Foto daqui
Dilma vai surpreender muita gente, podem crer. Esta foto é emblemática. Só ela sabe o que as Mães da Praça de Mayo sofrem- ela, Dilma, sabe.
Eu acredito na sensibilidade e inteligência dela.
Sorte, Dilma! Força para você.
segunda-feira, janeiro 31, 2011
A rua que não querem asfaltar em Natal
Miguel Nicolelis enviou, via twitter, para nós a foto da rua do Instituto de Neurociência em Natal- Bairro Candelária.
Sem comentários.
domingo, janeiro 30, 2011
Vivez la langue
Acordei lembrando Drummond
Desde o início venho lembrando o Drummond, o Carlos, tenho muito cuidado ao falar de Drummond, é uma pessoa muito especial.
Eu e Drummond nos cruzávamos nas ruas de Ipanema, ele em direção à rua Barão de Jaguaribe, eu em direção à Rua Visconde de Pirajá.
Durante anos nos cruzamos, eu dizia: “Boa tarde, poeta” e seguia, ele olhava timidamente e respondia.
Nossos horários coincidiam, lá pelas três da tarde (engraçado, é o titulo de um conto do Raduan).
Drummond, depois me contou que ia visitar uma namorada que ele tinha há 30 anos- dizia gaiato: "Se somar os anos de meu namoro e de casamento oficial dá mais de 80 anos", que era a idade dele quando o conheci.
Em 2002 a imprensa festejou os seus 80 anos, eu pensei em escrever uma carta e lhe entregar, mas aí um dia, nestes meus rompantes, eu o parei e disse que queria cumprimentá-lo pela data, ele disse qualquer coisa que não lembro- tipo: “Eu não mereço”, ele costumava dizer estas coisas. Eu o abracei e segui cheia de ansiedade em direção ao meu consultório- o pior é segurar a novidade sem poder falar com ninguém, ( lembram da piada do cara que está numa ilha deserta com a Sharon Stone?), para os clientes eu não podia contar.
Continuei mais dois anos, eu acho, só o cumprimentando, até que um dia eu estava no restaurante da Creuza, uma atriz que era dona de um delicioso restaurante caseiro na rua Barão da Torre, eu mostrava meus desenhos para ela- ela comprou uma aquarela de uma bela fatia de melancia, nunca mais repeti o desenho- quando Drummond passou, lá pelas 6 da tarde. Eu o chamei e disse que queria lhe dar um desenho. Ele olhava os desenhos e dizia: "Eu não posso aceitar, são muito lindos...você poderia fazer ilustração de meus poemas eróticos...”, eu argumentei dizendo que ficaria ofendida se ele não aceitasse, que era um prazer. Aceitou, pegou meu endereço e telefone e saiu apressado-mais apressado que ele só o Chico Buarque andando pelas ruas - este eu não tive a ousadia de parar, nunca, never, o que faria com Chico na frente? Ficaria deslumbrada e infartava!
Dez dias depois recebo pelo correio o poema “O que se passa na cama é segredo de quem ama”. Lindo poema erótico, postarei para quem não conhece. Fico sem saber o que fazer, ligo ansiosa para meu amigo Chico, ele diz: "Ligue para ele”. Telefonei e perguntei se o poema era para eu ilustrar ou era simplesmente um presente, respondeu que era um presente, mas que se eu quisesse poderia ilustrar, seria um privilégio.
Aqui começou uma bela amizade. Eu não ilustrei os poemas dele, estava numa fase de estudos intensos de psicanálise. Sobre os eróticos, ele dizia: “Não vou publicar senão dirão que sou um velhinho tarado”. Tarado não sei, mas sacana era.
Continuo outro dia contando mais.
Este post fiz em 2005- hoje revisei- coloquei mais pontos, menos vírgulas- hoje corto mais as frases.
sábado, janeiro 29, 2011
O papo do cientista Miguel Nicolelis com os blogueiros sujos
Foto daqui
Ontem conheci o Miguel Nicolelis. Fui ao encontro dos blogueiros progressistas do RN.
Eu havia escrito outro dia que Nicolelis estava no Twitter. Eu não duvidei do @MiguelNicolelis – talvez por ter recebido a informação de fonte segura.
Sempre que alguém insinua que o virtual é um espaço cheio de bobagens e sacanagens, respondo que depende de quem usa- sou muito seletiva, e converso diariamente com pessoas muito interessantes.
Pois é, fiquei amiga virtual do Nicolelis e ontem tive o prazer de conhecê-lo num encontro super simpático na Livraria Siciliano no Midway.
O convite era para o nosso cientista falar sobre redes sociais. Nicolelis começou dizendo que falaria sobre algo que não conhece, pois está há apenas 13 dias no Twitter.
