sexta-feira, agosto 30, 2013

Um clássico brasileiro







Vote na música que considera um clássico da nossa cultura brasileira.

Aqui: http://www.estadao.com.br/especiais/qual-e-o-maior-classico-de-todos-os-tempos,208358.htm

domingo, agosto 25, 2013

Arte e beleza- Juliana Bollini



Imaginative Bloom banner






“Boulevard du Temple”, taken by Daguerre in late 1838 or early 1839 in Paris, was the first photograph of a person. The image shows a street, but because exposure time was over ten minutes, the traffic was moving too much to appear. The exception is the man at the bottom left, who stood still getting his boots polished long enough to show.”

À esquerda há um homem polindo sua bota.

Salvador Dali e familia




Salvador Dali aos seis anos com a família- observem como foram bem posicionados
para a foto- incrível!


sábado, agosto 24, 2013

Amor tênue





                               Não tenho saudades do tempo em que sentia isto. Melhor estar só.

terça-feira, agosto 20, 2013

A importância do aleitamento materno- Amamentar é preciso





Este texto faz parte da blogagem coletiva solicitada por Luma Rosa.

O que dizer ainda sobre amamentação? 

Fui buscar o que havia escrito antes, publico a seguir. 

Ao nascer o bebê sai do conforto do útero e cai num mundo hostil, frio, cheio de sons estranhos, sente fome. Nada disto acontecia antes, vivia num ambiente onde todas suas necessidades eram supridas. A mãe vem e lhe dá o peito. 

A primeira mamada ninguém esquece, é registrada como a primeira experiência de satisfação* e por mais que se busque satisfação igual, nunca alcançaremos. É um desejo que jamais será satisfeito.

A partir dai ele precisa da mãe, de uma mãe substituta ou mesmo um bico duro de borracha oferecido por um braço qualquer para suprir sua necessidade e seu desejo de mamar. Neste instante começa o vínculo mais importante e definitivo para todos nós- o vínculo com a mãe.

No início da vida o bebê não sabe distinguir seu corpo do seio mãe que lhe oferecem. Ainda não tem maturidade para isto, ele e a mãe formam um só ser, aos poucos ele começa a reconhecer a imagem do Outro(mãe)***, vai se separando.

Neste primeiro momento a mãe é boa e má- (Melanie Klein).


A mãe precisa aprender a reconhecer as necessidades do filho, distinguir os diversos choros: pode estar molhado, com frio, com calor, com cólicas, desconfortável, com sono ou com fome. Ou desejar apenas colo, o calor da mãe, o cheiro- bebês conhecem a mãe pelo cheiro. É mais fácil achar que é sempre fome, muitos confundem-se com os apelos.

A mãe suficientemente boa- como dizia Winnicott- vai saber dar aquilo que o filho precisa na medida certa.

Mas e as crianças que não têm mães ou não têm mães suficientemente boas? Estarão condenadas ao desamor ao abandono? 
Muitas sofrerão de modo devastador, nunca terão o afeto que esperam, estarão sempre desejando mais e mais, outras, com mais sorte, terão uma mãe substituta- pode ser uma babá, uma avó, um pai, um funcionário/a de orfanato, todos poderão ser salvos. Mas há os que não serão os condenados, cairão ao primeiro empurrão que a vida lhes der, sofrerão mais que os outros de rejeição, serão perseguidos por abandonos- mesmo porque muitos irão buscar caminhos que os leve novamente ao abandono total que a mãe deixou com herança.

A mãe boa é a que deseja o filho**, desde antes dele nascer, ela o nomeará, o terá não como uma extensão dela, um apêndice. A mãe boa vai olhar o filho e reconhecê-lo, dirá a ele que o ama, deixará que se separe dela sem chantagens, sabendo que continuará sendo amado.

Bebês amamentados pelas mães são mais saudáveis, mais tranquilos, mais seguros, mais amado- com certeza serão pessoas que saberão encontrar os melhores caminhos na vida.

Leiam mais nestes textos que encontrei agora ao acaso, dei uma olhada apenas, leiam com visão crítica:

* Freud ou **aqui.
*** Aqui sobre o Estágio do espelho de Lacan.






segunda-feira, agosto 19, 2013

Fotos Francesca Woodman







Texto da Folha de São Paulo de 2012


Americana, que se matou aos 22, ficou conhecida por seus autorretratos de cunho romântico e surreal

DE SÃO PAULO

SILAS MARTÍ



Quando tinha 22 anos, Francesca Woodman se jogou do alto de um prédio em Nova York. 
Seu corpo, desfigurado, só foi identificado pelas roupas que vestia no dia.

