terça-feira, fevereiro 04, 2014

Carta de amor de Richard Burton para Elizabeth Taylor










Daqui.


June 25, 1973

So My Lumps, 

You're off, by God! 

I can barely believe it since I am so unaccustomed to anybody leaving me. But reflectively I wonder why nobody did so before. All I care about—honest to God—is that you are happy and I don't much care who you'll find happiness with. I mean as long as he's a friendly bloke and treats you nice and kind. If he doesn't I'll come at him with a hammer and clinker. God's eye may be on the sparrow but my eye will always be on you. Never forget your strange virtues. Never forget that underneath that veneer of raucous language is a remarkable and puritanical LADY. I am a smashing bore and why you've stuck by me so long is an indication of your loyalty. I shall miss you with passion and wild regret.

You may rest assured that I will not have affairs with any other female. I shall gloom a lot and stare morosely into unimaginable distances and act a bit—probably on the stage—to keep me in booze and butter, but chiefly and above all I shall write. Not about you, I hasten to add. No Millerinski Me, with a double M. There are many other and ludicrous and human comedies to constitute my shroud. 

I'll leave it to you to announce the parting of the ways while I shall never say or write one word except this valedictory note to you. Try and look after yourself. Much love. Don't forget that you are probably the greatest actress in the world. I wish I could borrow a minute portion of your passion and commitment, but there you are—cold is cold as ice is ice.

domingo, fevereiro 02, 2014

Phillip Seymor Hoffman em Before the Devil Knows You're Dead (2007)





Tristeza pela morte deste ator fantástico.

O cinema ficou mais pobre hoje, Phillip e Eduardo Coutinho morreram de forma trágica.

Deixem um vácuo em todos nós.

terça-feira, janeiro 28, 2014

Caetano Veloso- "A grande beleza", "O som ao redor" e superstição







Acho que 'O som ao redor' é um filme superior a 'A grande beleza'. Mas só sei que, se ele fosse reconhecido na realidade do mainstream do cinema mundial (Oscar etc.), algo do que sonho estaria pondo a cabeça de fora


