quarta-feira, março 09, 2011

E viva Manoel de Barros!


De Manoel de Barros:

Arte não tem pensa:
O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê.
É preciso transver o mundo.


Daqui:

Aprendi com Rômulo Quiroga (um pintor boliviano):
A expressão reta não sonha.
Não use o traço acostumado.
A força de um artista vem das suas derrotas.
Só a alma atormentada pode trazer para a voz um
formato de pássaro.
Arte não tem pensa:
O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê.
É preciso transver o mundo.
Isto seja:
Deus deu a forma. Os artistas desformam.
É preciso desformar o mundo:
Tirar da natureza as naturalidades.
Fazer cavalo verde, por exemplo.
Fazer noiva camponesa voar – como em Chagall.
Agora é só puxar o alarme do silêncio que eu saio por
aí a desformar.
Até já inventei mulher de 7 peitos para fazer vaginação
comigo.

3 comentários:

Adriana disse...

Que coisa linda, trasmudar-se.
Nada melhor que isto pra começar o ano após o carnaval!
Amei, qrda, obrigada. Foi dos textos mais bonitos que li, não conhecia.
Bjos e bom restinho de semana.

Anônimo disse...

Laura, estes versos me fazem lembrar de uma história ocorrida com Chagall (Foi com um pintor célebre, não tenho certeza se Chagall). Mas o sentido vale pra qualquer pintura, ou poesia. Estava chagall no seu trabalho, quando chega uma senhora granfina para comprar um quadro. E vê um cavalo pintado de azul. Reclama: "Um cavalo azul"? E Chagall responde: "Isso não é um cavalo, minha senhora". "Não? E que animal é"? O pintor encerra: "Animal nenhum. isso é um quadro". Abraço de François Silvestre.

Diz disse...

François, bom tever aqui de novo:)
A historinha é ótima, e vc sabe contar histórias.
Bj Laura