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sexta-feira, abril 10, 2020

Os meus dias de isolamento








Os meus dias de isolamento.

Quantas vezes repetimos: "Parem o trem, quero descer"?
E tudo parou. Um inimigo invisível nos obriga ao confinamento.
A morte ronda. Quantos de nós morreremos? O incerteza aflige, dói. O luto antecipado, entristece. Mas há que ser forte, manter a esperança num amanhã desconhecido.
Famílias inteiras num apartamento, sem privacidade, outros num cômodo sem conforto algum, casais que não se suportam no mesmo teto, dia após dia. O medo da morte, do desemprego, da fome.
O mundo precisava parar. Parou tarde. Parou no tranco. Ninguém avisou que iam puxar o freio.
A especulação financeira, o lucro desenfreado, o capitalismo voraz será substituído por algo menos desigual e injusto. É preciso repensar valores. É o que esperamos- temos esperança- talvez o que nos faça não enfraquecermos neste momento surreal.
A vida de alguns mudou drasticamente. Assustou muito, outros negaram e fingiram não haver risco nenhum nas ruas, nos encontros.
A obrigação de manter-se em casa pode ser um bom momento para reflexão.
Estou em casa desde dia 16 de março, um dia especial para mim, por razões amorosas. Não esquecerei.
O consultório fechado. Alguns clientes atendidos online, outros não querem, sentem-se desprotegidos fora do setting analítico. Como manter o um a um de longe, alguém pode ouvir atrás da porta? Fantasmas outros trazem insegurança.
A minha rotina diária mudou pouco e me adaptei rapidamente. Estranho, não é? Apenas não vou mais ao consultório, à academia, às compras... Gosto de estar em casa, sempre gostei. Há tantas coisas a fazer! Desde molhar jardim, arrumar estantes, costurar aquela almofada que espera descosturada.
Tenho o privilégio de morar numa casa confortável. O calor é o que mais incomoda. Estamos com temperaturas altas, não tenho ar refrigerado, a garganta estranha o vento constante do ventilador. Mas, sim, houve mudanças no funcionamento da casa. Como estou em casa e gosto de fazer mais do que atende, ler e ver filmes, minha presença se faz constante pela manhã e à noite. A família, e, especialmente, a funcionária que cuida de minha mãe, passou a ficar incomodada, muito. Ela foi contratada para cuidar de minha mãe, mas como é obsessiva- o que é ótimo- e controladora, quer tomar conta de tudo. Me too. Reconheço.
Ela é excelente profissional, gosta muito de todos nós, mas comigo é uma relação de amoródio. Fica magoada facilmente, não posso dizer nada. aí se fecha e transmite uma energia pesada para mim, especialmente. Deixo muitas coisas para lá, claro. Controlo as compras- é preciso não desperdiçar. A renda diminuiu. O filho faz pizza em casa. Está construindo um forno a lenha na varanda que estamos fazendo na frente da casa. Era um jardim gramado, mas que ninguém usava. Eu gostava, claro, mas a varanda será mais útil. Já está sendo- me exercito lá de noite, de dia impossível porque bate sol. Estamos fazendo outras reformas aqui. O básico, quebrar paredes e tal, um pedreiro profissional fez, agora Danton e Bambam, que é seu cunhado que mora conosco, fazem. Dan é arquiteto, entende de obras, acompanhou várias e o Bambam já ajudou o pai, que vive no Amazonas, a construir a casa.
Ah! A reforma começou porque serei avó pela primeira vez! Joyce e Danton esperam um filho. Nome? Raduan. Juro que não fui eu quem escolhi! Ela sonhou com este nome, deve ter ouvidos uma dezena de vezes aqui e ficou no inconsciente, nem sabia quem era.
Imagino se aqui há conflitos, numa casa em que tentamos ao máximo sermos harmoniosos, como será em outras casas?
Imagino aqueles que perderam suas rendas, o desespero, o medo, a insegurança!
Urge olharmos para todos, estamos num mesmo navio, alguns num porão imundo, outros em suítes, mas todos assustados e incertos sobre quem se salvará.
Se cuidem, cuidem dos que estão ao redor.
*Sobre a funcionária ter ficado, foi escolha dela porque mora longe, em Touros.

sexta-feira, janeiro 17, 2014

Crônica- A flauta e a amoreira










Cotidiano 

Janeiro 2014

Ontem fiz algo que deveria ter feito há meses, fui cancelar débito automático no Bradesco. O gerente é um jovem educado e gentil- como deveriam ser todos. Cheguei pensando em cancelar a conta- uso pouco- meu filho insiste para que fique no B.B., apenas, acho melhor não, o B.B. é um mundão, Bradesco aqui, depois refleti sobre, precisa disputar espaço- esta cidade é de funcionários públicos, descobri há algum tempo- todos querem passar em concursos ou já são concursados, a minoria somos nós- profissionais liberais.
Cheguei da rua ontem, lavei o carro- atividade que gosto- e podei árvores. Meu braço dói um pouco, mas eu adoro, é como cortar cabelo. Entrei para o banho e resolvi dar uma aparada no cabelo- também sinto prazer em. Ficou ótimo. Já fiz antes, da primeira vez cortei pra valer e direitinho, acredite! Quando fui à cabeleireira ela disse que estava OK, apenas aparou.
Enquanto cortava galhos da amoreira, Zé Miguel apareceu para pegar o lixo. Disse, pela enésima vez: A Sra deveria cortar mais deixar retinho em cima. Eu retruquei que gosto assim, ela descabelada como Elba Ramalho. Ele diz rindo: está igualzinha mesmo. Depois que ele subiu cortei mais- para que ela cresça melhor, estava linda com galhos até o chão, mas... quanto mais se corta, mais fortalece, dizem. Sou jardineira intuitiva, não sei nada. Enquanto cortava comia frutinhas.

