domingo, junho 30, 2013
sábado, junho 29, 2013
Arnaldo Bloch- A classe mídia

A ‘classe mídia’
O grupo que marcou o Brasil nas últimas semanas é desligado de qualquer estrutura formal e movido por intuições diversas
Disse o ministro-chefe interino da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República e presidente do Ipea (quantas qualificações!), Marcelo Neri, que a massa que se manifestou nas últimas semanas não é a verdadeira massa. A teoria é mais ou menos a seguinte: como a renda no topo da pirâmide subiu menos do que na base, os mais ricos resolveram fazer biquinho. Ora, seu Neri, se não foram os mais pobres, tampouco foram os filhos de Eike que saíram mascarados, munidos de cartazes e de vinagre. Quem estava nas ruas era a famosa classe média mesmo, não a nova, mas a velha nova, que, embora jovem e cibernética, é a que paga, e sempre pagou, a conta.
No caso, a conta das benesses que a Era Lula, em seu pacto com a sociedade, distribuiu aos ricos e a renda programática que distribuiu aos pobres. Malfadada, eterno recheio ensanduichado entre forças opostas — ricos/pobres, esquerda/direita, governo/povão — a classe média de agora meteu-se no vácuo formado pela ausência de uma crise.
Apesar de ter pago a conta tanto dos avanços quanto dos retrocessos (o retrocesso político, por exemplo, a partir do lema “todos pusemos a mão na lama”), nada de especialmente bom choveu na sua horta, e a pouca vergonha (eis uma expressão bem classe média) não só imperou, como esculachou.
...
E, por fim (e por falar em apito), é curioso lembrar que tudo começou em meio ao conflito entre índios e latifundiários, que se apagou do debate tão logo saíram os mascarados, embora, nas ruas, todos fossem índios. O cacique, ninguém sabe, ninguém viu.
Leia na íntegra aqui
sexta-feira, junho 28, 2013
quinta-feira, junho 27, 2013
Contardo Calligaris: "Qual baderna?"

Em agosto de 1792, Maria Antonieta devia achar que os que se juntavam na frente das Tuileries eram baderneiros ignorantes.
Em dezembro de 1773, o governador inglês da província de Massachusetts devia pensar a mesma coisa dos "filhos da liberdade", que se disfarçavam de índios, subiam nos navios, jogavam o chá no mar e não queriam pagar os impostos.
Na época, Samuel Adams explicou que, mesmo se esses homens fossem apenas vândalos descontrolados, eles seriam, de fato, os defensores dos direitos básicos do povo das colônias.
A maioria dos paulistanos (e, suponho, dos brasileiros) pensa como Samuel Adams e deseja que as manifestações continuem, por uma razão que está muito além da tarifa dos ônibus: a relação do poder público com os cidadãos do Brasil é, sistematicamente, há muito tempo, de descaso e desrespeito, se não de abuso.
A escola e a saúde públicas são o destino resignado dos desfavorecidos. A insegurança se tornou uma condição existencial, tanto no espaço público quanto dentro da própria casa de cada um. O atraso da Justiça garante impunidades iníquas.
Claro, nossa arrecadação per capita é menos de um terço da dos EUA, por exemplo. Ou seja, talvez tenhamos os serviços públicos que podemos nos permitir.
Convenhamos, seria mais fácil aceitar essa triste realidade 1) se a corrupção não fosse endêmica e capilar, especialmente na administração pública, 2) se os governantes baixassem o tom ufanista de nossos supostos progressos e sucessos, 3) se a administração pública não fosse cronicamente abusiva e desrespeitosa dos cidadãos e de seus direitos.
Além disso, o dinheiro no Brasil compra uma cidadania VIP, na qual não só escola, saúde e segurança são serviços particulares, mas a própria relação com a administração pública é filtrada por um exército de facilitadores e despachantes.
A sensação de injustiça é exacerbada pela constatação de que muitos representantes procuram ser eleitos para ganhar acesso à dita cidadania VIP. Por isso, hoje, circulam aos borbotões, na internet, propostas de reforma política em que, por exemplo, 1) os membros do Legislativo e do Executivo seriam obrigados a recorrer, para eles mesmos e para seus filhos, aos serviços da educação e da saúde públicas, 2) os congressistas não teriam nenhum regime privilegiado de aposentadoria, 3) os congressistas não poderiam votar o aumento de seus próprios salários etc.
