quarta-feira, dezembro 04, 2013
segunda-feira, dezembro 02, 2013
quarta-feira, novembro 27, 2013
MACParis expõe Sylvie Labiche
Detalhes aqui. Sylvie revisita os grandes mestres da arte do século XIX com olhar na história francesa. E polemiza.
Vão conferir por mim.
terça-feira, novembro 26, 2013
domingo, novembro 17, 2013
sexta-feira, novembro 15, 2013
Os ruídos e o dedo roxo
Semidesperta, ouvi o filho chegar. É feriado. Estava
sem chave e tentava abrir alguma janela. Desci com pressa. Chegou com a
namorada. Voltei para a cama, me alonguei.
A cabeça pesava quando cheguei à cozinha, havia
dormido demais. Há dias não tenho desejo de nada e, à tarde, durmo.
No café da manhã animado, enquanto tomava iogurte com maracujá,
engasguei com as sementes. Ufa! Que sufoco.
Cada um foi para seu lado, sentei aqui, o vidro
vibrava com o vento e incomodava. Levantei
para fechar a janela, puxei com força, mas esqueci da mão. A dor foi grande,
massageei, coloquei gelo. Ganhei roxo no dedo, ficou feio. Mais tarde, ao
manipular cera de depilação, derramei cera quente na mão. Ui! Dor de novo.
Antes das duas da tarde, eu havia me machucado três
vezes. Sentei, li jornais, e-mails e vi TV- programas de culinária, canal
francês- qualquer coisa- para ouvir- adoro. “Delicatessen” estava sendo
reprisado, vi o início que perdera outro dia, não quis rever todo- é triste,
ando melancólica.
Anoiteceu, molhei as plantas com receio da cobra de outro
dia. A noite tem lua, nuvens de algodão, estrelas e água tépida da mangueira
nos pés.
Espero a hora de deitar. Antes abrirei a cortina
para que a lua deite comigo.
quinta-feira, novembro 14, 2013
Contardo Calligaris- Bienal Veneza- Arte fora da estação
Da Folha
A Bienal de Arte de Veneza dura de junho a novembro, a cada dois anos. Na semana de abertura, há inúmeras festas de inauguração --a maioria regada ao pior prosecco produzido na região do Vêneto e outras poucas em que a bebida e a comida são toleráveis.
Nessa época, Veneza é um formigueiro de artistas, críticos, investidores, jornalistas, curadores, cicerones para grupos de senhoras sedentas de experiências "avançadas" no campo da arte --e, embora não seja Carnaval, um número equivalente, se não maior, de pessoas disfarçadas de artistas, críticos, investidores, jornalistas etc.
Graças a essa fauna, a semana de abertura é ótima se você deseja encontrar ou consolidar sua fé na relevância da arte contemporânea.
É óbvio que os artistas se esforçam sempre para que sua obra, sua performance ou sua instalação constituam um evento. Ora, na semana de abertura, todas as categorias que citei se agitam para convencer o mundo de que a Bienal é mesmo um grande acontecimento.
Três gatos avançam sambando pela via Garibaldi? Pois é, a Bienal rende homenagem ao tropicalismo, ao pós-tropicalismo, ou ao pós-pós-tropicalismo. Tem alguém mugindo deitado num pavilhão dos Giardini?
Pois é, assim se expressa a dor do mundo ou, por que não, a saudade do leite materno.
Agora, se você não precisar acreditar na arte contemporânea, arrisque-se a visitar a Bienal em novembro. Mesmo fora de estação, há turistas, artistas e, sobretudo, alunos: de manhã, é fácil esbarrar numa turma, levada por um par de professores.
Gilad Ratman apresenta o registro filmado da chegada de uma equipe de espeleólogos que penetram no pavilhão de Israel pelo esgoto, furando o chão; num outro registro, cada espeleólogo esculpe na argila seu autorretrato e começa a gritar com ou contra sua própria imagem. Os professores que acompanhavam a turma não propuseram interpretações nem apreciações. As crianças aprovaram. Aos 12 anos, como eu teria reagido?
