sexta-feira, março 28, 2014

Sobre "Psi"





"Psi", o novo seriado da HBO, traz histórias de Contardo Calligaris. Foi produzida por ele, que também participou do roteiro.

Carlo Antonini, o protagonista, como Calligaris, é psicólogo e psicanalista, no seriado também psiquiatra. É o personagem do livro "A mulher de vermelho e branco".  Ele contracena com uma amiga médica, psicanalista- é com ela que troca ideias. Ela seria um alter ego, ou o ego ideal- da psicanálise- aquilo que gostaria de ser. Ela é naturalmente generosa, enquanto ele é um generoso contido.

Não há semelhança com "Em tratamento" porque gira em torno do psicanalista e não dos clientes.

Vi os dois primeiros capítulos e gostei muito. Produção excelente, fotografia, roteiro, atores- tudo correto, não tenho senões. A história, no meu ponto de vista, foi ótima.

Há certa estranheza, você pensa: "Como?" Mas logo descobre que o que parece bizarro é um novo ponto de vista. Se não fôssemos preconceituosos, se aceitássemos as diferenças com naturalidade, o que vemos seria plausível.

Cada episódio coloca foco sobre algo diferente. Uma menina autista, uma jovem que se autoflagela. Há um alcoólatra que tem voz, uma mãe que carrega a filha para a rua, onde trabalha, um coveiro interessante.
Foi inspirado no coveiro do Cemitério da Consolação, que existe.

Vejam e comentem.


domingo, março 16, 2014

Uma escritora extraordinária- Marguerite Duras



Acabo de ver um documentário sobre Marguerite Duras. Encantadora, inteligente. Diz que não gosta de ler mais. Refere-se a Michelet. Sem falsa modéstia, conta que releu 40 anos depois um livro seu, pede ajuda a Yan para lembrar o nome, diz que é extraordinário. Que coisa boa! Escrever algo e 40 anos depois achar fantástico. Fala do escrever, da vida, da loucura, da morte, do cotidiano solitário. Depois das flores mortas, não as jogam fora- o cinegrafista mostra as flores secas no bancada da janela. Narra a morte de uma mosca com seriedade de quem vislumbra a morte sempre de perto.

sábado, março 01, 2014

O ator perfeito








Sobre Philip Seymour Hoffman:

"...And, finally, Smith gives us the dead swimmer's haunting summation of his existence:
'I was much too far out all my life 
And not waving but drowning.'*
The phrase is compelling because we are, all of us, much more distressed than the people around us realise. And, the flipside of this same coin, other people are much more distressed than we allow ourelves to discover. We don't pick up on the quiet references to 'difficulties', we assume things must be fine, because it's just so much more convenient that they be so.
We were not part of this actor's life. Many of us are spared his specific troubles. But we are, in some corner of our souls, still a little bit like him - and so are all the people we know; not waving butdrowning."
...
* Poet Stevie Smith