sábado, agosto 28, 2010
Uma carta que poderia ter sido escrita, se ele...
Foto*
Rio de Janeiro, junho de 1984
Meu amor, você chega amanhã. Deve estar exausto, ansioso pelo voo, mas feliz, e eu aqui a contar os minutos.
Ficar sem saber de você tanto tempo me deixa enlouquecida. Escrevo para não me perder naquela fala vazia quando estiver à minha frente. Você ri, eu sei, mas eu sofro com esta minha incerteza. Não ria, amor.
À medida que o tempo passa sem você eu vou desbotando. Ontem precisei ir ao sol, me sinto feia sem cor, você sabe. O teu silêncio me faz imaginar, por alguns segundos terríveis, que encontrou outra mulher. Ela tem mãos delicadas como as minhas, mas mãos lindas, de jovem. Imagino que ela sorri para você, leviana, eu nem sei se consigo ser leviana. Seria? Eu sou profunda.
“É isto que amo em você”. Teria que ouvir agora. Preciso ouvir agora.
Estou chorando, sei que sou uma tola: “Tolinha”.
Você diria que sou leve. A minha leveza é por temer desejar algo com ardor e não alcançar. Tudo fica no ar. Tenho medo de me agarrar a algo e sucumbir. Aprendi a ficar assim, leve, navego na superfície, não saberia mais remar contra a correnteza. Eu cansei de viver na contra mão- você sabe.
E se você não chegar amanhã?
Minha cabeça dói há dias. Deve ser esta luta interna para me manter lúcida. Agora estou sorrindo. Sou tão lúcida, não é? Pois é... Somos tão lúcidos. Por que fico tão enlouquecida?
Chega. Já estou melhor.
Amanhã quando a porta abrir e você entrar, eu estarei leve e feliz, é isto que importa.
Um beijo da sua, Laura
*Esta foto do Rio é daqui
sexta-feira, agosto 27, 2010
Um filme imperdível
Uma beleza este filme "O ESCAFANDRO E A BORBOLETA". Atores e história comoventes. Max Von Sydow ( aquele dos filmes do Ingmar Bergman) me levou às lágrimas.
Uma história de amor e superação. Muito bonita.
Leiam:
A extraordinária história real de Jean-Dominique Bauby, editor da revista ELLE que, aos 43 anos, sofreu um derrame que paralisou todo seu corpo, com exceção do seu olho esquerdo. Preso em um corpo sem movimento, mas completamente lúcido, ele se adapta para contar sua incrível história de vida.
VENCEDOR de 2 prêmios no Festival de CANNES 2007: Julian Schnabel, Melhor DIRETOR - Janusz Kaminski, Technical Grand Prize
Vencedor Globo de Ouro 2008: Melhor Diretor (Julian Schnabel) e Melhor Filme Estrangeiro
Com Mathieu Amalric, Emmanuelle Seigner, Marie-Josée Croze, Anne Consigny, Max von Sydow
Direção Julian Schnabel
quinta-feira, agosto 26, 2010
20 Conselhos de saúde
Leiam estes conselhos. São práticos e fáceis. Nada demais.
20 Consejos Saludables
Amigos, conselhos tipo: usar canela, comer tomates, laranjas e outros.
Acrescento o 'santo remédio': água. Água em jejum- um copão, se possível, morna.
Faltaram os exercícios físicos, mas estes todos já sabem, né?
quarta-feira, agosto 25, 2010
A natureza dá frutos
Ando sem tempo- sei, parece mentira- para ficar a escrever aqui.
Muitas coisas para fazer na casa- imaginem: uma casa grande, dois jovens e eu para fazer tudo.
Ontem o jardineiro- que é de lua, só vem quando quer- apareceu. É um homem de uns 46 anos, curtido pelo sol, que fala rápido e eu mal entendo. Simpatizo com ele, depois que me acostumei com o jeito estranho. Era hora de tirar o cacho de bananas. Enquanto cortava ele disse:
"O que é da natureza, que nela cresce, então dá fruto e depois fenece". Algo assim. Depois fomos ver o mamoeiro, ele para mim: "A Sra. que fez doutorado, me diga...". Eu: "Não fiz doutorado". Depois entendi que ele se referia à faculdades- ser 'doutor'. E falou sobre os benefícios do mamão para quem sofreu cirurgias.
Desmembrou e cortou o pé de bananas. Disse que estava morrendo. Hoje uma pessoa me disse que não precisava cortar. não sei.