Vi “A grande beleza” numa “sala de arte” da Universidade Federal da Bahia e fiquei quase o tempo todo emocionado com as imagens de Roma e a língua italiana ecoando no cinema. Era como retomar a minha vida. Eu vi “La dolce vita” umas dez vezes no cine Tupy, na Baixa do Sapateiro, quando eu mal tinha me mudado de Santo Amaro para Salvador. Anos depois, ouvindo de Bernardo Bertolucci, em Londres, que a língua italiana não era apropriada para o cinema, reagi quase indignado: ouvir pessoas falando italiano num filme fazia com que as imagens ficassem visualmente mais bonitas e o ritmo de seu fluxo mais interessante. Hoje encontro vários jovens para quem as imagens e situações cinematográficas perdem todo o sentido se não vêm acompanhadas da língua inglesa. Eu próprio às vezes me surpreendi estranhando sequências fílmicas só porque os atores falavam russo ou parse. Mesmo o francês e o italiano, tão frequentes nos filmes que vi em minha juventude, já chegaram, em tempos mais recentes, a retirar a credibilidade das histórias que as imagens tentavam contar. Às vezes, diante da TV ligada no Telecine Cult, me vi estranhando cenas só por não serem acompanhadas dos sons da língua dos cinco olhos. Quase me identifiquei com o americano médio, que não consegue ver filmes legendados. E agora quase digo que é felizmente que, embora fale inglês, não acho fácil entender o inglês falado. Vi filmes franceses e italianos (além, é claro, de russos, gregos, turcos, iranianos, chineses, coreanos e japoneses — além de pelo menos um tailandês) nos últimos anos. Mas a frequência (e a competência em manter fórmulas eficientes) do cinema de Hollywood tem dominado tanto que sempre foi com algum estranhamento que os absorvi.
“A grande beleza” me trouxe de volta ao prazer imediato do filme falado em italiano. Me lembro de amar as falas nos filmes de Fellini, mesmo dubladas (há uma cena em “O cinema falado” na qual faço Dedé dizer que aquilo é “tudo fora de sinc, mas tem magia”, algo assim). A semelhança buscada e conseguida por Paolo Sorrentino com o mundo felliniano (freiras onipresentes, cardeais mundanos que frustram expectativas de orientação espiritual do protagonista, santos grotescos mas reais e festas de aristocratas e burgueses entediados) proporcionou uma verdadeira atualização da experiência de assistir a um novo filme de Fellini, mantendo toda a atmosfera daqueles que o mestre criou a partir dos anos 1950 do século passado, só que com smart- phones, Instagram e música eletrônica. Talvez eu não tenha conseguido gostar da fala final do protagonista, mas o tom de comédia melancólica, de farsa amarga, e a cor das paredes de Roma me trouxeram de volta ao encantamento de seguir diálogos em italiano com todo o coração.
E é mais do que significativo que isso me tenha acontecido estando eu na Bahia.
Meus 18 anos. Um futuro para além de Hollywood e dos então apenas intuídos cinco olhos (eis um tema atual que me obsessiona). Um eco do neorrealismo visto em Santo Amaro. Um amor intenso pela imagem em movimento embalada pelos sons. Não se pode imaginar o quanto sentir renascer tudo isso em mim é importante. Salvador parece que foi destruída. Prédios feios e crack. Violência e vulgaridade. Mas não: ouvi as palavras italianas com sotaque napolitano e romano adornando imagens misteriosas e a esperança se renovou. O filme parece aquele gafanhotinho verde que pousou em mim no carnaval de 1972, quando voltei do exílio — e que tanto desgostou Roberto Schwarz. Sou incapaz de perceber como kitsch o episódio de “Verdade tropical”. E a visão do filme de Sorrentino me apareceu como um momento semelhante àquele. O que espero? O que quero com tudo isso? Com tantas canções feitas às pressas — exatamente como nosso grande mestre Dorival Caymmi desaconselhava que se fizesse — e tanto pensamento desorganizado? O que quero dizer? O que as forças que me interessam serão capazes de fazer surgir no mundo? Quão ridícula é minha superstição?
Acho que “O som ao redor” é um filme superior a “A grande beleza”. Mas só sei que, se ele fosse reconhecido na realidade do mainstream do cinema mundial (Oscar etc.), algo do que sonho estaria pondo a cabeça de fora. E só continuo sonhando assim porque vejo gafanhotinhos e um filme como “A grande beleza” em plena Bahia. Um dia desses, vou me sentar, parar para pensar e escrever longamente sobre o que está por trás do que estou querendo dizer aqui. Tenho que ter muita paciência comigo mesmo (sem falar nos malucos que escrevem na internet). Ter visto esse filme aqui agora (apesar do ar-condicionado criminoso) me leva até este estágio.

Outra opinião sobre o filme está aqui, é de Matheus Pichonelli

domingo, janeiro 26, 2014

O culto da urgência- Daniel Lins











"A embriaguez da urgência leva a um vício do qual é difícil se libertar, que finda por contaminar a saúde"

O ritmo desenfreado adotado pelo mundo dos negócios, a urgência induzida pelo cálculo de rentabilidade, o caráter evasivo do que se tornou norma social dominante instauram um clima de velocidade artificial permanente.
Platão fala da histeria de advogados correndo contra o tempo, como escravos, para emplacar seus discursos enganadores. À urgência artificial, o filósofo opõe o tempo do diálogo. Tempo “inútil”, artes, culturas, filosofia: riquezas da civilização.







Urgência, em grego, askholia, é uma palavra negativa, que esvazia o prazer, sufoca o desejo, impõe um cansaço de fim de mundo; tritura o bem-estar, encontros fortuitos e acasos inventivos. Adeus ao corpo, à sociabilidade, às sexualidades transeuntes. Adeus à família, aos cafunés. Adeus à ética dos afetos. 

A urgência, como promessa de lucro ou enriquecimento mágico, tem seus efeitos perversos, flerta com a depressão e desejo suicida. 

Esgotamento, estafa permanente eram até os anos 1970 caça privada das elites, dos “donos do poder”. Em 1980, a exaustão impõe-se como projeto para todos, embora uma ínfima minoria participe da riqueza produzida, resultante da urgência generalizada, capitalizada, tornada mais valia.

A empresa é um novo Deus. Lucro, sucesso, desenvolvimento, promessa de um mundo melhor, eis o evangelho empresarial. O tiro, porém, saiu pela culatra: esse tipo de desenvolvimento não produz progresso social, todavia, lucros fabulosos para alguns, e migalhas para a maioria. Não é o Brasil a “6ª potência do mundo”?

