quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Ai que saudades...









A primeira foto é minha de um Chagall emocionante- está no Musée D' Orsay.

A do meio, Pont Neuf, não sei de quem é, e a última é minha também- um acaso que eu gostei de clicar.

Um dos primeiros lugares que quero rever em Paris é o Museu D'Orsay. O Louvre não me agradou- gente demais, grande demais- tudo em excesso. E estava abafado- me deu vontade de sair logo- vi o principal e sai.

Que bela foto! Marc Chagall em Paris



Daqui.

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Amenidades



Ué, Jesus Luz virou estátua?


Madonna não deixará Jesus Pinto da Luz- é óbvio- é romance recente. Os dois ganham com isto, ele, todos sabem, e ela, vocês também sabem- com este pinto iluminado, como disse o Simão- meu querido macaquito. Ulalá.


Entrou um ladrão na casa de Paris Hilton e disse que havia cocaína lá dando sopa e ele e a tchurma cheiraram. Disse que ela era alvo fácil por ser burrinha.
Tsc tsc tsc Pode ser burrinha, mas é rica e livre e ele está preso- gostei.

Dá para confiar na palavra dele? Tadinha da moça... tão pura.

Agora me digam se Paris Hilton não tem algo da Narcisa? Esta seria a nossa Paris Hilton. Tsc tsc tsc A nossa versão é tupiniquim- vive ao lado do Copacabana... Que bobagem eu ia dizer... que pobreza de espírito, Laura!

Elas vivem num mundo irreal, cria-se o mito, viram piada, chacota e são vítimas do próprio mito. Vejam: Marilyn Monroe, Greta Garbo- esta se isolou, Michael Jackson, Xuxa, Marlon Brando, com a vida trágica, deformou-se- um dos homens mais belos de todos os tempos. Conhecemos tantos casos.




Li um livrinho sobre Lacan- o grande mito da psicanálise moderna- acabou muito solitário. O autor diz algo como: ele se tornou um ser tão especial que ficou só.

Lacan é assunto para outro post.


E Angelina Jolie está processando os jornais que divulgaram o término do casamento dela com Brad Pitt. Se todos seguissem este caminho talvez a imprensa fosse mais cuidadosa. Lembram quando disseram que a Daniela Mercury tinha um caso com Chico Buarque e foi pivô da separação dele com Marieta? Quem disse foi processado e ele ganharam. Certo! Até porque tanto Chico, quanto Daniela e Marieta são super discretos com relação à vida privada. Alguns a gente sabe que devem avisar os paparazzi onde estão circulando.

Angelina foi ao Haiti, doou um milhão de dólares e visitou vítimas. Tão linda e generosa.


Jolie visita crianças vítimas do sismo no HaitiFotografia © Ariel Marinkovic - AFP


Lembra Audrey Hepburn- também embaixadora da ONU. Entrem neste site e vejam que graça.


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Givenchy e Audrey em suas caminhadas por Paris

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Miniconto- Há dias



Responde meu bom dia sem levantar os olhos.
Tomo o café na mesa da cozinha cheia de pacotes de compras da véspera.
Há dias em que levanto e está tudo guardado. Olho a dispensa desorganizada- deixo pra lá.
Falta água mineral, não pedi ontem.
Há dias em que estou assim, me dá prazer deixar tudo pra lá. É uma forma de sobreviver, não ver o que se passa em volta.

domingo, fevereiro 07, 2010

O que o Coimbra fazia ali?




by Picasso


Busco silêncio, silêncio interno. Alma sem conflitos. Trégua.

Na rede, ao pôr do sol, leio crônicas de Clarice pela primeira vez. Abro ao acaso. Leio o nome de meu ex- analista Lourival Coimbra.
O que estaria ele fazendo ali? Não tive tempo para muitas questões, li que amigas dela, várias, se analisavam com ele. Ela quis lhe dar um livro “Dr. Lourival deve estar farto de ouvir meu nome”. Mandou “Laços de Família” e na dedicatória justificou a letra feia falando do acidente- queimadura. Coimbra disse: “Clarice dá tanto aos outros, e no entanto pede licença para existir”.

Na crônica ela diz isto:
"Sim, Dr. Lourival. Peço humildemente para existir, imploro humildemente uma alegria, uma ação de graça, peço que me permitam viver com menos sofrimento, peço para não ser experimentada pelas experiências ásperas, peço a homens e mulheres que me considerem um ser humano digno de algum amor e algum respeito. Peço a bênção da vida."

A resposta me pareceu irritada. Eu desconfio o que seja.