Ela deu duas florações e frutos. É uma banana que chamam nanica... não consigo guardar os nomes todos que ele diz.
Também sonhei muito estes dias, até com uma tia- avó, que já morreu faz anos.
O sonho mais engraçado, foi um em que eu iria dirigir um ônibus- trabalhar como motorista- e depois do combinado, eu vejo que seria uma loucura, não saberia dirigir um veículo daquele tamanho- eu me via descendo uma ladeira íngreme e com medo. Freud explica- eu sei.
Tive sonho com gatos, muitos sonhos- gosto de contar aqui para não esquecer, estou esquecendo. Também minha sobrinha Clarice estava num dos sonhos.
Tantas coisas para resolver que dependem de tempo- espera- eu tenho urgência- odeio esperar. Gosto de ser auto-suficiente- ai me ferro de ansiedade esperando que outros resolvam o que não sei fazer.
Bom, é isso, vou fazer o almoço- depois volto.
Bye.
terça-feira, agosto 24, 2010
Celso Barros: Por que votarei em Dilma Rousseff?
Por que eu voto na Dilma? Concordo com o Celso em muitos pontos.
Leiam aqui:
Celso Barros: Por que votarei em Dilma Rousseff?
Leiam aqui:
Celso Barros: Por que votarei em Dilma Rousseff?
segunda-feira, agosto 23, 2010
Rio, bela cidade
Amo de paixão.
Não invejem os cariocas.
As carinhas do cinema antigo
Adorei.
Um poster da coleção da Rita Lee- via @LitaRee_real (Twitter). Ela é divertidíssima e tem 74.218 seguidores.
domingo, agosto 22, 2010
A Partida- com adendo
Ontem, dez da noite, meu filho, Dan, chegou- começava este filme na TV Cult, (que é o canal que me salva das bobagens que grassam a TV).
Eu disse: É ótimo filme, pelo jeito. Ele, mesmo cansado e tendo que acordar hoje cedo, resolveu ver comigo. Nos emocionamos juntos. Um belo filme.
Um jovem abre mão de um sonho para enfrentar a mais dura realidade- a morte. Aos poucos vai aceitando-a, percebendo que a passagem pode ser cuidada, delicada.
Não vou contar mais para que vocês vejam- a gente acaba torcendo para que todos- assim como nós- aceitemos a morte como uma passagem e, também, fazendo o ritual de passagem. O filme é sobre despedidas- quase sempre dando a possbilidade para um resgate- mesmo que seja diante do fim.
Lindo. Tinha que ser oriental, não é? A sensibilidade deles é extraordinária. É filme imperdível. TODOS deveriam ver.
Não fujam da morte- não dá para escapar. No filme ela chega e nos conquista. É leve e algumas vezes divertido.
Adendo:
Recebi um e-mail de uma amiga que vive no Japão diz:
"Olha que lindo: em japonês é OKURIBITO, ou seja, do verbo okuru enviar, ida; ato de levar. Também significando (okuribi) luzes na despedida aos mortos.
E no ideograma como um todo se lê: A Partida."
Tosca - G. Puccini - E Lucevan Le Stelle
sábado, agosto 21, 2010
Os micros do Twitter
Concurso da #ETC_BIENAL e #VQV
Semi- desperta o sol aquece suas costas, vira-se, deseja-o em seu ventre. Ele se esconde.
De manhã o vento aflige- é louca varrida. À tarde, sonada. Ao entardecer, acalma. À noite, é paz, monja. Nada a desejar.
A voz dele a acordou. Levantou, ajeitou o cabelo. O ruído da janela trouxe o seu olhar doce.Nada disseram. Não precisava.Sabia que teriam um bom dia.
Via-a com outro na arquibancada. Subiu para o trapézio despedindo-se solene. Apenas ela saberia que o salto mortal foi por ela.
Despertou, pensou nele. Dói o estômago- fome. Queria não levantar. Queria que o corpo não o desejasse. Ou não desejasse, simplesmente.
Ela diz: Casa comigo? Ele responde: “É preciso pensar muito”. Surpresa, ela voltou a sonhar com um amor.
Ela diz: Vamos tomar um café qualquer dia? Sim, este fim de semana. Ela aguarda. Nunca mais se falaram. O telefone permanece mudo.
O olhar dele perpassa estranhos, como um feixe de luz, a desperta.
Exausta, a cabeça confusa, ela resiste diante da tela. A cama esticada, a lua na moldura... Foge.
