terça-feira, junho 19, 2012

Chico Buarque- Bastidores

Cartas entre Vinicius de Moraes e Chico Buarque





















By Camille Claudel


Recebi, por e-mail, esta preciosidade, divido com vocês:

"As duas cartas abaixo foram cedidas por Chico Buarque de Holanda
a Caique Botkay que as publicou no livro "Achados", uma coletânea de coisas
que jamais seriam publicadas. Todos os "achados" são inéditos.
Eis o processo de criação e de elaboração poética ao vivo e a cores - no
caso da letra de "Valsinha", composição de Chico que faz sucesso até hoje.


De Vinicius de Moraes para Chico Buarque:


Mar del Plata, 24 de janeiro de 1971

Chiquérrimo,
Dei uma apertada linda na sua letra, depois que você partiu, porque achei
que valia a pena trabalhar mais um pouquinho sobre ela, sobre aqueles hiatos
que havia, adicionando duas ou três idéias que tive. Mandei-a em carta a
você, mas Toquinho, com a cara mais séria do mundo, me disse que Sérgio
[Buarque de Hollanda] morava em Buri, 11, e lá se foi a carta para Buri, 11.

Mas, como você me disse no telefone que não tinha recebido, estou mandando outra para ver se você concorda com as modificações feitas.
Claro que a letra é sua, e eu nada mais fiz que dar uma aparafusada geral.
Às vezes o cara de fora vê melhor essas coisas.
Enfim, porra, aí vai ela. Dei-lhe o nome de "Valsa hippie", porque parece-me
que tua letra tem esse elemento hippie que dá um encanto todo moderno à
valsa, brasileira e antigona. Que é que você acha? O pessoal aqui, no
princípio, estranhou um pouco, mas depois se amarrou na idéia. Escreva logo,
dizendo o que você achou.

"Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a dum jeito mais quente do que comumente costumava olhar
E não falou mal da poesia como mania sua de falar
E nem deixou-a só num canto; pra seu grande espanto disse: vamos nos amar...

Aí ela se recordou do tempo em que saíam para namorar
E pôs seu vestido dourado cheirando a guardado de tanto esperar

Depois os dois deram-se os braços como a gente antiga costumava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a bailar...
E logo toda a vizinhança ao som daquela dança foi e despertou
E veio para a praça escura, e muita gente jura que se iluminou

E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouviam mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu em paz".


De Chico Buarque para Vinícius de Moraes


Caro poeta,
Recebi as duas cartas e fiquei meio embananado. É que eu já estava cantando
aquela letra, com hiato e tudo, gostando e me acostumando a ela. Também
porque, como você já sabe, o público tem recebido a valsinha com o maior
entusiasmo, pedindo bis e tudo. Sem exagero, ela é o ponto alto do show,
junto com o "Apesar de você". Então dá um certo medo de mudar demais.
Enfim, a música é sua e a discussão continua aberta. Vou tentar defender, por
pontos, a minha opinião. Estude o meu caso, exponha-o a Toquinho e Gesse,
e se não gostar foda-se, ou fodo-me eu.
"Valsa hippie" é um título forte. É bonito, mas pode parecer forçação de
barra, com tudo que há de hippie por aí. "Valsa hippie" ligado à filosofia
hippie como você a ligou, é um título perfeito. Mas hippie, para o grande
público, já deixou de ser filosofia para ser a moda pra frente de se usar
roupa e cabelo. Aí já não tem nada a ver. Pela mesma razão eu prefiro
que o nosso personagem xingue ou, mais delicado, maldiga a vida,
em vez de falar mal da poesia. A sua solução é mais bonita e completa,
mas eu acho que ela diminui o efeito do que se segue.
Esse homem da primeira estrofe é o anti-hippy. Acho mesmo que ele
nunca soube o que é poesia. É bancário e está com o saco cheio e
está sempre mandando sua mulher à merda. Quer dizer,
neste dia ele chegou diferente, não maldisse (ou "xingou" mesmo) a vida
tanto e convidou-a pra rodar. "Convidou-a pra rodar" eu gosto muito,
poeta, deixa ficar. Rodar que é dar um passeio e é dançar.
Depois eu acho que, se ele já for convidando a coitada para amar,
perde-se o suspense do vestido no armário e a tesão da
trepada final. "Pra seu grande espanto", você tem razão, é melhor que
"para seu espanto". Só que eu esqueci que ia por itens.
Vamos lá:
* Apesar do Orestes (vestido de dourado é lindo), eu gosto muito do som
do vestido decotado. É gostoso de cantar vestidodecotado.
E para ficar dourado,o vestido fica com o acento tendendo para a primeira
sílaba. Não chega a ser um acento, mas é quase. Esse verso é, aliás,
o que mais agrada, em geral. E eu também gosto do decotado ligado ao
"ousar" que ela não queria por causa do marido chato e quadrado.
Escuta, ô poeta, não leva a mal a minha impertinência, mas você precisava
estar aqui para ver como a turma gosta, e o jeito dela gostar dessa valsa,
assim à primeira vista. É por isso que estou puxando a sardinha mais
para o lado da minha letra, que é mais simplória, do que pelas suas
modificações que, enriquecendo os versos,
talvez dificultem um pouco a compreensão imediata. E essa valsinha tem
um apelo popular que nós não suspeitávamos.
* Ainda baseado no argumento acima, prefiro o "abraçar" ao "bailar".
Em suma, eu não mexeria na segunda estrofe.
* A terceira é a que mais me preocupa. Você está certo quanto ao
"o mundo" em vez de "a gente".
Ah, voltando à estrofe anterior, gostei do último
versos onde você diz "e cheios de ternura e graça" em vez de "e foram-se
cheios de graça". Agora, estou pensando em retomar uma idéia anterior,
quando eu pensava em colocá-los em estado de graça. Aproveitando a sua
ternura, poderíamos fazer "Em estado de ternura e graça foram para a praça e
começaram a se abraçar". Só tem o probleminha da junção "em-estado", o
"em-e" numa sílaba só. Que é o mesmo problema do "começaram-a". Mas você
mesmo disse que o probleminha desaparece dependendo da maneira de se cantar.
E eu tenho cantado "começaram a se abraçar" sem maiores danos. Enfim, veja
aí o que você acha de tudo isso, desculpe a encheção de saco e responda
urgente.
* Há um outro problema: o pessoal do MPB-4 está querendo gravar essa valsa
na marra. Eu disse que depende de sua autorização e eles estão aqui
esperando. Eu também gostaria de gravar, se o senhor me permitisse, por que
deu bolo com o "Apesar de você", tenho sido perturbado e o disco deixou de
ser prensado. Mas deu para tirar um sarro. É claro que não vendeu tanto
quanto a "Tonga", mas a "Banda" vendeu mais que o disco do Toquinho   solando
"Primavera". Dê um abraço na Gesse, um beijo no Toquinho e peça à Silvana
para mandar notícias sobre shows etc. Vou escrever a letra como me parece
melhor. Veja aí e, se for o caso, enfie-a no ralo da banheira ou noutro
buraco que você tiver à mão.

"Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra rodar

Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar

E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda a cidade enfim se iluminou
E foram tantos beijos loucos
Tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz."


PS: Postei pela primeira vez em 21/04/2007

terça-feira, junho 12, 2012

Ivan Lessa no Poratl Luis Nassif




Ivan Lessa fala dos gatos na última mensagem


Achei hoje a página que eu salvei, outras não salvei- nunca imaginei que iriam sumir comentários... tenho o blog há tanto tempo...


Ivan Lessa adicionou um comentário a seu perfil em Portal Luis Nassif

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Oi, Eliane. Na verdade, eu tenho uma gata. Smudge. Branca e preta. O outro, Oscar, é de minha filha que foi para fora visitar os sogros. Grato pela lembrança, pelas palavras. Adescurpa eu nunca responder. Minha vida se complicou muito este ano e mais ainda se deve complicar ano que vem. Saúde. Pulmões, coração. Deixa pra lá. Não sei adicionar presentes. Mas considere-se presenteada e anexada. Tudo de bom para 2011. Ivan

26/12/2010

Que semana...






Dias cheios de novidades- boas e ruins.

A ruim foi a morte do Ivan Lessa. Putz! Eu sabia que estava doente, vou mostrar o que ele me disse na última vez que nos comunicamos.
Conheci o Ivan no Portal Luis Nassif. Foi assim: vi um perfil dele lá e escrevi: “É o Ivan Lessa mesmo ou é piada?” Algo assim. Ele respondeu que era o próprio e fez uma piada- não sei se vou encontrar nos meus guardados- perco muito as coisas.  Ele foi ler meus contos e gostou. Disse que lembrava Clarice e, quis me dizer quem era a escritora achando que eu não soubesse. Rs Também disse que se enxugasse mais encostaria em Dalton Trevisan. Ulalá! Um elogio e tanto. Ai, um dia eu fui lá falar com ele e ele havia sumido, os comentários idem. Tentei recuperar o que ele comentou- a tonta aqui não havia copiado e a mulher do Nassif, a ruiva, disse que era assim mesmo e não dava para resgatar.
Ivan gostava de gatos, me disse até o nome dos gatos, vou procurar- um deles estava de passagem, era da filha dele.
Vocês acreditam que eu não encontro meu pen- drive com tudo que tirei do velho lap topo- a sorte é que o meu “jurássico”, como meus filhos chamam, ainda funciona.
Pensem uma coisa que me tira do sério- isso. Como sumiu? Estava em cima da mesa-perto do lap top e sumiu!...
Fico subindo pelas paredes de raiva- e não foi ninguém, ninguém sabe ninguém viu. “Você vai achar, calma”, o filho diz. E se não achar? É um objetozinho mínimo- nunca mais compro estas coisas quase invisíveis. Houve festa de aniversário dos meninos e fizeram minha mesa do escritório de depósito- tudo que havia por aqui, foi para lá- até aquelas bolsas para esquentar e tirar dor de torções estava sobre os livros- acreditam? Rs ai jesuis, me dê paciência.
A novidade boa: compramos um cão. OK. Também acho o fim comprar cães, mas ele estava mal cuidado, nunca havia tomado uma vacina, estas coisas e é um Schnauzer, pelo menos cremos ser. Fofíssimo. Ontem foi cortar o pelo e voltou lindo.  Esta foto não é dele- é um muito parecido- vou deixar p Dan colocar a foto primeiro do bichinho. Hoje ele fotografou um periquito australiano na amoreira- lindo! Viver aqui traz estas alegrias- pequenas, mas lindas. A dona estava desesperada, tem outros e está sem condições de comprar até ração. Pagamos pouco por ele. Vale muito, mas não tem certificado, e está mal cuidado.