Hoje ele veio pagar os galhos- o vi na grama. Fiz um sinal de positivo de dentro da casa. Logo depois apareceu Canindé, o jardineiro que vem cortar a grama uma vez por mês. Adora um papo. Veio pegar a pá emprestada. Contou que uma cliente, que é ginecologista,- explicou com detalhes, que ela conversa com ele assim como eu-  disse que boldo ofende o organismo. Será? Seria boldo? A minha família toma esta erva há anos, meu pai usava, meus irmãos usam. Ele disse que vai para o sangue e tal.
Mostrou umas mudas que plantou aqui outro dia, eu não tinha visto. Repetiu umas três vezes o nome, não adiantou, eu não entendi. Tenho dificuldade enorme em entendê-lo e ao eletricista. Me dá aflição. São do interior e falam para dentro e rápido.

Esta madrugada baixei no lap top vários filmes- os candidatos ao Oscar, aqueles que ainda não vi.  Hoje vou começar a ver. Gosto de ver depois do almoço, senão o sono me pega.

Trabalharei apenas à noite e amanhã meio dia. Queria trabalhar mais, me faz muito bem.
É estou só em casa com os bichos. Um dos filhos dormiu fora, o outro saiu cedo.

Faz calor
Uma flauta toca ‘Asa branca’
Uma criança chora
Um cão late
A janela vibra

Venta

segunda-feira, janeiro 06, 2014

A vida e sonhos. Qual o sentido da vida?















Sonhei com um ex namorado, A.- o primeiro de verdade, aquele com quem poderia ter casado, não fosse a minha imaturidade ou neurose, desejo de ser livre, sei lá. Tentava lembrar a primeira vez que o encontrei, via uma cena, ele era diferente, mais alto.

Em outro sonho, na mesma noite, C. M. entregava-se à morte, como se naquele momento não precisasse mais viver, me libertava, matando-se. Eu chorava e perguntava: Quando, como, por quê? Alguém respondia que saiu na capa de uma revista semanal, que eu olhasse. Acordei chorando. Ele está morto, se foi em 2008- câncer.
Será que meu coração está livre?

Esperei meio dia para ligar para A. - hoje é seu aniversário- dia de reis. Contei o sonho, lembramos dos primeiros encontros, da peça Hoje é dia de rock, A China é azul.

O e-mail da amiga distante contando o que sentiu na primeira noite de Natal sem a mãe, me fez bem, gostaria que estivesse mais próxima, mesmo longe- tantos anos juntas, confidenciando, trocando.

À noite M., uma amiga querida, telefonou. Falamos de nossas vidas, ela com o marido na cama, dependente.
Contei do anel, que não era diamante, mas não quebrou o encanto porque já não havia. Rimos, era o que podia- se esperar daquele que me deu.
Qual o sentido da vida? Ela se pergunta. Por que a doença dele? Acredita que há mais além da nossa vida terrena- se não como sobreviverá? Como viver sem sentido?
Meus filhos estudam filosofia, falam sobre estas questões. Contei.

Ontem conversei com uma amiga com quem não falava há muitos anos, mais de 20. Teve câncer. Moça linda, inteligente, rica. Esteve casada, como eu, por pouco tempo, tem uma filha bonita e saudável. Ela ainda está em tratamento, - exames a cada três meses-, retirou a mama. Fez piada sobre isto. Me alegrou falar com ela, rirmos juntas. Deu saudades.

Qual é o sentido da vida? Por que alguns morrem cedo, adoecem? Minha doença é na alma, não, minh’ alma não é pequena, mas triste, mesmo com pequenas alegrias.

O amigo de além mar enviou uma agenta de uma artista plástica lusitana. Me alegrou.


PS: Não reli- sono.

sábado, janeiro 04, 2014

E a vida segue...






Dias movimentados. Desde a véspera do Natal tivemos convidados cinco vezes. Para quem vive quase isolado, é muito.

A noite do dia 31 eu jantei com uma amiga- fiz uma ceia, e depois que ela foi dormir, lá por onze horas, eu, morrendo de calor, entrei na banheira e fiquei no escuro pensando, quase dormindo. Fui para a cama e uns quinze minutos depois começaram os fogos. Levantei, olhei a janela, estavam espaçados, em vários condomínios. Voltei a dormir. Um dos réveillons mais estranhos, porque eu estava sem emoção alguma. Não senti nada, a TV estava ligada e eu, na hora dos fogos no Rio, estava dando comida para o Dersu. Desliguei a TV sem lamentar, alheia a tudo. Não tenho mais expectativa nenhuma em relação à tempo marcado- balela. Acho que a frieza vem da ausência do outro- do amor- ele se foi, não tenho mais em quem pensar na hora da virada- que virada? Bobagem, acho que os jovens devem festejar, é legal, o rito de passagem de um ano para o outro, os planos, os beijos à meia noite. Passei disto.

No dia seguinte teve almoço com filhos, mãe, irmã. Foi bom. Comida gostosa, vinho bom. Sem conflitos, sem dores.

Ontem meu filho Dan  trouxe amigos para um jantar com comida japonesa- fiquei super orgulhosa, caprichou, fez tudo que aprendeu num curso. Como ajudante um amigo muito querido dele A., superaram minha expectativa, ficou delicioso.

