domingo, fevereiro 28, 2010

A Terra fala- pede socorro

by Tomie Ohtake



Lygia Bojunga Nunes e Ana Maria Machado estão no Chile. Que pena... poderiam passar sem este susto.
Duas excelentes escritoras, mas a experiência será aproveitada por elas, com certeza.

Tenho um livro maravilhoso aqui. Nem sei se ainda existe. Parece que não com estas ilustrações, se não me engano... vou tentar confirmar.
Chama-se: “Sete cartas e dois sonhos” é de Lygia e belíssimo com ilustrações de Tomie Ohtake, aliás o livro foi feito inspirado nas obras da Tomie e não ilustrado por ela- eu acredito. É de 83. Chorei emocionada quando li. Lembrei de meu amigo pintor- é a história de um menino e seu amigo pintor que morre. Um dos meus livros preferidos. Me comoveu tanto que o pego, mas não tenho coragem de ler ainda- ando à flor da pele.

A Terra treme, a Terra fala- pede socorro.

sábado, fevereiro 27, 2010

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

O amigo que me amou...


Eu tive um amigo que me amava tanto que passava as noites fazendo poemas para mim. Aqui coloquei um.

Um filme adorável




Acabo de ver "Adorável Julia" com Jeremy Irons e Annette Bening- delicioso. Bom para um fim de tarde abafado. Ela, Annette está excelente- gosto muito desta atriz- ele, como sempre correto.
Agora vou ler na rede- sorry.
Ah! esta música é a última que toca- ficou na minha cabeça, é deliciosa também, lembra minha meninice- fase ruim, mas de belas canções.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

"O que não tem descanso"...



Uma das músicas mais belas que conheço.
Obrigada, Chico, obrigada Milton.
Quanto amor eu tive!
Quanto deste amor ainda resta em mim?
O bastante para ainda me arrepiar ouvindo isto, ou chorar.



O que será que me dá ( à flor da pele)

Chico Buarque - 1976


O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os unguentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores que vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo

domingo, fevereiro 21, 2010

No banho II


By Alissa Monks(site incrível, vão ver)



Um corpo de mulher


Para de trabalhar. O pescoço dói. Há horas naquela máquina. Vira a cabeça de um lado para o outro, sente a articulação áspera.
No banho com a calcinha ensaboada esfrega o corpo. Lava o pano na água do chuveiro. Sente o cheiro morno no sabonete. O algodão, de fibra envelhecida, lembra o paninho de banho da infância.
Esfrega, mais ainda, a barriga, como se acreditasse que ao friccioná-la, purifica-se. Desde que pariu odeia o corpo.
Jamais será amada de novo, intui. Odeia o corpo, sente culpa- odeia odiar-se. Odeia aquele que um dia a amou e a abandonou.
Sai do banho, olha o rosto no pequeno espelho. Há anos vê apenas o rosto. Sorri diante dele- é do sorriso que ele gostava, lembra.
Por um instante pensou vê-lo naquela imagem fundida.

Diário à deriva

Pois é... estes dias recebi um presente pelo correio- fiquei tão feliz :))

Não leia você que me acha umbiguista, tá?

:) Dia 21 de fevereiro de 2010

Ontem foi um dia difícil- dor de cabeça, pressão aumentou- coisa raríssima.
Por que? São tantos os probleminhas familiares... nem conto.

Acho que a notícia da morte da Pia Nascimento me perturbou também- era uma pessoa que eu só conhecia de vista, mas que eu admirava e quem sabe me identificava. Eu a via sempre só- caminhando pela mesma rua- provavelmente tínhamos horários que divergiam, quando ela voltava, eu saia- com Drummond acontecia o mesmo- eu subia a rua para trabalhar, ele descia para namorar. Nunca sei se é subir ou descer- acho que é o contrário- desce em direção ao mar.
Passei o dia com dor, mesmo tendo tomado remédio.

Ao entardecer um irmão apareceu com minha linda e amada sobrinha- ai melhorei- lavei a varanda com ela, brinquei um pouco com a mangueira-ela acabou toda molhada- como crianças gostam. Fez muito calor também- tomei três banhos frios e poderia ter tomado mais.

Dan passou o dia agitando, ao telefone. Fizeram uma reunião à noite- sem hora para acabar- estou com hóspedes hoje, não sei quem ficou por aqui- como minha mãe ontem foi dormir na casa de minha irmã, estão todos nos quartos, dormiram tarde- ficaram jogando. Luc trouxe da viagem um jogo de pôquer- mini cassino- adoraram. Jogam sem apostas em dinheiro. Tenho trauma- o pai gostava de jogar.
Fizeram macarronada de dois tipos- eu só digo onde estão as coisas, se perguntarem- assim eles aprendem a fazer e eu não vou me sentir mal por ter tido que ficar na cozinha. É ótimo- todos participam, fazem bagunça- a cozinha estava limpa quando acordei. Como a casa é grande acho legal eles aproveitarem.

