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sexta-feira, setembro 09, 2011

Meninos do Rio














Foto daqui





Nossos meninos


Cheguei ao Rio de Janeiro em 70, vivi 30 anos no mesmo lugar, numa rua arborizada e tranquila em Ipanema.
Vi meninos de rua crescerem, alguns literalmente- vi se tornarem homens e desaparecerem.
No início de 80 eram alguns, em 2000, muitos, agora já organizados, andavam em grupos, batiam com pedaços de paus nas grades das lojas fechadas- algumas com portas fechadas antes das 19 h por medo. Era assustador.
Eu via aquele bando e pensava em abandono- desciam do morro, onde sofriam agressão e descaso, e no asfalto eram 'poderosos' com pedaços de paus e cacos de vidro.
Uma vez, uma amiga levava a filha para a escola- ainda no tempo dos vidros abertos- um menino gritou:
- "Passe o dinheiro"
Ela tranquilamente disse:
- "Não tenho dinheiro, quer este pacote de biscoito?"
Ele respondeu:
- "Quero tia" e sentou no meio fio para comer o biscoito.




A decisão


Atendia um cliente no consultório na Rua Visconde de Pirajá, perto da Praça gal. Osório, nove e pouco da noite, ouvimos tiros, muitos, pareciam atingir os prédios em frente, olhamos pela janela, não havia nada estranho. Voltei a atendê-lo.
Saímos do prédio juntos, os tiros vinham da favela- o porteiro da noite já sabia.
A rua estava deserta. Ao dobrar a esquina da Rua Farme de Amoedo ouço som animado de 'Chorinho' vindo do bar badalado.
Quinta era dia de Chorinho, estava lotado, todos animados bebiam o chope famoso. Na esquina um carro da polícia vinha da rua onde há entrada para o morro.
No dia seguinte ao comentar ouvi de várias pessoas: "É...foi lá no morro".
Nada parecia acontecer.
Neste dia decidi que sairia do Rio com meus dois filhos.
Neste dia decidi sair do Rio de Janeiro.




A despedida



Era minha última noite no Rio, dezembro de 2002, depois de uma via sacra de despedidas emocionadas, fui ao encontro de um amigo psicanalista num restaurante tradicional na Avenida Atlântica, posto 6.
Há anos não me sentava naquelas varandas divertidas com gente exótica, mulheres enroladas em cobras, seresteiros, homens vendendo bonecos gigantes, travestis.
Neste noite não havia ninguém. Havia silêncio.
Saímos à meia noite, rua deserta.
Era um silêncio que eu desconhecia. Dava medo.

PS: Escrevi em 29/11/10, hoje postei de novo. Saudades do Rio.

segunda-feira, novembro 29, 2010

Mini crônicas: Rompendo o silêncio- meninos do Rio













Foto daqui





Nossos meninos


Cheguei ao Rio de Janeiro em 70, vivi 30 anos no mesmo lugar, uma rua arborizada e tranquila em Ipanema.
Vi meninos de rua crescerem, alguns literalmente- vi se tornarem homens e desaparecerem. No início de 80 eram alguns, em 2000, muitos, agora já organizados, andavam em grupos, batiam com pedaços de paus nas grades das lojas fechadas- algumas com portas fechadas antes das 19 h por medo. Era assustador.
Eu via aquele bando e pensava em abandono- desciam do morro onde sofriam agressão e descaso e no asfalto eram 'poderosos' com pedaços de paus e cacos de vidro.
Uma vez, uma amiga levava a filha para a escola- ainda no tempo dos vidros abertos- um menino gritou:
- "Passe o dinheiro"
Ela tranquilamente disse:
- "Não tenho dinheiro, quer este pacote de biscoito?"
Ele respondeu:
- "Quero tia" e sentou no meio fio para comer o biscoito.




