Na vitrine
Com o coração descompassado atravessou a rua correndo. Um motorista freou, buzinou irritado. Era ele do outro lado da rua, sabia. Vestia uma camisa xadrez por dentro da calça e cinto de couro. “Está diferente, mas é ele”. Temia que desaparecesse. Diante de uma vitrine, tocou levemente o seu braço. Ele virou-se, disse desconcertado:
- "Minha mulher está ai dentro, não posso falar com você". Virou-se e dirigiu-se à porta de entrada.
Olhar turvo perdido nas manequins, não via nada. Saiu, passos lentos, esbarrando nas pessoas.
Na esquina, no meio fio, alguém perguntou se precisava de ajuda.
- “Não obrigada”. Não queria nada.
Tempo interminável até a penumbra da sala.
Adivinha uma jovem ao seu lado que o obriga a se cuidar. Ela não saberia dizer: "Não beba mais por hoje". Bebiam juntos, se amavam embriagados, jurando amor eterno.
Deixou-se estar no sofá até que o cão viesse, esfomeado, pedir comida. Ela não precisaria comer estes dias, sabia.
domingo, julho 31, 2011
"Porque nós, latinoamericanos, sobrevivemos"
Que maravilha!
via Edney Silvestre no FB:
"Porque nós, latinoamericanos, sobrevivemos."
sábado, julho 30, 2011
"Meio termo" por Elis Regina
Ouça na voz de Elis esta música, que é para mim, uma das mais belas e tristes.
Aqui Meio termo
Lourenço Baeta / Cacaso
Ah, como eu tenho me enganado
Como tenho me matado
Por ter demais confiado nas evidências do amor.
Como tenho andado certo,
Como tenho andado errado
Por seu carinho inseguro
Por meu caminho deserto
Como tenho me encontrado
Como tenho descoberto
A sombra leve da morte
Passando sempre por perto
E o sentimento mais breve
Rola no ar e descreve
A eterna cicatriz
Mais uma vez, mais de uma vez
Quase que fui feliz
A barra do amor é que ele é meio ermo
A barra da morte é que ela não tem meio-termo
Esta foto da mulher me lembra esta de Gil Prates que foi um namorado que eu tive, um namoro rápido, no final de 70. Gil daria um post, mas hoje não.
O que teria salvado Amy Winehouse? Da Época
Gostei do que esta moça disse:
O que teria salvado Amy Winehouse? – Mulher 7 x 7 – ÉPOCA
Muitas pessoas se referem àmúscia que ela fez dizendo que nãoqueria se tratar e tal, mas sabemos, os psicanalistas, que muitas vezes isso é uma denegação- eu digo não, quando deveria dizer sim. Não é um conceito fácil de se entender- eu simplifico para vocês entenderem. Se eu digo: "Estou ligando para falar com você, mas eu não quero brigar com você", possivelmente eu estou querendo briga :).
Luiz Schwarcz no Estadao.com.br
Rumo a uma nova estação editorial
Ao comemorar os 25 anos da Companhia das Letras, seu criador Luiz Schwarcz esboça uma empresa menos centralizada em sua pessoa. Quer mais protagonismo para seus editores e se prepara para lançar projeto social
Mais aqui.
quarta-feira, julho 27, 2011
Sonhar é sempre bom
Vejam quantas ideias criativas aqui: Places I want to Live.
Os quartos do meu sonho. O lugar ideal. Sonhar é preciso.
segunda-feira, julho 25, 2011
Conto: A fotografia
Este conto é de minha mãe. Ganhou o concurso de contos do Banco Real há alguns anos. Está aqui. Copiei para facilitar.
É interessante porque morei longe da família muitos anos, eu não lia o que ela escrevia, mas temos um estilo semelhante. É... Mas eu li os livros da biblioteca dela! Muitos. Minha fase de devorar livros foi a adolescência.
Atualmente leio muito pouco, ando muito dispersa.
A fotografia
Lea Muniz Diz
Chovia uma triste chuva de desolação. Meus pés feriam-se nos seixos da rua sem calçamento tentando acompanhar os apressados passos de minha mãe. O guarda-chuva de meu pai, bastante grande para nós duas, na sua precipitação, só servia para me molhar, tanta a chuva que descia pelos meus cabelos e ombros. Atravessamos o portão escancarado e seguimos por uma alameda ladeada por dois renques de ciprestes. Os galhos entrelaçavam-se e, arriados quase até o chão, fustigavam-me o rosto. Lembro que floresciam azaléas vermelhas. Nos fundos a casa simples de madeira. Minha mãe empurrou a porta entreaberta. Alguém, com um sinal de cabeça, apontou a porta à direita e ela me deixou dizendo para que a esperasse. Sentei junto de uma velha negra que desfiava um rosário, intercalando uma vez que outra: Que barbaridade! Outras pessoas chegavam ansiosas. Entravam e desapareciam atrás da porta cerrada para voltarem minutos depois com ar compungido. No fogão crepitavam as chamas da lenha. E junto da parede, perto da chaminé, em uma frigideira enegrecida, um braseiro queimava galhos de alecrim e de arruda de onde subia uma fumaça aromatizada. D. Nercinda, a negra velha, levantou e, com um graveto, revolveu as brasas da defumação. Despejou água quente no bule de café. A chaleira voltou para a chapa que provocava estalidos que se misturavam aos murmúrios no quarto. Houve um gemido alto. “Tenha calma, D. Rosa. Tenha calma.â€. Alguém pegou a bandeja com as xícaras de cafezinho e percorreu a sala. Na minha vez passou adiante. “Criança não toma caféâ€. Não sabia bem que estava acontecendo. Houve o chamado urgente para minha mãe que saiu quase correndo, arrastando-me pela mão. Na pressa nem calçou meus sapatos.