É um grande comunicador, em poucos dias conversou com muitos de nós, é rápido no gatilho, com respostas inteligentes e divertidas. Óbvio, que também fala dos projetos, responde sobre questões sérias. Algumas pessoas pedem orientação sobre problemas. Entrei num site onde havia uma entrevista dele e me surpreendi com a quantidade de gente em desespero, pedindo dicas sobre Alzheimer, Parkinson... Muito triste. E ainda há quem critique o cientista, dizendo que temos muito analfabetos, estas coisas... Há muita gente que não gosta de quem gosta do Brasil- ontem ele definiu os blogs progressistas como espaços de gente que ama o Brasil- talvez tenha toda razão- porque os outros torcem para que o país dê errado.
A teia social, como ele prefere à rede- é um conceito muito melhor, principalmente vindo de um neurocientista. Bom, a rede fisgou o Miguel, como ele prefere ser chamado. Logo que entrou algumas pessoas duvidaram, acreditaram ser um fake. Ok., há muitos fakes, mas quem o seguia e conhecia um pouco da vida dele, sabia que “ele é ele” . Miguel brincou muito com esta questão da identidade no Twitter e ontem na palestra usou como fio condutor de sua fala. “Como provar que eu sou eu?”. “Qualquer um pode ser eu, não importa”. E citou algumas coisas que ele disse para nós no TT (twitter), como: sou neto de Dona Lygia, filho de Dona Giselda e torcedor do Palmeiras... Miguel conta que foi fascinante alguém ter duvidado de sua identidade, nunca havia acontecido antes- ele sabia quem era e bastava. E por ai ele segue num papo muito inteligente e divertido. Diz que nós não somos quem pensamos que somos, que nosso self é frágil e não é isso tudo que pensamos ser.
Bom, eu não entrei com questões psicanalíticas- não era hora- mas Lacan, relendo Freud, diz isso. O nosso ser é dividido- somos sujeitos alienados desde o início, desde a primeira identificação- alienados neste sentido de pensar que sabemos quem somos e, no entanto, sermos um mix de influências culturais. O
cientista acrescentaria: e consangüíneas, suponho. Vejam o vídeo aqui.
Fiz uma pergunta que não foi ao ar por falta de conexão. Perguntei algo assim:
A gente sonhou com o impossível, íamos atrás, e hoje vemos os jovens com mais dificuldades, com adolescências tardias, muitos diante de vestibulares com poucas vagas disponíveis, num mercado cada dia mais competitivo e cada dia mais amplo- não sabemos que nova profissão haverá daqui há 3 anos. Citei um rapaz que tentou arquitetura e número de vagas é mínimo. Como orientar um jovem? Como despertar-lhe o desejo de perseguir seu sonho?
Miguel Nicolelis respondeu que ele não deve desistir, não ceda pelo caminho mais fácil, que faça a prova do ENEM e vá atrás do sonho onde for possível- pode tentar em outros lugares do Brasil- do Amapá ao RS.
Falamos também sobre os concursos. Ele disse que quem passa num concurso se aposenta na hora que entra para o órgão público- em troca de segurança, abdica de um provável sonho. É preciso arriscar.
Outro dia ouvi alguém dizendo que a nossa geração- os mais velhos- vimos os pais melhorarem de vida aos poucos, crescemos sentindo as mudanças lentas do padrão de vida dos pais.
Nossas férias, quando pequenos, eram na casa de um tio na praia, depois um hotelzinho, mais tarde uma casinha própria numa praia próxima. Hoje as crianças nascem de pais mais velhos- muitos já têm um padrão de vida alto- e acreditam que ao sair da Universidade- ou ao entrar na vida adulta- deveriam estar com casa, carro, celulares de última geração, cursos de línguas... coisas almejadas por todos no mundo capitalista.
Bom, a vida é muito mais difícil do que desejaríamos que fosse e é preciso saber superar os obstáculos- não desistir.
Miguel Nicolelis não precisa provar quem é, precisa mostrar por atos quem é. Foi isso que ele disse, eu entendi.
Para vocês verem que nem tudo na vida do Nicolelis é fácil, pelo contrário. Leiam aqui.
Ontem conheci o Miguel Nicolelis. Fui ao encontro dos blogueiros progressistas do RN.
Eu havia escrito outro dia que Nicolelis estava no Twitter. Eu não duvidei do @MiguelNicolelis – talvez por ter recebido a informação de fonte segura.
Sempre que alguém insinua que o virtual é um espaço cheio de bobagens e sacanagens, respondo que depende de quem usa- sou muito seletiva, e converso diariamente com pessoas muito interessantes.