Will Gompertz (no começo de seu ótimo "Isso é Arte? 150 Anos de Arte Moderna - Do Impressionismo Até Hoje", Zahar) conta que, em 1972, a Tate Gallery de Londres comprou uma obra feita de 120 tijolos, e a coisa deu protestos e controvérsias.
Trinta anos mais tarde, todo o mundo achou normal a compra de uma obra que consistia num pedaço de papel com as instruções caso alguém quisesse repetir uma performance. Entre as duas datas, uma mudança, não da arte, mas de gerações.
Não adianta eu ter escrito a profusão sobre o que aconteceu nas artes entre o século 19 e o 20. Assim como não adianta eu querer defender o "ready-made", o minimalismo, a "arte povera", o espacialismo ou a arte conceitual: quase irremediavelmente, eu sempre preferirei as obras que representam o mundo e contam uma história.
As crianças com que cruzei no pavilhão de Israel talvez sejam diferentes de mim, e, para elas, a arte possa ser um gesto, uma intenção, um conceito. É bom ou ruim? Não sei.
Seja como for, desta vez, as duas gerações, a minha e a das crianças, puderam gostar da Bienal. Explico: a Bienal de Veneza comporta os pavilhões (em que cada nação escolhe seus artistas) e uma exposição central organizada por um curador.
O de 2013, Massimiliano Gioni, escolheu o tema "O Palácio Enciclopédico"
No Arsenale, a mostra começa com a maquete do edifício projetado por Marino Auriti, um mecânico ítalo-americano que queria construir um arranha-céu que contivesse o registro de todo o saber da humanidade. Nos Giardini, a mostra começa com o original do "Livro Vermelho": 16 anos de "imaginação ativa" de Carl Gustav Jung, na tentativa heroica de explorar cada canto de sua própria mente.
No século 14, os 400 manuscritos da biblioteca de Francesco Petrarca eram o compêndio do saber humano. Pouco mais de cem anos mais tarde, os livros impressos se multiplicavam, uma incrível diversidade humana era revelada pelas grandes descobertas, e a própria Terra se perdia num universo infinito.
Hoje, a internet alimenta mais um sonho de palácio enciclopédico (virtual: todo nosso saber on-line), mas a sensação que prevalece (ao menos em mim) é que há cada vez menos totalidade possível --só fragmentos, numa expansão parecida com a do Big Bang.
Talvez por isso seja difícil, para as artes, contar histórias ou representar o mundo.
domingo, novembro 10, 2013
terça-feira, novembro 05, 2013
sábado, novembro 02, 2013
Arnaldo Bloch- Ainda biografias

Do O Globo
Uma pergunta para Roberto Carlos: se o indivíduo é dono da própria história, como é que se vai escrever a História das Civilizações?
Zuenir disse que o assunto tinha se esgotado. Caetano respondeu que o assunto ainda tinha muito o que dar. Ambos têm razão. O assunto esgotou a paciência pública, mas não se esgotou no mérito, se é que algum assunto humano possa se esgotar.
Mesmo que o pleito do Procure Saber perca visibilidade após a autocrítica divulgada esta semana pelo grupo (com o vídeo de Gil e Roberto Carlos), continuará no ar o desconforto e, nos tribunais, a guerra.
Como já escrevi, com candura, minha opinião sobre o mérito semanas atrás, vou deixar desta vez o mérito para lá e entrar num outro terreno: a expectativa que a idolatria incute num fã e as consequências de conhecê-lo como pessoa. E uma pergunta dirigida especialmente a Roberto Carlos: se o indivíduo é dono da própria história, como é que se vai escrever a História das Civilizações? Baseada somente na autoimagem de seus expoentes e coadjuvantes?
Um fã do compositor alemão Richard Wagner pode se aborrecer com o fato de ele ter sido um antissemita confesso, e, sobretudo, de sua obra ter sido usada como trilha sonora dos campos de concentração. Um judeu pode se aborrecer ainda mais, e renunciar ao deleite de uma abertura de “Tannhäuser”. Cada um na sua. Eu ouço Wagner com devoção, sem deixar de lamentar suas posições e o sofrimento dos que passaram pelos campos ou tiveram parentes torturados pelo uso perverso da arte como moldura da ideação racista.
