sábado, maio 16, 2009

Tertuliano na voz de Drummond




Fiquei surpresa com o sucesso do texto sobre o Drummond, eu até brinquei que se soubesse teria sido o primeiro post. Guinha, nos comentários de ontem, diz que eu o mostro como pessoa comum. Ele era um homem especial, todos sabemos, mas eu mostro um lado dele que poucos conhecem, um lado sacana, sapeca, talvez seja isto. Eu conhecia pouco sua poesia, como a maioria de nós. Conhecia o mito Drummond, impossível não conhecer, mas gostava mesmo era do Neruda. Drummond eu gostava, mas não era paixão. Quem já leu os dois sabe do que estou falando, Neruda é o eterno apaixonado. Mas o encontro com Drummond mudou minha vida mais tarde, radicalmente- outro dia conto.

Ganhei dois livros dele, comprei a “Poesia Completa” e reconheço o mérito dele como O Poeta Brasileiro.

Um dos livros que me deu tem a linda dedicatória:

“Quanta ternura cabe em um abraço?
Receba o meu e conte”

Realmente o homem transpirava poesia. Mas era um homem como os outros homens da geração dele-nasceu em 1902, início do século, mineiro... Quem conhece os mineiros sabe do que estou dizendo, os mineiros se escondem, acostumados à proteção das montanhas continuam a se proteger na vida.

Drummond tinha uma namorada que visitava diariamente há 30 anos, a moça era de boa família, segundo as palavras dele, e deixou a casa dos pais para poder recebê-lo. Manteve o casamento para sempre.
Ao telefone um dia me disse que à noite ele cuidava da mulher e de manhã era ela quem cuidava dele, que dormia tarde, bebia um licorzinho, ouvia música clássica.

Há 18 anos ele morreu e tenho saudades da voz dele, frágil, dizendo poemas engraçados no telefone para mim naqueles dias em que eu me encontrava muito triste.

Lembro apenas deste:

Tertuliano

Tertuliano, frívolo peralta,
Paspalhão desde fedelho,
Incapaz de ouvir um bom conselho;
Tipo que, morto, não faria falta.
Mas um dia deixou de andar à malta.
E indo à casa do pai, honrado e velho,
Mirou-se diante de um espelho,
E à própria imagem disse em voz bem alta:
Tertuliano, és um rapaz formoso,
És rico, és talentoso.
Que na vida se te faz preciso?
O pai, sisudo,
Que por trás da cortina ouvia tudo,
Serenamente respondeu: JUÍZO!...

Autor desconhecido.

Imaginem, este era Drummond.

Mais Drummond aqui.
ou aqui.

Aqui

5 comentários:

Mani disse...

Acho que temos Drummond como mito, e é duro aceitar que seja um pessoa com desejos como qualquer outra...Mas Drummond tinha muitos poemas com essa coisa de sexo, gosto desse lado dele...beijos.

Lia Noronha &Silvio Spersivo disse...

Laura: poetas era...mil homens em um...e provou isso...em palavras!
Bjs d eboa noite querida..

Gisele Amaral disse...

É o Poeta Brasileiro.

=*

Lunna Montez'zinny disse...

Vim conhecer seu blog depois de ver uma indicação da Maria Augusta e sai lendo, sem compromisso ou pressa, apenas me deixando conhecer, apenas me deixando seduzir. Ainda bem que descobri tua tão nobre paisagem. Farei daqui meu porto (espero que seguro). rs
Bom domingo pra ti

Ex-critor disse...

Drummond foi o primeiro grande poeta que li com prazer. Me descobri com ele. Li alguma poesia sentado numa mesa de uma biblioteca pública. Aí vieram os outros livros. Ele faz muita falta...