Pois é, fiquei amiga virtual do Nicolelis e ontem tive o prazer de conhecê-lo num encontro super simpático na Livraria Siciliano no Midway.
O convite era para o nosso cientista falar sobre redes sociais. Nicolelis começou dizendo que falaria sobre algo que não conhece, pois está há apenas 13 dias no Twitter.
É um grande comunicador, em poucos dias conversou com muitos de nós, é rápido no gatilho, com respostas inteligentes e divertidas. Óbvio, que também fala dos projetos, responde sobre questões sérias. Algumas pessoas pedem orientação sobre problemas. Entrei num site onde havia uma entrevista dele e me surpreendi com a quantidade de gente em desespero, pedindo dicas sobre Alzheimer, Parkinson... Muito triste. E ainda há quem critique o cientista, dizendo que temos muito analfabetos, estas coisas... Há muita gente que não gosta de quem gosta do Brasil- ontem ele definiu os blogs progressistas como espaços de gente que ama o Brasil- talvez tenha toda razão- porque os outros torcem para que o país dê errado.
A teia social, como ele prefere à rede- é um conceito muito melhor, principalmente vindo de um neurocientista. Bom, a rede fisgou o Miguel, como ele prefere ser chamado. Logo que entrou algumas pessoas duvidaram, acreditaram ser um fake. Ok., há muitos fakes, mas quem o seguia e conhecia um pouco da vida dele, sabia que “ele é ele” . Miguel brincou muito com esta questão da identidade no Twitter e ontem na palestra usou como fio condutor de sua fala. “Como provar que eu sou eu?”. “Qualquer um pode ser eu, não importa”. E citou algumas coisas que ele disse para nós no TT (twitter), como: sou neto de Dona Lygia, filho de Dona Giselda e torcedor do Palmeiras... Miguel conta que foi fascinante alguém ter duvidado de sua identidade, nunca havia acontecido antes- ele sabia quem era e bastava. E por ai ele segue num papo muito inteligente e divertido. Diz que nós não somos quem pensamos que somos, que nosso self é frágil e não é isso tudo que pensamos ser.
Bom, eu não entrei com questões psicanalíticas- não era hora- mas Lacan, relendo Freud, diz isso. O nosso ser é dividido- somos sujeitos alienados desde o início, desde a primeira identificação- alienados neste sentido de pensar que sabemos quem somos e, no entanto, sermos um mix de influências culturais. O
cientista acrescentaria: e consangüíneas, suponho. Vejam o vídeo aqui.
Fiz uma pergunta que não foi ao ar por falta de conexão. Perguntei algo assim:
A gente sonhou com o impossível, íamos atrás, e hoje vemos os jovens com mais dificuldades, com adolescências tardias, muitos diante de vestibulares com poucas vagas disponíveis, num mercado cada dia mais competitivo e cada dia mais amplo- não sabemos que nova profissão haverá daqui há 3 anos. Citei um rapaz que tentou arquitetura e número de vagas é mínimo. Como orientar um jovem? Como despertar-lhe o desejo de perseguir seu sonho?
Miguel Nicolelis respondeu que ele não deve desistir, não ceda pelo caminho mais fácil, que faça a prova do ENEM e vá atrás do sonho onde for possível- pode tentar em outros lugares do Brasil- do Amapá ao RS.
Falamos também sobre os concursos. Ele disse que quem passa num concurso se aposenta na hora que entra para o órgão público- em troca de segurança, abdica de um provável sonho. É preciso arriscar.
Outro dia ouvi alguém dizendo que a nossa geração- os mais velhos- vimos os pais melhorarem de vida aos poucos, crescemos sentindo as mudanças lentas do padrão de vida dos pais.
Nossas férias, quando pequenos, eram na casa de um tio na praia, depois um hotelzinho, mais tarde uma casinha própria numa praia próxima. Hoje as crianças nascem de pais mais velhos- muitos já têm um padrão de vida alto- e acreditam que ao sair da Universidade- ou ao entrar na vida adulta- deveriam estar com casa, carro, celulares de última geração, cursos de línguas... coisas almejadas por todos no mundo capitalista.
Bom, a vida é muito mais difícil do que desejaríamos que fosse e é preciso saber superar os obstáculos- não desistir.
Miguel Nicolelis não precisa provar quem é, precisa mostrar por atos quem é. Foi isso que ele disse, eu entendi.
Para vocês verem que nem tudo na vida do Nicolelis é fácil, pelo contrário. Leiam aqui.
quinta-feira, janeiro 27, 2011
Sylvia Telles - Gardez Moi Pour Toujours
Via João Gilberto- Facebbok
terça-feira, janeiro 25, 2011
Para Tom Jobim. Insensatez- arquivo

Insensatez*
"Venha, estou te esperando. Desça a Montenegro, entre na terceira, à direita. É um prédio antigo e pequeno no meio da quadra", disse ele.
