segunda-feira, agosto 17, 2015

Carlos Drummond de Andrade e meus meninos



Drummond entrou realmente na minha vida ao morrer.
Éramos amigos, sim, mas a minha vida mudou com a morte dele. Conto aqui o porquê da data ser tão importante para mim. Viva Drummond!

Era agosto, meu inferno astral, mês de mau agouro. A TV noticia a morte de Drummond. Fico triste. Havia falado com ele pouco antes, alguns dias depois da morte de sua filha, Maria Julieta. Ele pareceu tranquilo, disse que ela sofria muito, que foi um alívio para ela. Sofria de câncer nos ossos- ele cuidava dela, eu o encontrava na rua à caminho de sua casa, que ficava na rua Barão da Torre- pertinho da minha rua. Tinha pena de vê-lo tão triste, contou que ela usava colchão de água por causa das dores.

Confusa, não sei se devo ir ao enterro, detesto estas cerimônias. Dia cinzento, chuva fina. Às nove da manhã a imagem de Drummond no caixão me comove numa capela quase vazia. Resolvo ir.

Onze horas, hora do enterro, a capela, cada vez mais cheia, me sufoca. Saio para a varanda do cemitério São João Batista. Havia ali um homem bonito- alto, de terno de linho azul claro e olhos orquídea- e outros curiosos, políticos, artistas... Pergunto, a um homem qualquer, se há outra saída para o caixão- pois vejo repórteres correndo- o homem de terno de linho azul diz: “Vou ver". Na volta diz, fazendo um gesto com a mão: "Venha comigo". Fui.

Algum tempo depois eu esperava meu primeiro filho- dele.

Diz um amiga astróloga que quando morre um escorpião nasce outro, no meu caso nasceram dois geminianos.

Devo a Drummond meus dois lindos meninos, hoje homens.

5 comentários:

Marcello Jardim disse...

Linda essa lembrança,Eliana,me fez lembrar o Drummond , meu pai e minha tia, poeta também, Maria Izabel, que sempre gostaram tanto dele.Obrigado e boa noite

Vivien Morgato : disse...

Vc sabe que essa história é boa demais pra parar aqui, certo?


****to be continued*****

Anônimo disse...

Vida e morte...ou morte e vida! De arrepiar. Xero de François Silvestre.

Diz disse...

Queridos, obrigada.

Vivian, ah! o que rolou depois é melhor não contar. É muito íntimo.
tenho outras historinhas c Drummond, acho q vc já conhece, ai ao lado tem o link- drummond e eu.

Marcelo, bom te ver por aqui.

François, pois é, vida e morte.

andrea augusto - angelblue83 disse...

Rapazzzzzzzzzzzzzzz e eu que não sabia disso ou se sabia não lembrava mesmo. Como pode? Que história ótima, menina! E que filhos lindos, geminianos como eu! Adorei.
Vc sabe que qdo ele faleceu, eu fiquei feliz por ele? Sei lá, perder um filho não é fácil e com a intensidade do amor que existia entre eles, mas doloroso ainda, né? Agora sim, juntos na eternidade!

bjo querida
andrea