A decisão


Atendia um cliente no consultório na Rua Visconde de Pirajá, perto da Praça gal. Osório, nove e pouco da noite, ouvimos tiros, muitos, pareciam atingir os prédios em frente, olhamos pela janela, não havia nada estranho. Voltei a atendê-lo.
Saímos do prédio juntos, os tiros vinham da favela- o porteiro da noite já sabia.
A rua estava deserta. Ao dobrar a esquina da Rua Farme de Amoedo ouço som animado de 'Chorinho' vindo do bar badalado.
Quinta era dia de Chorinho, estava lotado, todos animados bebiam o chope famoso. Na esquina um carro da polícia vinha da rua onde há entrada para o morro.
No dia seguinte ao comentar ouvi de várias pessoas: "É...foi lá no morro".
Nada parecia acontecer.
Neste dia decidi que sairia do Rio com meus dois filhos.
Neste dia decidi sair do Rio de Janeiro.




A despedida



Era minha última noite no Rio, dezembro de 2002, depois de uma via sacra de despedidas emocionadas, fui ao encontro de um amigo psicanalista num restaurante tradicional na Avenida Atlântica, posto 6.
Há anos não me sentava naquelas varandas divertidas com gente exótica, mulheres enroladas em cobras, seresteiros, homens vendendo bonecos gigantes, travestis.
Neste noite não havia ninguém. Havia silêncio.
Saímos à meia noite, rua deserta.
Era um silêncio que eu desconhecia. Dava medo.

sábado, fevereiro 20, 2010

A morte de um estilo

Fiquei chocada com a morte de Pia Nascimento- assassinada- que triste!
Me entristecem estes gestos violentos contra pessoas vulneráveis: idosos, mulheres... gente que está em casa, tentando se proteger com cães... É muito triste.


Eu lembro dela, há uns 20 anos, caminhando muito concentrada pela Farme de Amoedo, sempre com algo de oncinha- ou sapatos ou um lenço. Eu detesto esta estampa, mas nela fazia estilo. Eu notava que repetia a roupa. Eu a via muito- e pensava como podemos ser elegantes mesmo repetindo roupas, com roupas mais antigas. Eu a observava porque eu sou assim- uso muito as mesmas roupas, tenho preguiça de comprar, nunca encontro o que eu gostaria- também odeio sair para procurar roupa. Sou uma mulher que tem um estilo e que arrisca pouco. OK. o certo hoje é inovar- mas para ousar você precisa ter estímulo- eu ando sem vontade de sair- dai... Já fui mais moderna, mandava fazer roupas criadas por mim- e ficavam bonitas- é vero.



#cotidiano


No almoço:

Meu filho disse: Este licor existe desde 1885. A nossa empregada: Nossa! Mas ainda está bom?

Outro dia- tarde da noite- ouço um estrondo, no quarto onde viam filmes.

“O que foi?”

“Nada, mãe. A cadeira quebrou.”

Não fui ver. No dia seguinte descubro que um casal de amigos deles quebrou- os dois bem pesados- ela se jogou sobre ele. Agora espero que consertem- é aquela cadeira de escritório com rodinhas, grande- quebraram a perna :)



#ciência


O ovo ou a galinha?


Estudo britânico vê ligação entre vício em internet e depressão

http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/2010/02/100203_internetdepressaofn.shtml

Nem li o estudo, vou dar peruada. Pensem: a pessoa é depressiva, tem dificuldades para sair, viver, a internet abre uma porta enorme. Acredito que o virtual traz mais ganhos do que perdas para um depressivo. Aqui há muitas possibilidades de contatos. Mas se a pessoa tiver uma estrutura psíquica mais grave, poderá entrar num buraco sem fundo, mas isto não é o virtual que traz. Há possibilidade infinita de escolhas- do mais podre ao mais bacana. Eu fico com o segundo, sempre. Muito pouca chateação e muitas alegrias.

Se não fosse o mundo virtual eu não conheceria gente super bacana, interessantes-nem preciso dizer, quem me lê sabe.


Obrigada, arigato, merci, gracias, thank’s, grazie...

Valeu!


quinta-feira, outubro 22, 2009

"O demônio não é o traficante de droga"



Contardo Calligaris- "Charmes do celibato"- Leia aqui e discuta.


Angela Ro Ro para Marília Gabriela:

"Eu não deixei (de ser louca). Loucura é criatividade, ousadia, questionamento. Deixei de ser alcoólatra, 'toxicômana' e tabagista de plantão. Foram 56 kg que eu perdi. Estou mais sadia, mas a loucura me orienta."
Mais aqui.