O tempo escoava nas mãos quietas da mulheres e nas contas do rosário que se esgueiravam pelos dedos negros. A sala tornava-se pequena à medida que mais gente chegava. A mulher do cafezinho veio até a mim para dizer para eu levantar e dar o lugar para D. Isabel. Fiquei de pé. Minha mãe não vinha. Examinava eu as pessoas a minha volta. Em algum momento caia sobre mim um olhar distante e impessoal. Ninguém me via. Incomodavam-me as roupas ensopadas e tremia sem saber se era de frio ou de nervosismo. D. Nercinda persignou-se, beijou o crucifixo, guardou o rosário em uma bolsa de verniz e finalmente me notou.
- Cruzes, como esta coitadinha está molhada. Vamos lá dentro tirar essa roupa pra secar e tomar uma coisa quente.
Pendurou meu casaco no barbante estendido em cima do fogão e trouxe para mim uma xícara de leite bem quente. Só então me animei a fazer a pergunta guardada:
- Virgínia...Virgínia vai morrer?
Ela suspirou fundo.
- Não sei, minha filha, não sei. Essas coisas a gente nunca sabe. Só Deus. Engoli o leite, agora salgado pelas lágrimas que eu não conseguia conter e que desciam para dentro da xícara.
Quando o médico chegou, D. Rosa deixou-o a sós e veio para a cozinha. Atirou o corpo magro no banquinho de lenha. Vestia-se de preto com um xale verde nos ombros.
- Por quê? Por que ela fez isso, vocês sabem? Me pergunto, me pergunto e não encontro a resposta. Pergunto para ela e só me olha. Me olha e sorri. Juro que quando ela sorri tenho vontade de voar em cima dela e dar uma bofetada na cara desavergonhada. Parece que alguém me segura. Deve ser o espírito do falecido. Semicerrou os olhos. Há um mistério. Ela esconde alguma coisa de muito grave. Pensa que me engana. Nunca pôde me enganar. Eu conhecia Virgínia com uma simples mirada.
Uma voz tímida interferiu:
- Não diga conhecia, D. Rosa.
Ela pareceu não escutar e continuou falando como se fizesse para si mesma.
- Era olhar para ela e eu já adivinhava se tinha feito ou não boa prova. Ai, quem havia de pensar. Uma mãe tão boa receber da única filha um golpe como esse. Sei que fui dura algumas vezes. É preciso. Ninguém educa com moleza. ( O símbolo da sua energia pendia de um prego na parede. Não fazia muito Virgínia correu para nossa casa, o rosto marcado pelo rebenque). Pensei que seria agradecida. Ingrata. Ingrata. (ofegava) Não teve pena da mãe que sacrificou a vida por ela. Recusei muitos homens para não lhe dar um padrasto. (Fez uma pausa). Mas não vai morrer sem contar porque fez isso. Algum namorado? (Seus olhos arregalaram-se e ela se ergueu do banco. Alta, magra de preto, ali, no meio da cozinha se me afigura hoje, uma visão apocalíptica). Deve ter feito alguma coisa vergonhosa. Sentou de novo e deixou-se ficar muda embalando o corpo para frente e para trás, os olhos no chão apertando o xale de encontro ao peito. Ergueu o rosto e pareceu notar as pessoas que a cercavam. Ela devia ter algum namorado. Quem? Foi quando me viu. Estendeu a mão e com os dedos longos e magros lançou o braço na minha direção. Recuei assustada, encostando-me na negra. Ela defendeu-me:
- Ora, D. Rosa, que pode saber uma criança? Se Virgínia tivesse um namorado teria trazido para a senhora conhecer. Tão boa filha.
- Boa filha, boa filha. Isso é o que pensavam. Aí está a bondade dela. Na hora em que ia dar aulas e ajudar nas despesas da casa me deixa sozinha. Vocês não sabem. Era brasa escondida.
A mesma voz que verifiquei era de D. Marica, voltou a observar que ela não devia falar como se fosse passado.
- Afinal ainda vive e talvez não morra.
Voltou, rápida a cabeça em direção à D. Marica:
- Será que vão me dizer até como devo falar? Repito : brasa escondida. Como o pai. Fechada como ele. Dava mais atenção para essa menina do que para mim. Pra mim era: benção, mãe, ou té logo, mãe... e quando eu me queixava dizia: nasci assim. Não temos nada pra conversar. Ai, que vida a minha. (Passou o lenço pelos olhos secos) Por que Deus tinha que me dar uma filha pra criar sem pai, e ainda ingrata?
