domingo, setembro 25, 2011

EUA aumentam pressão contra cigarro em casa


Condomínios nos EUA aumentam pressão contra cigarro em casa - O Globo

Esta notícia me assusta. Então, não teremos mais liberdade nem dentro de nossas casas?

É um absurdo o retrocesso que vivemos em alguns aspectos. A sociedade não percebe que cada dia mais somos vigiados e manipulados.

A minha geração sofreu abrindo caminho para que todos fossemos mais livres e vejam o que acontece. Triste.

Encaretamos. Ok. os gays têm mais espaço, o preconceito é apontado em muitas areas. Mas não percebem que proibir alguém de fumar na sua própria casa, também é um preconceito, uma abuso de poder sobre o outro?

Aviso: Não sou fumante.

quinta-feira, setembro 22, 2011

O poeta frugal- Carlos Drummond de Andrade




 


Chá das quatro com Drummond

Drummond se aproximou mais de mim, não sei exatamente porquê, depois da morte de Pedro Nava, fui amorosa com ele, fiz um cartão com um desenho bonito, caminhamos de mãos dadas por Ipanema...Ele sofreu muito com a morte de Nava, não se conformava, dizia: "Por que ele fez aquilo?"
Não sabíamos do drama que Nava vivia na ocasião.

Ele me perguntava, todos os dias, como seria a minha tarde no dia seguinte, e eu lhe dizia que teria um dia de trabalho cheio, às vezes mentia, eu não queria estar a sós com ele. Pode parecer estranho para muitos, mas é verdade, eu tinha receio de criar uma expectativa muito grande e não corresponder, não queria ser culpada por vê-lo infeliz.

Nesta ocasião ele rompeu com a namorada, por uma razão que não lembro, uma bobagem, disse que não a queria mais. Fiquei assustada, eu era muito discreta, não o procurava, esperava que ele se aproximasse.

Eu estava, naquele momento, completamente apaixonada por outro homem, impossível jogar charme a quem fosse, mesmo para o poeta. Eu lhe contava sobre o meu amor, e ele dizia que se eu quisesse manter a paixão deveria viver em casa separadas, como ele fez com a namorada, estavam juntos há trinta anos, como amantes.

Um dia eu o convidei para tomar chá comigo. Ele trouxe de presente uma gravura abstrata de Renina Katz, em azul, muito bonita. Elogiou meus desenhos, contou muitas histórias de flertes e namoricos que teve ao longo da vida. Preparei uma bela mesa com chá inglês, geléia dinamarquesa, quindim mineiro, torradas...Tomou chá, disse que a mesa era linda, mas ele era frugal. Todas as vezes que ouço esta palavra lembro dele- frugal- combina com o Carlos. Ele me pedia para chamá-lo assim, eu preferia Drummond, era como o conhecia antes, só quando me corrigia chamava-o pelo primeiro nome.

Tenho saudades de Carlos, o poeta frugal.

Seriam os pais de hoje bipolares?





Meus pais são bipolares



Hoje, a bipolaridade não é só um transtorno para alguns mas um traço da personalidade de todos nós



