Uma coisinha à toa
Quando ela disse que
estava apaixonada por ele e se casariam-
foi leviana ou pueril? Não sei... , meu coração disparou.
Por
minutos enlouqueci. Poderia dizer qualquer coisa naquele momento,
estava louca. É possível estar louca num minuto e no outro lúcida?
Eu sou assim, louca e lúcida. Como sou racional! Qualquer amigo
endossa isto. "Ela
é razoável sempre",
dirão.
Estão certos, não me deixo enlouquecer. Como?
Ora, eu respiro fundo e me distancio. Vejo à distância aquilo que
me afogou por uns segundos. O ar fresco me salva das bobagens que
poderia fazer. Sou salva de mim mesma.
Sinto-me ridícula
enciumada, absolutamente idiota, envergonhada, a própria tola.
"
Não poderia ter ciúmes dele",
você poderá pensar, afinal... não somos nada, e nada é nada,
ponto final.
Mas onde o ponto final? Quem disse que no
amor imaginário existe ponto final? Ele está colado a mim. Outros
poderão vir, colo por cima, ele fica embaixo, escondido, guardado.
Quando um amor descola, o de cima, lá vem ele de novo perturbar meu
sonho. Sonho com ele, sonho com o outro, sonho com rostos conhecidos.
Nunca um homem estranho- aquele que poderá vir a ser. Não,
absolutamente, eu sonho com os que já estiveram no meu colo, aqueles
que me amaram ou desejei amar.
"Por que digo
estas coisas?", você pensa. Para deixar a loucura de lado.
Lá,
na água, onde estive esta manhã, deixei algumas lágrimas. Elas me
aliviam, chorei para mim, elas me dizem: Por que está a sofrer?
Deixe isto de lado, é só uma coisinha à toa.
As
lágrimas confirmam minha dor, mas o que narro, agora, conta a
minha história.
Narro
para não sofrer. Ou narro para viver.
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