O médico chamou-a e ela foi para o quarto. Já devia ser a hora do almoço quando minha mãe apareceu. Um arco-íris desenhava-se no céu quando deixamos a sombria alameda de ciprestes. Caminhamos algum tempo caladas. Em dado momento me veio a pergunta:
- Ela vai morrer?
- Acho que vai.
- Não queria que morresse. Gosto tanto dela. Não vou ver ela nunca mais. Para onde vão os mortos?
- Não sei. A vida é assim. Nascemos para morrer. É, todos morremos, um dia.
- Eu pensava que as pessoas morriam quando ficassem velhas ou doentes. Virgínia não estava doente. Ainda ontem fomos à confeitaria tomar sorvete.
(Não contei que, depois do sorvete fomos até a casa de Dr. Cláudio para entregar um bilhete para o Paulo, seu namorado. Ele ficou muito branco quando leu o bilhete e, na janela mesmo, começou a escrever uma resposta. Mastigava o cigarro que não acendeu. Depois, ele amarrotou o papel e mandou o recado de que iria vê-la logo à noite).
Minha mãe voltou ao assunto:
- Não não estava doente.
- Ela quis morrer, mamãe?
- Quis.
- Como é que se faz quando se quer morrer?
- Por que quer saber? Crianças de oito anos têm outras preocupações. Pensam em brincadeiras, em coisas alegres.
- D. Marica disse que foi veneno. Para formigas?
- Não queira saber.
- É bom saber, mamãe. A gente, um dia pode querer morrer também.
Minha mãe estacou estupefata. Abaixou-se e me abraçou.
- Não repita nunca mais isso. É pecado, é errado. Ninguém pode tirar a vida de ninguém e nem a sua própria.
No fim-de-tarde desse mesmo dia voltamos à casa de D. Rosa. O movimento havia diminuído. Virgínia estava sentada na sala com o seu melhor vestido, um vestido branco com listras azuis.(Notei a boca queimada). Meus lábios tremeram e., a custo, contive as lágrimas. Acenou para que eu fosse até ela. Abraçou-me com força e me encostou junto a ela. Com o dorso da mão direita fez-me uma carícia na face. Minha mãe não se conteve:
- De quem foi essa idéia de tirá-la da cama? Ela não está em condições de ficar aqui.
- Foi minha idéia. Eu é que decido o que é bom pra minha filha. Estamos esperando o fotógrafo.
Virgínia pousou o olhar na mãe, um olhar demorado e avaliador. Ia me afastar e ela me reteve, apertando de leve minha mão. O silêncio era imenso. Escutava-se apenas a algazarra dos pardais que se recolhiam nos ciprestes.
O fotógrafo chegou e seu sorriso se desvaneceu.
- Pensei que era um aniversário.
D. Rosa apontou Virgínia:
- É ela que vai tirar fotografias.
Falou o fotógrafo:
- Não seria melhor deixar para um outro dia. Quando ela estiver bem?
A voz fria e áspera de D. Rosa fez-se ouvir:
- Ela não vai ficar boa. Se não quiser tirar eu chamo outro.
- Não seja por isso. Vou tirar. É uma opinião.
- Ninguém lhe pediu opinião.
O rapaz preparou a máquina dirigindo-se à Virgínia:
- Como é que você quer? Só o rosto?
Do canto onde estava respondeu D. Rosa:
- Corpo inteiro. De frente e de perfil e quero que fique embaixo do retrato do pai dela para ele aparecer também.
Assim que o rapaz se foi, minha mãe, com delicadeza deitou Virgínia no divã. D. Rosa atirou-se em cima dela, sacudindo-a com violência pelos ombros:
- Diga, diga por que fez isso, sua infeliz. Diga. Não pode morrer sem me dizer.
Ao ter certeza de que jamais teria resposta, permitiu que a arrastassem para o quarto. Desvairada, cabelos defeitos, fazia-se escutar longe:
- A fotografia. A fotografia. A fotografia me dirá.
É interessante porque morei longe da família muitos anos, eu não lia o que ela escrevia, mas temos um estilo semelhante. É... Mas eu li os livros da biblioteca dela! Muitos. Minha fase de devorar livros foi a adolescência.
Atualmente leio muito pouco, ando muito dispersa.
A fotografia
Lea Muniz Diz
Chovia uma triste chuva de desolação. Meus pés feriam-se nos seixos da rua sem calçamento tentando acompanhar os apressados passos de minha mãe. O guarda-chuva de meu pai, bastante grande para nós duas, na sua precipitação, só servia para me molhar, tanta a chuva que descia pelos meus cabelos e ombros. Atravessamos o portão escancarado e seguimos por uma alameda ladeada por dois renques de ciprestes. Os galhos entrelaçavam-se e, arriados quase até o chão, fustigavam-me o rosto. Lembro que floresciam azaléas vermelhas. Nos fundos a casa simples de madeira. Minha mãe empurrou a porta entreaberta. Alguém, com um sinal de cabeça, apontou a porta à direita e ela me deixou dizendo para que a esperasse. Sentei junto de uma velha negra que desfiava um rosário, intercalando uma vez que outra: Que barbaridade! Outras pessoas chegavam ansiosas. Entravam e desapareciam atrás da porta cerrada para voltarem minutos depois com ar compungido. No fogão crepitavam as chamas da lenha. E junto da parede, perto da chaminé, em uma frigideira enegrecida, um braseiro queimava galhos de alecrim e de arruda de onde subia uma fumaça aromatizada. D. Nercinda, a negra velha, levantou e, com um graveto, revolveu as brasas da defumação. Despejou água quente no bule de café. A chaleira voltou para a chapa que provocava estalidos que se misturavam aos murmúrios no quarto. Houve um gemido alto. “Tenha calma, D. Rosa. Tenha calma.â€. Alguém pegou a bandeja com as xícaras de cafezinho e percorreu a sala. Na minha vez passou adiante. “Criança não toma caféâ€. Não sabia bem que estava acontecendo. Houve o chamado urgente para minha mãe que saiu quase correndo, arrastando-me pela mão. Na pressa nem calçou meus sapatos.