O termo "bipolar" se tornou corriqueiro na boca dos adolescentes. Não é que eles citem diagnósticos psiquiátricos, no estilo "sabe, minha mãe toma remédio porque os médicos dizem que ela é bipolar".
Nada disso; para eles, o termo é a descrição genérica de um estado de espírito dominado por altos e baixos radicais. Além disso, muitos adolescentes acham que, hoje, ser bipolar é a regra.
Não acho ruim que termos clínicos se vulgarizem e entrem na linguagem comum. Só me preocupa o fato de que, às vezes, psiquiatras e psicólogos adotam essa vulgarização, confundindo a tristeza banal com o transtorno depressivo ou, então, variações do humor banais com o transtorno bipolar.
Com isso, claro, a indústria farmacêutica faz a festa, pois vende antidepressivos a pessoas que estão apenas tristonhas ou morosas e estabilizadores do humor a pessoas que são apenas mais alegres pela manhã do que à noite. Seja como for, talvez os adolescentes tenham razão. Talvez a bipolaridade, além de um transtorno para alguns, seja hoje um traço da personalidade de todos nós. Por quê? Um pequeno desvio para responder.
Existe um grupo de trabalho encarregado de revisar o "Manual Estatístico e Diagnóstico de Transtornos Mentais", cuja quinta versão ("DSM V") será publicada em 2013. Esse grupo manifesta periodicamente suas decisões e seus pensamentos no site www.dsm5.org. Foi assim que em 2010, se não me engano, soubemos que o "transtorno da personalidade narcisista" sumiria da próxima versão do "Manual". Tanto mais bizarro que, aos olhos de muitos (assim como aos meus), a personalidade narcisista, longe de estar extinta, é a que melhor resume a subjetividade contemporânea. Antes de defini-la, vamos ver quais foram as reações.
A más línguas observaram que sempre somem os transtornos contra os quais a indústria farmacêutica não tem remédios para vender (não existe pílula para transtorno narcisista, enquanto existem várias para bipolaridade e depressão).
Outros, considerando que o transtorno da personalidade narcisista coincidiria com o espírito de nossa época, acharam normal que ele não fosse mais considerado como uma patologia.
Enfim, muitos psicanalistas (sobretudo alunos de Heinz Kohut e de Otto Kernberg, grandes intérpretes do narcisismo) protestaram, e eis que, numa revisão de 21 de junho passado, o transtorno narcisista reapareceu no "DSM" (http://migre.me/5JNlu).
Em síntese, o narcisista não é, como sugere a vulgata do mito de Narciso, alguém apaixonado por si mesmo ou por sua imagem no espelho. Ao contrário, o problema do narcisista é que ele depende totalmente dos outros para se definir e para decidir seu próprio valor: ele se orienta na vida só pela esperança de encontrar a aprovação do mundo.
Infelizmente, nunca sabemos por certo o que os outros enxergam em nós. Às vezes, o narcisista se exalta com visões grandiosas de si, ideias infladas do amor e da apreciação dos outros por ele; outras vezes, ao contrário, ele despenca no desamparo, convencido de que ninguém o ama ou aprecia.
Ora, a modernidade é isso: um mundo sem castas fixas, onde cada um pode subir ou descer na vida justamente porque seu lugar no mundo depende da consideração (variável e sempre um pouco enigmática) que os outros têm por ele.
Ou seja, a modernidade nos predispõe a um transtorno narcisista permanente e, no coração dessa personalidade narcisista (sina de nosso tempo), há uma oscilação bipolar.
O adolescente tem razão: a bipolaridade talvez seja especialmente manifesta nos pais. Como disse, na sociedade moderna, só somos o que os outros reconhecem que sejamos, e os pais não são uma exceção a essa regra.
Nem lei simbólica, nem legado divino, nem provas genéticas bastam para me transformar em pai ou mãe de meus filhos. Hoje, para eu ser pai ou mãe, é preciso que os filhos me reconheçam como tal, ou seja, sem o amor e o respeito de meus filhos, eu não serei nem pai nem mãe.
Consequência: todo pai moderno é condenado à bipolaridade, entre a felicidade de ser genitor e uma consternadora queda do alto dessa nuvem. Se ele tenta educar, corre o risco de não ser mais amado e, portanto, de não ser mais pai.
Se desiste de educar para ser amado, corre o risco de não ser mais respeitado -ou seja, novamente, de não ser mais pai. É isso: os pais são bipolares.



 


Artigo da Folha de São Paulo de hoje.

quarta-feira, setembro 21, 2011

As minhas sombras e 'Sombras' de Franco Terranova


Fico feliz em ver o Franco lançando mais um livro e sendo festejado.

