terça-feira, março 03, 2009

Domingo é dia de praia






Para Maísa, minha ex companheira de praia, hoje paulistana, e Marilda, que já nos deixou para sempre, minha querida amiga que durante os anos de PUC me fez companhia na praia, se não houvesse aula lá estava ela me esperando na areia. Todas as vezes e que me deito de bruços para pegar sol lembro dela e dos nossos papos.
Tenho saudades.

Domingo é dia de praia

Para os cariocas não há domingo que se preze sem ida à praia. Vocês que moram no frio que me desculpem, mas domingo sem praia é como abacaxi sem coroa. Pois é, mas a praia da minha vida está longe. Ipanema, que saudades...

Domingo de sol em Ipanema é uma festa, ‘happening’, você encontra amigos, conhecidos, ex -clientes, ex-colegas de faculdade, artistas de todas as artes. Na orla tem gente andando de bicicleta, de patins, de skate, tem muita gente bonita, gente feia, gente colorida, gente desbotada, vendedores de sorvete, refrigerantes, cerveja, Biscoito Globo - uma delícia feita de polvilho só encontrada no Rio-além de músicos diversos, se você tiver sorte assiste um grupo de jazz, ou um show de Nana Caymmi no Arpoador. Tudo isto nesta feira maravilhosa na Avenida Vieira Souto, que fica fechada para o trânsito aos domingos.

Houve um projeto para chamá-la de Avenida Tom Jobim, quando o maestro morreu, homenagem justíssima, mas a família do Vieira Souto chiou, Tom virou aeroporto, e a famosa Rua Montenegro passou a se chamar Rua Vinicius de Moraes logo depois que o poetinha morreu, não sem antes haver uma pendenga, o tal do Montenegro era genro de um Barão, enfim, genro de barão nem barão é...

Domingo de sol em Ipanema é alegria de papo furado, jornal lido na areia, muita água mineral ou mate gelado, que carioca adora, ‘Mate Leão’ com limão ou sem limão- "Olha o mate, olha o Mate Leão", conversas entrecruzadas... "Isto é uma promiscuidade", disse minha mãe quando passou por lá chegando de São Paulo.

Para quem gosta de ouvir a conversa dos outros é prato cheio, todos chegam contando como foi o sábado, e dependendo do programa, a conversa é quente.

Domingo é dia de voley e carioca zona sul joga voley, futvoley, frescobol ou faz cooper, nada de tênis ou outro esporte mais sofisticado, a praia é o terreno perfeito para estes esportes. Mas quem não joga se aborrece, precisa ficar desviando das bolas, um saco, mas é bom não perder o bom humor, tudo se resolve com um: "Por favor, vão jogar mais pra lá um pouquinho" e um sorriso.

Domingo é dia de ‘footing’ na praia, caminhar até o Arpoador ou Leblon é lei, só não vai quem é doente da cabeça ou do pé. Nestas caminhadas você encontra todos os conhecidos que ficam em outros lugares. Ah, tem um detalhe, a praia é dividida por tribos ou grupos diversos: há a praia dos gays- "Vale das Bonecas"- das patricinhas- praia da Garcia d' Ávila, dos famosos, artistas e afins- Posto Nove- aqui a maconha rola solta, há o lugar das moças que ganham a vida com os turistas, dos metidos à besta- em frente ao Country, e assim vai...

A praia para o carioca é a extensão da sua casa, ali se faz vendas, contatos sociais, profissionais, encontros amorosos (tem o “teste da praia”, extremamente machista e antigo, você conhece alguém, mas é na praia que vai vê-lo na real, como dizem. E o sol não perdoa)...

Carioca sabe usar a praia como ninguém, se não levou cadeira, improvisa um encosto com a areia; se não tem guarda-sol usa o do vizinho, e aproveita para bater papo com a turma do lado; se não levou toalha - ninguém leva- nem canga, senta na camisa. Todo carioca que se preza conhece o vento do dia, e não joga areia no vizinho, se alguém te jogar areia sacudindo a roupa, esteja certo, não é do pedaço. As moçoilas gostam de sacudir sensualmente os cabelos molhados, então não se surpreenda se sentir “chuvisco” de repente, há um bela jovem atrás de você, com certeza. Se você vir alguém chegar todo vestido, se desvencilhar rapidamente da roupa, dar um mergulho, secar ao sol, vestir-se novamente, esteja certo, é um carioca que foi dar um mergulho e voltará para o trabalho, só carioca agüenta se vestir salgado.

Carioca fica na praia até o anoitecer, lá por seis da tarde, sete, e quando o pôr- do- sol é fantástico, todos aplaudem.

Depois da praia há o encontro obrigatório em algum bar para um chope, e um almoço ajantarado, que ninguém é de ferro e agüenta aquele sol todo só com mate e ‘Biscoito Globo’, ou sanduíche de lingüiça do Posto Nove.
Aí você pensa que acabou o domingo, não, ainda tem o cineminha, se você não foi na véspera, domingo é dia de cinema também.
Cansei, praia cansa.




7 comentários:

Anônimo disse...

Laura, é linda a frase abaixo do titulo.
vou visitar mais
beijos
Beth( do LN)

leila disse...

Domingo e sabado tambem...

Fernando Pinto disse...

Que texto delicioso, amiga Laura! Até parece que estamos no areal... Amei! Beijinhos de quem gosta muito de ti, da tua forma de estar na vida!

Abraço de Portugal

Lia Noronha disse...

Laura: até as praias hj em dia...não t~em mais aquele encanto..não é verdade?
Saudades de Ipanema...e do cheirinho d a Barra...Bjins pra ti da amiga carioca que te adora.

Anônimo disse...

Uma das cidades mais belas do mundo...dá vontade de morar lá. E as escolas para os pequenos, como é heim...
sayonara
madoka

Anônimo disse...

MARAVILHA!!!
Retrato perfeito do Rio...
Ana Maria

D. disse...

Meus queridos, vcs sabemque eu amo o Rio, a cidade me comove, os cariocas me alegram oelo afeto e generosidade. Só quem passeou pelo Rio, pela orla sabe o que eu estou dizendo.
Obrigada pelos comentários.

Madoka, vou te responder por e-mail.
Bjs para todos os meus queridos amigos.

Ana, valeu! qtas vezes fomos juntas à praia, vc cheia de filtro solar, na época em que a gente nem queria saber disto. :)
Elianne- Laura