domingo, janeiro 29, 2012

Rashomon, a gata e as pedrinhas...







- Mãe, esta gatinha é autista, disse Dan outro dia.
Eu ri e concordei.  A bichinha é uma graça, mas não atende chamado algum, nem olha para nós.
- Acho que gatos são assim, o Seinfeld é que é diferente só falta falar.

O gato gosta de ficar por perto, quando o chamo, vem correndo- mesmo que esteja longe-  e quando volta para casa de passeios pelos jardins vizinhos, chega miando, parece que quer contar o que aconteceu.

A gata é interessante, quando eu acordo ela percebe e vem para a minha porta- a outra, que sumiu, fazia o mesmo. Então não é autista, né? Mas eu sei porque ela vem- quer comida- como está gorda eu coloco aos poucos para que não fique mais balofa. Agora dorme aqui perto- é muito lindinha, fofa.

Quinta- feira passei horas olhando o mar- o filho pegava ondas e eu fiquei sozinha na areia.

Tentei meditar- acho que olhar ondas é um tipo de meditação, não é? Ansiosa, resolvi me alongar- adoro. O mar subia, subia e eu precisei escalar uma duna pequena e ficar no alto. A maré alta lambeu a areia e deixou a água com uma espuma amarela nojenta. Foi a primeira vez que não tive coragem de entrar na água aqui- coisa comum no Rio- não sei se hoje melhorou- no meu tempo de Ipanema a água era suja- muitas vezes não consegui entrar.

Ontem fomos à praia de novo, num outro trecho, onde há mais praia e menos gente. Foi legal. Luc foi também, não gosta de ir, mas estes dias foi duas vezes- o que me deixa muito feliz porque adora computador e guitarra- agora esta tocando lá no seu quarto. Ele levou “Rashomon” para ler- ganhei este livro de um ex- analista, Lourival Coimbra- saudade dele...

Li o livro há tantos anos que não lembro mais. O filme de Kurosawa é baseado nele, mas foi uma adaptação livre, pelo que vimos ontem. O filme é muito diferente do conto, que é curto e denso. O escritor matou-se com trinta e poucos anos- triste.

Deixei o filho lendo e fui caminhar. Havia muitas pedrinhas e fui catando. Lembro do conto que fiz. No conto ela só pega as transparentes. Gosto muito de pedras. As transparentes são as mais bonitas e me agachei diante de todas que vi, mas me sentia discriminando as menos bonitas. Peguei muitas, nem todas perfeitas. Gosto mais das redondinhas, das ovais, lisas, belas. Imagino o quanto ralaram na areia para obterem aquele formato perfeito. É como se as salvasse.

Me sinto meio maluca dizendo isso.


3 comentários:

banzai disse...

tão bom estar em sua companhia novamente e saber de Roshomon, da gata e de pedrinhas... adoro
madoka

Diz disse...

Madoka, vc é uma benção- escrevo p vc e amigos que tb gostam de saber daqui. Bjão, flor.

Camille disse...

Adorei teus filhos chamando a gata de autista. Filhos de mae psi...heheheh.Que otimo. Nossa, achei teu link e os outros tantos, todos por alguma razao escondidos dentro do blog. A antinha aqui sempre por fora dos mecanismos.
Essa vida de praia deve ser boa ne? De vez em sempre me da uma vontade de me mudar de SP...
Beijos e saudades,
Cam
( esse livro do Corpo do Carlos Drummond que tem uma poesia dedicada a Sonia von Brusky...)