É muito desagradável quando um analista diz algo sobre nós através de outra pessoa. Não o autorizamos. Por isso interpretações gratuitas são sentidas como invasivas ou mesmo agressivas.

Ela devia estar curiosa sobre ele, quis lhe dar algo... Bem provável que desejasse conhecê-lo. Poxa, tão bom se ela tivesse feito análise com ele... Foi um equívoco. Ele era um homem extraordinário: original, inteligente, generoso. Passava afeto sem sair do lugar do analista.

Pois é, fui ler para relaxar e ganhei esta lembrança tão forte de Coimbra.

A primeira vez que entrei no seu consultório me vi envolta por livros. Olhei os títulos, muitos não havia lido. Ele me ofereceu. Lembro de ter lido Henri Miller e Charles Dickens- adorei “Grandes Esperanças".

Chorei muito quando ele morreu, pobre Coimbra, caiu na rua com um infarto fulminante. Eu já havia recebido “Alta” ( a 1ª e única). Felizmente havia estado com ele poucos meses antes e contado da minha vida, da maternidade- quando era sua analisanda vivia apaixonada, mas apenas escrevia e desenhava. Fui sem avisar, passava por ali e ele estava só por sorte e foi uma grande emoção para ambos, ficou muito feliz, eu também. Este homem me curou de uma neurose obsessiva (TOC) sem eu perceber. Hoje sei que foi o jeitão dele descontraído, sem fórmulas prontas que tirou o excesso de obsessividade- ficou um restinho. Foram anos de muita produtividade intelectual e amor. Comecei minha formação psicanalítica ali, dividindo dúvidas com ele e o grande amor de minha vida encontrei naqueles dias. Grande em tempo e intensidade.

Clarice não deu certo com analistas- fez um tempo com Ines Besouchet- e depois com o Azulay que não deu conta dela- que pena!


Olhava o céu, de azul passou à rosa, depois o sol em chamas se escondeu deslizando nos coqueiros. Acendi o abajur, passei a ler e ver as estrelas- o céu agora azul escuro, as luzinhas da Fazenda acessas, os grilos cantando, os pássaros gritando. Tenho uma incapacidade total para gravar nomes de pássaros- estes seriam... meu irmão já me disse várias vezes- eles gritam, um som agudo.

Estendida atravessada na rede, rígida, pensei que seria um bom lugar para morrer. Numa rede olhando o céu. Meditando. Tantas coisas eu pensei. Pensei que ando imobilizada, o ano passado eu passei em casa, continuo sem vontade de sair. Poderia me mover, mas estou cansada- as pálpebras cansadas. Sei que se encontrasse motivação sairia do marasmo, mas não vejo luz no fim do túnel. Nem viajar não está me atraindo-seria porque é preciso. Desde quando fiquei assim? Eu sei. Mas por que não sinto forças para reagir?
Gosto de estar em casa, de arrumar a casa, há dias que trabalho feito formiguinha- há sempre coisas para fazer numa casa, vocês sabem. Eu tenho cortinas para pendurar e não me movo para ir atrás de alguém. Meu filho diz que vai colocar, sai para namorar e volta tarde. Adio. Procrastino. (Esta palavra me lembra Inagaki, amigo virtual-ele fala sobre isto de vez em quando).
Fico melhor por estar conseguindo ler de novo- li a biografia de Clarice, agora peguei as crônicas dela, estou lendo um sobre Lacan, muito bom- está no consultório. Consigo ler no final da tarde, quando diminuem os barulhos da casa.

Estes dias fiz uns continhos, sentei e fiz, o difícil e me concentrar. Eu escrevo duas frases e levanto- vou ver algo, mas continuo pensando no que estou escrevendo. Escrevo mais duas frases e molho plantas. É bom, relaxa.
O pior é que a empregada é uma gralha- vou ter que sair do campo visual dela- acho que se eu passar a manhã lá em cima ela me esquece um pouquinho. Está aqui há um mês, quer saber se deve cortar o chuchu em pedacinhos ou na horizontal... ai ai Respondo que corte como quiser, só não cozinhe demais- sempre passa do ponto- deixo pra lá- quem quer bem feito, faz- eu sei.

Este lero lero aqui me ajuda- quando chego na analista digo que já escrevi aqui hihihi se eu fosse minha analista viria xeretar- mas eu sou uma curiosa irremediável e tenho tempo- nem todos têm. Mas análise não se faz apenas naquele tempo curto da sessão, se faz assim- o tempo todo, até dormindo. Nossa! como tenho sonhado- cada sonho. Freud explica. E viva meu mestre!



Foto minha varanda

sábado, fevereiro 06, 2010

Miniconto- Nestes dias...