Eu fui, como sempre. Obedeço aos homens.
Tinha pressa. As mãos suavam ao descer do ônibus no ponto indicado.
Lembro de um sonho em que deslizo pela Rua Prudente de Moraes deserta, desejando alar ao seu encontro.
Na esquina, um bar, mais à frente duas vilas. Adoraria morar no bucolismo de um espaço silencioso, com flores nos jardins. Com este olhar, me deparei com a vila ao lado do prédio dele.
Anoitecia.
Bati à porta, alguém tocava violão, abafando meus toques. Repeti as batidas com mais força. O som do violão cessou. Ruídos de cadeiras e vozes. Ele abre a porta no momento em que eu inspirei fundo, aflita, pensava o que fazer se não me ouvissem.
Havia homens espalhados pela sala, alguns no chão em almofadas, eu era a única mulher. Um deles me olhou com certo desdém, por pouco não me sinto intrusa, apenas porque os olhos dele me observavam e sorriam.
Minutos depois ficamos a sós entre copos e cigarros espalhados sobre o piano, chão, janela. A pequena sala, que dava para a frente do prédio, rescendia a cigarros. Comecei a juntar copos e cinzeiros. "Deixe, depois eu limpo", ele disse. "Limpamos agora, é melhor", respondi.
Eu precisava arranjar coisas para fazer. Não queria que ele percebesse minhas mãos frias e úmidas. Queria mais tempo para me acostumar à idéia de estar ali.
Na pia cheia de copos, garrafas vazias, um gato cinza de olhos azuis muito claros tentava subir.
Ele veio por trás e beijou minha nuca. Me desvencilhei caminhando em direção à janela. "Veja o Cristo, dá para vê-lo, não sei até quando..."
Eu senti seu hálito de álcool e cigarro. Aquele cheiro me excitava.
Segurou meu rosto entre as mãos em taça, beijou meus lábios sorvendo meus mistérios (ou me sorvendo?). De olhos fechados eu adivinhava o rosto que amei no primeiro encontro. Abri os olhos para conferir. Seus braços me envolviam. Aos poucos fomos nos afastando da janela. Debruçando-se sobre mim, deitou-me no sofá, abrindo, com dedos ágeis, caminho para a minha entrega plena.
Um dia ele viajou, precisava ir a trabalho, disse. Não voltou. Eu chorava desolada. Enviei uma carta, por um amigo comum, onde dizia:
“Desde sua partida minha vida é só tristeza e melancolia. Não sei viver assim. Volte”.
Meses depois recebo um telefonema. Era Vinícius, dizia que tinha algo para mim. Fui até lá e ele me cantou, jamais esquecerei, esta música, como um recado do Tom:
“Chega de saudade
... Não quero mais esse negócio de você longe de mim,
Vamos deixar esse negócio
De você viver sem mim"...
Ele voltou, anos depois. Soube pelos jornais.
* Este conto eu fiz para um concurso intitulado Bossa Nova do Estadão. Era preciso ter a frase de 'Chega de saudade'. Selecionaram vários, não lembro quantos. Não peguei nem resfriado, aliás... nunca pego resfriado hihihi
Acho que ficou muito carioca. Eu gosto, me sinto nos braços de Tom, nunca é demais sonhar.
E, pra quem não sabe, eu quase fui sua vizinha, morei no 97, Nascimento Silva, ele no 107, mas em 1970, quando fui para lá ele já vivia fora- nos States, acho. Eu amava o Tom. Ainda amo, pra mim não morreu, apenas partiu.
Viva Tom Jobim!
Tom nasceu em 25 de janeiro. Ainda vive no nosso imaginário- é eterno.
quinta-feira, janeiro 20, 2011
O neto de Dona Lygia perto das estrelas
Foto Revista Época*
Estes dias Miguel Nicolelis entrou no Twitter. É... o nosso cientista mor está lá conversando com todos, sem pedantismo, numa generosidade que acredito só pessoas raras têm. Mesquinhos não alcançam lugar de destaque.
Há anos li sobre Nicolelis, eu estava em Natal, recém chegada à cidade, e foi um sopro de esperança. Vi a foto do lugar onde seria o Instituto, torci para que desse certo. Deu. É uma alegria saber que está cada dia mais perto das estrelas. O menino cresceu olhando para o céu e desejando voar alto como Santos Dumont, que ele gosta de citar- um belo dia surpreendeu o mundo voando sobre Paris- Nicolelis nos surpreende com descobertas sobre nosso cérebro, ainda tão desconhecido O que sabemos dele? Que é uma massa cinzenta com neurônios. Pois o mestre cientista vai mais longe e descobre conexões antes inimagináveis.