Pioneiro do mercado de arte no Brasil, Franco Terranova prepara o lançamento de 'Sombras' - O Globo

Eu o conhecia da Petite Galerie- durante meus 30 anos de Rio, visitei todas as galerias de arte que encontrei no caminho- a dele ficava atrás da minha casa.

A frase de Rossela, sobre as pessoas que conheceu, me tocou. Admiro-a pelo trabalho, que conheci, fiz algumas aulas no Petite Studio, mas não com ela, eram outros professores. Antes fiz Corpo análise,(antiginástica), com Gerry Maretzki durante alguns anos- foi excelente. Gerry me ajudou muito. Ah! Eu vi muito Rossela na rua Farme de Amoedo, sempre elegante e discreta.

Sempre admirei o Klaus Vianna e Angel. Conheci os dois, também o filho, que morreu tragicamente e tão jovem. Klaus era amigo do meu ex. Achava maravilhoso o trabalho de corpo que fazia com os atores, desde o "Dia de Rock"- sou da geração dia de rock- quem conhece sabe do que eu falo. Vi sete vezes a peça, respirava aquele ar feliz da vida. Queria compartilhar aquele pão com todos ali.

Bom, chega de nostalgia. O que me entristece é ter conhecido estas pessoas, a maioria de longe. Também sou tímida, fui mais, ainda. Entrava nos lugares em silêncio, sem querer ser percebida- falei com Franco, por ex. poucas vezes, lembro que uma vez quis comprar uma gravura de Volpi- não deu para comprar :) Patrício, meu querido amigo, que vive no Caribe é amigo do filho de Franco, o fotógrafo.

Pois é, eu estive perto de muita gente que desejei conhecer melhor, mas não consegui. Sorte que com Drummond eu ousei mais um pouco. Conto no post abaixo.

terça-feira, setembro 20, 2011

Drummond, sua filha e eu



Monólogo que estreia na quinta-feira revela correspondência entre Drummond e sua filha - O Globo


Drummond e Maria Julieta

Drummond e Maria Julieta Lendo esta reportagem, lembrei do meu encontro com Drummond e Maria Julieta.

Não lembro o ano exato, foi lá por 83, acho. Eu subia a rua Farme de Amoedo e esbarrei com os dois em frente à loja Forma. Carlos, era assim que gostava que o chamasse, me corrigia quando chamava-o de Drummond, que eu preferia, afinal...
 Bom, Carlos nos apresentou e disse: 
- “Minha filha, Elianne tem dois namorados- (é uma brincadeira dele porque eu tinha realmente dois “amores”, mas não namorados).
Eu, sem graça, era a primeira vez que via a Maria Julieta, digo:
- “Que nada! Não tenho namorado, é brincadeira de seu pai.”
Maria Julieta:
- “Papai sabe muito bem que quem tem dois não tem nenhum."
IH!...
Ele: - "Elianne, você que é psicanalista, me diga, acabei de comprar uma cadeira aqui na Forma, o que significa isso?"
Eu: - "Ah! Drummond, pare com isso, sei lá..."
Maria Julieta, rápida no gatilho:
- “Comprar cadeira é pra ficar ereto”.
Sorrisos e nos despedimos.

Drummond era jocoso e divertido. Quem o conheceu sabe disso. Havia sempre uma malícia no ar.

Pois é, depois a Maria Julieta adoeceu seriamente e ele se entristeceu. Eu o encontrava a caminho da casa dela, que ficava perto da minha, na rua Barão da Torre. Um dia, ele disse que ela sofria muito com dores, usava colchão de água. Muito triste um pai ver isso.

Quando ela faleceu, eu esperei uns quatro dias e liguei. Ele parecia tranquilo, disse que ela havia descansado, conversou comigo normalmente. Dias depois ele falece. O resto da história muitos de vocês conhecem. No enterro do Carlos conheci o pai dos meus dois belos filhos. Para quem não leu está aqui. 