No portão, o avô disse a seu pai: Você levou uma, trouxe três, leve as crianças. Mate-as, disse o pai. Última vez que o viu.
Penso: basta! O carteiro entrega um pacote. Dentro dizia: "lembrei de você". O livro: “Paixão-oãxiaP”. Devoro - o livro, claro.
Ouço passos, não me volto. Espero as mãos cobrirem meus seios, a respiração aquecer minha nuca fria. Aos poucos me viro - ávida.
Penso há dias em esquecê-lo. Intrigada entro na casa iluminada. Ele sorrindo, taça na mão: “Estou à sua espera, querida”. Sempre surpreende.
Abriu a janela, deitou na nesga de sol no assoalho frio. Um feixe a cortou ao meio. Pensou nele. Esqueceu-se.
Semi-desperta, deitou na nesga de sol no assoalho frio. Um feixe a cortou ao meio. Tirou a roupa, lembrou dele. Não gemeu, chorou.
Deitou na nesga de sol no assoalho frio. Um feixe a cortou ao meio. Pensou nele. Abriu-se. Deixou que o sol a tomasse - plena. (adorei)
Rubro e úmido, meu sexo aguarda o teu buscando outros sexos.
Quando a campainha tocou, enrolou-se na toalha. Molhou o chão frio. No olho mágico, ele ria abraçado à outra. Não abriu. (adorei)
Sentiu a mão dele no joelho. Não se moveu. Vagou os olhos. Deixou que subisse mais. Ai, fechou as pernas com força. Ele corou.
·
O sangue espirrou, vi, desta vez, os seus olhos suplicarem.
Teu corpo, pronto e belo, me faz desejar montar até a exaustão.
A mão na coxa me puxa, rude. Não há como dizer não.
"Eu te amo", diz. Teus olhos negam. Minha mão constrita te afasta.
Escuto passos, não me volto. Tuas mãos, taças, aquecem meus seios.
Te encontro pronto, teus pés em oferenda. Lírios brancos. (baseado no livro de Raduan Nassar "Um copo de cólera").
Arranhado diz, rindo: “foi você". Amanhã não rirá lanhado por mim.
Não vi quando ele saiu sem se despedir. A lua lá fora brinca entre nuvens de chuva fina. Aqui dentro, silencio sem dor.
Vão-se os amores, em mim fica a calidez de suas mãos no meu corpo, antes frio e seco.
Vou deitar, não há rio no meu leito.
Quis fazer das pernas tesouras- cortar- tua força venceu.
Dói áspero teu sexo, me rasga.Finjo prazer para te esfaquear de costas.
Cerrei os olhos, úmida e quente, deixei que fosse até minh'alma.
Despertei suja de sêmen, corri a mão no lençol. Frio. Calafrio
Escondi a faca de cortar carne, esta seria sua última trepada.
O sangue espirrou, vi, desta vez, os seus olhos suplicarem.
Vi o pânico nos olhos, tomei seu corpo com mais desejo. Fundo.
Deu um grito gutural, da boca saia uma espuma branca. Era tarde.
Quando a onda me engoliu, pedi perdão, e não socorro. (lindo)
O sangue espirrou, vi, desta vez, os seus olhos suplicarem.
Um sonho: voar. Um dia, subiu, pernas pesadas, até a cobertura. Partiu alada. Vestia camisola, fazia frio e era meio dia.
Tomava banho quando a campainha tocou. Enrolou-se na toalha. Molhou o chão frio. No olho mágico, ele ria abraçado à outra. Não abriu.
Sentiu a mão dele no joelho. Não se moveu. Vagou os olhos. Deixou que subisse mais. Ai fechou as pernas com força. Ele corou.
O sol invade sua cama. Abre-se desejando amor. Uma nuvem vem e o encobre.
Meus olhos do asfalto alcançaram o mar, também cinza. À frente, uma mancha vermelha e uma moto no chão. Foi sua última viagem.
Falava sem parar, indignada. Ele fixa os olhos em sua boca, sem ouvi-la. Num gesto rápido, coloca a mão entre suas coxas. Ela se cala.
quinta-feira, agosto 19, 2010
Que maravilha!
Mon dieu! É emocionante. Vejam. O vídeo é ruim, mas as vozes são lindas. E as carinhas novinhas-delícia. Gal está linda!
domingo, agosto 15, 2010
Miniconto: Nem ela
By Richard DiebenkornVoltou devagar para casa. Era hora do almoço. O porteiro estava no fundo do prédio. Ela abriu o portão de ferro com cuidado. Subiu as escadas sem ruídos. Se alguém perguntasse, ele diria que não a vê há dias.