Li num blog, quando fui procurar mais sobre ele: “Miguel Nicolelis é o Ademir da Guia da Seleção Brasileira de Cientistas: competente, generoso e modesto”.
Tem mérito e trabalhos apresentados para sentir-se orgulhoso o neto de Dona Lygia. Ele cita sempre a avó. Figura importante em sua formação, dizia-lhe que alçasse voos altos- ele a ouviu. A mãe escritora de livros infantis, também fantasiava, o pai juiz, com os pés no chão. A química certa para um homem especial.
O nosso cientista nasceu em Sampa, no Bexiga- bairro simpaticíssimo- ama ópera e o Palmeiras- é palmeirense roxo. Hoje vive mais nos EUA, onde comanda um laboratório de neurociência em Duke.
Natal cresce e se desenvolve agora com ciência de ponta. Miguel desperta- nos para o novo, para o possível dentro do impossível. Em mim foi como se recebesse uma energia nova. Aos poucos andei perdendo a força. Não tive uma avó Lygia.
Os projetos estão no site. Também poderão ler sobre os prêmios científicos que recebeu e sobre seu nome ter sido cotado para o Nobel aqui.
Aqui vídeos com palestras dele e entrevistas.
Uma sabatina da Folha aqui.
Uma boa entrevista aqui.
* Vocês não acham que ele se parece com Spielberg? Quem sabe nosso Miguel, neto de Dona Lygia, o brasileiro cientista, um dia será tão famoso quanto o cineasta que projetou o ET?
terça-feira, janeiro 18, 2011
Como fazer doações em dinheiro
Prefeituras e governo do Rio de Janeiro recebem dinheiro em contas no Banco do Brasil e na Caixa Econômica. Cruz Vermelha aceita doações materiais
REDAÇÃO ÉPOCA
Para quem estiver interessado em ajudar as vítimas das enchetes na região serrana do Rio de Janeiro, há várias contas bancárias oficiais em doações em dinheiro podem ser depositadas. Além disso, nas próprias cidades atingidas pelas chuvas há pontos, como supermercados e abrigos, que estão recebendo doações físicas, como água potável, alimentos, roupas e cobertores. A Cruz Vermelha recebe doações materiais fora da região.
Como doar:
Nova Friburgo
Conta no Banco do Brasil com o nome SOS Nova Friburgo.
Agência: 0335-2
Conta corrente: 120000-3
Teresópolis
Conta no Banco do Brasil com o nome SOS Teresópolis - donativos.
Agência: 0741-2
Conta: 110000-9
ou
Caixa Econômica Federal
Agência: 4146
Conta: 2011-1
Petrópolis
Conta no Banco do Brasil com o nome “S.O.S Petrópolis”
Agência: 0080-9
Conta: 76.000-5
Defesa Civil – RJ
Caixa Econômica Federal
Agência: 0199
Operação: 006
Conta: 2011-0
Mais no Twitter: http://twitter.com/#!/NelsonPiquet
É o próprio
@NelsonPiquet
Here is the web page about Vale's fund: http://www.vale.com/en-us/conheca-a-vale/destaques/pages/vale-doa-r$2-a-cada-r$1-depositado.aspx
http://twitter.com/#!/NelsonPiquet
segunda-feira, janeiro 17, 2011
A dor que sai no jornal- com adendo
Ontem levei um tempinho para escolher a foto para colocar no post abaixo. Não queria expor as pessoas- preferi o cão. Para mim é metáfora da devastação e abandono.
Ali todos perderam. Em nossos corações a dor da perda do outro bate como a possibilidade de também perdermos. Meu coração está apertado desde quarta-feira, minha garganta travada- esqueço de comer, vontade só de tomar café.
Exagero? Pode ser que muitos não sintam assim, mas eu, sempre, sofro muito quando acontecem estas catástrofes, mortes anunciadas- que nos revelam o abandono da população e a passividade dos cidadãos. A Terra mostra que é poderosa, que somos vulneráveis, frágeis.
Somos um povo passivo, demais para o meu gosto- acho que deveríamos sair mais às ruas, para a frente das prefeituras, exigir mais. Somos muito tolerantes- o limite da nossa tolerância vai até a morte na nossa porta. Até o dia da porta arrombada, a casa destruída. Os cristãos acreditam que é vontade divina e fica por isso mesmo. Deus quis assim, dizem.
Esquecemos facilmente o drama no ano anterior, não planejamos nossas vidas, não projetamos nossas casas para serem mais seguras.
Muitos não têm grana para pagar engenheiros, projetistas, constroem em mutirões, chamam cunhados, irmãos e sobem mais um andar, mais um puxadinho para o filho que casou- ou para a neta que está grávida antes dos 18 anos.