Estou cansada, mas feliz com as visitas. Amigos meus e dos filhos. Encontro com Gustavo de Castro, sempre amoroso- pena que viva longe. Os meus queridos, quase todos, estão longe. Trouxe 2 livros para mim, poemas, ele é poeta dos melhores, preciso ler. Ando com dificuldade para, espero que o conforto daqui do escritório facilite. Sinto que algo mudou, eu me sentia meio peixe fora d'água, sem meu espaço. Escrevia na sala, não gosto- além de mais quente, fico mais dispersa lá.

Uma alegria íntima foi arrumar meu escritório- estava em desordem desde o ano passado, primeiro virou quarto de minha mãe, depois o filho que faz arquitetura se apossou para fazer trabalhos, maquetes, então vieram os pintores. Tudo no chão, poeira. Prometeram arrumar, mas ninguém teve tempo- eu arrumei. Estou com dor no pulso, misto de pancadas para abrir as janelas- emperradas pela pintura- com pegar livros, penso eu.
Mas consegui. A faxineira ajudou a colocar um sofá que sobrava na sala, coloquei uma poltrona. O escritório ficou uma delícia- falta consertar o bureau e a luz. Aqui é tão ventilado, venta tanto, que às vezes é preciso fechar a janela, deixar que entre apenas pelas venezianas.

Estou com sono resistindo para dormir mais tarde.

Os filhos foram a um casamento- quase não vão- os amigos ainda não entraram nesta de casar. É melhor, aqui casam muito cedo.

Preciso mentalizar um projeto para este ano- ano passado foi um desastre, fiz muito pouca coisa relevante- além do trabalho, claro, no consultório que me satisfaz muito.
A verve de escritora ferve e eu não escrevo- tenho ideias, escrevo na mente e não coloco no papel. Outro dia percebi que o que mentalizo é pesado, triste, talvez eu queira fugir disto. O Facebook nos faz mais superficiais, ali agrada quem é gracioso, fala coisas leves. A superficialidade venceu. Também gosto de futilidades, me distraio com bobagens, mas sinto falta de textos densos. 

O A., amigo dos meus filhos, sentou aqui no escritório comigo e contou que está a ler(como dizem patrícios e eu adoro dizer), Garcia Marques, O amor no tempo do cólera. Mostrei os meus exemplares aqui- tenho em português e espanhol- li na língua original, comprei antes de sair em português. Eu era assim, hoje leio pouco. Um post que li hoje dizia que é culpa da internet, das leituras rápidas, curtas e fragmentadas, da quantidade de leitura diária on line. Pode ser, eu ando impaciente com textos não enxutos. Também porque me identifico, como escritora com autores não prolixos- não estou conseguindo ler detalhes em excesso.
Talvez eu hoje não conseguisse ler Cem anos de solidão. 

Sei que dispersão e ansiedade são sintomas de depressão. A minha, como disse, Jorge Salomão, o psiquiatra, e eu concordo, é existencial. Me coloquem num lugar com amigos, gente para bater papo e esqueço a tristeza. 
O que fazer? Voltar para o Rio? É, hoje, uma possibilidade remota, pode ser que um dia...
Gosto da minha casa. Gosto de viver nesta casa, do jardim, dos bichos. 
Dan chegou ontem com um gatinho bebê lindo. Não quis ficar com ele, não tenho como dar mamadeira para gatinhos, não aguento cuidar de mais um bicho, casa, plantas e tal. A namorada de Luc levou-o para cuidar, mais tarde eu fico com ele, fiquei encantada com o bichinho. Estava no meio da rua, quase foi atropelado.
L, namorada de Luc, é generosa, melhor que eu, vai cuidar para mim enquanto ele mama. Também seria difícil porque o Dersu e Seinfeld não iria deixar o bichinho em paz. Tenho medo que o machuquem, é muito pequeno.

PS: Não reli para corrigir. Perdoem os erros, apontem- caindo de sono. 












sábado, dezembro 14, 2013

Cenas no hospital




O belo negro

Entrada:
- Seus documentos,Sra.
- Ih! acho que esqueci a carteira da FUSEX...(remexendo a bolsa). Ah! achei.
Olhando o rapaz de farda anotando seus dados:
- Como você é bonito! Que olhos!
- Obrigada, Sra. Pode seguir.
- Digo isto porque não sou mais jovem.
Ganho um sorriso.



Na sala de espera

A sala da frente está cheia, cumprimento a recepcionista, digo o que preciso e me dirijo à sala contígua. Abro a garrafinha de água mineral. O gás explode, molha o chão. Olho para o lado e a senhora gorda finge não ter visto, a menina ao lado me sorri curiosa. Procuro na bolsa lenços de papel para secar o chão.
Abro o livro, leio trechos que reconheço, onde teria parado? Releio desde o início.