Saia para o trabalho voluntário, apenas isto. Se um dia sumisse, só perceberiam dias depois.
Há dias mudou o trajeto percorrido durante anos. Ninguém a conhece neste percurso.
Nem ela.
Lançamento do portal livro-virtual.org - Parte I
Leila, que tal?
sábado, agosto 14, 2010
"Um Bom Ano"- um filme razoável
Acabo de ver este filme- peguei o bonde andando- mas tudo bem, entendi tudinho.
Linda a paisagem, Provence- ulalá- preciso ir lá, deusmeu!
Não reconheci o Albert Finney*, como ficou velho! Não lembro se morreu... sou péssima para saber sobre atores e mortes- deve ser porque para mim não morrem- ou é memória ruim, mesmo?
Marion Cotillard encantadora. Russell Crowe faz um cara super antipático, não cria empatia conosco- difícil torcer por ele- o personagem é um sujeito insuportável. Eu jamais desejaria um tipo daqueles.
Esperava mais do diretor Ridley Scott- mas é um filminho para se ver para relaxar- só isso. Ou morrer de vontade de estar na Provence e tomar vinho- uau até pastis eles tomam- eu amo- tenho aqui.
*Ele está vivo, nasceu em 1936, vi no Google- salve!
terça-feira, agosto 10, 2010
Laurence Olivier as Heathcliff--My two favorite scenes
Hoje amanheceu com o vento deste filme- inesquecível!
"E assinou o próprio nome "... Arquivo
Um dos melhores filmes que eu vi até hoje.
Havia escrito isto antes em 2007:

Vi este filme , "The pillow book" -"O livro de cabeceira"- e adorei. Não é recente, é de 97, tem 10 anos, mas eu não conhecia e é filme que não desbota. Daiany já havia falado que eu gostaria e acho que Leila, do Caderno da Bélgica, também falou...
Quando fui buscar mais informações sobre o filme, vejam o que encontrei... Que preciosidade. Peter Grenaway fez 26 apontamentos sobre o filme. Um barato!
Este filme tem a ver com amor, morte, sexo e lógico com psicanálise. Estes dias não tive tempo para parar e escrever sobre, mas ainda vou falar mais. Tem tudo a ver com Édipo.
Fiquei encantada! E é um filme metalingüístico, não é fácil, é preciso pensar. O filme é em cima de um livro que uma mulher, Sei Shonagon, escreveu entre 996 e 1021.
Seria um livro de cabeceira, algo para se deitar sobre, como um traveceiro, ou para fazer anotações sobre o que irrita, por exemplo. Um diário, um blog :)
Num ritual que acontece todo aniversário da menina, o pai a pinta, desenha no seu corpo um poema, ou seria uma oração que ao final diz lembrando a criação divina: " Ele (Deus) pintou os olhos e a boca e assinou o próprio nome para que o dono jamais o esquecesse". E ela segue pela vida perseguindo isto. Um barato!
"O livro do amante", ela escreve sobre o amante morto. UAUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU
Tudo a ver com psicanálise. Quero rever. Ficou tudo meio no ar.
Aqui fala algo, não li ainda, hoje não dá.
domingo, agosto 08, 2010
Salvador Dali on "What's My Line?"
Delicioso isto.
Salvador Dali on "What's My Line?"
Um dia à toa
O dia amanheceu lindo ontem. Às sete e quinze eu estava pegando sol no quintal. Não ventou o dia todo.
Vou contar para vocês como foi o meu dia.
Parênteses: se você implica comigo, pode ir mudando de página, porque vou falar de mim.
Bom. É para mostrar o meu dia à dia, o meu estar à toa aqui.
Tomei café e nove e quinze, por ai, estava na piscina me exercitando. Sai antes das dez e meia e fiz três continhos- não gostei muito, mas são razoáveis. As crianças, chegaram para tomar banho, eram duas meninas e quatro meninos. Parei de escrever. Passei a estudar francês- leio o livro de Barthes “Fragments d’un discours amoureux” - tenho um volume com a tradução, quando empaco, vou ler no português. Abro o livro ao acaso, vejo qual o verbete:
Le entretien.
Leio: Le langage est une peau: jê frotte mon langage contre l’autre.