O tempo escoava nas mãos quietas da mulheres e nas contas do rosário que se esgueiravam pelos dedos negros. A sala tornava-se pequena à medida que mais gente chegava. A mulher do cafezinho veio até a mim para dizer para eu levantar e dar o lugar para D. Isabel. Fiquei de pé. Minha mãe não vinha. Examinava eu as pessoas a minha volta. Em algum momento caia sobre mim um olhar distante e impessoal. Ninguém me via. Incomodavam-me as roupas ensopadas e tremia sem saber se era de frio ou de nervosismo. D. Nercinda persignou-se, beijou o crucifixo, guardou o rosário em uma bolsa de verniz e finalmente me notou.
- Cruzes, como esta coitadinha está molhada. Vamos lá dentro tirar essa roupa pra secar e tomar uma coisa quente.
Pendurou meu casaco no barbante estendido em cima do fogão e trouxe para mim uma xícara de leite bem quente. Só então me animei a fazer a pergunta guardada:
- Virgínia...Virgínia vai morrer?
Ela suspirou fundo.
- Não sei, minha filha, não sei. Essas coisas a gente nunca sabe. Só Deus. Engoli o leite, agora salgado pelas lágrimas que eu não conseguia conter e que desciam para dentro da xícara.
Quando o médico chegou, D. Rosa deixou-o a sós e veio para a cozinha. Atirou o corpo magro no banquinho de lenha. Vestia-se de preto com um xale verde nos ombros.
- Por quê? Por que ela fez isso, vocês sabem? Me pergunto, me pergunto e não encontro a resposta. Pergunto para ela e só me olha. Me olha e sorri. Juro que quando ela sorri tenho vontade de voar em cima dela e dar uma bofetada na cara desavergonhada. Parece que alguém me segura. Deve ser o espírito do falecido. Semicerrou os olhos. Há um mistério. Ela esconde alguma coisa de muito grave. Pensa que me engana. Nunca pôde me enganar. Eu conhecia Virgínia com uma simples mirada.
Uma voz tímida interferiu:
- Não diga conhecia, D. Rosa.
Ela pareceu não escutar e continuou falando como se fizesse para si mesma.
- Era olhar para ela e eu já adivinhava se tinha feito ou não boa prova. Ai, quem havia de pensar. Uma mãe tão boa receber da única filha um golpe como esse. Sei que fui dura algumas vezes. É preciso. Ninguém educa com moleza. ( O símbolo da sua energia pendia de um prego na parede. Não fazia muito Virgínia correu para nossa casa, o rosto marcado pelo rebenque). Pensei que seria agradecida. Ingrata. Ingrata. (ofegava) Não teve pena da mãe que sacrificou a vida por ela. Recusei muitos homens para não lhe dar um padrasto. (Fez uma pausa). Mas não vai morrer sem contar porque fez isso. Algum namorado? (Seus olhos arregalaram-se e ela se ergueu do banco. Alta, magra de preto, ali, no meio da cozinha se me afigura hoje, uma visão apocalíptica). Deve ter feito alguma coisa vergonhosa. Sentou de novo e deixou-se ficar muda embalando o corpo para frente e para trás, os olhos no chão apertando o xale de encontro ao peito. Ergueu o rosto e pareceu notar as pessoas que a cercavam. Ela devia ter algum namorado. Quem? Foi quando me viu. Estendeu a mão e com os dedos longos e magros lançou o braço na minha direção. Recuei assustada, encostando-me na negra. Ela defendeu-me:
- Ora, D. Rosa, que pode saber uma criança? Se Virgínia tivesse um namorado teria trazido para a senhora conhecer. Tão boa filha.
- Boa filha, boa filha. Isso é o que pensavam. Aí está a bondade dela. Na hora em que ia dar aulas e ajudar nas despesas da casa me deixa sozinha. Vocês não sabem. Era brasa escondida.
A mesma voz que verifiquei era de D. Marica, voltou a observar que ela não devia falar como se fosse passado.
- Afinal ainda vive e talvez não morra.
Voltou, rápida a cabeça em direção à D. Marica:
- Será que vão me dizer até como devo falar? Repito : brasa escondida. Como o pai. Fechada como ele. Dava mais atenção para essa menina do que para mim. Pra mim era: benção, mãe, ou té logo, mãe... e quando eu me queixava dizia: nasci assim. Não temos nada pra conversar. Ai, que vida a minha. (Passou o lenço pelos olhos secos) Por que Deus tinha que me dar uma filha pra criar sem pai, e ainda ingrata?