Nossas cidades não são planejadas – exceto raras exceções.
Não vamos deixar que o que acontece no Rio de Janeiro, ou que aconteceu em Florianópolis, ano passado, ou São Paulo a cada chuva forte, seja esquecido- vamos transformar esta tragédia em algo renovador, que não permitam mais construções em morros, vales, lugares vulneráveis à chuvas fortes.
Vamos usar os novos meios de comunicação- como Twitter, Facebook, para nos organizarmos, fazermos campanhas.
Não se calem, não deixem que estas vítimas sejam esquecidas- poderão vir outras e mais outras...
O caso que mais me tocou, talvez por ter sido o primeiro que li, foi o da família da jovem figurinista- Daniela Connolly. A família perdeu 13 pessoas. O irmão desta jovem perdeu: pai, mãe, irmã, 2 filhos... sobreviveram ele, a mulher e um filho. Ele estava longe. Há um filho de 2 anos desaparecido.
Que horror! É muita dor para um coração.
Adendo: Este cão da foto, que saiu na mídia estar ao lado da cova da dona que foi soterrada,não é o verdadeiro Caramelo é outro- aqui está a história.
domingo, janeiro 16, 2011
SOS Região Serrana do Rio de Janeiro
Vamos ajudar às vítimas das enchentes, por favor.
Alguns links:
Aqui você lê o que é verdade e boato.
SOS - São Paulo Veja postos de arrecadação: Aqui no Acontece #sosserra
SOSRegiãoSerrana: aqui
Mais postos de arrecadação aqui.
sábado, janeiro 15, 2011
Campanha Salve a Serra-RJ - Ajude-nos a passar de 20.000 views
Diante da tristeza, resta tentar ajudar de qualquer forma.
Por favor, divulguem este vídeo.
Estes dias eu não consigo nem postar- a morte atinge como raio e dói. A morte distante, mas tão perto.
Sejam solidários, doem sangue, objetos, qualquer coisa.
quarta-feira, janeiro 12, 2011
Sonhos
Ontem sonhei que olhava para a cobertura do prédio onde morava e via uma criança pedindo socorro. Subo correndo. Na cena seguinte estamos embaixo e a criança é um menino grande- me surpreendo ao saber que é um filho adotivo de uma moradora. Parece que não corria perigo no alto- é quase um rapaz. Fico meio assim...
Hoje sonhei que estava conversando com uma médica sobre exame de coração que fiz e deu alteração. Ela pergunta se eu não sabia que tinha problemas cardíacos. Respondo que não. Ela diz: Você faz analise?
Respondo que sim. Ela: “Então, sente perto de um ralo porque vai chorar muito.”.
(Estou rindo aqui)
Eu digo: “Não tenho medo de morrer.”
Estes dias fiz um exame de Ressonância Magnética porque ando com a memória ruim e muita dor de cabeça- vocês sabem. É uma droga envelhecer- pode ser que alguns velhos achem legal, sintam-se confortáveis nos seus corpos, mas eu não gosto. Começam as dores, a memória, que era fotográfica, se transforma em seletiva- e escolhe o que quer, né? Há coisas que não lembro em absoluto- é muito esquisito isso. Lembro quando minha mãe dizia que não lembrava alguma coisa e eu achava absurdo- hoje entendo- há cenas que são completamente apagadas.
Quando digo que não tenho medo de morrer, não minto, mas eu não quero morrer. Os filhos são tão jovens, precisam de mim ainda, eu sou um apoio firme e certo- os dois contam muito comigo.
Hoje vou fazer outro exame- este das coronárias.
Sobre os sonhos. Há muito não vivo em prédios com cobertura. Desde que vim para cá- no Rio havia, na casa de Cabo Frio, também. Engraçado, o menino me lembrou Roberto Carlos, não o Rei, mas o outro, o menino pobre que encontrou uma francesa que mudou sua vida. Sabem quem é, né? Meu filho diz que eu sou irritante porque acredito que as pessoas conhecem as pessoas famosas que eu conheço. Claro que algumas eu acho que ninguém, ou poucos conhecem- Raduan, por ex. poucos conheciam até o filme sair (Lavoura Arcaica), mas outros que estão sempre na mídia... OK. Muitos não estão ligados em nada, mas então que não se ofendam- ora, por que se ofender? Eu não tenho a mínima idéia de que voz tem a Lady Gaga, por ex. Estes dias conheci a voz de Amy Winehouse- que tem uma bela voz e eu estava perdendo. Se eu for ler, ouvir, tudo que me indicam, não saio daqui e fico maluca.