Sobre insinuações de uma relação incestuosa entre pai e filha, é uma distorção enorme do afeto entre os dois- percebi claramente a cumplicidade entre eles. Quando ela diz: “Papai sabe muito bem que quem tem dois não tem nenhum.” Está se referindo a Lygia Fernandes, que ele encontrava todos os dias há mais de trinta anos na casa dela na rua Barão de Jaguaribe.

Ele me contou que Lygia o namorava há trinta anos, que saiu da casa da família para ter mais liberdade para encontrá-lo, que a visitava todos os dias e ressaltava, sempre:
- “Se você quer manter a paixão, não case.” Receita do poeta para a manter a chama.

Uma carta de Lygia aqui, li hoje. Engraçado, ele não me disse que tinha angina- disse, uma vez que ficou doente, que foi infecção urinária... Talvez porque a angina seja doença de velhos... Sei lá.

Ele gostava muito de falar no telefone de noite- uma vez me ligou depois de meia noite- eu não estava, minha irmã, que morava ainda comigo atendeu. Dizia que à noite ele colocava a mulher na cama e tomava um licor, ouvia música. Pela carta de Lygia, ficamos sabendo que eles namoravam pelo telefone. Ele disse também, que pela manhã era a mulher quem cuidava dele.

É, a vida é interessante e sofrida, nunca como esperamos- desejamos.

domingo, setembro 18, 2011

Roberto Carlos no Programa Jô Soares



Acabo de ver o Roberto Carlos no Jô- é de uma simplicidade cativante,
me rendo ao rei.
O papo foi bobinho, mas muito agradável porque há amizade entre eles.
Mais aqui.

As cartas inéditas de Freud e de sua mulher





As cartas inéditas de Freud e de sua mulher - Jornal Opção


De Freud para Martha

Teatrinho de máscaras


7.8.1882

Amada pequena menina,

Os astrônomos afirmam que as estrelas que hoje vemos reluzir começaram a arder há centenas de milhares de anos e talvez hoje estejam se extinguindo. Tal é a dimensão de distância que nos separa delas, até mesmo para um raio de luz que, sem se cansar, percorre mais de 40.000 milhas em um segundo.


Sempre foi difícil para mim imaginar isso, mas agora posso fazê-lo com facilidade quando penso como você sorri diante de minhas cartas cordiais, enquanto minha alma sofre com dúvidas e preocupações, e quando penso como você se aborrece com a minha dureza e a minha desconfiança, enquanto uma medida de ternura, que luta em vão para se expressar, me preenche.


Há dois caminhos para evitar esta incongruência. O primeiro seria me abster de relatar uma atmosfera que supostamente não vai duram nem uma semana. O outro seria fazê-lo mantendo um olhar sereno, acima do teatrinho de mascares que a vida vai encenando conosco.


Desprezamos o primeiro caminho, o caminho da preservação, porque ele pode acabar levando ao estranhamento. Por isso, somos obrigados a fazer aquilo que o segundo caminho nos recomenda.


Imagine que cada duas horas dos quatro dias que se passam entre a minha pergunta e a sua resposta – não, mais 64 das 96 horas – estendessem a tal ponto por meio de pensamentos confusos a respeito de você que a pobre pessoa por fim não fosse mais capaz de distinguir esse intervalo de tempo de um mês ou de um ano.


Imagine quão vazios e, consequentemente, quão breves pareceriam os milênios durante os quais não pensamos em nada, e então você será forçada a admitir que o atraso dos acontecimentos que interessam ao astrônomo não será maior do que aquele que nós dois somos forçados a suportar por causa de seu veraneio em Wandsbeck.


O que nós, ligados de maneira tão íntima e tão insolúvel, teremos que fazer quando acontecer entre nós algo como aquilo que constituía o conteúdo de minhas últimas cartas. Se eu não estiver fisicamente exausto, vou empurrar para um segundo plano as poucas lembranças incômodas associadas aos meus esforços por você  e me alegrar pensando em tudo de bom e de belo que vi em você, e em todos os sacrifícios que você fez por mim até hoje.