O médico chamou-a e ela foi para o quarto. Já devia ser a hora do almoço quando minha mãe apareceu. Um arco-íris desenhava-se no céu quando deixamos a sombria alameda de ciprestes. Caminhamos algum tempo caladas. Em dado momento me veio a pergunta:
- Ela vai morrer?
- Acho que vai.
- Não queria que morresse. Gosto tanto dela. Não vou ver ela nunca mais. Para onde vão os mortos?
- Não sei. A vida é assim. Nascemos para morrer. É, todos morremos, um dia.
- Eu pensava que as pessoas morriam quando ficassem velhas ou doentes. Virgínia não estava doente. Ainda ontem fomos à confeitaria tomar sorvete.
(Não contei que, depois do sorvete fomos até a casa de Dr. Cláudio para entregar um bilhete para o Paulo, seu namorado. Ele ficou muito branco quando leu o bilhete e, na janela mesmo, começou a escrever uma resposta. Mastigava o cigarro que não acendeu. Depois, ele amarrotou o papel e mandou o recado de que iria vê-la logo à noite).
Minha mãe voltou ao assunto:
- Não não estava doente.
- Ela quis morrer, mamãe?
- Quis.
- Como é que se faz quando se quer morrer?
- Por que quer saber? Crianças de oito anos têm outras preocupações. Pensam em brincadeiras, em coisas alegres.
- D. Marica disse que foi veneno. Para formigas?
- Não queira saber.
- É bom saber, mamãe. A gente, um dia pode querer morrer também.
Minha mãe estacou estupefata. Abaixou-se e me abraçou.
- Não repita nunca mais isso. É pecado, é errado. Ninguém pode tirar a vida de ninguém e nem a sua própria.
No fim-de-tarde desse mesmo dia voltamos à casa de D. Rosa. O movimento havia diminuído. Virgínia estava sentada na sala com o seu melhor vestido, um vestido branco com listras azuis.(Notei a boca queimada). Meus lábios tremeram e., a custo, contive as lágrimas. Acenou para que eu fosse até ela. Abraçou-me com força e me encostou junto a ela. Com o dorso da mão direita fez-me uma carícia na face. Minha mãe não se conteve:
- De quem foi essa idéia de tirá-la da cama? Ela não está em condições de ficar aqui.
- Foi minha idéia. Eu é que decido o que é bom pra minha filha. Estamos esperando o fotógrafo.
Virgínia pousou o olhar na mãe, um olhar demorado e avaliador. Ia me afastar e ela me reteve, apertando de leve minha mão. O silêncio era imenso. Escutava-se apenas a algazarra dos pardais que se recolhiam nos ciprestes.
O fotógrafo chegou e seu sorriso se desvaneceu.
- Pensei que era um aniversário.
D. Rosa apontou Virgínia:
- É ela que vai tirar fotografias.
Falou o fotógrafo:
- Não seria melhor deixar para um outro dia. Quando ela estiver bem?
A voz fria e áspera de D. Rosa fez-se ouvir:
- Ela não vai ficar boa. Se não quiser tirar eu chamo outro.
- Não seja por isso. Vou tirar. É uma opinião.
- Ninguém lhe pediu opinião.
O rapaz preparou a máquina dirigindo-se à Virgínia:
- Como é que você quer? Só o rosto?
Do canto onde estava respondeu D. Rosa:
- Corpo inteiro. De frente e de perfil e quero que fique embaixo do retrato do pai dela para ele aparecer também.
Assim que o rapaz se foi, minha mãe, com delicadeza deitou Virgínia no divã. D. Rosa atirou-se em cima dela, sacudindo-a com violência pelos ombros:
- Diga, diga por que fez isso, sua infeliz. Diga. Não pode morrer sem me dizer.
Ao ter certeza de que jamais teria resposta, permitiu que a arrastassem para o quarto. Desvairada, cabelos defeitos, fazia-se escutar longe:
- A fotografia. A fotografia. A fotografia me dirá.
Hoje é o dia do escritor
Hoje é o dia do escritor
Lembrei de alguns, dos que eu li, pelo menos algum livro.
Li muito Graham Greene, lia tudo que saia dele,
li todos do Raduan, o que não é mérito, só tem três publicados,
os russos clássicos, eu lia sem distinguir quem eram, gostava de todos, mas depois percebi que gostava mais de Gorki, especialmente e Anton Tchechov- que tem belos contos.
E como inclui minha mãe- que tem vários escritos mas nenhum livro publicado-
é mal de família- vou colocar o conto dela, a seguir, para vocês verem como é boa escritora.
Escreve pra cacete.
Li muito Graham Greene, lia tudo que saia dele,
li todos do Raduan, o que não é mérito, só tem três publicados,
os russos clássicos, eu lia sem distinguir quem eram, gostava de todos, mas depois percebi que gostava mais de Gorki, especialmente e Anton Tchechov- que tem belos contos.
E como inclui minha mãe- que tem vários escritos mas nenhum livro publicado-
é mal de família- vou colocar o conto dela, a seguir, para vocês verem como é boa escritora.
Escreve pra cacete.
Vou lembrando e colocando- estou com preguiça de ir à estante ver. Estou cansada. Fui honesta na lista.