Para piorar, os representantes parecem se preocupar pouco com os compromissos de seu mandato e muito com sua própria permanência nos privilégios do poder. Por isso, por exemplo, eles compõem alianças que desrespeitam e humilham seus próprios eleitores.
Nesse contexto espantoso, é patética a indignação com os "baderneiros" e mesmo com a margem de delinquentes comuns que se agregaram às manifestações.
O poder, quando não é efeito de graça divina, vem dos próprios cidadãos e é condicional: só posso reconhecer e respeitar a autoridade que me reconhece e me respeita. Uma autoridade que me desrespeita merece uma violência equivalente à que ela exerce contra mim.
Além disso, é bom não perder o senso das proporções. "Olhe, olhe!", grita um repórter, enquanto a tela mostra alguém que foge de uma loja saqueada levando algo no ombro. Tudo bem, estou olhando e não estou gostando, mas minha indignação é mais antiga e por saques muito maiores.
Outro repórter pensa nos coitados que perderão o avião, em Cumbica, por causa dos manifestantes que bloqueiam o acesso ao aeroporto. Mas o verdadeiro desrespeito é o de nunca ter construído uma linha de trem entre São Paulo e o maior aeroporto do país.
O ministro Antonio Patriota se declarou indignado com o vandalismo contra o Palácio do Itamaraty. Com um pouco de humor negro, eu poderia suspeitar que os apedrejadores talvez tenham precisado um dia dos serviços de um consulado no exterior. Mas, deixemos. Apenas pergunto: se esses forem vândalos, então o que são, por exemplo, os latifundiários desmatadores da Amazônia?
Enfim, à presidenta Dilma gostaria de dizer: não acredito que os "baderneiros" das últimas semanas tenham envergonhado o Brasil --nem mesmo quando alguns depredaram o patrimônio público. Presidenta, você sabe isto mais e melhor do que muitos de nós: o que envergonha o Brasil é uma outra baderna, bem mais violenta, que dura há 500 anos e que gostaríamos que parasse.
Artigo da Folha de São Paulo
Artigo da Folha de São Paulo
| foto google |
quarta-feira, junho 26, 2013
domingo, junho 23, 2013
quinta-feira, junho 20, 2013
O milagre de Agenor, um ex-gay
Via youtube
Enviado em 09/01/2010 Vídeo contando a história do milagre de Agenor, um ex-gay que agora é machão!
ATENÇÃO: Esse é um vídeo de humor, os comentários preconceituosos ou de caráter religioso serão automaticamente deletados e o usuário bloqueado, afinal não estou aqui pra ficar apartando discussão besta e nem pra agradar ninguém. Aproveitem o vídeo como diversão, que é apenas o objetivo dele!
Categoria Comédia
Infelizmente, quem postou precisou dizer que isso é uma brincadeira e foi em 2010- e super atual.
quarta-feira, junho 19, 2013
segunda-feira, junho 17, 2013
domingo, junho 16, 2013
sábado, junho 15, 2013
sexta-feira, junho 14, 2013
quinta-feira, junho 13, 2013
Olivier na África

Olivier Anquier está apresentando o programa na África- hoje mostrou baobás, sua fruta...
Uma delícia estes programas do meu francês preferido- antes era o Jean, vocês sabem.
segunda-feira, junho 10, 2013
domingo, junho 09, 2013
Bethânia em "Brasileirinho"
Bethânia em "Brasileirinho"- Maravilha!
sábado, junho 08, 2013
quarta-feira, junho 05, 2013
Dia Internacional do Meio Ambiente- faça sua parte- Arquivo

Hoje é o Dia Internacional do Meio Ambiente. Pobre meio ambiente, tão sofrido, tão maltratado por todos nós.
Diz a música: " O sertão vai virar mar, o mar vai virar sertão", coisa inimaginável há 40 anos.
Pensamos nos nossos filhos, queremos o melhor para eles, mas esquecemos que o solo também é herança, talvez a mais rica. Pense nisto, pense no que estamos deixando para eles.
Faça a sua parte. Seu vizinho não seleciona o lixo, não deixe por isso de separar o seu. É um começo. Fale com o vizinho, com seu síndico.
Acredite, poucas pessoas estão atentas a isto, se surpreendem quando a gente diz:
"Precisamos fazer coleta seletiva". Dizem: "Mas pra quê? a prefeitura não coleta seletivamente..."