Não revisei , postando após escrever, perdoem os erros.





segunda-feira, junho 11, 2012

João fez aniversário...





Abra aqui: ESSA É PRA TOCAR NO RADIO - 39 - RARIDADES DE JOÃO GILBERTO

Todos sabem que eu amo a voz de João, aplaca minhas dores d'alma, por isso eu torço por ele, para que viva muito- ele tem fé,eu sei e irá longe com seu violão- ainda toca.
Um forte abraço, meu querido João Gilberto. Pena que não esteja mais no Facebook para eu poder dizer na sua página. Mas ele sabe que tem muita gente que torce e o ama.

domingo, junho 10, 2012

Ivan Lessa também se foi...


Ivan Lessa, um dos criadores de "O Pasquim", morre aos 77 anos

Jornalista e cronista, que morava desde 1978 em Londres, escreveu até o último dia de vida
Colaborador do site da BBC Brasil, ele estava recolhido a sua casa havia quase um ano, por causa de enfisema
Fernando Cavalcanti/BBC Brasil
O escritor e jornalista Ivan Lessa na Redação do serviço brasileiro da BBC, em Londres
O escritor e jornalista Ivan Lessa na Redação do serviço brasileiro da BBC, em Londres

RODRIGO RUSSO
DE LONDRES
JULIANNA GRANJEIA
DE SÃO PAULO


"Eu prefiro ler a escrever!" é uma das frases de Ivan Lessa que ficaram famosas. Apesar da afirmação, ele escreveu até o último dia de vida.
O jornalista e escritor brasileiro radicado em Londres desde 1978 morreu em sua casa na tarde de sexta-feira, aos 77 anos, em decorrência de enfisema pulmonar e problemas cardíacos.
De acordo com Elizabeth Lessa, 73, sua viúva, Ivan estava em tratamento havia quase um ano e ficava dentro de casa praticamente o dia inteiro, escrevendo.
Segundo Elizabeth, casada há 39 anos com o escritor, seu corpo será cremado em uma cerimônia em Londres, como ele desejava. A data ainda não foi definida.
Lessa também deixou a filha única Juliana, que tinha dois anos quando a família se mudou para Londres.
Mesmo debilitado, o jornalista continuava publicando suas colunas no site da BBC Brasil três vezes por semana.
Na última delas, que saiu na manhã de sexta-feira, ele chamava de mestre o também escritor Millôr Fernandes, morto em março deste ano, e enumerava uma série de frases brincando com a ideia da morte (leia à esq.).
Entre elas estavam: "Na verdade, nunca me senti à vontade nessa posição incômoda de cidadão do mundo" e "só quero ver quanta gente vai sincera no meu funeral".
Lessa carregava uma forte herança literária. Filho do também escritor Orígenes Lessa e da jornalista Elsie Lessa, era bisneto de Julio Cézar Ribeiro Vaughan, criador de jornais e autor do romance naturalista "A Carne".
Lessa foi fundador e um dos principais colaboradores do jornal "O Pasquim", durante a resistência à ditadura militar brasileira [1964-1985], ao lado de Ziraldo, Paulo Francis, Tarso de Castro e Millôr Fernandes.
Com o cartunista e amigo Jaguar, Lessa criou o ratinho Sig, inspirado no psicanalista Sigmund Freud, que se tornou símbolo de "O Pasquim".
O jornalista publicou três livros de contos e crônicas, "Garotos da Fuzarca", "Ivan Vê o Mundo" e "O Luar e a Rainha", e participou do livro "Eles Foram para Petrópolis", de 2009, compilação da sua troca de correspondência por e-mail com o amigo e jornalista Mario Sergio Conti.
Ele também trabalhou na TV Globo e colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas a Folha, as revistas "Senhor", "Isto É", "Veja" e "Playboy", e os diários "O Estado de S. Paulo" e "Jornal do Brasil".
Em dezembro de 2011, Lessa publicou no site da BBC uma crônica intitulada "Morrer por Cremação É Joia".
Nela, afirmava: "Volto à morte como ela, delicada, se volta para mim. Todo dia, disse e repito, tem alguém conhecido que nos (dou uma chegada ao Brasil pelas asas da Panair) deixou. Leio o pouco que entendemos da difícil arte dão paulo obituário, na qual os britânicos ainda detêm medalha de ouro, e, na companhia fiel de meu enfisema, constatamos. Só isso. Constatamos. Não há mais motivo para verter lágrimas."