Uma figura de preto entra e dá meia volta quando me vê, não vejo o rosto. Reconheço a imagem esguia de minha vizinha da frente.  Vejo os saltos altos e a malinha preta de rodinhas seguirem apressados.
Não a flagrei, tive vergonha.
Na saída da sala da médica, esbarro com ela, que entrava.
Digo: Somos vizinhas de frente, Dra.
Ela: Pois é, que coincidência.
Eu: E não me dá remédio...
...
Hoje pela manhã, na minha varanda havia quatro caixas de papelão com trinta caixinhas do medicamento que uso.
A faxineira:
- Ela deixou tudo isso para não ter que lhe dar aos poucos, não ter que falar.
Penso que está certa.
Já agradeci por e-mail. Amanhã entregaremos uma flor, quem sabe uns lírios.
Na sala do superior

O Sargento relutou em me dar permissão para pegar a receita com a médica. Repetiu várias vezes, enfático:
- O dia é quinta feira, já faz quatro meses que é quinta- feira.
- A última vez que estive aqui, a Dra. disse que estaria aqui nas segundas e quartas.
- Mas o dia é quinta- feira.
Ele pega o telefone e liga para a recepcionista e repete o que me disse.
Eu mostrei que o remédio estava acabando.
Ele: A Sra não deve deixar para vir quando está acabando. Vá até lá e veja se ela lhe atende, vai demorar umas duas horas.
- Não tem problema. Obrigada.
Não demorou nem meia hora.

Tristeza

De volta, na sala de espera, eu choro em silêncio. Não sei bem o porquê. O tom desagradável do sargento, sempre grosseiro me incomoda, fere.
O Hospital lembra meu pai velhinho. Quantas vezes percorri o longo trajeto de paralelepípedo, sob o sol quente, e encontrei meu pai sofrendo, já desmemoriado. Quantas vezes me assustei naquele quarto simples e mal cuidado diante da morte.
O hospital foi reformado, mas o atendimento, com exceções, claro, é muito ruim. Ou éramos mais bem tratados porque o pai era ‘O general’? Quantos generais há por aqui?
Talvez os sargentos enfermeiros continuem melhores do que os da administração. Espero.




O neurologista

Há quatro anos, (seria? Não sei mais.), minha cabeça estava estranha, formigamentos e com pontadas. O neurologista, com sobrenome famoso na cidade- não lembro o prenome- solicitou exame de ressonância magnética.
Ansiosa fui num sábado pegar o exame. No laudo dizia algo assim: Perda de massa encefálica precoce para a idade.
Fiquei aflita, triste, pensava o porque deste processo. Eu que me cuido tanto! Ironias da vida?
Com o resultado na mão fui levar para o médico de sobrenome famoso. Ele estava com um senhor na salinha com a porta aberta. Ansiosa  peço licença, digo bom dia e que trouxe o resultado do exame. Pergunto se há muitos pacientes à minha frente.
Ele disse que eu esperasse no corredor a minha vez, e que demoraria o quanto fosse preciso. Ainda não havia sala de espera confortável, esperávamos num corredor comprido e quente.
Sentei, um homem idoso olhou o meu envelope e disse:
- Estamos com envelopes iguais.
- É mesmo, fiz ressonância no mesmo lugar que o senhor.
- A senhora está marcada para que horas?
- Nove horas.
- Eu estou oito e meia.
- Estou sem pressa, ainda bem.
Neste momento o médico grita olhando para mim:
- Pare de reclamar! Estou fazendo meu trabalho.
Disse mais coisas que não lembro.
- Eu não estou reclamando, estou falando com o senhor aqui.
Tentei me defender.
Ele vem até a porta irado e diz:
- A senhora espere sua vez! Não fique reclamando.
Fecha a porta.
Me viro para as pessoas sentadas e digo:
_ Como vou ser atendida por este homem?
Me ignoram continuam conversando animados.
O senhor idoso diz:
- Ele é assim, mas é bom médico. É grosso mesmo.
Saio de fininho e chorando, encontro o clínico que me atende e me encaminha para sua sala.
Choro muito. Ele diz que eu posso dar queixa ao major. Quando me acalmo vou falar com o superior.
Ele é gentil, me oferece água, mas percebo que não fará nada- (o neurologista é o único do hospital)- apesar de dizer que já recebeu outras queixas e falaria com ele, que também não poderia estar atendendo com a porta aberta.

Lembro que na primeira vez em que fui o médico de sobrenome famoso, mal humorado, disse que fazia clínica ali, mas que era cirurgião e só havia ele nesta especialidade no hospital.
Não voltei nele, o major me autorizou a ir num outro fora dali. Não tinha referência. O médico era muito jovem e disse algumas coisas irrelevantes e me mandou fazer palavras cruzadas, exercitar o cérebro.

De férias no Rio consultei um especialista recomendado por meu ex professor de psicopatologia. Paguei uma consulta cara, mas valeu. Ele me tranquilizou e disse que a perda da massa encefálica provavelmente provinha da depressão.
Jorge Salomão, o ex professor e psiquiatra, me medicou. Não sinto mais esquisitices na cabeça, mas ainda choro, me firo facilmente.
Não gritem comigo, nem falem num tom agressivo, dói muito.



Aos sete anos


Na infância sofri abuso sexual e fui agredida verbalmente de forma feroz, análise nenhuma resolveu- e foram muitas- talvez por eu funcionar bem em tantos aspectos, este passado remoto passa despercebido. 

sexta-feira, novembro 15, 2013

Os ruídos e o dedo roxo







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Semidesperta, ouvi o filho chegar. É feriado. Estava sem chave e tentava abrir alguma janela. Desci com pressa. Chegou com a namorada. Voltei para a cama, me alonguei.

A cabeça pesava quando cheguei à cozinha, havia dormido demais. Há dias não tenho desejo de nada e, à tarde, durmo.

No café da manhã animado,  enquanto tomava iogurte com maracujá, engasguei com as sementes. Ufa! Que sufoco.