Faltam muitos poetas que li por ai... Maiakowski, Rilke...
Quem deu a ideia foi a Marina W., eu tirei os escritores que ela citou e que nunca li.
Vou olhar na estante e ver os esquecidos outra hora.
Faça sua lista, é divertido.
Minha estante tem:
Vou olhar na estante e ver os esquecidos outra hora.
Faça sua lista, é divertido.
Minha estante tem:
Adélia Prado
Albert Camus
Alberto Moravia
Aldous Leonard Huxley
Alfredo Garcia-Roza
Amós Oz
Andréa del Fuego
Angela Almeida
Andréa del Fuego
Angela Almeida
Anton Tchechov
Antonio Skármeta
Ana Cristina Cesar
Andre Gide
Antoine de Saint-Exupéry
Ariano Suassuna
August Streindberg
Augusto César Proença Gomes da Silva
Bertolt Brecht
Carlos Drummond de Andrade
Carlos Heitor Cony
Cecília Meirelles
Charles Dickens
Chico Buarque de Holanda
Clarice Lispector
Contardo Calligaris
Cora Coralina
Cristovão Tezzo
Dalton Trevisan
Daniel Pizza
Dino Buzzatti
Doris Lessing
Dostoiévski
Elizabeth Bishop
Érico Veríssimo
Ernest Heminguay
Fernando Pessoa
Fernando Sabino
Ferreira Gullar
Florbela Espanca
François Silvestre
Françoise Sagan
Franz Kafka
Gabriel García Marquez
Garcia Lorca
Georges Simenon
Goethe
Graham Greene
Graciliano Ramos
Guimarães Rosa
Gustavo de castro
Helena Kolody
Henry David Thoreau
Henry Miller
Hermann Hesse
Hilda Hilst
Isabel Allende
Italo Svevo
Jeannette Walls
James Joyce
Jane Austen
Javier Marias
João Ubaldo Ribeiro
John Steinbeck
Jorge Luis Borges
Juan Rulfo
Julio Cortazar
Katherine Mansfield
Jorge Luis Borges
José Saramago
Julio Cortázar
Lawrence George Durrell
Léa Muniz Diz
Leon Tolstoi
Lya Luft
Luigi Pirandello
Lygia Fagundes Telles
Machado de Assis
Manuel Bandeira
Marcel Proust
Mark Twain
Marguerite Duras
Marguerite Yourcenar
María Amparo Escandón
Marina W.
Mário de Andrade
Mario Quintana
Martha Galrão
Máximo Gorki
Nick Bantock
Mia Couto
Miguel de Cervantes
Milan Kundera
Milton Hatoum
Moacyr Scliar
Nelson Rodrigues
Oscar Wilde
Pablo Neruda
Patrícia Antoniete
Philip Roth
Raduan Nassar
Rainer Maria Rilke
Roland Barthes
Rubem Braga
Rubem Fonseca
Ruy Castro
Scott Fitzgerald
Sigmund Freud
Sigmund Freud
Somerset Maugham
Sylvia Plath
Thomas Mann
Truman Capote
Virginia Woolf
Vladimir Nabokov
William Shakespeare
domingo, julho 24, 2011
Lady in Satin « Já matei por menos
Amy Winehouse, a cabra marcada para morrer
Esta foto mostra fragilidade- abandono e a exposição de sua vida.
Vale a pena ler:
Folha.com - Ilustrada - Nina Lemos: Amy Winehouse, a cabra marcada para morrer - 23/07/2011.
Penso o mesmo. A morte era anunciada. Morbidamente esperada. O banquete está servido. Me dói isso tudo, devo ser sensível demais- aliás, eu já sei disto- por isso viver dói. O mundo ao redor me atinge.
Pensei ontem que felizmente não vemos muitas histórias com fins trágicos aqui no Brasil. Nós temos muitos viciados e acho que sei o porquê: somos um povo mais amoroso. Uma família que tenha alguém nesta situação faz algo: leva para o centro espírita, para Igrejas, médicos... as mães se desesperam...Onde estavam os pais desta jovem?
O tipo de droga mais consumido aqui é a maconha e depois a cocaína, senão me engano. Heroína, felizmente, não. Quantos talentos foram destruídos por esta droga desde o século passado- é só lembrar os cantores de jazz... Toda droga é uma droga- mata.
sábado, julho 23, 2011
Amy (14 de septiembre de 1983 — 23 de julio de 2011)
Uma pena estas vidas trágicas e tão talentosas.
Putz! 27 anos! Cantava maravilhosamente! E era linda.
Dá aflição a impotência de todos diante destas pessoas
desesperadas. Na mesma idade se foram Jimi Hendrix,
Janis Joplin, Jim Morrison e Kurt Cobain.
O lado grotesco e nojento é que algumas pessoas apostaram o dia de sua morte. Vejam aqui
Lucian Freud. Tres cuadros
Vejam mais aqui: Lucian Freud. Tres cuadros · ELPAÍS.com
Acho interessante o neto de Freud- aquele que descortinou nossa alma e mostrou a nosso lado sombrio. Lucian Freud desnudou nosso corpo e o século XX.
Morreu no dia 20 de julho, desta semana aos 88 anos.