 Reportagem da Folha de São Paulo

quinta-feira, junho 07, 2012

Sonhos, Corpus Christi...


Foto do site da prefeitura de Cabo Frio



Trégua. O vento silenciou. A chuva trouxe frescor. Não há luz ofuscante. Despertei com aves grunhindo em grupo. Olho. Voam em bando- são seis. Fazem círculos abertos no espaço. O olhar mais distante percebe a mudança da paisagem. A árvore, que finalizava com beleza o enquadre, foi derrubada para a construção de uma caixa d’água. O cimento se sobressai mesmo à distância.

Lembro dos sonhos. Duas cobras gigantes apareciam num buraco da parede, descubro que por ali percorria a água da caixa d’água. Tenho nojo. Elas se entrelaçam no espaço aberto na parede e depois somem. A abertura da parede me remete à Cabo Frio, casa onde vivi com minha família. As descargas ficavam na parede acima do vaso e tinham uma placa de plástico, quando travavam, eu desmontava e, quando não conseguia consertar, ficavam algum tempo assim- abertas- até um entendido vir.

Depois sonhei que estava de mudança para o Rio, ainda morava em Cabo Frio, pensava nos clientes e que poderia atendê-los uma vez por semana. No sonho me dava alegria saber que estaria de novo nas ruas do Rio- cidade onde gosto de caminhar- flanar. Minha mãe estava saindo da casa também- acho que eram duas casas- havia uma cortina enorme e ela encrencava sobre a cortina, não queria dar ou levar a cortina. Uma barata aparece na cabeceira de uma cama- tenho nojo. A casa era velha. Acordei.

Cabo Frio está presente hoje porque lembrei, estes dias, da festa de Corpus Christi. Eu costumava levar os meninos para verem. É bonito. Tantos desenhos coloridos feitos de sal ou areia colorida. Como não há tantas flores por lá... Depois vem a procissão. Comovente. Mesmo a mulher agnóstica, aqui, se comove diante da fé e paixão das pessoas. A fé comove. ‘Deus tende piedade de nós.’

Ontem sonhei com Chico Buarque. Se eu contasse todas as vezes que sonho com ele... Acho incrível!
Era meu amigo, eu o cumprimentava entre outras pessoas. Se um lacaniano me ouvisse saberia o porquê do Chico- eu também sei. Mais fácil sonhar com o Buarque. Às vezes penso no número de pessoas que sonham com ela- dormindo mesmo- e que, por mais que isso o envaideça, deve ser incomodo. Não gostaria de ser famosa, conhecida a este ponto. Putz! Conheço outras pessoas que sonham com ele. Nos meus sonhos ele sempre é gentil, amoroso, mas nunca tive um erótico. Digo aqui em casa, "eu amo o Chico"- os meninos debocham um pouco deste meu encanto por um estranho- dizem que está velho, estas coisas, para me provocar, respondo que não importa, que envelhecemos juntos- e que ele não tem idade- o que importa é a densidade deste homem. Ai, ai :)
Neste dia, fiquei entristecida pela manhã, nostálgica. Sei porquê. Nada há a fazer contra lembranças fortes. Tomei um cálice de vinho tinto, comi uma bela salada, vi meu seriado preferido (Mad men). Passou o banzo.
Acho que estou aprendendo a viver. :)

Vinho= Corpus Christi :) Depois dizem que a psicanálise é blefe... este, que pensa assim: Vá catar coquinho em NY. rs
Bom feriado para vocês.

quarta-feira, junho 06, 2012

João Gilberto, Guimarães Rosa e caminhos cruzados


Ensaio 


Caminhos cruzados

João Gilberto, Guimarães Rosa e a poética do Brasil




RESUMO A série de textos que a "Ilustríssima" adianta em primeira mão apresenta trecho de ensaio sobre as conexões poéticas entre João Gilberto e João Guimarães Rosa. O texto integra o livro "João Gilberto", organizado por Walter Garcia, alentada fortuna crítica sobre o músico baiano que a Cosac Naify lança nesta semana.