Cada um foi para seu lado, sentei aqui, o vidro vibrava com o  vento e incomodava. Levantei para fechar a janela, puxei com força, mas esqueci da mão. A dor foi grande, massageei, coloquei gelo. Ganhei roxo no dedo, ficou feio. Mais tarde, ao manipular cera de depilação, derramei cera quente na mão. Ui! Dor de novo.

Antes das duas da tarde, eu havia me machucado três vezes. Sentei, li jornais, e-mails e vi TV- programas de culinária, canal francês- qualquer coisa- para ouvir- adoro. “Delicatessen” estava sendo reprisado, vi o início que perdera outro dia, não quis rever todo- é triste, ando melancólica.

Anoiteceu, molhei as plantas com receio da cobra de outro dia. A noite tem lua, nuvens de algodão, estrelas e água tépida da mangueira nos pés.


Espero a hora de deitar. Antes abrirei a cortina para que a lua deite comigo.

quinta-feira, outubro 10, 2013

A vida de cabeça para baixo









Há dias minha rotina está de cabeça para baixo. Estamos pintando e restaurando algumas coisas na casa. Passo muitas horas do dia “pastorando”, ( como dizem aqui), os meninos pintores. Além deles, há o eletricista, que está colocando lâmpadas no muro- esqueci de colocar quando fizemos a casa- falta de experiência e, na ocasião, eu estava de luto.
Não quero falar nisto.

Bem, os filhos têm passado os dias fora trabalhando e estudando. Fico feliz por estarem bem, seguindo suas trilhas.

O pintor chefe levou a gatinha Florzinha para a sua casa. Se encantou por ela e eu dei. Era um sufoco passar o dia separando gatos de cão e tal. Ela está bem lá. Dá um pouco de saudade, mas ele disse que ela fica dentro de casa e a outra gata do lado de fora. Comprou uma caixa higiênica para ela- aqui ela urinava para fora, uma trabalheira lavar area de serviço todos os dias. 

Os jovens pintores, (20 e 22 anos), me elogiam o dia todo, dizem que nunca foram tão bem tratados. Têm aspecto de mal cuidados, um deles é estrábico e magrinho; o outro fortinho, olhos cor de mel, esverdeados, com pterígio enorme. Acreditei, quando vi pela primeira vez, que fosse cego daquele olho.

Anteontem, dia 9, não haviam recebido ainda. Depois soube que é falta de organização do chefe- que é uma simpatia, mas disperso demais. Chega diz algumas coisas, some, volta horas depois diz mais umas coisinhas e desaparece. Preciso orientar os rapazes- hoje ajudei-os a tirar a porta da frente, que é de correr, não sabiam como fazer.

Aliás, eu ando ótima para fazer coisas em casa. Acredite, semana passada, minha geladeira nova, uma Brastemp, frost free, foi consertada por mim. Congelou o ventilador, meu filho foi quem descobriu o problema e vimos um youtube que ensinava como descongelar. Tirei placas do fundo do freezer, descongelei e voltou a funcionar bem.
A Brastemp não é mais uma BRASTEMP- esta tem um ano e uns meses. Tive uma que vive até hoje- dei para a ex empregada- é do tempo do Collor e nunca parou de funcionar.

E assim a vida continua. Cabeça na casa, nos filhos e nos agregados. É bom, apesar de dar sensação de falta, de invasão da vida privada. Fazer o quê? Há momentos em que é preciso.
Bye, bye.
Estou com u olho aqui e outro nos surfistas ali no canal51- meu filho, Dan, ama. Acabei curtindo também. Tanto mar, tanto mar...


domingo, julho 28, 2013

A visita matinal





Encontrei novo morador na amoreira.
Fiz várias fotos do novo amigo. É amistoso, não se moveu quando toquei sua calda. Aos poucos, movia-se desconfiado, talvez para me conquistar com sua bela cor e aparência incomum.

quarta-feira, maio 22, 2013

As ruas do Leblon tremem










Passa no jornal da TV imagens de tanques de guerra.

Quando estive no Rio, houve a invasão da Rocinha e de madrugada tanques saíram pelas ruas do Leblon- eram quatro horas da manhã. Fotografei, mas o cartão da máquina pifou. Olhe, eu tenho ótimo olhar, desenho também, e faço boas fotos.
Perdi tudo.
O jovem da casa onde eu estava hospedada chegou a ver, aliás, meus filhos também viram, assim que cheguei, depois pluft! Sumiu tudo. Fiquei com pena. Eram boas fotos, dava para ver até o relógio digital da esquina da Rua Bartolomeu marcando a hora.
É impressionante o barulho que eles fazem. Assustador. Não lembrava mais- fui a alguns desfiles militares com meu pai, quando menina- em Curitiba, meu pai era militar e vibrava com o exército.
Estes dias amanheci com o radinho subjetivo tocando o Hino da Soldado- pensei: "Só pode ser coisa do meu pai". Lembranças dele que ficaram. rs

"Nós somos da pátria amada..."

Urubus, cães e gatos- crônica



https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhaxPf5YUZMEeK3EksKcBdrorWqunnn9CN39AIDmToc7IHaUyvcEloOtNj-N6vP3BqlRct4K5OVjk5MUjZQ2-ynOlE4f8L8ao8RMMkeFcfu_jFwEtDQ1FApFOqsk12THJuvmg5F5w/s1600/animais-urubu-da21db.jpg





Outro dia, Zé Miguel, que é o faz tudo no condomínio, olhou para mim, de alto abaixo, e disse: - D. Elianne, a senhora está mais forte. Está de férias? Benzadeus! Tive que rir- odeio ser gordinha, realmente estou com um ou mais quilos- os braços e peitos aumentam logo- M! Dei um tempo no Pilates por causa da cirurgia- agora melhor voltar no início do mês.

