terça-feira, abril 21, 2015

Vida e renovação












Há dias em que escrevo mentalmente como se estivesse escrevendo para vocês. Coisas que sempre gostei de compartilhar, minhas conversas com o jardineiro, historinhas da faxineira, uma imagem que vi por ai. O dia passa e não estive aqui.
Hoje amanheci pensando muito e quero contar para vocês o que pensei. Conto para que fique registrado para mim este momento.
Estive num retiro espiritual, recebi Shatkipat*. Como vocês sabem sempre me senti absolutamente incrédula, mas bastante mística- era uma contradição. Algo em mim era refratário a qualquer crença- suponho que isto tenha sido uma reação à educação religiosa que tive, onde senti tanta hipocrisia e falta de compaixão com o outro.
Estudei anos numa escola de freiras e minha mãe era muito católica. Meu pai sempre foi espiritualizado, mas em outro caminho, lia muito Krishnamurti- era de um grupo que se reunia para estudar o Santo Graal- praticava Yoga, jejuava periodicamente, se tratava com hidroterapia- cura através da água.
Aos 16, 17 anos, morei em Curitiba, voltei para lá depois de nos mudarmos para Cabo Frio. O melhor colégio era o das freiras e para lá eu não iria- nem cogitamos, ou se minha mãe tentou nem lembro. Fui morar com a avó materna em Curitiba e pasmem- agora que percebi- fui para um colégio de freiras. A experiência ali foi muito boa para mim, eu me sentia querida pela madre diretora, mas, ainda assim, percebia o tratamento excessivamente rígido  que mantinham com as jovens internas.
Viver com a avó- que eu sentia que não gostava de mim, com uma tia, idem- foi doloroso. Sofri muito lá, me fez muito mal.
Mas, em Curitiba eu pratiquei yoga em algum lugar e aprendi a fazer os exercícios em casa. Fazia diariamente, tinha um caderninho de papel pardo pequeno onde desenhei todas as posturas.
Voltei para Cabo Frio um ano e meio depois, suponho, machucada, à flor da pele. Não fui bem recebida pela mãe- eu praticamente fugi da casa da avó- e minha mãe acreditou nas histórias que a avó inventava sobre mim. Anos depois descobriram que ela estava sentindo-se perseguida, mentalmente perturbada.  Foi tarde. As marcas ficaram, hoje não sinto mais nada, mas tudo isto repercutia na minha vida, claro.
Vim morar em Natal em 2002, dezembro, lá por 2004 tive meu primeiro contato com o budismo, Monja Sherab. Fiquei encantada com a postura e a tranquilidade dela, sai de lá dizendo que queria ser budista. Li bastante sobre budismo estes últimos anos, vi muitos vídeos de Lama Michel Rinpoche- o que me ajudou bastante - fiz retiros, simpatizava, mas não conseguia meditar.
Uma vez, eu disse para uma moça que se preparava para ser monja  e nos ensinava práticas: “Eu namoro o budismo há muitos anos”, ela respondeu: “ Então está na hora de noivar.”
Há anos isto me incomodava- o desejo de praticar e a impossibilidade de me manter sentada, tentei muitas vezes, mas desistia porque me sentia ainda incapaz, dizia: um dia eu chego lá.
Cheguei e estou muito feliz.
Comentei com meu filho que foi muito rápida a minha mudança interna, ele disse: “Mãe, há anos você se repara!”. Verdade.
Se não fosse ter conhecido Paulo Tarcísio, mestre na escola que frequento, a Nova AcrópoleParnamirim, demoraria mais para ter uma visão diferente da vida e da morte. Minha gratidão a ele é enorme.

Ah! Não virei budista, tenho muita dificuldade com compromissos, mas aprendi a meditar com Swami Nardanand. É um indiano, médico Ayurveda, mestre em Yoga e filosofia, e, para minha sorte, está construindo um Ashram* em Natal! Agora fechou o ciclo, entendi o porquê de ter vindo morar aqui.
A vida tem muitas coisas que não entendemos, feliz daquele que um dia percebe que tudo aquilo que viveu faz sentido- eu não acreditava e sofria muito por isto.
Namastê!
(Interessante, quando comecei meu blog, em 2005, eu me despedia com Namastê*, depois achei sem sentido e retirei a saudação).
Namastê* - A divindade em mim saúda a divindade que está em você.
Ashram- espaço para desenvolver a vida espiritual.
Swami- aquele que domina a si mesmo.
Shakitipat- Leia aqui, não ouso explicar ainda escrevendo.


3 comentários:

Claudia Letti disse...

Seu post me incentiva a seguir tentando. Fiz -- e tento, digamos, semanalmente -- a meditação transcedental. O dia em que conseguir a tranquila postura interna, vou comemorar. Ô ansiedade!

andrea augusto - angelblue83 disse...

Qtas andanças para escrever a própria história... e que história rica!:)

bjimm querida
andrea

Laura_Diz disse...

Andréa e Cláudia, só hj li vcs aqui, desculpem, ando mt desligada do blog, apesar de amá lo, vcs sabem.
Um abraço forte nas duas qrdas.
Laura