HELOISA MARIA MURGEL STARLING
ILUSTRAÇÃO LUCAS ARRUDA

 
DURANTE UM EVENTO ocorrido na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), em 2009, Chico Buarque causou espanto e surpresa na plateia com uma declaração inesperada:
 "Não sei se Guimarães Rosa é melhor que João Gilberto. Eu não sei".
A interrogação irresolvida de Chico pode até gerar estranheza, acostumados que ainda estamos ao contraponto entre a chamada alta literatura e as criações populares, entre o culto à soberania da abordagem literária em sua inesgotabilidade de sentido e de permanência e o nosso hábito meio distraído de fazer da canção o complemento natural da atividade cotidiana de viver -mas, ao menos no caso do Brasil moderno, essa interrogação faz todo sentido.
Chico Buarque tem bons motivos para reafirmar a equivalência entre a linguagem literária escrita e a cantada no Brasil. Ainda assim, é possível que a lembrança dos nomes de Guimarães Rosa e João Gilberto seja consequência principalmente do reconhecimento de suas próprias e decisivas influências estéticas.
Afinal, Chico já afirmou diversas vezes haver decidido fazer canções ao ouvir a gravação de "Chega de Saudade", por João Gilberto, em 1958; como também já afirmou ser Guimarães Rosa o autor diante do qual sentiu vontade de fazer literatura: "Foi uma descoberta. Durante um bom tempo, queria escrever à la Guimarães Rosa".
É certo que a partir da passagem para a década de 1960, centenas de jovens em todo o país passaram a compartilhar do mesmo susto e do mesmo encantamento radical com o violão e o canto de João Gilberto e com a potência literária da prosa de Guimarães Rosa. Mas é certo também que, ao menos à primeira vista, os mundos da linguagem criados por eles parecem estar tão distanciados e incomunicáveis, que é inevitável supor a persistência do crivo de uma sutil diferença de tom e de valor.
O terreno é certamente escorregadio. Se de fato for inequívoca a disparidade entre o lugar precário ocupado pela canção e a onipresença do texto literário, então há pouco que fazer: afinal, as possibilidades de comunicação só podem ocorrer em um diálogo de gêneros correspondentes.
Nesse cenário, e embora João Gilberto e Guimarães Rosa tenham composto o essencial de sua obra ao mesmo tempo e no mesmo contexto histórico, não existe chance de correspondência entre eles -exceto, talvez, duas.

PERFECCIONISMO Na primeira, ambos dividiram um perfeccionismo capaz de levar o produto final muito além das exigências do mercado -e, reza a lenda, o editor José Olympio teria destruído as matrizes de "Sagarana", derretendo o chumbo dos linotipos a fim de impedir as obsessivas revisões a que Guimarães Rosa submetia seus textos.
Na segunda, os dois esculpiram, cada um a seu modo, a substância plástica muitíssimo elaborada de uma "persona" criada para dar-lhes uma feição modelada do real e devolvê-la ao público. Com o tempo, os admiradores de ambos passaram a agregar a essas "personas" certa aura de santidade, diversas manias, um sem-número de anedotas e alguma intimidade com o sobrenatural.
No mais, sabe-se que Guimarães Rosa mantinha um ouvido atento ao som do rádio, ao ritmo pulado das marchinhas carnavalescas e ao repertório das grandes cantoras; adorava a voz de Ademilde Fonseca, Carmélia Alves, Emilinha Borba.
Fiel ao repertório da bossa nova, João Gilberto foi sempre enfático ao sublinhar sua profunda admiração por Carlos Drummond de Andrade -e, dizem, a admiração é tamanha que ele é capaz de recitar o poema "Morte do Leiteiro" a um interlocutor desavisado, em meio às suas longas maratonas por telefone madrugada afora.
Contudo, como diria Guimarães Rosa a respeito dos próprios livros, a frase de Chico Buarque "também pode valer pelo muito que nela não deveu caber". No projeto literário de Rosa, isso significava perceber que o potencial da linguagem -e, cabe acrescentar, potencial presente na linguagem escrita e cantada- como meio de comunicação é duplo: ela tanto se afirma como "tradizione", isto é, como ponto de transmissão e interpretação de mensagens entre o passado e o presente, quanto cria combinações num mundo futuro.
Essas combinações só revelam seus múltiplos sentidos e suas perspectivas ocultas a partir de uma chave própria: uma espécie de trabalho de leitura a posteriori de uma ação -um ato de fala- cuja legibilidade foi construída, mas foi também perdida, em algum lugar, ao longo do tempo de duração da obra.
Não parece ser, portanto, por acaso, que entre a voz e o violão de João Gilberto e a escritura de Guimarães Rosa algo do muito que nessa relação não deveu caber suponha, desde o início, uma ampla reserva de correspondências, de semelhanças extrassensíveis que se encontram, se trocam e se completam no campo da linguagem.