O exemplo é radical só para ser emblemático. Caetano, Chico e Gil nada têm a ver com o Terceiro Reich. Ao contrário, estão associados a um passado de rica contestação, mais ou menos ideológica, política ou comportamental.
Mas, nos dias de hoje, quando a democracia é queridinha tanto de contestadores quanto de anarco-capitalistas, a posição de Caetano, Gil e Chico a favor da censura prévia provocou um anticlímax parecido com o que um judeu melômano pode sentir ao descobrir, pela primeira vez, os pecados de Richard Wagner.
O que é natural: mitos são cobrados como mitos e não como pessoas. Quando chega a uma certa longevidade, o vulto do mito se converte em narrativa fechada: nela só entra aquilo que reitera ou homologa a superfície.
Na visão do fã, os atos e os fatos do passado estão para o mito como um núcleo está para um átomo. O mito contestador do sistema será sempre um contestador do sistema. Um democrata não pode questionar nenhum matiz do conceito de liberdade sem virar o demo.
Para o fã começar a entender que um mito não se encerra em si é preciso explodir o núcleo e provocar um tipo de fissão, o que resulta numa terrível confusão (ou confissão?) de ideias e sentimentos. Pois envolve a aceitação de que se trata, ali, de gente, além ou aquém do mito.
Um mito não defende interesses pessoais (a não ser nas narrativas sobre os deuses da antiguidade). E, na questão em debate, essa pessoalidade extrapola os limites de discussão de ideias: não há como dissociar o interesse pessoal do debate intelectual. Do contrário, haveria passeatas com duzentos mil artistas, empresários, mendigos e médicos, contra o risco de suas vidas serem abduzidas por um biógrafo.
A obra de Caetano, Gil e Chico e até suas biografias pessoais, autorizadas, desautorizadas, censuradas, liberadas, de punho próprio, fragmentadas, virtuais ou transcendentais vão sobreviver com folga a esse momento. A explosão do núcleo do mito é salutar para se entender um ser humano de forma mais abrangente, e entender também a época em que vive.
Polanski não deixou de ganhar Oscar por ter sido odiado como vil estuprador (as desculpas de mãe e filha só vieram recentemente). Andy Warhol em muitos aspectos era um sacana. Woddy Allen sobreviveu à pecha de seviciador de enteada. Por mais que se fale de suas piores e melhores facetas, mantém-se o mistério sobre sua real personalidade.
Por isso, aliás, a ideia de uma biografia definitiva, reivindicada por alguns autores e editores, é uma perfeita tolice. Por mais que se escrevam biografias sobre um indivíduo, a verdade de um ser será, no máximo, tangenciada. Por isso é tão bom que se conheça o máximo possível de versões, incluindo o viés lendário, o imaginário coletivo, o folclore, os bons textos e os textos indigentes.
Certa vez, decepcionado com o fato de Gilberto Gil ter vendido os direitos de uma música sua (sobre liberdade digital) para um anúncio de um poderoso banco na televisão, eu lhe enviei um e-mail, como fã e também como jornalista. Gil respondeu com muita serenidade falando justamente do choque entre a expectativa de um fã e a realidade de cada um, suas diferentes necessidades em diversos momentos, e suas relações variáveis com os valores, monetários ou morais.
Na época publiquei a conversa na internet e não houve grilo. Foi o tipo de diálogo que não encerra questão alguma, mas que muito diz do caráter transitório dos fenômenos.
Quanto a Roberto Carlos, é um caso mais complexo, tratado com brilho por José Miguel Wisnik, num texto comovente, daqueles que não estão sujeitos a revisões de posição semanais. Talvez porque Wisnik, apesar de grande artista e intelectual a anos-luz da vaidade, esteja mais preocupado com a arte e o pensar do que com aquilo que se diz da sua vida pessoal. Melhor para a sua vida. E, também, para a sua arte e o seu pensar.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/ainda-biografias-10663000#ixzz2jUg8Lppz
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