Chico Buarque e Paris
Que vídeo bacana!
Essa pequena - Chico Buarque
quinta-feira, julho 21, 2011
Chico Buarque e João Bosco- papo e música
Watch live streaming video from chicobastidores at livestream.com
Na palma da mão- crônica
Amanheci tristonha. Tomava o café da manhã, pensando em muitas coisas- no quanto gosto do meu trabalho, do quanto ele me faz bem, lembrando de ex analistas que me renovaram- quando ouvi um grunhido. Rato? Pássaro? Um filhote de rolinha se debatia no chão da cozinha. A gata deve ter trazido.
Ao abrir a casa, mais cedo, procurei entender o porquê da gritaria de pássaros sobre o muro. O filhote, doente, deve ter caído e os pais estavam aflitos- é assim.
Observei o pássaro na palma da mão- tão pequenino, tão frágil. Levei-o até o muro onde voou para o jardim vizinho- lá estaria a salvo das garras dos gatos.
Minutos depois o filhote jazia no chão da cozinha. A gata o trouxe de novo. Peguei-o sem vida. Pensei o que fazer, precisaria enterrá-lo. Mas ainda estava tépido. Virei-o na mão, na tentativa de que revivesse, mas nada.
Sob a bananeira, enterrei-o depois de segundos de estranheza, ele ainda estava quentinho.
terça-feira, julho 19, 2011
Pai e filho são confundidos com casal gay e agredidos
Pai e filho são confundidos com casal gay e agredidos por grupo em São João da Boa Vista, SP - O Globo
Chocante! Absurdo! Onde vamos parar? Precisamos todos dar um basta nisto. É intolerável
este tipo de violência. Viveremos agora reféns de sujeitos agressivos e doentes? Só seres doentes são capazes de tal violência!
O afeto entre pessoas do mesmo gênero, sejam amantes, amigos, parentes, precisa ser respeitado.
O outro precisa ser respeitado.
Ontem vi na TV. que colocaram fogo num homem que vivia nas ruas no Rio de Janeiro- isso é de uma brutalidade e desumanidade tal que nos chocam e entristecem.
segunda-feira, julho 18, 2011
Hemingway e a morte
Os Armênios » Hemingway e a morte
Uma vida intensa em todos os sentidos. Seria bipolar? Aqui diz... Outros suicidas na família- tão triste isso.
domingo, julho 17, 2011
Chico Buarque fala sobre uma letra...
sábado, julho 16, 2011
Jô Soares entrevista Laerte 19/05/2011
Muito legal a entrevista.
É isso ai...
Daqui.
Amo a Mafalda- amor à primeira vista. Tenho todos os livrinhos, ainda em espanhol e também o livrão em português. Penso como ela. Também já fui parecida com ela rs quando o cabelo era grandão. hihihi Amo Mafaldita e sus amigos.
Vida longa para Quino!!!
quinta-feira, julho 14, 2011
Tantos desejos... uma vida
Fui ver o filme "Meia noite em Paris" de Woody Allen. Li, por ai, críticas contundentes, arrasando com o diretor, outros comentários muito simpáticos- é difícil não gostar do filme.
Contardo Calligaris, que adora escrever partindo de um filme, personagem, fez dois artigos- coloquei aqui . O Contardo, quase sempre diz o que eu penso- assim economizo meus neurônios e meus óinhos.
Desejamos tanto... abandonamos nossos desejos pelo caminho- é preciso fazer escolhas- difícil escolher.
Eu nunca planejei a minha vida, como alguns fazem. Creio que é algo da família- meu pai era assim, apesar de militar, era um sonhador, não um estrategista. Acredito que também é uma defeito- ou qualidade?- de psicanalistas.Outras terapias tendem a ser assertivas e tal, psicanálise não. Vivo como sinto, nem sempre é fácil, ma sé bastante honesta minha vida.
Para mim a vida nunca foi um jogo de xadrez, deixei que os encontros fossem acontecendo. Não me arrependo.
Lamento não ter investido mais em arte- sei que poderia ser uma artista plástica, nenhuma Frida Kahlo, mas é algo que eu ainda gostaria de fazer. É muito bom viver arte.
Depois comento o que pensei sobre o filme- hoje a cabeça dói- acordei com os peões ao lado fazendo barulho, me aborreci, acabei dormindo até mais tarde e pronto: dor de cabeça.
segunda-feira, julho 11, 2011
Charles Chaplin Em Busca do Ouro 1925
Este filme é um dos melhores que conheço- imperdível!
"Minhas tardes com Margueritte".
Filme delicioso. Um homem bruto, Depardieu faz uito bem, encontra uma velhinha que lê para pássaros numa praça, passa a ler para ele- semi analfabeto(tem hífem?. Dai vem a transformação dele. Bela estorinha.
domingo, julho 10, 2011
Dodes 'Ka-Den (Dodesukaden) 1970
Vi este filme 7 vezes, adorava ver. São histórias que se cruzam- personagens comoventes.
O vento
Desperto cansada. O vento me persegue- chora.
Há dias ando cansada. Nada me dá energia, algo pesa.
Ontem ouvi os filhos gargalhando assistindo um filme e pensei que isso é felicidade.