PROJETOS Mais precisamente, essa é uma relação que se estabelece entre dois projetos de linguagem -escrita e cantada- que partem de uma mesma e dupla demanda: a afirmação de uma língua poética ainda não saturada, cujo desenvolvimento ainda não se deteve e que ainda é uma língua "além do bem e do mal", nos termos de Guimarães Rosa; uma língua poética que também se firma numa identidade, numa maneira de viver em comum, como provavelmente acrescentaria João Gilberto.
O empreendimento literário de Guimarães Rosa implicava um método: a utilização de cada palavra como se ela houvesse acabado de nascer, para limpá-la das impurezas da linguagem cotidiana e reduzi-la a seu sentido -e som- original.
Já o projeto de linguagem de João Gilberto está ancorado em duas pontas: uma, o investimento rítmico a partir do qual se organizam todos os outros elementos de sua obra; a outra ponta, os recursos para a criação de uma maneira de cantar que busca realizar uma análise interpretativa da canção de maneira radical, explorando aquilo que seu compositor deixou para trás.
Evidentemente, a dosagem e o controle das duas pontas desse projeto dependem de um completo domínio da linguagem. Nos termos de João Gilberto, "música é som. E som é voz, instrumento".
Começa nessa definição um jogo de equilíbrio finamente articulado por ele entre o ritmo do canto e o ritmo do violão; um jogo em que cada sílaba cantada ocupa um lugar milimetricamente exato com os ataques de acorde e os baixos do violão. Trata-se, nesse caso, tanto de evitar deixar o violão "falando sozinho lá embaixo", como ele mesmo diz, quanto de garantir "que a voz se encaixe no violão com a precisão de um golpe de caratê, e a letra não perca sua coerência poética".
A fala é o lugar histórico onde a palavra nasce; o canto, o momento em que esse nascimento se atualiza e a palavra cintila por um instante. Por conta disso, diria João Gilberto, "as palavras devem ser pronunciadas da forma mais natural possível, como se estivesse conversando".
O seu canto é só isso: uma conversa cantada que propõe uma conciliação rítmica no interior da canção, entre o ritmo da fala, da música e do argumento que organiza a narrativa -e que, a partir dos anos 1950, e contando com a sua contribuição, também passou a incluir a forma icônica como recurso estilístico associado ao comportamento temático da melodia.
O personagem central de "Grande Sertão: Veredas", o jagunço Riobaldo Tatarana, costumava dizer que nem tudo no sertão pode ser nomeado, mas "tudo, nesta vida, é muito cantável".
A arte de produzir um jeito de cantar em que cada palavra suporta o peso de seu significado e a consistência de sua sonoridade talvez seja outro indício dos processos que engendram as semelhanças não sensíveis por onde nasce o diálogo de João Gilberto com Guimarães Rosa.
Afinal, vale insistir, o que não pode ser nomeado é cantável: por meio do canto falado de João Gilberto, brota invariavelmente a constelação de significados contida nos sons de uma frase em que as sílabas ocupam um lugar preciso no comportamento temático da melodia -como se eles lá estivessem escondidos desde sempre à espera desse canto.
No interior da ficção de Guimarães Rosa, a longa conversa entre a palavra e o som busca executar um procedimento análogo: revelar a mesma constelação de significados que habita os extremos da experiência da linguagem.

BRASIL A relação de João Gilberto com o Brasil é análoga à de Guimarães Rosa: pessoal, intransferível e imaginada. Como ele mesmo tentou explicar, ao recordar, 30 anos depois, sua participação ao lado de Tom Jobim, no famoso "Concerto da Bossa Nova", no Carnegie Hall, em Nova York, brasilidade provém da alma, carrega a marca dos afetos, traduz uma projeção do desejo: "Nós ali, fazendo música. Nós ali, representando o Brasil. A gente querendo homenagear o Brasil, a gente querendo o bem do Brasil".
O "Concerto da Bossa Nova" aconteceu em novembro de 1962 e, de certo modo, marcou o final do tempo da obra que João Gilberto compartilhou com Guimarães Rosa. Seis anos antes, quando esse tempo teve início, em 1956, o país vislumbrava a oportunidade de realização do que se pode chamar de uma utopia brasileira.
Em maio desse ano, Juscelino Kubitschek, recém-empossado na presidência da República, sonhou inventar as bases para que a nossa sociedade se tornasse capaz de superar as marcas e os estigmas do subdesenvolvimento: avançada, comprometida com um amplo programa modernizador e por consequência, capaz de produzir os mecanismos de integração do interior ao centro, do Brasil ao mundo, da tradição ao moderno.
Juscelino gostava de música, tinha "mania de escritor", obsessão pela ideia de progresso e encantamento por tudo que era novo e moderno. A utopia brasileira que alimentou seu governo estava embalada por duas características principais: propunha o projeto de um Brasil possível como oportunidade a ser necessariamente alcançada; sustentava-se na crença de que sua concretização dependia da vontade do Estado e do desejo coletivo de um povo que, enfim, teria encontrado o seu lugar e o seu destino.
 