Você vai habituar-se a continuar amando o pobre homem, apesar de sua antipatia, de seus maus humores esporádicos e de seus julgamentos equivocados, e continuaremos a caminhar juntos alegremente. Se não me engano, hoje efetivamente você não é capaz de dedicar a mim todo o seu amor sem alguma dificuldade, e à custa de autocontrole – e eu só serei capaz de sorrir, ciente de minha vitória, quando você finalmente se tornar minha, seguindo o curso inevitável da natureza, como eu pretendia desde o começo.


Por isso alegre-se, amada Marthinha, o tempo há de chegar – se é que ainda não chegou – no qual tudo aquilo a que um dia você concedeu uma parte de sua estima se tornará  uma sombra que não vai perturbá-la mas do que a mim mesmo.


Em breve, terei que retomar meu trabalho, que por meio de um hábito seguido com pontualidade primeiro se torna suportável e depois pode tornar-se estimado. Tenho diante de outros principiantes a vantagem de uma maturidade maior, e de maior consideração por parte dos superiores. Atualmente falta-me a confiança que vem de habilidades conquistadas pelo hábito constante, porém não me faltam conhecimentos teóricos nem a capacidade de observar o corpo humano como um simples objeto, sem me intimidar com as dores dos pacientes.


Durante os poucos dias nos quais me dediquei à cirurgia, realizei algumas pequenas operações com o bisturi, coloquei algumas ataduras com gesso e, por duas vezes, conduzi a anestesia de pacientes por meio de clorofórmio.


Das atividades que realizei, está última é certamente a mais desagradável, pois a morte súbita durante a anestesia por clorofórmio, esse acontecimento temido por todos e incontrolável, faz com que o médico fique em estado permanente de excitação nervosa.


No quarto que me foi designado encontra-se também um menino pobre e perdido, cuja perna precisa ser diariamente lavado com o maior cuidado antes que seja trocado seu curativo, e eu não escapo dessa atividade desagradável e de pouco sucesso.


Os próximos três meses no departamento de cirurgia certamente vão melhorar visivelmente minha habilidades e, se alguma vez eu tiver de retirar do mais lindo dos olhos um grãozinho de poeira, as dores que a querida menina terá de enfrentar nessa grande operação serão muito mais suaves.


Sorte de quem puder em breve ver estes olhos lindos reluzindo de amor! Agora infelizmente Eli está tão apaixonado por Fritz que ele também não consegue largar de Martha e esse novo amor me custa tanto sofrimento quanto o anterior.


Um consolo são agora as três irmãs iniciadas, que sempre conversam, e com as quais pode-se falar de Martha, e que me parecem melhores e mais maduras, como se entendessem como a nossa vida mudou.


Elas também contam algumas coisas com as quais se poderia provocar a Marthinha num momento alegre, por exemplo como  ela nos criticou uma vez na casa dos Weiss, e eu sou obrigado a rir quando me lembro quanto ele foi castigada por isso.


Amanhã voltarei a escrever uma cartinha, o dia de hoje é tão irritante e perturbador. Vamos fazer com que passe depressa, para dar lugar a um outro, melhor.


Com cordiais saudações à única e querida menina amada,

Teu Sigmund

De Martha para Freud
O amor encarnado
30.8.1882
10h45 da noite


As profundezas da minha alma percorre, como silenciosa prece noturna, um doce pensar em ti...

Leiam mais no site.

terça-feira, setembro 13, 2011

Chico...



Saudade inenarrável...
Por que fui achar isso hoje?
Fui procurar César nas 'lembranças'. Tanta saudades dos amigos...

segunda-feira, setembro 12, 2011

Um blog que é um achado



Vejam mais:
BLOG ACHADOS


Lembra Diane Arbus, que fez fotos impressionantes. Vejam aqui.