Talvez seja um clichê narrar a vida dessa artista partindo do fim, o suicídio em 1981 que instaurou o mito em torno de sua obra. Mas o episódio acabou virando uma espécie de moldura de sua produção fotográfica visceral.

Encerrada há duas semanas no Guggenheim*, em Nova York, a maior retrospectiva já dedicada à artista americana tem agora um recorte contundente na galeria Mendes Wood, em São Paulo.
Woodman arquitetou durante a adolescência seus autorretratos, que quase sempre deixavam o rosto para fora do quadro, focando em seios e pernas, metonímias do corpo feminino que oscilam entre o erótico e o pueril.

Suas imagens parecem emular uma tradição vitoriana, de pegada conservadora, às vezes quase pudica, ao mesmo tempo em que flertam com a crueza do surrealismo.

No momento em que Ana Mendieta, que também morreu caindo de um arranha-céu, fazia sua obra feminista, de forte cunho experimental, e Cindy Sherman começava sua série de autorretratos travestidos, Woodman olhava para trás, num resgate de tradições pictóricas refundadas à luz da própria rebeldia.

Não por acaso, o "New York Times" a descreveu em recente artigo como a versão feminina de Holden Caufield, o adolescente amargurado protagonista de "O Apanhador no Campo de Centeio".
"Ela representa uma tradição de desajustados", diz Matthew Wood, curador da mostra e sócio da Mendes Wood. "É uma resistência contra a cultura da conformidade, dos shoppings, desse puritanismo americano."


VOZ INDEPENDENTE

Mas Woodman resistiu também a se enquadrar nas pesquisas de seus contemporâneos. Suas fotografias quadradas, em preto e branco, destoam das experimentações setentistas e resgatam questões primordiais da fotografia, como a captura do movimento e estratégias de composição, ao mesmo tempo em que se esforçam para instaurar ambientes de exceção.

Ela aparece suja de tinta, enlameada ou em poses que lembram a morte, uma crucificação ou o sono pesado depois de uma noite de amor.

Embora seja muitas vezes tétrico esse universo, aquele de uma mulher frágil, acuada entre pontas e arestas de seus mitos inventados, há uma vitalidade pulsante nas imagens, o que Wood chama de "voz independente e avassaladora", quase um prenúncio do suicídio da artista.
"Sua morte parece ter feito parte da obra, está implícita", opina Wood. "Olhamos para a obra dela como algo resolvido, mas ela era uma estudante e ao mesmo tempo um mestre, como Romeu e Julieta que eram amadores e ao mesmo tempo mestres no amor, também muito jovens."
Dessa mesma fragilidade, Woodman constrói o que muitos viram como a dimensão feminista de sua obra. Mas é algo que passa ao largo de militância ou protesto.

"Feminismo de verdade é ser mulher, assumir as dimensões disso", diz Wood. "Ela não consagra uma tradição, mas se superou na habilidade de se retratar. Ela mostra a mulher em movimento."


Autorretrato da artista, um dos raros em que mostra o rosto

Autorretrato- uma das raras fotos em que mostra o rosto


PS: Muitos a comparam com Diane Arbus, que fazia fotos excêntricas, com visão crítica do mundo. Também teve fim trágico- suicídio.

Um belo abraço- Ang Lee e Ingmar Bergman, 2006




sexta-feira, agosto 16, 2013

sexta-feira, agosto 09, 2013

sábado, agosto 03, 2013

quinta-feira, agosto 01, 2013

Contardo Calligaris- Hedonistas?





01/08/2013
Folha de São Paulo

Hedonistas?