PASSADO E FUTURO Guimarães Rosa tomou o passado como o lugar de uma reflexão sobre uma experiência vivida; em João Gilberto, a recordação é uma estratégia de acesso ao conhecimento que lhe permite experimentar novos caminhos -visível, por exemplo, nas recriações que realizou de velhos sambas das décadas de 1930 e 1940 e quase completamente esquecidos. Nos dois projetos de linguagem, porém, está implícita ou explícita a percepção do traço ambíguo que funda a utopia brasileira dos anos 1950.
Tanto para Guimarães Rosa quanto para João Gilberto, a escolha não é entre o antigo e o moderno; é entre aquilo que está prestes a desaparecer e o que ele ilumina no instante de seu desaparecimento: a promessa que não se cumpriu, o seu outro e seu contrário.
O projeto literário de Guimarães Rosa fez o registro detalhado das ruínas, fragmentos, detritos, resíduos de tudo aquilo que o Brasil modernizado pelo desenvolvimentismo de Kubitschek não conseguiu mais aproveitar e a República descartou por improdutivo, supérfluo, inútil: a massa compacta de vaqueiros, tropeiros, jagunços, garimpeiros, romeiros, roceiros, caipiras, prostitutas, índios, velhos, mendigos, loucos, doentes, aleijados, idiotas -uma gente que não vai a parte alguma, ninguém os reivindica, não são ninguém.
Apenas uma multidão de depauperados e miseráveis que se desloca, sem parar, saindo do sertão, no rumo das grandes cidades brasileiras que simbolizam sua última chance de escape de um mundo de necessidades e carências absurdas -e descobrem, ao fim e ao cabo, a completa inutilidade desse deslocamento.
É certo que a voz e o violão de João Gilberto também se mobilizaram no esforço de tentar capturar a claridade poética que brilha no instante em que algo se perde do Brasil e é tragado, como diria José Miguel Wisnik, por essa utopia cega que devassa e devasta - e se apresenta carregada de exuberância e violência. Mas, diferentemente do percurso de Guimarães Rosa, as canções que ele gravou projetam no futuro, de modo muito eloquente, em seus motivos melódicos e poéticos, percursos alternativos de construção de subjetividade dentro dos processos de modernização do Brasil, a partir de um conjunto de pequenos e delicados valores do mundo privado.
Há quem diga, com muita razão, que, física e musicalmente, João Gilberto não sai de casa - um concerto seu, mesmo em um estádio, mantém algo de uma reunião entre amigos, numa sala de apartamento. Não por acaso. A intuição poética do seu projeto de linguagem é precisamente esta: preservar, num sentido muito real, a profundidade de uma parte do mundo que, uma vez perdida, torna inteiramente superficial a vida de cada um de nós.
A interpretação de João Gilberto, como as canções de Tom Jobim, garante aos brasileiros a sombra de um refúgio -um lugar só nosso, mas dotado de qualidade muito específica que faz emergir, da meia-luz que ilumina nossa vida privada e íntima, valores, sentimentos e ideias, e deriva deles a base de formação de nossas condutas individuais e coletivas.
O jagunço Riobaldo Tatarana costumava dizer que "por cativa em seu destinozinho de chão, é que árvore abre tantos braços". São muitos os braços do Brasil. Graças a eles, o país se equilibra entre esperança e abandono; mas estão abertos por um triz, pela linguagem irisada da voz e do violão de João Gilberto e da ficção de João Guimarães Rosa.

Nota do editor
Nesta versão editada do ensaio, foram suprimidas as notas de rodapé, quase todas de referências bibliográficas.

Da Folha de São Paulo

João Gilberto e Caetano Veloso

Maravilha!


Meditação
Tom Jobim

Quem acreditou
No amor, no sorriso e na flor
Então sonhou, sonhou
E perdeu a paz
O amor, o sorriso e a flor
Se transformam depressa demais
Quem no coração
Abrigou a tristeza de ver
Tudo isso se perder
E na solidão
Procurou o caminho e seguiu
Já descrente de um dia feliz
Quem chorou, chorou
E tanto que o seu pranto já secou
Quem depois voltou
Ao amor, ao sorriso e à flor
Então tudo encontrou
Pois a própria dor
Revelou o caminho do amor
E a tristeza acabou

É impossível ser feliz sozinho...

Amo!

Sobre João Gilberto- livro

Livro busca decifrar enigma João Gilberto


Edição comemorativa traz entrevistas, depoimentos e ensaios sobre o cantor, que completa 81 anos no domingo
Organizador e editores buscaram deixar em segundo plano o folclore em torno do criador da bossa nova