“A linguagem é uma pele, esfrego minha linguagem no outro.” Ou contra o outro, como diz ai.
Incrível, esta semana citei esta frase aqui, alguns de vocês leram. Tem acontecido muito isto comigo. Sincronicidade, coincidências...
Estes dias quando comentei este livro, um amigo disse que era melhor ler isto do que a Bíblia e Paulo Coelho. Ele não sabia que eu disse isto na véspera no Twitter- foi o #bookday, do PC falei com uma pessoa que vive na França. Conversamos sobre ele.
As crianças foram embora- felizmente eles cansam logo da piscina, se não podem fazer muita farra- e só dois entraram na água. Aí chegou um casal e o filho pequeno. O homem é um dos que me enviou um e-mail antipático naquele episódio da morte da gata- ele pelo menos assinou. Apenas nos cumprimentamos. Tentei ler mais, mas não conseguia com eles por ali. Em casa, lavei roupa na máquina, pendurei no varal sem vento- quem sabe o que sinto em relação ao vento, entende- lavei banheiro, fiz almoço- macarrão e molho feito em casa- lavei a louça do almoço- estávamos só eu e Luc. Entre uma coisa e outra uma olhadinha nos e-mails e Twitter, claro e algumas xícaras de tchai- que eu adoro. Sentei e vi um filme do Hitchcock, “Cortina rasgada”, é bonzinho, não dos melhores, penso, perto dos outro é fraco, porque o mestre era maravilhoso Esta cena é excelente.
A noiva do Paul Newman no filme é a “Noviça rebelde”, não gosto da Julie Andrews, a não ser naquele filme onde ficou famosa.
Quase anoitecer- aqui o sol se põe cedo- molhei o jardim, limpei a garagem, recolhi a roupa do varal e fui tomar um banho pra valer. Deitei para dar uma cochilada, mas não consegui- havia tomado muito chá e fico sem sono com chá preto e tchai o tem como base.
Este foi o meu dia, com direito à piscina e filminho.
O pai no sonho- arquivo
Esta noite sonhei que encontrava uma cobra no jardim. Ela entrava depois num balde, e, mais tarde, estava no meu quarto sob a cama. Era uma cobra pequena- aqui temos num vidro umas três cobrinhas corais. A do meu sonho era sem graça, sem cor definida, tinha menos de um metro.
Eu chamo Dan para tirá-la do quarto, é ele quem pega as cobras, uma vez ficamos com a cobra viva vários dias numa gaiola apropriada. Meu filho no sonho não me ouve. E ouço então minha voz chamando: Pai!
Acordei.
Interessantes, os sonhos. É uma memória da infância, era o pai que chamávamos à noite, era ele quem vinha me confortar dos pesadelos. Ficava deitado ao meu lado até que percebesse que poderia sair, que o medo havia ido embora.
Meu pai foi um homem muito interessante, já contei antes. Era militar, chegou a general e foi a pessoa mais simples que conheci de perto. De uma simplicidade que envergonhava as filhas adolescentes. Andava muito mal vestido, fazia coisas como no lugar do cinto amarrar uma fio qualquer, uma cordinha- isto depois de aposentado, claro- de farda era lindo, elegante. OK. edipiana, quem não é? Ele trabalhou como engenheiro, também era, na fábrica de Álcalis no Arraial do Cabo. Contam que nos dias frios, quando dava plantão, ele colocava jornal no peito para se aquecer e nos pés- este truque eu conheço e usei muito em Curitiba, quando era menina, a única coisa que aquecia meu pé era o jornal dentro do sapato- fazia muito frio. Odeio aquele frio e não havia botinhas de sola de borracha, estas coisas. O colégio de freiras- detesto- exigia uniforme curto, pernas no frio, sem agasalhos a não ser o casaquinho azul marinho- odeio.
Ele também foi muito econômico, mi madre diz que era miserável, ele era mão fechada, mas deixou casa para todos os cinco filhos. Se fosse miserável não teria nos dado nada de mão beijada. Tudo que temos foi ele quem deu- não consegui construir nada sozinha- não sei ganhar
dinheiro, talvez por esta relação com o pai- que não dava muito, mas o suficiente.
Neste mesmo sonho está uma cliente minha. Eu ia atendê-la na hora que precisava matar a cobra- ela diz que precisa sair na hora porque precisa trabalhar.