A faxineira, que chama o Dersu de Zona sul, ontem quando o viu, disse: - Seinfeld! Rimos muito porque Seinfeld é o gato e ela nunca havia acertado o nome. Chama-o de outros nomes, Chambinho, ou coisa parecida.
Ontem queixou-se muito da casa grande. repetiu muitas vezes, que precisava sair na hora- sempre mando-a sair às cinco, mas se enrola- passa pano na casa mais de uma vez e tal. Digo para deixar a varanda- lavo quase todos os dias- mas, não, é obsessiva, TEM que fazer. Como falou que aqui é longe e tal, vou deixá-la à vontade para ir embora. Tem outras faxinas em lugares menores para limpar- ‘apertamentos’ – e fico com pena dela- tem que voltar correndo porque a mãe está com Alzheimer e não está fácil- foge. Na casa eu a ajudo muito, mas, quer fazer tudo num dia. Bom, até sugeriu que eu me mudasse. Da janela mostrou um prédio em construção e disse que vai ficar lindo rs. Pode ser que eu canse da casa, mas atualmente estou curtindo os espaços todos- inclusive o jardim.

Ontem vimos nas dunas urubus fazendo sexo. Abrem as asas enormes em movimento- íamos filmar, mas acabou a corte logo, foi rapidinho, ou eu vi quando estava no final. Dan riu muito. Seriam urubus ou abutres? Muito grandes.

Pois é, a grama amanheceu cheia de mini formigueiros, ainda não sei se é- o Zé Miguel acha que pode ser reação a algum produto que o jardineiro possa ter colocado- cortou estes dias a grama. Tomara.

Sonhei com Sônia Braga, misturando a sua imagem com a de Gal Costa... um sonho perturbador. Ontem a atriz, se comunicou comigo no FB- ela faz isso com todos que dizem algo lá.

Nosso PC perdeu a placa de vídeo- compramos outro computador. Meu laptop está sem querer pegar a conexão. Não vai dar para comprar mais nada este mês. Estou escrevendo aqui e sofrendo para entrar na internet- uso o dos meninos quando não consigo aqui.

Podem mandar energias positivas, viu?

quinta-feira, maio 16, 2013

Alain Delon, nostálgico





"O célebre galã francês reconhece que é um homem nostálgico que frequentemente olha para o passado e diz que não teme a morte porque é a única certeza de uma existência, que agora gira em torno de seus netos e seus filhos. "O mundo atual não me agrada demais. Nada me excita realmente e eu era uma pessoa apaixonada. O que me falta é vontade, paixão. Mas vou despertar, talvez", declarou. Alain Delon"

Ele poderia estar atuando.  Mundo cruel. velhos não têm espaço- apenas uma minoria.

Infelizmente, sinto o mesmo. Procuro curtir os filhos, as plantas, o trabalho. Não passo o dia à toa- não paro- apenas descanso e volto às atividades- mas não vejo graça, nem há mais paixão em mim.

quarta-feira, maio 08, 2013

Rir é o melhor remédio:

Rir é o melhor remédio:






I

Outro dia sai do consultório às 22 hs. Como fiz a cirurgia nos olhos, ainda estou muito sensível à luz, uso óculos escuros quase o tempo todo.
Dez da noite, só há os seguranças no prédio. As luzes das lojas estão apagadas, todos se foram. Subo uma escadinha em direção ao pátio- que tem iluminação- onde está o carro e digo para o rapaz:
- Que escuro que está hoje! (Imediatamente percebo que estou de óculos escuros- mas não digo nada- o segurança se dirigia ao portão para abri-lo. Deve ter rido sozinho, como eu.).

II

Ligo para a lojinha que entrega água mineral em casa, digo:
- Bom dia! Pode me mandar duas águas H. Stern? (Percebo o erro e corrijo):
- Dois garrafões da Ster Bom*, por favor.
E fico rindo sozinha. O moço do outro lado nem sonha o que é H. Stern.

Rs ai ai Só rindo da minha maluquice.

* Empresa que fornece água e sorvete aqui em Natal.

quarta-feira, abril 03, 2013

Preconceito e medo




Outro dia eu estava no Hospital do Exército esperando, quando uma Sra. que limpava o chão, me disse algo sobre como o mundo mudou, como na juventude dela havia mais respeito, as pessoas eram mais solidárias... Ela vinha conversando com outra Sra. que seguiu, ela continuou na minha frente, como se falasse sozinha.
Um cidadão sentado ao meu lado, com cara de interiorano- chapéu da cangaceiro- disse: - E você não - Sabe por que o mundo está assim?
Ela continuou falando, contando que educou os filhos com dignidade, que a respeitam, que fazem universidade- eu respondi que os meus também e tal.
O homenzinho repetiu:
- E não sabe por que o mundo está assim? (desta vez irritado).
Nós o ignoramos- eu sabia que vinha bíblia no papo e ela talvez adivinhasse, pode ser que já o conheça. Ele então, sem ser convidado a entrar no papo disse:
 - É o diabo! É o diabo! Senti uma energia tão ruim, que mudei de cadeira- juro.