Outro dia fizeram a festinha de aniversário de um amigo- fizeram uma farra danada na varanda no fim do dia. Acabou cedo, antes das onze. Riam tanto... Nesta eu só vi de longe as pessoas- não precisei fazer ‘sala’- funcionou.

Não tenho vontade de sair de casa. Algo aconteceu comigo- estou evitando encontrar as pessoas. Penso saber o que é, nem vou dizer aqui porque vem espírito de porco perturbar. Tem a ver comigo, sim, óbvio, mas com o que tenho vivido aqui. O que fazer? Ampliar contatos virtuais?

Vocês sabem que os blogs estão em declínio- atualmente uma novidade suplanta outra. O Twitter veio derrubar os blogs. Pessoas que usavam o blog para trocar com amigos agora usam o Twitter- a resposta lá é quase sempre imediata- se a pessoa estiver online re responde na hora- se você posta algo interessante os outros repassam imediatamente, se você lê algo que gosta repassa na hora. Tudo meio simultâneo. A vida agora tende para isto- o imediatismo- sabe-se o que ocorre no mundo em tempo quase real.

Se você quer dizer algo privado, há o lugar para isso e seu amigo te responde em DM- mensagem direta. Pode demorar um dia, mas chega. Pois é, também substituiu o e-mail. Hoje quase não recebo mais e-mails- só de amigos que não estão no virtual- amigos antigos.

Algo suspenso no ar hoje- estive à tarde sozinha- liberdade ‘total’- escrevi e vi um filminho vagabundo com Tom Cruise- queria ver algo leve. Não gosto deste ator- mesmo... deixa pra lá.

Chega de falar. Tks

Aqui no virtual a gente se sente assim- jogando uma carta ao mar :)

sábado, fevereiro 20, 2010

A morte de um estilo

Fiquei chocada com a morte de Pia Nascimento- assassinada- que triste!
Me entristecem estes gestos violentos contra pessoas vulneráveis: idosos, mulheres... gente que está em casa, tentando se proteger com cães... É muito triste.


Eu lembro dela, há uns 20 anos, caminhando muito concentrada pela Farme de Amoedo, sempre com algo de oncinha- ou sapatos ou um lenço. Eu detesto esta estampa, mas nela fazia estilo. Eu notava que repetia a roupa. Eu a via muito- e pensava como podemos ser elegantes mesmo repetindo roupas, com roupas mais antigas. Eu a observava porque eu sou assim- uso muito as mesmas roupas, tenho preguiça de comprar, nunca encontro o que eu gostaria- também odeio sair para procurar roupa. Sou uma mulher que tem um estilo e que arrisca pouco. OK. o certo hoje é inovar- mas para ousar você precisa ter estímulo- eu ando sem vontade de sair- dai... Já fui mais moderna, mandava fazer roupas criadas por mim- e ficavam bonitas- é vero.



#cotidiano


No almoço:

Meu filho disse: Este licor existe desde 1885. A nossa empregada: Nossa! Mas ainda está bom?

Outro dia- tarde da noite- ouço um estrondo, no quarto onde viam filmes.

“O que foi?”

“Nada, mãe. A cadeira quebrou.”

Não fui ver. No dia seguinte descubro que um casal de amigos deles quebrou- os dois bem pesados- ela se jogou sobre ele. Agora espero que consertem- é aquela cadeira de escritório com rodinhas, grande- quebraram a perna :)



#ciência


O ovo ou a galinha?


Estudo britânico vê ligação entre vício em internet e depressão

http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/2010/02/100203_internetdepressaofn.shtml

Nem li o estudo, vou dar peruada. Pensem: a pessoa é depressiva, tem dificuldades para sair, viver, a internet abre uma porta enorme. Acredito que o virtual traz mais ganhos do que perdas para um depressivo. Aqui há muitas possibilidades de contatos. Mas se a pessoa tiver uma estrutura psíquica mais grave, poderá entrar num buraco sem fundo, mas isto não é o virtual que traz. Há possibilidade infinita de escolhas- do mais podre ao mais bacana. Eu fico com o segundo, sempre. Muito pouca chateação e muitas alegrias.

Se não fosse o mundo virtual eu não conheceria gente super bacana, interessantes-nem preciso dizer, quem me lê sabe.


Obrigada, arigato, merci, gracias, thank’s, grazie...

Valeu!


sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Fragmentos de um dia



Ivan Lessa um dia para mim sobre meu conto "Zampanô":

"Drummond dizia que escrever é cortar palavras. Tudo bem. Se não me engano, em "La Strada", a personagem vivida pelo Anthony Quinn é Zampanò. A Giulietta Masina, Gelsomina. Não faz a menor diferença. Taca ficha. Saudações. IL"


Hoje na análise digo que pensei em desistir, (me referia a sexualidade, a ser mulher).
Analista: Desistir é diferente de existir, não apenas pela troca de letras.
Entendi.

Diante da lealdade das mulheres, do post anterior- artigo do Contardo. Quem seriam as mulheres leais? Saquei na hora: mãe, irmã, avó, tia(maternas). Leais entre elas, claro.

Muito bom fazer análise.