Imposta como norma social, signo exterior de prestígio, a urgência é declarada voluntária. Na realidade, é uma visão contemporânea da servidão voluntária – terceirizados, bombeiros, jovens estagiários, juízes, jornalistas, médicos, professores: mesmo combate? Políticos, cães de guarda do estresse, gestores de licitações apressadas, assinam projetos em estado de urgência, geralmente executados com atraso...

No fundo, todos são levados ao menor denominador comum: a unidade do tempo. Nunca a expressão “Tempo é dinheiro” se revelou tão exata, basta ver a urgência, em forma de gozo déspota, como o aumento irresponsável do IPTU foi deliberado à população dividida. Cabe observar a cota de desaprovação ao prefeito atual, e lembrar que ele governa para aproximadamente 52% dos eleitores, numa denegação radical da quase metade que votou contra seu projeto. 

O desejo de controlar o tempo e de se sentir todo-poderoso, o prazer gerado pela adrenalina é compreendido como a capacidade de se superar e gerar a urgência. Eis porque muitos se engajam em um túnel para alcançar o sucesso almejado. A embriaguez da urgência leva a um vício do qual é difícil se libertar, que finda por contaminar a saúde, o meio profissional, que aceita sem queixas os lugares subalternos da hierarquia. 

Não é mais uma luta de classe, porém, de lugares!

Foucault: “Esta repressão do tempo e pelo tempo, é uma continuidade entre o relógio da empresa, o cronômetro da cadeia e o calendário da prisão”.

Daniel Lins 

dlins@hotmail.fr

terça-feira, janeiro 21, 2014

sexta-feira, janeiro 17, 2014

A flauta e a amoreira










Cotidiano 

Janeiro 2014

Ontem fiz algo que deveria ter feito há meses, fui cancelar débito automático no Bradesco. O gerente é um jovem educado e gentil- como deveriam ser todos. Cheguei pensando em cancelar a conta- uso pouco- meu filho insiste para que fique no B.B., apenas, acho melhor não, o B.B. é um mundão, Bradesco aqui, depois refleti sobre, precisa disputar espaço- esta cidade é de funcionários públicos, descobri há algum tempo- todos querem passar em concursos ou já são concursados, a minoria somos nós- profissionais liberais.
Cheguei da rua ontem, lavei o carro- atividade que gosto- e podei árvores. Meu braço dói um pouco, mas eu adoro, é como cortar cabelo. Entrei para o banho e resolvi dar uma aparada no cabelo- também sinto prazer em. Ficou ótimo. Já fiz antes, da primeira vez cortei pra valer e direitinho, acredite! Quando fui à cabeleireira ela disse que estava OK, apenas aparou.
Enquanto cortava galhos da amoreira, Zé Miguel apareceu para pegar o lixo. Disse, pela enésima vez: A Sra deveria cortar mais deixar retinho em cima. Eu retruquei que gosto assim, ela descabelada como Elba Ramalho. Ele diz rindo: está igualzinha mesmo. Depois que ele subiu cortei mais- para que ela cresça melhor, estava linda com galhos até o chão, mas... quanto mais se corta, mais fortalece, dizem. Sou jardineira intuitiva, não sei nada. Enquanto cortava comia frutinhas.

Hoje ele veio pagar os galhos- o vi na grama. Fiz um sinal de positivo de dentro da casa. Logo depois apareceu Canindé, o jardineiro que vem cortar a grama uma vez por mês. Adora um papo. Veio pegar a pá emprestada. Contou que uma cliente, que é ginecologista,- explicou com detalhes, que ela conversa com ele assim como eu-  disse que boldo ofende o organismo. Será? Seria boldo? A minha família toma esta erva há anos, meu pai usava, meus irmãos usam. Ele disse que vai para o sangue e tal.
Mostrou umas mudas que plantou aqui outro dia, eu não tinha visto. Repetiu umas três vezes o nome, não adiantou, eu não entendi. Tenho dificuldade enorme em entendê-lo e ao eletricista. Me dá aflição. São do interior e falam para dentro e rápido.

Esta madrugada baixei no lap top vários filmes- os candidatos ao Oscar, aqueles que ainda não vi.  Hoje vou começar a ver. Gosto de ver depois do almoço, senão o sono me pega.