Uma boa entrevista aqui sobre a estratégia ao enfrentar a violência nos morros do Rio de Janeiro.
Ele tem razão é preciso reprimir o tráfico de armas. "O demônio da vez é o traficante de armas".

E, cá entre nós, todos sabemos que por trás tem peixões.
Gente com costas largas.






Um história triste. No início pensamos que fosse piada de mau gosto, mas foi real. Ela se matou e se despediu do ex marido no Twitter!
Que tempos são estes? Leia aqui.

sexta-feira, maio 29, 2009

sexta-feira, maio 23, 2008

Je ne sais pas...




Fico chocada, ainda, e revoltada com vandalismo. Ontem vi que a estátua de Drummond foi lesada. Putz, ainda bem que está morto para não ver.
Eu amava Drummond, não como um amante, mas por ser homem amoroso e gentil. Era de uma delicadeza impar- ele e o nosso príncipe Olivier. Ulalá. Gosto de repetir que ainda há exceções, homens delicados- sem serem gays. Conhecem a piada do cara especial, que toda mulher deseja, mas gay? Pois é...
Drummond parecia incapaz de uma indelicadeza, estaria triste vendo isto, não que acreditasse no bom homem, nada disto, mas pela gratuidade do gesto- a agressão pura e simples. Eu acredito que sempre há um componente social nestes atos, posso estar enganada, me iludindo. Mas penso que se tivéssemos uma sociedade com menos desigualdades seríamos menos violentos. Ou não? Mas não acredito que sejamos todos naturalmente bons, com Rousseau pensava.
Não sei mais nada...
Aqui há um comportamento que eu não consigo me habituar- as pessoas não se cumprimentam.
Algumas vezes têm dificuldade em te responder. Ah! porque eu dou: Bom dia! para todos, sou assim, desde sempre, meus filhos também. Dizem que o povo é inibido. Não acho resposta que justifique. Continuo me irritando com gente que passa por mim e não me cumprimenta, numa recepção, num corredor do prédio, etc. Seriam arrogantes? Detesto gente arrogante. Mas é papo para outro post. Cansei.
Ando atacada de tendinite, tenho dirigido bastante um Fiat velhote e tenho me exercitado pouco- menos tempo e piscina suja. Pode? não tem dia certo para limpar. Fico irritada quando quero descer e não dá. A escada tem um degrau quebrado também. Hoje vi o preço numa loja: 26 reais. Quase comprei e mandei pra síndica de presente. As pessoas não reclamam. Como pode isto?
Acho que é falta de conhecimento dos seus direitos, só pode. Ou seria alienação, falta de vontade de melhorar? Ninguém se queixa, ai eu sou a chata, a carioca chata. Conheço meus direitos. E o preço do condomínio é alto.

Ah! vocês acreditam que aqui em Natal no s´bado passado às dez hs da matina, houve um arrastão na pça principal da cidade? Pça Cívica. Triste isto. Muito trite.
E o terremoto? ai quanta tristeza, chega.


Viram o leilão das jóias de D. Lili Marinho? uauuuuuuuuuuuu, milhões de reais. E o da neta do Onassis? Uauuuuuuuuuuuuuu mais ainda.
pois é...a família Marinho ficará grata à lucidez de D Lili que em vida faz a partilha. A neta de Onassis nunca deu bola para os milhões, casou com um brasileiro, gosta de cavalos, é moça de gostos simples. Pena a história trágica- a mãe aos 30 e poucos anos foi encontrada morta numa banheira, o tio também morreu de forma trágica num acidente, o avô logo depois... Cristina, a mãe cometeu suicídio? Parece.
Fiquei sabendo algumas destas coisas lendo uma revista num consultório de dentista. E vi também que o filho do Pitanguy casou, o Helcius. Ufa! O rapaz não é gay, não, viu?
Quanta bobagem!

Perdoem o mau humor, hoje me irritei na rua com as pessoas, há dias em que... enfim, escolhi viver aqui, não é? agüente agora ou volte, não é o que pensam os que odeiam quando eu reclamo. Je sais. ...
Aproveitando:
je sais, tu sais, il sait, nous savons, vous savez, ils savent
:)