O papa Francisco, quando era o cardeal Jorge Bergoglio, de Buenos Aires, conversava de religião com o amigo rabino Abraham Skorka. Os diálogos estão agora num livro, que, no Brasil, acaba de sair, "Sobre o Céu e a Terra" (editora Paralela).
Os dois religiosos tratam de matérias escabrosas --as quais não são apenas contracepção, células-tronco, divórcio, aborto e casamento gay, mas também as questões que desafiam a fé de qualquer um: por que a presença do mal no mundo? Deus é apenas uma resposta fantasiosa a nosso mal-estar psíquico? A religião foi inventada para servir de ópio dos povos?
Como ambos são decididos a parecerem simpáticos e razoáveis, o texto é agradável e um pouco previsível. Não que eu esperasse grandes viradas teológicas: de qualquer forma, um livro para o grande público não seria o lugar para isso. Mas esperava mais ousadia no pensamento.
Alguém dirá que ousadia não é coisa para papa --citação de Francisco na orelha do próprio livro: "A verdade religiosa não muda, mas se desenvolve e vai crescendo".
Sinto muito, a igreja tem uma história (muitas vezes sangrenta) de mudanças. Só para dar uma ideia, nos 2.000 anos desde que os apóstolos se reuniram em Jerusalém:
- Faz só 1.700 anos que acreditamos que o Pai e o Filho teriam a mesma natureza;
- Faz menos de 1.600 que acreditamos na maternidade divina de Maria, e por volta de 1.400 que acreditamos na perpétua virgindade da mesma;
- Faz apenas um pouco mais de 800 anos que o celibato se tornou obrigatório para o clero, e menos ainda que confissão e comunhão se tornaram obrigatórias uma vez por ano, na Páscoa;
- Faz por volta de 600 anos que a gente inventou o Purgatório;
- E é só desde 1870 que o papa é dogmaticamente infalível.
À vista dessa história de reviravoltas, em que cada um pode se tornar herético (o que, hoje, no máximo, vale uma excomunhão sem grande interesse, mas, no passado, acarretou consequências fatais para muitos), ninguém sabe as surpresas que nos reserva a igreja de amanhã.
Quanto a mim, espero há tempos a reabilitação dos cátaros, que são minha seita preferida (exterminada no século 12). Eles tinham a melhor solução teológica ao problema do mal na Terra e da estupidez dos homens: basta pensar que o mundo seja criação do diabo, e não de Deus.
Enfim, entre os muitos assuntos ao redor dos quais papa Francisco e o rabino Skorka concordam, um capturou minha atenção. Francisco diz "nesta civilização consumista, hedonista, narcisista...", e o rabino Skorka, "...em uma concepção hedonista da vida, egocêntrica, ególatra".
Embora o papa e o rabino não desprezem todos os prazeres terrenos (isso significaria desprezar a criação --pecado gravíssimo), ambos parecem convergir com um clichê dos críticos culturais contemporâneos, considerando que "hedonismo" é palavrão: a procura do prazer como bem único ou supremo parece ser o que eles menos gostam na nossa época. No Rio, aliás, Francisco mencionou o prazer entre os "ídolos" que nossa época colocaria no lugar de Deus. Algumas notas.
1) A correlação entre hedonismo e egoísmo é, no mínimo, problemática. Exemplo. Quem é mais egoísta? Alguém que se priva de toucinho na sexta-feira para ganhar o Paraíso? Ou alguém que transa quanto mais puder, sempre achando que o que ele mais gosta é ver sua parceira ou seu parceiro gozar?
2) Uma cultura que, de maneira quase unânime, não para de lamentar seu "hedonismo", só pode ser radicalmente anti-hedonista, ou seja, oposta ao prazer como bem. É fácil constatar que inclusive os que acreditam na existência de uma alma imortal sentem a finitude da vida; agora, é espantoso que, mesmo assim, o prazer continue tendo, para nós, uma conotação moral negativa. E a renúncia ao prazer (seja ela para satisfazer a Deus ou ao médico higienista), uma conotação moral positiva.
3) Nos três grandes monoteísmos, o prazer é facilmente culpado ("não se cansem de pedir perdão", encorajou papa Francisco). Alguém dirá que isso acontece sobretudo no cristianismo porque Deus se manifestou pelo sofrimento e não pelo prazer de seu filho. Essa é uma visão teológica à qual não sei contribuir. Mas a questão cultural correspondente é: o que fez o sucesso de uma religião que se fundou na ideia da paixão necessária do filho de Deus e, por consequência, na ideia de que o sofrimento e a renúncia ao prazer, de alguma forma, ganham pontos?
4) Só para lembrar: não era assim entre os pagãos, nem entre os libertinos dos séculos 16, 17 e 18.