1.BLOG.a+: LAURA DIZ



Vejam que presentão ganhei do Eduardo Lunardelli. Estou super feliz. Eduardo é um homem admirável, todos nós sabemos, sensível, amigo de muitos, artista dos melhores.
Obrigada, querido amigo.
Vejam aqui:
1.BLOG.a+: LAURA DIZ ou Elianne Abreu Diz

domingo, setembro 11, 2011

sexta-feira, setembro 09, 2011

Meninos do Rio














Foto daqui





Nossos meninos


Cheguei ao Rio de Janeiro em 70, vivi 30 anos no mesmo lugar, numa rua arborizada e tranquila em Ipanema.
Vi meninos de rua crescerem, alguns literalmente- vi se tornarem homens e desaparecerem.
No início de 80 eram alguns, em 2000, muitos, agora já organizados, andavam em grupos, batiam com pedaços de paus nas grades das lojas fechadas- algumas com portas fechadas antes das 19 h por medo. Era assustador.
Eu via aquele bando e pensava em abandono- desciam do morro, onde sofriam agressão e descaso, e no asfalto eram 'poderosos' com pedaços de paus e cacos de vidro.
Uma vez, uma amiga levava a filha para a escola- ainda no tempo dos vidros abertos- um menino gritou:
- "Passe o dinheiro"
Ela tranquilamente disse:
- "Não tenho dinheiro, quer este pacote de biscoito?"
Ele respondeu:
- "Quero tia" e sentou no meio fio para comer o biscoito.




A decisão


Atendia um cliente no consultório na Rua Visconde de Pirajá, perto da Praça gal. Osório, nove e pouco da noite, ouvimos tiros, muitos, pareciam atingir os prédios em frente, olhamos pela janela, não havia nada estranho. Voltei a atendê-lo.
Saímos do prédio juntos, os tiros vinham da favela- o porteiro da noite já sabia.
A rua estava deserta. Ao dobrar a esquina da Rua Farme de Amoedo ouço som animado de 'Chorinho' vindo do bar badalado.
Quinta era dia de Chorinho, estava lotado, todos animados bebiam o chope famoso. Na esquina um carro da polícia vinha da rua onde há entrada para o morro.
No dia seguinte ao comentar ouvi de várias pessoas: "É...foi lá no morro".
Nada parecia acontecer.
Neste dia decidi que sairia do Rio com meus dois filhos.
Neste dia decidi sair do Rio de Janeiro.




A despedida



Era minha última noite no Rio, dezembro de 2002, depois de uma via sacra de despedidas emocionadas, fui ao encontro de um amigo psicanalista num restaurante tradicional na Avenida Atlântica, posto 6.
Há anos não me sentava naquelas varandas divertidas com gente exótica, mulheres enroladas em cobras, seresteiros, homens vendendo bonecos gigantes, travestis.
Neste noite não havia ninguém. Havia silêncio.
Saímos à meia noite, rua deserta.
Era um silêncio que eu desconhecia. Dava medo.

PS: Escrevi em 29/11/10, hoje postei de novo. Saudades do Rio.

quinta-feira, setembro 08, 2011

Drummond e a Garganta Profunda






Drummond, o Carlos, me contou que foi ver o filme “Garganta Profunda” no Cine Scala, em Botafogo no Rio de Janeiro. Chegou de mansinho, pediu o ingresso, meio de lado para que mal fosse visto- era quase uma linha imaginária. Viu o filme, saia pé ante pé, quando ouviu a bilheteira dizer em alto e bom tom:
- "E aí, poeta, gostou do filme?"