Trabalharei apenas à noite e amanhã meio dia. Queria trabalhar mais, me faz muito bem.
É estou só em casa com os bichos. Um dos filhos dormiu fora, o outro saiu cedo.

Faz calor
Uma flauta toca ‘Asa branca’
Uma criança chora
Um cão late
A janela vibra

Venta

segunda-feira, janeiro 06, 2014

A vida e sonhos. Qual o sentido da vida?















Sonhei com um ex namorado, A.- o primeiro de verdade, aquele com quem poderia ter casado, não fosse a minha imaturidade ou neurose, desejo de ser livre, sei lá. Tentava lembrar a primeira vez que o encontrei, via uma cena, ele era diferente, mais alto.

Em outro sonho, na mesma noite, C. M. entregava-se à morte, como se naquele momento não precisasse mais viver, me libertava, matando-se. Eu chorava e perguntava: Quando, como, por quê? Alguém respondia que saiu na capa de uma revista semanal, que eu olhasse. Acordei chorando. Ele está morto, se foi em 2008- câncer.
Será que meu coração está livre?

Esperei meio dia para ligar para A. - hoje é seu aniversário- dia de reis. Contei o sonho, lembramos dos primeiros encontros, da peça Hoje é dia de rock, A China é azul.

O e-mail da amiga distante contando o que sentiu na primeira noite de Natal sem a mãe, me fez bem, gostaria que estivesse mais próxima, mesmo longe- tantos anos juntas, confidenciando, trocando.

À noite M., uma amiga querida, telefonou. Falamos de nossas vidas, ela com o marido na cama, dependente.
Contei do anel, que não era diamante, mas não quebrou o encanto porque já não havia. Rimos, era o que podia- se esperar daquele que me deu.
Qual o sentido da vida? Ela se pergunta. Por que a doença dele? Acredita que há mais além da nossa vida terrena- se não como sobreviverá? Como viver sem sentido?
Meus filhos estudam filosofia, falam sobre estas questões. Contei.

Ontem conversei com uma amiga com quem não falava há muitos anos, mais de 20. Teve câncer. Moça linda, inteligente, rica. Esteve casada, como eu, por pouco tempo, tem uma filha bonita e saudável. Ela ainda está em tratamento, - exames a cada três meses-, retirou a mama. Fez piada sobre isto. Me alegrou falar com ela, rirmos juntas. Deu saudades.

Qual é o sentido da vida? Por que alguns morrem cedo, adoecem? Minha doença é na alma, não, minh’ alma não é pequena, mas triste, mesmo com pequenas alegrias.

O amigo de além mar enviou uma agenta de uma artista plástica lusitana. Me alegrou.


PS: Não reli- sono.

sábado, janeiro 04, 2014

E a vida segue...






Dias movimentados. Desde a véspera do Natal tivemos convidados cinco vezes. Para quem vive quase isolado, é muito.

A noite do dia 31 eu jantei com uma amiga- fiz uma ceia, e depois que ela foi dormir, lá por onze horas, eu, morrendo de calor, entrei na banheira e fiquei no escuro pensando, quase dormindo. Fui para a cama e uns quinze minutos depois começaram os fogos. Levantei, olhei a janela, estavam espaçados, em vários condomínios. Voltei a dormir. Um dos réveillons mais estranhos, porque eu estava sem emoção alguma. Não senti nada, a TV estava ligada e eu, na hora dos fogos no Rio, estava dando comida para o Dersu. Desliguei a TV sem lamentar, alheia a tudo. Não tenho mais expectativa nenhuma em relação à tempo marcado- balela. Acho que a frieza vem da ausência do outro- do amor- ele se foi, não tenho mais em quem pensar na hora da virada- que virada? Bobagem, acho que os jovens devem festejar, é legal, o rito de passagem de um ano para o outro, os planos, os beijos à meia noite. Passei disto.

No dia seguinte teve almoço com filhos, mãe, irmã. Foi bom. Comida gostosa, vinho bom. Sem conflitos, sem dores.

Ontem meu filho Dan  trouxe amigos para um jantar com comida japonesa- fiquei super orgulhosa, caprichou, fez tudo que aprendeu num curso. Como ajudante um amigo muito querido dele A., superaram minha expectativa, ficou delicioso.