 
Francisco Pereira
  

João, entre Luiz Roberto e Quartera, de Os Cariocas, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, nos anos 1960, no Rio de Janeiro
João, entre Luiz Roberto e Quartera, de Os Cariocas, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, nos anos 1960, no Rio de Janeiro   
PAULO WERNECK
EDITOR DA “ILUSTRÍSSIMA”
Depois do anticlímax de ter a turnê de seu aniversário de 80 anos cancelada no ano passado, João Gilberto completa 81 no próximo domingo debaixo de um holofote que pode ajudar a compreender por que, afinal, tanta gente o considera um gênio.
Misto de fortuna crítica e homenagem, o livro "João Gilberto", que a Cosac Naify lança nesta semana, tem tudo para se tornar um marco, como "O Balanço da Bossa" (1968), de Augusto de Campos, ou "Chega de Saudade" (1990), de Ruy Castro.
Organizado por Walter Garcia, professor do Instituto de Estudos Brasileiros da USP, sob coordenação dos editores Milton Ohata e Augusto Massi, o livro pretende reunir tudo o que já se escreveu de importante sobre João e que estava fora de circulação.
Jornalistas, musicólogos, músicos e pesquisadores foram mobilizados para mostrar diferentes ângulos da arte de João, sua recepção na França, na Itália, no Japão, suas conexões com a arquitetura e a literatura.
Lá estão as primeiras entrevistas e perfis dos anos 1950, as resenhas feitas no calor da hora, os depoimentos de músicos e parceiros e uma empolgada convocação do cronista Antonio Maria para que o leitor fosse ouvir o baiano em sua companhia, numa boate em Copacabana.
"Este é um livro a favor", explica Ohata. E ser a favor, aqui, significa pôr em segundo plano o anedotário que aderiu à figura de João. Esqueça o homem que fez o gato se suicidar, que fala no telefone por código Morse, que só sabe reclamar do som e do ar-condicionado etc. Não por acaso, há no livro uma seção chamada "Antianedotário".
"É uma grande bobagem reduzir João ao anedotário", disse Garcia à Folha. "Espero que o livro ajude a desmitificar muito do que se fala de João Gilberto."
Na busca por essa "desmitificação", Garcia foi atrás de Aderbal Duarte, músico e professor baiano que conseguiu demonstrar como se dá, na pauta musical, a famosa batida criada por João.
Outra "aventura" foi localizar, em Manhattan, o baterista Sonny Carr, que atuou no cultuado disco branco de 1973 e que muitos acreditavam não passar de pseudônimo.
ENSAIO
Embora também traga reportagens e depoimentos, além de fotos inéditas (veja uma delas acima), a tônica do livro é o ensaio.
O melhor exemplo de tentativa de apreender criticamente a obra de João e tratá-la como uma questão intelectual é um texto de 1992, talvez o mais citado ensaio sobre o cantor.
No curto e brilhante "João Gilberto e o projeto utópico da bossa nova", o musicólogo Lorenzo Mammì demonstra como João simbolizou uma geração que apresenta "seu mais rigoroso trabalho como um lazer, como o resultado ocasional de uma conversa de fim de noite".
Nem tudo, porém, está no holofote da Cosac Naify. Sobram EUA, Europa e Japão, mas falta esquadrinhar sua passagem pelo México, onde gravou um de seus discos mais importantes. Falta também uma análise mais densa de sua parca produção como compositor.
Dissecar o mito, no entanto, nem sempre escapa ao tom de "vida de santo" tão comum nos textos sobre o baiano. Que o diga o produtor japonês Shigeki Miyata, que em seu "O Cotidiano de um Deus" relata em êxtase um telefonema de João, numa abstrusa mistura de português e inglês: "Sentia como se tivesse ouvido uma linda música durante minutos".
Como escreve Mammì, "a perfeição de João Gilberto [...] carrega objetivamente os estigmas da obsessão".
Ou, como resumiu o amigo e parceiro Vinicius de Moraes, em 1964: "Eu sei que dentro da sua neurose, dentro da sua esquisitice, existe um lugar que ele rega diariamente com as lágrimas que chora por dentro. Um lugar que podemos chamar de Brasil, por exemplo".


JOÃO GILBERTO 
ORGANIZADOR Walter Garcia
EDITORA Cosac Naify
QUANTO R$ 215 (512 págs.)

Da Folha de São Paulo

domingo, junho 03, 2012

Um belo casal: Gerda Taro e Robert Capa


O casal:  Gerda Taro and Robert Capa in Paris, 1936



foto by Gerda



 As fotos do casal são extraordinárias e a vida incrível. Como duas pessoas vivem tão perto da morte? Amor e morte. Fotografaram a guerra, os conflitos. Bela história e trágica também- como é a vida.
Morreram tão cedo- buscaram isso. Algumas pessoas vivem a arte, a profissão- eles o fizeram. É bonito.
Não teria esta coragem. Admiro quem tem.



                                                                 foto by Capra


Há livros sobre eles. Viveram intensamente- vidas que valem a pena. Estelivro saiu há pouco, há comentários críticos sobre ele aqui na Folha.

Hoje meu irmão trouxe a Folha em papel, óbvio, e eu me deliciei com um jornal de verdade- não compro aqui, sai muito caro- pelo transporte, é longe... leio online, mas ai leio menos, me perco, canso.


Mais aqui.