Sobre o Roberto Carlos, eu o vi a primeira vez num Sem censura e fiquei encantada- tem uma história de vida incrível e ele conta com muita graça. Se eu fosse menos preocupada, mais desligada de filhos, eu adotaria uma criança negra. Por que negra? porque gosto dos negros, porque sei o quanto sofrem preconceito. Tive no Rio, uma cliente que tinha uma filha adotada negra- havia dias em que ela chorava muito contando o que a menina sofria. A mãe, esta moça, é loirinha- tipo Adriane Galisteu e como havia o contraste, chamavam logo atenção. Tenho uma sobrinha negra- filha do meu irmão- vamos ver como será- ela ainda é bebê- tem 2 aninhos e é lindinha. A mãe é uma bela moça negra. Anda com roupas que contrastam com a pele e fica linda. Queria ser bem morena- adoro estar bronzeada- aqui o sol é tão forte que não tenho ficado no sol-a pele sofre.
Vejam o Roberto Carlos ai no Jô. É um show- claro que ele inventa muito, mas é delicioso ouvir. Quem não inventa sua própria história? lembrei de Carlinhos, aquele amigo queridíssimo que já se foi- que saudades! Ele disse sempre que a mãe morreu no parto dele- anos depois, muitos anos, eu descobri, ao acaso, que a mãe dele não morreu no parto dele. Quando fui perguntar porque me disse aquilo, ele respondeu: "Querida, a vida é minha e eu criei a história, quis matar minha mãe ao nascer". Aliás, descobri que ele inventava muito- mentia- eu caia comopatnho- era mais ingênua- ele era mais velho uns 13 anos que eu, acho. Tão lindo, tão querido, como faz falta o sorriso e as palavras generosas dele- nós nos amávamos muito- foi um caso de amor impossível. Quem leu antes por ai,sabe porque, não vou contar de novo, senão não acabo este post.
Adendo: as carótidas estão excelentes, o médico me deu parabéns- não sei se foi pelas carótidas ou pelo conjunto hihihi
Invejosos- xô! ou Vadre Retro! como dizia Carlinhos fazendo um sinal com os dedos.
Vou ali acender uma vela para boas energias para todos os queridos, inclusive o @jhcordeiro, meu novo amigo. É a vida leva alguns, outros surgem, uns desaparecem, outros reaparecem...
segunda-feira, janeiro 10, 2011
Miguel Nicolelis - Aula da Inquietação Parte 1/6
Abram no youtube para ver mais- tem mais. O cara é demais- adorei.
Via @LuisNassif
domingo, janeiro 09, 2011
Chico falando de composições e parcerias com Tom, Vinícius...
Delícia! Deus meu! estes dois(Chico e Tom) eu queria muito conhecer.
Amy Winehouse - "Love is a Losing Game"
Eu nunca havia escutado esta moça, só conhecia de nome e por ouvir tititis. Gostei muito, dou a mão a palmatória, @Fipok -foi ele que me apresentou no FB.
Letra e música dela:
Love Is A Losing Game
For you I was a flame
Love is a losing game
Five story fire as you came
Love is a losing game
Why do I wish I never played
Oh, what a mess we made
And now the final frame
Love is a losing game
Played out by the band
Love is a losing hand
More than I could stand
Love is a losing hand
Self professed... profound
Till the chips were down
...know you're a gambling man
Love is a losing hand
Though I'm rather blind
Love is a fate resigned
Memories mar my mind
Love is a fate resigned
Over futile odds
And laughed at by the gods
And now the final frame
Love is a losing game
"Regarde' - Barbara
Não conhecia... bela voz e interpretação.
sábado, janeiro 08, 2011
Cry me a river, Ella Fitzgerald
Via João Gilberto- Facebook.
Maravilha!
sexta-feira, janeiro 07, 2011
Palmirinha e o príncipe
Os dois são deliciosos. Eu só a conheci no programa dele, muito querida, também.
quinta-feira, janeiro 06, 2011
A natureza vista em macro lentes
“Uns passarão, eu passarinho"
Nesta terça-feira tive um dia de cão. Acordei cedo porque precisava jejuar 4 horas para o exame de ressonância magnética às onze horas- neurologista pediu- tenho muita dor de cabeça, vocês sabem. Antes do exame precisava passar no Exército para pegar a autorização. No caminho o carro esquentou demais, acendeu a luzinha- parei num Posto de gasolina- o carro estava sem água alguma. Um rapaz deu um jeito e sai dali achando que havia resolvido o problema.
Minutos depois a caminho da Liga contra o câncer- onde fiz o exame- o carro já estava novamente sem água- fui até lá com medo, mas não queria perder o exame. Janela aberta, levei um banho de água suja de um carro que passou numa poça- fechei a janela, enxuguei o rosto e segui.
