginário dela, é difícil conviver com pessoas assim.
Esta é a primeira vez que me exponho para pessoas que não conheço, dá paura, sou virginiana, perfeccionista, ex-neurótica obsessiva de livro - lembram do Jack Nicholson em “Melhor é impossível?” eu era quase aquilo, menos...vocês conhecem o "Monk"? Vejam, passa no canal 43 da SKY, é engraçadíssimo e comovente, eu adoro, conheço bem a aflição de estar com as mãos “sujas”.
Escrever aqui é como se estivesse me revelando para um novo amor, ou para um psicanalista, como já fiz muitas vezes.
Tenho dificuldades na gramática, acho nossa língua linda e difícil, quando alguém perceber um erro ficarei grata se me apontar, nunca sei onde colocar vírgulas, por exemplo, é uma dúvida constante. Escrevi errado o nome de Woody Allen, afinal são palavras que nunca havia escrito e, como todo bom neurótico obsessivo- mesmo sendo ex-neurótica- fico sempre em dúvida. Pensei em criar um espaço aqui para as dúvidas do português, vocês responderiam.
Esqueço sempre algo. Esqueci de mulheres que admiro como Gilda Arns, Marina Silva (esta me comove), Martha Medeiros, Maria Adelaide Amaral e tantas outras, vou lembrando aos poucos, afinal isto não é para ser levado a ferro e fogo, não é?
Esta Freud explica, falo sério: Thomas me lembra que não coloquei Bergman na minha lista de cineastas, é incrível, é o meu preferido, me identifico, choro muito, deve ser por isto que esqueci. Aquela solidão, aquele silêncio, a densidade dos personagens...Quando vi “Cenas de um casamento” tinha recém acabado um namoro e chorei o filme todo, “Morangos Silvestres” é belíssimo, adoro, “O sétimo Selo” não entendi na época e queria rever, outros como “Silêncio”, “Sonhos de uma noite de verão”, “Persona”, adoraria rever, adoro a Liv Ullman, é linda. “Gritos e Sussurros” foi um sofrimento, não quero nem rever, lindo e terrível. Tenho muitas saudades do tempo em que ir ao cinema significava ver Bergman, Fellini, Antonioni, este também não citei, por não pretender parecer metida, afinal eu não sou especialista em nenhum deles, apenas gosto, adorava os filmes de Bertolucci- “Último tango em Paris” é um dos melhores filmes que já vi, e tem as cenas mais excitantes do cinema para mim. Marlon Brando é, continua sendo, o mais bonito e o meu preferido ator. Foi uma das muitas perdas que tive no ano passado, fiquei muito triste com a morte dele, principalmente por sabê-lo infeliz, que vida trágica!
Teria de falar de Marcelo Mastroiani, que amo também, aí não saio daqui hoje-tenho escrito espontaneamente como um diário mesmo.
Tudo que escrevi sobre cinema foi para te responder, Thomas, estou perdoada?
Estou pensando o que nos faz fazer um blog, e acredito que é o desejo de ser reconhecido, como já disse antes, o desejo de estar menos só, o desejo de ser ouvida, aliás, o que nos impulsiona na vida senão o desejo de reconhecimento?
Acabo de receber um email do Simão, que me tirou do prumo, elogia meu blog, e eu fiquei tontinha, adoro o José Simão, para mim um dos caras mais inteligentes da atualidade, Millor é outro, quem não lê não sabe o que está perdendo, é brilhante. Vida longa ao Simão!
Depois desta do Simão, vou me retirar. Bom dia !
sábado, março 12, 2005
Dicas de livros
Ainda não sei que perfil terá este blog, vou tateando.
Esta semana, como já disse, estive em ebulição mental, e estou a pensar (gosto desta expressão de nossos patrícios) nas mulheres. Mesmo concordando com a Sheila e outras que disseram que são contra esta comemoração, também acho que é como qualquer outra data, usada pela mídia e comércio- nem Natal eu gosto! Mas não foi possível não pensar.
Lembrei de livros que li, pouco conhecidos, sobre mulheres e recomendo:
“Corpos frágeis, mulheres poderosas”.
De Maria Martoccia e Javiera Gutiérrez.
Ed Ediouro.
Adorei, tem biografias curtas de mulheres admiráveis como: Frida Kahlo, V. Woolf, Billie Holiday, Madame Curie, M. Callas e outras. É ótimo, não deixe de ler, você lê com facilidade e traz aspectos muito interessantes destas mulheres.
