sexta-feira, janeiro 02, 2009

Uma boa lembrança- com acréscimo

Foto Google:Ilha do Japonês
O mar era límpido, maravilhoso.


A memória é uma coisa muito engraçada, a Tina fez um comentário no post de ontem,
e eu lembrei de uma época muito legal da minha vida.

Eu namorava um pintor, F. B., ele era mais novo que eu uns 9 anos, naquele momento fazia diferença, eu já havia namorado mais, estudado e lido mais, vivido mais, estas coisas e não levava muito a sério o nosso namoro. Resolvemos que seria um namoro aberto.
Como vocês sabem, eu sempre fui à frente, sempre meio rebelde, pois sou filha de general e mãe católica, estudei com freiras. Bom, eu abria caminhos- era moderna. Era mesmo. Bom, nós fizemos uma viagem juntos de ônibus para Itapoã-umas 30 horas, imaginem- e na viagem rolou paquera, chegando lá ficamos juntos um mês, depois voltamos, e eu, dividida, não queria namorar. Ele conseguiu que ficássemos juntos 3 anos e meio, quando falou em casar, eu rompi. Não me arrependo, teria sido um casamento que não duraria muito tempo. Era um namoro sem brigas, muito calmo, muita troca, mas sem paixão da minha parte.
Ele aprendeu muitas coisas comigo, ficou mais polido, mais culto, gostava de ler, íamos muito ao cinema, antes era um animalzinho, um rapaz criado nas dunas de C. Frio, impetuoso, generoso, desprendido. Eu era aquela mocinha aluna de psicologia, analisanda, cheia de teorias, lia muito, via todos os eventos culturais, mas era aberta ao novo. Com ele aprendi a olhar as árvores, raízes, andar descalça, curtir a areia. Também perdi o medo das tintas, fiz umas pinturas- preciso retomar. Ele vivia num atelier- vocês sabem que eu me espaço preferido, sempre- tinha uma mesa enorme, pintava quadros grandes- foi muito bom.
Quando a Tina comentou, eu lembrei que F. tinha um amigo pescador na Ilha do Japonês, lá em C Frio, e alugou o barraco do pescador para pintar e ficar por lá. Nós dormíamos lá, comíamos ao amanhecer ostras frescas tiradas na hora, vivíamos de roupa de banho, salgados. Na hora do almoço, muitas vezes batia uma fome danada e íamos até minha casa, que era bem longe, era preciso atravessar a pé o mar na maré rasa, ou pegar um barquinho na maré alta. Íamos filar a boia- meu pai usava muito esta palavra, foi soldado, né?- pão, bananas, frutas apenas, não supriam a fome de dois jovens que se amavam muito à beira mar.
Eu gostaria de rever o F., na última vez que fui a Sampa, onde ele vive, não o procurei, da outra vez o vi, almoçamos, está um belo homem, era bonito, agora grisalho ficou mais bonito, lembra Caetano, mas é alto, mais de 1,80 ms, magro, elegante.
Soube que estava casado de novo, achei melhor não procurar, apesar de sermos amigos, já estivemos juntos várias vezes, ele está separado da primeira mulher faz tempo. Nunca rolou mais nada entre nós, se querem saber :) acho que ele nunca me perdoou por eu ter terminado, íamos 'casar', foi em cima do lance, faríamos um jantar para amigos e familiares. Eu o entendo e respeito, ficou ferido.

Dia 3/01 Lembrei relendo hoje que ele esteve comigo no Rio quando eu estava grávida do Lucas, o meu ex estava viajando e ele se hospedou lá em casa, como amigo, o ex sabia, foi muito bom, ele curtiu minha gravidez- já tinha 3 filhos- e disse que smenina tinha que ser Laura e não Beatriz, como eu desejava. Pois é, eu não tive uma filha Laura, mas criei a personagem, meu duplo, que é Laura. Quando me pergunto eu nunca conto esta historinha, é longa, nem todos tem saco para ouvir, não é? Enfim, as pessoas ficam em mim, eu já disse isto várias vezes, as inscrições ficam para sempre. Me deu saudades dele, vou ver se acho o telefone e lhe desejo feliz ano novo. É fácil achar o telefone, ele é conhecido, é artista plástico e o Thomas Cohn também tem...minha mãe deve ter também, eram muito amigos. Ih! preciso falar com Thomas, desejar feliz ano novo.
Falei demais. :)

5 comentários:

Anônimo disse...

Dá roteiro para um filme, francês por que não!! adoro sua História de vida, contada assim...
Nossa!!! lembra o Caetano, uau!!!!
Beijos e sayonara
madoka

Hélio Jorge Cordeiro disse...

Que coisa! Parece minha pequena história; um jovem artista plástico apaixonado por cinema que conhece uma paulistana, seis anos mais velha, estudante de piscologia da Usp, numa tarde numa praia de Olinda e que se apaixona e vai embora para Sampa para ficar com, mas...

Poxa, Laura, assim não vale!

kisses e um grande 2009!
Hélio

Anônimo disse...

diferença de idade e uma coisa complicada

D. disse...

Madoka, ele ´emto mais bonito que o Caetano porque é alto,tem um belo fisico, anda bonito tb,mas...
c'est la vie, ma cheri.

Helio, pois é... as histórias se repetem.

Anônimo, todos os meus namorados foram mais novos que eu, meu ex tinha dez anos menos, o primeiro namorado uns 4 anos menos, eu não sei exatamente o porquê, mas acho que os mais novos se assustam menos comigo, com minha espontaneidade, não os inibe e instiga, aos outros talvez eu iniba. Sei lá, teorias...
:) desconfio que sei quem é vc, anônimo...mto mais jovem...

Hélio Jorge Cordeiro disse...

Eu sei, Laura, mas o engraçado é que ela, a paulistana, em nada se parecia com Caetano (rsss), contudo, era (ainda é!) alta, uns 1.80cm, olhos esverdeados...

Ah, ela me ensinou a gostar mais de mim mesmo e de muitas outras coisas boas!