Vejo flores no jardim e sinto alegria.
Sonho com o amigo distante e acordo com tristeza e saudades.
Lembro da amiga tão perto e tão longe, abro o correio e há uma mensagem dela- me entristeço.
Por que tão distante?
Amanhã é preciso pagar contas, na terça atender os clientes- estes me dão prazer.
É preciso me organizar para programar viagens e eu não me organizo. Por que?
É preciso me concentrar e preparar o livro e não o faço, por que?
Queria algo mágico que me tirasse deste lugar, alguém que sentasse e lesse comigo os contos, organizasse.
Ser adulto é difícil, eu sei.
Tem dias que a gente se sente...
"Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração... "
sexta-feira, julho 08, 2011
quinta-feira, julho 07, 2011
Miniconto: A ponta/ arquivo 2008

A ponta
Do banheiro escutou a campainha tocar três vezes e as batidas insistentes na porta. Era ele, sabia. Passava das três horas quando desligou a TV.
O terno branco ainda reluzia. O rosto dele, também branco, a assustou. Não precisou perguntar, ele disse:
- Acabo de matar um homem que me seguia, um assaltante.
- Como?
- Com o guarda- chuva.
- Mas...
- Com a ponta do guarda- chuva.
Abraçou-a fortemente. Tremia.
Ela silenciou. Esperou que parasse de tremer e disse:
- Tome um banho morno, está suando frio.
O terno jogado na cadeira não tinha mancha de sangue. Nada.
Do banho ele foi direto para a cama.
Esta noite não a desejou como todas as noites.
Ela sentiu alivio.
Nunca mais falaram sobre aquela noite.
quarta-feira, julho 06, 2011
terça-feira, julho 05, 2011
Tiffany Koo - 5 Years Old
(1) Mozart Sonata in C Major K545.
(2) Chopin Nocturne in C# minor
(3) Kabalevsky Sonatina Op.13 #1
Há talentos inexplicáveis.
Que maravilha!
Lembra o próprio Mozart.
domingo, julho 03, 2011
Um geminiano e uma virginiana
Sidney Bechet - "Si tu vois ma mère"
Beleza! Música da trilha sonora do último filme de Woody Allen.
sábado, julho 02, 2011
João Bosco
Lembrando 67, quando conheci o João
:: João Bosco - Site Oficial ::.
Ele estudava engenharia em Ouro Preto e frequentava a casa de Scliar em Cabo Frio. Tocava violão lá em casa- não levava o dele para CFrio. Maravilha! Ele contava emocionado que conheceu Vinícius, ainda não gravara Agnus Dei.
Nos conhecemos nas dunas da estrada do Arraial do Cabo- era passeio obrigatório em Cabo Frio. Naquele dia conheci Chico também, que passaria a ser meu amigo pela vida toda. Não é o Buarque, mas tão especial para mim, quanto. Hoje estou saudosa.
Marcadores:
carlos scliar,
chico,
joão bosco,
Lembranças
Amigos invejáveis
Vi muitas vezes o Glauco na casa do Scliar, que tinha amigos especialíssimos, como Clarice, Jorge Amado, Niemeyer, Darci Ribeiro... Aquela geração foi fantástica- cheguei tarde, digo sempre.
Mais aqui: Nova pagina 1
Lembrando Scliar, vejam aqui o que o Portinari disse! Quase acabou com o talento do jovem pintor.
A casa de Cabo Frio, que virou um instituto, vale a pena ser conhecida- eu amo- é linda! Tem peças maravilhosas de arte- ele colecionava trabalhos de muitos artistas. A casa é em estilo colonial. A de Ouro Preto também é linda, mas faz tanto tempo que não vou lá que lembro pouco- tenho foto minha no jardim- estou horrorosa. Fui com Fernando Bento passar uns dias lá- nós namorávamos, ele era muito amigo do Scliar.
Lembro muito de D. Mercedes, uma negra que tomava conta da casa com a filha Cecília. Eu me encantei por D Mercedes- ficou minha amiga. Tão querida. Ela o acompanhava, quando ele ia para Cabo Frio ela ia, também para o Rio. A família dela, que era grande, vivia no Rio. Tenho saudades do afeto dela por mim.
Em Ouro Preto, Scliar recebia muitos jovens para almoçar. Sempre uma comida muito saudável: frango assado, arroz, feijão, legumes, salada de tomate com alface- lembro até hoje. Ficávamos na mesa conversando- ou melhor, ouvindo-o- era um mestre, gostava de ensinar.
Fazia muito frio naqueles dias- foi um mês de maio- era difícil acordar. Dormíamos num quarto no andar de baixo com janelas que fechavam e escureciam totalmente. Acordávamos e já era meio dia- que vergonha! Scliar acordava cedinho- eu ouvia os passos dele pela casa. Queria ter curtido mais, me aproximado mais dos amigos dele também- só me aproximei dos mais jovens- João Bosco, Lima... Eu era tímida. Talvez hoje fosse diferente. Não sei...
Onde andará Fernando Bento? Na última vez que fui à Sampa não o procurei... Ele foi casado com a filha de Mira Schendel, Ada, com quem teve filhos.
Assinar:
Comentários (Atom)