“A caixa de santinhos de esperanza” de Maria Amparo Escaban.
Bela história de uma mulher que nega a morte da filha e viaja atrás do paradeiro fazendo uma rica viagem interior.
“Memento Mori”” de Muriel Spark.
Divertido, fala da morte de forma leve, os personagens são todos velhos e divertidos. A protagonista é uma ex escritora muito famosa. Há um leve tom de mistério, todos recebiam telefonemas anônimos estranhos falando de morte, mas nada que assuste, é muito gostoso.
“As boas mulheres da China”
de Xinran
Ed. Ediouro
É de uma chinesa, jornalista, que conta histórias comoventes e reais. É um livro que todos, homens e mulheres, deveriam ler. Mostra o sofrimento das mulheres chinesas, da submissão. É muito bom.
“Mulheres Alteradas”
de Maitema
É ótimo, são charges, fantásticas, Maitema conhece muito bem a cabecinha das mulheres. É um tratado de psicologia sobre o comportamento das mulheres, uma espécie de “Radical Chic”, mais abrangente, a “Radical” é carioca, moderna, as personagens da Maitema são universais.
“História das mulheres do Brasil” Coordenação de textos de Carla Bassanezi.
Ed. Contexto
Imprescindível se você quer entender a mulher brasileira, encontramos histórias de mulheres fantásticas de séculos anteriores. Aqui no R.G.do Norte tivemos Nísia Floresta Brasileira Augusta, o nome já diz muito, uma grande figura, procurem ler, uma mulher que viveu a frente do seu tempo.
Alguns de vocês devem conhecer estes livros todos, mas eu dei a dica porque às vezes fazendo palestras eu cito a Maitema e tem muita gente que não conhece. A Maitema é, talvez, a Mafalda adulta, com filhos adolescentes. Mafalda, de Quino é outro livro que adoro, tenho a coleção completa e me delicio sempre que abro, aliás, eu penso em colocar um desenho da Mafalda no lugar da minha foto, eu tenho muito da Mafaldita, questiono tudo, e houve um tempo em que me parecia mais ainda porque usava um cabelo grande, como o da Gal, mas sou mais bonitinha que ela, viu?
E a “Radical Chic”, todos conhecem? Nós cariocas somos todos fãs de Radical, uma mulher moderna e complicada, desenhada com talento pelo Miguel Paiva, se você não conhece procure conhecer, é a cara da mulher moderna, está no Jornal O Globo, você pode ver lá.
Você lembrou de livros e gostaria de dar a dica?
sexta-feira, março 11, 2005
O blog e eu - em ebulição.
Há uma semana criei este espaço e passei estes dias em ebulição intelectual, tantas as idéias que surgiram, lembranças...
Semana de homenagens às mulheres, muitos textos para ler... Crio este pedaço e fico em cima do muro, pensando como usá-lo.
A primeira coisa que fiz foi colocar um texto de Contardo Calligaris, queria que todos lessem, fala de Michael Jackson, acho que não devemos ser levianos nesta história e nem nas outras semelhantes, onde se confundem vítimas e carrascos.
Esta foi a semana do beijo do Chico, melhor não falar disto, deixemos o Chico em paz, mas que mexeu comigo mexeu.
Quis mostrar logo um poema do Pimenta, um amigo querido que morreu muito cedo e que me elegeu como musa, escreveu dezenas de poemas lindos para mim, vou mostrá-los aos poucos, tenho cartas de amor belíssimas, que todos vão adorar.
Raduan Nassar é um escritor pouco conhecido e fantástico, precisava mostrar algo dele, se você gosta de bons livros não deixe de ler os três livros que Raduan escreveu, são apenas três, não quer mais ler nem escrever, quem somos nós para julgar ou interpretá-lo, não é? Eu o respeito muito, tiro meu chapéu, para mim é o melhor escritor, talvez eu tenha me identificado mais com o texto dele do que com outros, mas não sou só eu que digo isto, muita gente entendida considera Raduan Nassar extraordinário. “Lavoura Arcaica” é um livro que você lê e se comove com aquela família cheia de afetos contidos, tanta paixão, foi belamente filmado por Luiz Fernando Carvalho, proeza difícil, filmar um texto denso e não cair no vazio, Luiz Fernando Carvalho fez um dos mais belos filmes brasileiros no meu ponto de vista.