A mulher seguiu com seu carrinho limpando o chão brilhante.

terça-feira, abril 02, 2013

Dias de iguana








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Os dias têm sido diferentes, num ritmo mais lento. Preciso cuidar dos olhos, não posso fazer exercícios físicos, nem baixar a cabeça- recomendações pela cirurgia das cataratas. Não pensei que estivesse com estas teias a me tomarem. Quando o médico disse, fiquei um pouco surpresa- levei quase um ano para voltar lá- ele havia dito que estava no início. Há anos tenho sentido dificuldade para ler, cada vez lia menos, difícil enxergar letrinhas de embalagens, bulas, então, impossível- lia na internet- santa net.

Pode ser que tenha piorado pelo excesso da telinha, há muito meus amigos estão longe e me comunico por aqui, mais do que aqui na terra. Poderia rir, mas isto me entristece. O interessante é que fiz amigos- poucos aqui- e eles se vão. É de doer. Se eu não tivesse os dois filhos amados aqui perto, viveria numa solidão de dar dó.

Por que vim para cá? Muitos perguntam. Porque os irmãos estavam todos aqui, inclusive meu pai, que faleceu dois anos depois que cheguei. Vim em 2002- dezembro. O que me salva além dos filhos? O meu trabalho, que eu amo. Sou muito feliz com a psicanálise. É um dom maravilhoso, ver as pessoas crescerem, serem mais felizes porque você está ali, atenta, ouvindo-as, ‘lendo’ cada uma além do que é dito. Tentando chegar mais próximo do seu desejo. É ali naquele ‘silêncio’, penumbra, que me sinto mais inteira.

Mudando da água pro vinho. Outro dia meu filho, Dan, saia para surfar e eu disse: Gosto tanto de praia... O outro completou: A mãe tem amor platônico pela praia. Eu: Acho que todos os meus amores são platônicos. E rimos. Atualmente são. É pra rir ou chorar rs. Fui à praia durante muitos anos. Quando morava em Cabo Frio. Mocinha, só íamos nas férias porque era muito deserta e perigosa. Esperávamos os amigos chegarem de fora para irmos: Carlinhos, César, os paulistas... eram muitos. No Rio fui muito também com Marilda. Se tivesse sol e pudéssemos ir, íamos- ela chagava cedo, eu só depois da duas horas- acordava tarde e nunca suportei sol forte. Ela torrava, ficava negra. Marildinha...se foi cedo- droga de vida- ou de morte, que levou tantos amigos antes de mim- dirão: Ainda bem, pero... dói. Também em Cabo Frio tinha poucos amigos. Penso que eu tive uma educação que acabou me fazendo diferente: lia muito, era muito quieta, triste, nunca gostei de beber, de perder o controle.

Pois é, dias lentos e sem sol. Numa das amoreiras mora um iguana- quero que fique meu amigo. Ontem tentei lhe dar uma amora, mas fugiu. Procuro e a encontro com dificuldade, está camuflado- é verde como as folhas, que ele come. Eu como as frutinhas, ele as folhas. A amoreira que o síndico detesta. Está enorme, puxamos para dentro do jardim os galhos, amarramos- são bem flexíveis- já nos deixa menos devassados- a sala não é vista de fora como antes pelos vizinhos. OK. Quem iria ficar a olhar? Ninguém. Mas prefiro assim. A cortina é leve demais, passa luz e imagem à noite.

Até breve, amigos, espero retomar o blog- também amo blogar e vocês me fazem bem. Hoje tenho menos leitores, mas não importa, é bom escrever aqui. Bye e boa semana para vocês.




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"O doodle - grafismo em homenagem a personalidades ou datas comemorativas - do Google desta terça-feira, 2 de abril, presta homenagem ao 366º aniversário de Maria Sibylla Merian, naturalista e ilustradora científica que se dedicou a estudar plantas e insetos, fazendo pinturas detalhadas sobre eles.
Maria Sibylla Merian nasceu em Frankfurt em 1647. Em 1675, aos 28 anos, publicou seu primeiro livro, intitulado "Novo livro de flores", em que ela reproduz de forma detalhada apenas flores. Dois anos depois, Merian publica os dois últimos volumes da obra."

Muito legal!

domingo, fevereiro 24, 2013

Um anoitecer estranho






Estranheza. Acampamento militar na mata- que não é densa, mas é o que temos aqui.
Estranho ter soldados em treinamento tão perto. Ouço tiros- de verdade? Penso que não. Ontem à noite vi barracas iluminadas, ouvi som de marcha e vozes masculinas.
Tomava sol no quintal há pouco e ouvi tiros em meio ao vento devastador. Senti medo, não dos tiros, mas de telhas. O vento sul, quando vem levanta saias e leva telhas.
Hoje não vi as vaquinhas...

sexta-feira, fevereiro 08, 2013

O que fazer com os pés de romã?