Estou cansada, mas feliz com as visitas. Amigos meus e dos filhos. Encontro com Gustavo de Castro, sempre amoroso- pena que viva longe. Os meus queridos, quase todos, estão longe. Trouxe 2 livros para mim, poemas, ele é poeta dos melhores, preciso ler. Ando com dificuldade para, espero que o conforto daqui do escritório facilite. Sinto que algo mudou, eu me sentia meio peixe fora d'água, sem meu espaço. Escrevia na sala, não gosto- além de mais quente, fico mais dispersa lá.

Uma alegria íntima foi arrumar meu escritório- estava em desordem desde o ano passado, primeiro virou quarto de minha mãe, depois o filho que faz arquitetura se apossou para fazer trabalhos, maquetes, então vieram os pintores. Tudo no chão, poeira. Prometeram arrumar, mas ninguém teve tempo- eu arrumei. Estou com dor no pulso, misto de pancadas para abrir as janelas- emperradas pela pintura- com pegar livros, penso eu.
Mas consegui. A faxineira ajudou a colocar um sofá que sobrava na sala, coloquei uma poltrona. O escritório ficou uma delícia- falta consertar o bureau e a luz. Aqui é tão ventilado, venta tanto, que às vezes é preciso fechar a janela, deixar que entre apenas pelas venezianas.

Estou com sono resistindo para dormir mais tarde.

Os filhos foram a um casamento- quase não vão- os amigos ainda não entraram nesta de casar. É melhor, aqui casam muito cedo.

Preciso mentalizar um projeto para este ano- ano passado foi um desastre, fiz muito pouca coisa relevante- além do trabalho, claro, no consultório que me satisfaz muito.
A verve de escritora ferve e eu não escrevo- tenho ideias, escrevo na mente e não coloco no papel. Outro dia percebi que o que mentalizo é pesado, triste, talvez eu queira fugir disto. O Facebook nos faz mais superficiais, ali agrada quem é gracioso, fala coisas leves. A superficialidade venceu. Também gosto de futilidades, me distraio com bobagens, mas sinto falta de textos densos. 

O A., amigo dos meus filhos, sentou aqui no escritório comigo e contou que está a ler(como dizem patrícios e eu adoro dizer), Garcia Marques, O amor no tempo do cólera. Mostrei os meus exemplares aqui- tenho em português e espanhol- li na língua original, comprei antes de sair em português. Eu era assim, hoje leio pouco. Um post que li hoje dizia que é culpa da internet, das leituras rápidas, curtas e fragmentadas, da quantidade de leitura diária on line. Pode ser, eu ando impaciente com textos não enxutos. Também porque me identifico, como escritora com autores não prolixos- não estou conseguindo ler detalhes em excesso.
Talvez eu hoje não conseguisse ler Cem anos de solidão. 

Sei que dispersão e ansiedade são sintomas de depressão. A minha, como disse, Jorge Salomão, o psiquiatra, e eu concordo, é existencial. Me coloquem num lugar com amigos, gente para bater papo e esqueço a tristeza. 
O que fazer? Voltar para o Rio? É, hoje, uma possibilidade remota, pode ser que um dia...
Gosto da minha casa. Gosto de viver nesta casa, do jardim, dos bichos. 
Dan chegou ontem com um gatinho bebê lindo. Não quis ficar com ele, não tenho como dar mamadeira para gatinhos, não aguento cuidar de mais um bicho, casa, plantas e tal. A namorada de Luc levou-o para cuidar, mais tarde eu fico com ele, fiquei encantada com o bichinho. Estava no meio da rua, quase foi atropelado.
L, namorada de Luc, é generosa, melhor que eu, vai cuidar para mim enquanto ele mama. Também seria difícil porque o Dersu e Seinfeld não iria deixar o bichinho em paz. Tenho medo que o machuquem, é muito pequeno.

PS: Não reli para corrigir. Perdoem os erros, apontem- caindo de sono. 












sexta-feira, janeiro 03, 2014

2013- o ano inacabado





Casulo


Des
-amor
Casulo
Alegrias
Encontros
Filhos alados
Olhar disperso
Corpo amordaçado
Desencontros
Mente alerta
Pena muda
Fala vazia
  Mordaça
  Silêncio
Recusa
Ventre
Vento
Terra 
Mãos 
Água
  Teia 
Flor

 
Água 
Mãos 
Ventre 
Recusa 
Silêncio 
Mordaça 
Fala Vazia
   Pena muda  
Mente alerta
  Desencontros  
   Corpo amordaçado