Lembre-se, há catadores de lixo em todos os lugares, há muita gente sobrevivendo com lixo reciclado.
É importantíssimo reciclar, não há mais espaço para tanto lixo.
Pense nos catadores- eu faço isto. Seleciono meu lixo para o sujeito que vem de charrete, sob este sol escaldante, catar na nossa lixeira comum o que pode levar. O meu lixo ele leva limpo, eu separo o seco do orgânico.
Fora isto, economize água, não esbanje. Apague as luzes que não está precisando.
A Terra agradece e seus herdeiros lembrarão que um dia um antepassado era ciente e cuidadoso com o solo que nos acolhe, ou não?
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Ai você lê no jornal isto e fica pensando que mundo mais desigual este, mais injusto:
Foto de Carla Bruni nua supera expectativas em leilão
Imagem clicada por Pamela Hanson foi arrematada por US$ 19,6 mil.
O valor é quase cinco vezes maior do que o esperado inicialmente. É isso ai...
domingo, junho 02, 2013
Como era charmoso o meu francês- arquivo 2005

Jean e Vânia
Outro dia disse aqui que não tinha certeza se alguma vez desejei realmente viver com alguém, por isso lembrei de Jean Guillaume- o francês que mudou a minha vida.
Jean escolheu Cabo Frio para viver a partir de 1961, eu o conheci no final da década de 60, “morava” com Vânia Penafiel, uma mulher requintadíssima, parecia uma boneca de porcelana. Vânia tinha três filhos, e eu era amiga de Consuelo, que era mais ou menos de minha idade. Nos reuníamos na casa dele antes de sairmos para a noite, que obrigatoriamente seria numa boate chamada “Monjolo”, ponto de encontro de todos.
Cabo Frio era um lindo balneário, sofisticado, havia acabado de ser descoberto por intelectuais, artistas do Rio de Janeiro.
Havia um hotel apenas, o "Colonial", portanto só os que possuíam casa de praia frequentavam, e os amigos desta tribo chic e bonita.
Voltando ao Jean, eu ia para sua casa lá por onze da noite. Estavam sempre acabando de jantar, Jean, educado e sedutor, me oferecia um licor ou um sequinho, whisky sem gelo, que eu aceitava com prazer.
Havia sempre convidados, poderia ser Aluísio Magalhães, design conhecido que desenhou algumas de nossas cédulas, Tânia Sherr, atriz, Ionita Salles- ex Guinle, Sérgio Braga, César Thedin, Werneck, Paraíso, um arquiteto muito simpático etc. Muita gente famosa. Ali era uma espécie de 'consulado', sempre com estrangeiros, falavam francês. Eu me deliciava. Aluísio estava sempre por lá e cantava uma música que jamais esqueci, mas não saberia repetir, dizia: “A letra A quer dizer amor ardente... a letra B, beijo...” não sei mais, perguntei para um conhecido de Recife, mas não conhecia, é do folclore nordestino.
Eu, desde o dia em que vi Jean pela primeira vez, fiquei encantada, ele era da idade de meu pai- posso dizer que foi meu amor edípico- e foi o homem mais encantador e charmoso que conheci. Acho que nem Chico Buarque ganha, com sotaque francês ainda por cima!... Era um misto de Gary Cooper e Humphrey Bogard, pode? Pode. Era lindo como um Gary Cooper, olhos azuis, um metro e oitenta, por aí, e tinha um cinismo e um charme como o de Humphrey Bogard.
Irresistível. Mas ele não prestava atenção em moçoilas e eu naquela época era muito tímida, não conseguia aparecer, ficava quieta, não dizia nada, só ouvia- sempre gostei de observar- daí a psicanálise como escolha profissional e que eu gosto tanto.
Eu o visitava quase todos os dias, ligava na hora que eu acordava- lá por onze da manhã, imaginem- e perguntava se ele estaria em casa mais tarde, "Oui, mon amour", ouvia do outro lado da linha.
Vocês acham que eu ia abrir a boca e falar dos meus problemas, que aquela altura eram "gigantescos"- eu vivia deprimida- para um homem que eu achava o máximo e que havia vivido tudo aquilo e me contava sorrindo? Meus problemas viravam 'umbigo puro'.
Com minha mudança para o Rio, eu passei a vê-lo nos fins de semana, todas as vezes que ia à Cabo Frio, bebia “pastisse” preparado pela fiel escudeira dele, a Anúsia.