By Danton Reis



Faz calor. Venta, sim, mas o calor é intenso. Acordo cansada, me alongo e demoro a levantar. Por que tanto cansaço?
A ajudante doméstica se foi inesperadamente disse que iria em breve- dispensei na hora- foi injusta, teve ganhos extras inumeráveis. Foi fria e lacônica. Foi. Ela dizia na hora de sair: Fui.
O trabalho ficou comigo, nada de faxinas- porque já tenho uma querida faxineira que conheço há muitos anos- mas há sempre algo para fazer, a casa é grande, temos dos gatos e um cão e o jardim. Ah! Dan ama plantas, pero... os filhos são jovens e não disciplinados, apesar de todo meu esforço- temperamento é difícil mudar.
O jardim tem me tomado muito tempo, com todo este calor é preciso molhar mais, cuidar mais. Hoje passei o dia, fora a hora de sol a pino, por lá. Arranco grama, planto, replanto. Hoje foi dia de achar lugar para goiabeira, pé de romã, pé de lichia. Arranquei pés novos de tomates- dá trabalho e já tenho um tomateiro que está dando uns tomatezinhos.
O terreno não é grande, o condomínio não deixa plantar árvores altas na frente- o síndico tem me chateado para podar uma amoreira que tem 4 anos e está firme e forte e dando frutos o tempo todo. Eu dou uma podada, mas não como ele quer- reclama, fala com o funcionário do condomínio para vir podar, ele me conta. Tivemos a ideia de puxar os galhos que ficam sobre a calçada, para dentro do jardim, com algo forte- fios de metal, sei lá.
O Carnaval vai passar em branco. Promete muita jardinagem e um bom solzinho para bronzear, além de apreciar com prazer e orgulho os primeiros desenhos aguados de meu filho Dan.
Ando muito fechada, sem vontade de sair- apenas para Pilates e trabalhar. nada lá fora me estimula.
Não há lugar algum que me dê vontade de ir. Pode? Calor excessivo também. Sem vontade de me abrir mais, até escrever... sei lá, passou o desejo de me expor mais. OK estou me expondo, mas... não sei se entenderam. Bye, fui :)




Já tomaram açaí com romã ou maracujá(sementes)? Uma delícia inenarrável, como diz a Scarlet Moon.


domingo, janeiro 27, 2013

A vida como ela é




















Desenho de Danton Abreu



Os meninos foram à praia- desenhar- um arquiteto daria aula de aquarela na Praia do Morro do Careca- não fui, estava com dor de cabeça e também porque jovens não cansam, e eu iria querer voltar antes- 15 hs e ainda não voltaram- foram num grupo de uns seis jovens.

 Passei a manhã cuidando do jardim e tomando sol- uma tristeza me invadiu, senti saudades de um amigo, respirei fundo, pensei nos filhos tão saudáveis e segui. Na hora do almoço liguei a TV e soube da tragédia na boate em Santa Maria.
É...mesmo com sua vida em paz, há coisas que nos tocam profundamente- ai, a vida... e a mídia explora a dor das famílias, é doloroso demais- coloquei num filme sobre jazz e blues para me distrair, enquanto escrevo. Tenho sono, tomei vinho no almoço.

 Nasci pertinho de Santa Maria, nunca estive lá- sai com 2 anos e não voltei. Pai militar, não sinto vínculo nenhum com o RS. Gosto de alguns gaúchos, gosto de Brizola- acabo de ver um documentário sobre ele hoje no Canal Brasil: “É tudo verdade”- sinto falta dele, de Darci... fico feliz por termos sido contemporâneos. Geração interessante, marcante- não conheço nenhum outro político como o velho Briza- e era charmoso... a família está minguando... alguns netos seguem o avô, mas não têm o carisma.

 Ontem vi um filme de Truffaut, “Um só pecado”, não lembrava, acho  que nunca havia visto, senão lembraria pelo tema e pela atriz- Françoise Dorléac faz a amante de um escritor, um intelectual, escritor famoso. O filme é tenso e tem final trágico. Não gostei muito. A estória é comum e o filme, bem dirigido, claro, incomoda pela tensão que nos provoca. Ponto para Truffaut. Françoise morreu aos 24 anos... de acidente. Putz! É muito triste. Fez quatro filmes- dois com a irmã, Catherine. A morte sempre presente, sonhei com meu pai, com um tio querido que morreu há muitos anos... O filme do Truffaut também acaba com um tiro certeiro. É a vida como ela é.

sexta-feira, dezembro 21, 2012

O ano 2012 se foi e o mundo não acabou...



Daqui




Uma notícia me aliviou a tensão. Poderei passar o Natal em paz. Não posso revelar aqui rs.

Hoje peguei sol no quintal lendo o livro do Eduardo Lunardelli- é gostoso de ler porque conheço algumas pessoas citadas e rola umas fofocas- tipo: "fulana foi grosseira comigo e deixei de visitá-la" e eu sei quem é. Comigo nunca foi grosseira, as eu fico com o pé atrás- detesto grosserias. Mas, não se enganem, há muito mais elogios a blogs do que comentários pessoais e é muito interessante porque reproduz um blog. Bom para quem não conhece.

Ele não conta o que eu lhe contei, rs, um babado grande- alguém que se enamorou por mim e ele sabe quem é. Tudo bem se enamorar- até me lisongeia, pero... mejor no narrar... A história é minha e o livro é dele, né? E ha coisas que é melhor guardar para si. Coisas do mundo virtual- equívocos.

A vida anda leve depois de um ano tenso. Ano que sinto meio perdido, nada importante o marcou. Meus projetosforam adiados... a prioridade, ou a atenção era em outra coisa- tensão constante- pressão mais alta. A pressão arterial voltou ao normal-não passa de 13 e constantemente está em torno de 11, o que era habitual.

Não gosto de festas natalinas- não gosto de festas forçadas, obrigatórias. Sou rebelde, nunca gostei de rebanhos.

Enfim, o mundo não acabou... fico pensando nas pessoas que acreditam nestas coisas. Deusmeu! Século XXI!

Se eu fosse mais otimista diria que como todos nós pensamos no fim do mundo- brincando ou não- poderíamos ter saído desta reflexão melhor, desejando fazer algo para mudar o que acreditamos estar errado- tipo: consumismo em excesso, descuido com o planeta e desiguadade social.

Será que pensamos nisto? sei não. Somos todos tão narcisistas e egoístas!