foto


Miniconto: Desejo






Desejo



Quando cheguei com as flores ela me recebeu com um beijo e um:
- Obrigada, querido.
Sumiu, voltou com a jarra de vidro e margaridas brancas.
Na rua, com as flores na mão, me senti nu, depois desconfortável no meio da sala, foi a primeira vez que subi.
Ela veio em minha direção alegrinha, me beijou e me apertou contra ela.
Quando a vejo assim, leve, meu lado taciturno sobressai. Silencio.
Ela disse:
- O que foi?
- Nada, não foi nada, respondi sem convencê-la.
Puxou-me para o quarto. Mandou que me despisse e deitasse. Obedeci em silêncio. Continuou vestida. Eu nu.
Ajoelhou-se aos meus pés e os massageou. Meus pés doem ao serem tocados. Ela estalou cada dedo, dizendo baixinho:
- Se solte, vamos, se solte.
Então, me alisou com aquelas mãos pequeninas, apertou alguns pontos sensíveis- sempre muito compenetrada.
Quando me viu entregue, despiu-se olhando desafiadoramente nos meus olhos. E veio felina, deslizando a partir dos meus pés esfregando seu corpo leve no meu até alcançar o que desejava.
Ai, sorriu e me beijou vorazmente. 
Montou até a exaustão.


Publicado anteriormente em 20/09/06

Photoshop aos 60



Leiam aqui:
Photoshop aos 60.  A história de um homem generoso.

terça-feira, setembro 06, 2011

Sorriam...





Delícia! E que damas! Admiro as duas atrizes.

Daqui: awesome people hanging out together .
Vejam mais no site, cada foto!





A bela dupla brincando. Bom ver os dois rindo.

sábado, setembro 03, 2011

Relendo cartas






Aqui mais uma carta do meu amigo Pimenta, que me amou intensamente sem nada pedir- se você quiser ler mais cartas e poemas dele encontrará em posts anteriores, (início do blog em 2005).

Abri a pasta cheia de poemas e encontro esta carta, é de doer. Ele morreu um pouco depois de aneurisma, ou doença de Chagas, não sei, não importa mais, tinha menos de trinta anos, era engenheiro e poeta.

A saudade não dói mais, faz tantos anos, mas eu sinto falta ainda dele- é incrível.

Estudamos juntos Integrais e derivadas, Luc estuda agora em engenharia, eu vejo e lembro do Pim, fazíamos exercícios e mais exercícios, enchíamos cadernos de Integrais, limites, estas coisas- eu adorava estudar matemática, álgebra- talvez por estudar com ele- que era tido com gênio por todos, só tirava dez em tudo.

Depois, quando fomos fazer nossos cursos superiores, ele foi para Niterói, eu para o Rio. Passamos a nos ver muito pouco. Eu tinha um namorado, o A., e Pim acabou casando, mas nunca deixou de me escrever- escondia minha existência da mulher- eu era uma fantasia.

Ele me escrevia- e eu a ele, várias vezes por semana, então até hoje, muitas vezes, quando olho para o chão perto da porta, ou vejo uma cena num filme, me lembro dele- cartas no chão. Eu recebi muitas, muitas mesmo, durante anos. Levava na bolsa para a faculdade, relia, são muito lindas.


Niterói, 13 de março.



Lian querida


Você está linda. Assim na carta, o caminhar estranho em chão de pedras, o velho, seu livro, deram-me uma sensação de desencontro em mim mesmo, o que você deve ter sentido também, um analfabeto acharia sua carta bonita, a letra, o jeito feminino ( aliás esta mulher –total em você até me assusta, porque não se dá,não se conhece) de tudo, lembrando seda/rosa, quietude e horizontais. Eu não posso falar destas coisas, não, eu não posso, porque existe a promessa de uma nitidez e coerência, apego ao aparente –real e o encanto me leva a desvarios, e as palavras embriagam. Mas, que fique a proposição : Lian, você é linda.
A morte, suas redondezas, radijacências. Nós estamos computados. Não creia na data/fim, ela é medo apenas. Eu a vi no espelho hoje, branca, trêmula, sardenta, ruiva: roubara-me a figuração. Caratonhei, vias de dúvida- ela mesma suarenta, querendo sentar. Eu não costumo aceitar ordens da morte, mesmo quando me leva amigos e mestres conhecidos. E ouvi dizer: espera. Entende? Não há porque, janelas abram-se em plenilua. Meu anjo.
Ah, Lian, quanta forquilha, quando se espera! Deixa estar.
Vou escrever para você- a que me ouve,a que não tem medo de dizer amizade. Meu anjo, ainda te conheço qualquer dia desses!
Um beijo,
Pimenta.