O exame é uma tortura, fiquei UMA hora numa câmara que lembra mortuária, gelada- me senti torturada- odeio frio- e não dá para se mover- nem engolir- só quando a máquina para. Abria os olhos e os via num espelhinho mínimo sobre minha cabeça- eu abria para me sentir viva. Sai com as mãos dormentes. O carro sem água à espera. Tinha um galão no carro- sou prevenida.
A Liga é o lugar onde se faz exames e tratamentos contra o câncer- vi tanta gente sofrida lá, muito triste, velhinhos, jovens... salas grandes de vidros mostram pessoas esperando para radioterapia ou quimioterapia- ai a gente pensa que tem que dar graças aos céus por não ter uma doença desta, e esperar que todos tenha forças. Na saída um homem muito velhinho, numa cadeira de rodas, com a cabeça enrolada num pano ou gaze- pobre homem!
Telefonei para o mecânico, disse que iria ao meu encontro, mas como o conheço,sabia que ficaria horas à espera, fui atrás de um mecânico por ali- bairro Alecrim- onde, dizem é tudo mais barato- achei um que me cobrou o dobro do que o meu conhecido disse que seria. Desisti deste, e fui até a oficina parando em postos para colocar água no veículo- o cano d ‘água estava furado.
Chovia. Passei a tarde numa loja de conveniência ao lado da oficina. Quando achei que o carro estaria pronto- lá por cinco e meia- a notícia de que o rapaz que traria a peça, esqueceu a peça sobre o balcão, trouxe outras. rs O carro ficou lá e vim para casa com carona do mecânico. Nenhum Gianecchini, para quem pensou logo em fantasias.
Foi um dia difícil, havia momentos em que tive vontade de chorar, tipo sentar no meio fio e chorar- tão estranha estava- talvez por eu andar muito fechada e triste, me expus logo demais e a situação estava muito difícil- muito medo do carro estourar no meio do caminho- há pistas onde não há nenhum posto, nada- tipo a via do Campus- onde passei.
O interessante foi a diversidade de gente que encontrei- a maioria cordiais- um deles foi grosseiro, um mecânico cara de nojento- cheirando a bebida, mas o velhinho, que estava junto dele, foi um amor comigo, colocou água no carro e desejou que Deus me conduzisse até a oficina bem. Tem coisa melhor? Vontade de voltar lá e agradecer. Passo sempre por ali- o velhinho pintava um barco. Uma das coisas que mais me comove é a solidariedade, em qualquer situação. E uma das minhas qualidades, e ser solidária- sei o que é solidão, abandono, desamparo.
Sempre digo que nosso povo, o povão, é cordial, afetuoso- vejo muito isso quando converso com balconistas, gente na rua. Agora ouço o ruído da conversa dos operários aqui ao lado, riem. Vêm do interior, vivem em condições precárias e sempre estão de bom humor. Quando cheguei aqui na casa, morria de pena deles, depois vi que para eles a adversidade não conta. Não dá para medirmos o que o outro sente por nossos parâmetros. O que é desconforto para mim, para outros não é- aprendi aqui observando os peões nas obras- estão muito próximos, alguns conheço desde que a casa era construída, sei o nome deles, vêm do interior. Ficam muito felizes, como pássaros em alvoroço, quando estão para serem liberados para viajar.
O carro? Já está bem de novo- é velho, mas é o que tenho e gosto dele.
domingo, janeiro 02, 2011
Inês
Foto André Paiva
Não sabe o porquê da inquietude. A mãe dizia: “Esta é lenta, não queria nem nascer. Anda Inês!”. Odeia o nome. “Pior se fosse Sebastiana”, retrucava a mãe. Nasceu no dia da mártir, um dia depois do dia do santo.
Quase menina, foi trabalhar no corte da cana. Lá conheceu Sebastião- ironia- gostou do nome. Ele era pouco mais velho e tinha olhos cor de amêndoas. Encabulou-se no primeiro encontro- ele a despiu com o olhar. Voltou para casa coberta de fuligem e atordoada. Mirou-se no espelho sobre a pia da cozinha. Tirou-o da parede, tentou ver o resto do corpo- “mais ossos que carne”, pensou.
Os irmãos brincavam no terreiro. No banho tocou o sexo. Apressada esfregou-se até um arrepio. Sabia que agora era mulher- os olhos dele o disseram.
...
Anoitece. Observa a duna- lembra da areia morna, a perna úmida de sêmen, o corpo de Sebastião sobre o dela. Tenta enxergar mais longe. Não, ele não virá. Melhor entrar e fazer a janta para os netos.
Assinar:
Postagens (Atom)











