quarta-feira, março 24, 2010

Amor inexprimível


Roland Barthes



“Dois poderosos mitos fizeram-nos acreditar que o amor podia, devia sublimar-se em criação estética: o mito socrático (amar serve para criar uma multidão de belos e magníficos discursos) e o mito romântico (produzirei uma obra imortal escrevendo a minha paixão).
Entretanto, Werther, que outrora desenhava bem e muito, não consegue fazer o retrato de Charlotte( Mal pode esboçar sua silhueta que é, precisamente, aquilo que o atraiu nela)- "Perdi...a força sagrada, vivificante, com a qual criava mundos em volta de mim"

" Na lua cheia de outono
Ao longo da noite
Fiz cem passos em volta do lago"

Haïku


Não existe indireta mais eficaz, para dizer a tristeza, que esse "ao longo da noite"...


Roland Barthes em "Fragmentos de um discurso amoroso"- meu livro preferido.

Barthes morreu atropelado ao atravessar a rua onde lecionava. Leia mais aqui.

2 comentários:

angela disse...

Talvez a maioria de nós só possa viver uma paixão por vez e a arte no meu entender (desculpe a prepotencia)
é uma paixão, não uma sublimação. É uma paixão e como tal inexplicavel, só da pra reconhecer.
Durrel diz que para esquecer uma mulher o melhor é transforma-la em personagem, quem sabe por isso Werther não consegue pintar Charlotte, ele não quer esquece-la.
Outros como Picasso...rs "Fragmentos..." foi meu livro de cabeceira quando há muitos anos...rs, vivi uma decepção amorosa daquelas cheia de longas noites.
Desejo que tenha uma noite bem curtinha.
beijos

Diz disse...

ANgela, felizmente, eu não tenho longas noites, nem arrast o correia por aqui- durmo bem. Tenho o coração e a mente livres p dormir.
Esta questão da sublimação... é longa discussão intelectual.
Eu, como Freud, acredito ser possível reolver através da arte- mas q arte é paixão é- só assim é boa, senão...
bjs qrda, Laura