Minha vida havia mudado muito, muitas coisas aconteciam, mas eu não contava ao Jean.
Tinha amores e desamores, mas só falava da faculdade, livros, mas pouco. Nesta época eu já havia começado a desenhar, mas demorei muitos anos para tomar coragem e mostrar para ele. Um dia estavam Jean e Carlos Scliar juntos e mostrei os desenhos, eu, muito envergonhada.
Eles disseram em coro que eu era a Jean Cocteau brasileira. Imagine... Eu já havia ouvido falar em Cocteau, minha mãe falava, mas não conhecia nada dele, sabia que era um intelectual, associava a Marais, cinema e mais nada. Quando vi, bem mais tarde um desenho dele, me assustei, é muito semelhante ao meu, traço contínuo, figuras de perfil...
Scliar disse que eu poderia fazer ilustrações, fiz uma vez, apenas, para uma revista de psicanálise, uma caricatura de um psicanalista argentino, esqueci o nome. A revista sumiu- estava na estante do consultório. Fazia dos professores de psicanálise nas aulas, de brincadeira. Para Horus Vital Brasil eu entreguei uma. Ele gostou, depois comprou uns desenhos meus- cartões de Natal.
Eu penso que a vida me deu muitas oportunidades e eu as perdi por preguiça, timidez ou melancolia, sei lá. Nunca fui atrás de nada. Por isso digo que a gente deveria ter outra chance, como disse o Vittorio Gassman, viver primeiro com ensaio, como acontece no teatro, depois para valer.

Sabem qual é o meu cheiro preferido? De atelier. Adoro cheiro de tinta óleo, acrílico, qualquer cheiro que lembre aquele francês especial.
Jean era um artista completo, tudo transformava em arte, gostava mais dos quadros surrealistas e os guardava num quarto separado e só os 'escolhidos' tinham acesso. O atelier também só era frequentado pelos escolhidos. Era numa sala, da casa de trás que recebia a todos, muitos mineiros- Cabo Frio foi invadida por eles. Nas paredes havia uma quantidade de pequenos quadros, ele dizia brincando que era Anúsia quem os pintara, fazia para sobreviver, vendia facilmente, eram acessíveis a muitos.
Numa das paredes, havia um buraco para o "Nobody" passar- um vira lata muito simpático, que circulava com liberdade.
Jean tinha três casas. Comprou o terreno até a rua de trás. Na da frente havia o quarto das crianças - Ricardo, Consuelo, Cláudia- e outro de casal- o quarto de Vânia; no centro do terreno, o atelier, onde dormia e recebia os amigos. Na porta de entrada havia uma placa pendurada onde dizia: “Não perturbe”. Abria a porta depois das cinco- “open house”. Ali havia um jardim coberto por conchas com um barco,- você poderia sonhar estar na praia-, e uma sala deliciosa envidraçada no atelier.
Mas por que lembrei de Jean? Porque dizia, e eu acredito, que se você quer viver uma paixão, conservar um amor, não more junto. Ele sempre manteve duas casas. Vânia chegou de surpresa com os três filhos e passou a viver em Cabo Frio com ele- eram namorados no Rio, onde moraram.
Depois dos trinta, Jean me descobriu. Dizia que eu era o “caso impossível” dele, nós nos amamos, mas nunca houve nada além de beijos rápidos na despedida, eu adorava quando ele me pegava forte e me puxava contra o corpo dele e me beijava, adorava aquele toque nos meus lábios. No atelier, antes, ficávamos "namorando", nos tocávamos muito, mas nada erótico em excesso, ele estava com mais de sessenta, chegando nos setenta, e eu sempre tinha uma outra “paixão”. Ele estava com muitos problemas de saúde, não gostava de falar sobre isto, sorria apenas, continuou bebendo whisky puro até o fim, e fumando. Dizia que dos prazeres, estes, eram os únicos restantes.
Jean morreu em 1985, depois da morte dele passei a não querer mais voltar à Cabo Frio, não havia mais razão para ir. A cidade perdeu completamente o charme com a morte de Jean, nunca será mais a mesma. Posso dizer o mesmo sobre Carlinhos, mas é outra história.
Ontem uma amiga me disse que eu vivi na França em outra encarnação, deve ser. Se existe...
PS: Conheci, há algum tempo, outro homem charmoso como Jean, Olivier Anquier, não por acaso francês. Mas, este, só conheço de longe.
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