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sexta-feira, março 28, 2014

Sobre "Psi"





"Psi", o novo seriado da HBO, traz histórias de Contardo Calligaris. Foi produzida por ele, que também participou do roteiro.

Carlo Antonini, o protagonista, como Calligaris, é psicólogo e psicanalista, no seriado também psiquiatra. É o personagem do livro "A mulher de vermelho e branco".  Ele contracena com uma amiga médica, psicanalista- é com ela que troca ideias. Ela seria um alter ego, ou o ego ideal- da psicanálise- aquilo que gostaria de ser. Ela é naturalmente generosa, enquanto ele é um generoso contido.

Não há semelhança com "Em tratamento" porque gira em torno do psicanalista e não dos clientes.

Vi os dois primeiros capítulos e gostei muito. Produção excelente, fotografia, roteiro, atores- tudo correto, não tenho senões. A história, no meu ponto de vista, foi ótima.

Há certa estranheza, você pensa: "Como?" Mas logo descobre que o que parece bizarro é um novo ponto de vista. Se não fôssemos preconceituosos, se aceitássemos as diferenças com naturalidade, o que vemos seria plausível.

Cada episódio coloca foco sobre algo diferente. Uma menina autista, uma jovem que se autoflagela. Há um alcoólatra que tem voz, uma mãe que carrega a filha para a rua, onde trabalha, um coveiro interessante.
Foi inspirado no coveiro do Cemitério da Consolação, que existe.

Vejam e comentem.


quarta-feira, agosto 29, 2012

O desejo...


Se todos abrissem mão de suas expectativas em relação aos filhos- estes seriam mais felizes. É difícil...

sábado, abril 14, 2012

Ah! É, é...





Ele está sempre me ouvindo :)



Interessante o comportamento da gente. Eu amo o blog- foi uma das coisas mais importantes dos últimos anos- o primeiro post foi em março de 2005! Através dele conheci muita gente legal, alguns viraram amigos para sempre.

Continuo narrando internamente o que escrever aqui, mas ficou mais difícil colocar. Por que? Porque a vida melhorou. É mais fácil ser triste para ser ouvida. O dramalhão faz sucesso em qualquer boteco :) Não que eu invente tristezas, não, mas ela se foi, apenas pequenas dores, que se apagam.. Ulalá! Amém!

 Depois da viagem ao Rio eu fiquei mais feliz- reencontrei amigos, amores antigos, resgatei o afeto- senti conforto. Encontrei pessoas importantes para mim, como ex analista, ex terapeuta- professor. Revi colegas da sociedade de psicanálise, prédio onde morei, porteiro, comerciantes da rua... eu era muito conhecida no pedaço...:) afinal, morei em Ipanema, no mesmo lugar 30 anos. Trabalhei no mesmo prédio mais de 25 anos. Ali estudava e trabalhava. Aconteceu de ex clientes perderem meu endereço e voltarem ao edifício, me encontrarem- eu mudei de sala 3 vezes! Não tinha sala própria.

Tenho curtido a casa mais do que antes, agora estou cuidando mais do jardim, planto, replanto, podo, coloco adubo, estas coisas. Eu me conciliei com a terra- como me desejou o Raduan, quando falamos na última vez. A terra é generosa. Lembrei da carta de Pero Vaz...

Faço associação livre aqui, interpreto meus sonhos, procuro entender tudo que acontece comigo, com o que me envolve.

No consultório tenho sucesso com os clientes que sentem-se cada dia melhores, claro que há recaídas, dias difíceis, mas quem não os tem? Eles crescem e eu fico feliz por poder estar ali, ouvindo-os, dando uns pequenos toques. Fiz análise desde os 23 anos. O primeiro analista foi o Leon Capeller, na Rua Barata Ribeiro, numa salinha pequena. Tive vários analistas. Tenho muitos anos de divã. Muitos... er de 1971 até... 2011- com alguns hiatos.

Hoje não tenho vontade de fazer análise- é preciso querer fazer- não quero. Tive alta de um analista didata(sabem o que é isso?) rs- Lourival Coimbra... sinto saudades dele, ainda é presente na minha vida. Nilza Rocha está com quase oitenta anos e atende no mesmo prédio onde me analisei por mais de sete anos. Lembro do cheiro de lá- ela tem um desenho meu na sala de espera- tão delicada. Há pessoas que pensam que analistas precisam ser rudes, frios. Ledo engano. Pobre dos analisados.

Hoje alguém foi invasiva comigo- uma mulher- quando disse de forma indelicada que eu precisava de análise e que não estava a fim porque estava resistindo e não queria saber do meu sintoma. Mandei catar coquinho no asfalto? Não. Mas tive vontade. Como uma jovem, que nem acabou ainda a faculdade pode dizer uma grosseria destas para uma sra como eu, psicanalista das antigas, com formação formal, análises, supervisões, experiência clínica?

 “Ah! É, é...” Lembram daquele personagem cômico que não sabia responder na hora, só depois?

Ah! É, é...