Ontem ela falou do pai, que nem lembra, ele morreu quando era menina. Disse que tem ótimas lembranças dele através da mãe- que foi generosa e lhe desenhou um pai bom com quem pode se identificar. Ela teria a delicadeza do pai. Tenho muito do meu pai, o cuidado com o corpo, a alimentação saudável, e o que mais gosto dele, a justiça- nunca o flagrei numa injustiça- tinha preconceitos contra cigarros, por exemplo, dizia: Aquela lá, até fuma! Que é uma expressão de antigamente, mas ele não era um hipócrita, falso moralista, como a maioria da geração dele. Eu também não sou.
Bom, é isso, chega de lembranças.
quinta-feira, agosto 05, 2010
Roland Barthes e o discurso amoroso
Se me um dia precisasse escolher um único livro para passar o resto da vida, seria este:
"Fragmentos de um discurso amoroso" de Roland Barthes.
Aqui frases de Barthes tiradas deste site.
“Como homem ciumento eu sofro quatro vezes: por ser ciumento, por me culpar por ser assim, por temer que meu ciúme prejudique o outro, por me deixar levar por uma banalidade; eu sofro por ser excluído, por ser agressivo, por ser louco e por ser comum.” Roland Barthes
“Toda a recusa duma linguagem é uma morte.”
“A linguagem é como uma pele: com ela eu entre em contato com os outros.”
“A ciência é grosseira, a vida é sutil, e é para corrigir essa distância que a literatura nos importa."
“Encontro pela vida milhões de corpos; desses milhões posso desejar centenas; mas dessas centenas, amo apenas um. O outro pelo qual estou apaixonado me designa a especialidade do meu desejo.”
“A literatura não permite caminhar, mas permite respirar.”
“O fascismo não é impedir-nos de dizer, é obrigar-nos a dizer.”
“Como ciumento, sofro quatro vezes: porque sou ciumento, porque me reprovo em sê-lo, porque temo que o meu ciúme magoe o outro e porque me deixo dominar por uma banalidade. Sofro por ser excluído, por ser agressivo, por ser louco e por ser comum.”
Roland Barthes
"Fragmentos de um discurso amoroso" de Roland Barthes.
Aqui frases de Barthes tiradas deste site.
“Como homem ciumento eu sofro quatro vezes: por ser ciumento, por me culpar por ser assim, por temer que meu ciúme prejudique o outro, por me deixar levar por uma banalidade; eu sofro por ser excluído, por ser agressivo, por ser louco e por ser comum.” Roland Barthes
“Toda a recusa duma linguagem é uma morte.”
“A linguagem é como uma pele: com ela eu entre em contato com os outros.”
“A ciência é grosseira, a vida é sutil, e é para corrigir essa distância que a literatura nos importa."
“Encontro pela vida milhões de corpos; desses milhões posso desejar centenas; mas dessas centenas, amo apenas um. O outro pelo qual estou apaixonado me designa a especialidade do meu desejo.”
“A literatura não permite caminhar, mas permite respirar.”
“O fascismo não é impedir-nos de dizer, é obrigar-nos a dizer.”
“Como ciumento, sofro quatro vezes: porque sou ciumento, porque me reprovo em sê-lo, porque temo que o meu ciúme magoe o outro e porque me deixo dominar por uma banalidade. Sofro por ser excluído, por ser agressivo, por ser louco e por ser comum.”
Roland Barthes
quarta-feira, agosto 04, 2010
Una furtiva lacrima
Esta música lembra minha infância- um toca discos na saleta, Curitiba.
Meu pai faria aniversário agora no dia 1º- pensei nele- é inesquecível- lembro dele no dia à dia.
Tudo muda tanto... a gente quer segurar o tempo para que não venha a estranheza. Não tem jeito. Vivo de estranhezas hoje e muitas me trazem dor.
Mas sobrevivemos, não é, mesmo? C'est la vie, ne pas?
J'ai eu de la chance d'avoir eu un bon père. Obrigada, pai.
terça-feira, agosto 03, 2010
Marisa Monte & Carlos Fernando Nogueira - Bess, You Is My Wo
Tks, Felipe, eu não conhecia este rapaz. Tem voz belíssima e os dois fazem um belo duo. A música é uma das mais belas canções de Gershwin. E acabei de descobrir que meu problema com a Mariza Monte é o repertório dela- a voz é linda- já sabia.
segunda-feira, agosto 02, 2010
Jazz: Claude Tissendier Margency Five s'wonderful
Melhor é impossível, para começar a semana.
domingo, agosto 01, 2010
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