domingo, agosto 12, 2012

Carta de amor do meu pai- Arquivo revisto












































Clique sobre o texto que aumenta e poderá ler melhor, eu não soube aumentar, fazer mais legível.





























Ontem arrumando meus desenhos, achei esta cartas de meu pai para minha mãe. 
Tenho uma quantidade enorme de cartas dele para nós, filhos. Ele filosofava o tempo todo, já estava aposentado, morávamos longe, então ele enviava cartas enormes. Levava meses respondendo nossas cartas, enviava para todos cópias e destacava trechos especiais para cada um. 

Uma figura, meu pai. 

Minha mãe rasgou uma quantidade enorme de cartas, tinha uma pasta cheia. Ficou com raiva e rasgou tudo, ou queimou, sei lá. Eu devo ter roubado esta há muitos anos.
É muito linda a carta dele, a letra, tudo. Ele a amou até o fim. Ela não. Mas deixa pra lá. O que importa é o que ficou para nós filhos. 

Meu pai era muito fechado, mas a gente sabia que era apaixonado pela vida, pelos animais, pela natureza. Era divertido- todos os dias lembramos dele aqui em casa. Outro dia alguém disse que o café estava fraco e eu disse, imitando-o: Tôfraco, tôfraco, tôfraco...(brincava com as palavras o tempo todo- ai se referia às galinhas de Angola). 

Se comovia com bichos. E foi um general, serviu o Exército 35 anos. Vejam como é a vida. Saiu em 61, porque quis, quando começou a fervilhar dentro dos quartéis, ele saiu fora. Era engenheiro também, foi trabalhar como engenheiro numa fábrica quando foi para a reserva. Foi naturalista desde que eu era adolescente lembro dele falando em ecologia- que penso nem existia como conceito ainda, em água, em tratamentos alternativos- era um idealista visionário. 

Lembro dele todos os dias e agradeço seus ensinamentos e delicadeza. Era tímido e sensível ao extremo- não sei como chegou a general- no final da carreira comandou a 5ª região militar. 
Saiu do Exército com 49 anos! Quando foi para a reserva, fomos morar em Cabo Frio- ele foi trabalhar na Fábrica de Álcalis como engenheiro- ficou alguns anos, depois passou a curtir a natureza, viver sem compromissos.

Em 2001, meu irmão mais novo resolveu trazê-lo para Natal- estava ficando senil. Em 2002- dezembro- eu vim. acho que por causa dele- foi inconsciente. Hoje estamos todos aqui, exceto uma irmã, que prefere o frio de Curitiba.

Meu pai foi um excelente modelo para todos nós- por ser voltado para a ecologia e medicina natural, quase todos os filhos somos mais para a vida saudável do que para extravagâncias. Ah! isso era o que ele não era: extravagante! Podia ser excêntrico, nunca excessivo e consumista.

Saudades do pai- mas ele deixou tanto dele conosco que não é uma saudade doída- é boa.

Ano que vem faria cem anos- não tivesse caído e quebrado a bacia, poderia, quem sabe estar por aqui com suas brincadeiras inocentes- tinha  muito de menino, o pai. Interessante isso, combina pouco com a carreira que fez. Contradições da vida.








Um comentário:

Maria Muadiê disse...

Cartas...que lindo!