PS: Sou um imbecil, mas não vem ao caso. Em miúdos: até hoje não sei falar com você. Aceita uma visita?

Lembranças para amar


Praia das Conchas- Cafo Frio-RJ



Escrever com censura é muito ruim, desestimula. Ando assim com o blog. Tão bom quando havia menos policiamento! OK. Danem-se os outros, mas eu não sei ser assim. Dias melhores, posso dizer. Outro dia fui à praia, mesmo com vento demais e gente estranha por perto, foi bom pegar um solzinho da tarde. Sou nostálgica irremediável. Lembro de Ponta Negra há 25 anos, tão melhor... Tudo que tem a ver com a natureza foi melhor- o homem veio e destruiu tudo. O mesmo com Cabo Frio, Búzios, Praia das Conchas. Posso dizer que conheci paraísos. Sou privilegiada. Eram lindíssimas. Hoje ainda há beleza, mas longe da beleza selvagem.

Praias desertas são mágicas.

Lembro da Azedinha vazia. Praia de João Fernandinho- inacreditável! Deus meu! E a Praia do Forte, dunas... melhor nem contar. Não é, César? Rs
Aquela imensidão de areia branca só para nós. Não, não era eu e César, não. Rs.

Bom, saudades de Carlinhos. Lembro dele se aproximando na areia, era lindo, eles todos eram lindos- que homens! Podem me chamar de fútil, boba, se virem as fotos vão concordar- todos lindos de morrer. Jean era um príncipe, olhos azuis, alto, lembrava Gary Cooper- o charme em pessoa. E o sotaque francês? E o sorriso irônico e cúmplice? Demais. César lembrava um deus grego- juro! Todos cultíssimos, inteligentes, simpáticos, amorosos.

Impossível não ter saudades de pessoas tão queridas e interessantes. Onde estão os homens charmosos e especiais hoje? Hello! Quero conhecer,ainda há tempo- quero conversar com gente inesquecível. Onde?

Pronto, já virá algum espírito de porco para dizer que estou reclamando- que vá catar coquinho no asfalto.

Quem conheceu César, Carlinhos, Jean Guillaume, Chico... tem que ter saudades daquele tempo. Sem falar nos papos com C.Scliar. Mas ele não era um amor, eu não era próxima, nunca quis ser. Não voltei mais à Cabo Frio, tenho uma amiga lá, tenho Anúsia lá, mas não tenho mais estes quatro especiais: César- está em MS- longe- os outros estão inacessíveis- se foram. Queria crer em vida além desta- se existir, estão a me esperar- todos me amaram, muito, um amor diferente do outro. Ai ai .

E Pimenta? Preciso mostrar os poemas dele aqui de novo. Tão apaixonado, tão inteligente! Morreu cedo demais, antes dos trinta- que pena!

Hoje o filho foi surfar e eu não fui. Ontem fomos a um restaurante árabe legal- fui com um dos irmãos e sobrinha- linda, quando me viu foi ao jardim do prédio e pegou uma florzinha para mim. Oh! Fiquei tão feliz. Nossa família tem estes gestos, foi a primeira vez que a vi fazer isso. Meu filho, Dan, faz isso, meus irmãos também, minha mãe, eu... Vem de mi madre- há coisas muito legas que ela nos deu- dá. Além da literatura, claro.

Chega.
Praia de João Fernandinho- Búzios- RJ

Nureyev & Fonteyn Romeo&Juliet



Maravilha! Estes dois juntos eram demais.