sexta-feira, abril 03, 2009

Uma coisinha à toa






Uma coisinha à toa


Quando ela disse,- foi leviana ou pueril? Não sei...-, que estava apaixonada por ele e se casariam, meu coração disparou.

Por minutos enlouqueci. Poderia dizer qualquer coisa naquele momento, estava louca. É possível estar louca num minuto e no outro lúcida? Eu sou assim, louca e lúcida. Como sou racional! Qualquer amigo endossa isto. "Ela é razoável sempre", dirão.

Estão certos, não me deixo enlouquecer. Como? Ora, eu respiro fundo e me distancio. Vejo à distância aquilo que me afogou por uns segundos. O ar fresco me salva das bobagens que poderia fazer. Sou salva de mim mesma.

Sinto-me ridícula enciumada, absolutamente idiota, envergonhada, a própria tola.

Não poderia ter ciúmes dele, você poderá pensar, afinal... não somos nada, e nada é nada, e ponto final.

Mas onde o ponto final? Quem disse que no amor imaginário existe ponto final? Ele está colado a mim. Outros poderão vir, colo por cima, ele fica embaixo, escondido, guardado. Quando um amor descola, o de cima, lá vem ele de novo perturbar meu sonho. Sonho com ele, sonho com o outro, sonho com rostos conhecidos. Nunca um homem estranho- aquele que poderá vir a ser. Não, absolutamente, eu sonho com os que já estiveram no meu colo, aqueles que me amaram ou desejei amar.

"Por que digo estas coisas?", você pensa. Para deixar a loucura de lado.
Lá, na água, onde estive esta manhã, deixei algumas lágrimas. Elas me aliviam, chorei para mim, elas me dizem: Por que está a sofrer? Deixe isto de lado, é só uma coisinha à toa.

As lágrimas confirmam minha dor, mas o que narro, agora, conta minha história.

Narro para não sofrer. Ou narro para viver, sei lá...

3 comentários:

Pedro Tadeu disse...

Muito bom!
Dor doída, nossa!

Mani disse...

Amei! Narrar pra nao sofrer! Perfeito!

D. disse...

Mani querida, que bom que gostaste :)
bjs Laura