Mostrando postagens com marcador poema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poema. Mostrar todas as postagens

sábado, novembro 24, 2018

Camisa de força



Teu corpo contido vibra
Aprisionado
Meu corpo silencia
Apenas aos olhos é permitido ver
Mas seus olhos fogem
E o corpo cala

Adivinho teu desejo silenciado

Quem é o carrasco?

quinta-feira, julho 31, 2014

"Primeiro levaram os negros..." é sempre bom lembrar


No primeiro dia
Bertold Brecht
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

terça-feira, junho 24, 2014

Poema Susan Wood








Poema de Susan Wood

También el cuerpo es una caja
que alberga un corazón y
está atiborrado de ausencia

sábado, agosto 03, 2013

quinta-feira, novembro 11, 2010

“Show bizz”, poema de Charles Bukowski








Charles Bukowski | Trad. Alice Dias

eu não posso ter isso
você não pode ter isso
e nós não
alcançaremos isso

então não aposte isso
e nem mesmo pense sobre
isso

levante-se da cama
toda manhã
lave-se
barbeie-se
vista-se
e saia
para fora disso

porque
fora disso
o que sobra
é loucura
e suicídio

então
não
espere o bastante

você não
deve nem mesmo
esperar

então o que você faz
é
trabalhar
a partir duma
base
mínima

como quando
voce sai
e durante o voltar
fica feliz pela
possibilidade
de seu carro
estar
no mesmo lugar

isso se os
pneus
não estiverem
carecas

aí você entra
e se conseguir dar a partida
você dá a partida.

e
isso é o filme mais imbecil
que voce já viu
porque
dele você
participa.

salário baixo
e
4 bilhões
de críticos

com a mais
longa estrada
que voce jamais
esperou
acerca
disso

um
dia.



Daqui.

segunda-feira, novembro 01, 2010

Adital - 500 anos esta noite [homenagem a Dilma]

Adital - 500 anos esta noite [homenagem a Dilma]


Hamilton Pereira - Pedro Tierra *

Adital -

De onde vem essa mulher
que bate à nossa porta
500 anos depois?
Reconheço esse rosto estampado
em pano e bandeiras e lhes digo:
vem da madrugada que acendemos
no coração da noite.

De onde vem essa mulher
que bate às portas do país
dos patriarcas em nome
dos que estavam famintos
e agora têm pão e trabalho?
Reconheço esse rosto
e lhes digo:
vem dos rios subterrâneos da esperança,
que fecundaram o trigo e
fermentaram o pão.

De onde vem essa mulher
que apedrejam, mas
não se detém,
protegida pelas mãos aflitas dos pobres
que invadiram os espaços de mando?
Reconheço esse rosto e lhes digo:
vem do lado esquerdo do peito.

Por minha boca de clamores e silêncios
ecoe a voz da geração insubmissa para contar
sob sol da praça
aos que nasceram e aos que nascerão,
de onde vem essa mulher.

Que rosto tem, que sonhos traz?
Não me falte agora a palavra que retive
ou que iludiu a fúria dos carrascos
durante o tempo sombrio
que nos coube combater.

Filha do espanto e da indignação,
filha da liberdade e da coragem,
recortado o rosto e o riso como centelha:
metal e flor, madeira e memória.

No continente de esporas de prata
e rebenque, o sonho dissolve a treva espessa, recolhe os cambaus, a brutalidade,
o pelourinho, afasta a força que sufoca e silencia
séculos de alcova, estupro
e tirania e lança luz sobre o rosto dessa mulher
que bate às portas do nosso coração.

As mãos do metalúrgico,
as mãos da multidão inumerável
moldaram na doçura do barro
e no metal oculto dos sonhos
a vontade e a têmpera
para disputar o país.

Dilma se afarta da luz
que esculpiu seu rosto
ante os olhos da multidão
para disputar o país,
para governar o país.
Nasce uma nova aurora:

BOM DILMA!!!

Pedro Tierra

Brasília, 31 de outubro de 2010.

* Ministério do Meio Ambiente

Página Inicial

domingo, março 14, 2010

"Se te pareço noturna e imperfeita"

Klimt


Dez chamamentos ao amigo


Hilda Hilst


Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo.
Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há um tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta
Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.
...

Minha medida? Amor.
E tua boca na minha
Imerecida.
Minha vergonha? O verso
Ardente. E o meu rosto
Reverso de quem sonha.

Mais aqui.

terça-feira, agosto 25, 2009

Foto Fernando



"Não será a areia da praia o jardim do mar?"
Ricardo Blauth

Daqui

sábado, maio 23, 2009

Lua minguante

Foto Paris noite


Lua minguante

Queria contar do meu amor mais manso.
Tela especular de um entardecer de outono.
Hiato.

Madrugadas me afligem,
Desconheço fases lunares.
Haverá lua cheia?
Ou esta minguante...

Ah! Negritude infinita.


Rio, 03 Junho 87

terça-feira, janeiro 13, 2009

Luz amarela no quarto dela...




"luz amarela no quarto dela
ali se espera
que um sonho entre pela janela"


Alonso Alvarez.

Não sei quem ele é...estava na minha agenda do ano passado.

quarta-feira, março 09, 2005

Poema




Para Raduan Nassar

Com delicadeza,
como se tocasse
azuis asas de borboleta,
conservo suas palavras.