quarta-feira, outubro 18, 2006

O encontro I.























Foto daqui.


O encontro.

Seus passos não acompanhavam a pressa interior, o desejo de chegar, queria deslizar. O coração batia mais forte à medida que se aproximava do número desejado.
O prédio era simples, ao entrar veio o cheiro de umidade, mofo. Deu bom dia ao porteiro sem ver seu rosto.
O elevador subia lentamente, uma eternidade. Pensou: “E se ele não gostar de mim?” Não importa, ela o verá, é isto que precisa, vê-lo, se não puder tocá-lo, não importa, nada mais importa, quer apenas vê-lo.
Olhou o relógio, viu que precisava esperar. Odeia corredores, sente-se exposta, estranha. Sentou na escada fria, se olhou mais uma vez no espelhinho da bolsa, pegou um chiclete de hortelã e esperou.
Sentia cada vez mais frio. Ouviu quando uma porta se abriu e saiu uma moça, “deve ter saído de lá”, pensou. Olhou o relógio, ainda faltavam cinco minutos, precisava esperar.
Caminhou até a porta, o coração sobressaltado.
Às três em ponto tocou a campainha, ouviu quando outra porta se abriu, quis desistir, sumir como mágica.
Ele estava a sua frente, sério, estendeu a mão como um desconhecido.
Ela gelou.
Vestia azul, como ela pediu.

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