“Um copo de cólera” é uma novela do Raduan que adoro, escrevi sobre ela, é a história, estória, de uma casal que se ama, apaixonadamente e briga muitooo, discute, é um belo texto de amor, se você está apaixonada/o, leia, vai adorar, ele narra a cena de sexo mais linda e forte que já li, fantástico o Raduan. Fizeram um filme que detestei, não tem nada a ver com o livro dele, ele mesmo não diz que não gostou do filme, mas eu que li o livro muitas vezes, achei o filme péssimo por ser superficial e o livro do Raduan é denso como tudo que ele escreveu.
Desejei nesta semana que as pessoas me conhecessem um pouco através do que gosto, senti ansiedade, desejo de postar mais, o mesmo que sentimos diante de um novo amor, queremos nos mostrar naquilo que achamos melhor, mais bonito.
Coloquei um poeminha meu, pouco comprometedor. Senti falta dos amigos reais aqui, eles não estão habituados a freqüentar blogs, não têm blogs, alguns fizeram comentários no meu e-mail, outros ainda não se manifestaram.
Estive bisbilhotando e conhecendo outros blogs, são muitos, tem muita gente boa escrevendo blogs, alguns são bastante informativos- http://www.sindromedeestocolmo.com , são muitos os escritores e candidatos a, alguns são muito pessoais, umbigo puro, destes eu não gosto, mas tem alguns muito bons, há uma menina de 17 anos que promete como escritora,- http://www.eladesatinou.blogger.com.br :
um outro rapaz Victor Az muito bom e melancólico- http://intristeza.blogspot.com ;
os meninos do http://www.ocaosemplumas.blogspot.com / escrevem bem;
Patrícia Antonele do http://www.naodiscuto.com escreve lindamente sobre encontros e desencontros amorosos;
http://idelberavelar.blog.uol.com.br -culto sem ser pedante, ótimo;
uma carioca exilada como eu: http://stuckinsac.blogspot.com / gente fina, escreve bem;
um blog imperdível http://www.gardenal.org/inagaki ;
outro que deve ser lido http://www.nemonox.com/ppp , vários assuntos que nos interessam;
e, por último, um blog que me agrada muito por ser lindo esteticamente e falar de arte com graça e sem arrogância: http://sheilaleirner.blogspot.com
Como vêem ainda estou engatinhando aqui.
Percorrendo estes blogs muitas vezes me senti voyeur, intrusa, e senti que algumas pessoas são generosas, receptivas, outras não te dão bola e dá sensação de estranheza, afinal você não é amiga daquelas pessoas, chega lá escreve algo e quer atenção? Mas senti alegria quando me deram retorno, aprendi que isto é importante aqui no mundo virtual-assim como aqui ora, óbvio.
Uma coisa eu já sabia, é fácil fazer um blog, como é fácil clicar no e-mail de alguém, um cronista, por exemplo, e dizer algo, o difícil e o que vem depois, algumas vezes não nos fazemos entender, nos expressamos por vias tortas- (não é Radical Chic?)-, outras depois vem a ansiedade pela resposta como se este outro tivesse um compromisso com você, o compromisso de te ouvir e reconhecer. E não foi você que foi lá se expor?
Pois é...
Acredito que estamos todos aqui buscando uma nova experiência, uma nova forma de relacionamento e no fundo TODOS buscamos ser reconhecidos.
Semana de homenagens às mulheres, muitos textos para ler... Crio este pedaço e fico em cima do muro, pensando como usá-lo.
A primeira coisa que fiz foi colocar um texto de Contardo Calligaris, queria que todos lessem, fala de Michael Jackson, acho que não devemos ser levianos nesta história e nem nas outras semelhantes, onde se confundem vítimas e carrascos.
Esta foi a semana do beijo do Chico, melhor não falar disto, deixemos o Chico em paz, mas que mexeu comigo mexeu.
Quis mostrar logo um poema do Pimenta, um amigo querido que morreu muito cedo e que me elegeu como musa, escreveu dezenas de poemas lindos para mim, vou mostrá-los aos poucos, tenho cartas de amor belíssimas, que todos vão adorar.
Raduan Nassar é um escritor pouco conhecido e fantástico, precisava mostrar algo dele, se você gosta de bons livros não deixe de ler os três livros que Raduan escreveu, são apenas três, não quer mais ler nem escrever, quem somos nós para julgar ou interpretá-lo, não é? Eu o respeito muito, tiro meu chapéu, para mim é o melhor escritor, talvez eu tenha me identificado mais com o texto dele do que com outros, mas não sou só eu que digo isto, muita gente entendida considera Raduan Nassar extraordinário. “Lavoura Arcaica” é um livro que você lê e se comove com aquela família cheia de afetos contidos, tanta paixão, foi belamente filmado por Luiz Fernando Carvalho, proeza difícil, filmar um texto denso e não cair no vazio, Luiz Fernando Carvalho fez um dos mais belos filmes brasileiros no meu ponto de vista.
“Um copo de cólera” é uma novela do Raduan que adoro, escrevi sobre ela, é a história, estória, de uma casal que se ama, apaixonadamente e briga muitooo, discute, é um belo texto de amor, se você está apaixonada/o, leia, vai adorar, ele narra a cena de sexo mais linda e forte que já li, fantástico o Raduan. Fizeram um filme que detestei, não tem nada a ver com o livro dele, ele mesmo não diz que não gostou do filme, mas eu que li o livro muitas vezes, achei o filme péssimo por ser superficial e o livro do Raduan é denso como tudo que ele escreveu.
Desejei nesta semana que as pessoas me conhecessem um pouco através do que gosto, senti ansiedade, desejo de postar mais, o mesmo que sentimos diante de um novo amor, queremos nos mostrar naquilo que achamos melhor, mais bonito.
Coloquei um poeminha meu, pouco comprometedor. Senti falta dos amigos reais aqui, eles não estão habituados a freqüentar blogs, não têm blogs, alguns fizeram comentários no meu e-mail, outros ainda não se manifestaram.
Estive bisbilhotando e conhecendo outros blogs, são muitos, tem muita gente boa escrevendo blogs, alguns são bastante informativos- http://www.sindromedeestocolmo.com , são muitos os escritores e candidatos a, alguns são muito pessoais, umbigo puro, destes eu não gosto, mas tem alguns muito bons, há uma menina de 17 anos que promete como escritora,- http://www.eladesatinou.blogger.com.br :
um outro rapaz Victor Az muito bom e melancólico- http://intristeza.blogspot.com ;
os meninos do http://www.ocaosemplumas.blogspot.com / escrevem bem;
Patrícia Antonele do http://www.naodiscuto.com escreve lindamente sobre encontros e desencontros amorosos;
http://idelberavelar.blog.uol.com.br -culto sem ser pedante, ótimo;
uma carioca exilada como eu: http://stuckinsac.blogspot.com / gente fina, escreve bem;
um blog imperdível http://www.gardenal.org/inagaki ;
outro que deve ser lido http://www.nemonox.com/ppp , vários assuntos que nos interessam;
e, por último, um blog que me agrada muito por ser lindo esteticamente e falar de arte com graça e sem arrogância: http://sheilaleirner.blogspot.com
Como vêem ainda estou engatinhando aqui.
Percorrendo estes blogs muitas vezes me senti voyeur, intrusa, e senti que algumas pessoas são generosas, receptivas, outras não te dão bola e dá sensação de estranheza, afinal você não é amiga daquelas pessoas, chega lá escreve algo e quer atenção? Mas senti alegria quando me deram retorno, aprendi que isto é importante aqui no mundo virtual-assim como aqui ora, óbvio.
Uma coisa eu já sabia, é fácil fazer um blog, como é fácil clicar no e-mail de alguém, um cronista, por exemplo, e dizer algo, o difícil e o que vem depois, algumas vezes não nos fazemos entender, nos expressamos por vias tortas- (não é Radical Chic?)-, outras depois vem a ansiedade pela resposta como se este outro tivesse um compromisso com você, o compromisso de te ouvir e reconhecer. E não foi você que foi lá se expor?
Pois é...
Acredito que estamos todos aqui buscando uma nova experiência, uma nova forma de relacionamento e no fundo TODOS buscamos ser reconhecidos.
quinta-feira, março 10, 2005
Mulher é metonimia... Xico Sá.
"Mulher é metonímia, a parte pelo todo, sempre encontramos, naquela que se acho a mais feia das mulheres, um pedaço da anatomia capaz de provocar uma inexplicável razão de viver".
Trecho de "Modos do macho, modinhas de fêmea". de Xico Sá. Ed. Record.
E os homens, seriam metonímias também?
Trecho de "Modos do macho, modinhas de fêmea". de Xico Sá. Ed. Record.
E os homens, seriam metonímias também?
quarta-feira, março 09, 2005
Assinar:
Postagens (Atom)