Nestes dias...



Jogou o paletó sobre o sofá num gesto brusco. Meu coração acelerou. Disse, fingindo naturalidade:

- Tudo bem?

- Como tudo bem? Não está vendo a minha cara...

Olhei, agora com permissão, o rosto dele. Os olhos injetados, fixos em mim.

- Que culpa eu tenho?

- Que culpa eu tenho?... Nenhuma! você vive no seu mundinho, não sabe de nada! Merda de vida! Cale esta boca!, ele disse entrando no quarto.

Sabia que precisava obedecer.

Agora paralisada olhei os braços desbotados da poltrona, os fios esgarçados.

Pensei: É este o meu mindinho- esta poltrona, o quarto de dormir, a cozinha. Pouco olho a janela. Nada fora me interessa.

As lágrimas deslizam, a garganta trava. Tenho pena de mim. Passo o dia a espera dele, cuidando da comida, das camisas... “Passe de novo, não vê que passou mal?”

À noite me ama. Abre minhas pernas com a posse permitida, sorve fluidos. Gosta de me ouvir gemer. Mesmo sem prazer, gemo. Depois sobe o corpo pesado sobre o meu e me penetra. Há dias em que gosto, noutros finjo, nestes pego o membro rijo e com habilidade especial o faço gritar de prazer. Puxa meus cabelos, enquanto suspiro aliviada.

Logo ele esquecerá que estou ao seu lado.


PS: Fiz agora, não revisei, logo...

Um olhar especial


Foto daqui

Um belo fim de semana para vocês. Que foto, hein? Vejam o blog, vale a pena.

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Aquele conto que foi traduzido, lembram?


Picasso







O homem menos estranho


Pega o primeiro ônibus que para no ponto, o vento corta seus lábios. Há dias não vê a rua, não quer.

O ônibus está abafado, gosta daquele cheiro de gente, tanto tempo não vê gente. Havia lugares vazios nos últimos bancos, escolhe o que tem o homem menos estranho e senta, perna encostada na perna do homem, nem viu a cara, não importa. A perna revestida de seda dá sensação de segunda pele, desliza, sente prazer em roçar disfarçadamente no estranho. Fecha os olhos, inspira o ar misto de cheiros. Final do dia, cada cheiro uma história, de olhos fechados adivinha que o homem ao lado tem mulher e filhos a espera.

Faz isto sempre, pega um ônibus qualquer, escolhe os dias cinzentos, aqueles que intui não suportará ficar tão só. Estar colada ao homem a esquenta, ele não se afasta, mas pressiona mais a coxa, coxa apertada contra coxa. Finge não sentir a mão que sobe pela sua perna, deixa que o homem a toque, se arrepia, não consegue se mexer, é preciso dizer não, abre os olhos, ele se aproxima e a beija violentamente, morde, machuca, ela não sente prazer, nem medo, apenas vida.


Este conto foi selecionado num concurso de contos do site italiano www.domist.net e foi traduzido para o italiano. Veja aqui.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Uma mulher- um livro




A biografia de Clarice Lispector é muito boa. Ele se repete, mas não me cansa.
Vai nos situando geográfica e historicamente.

O autor interpreta os livros de Clarice os associando aos traumas infantis, a trajetória da escritora judia pelo mundo afora- era casada com um diplomata. Ele enfatiza o judaísmo. Acredito que uma cultura forte como a judaica seja pregnante, sim, mas Clarice não era praticante. Não seguia nenhum ritual. Uma vez fez uma árvore de Natal toda estranha e disse que era assim que ela via a festa.

Esta parte do livro eu gosto menos, não me agrada dissecar analisar textos para descobrir a verdade sobre o autor. Fiz isto algumas vezes quando era estudante- hoje acho que, mesmo sendo psicanalista é invasivo.

Depois que conheci Raduan Nassar sinto maior respeito pelos escritores neste aspecto. Raduan diz que não há mais nada para dizer, já disse o que queria. Eu não insisto, não faço perguntas, respeito o seu silêncio com afeto. Eu detestaria que pegassem meus contos e “lessem” a Elianne que está ali nas entrelinhas. Ah! Faz favor... OK. Clarice está morta, virou celebridade, é importantíssima na nossa literatura, mas prefiro ler os textos dela, sem tentar adivinhar o que está por trás. Se Ulisses, personagem, tem a ver com o Ulisses que foi enamorado por ela.

O autor fala muito da Clarice- animal- eu nem prestei atenção nestas coisas, passava por alto. Mas sei que há pessoas que adoraram este aspecto do livro- cada um lê como quer.
Para mim Clarice foi a mulher sensível, sofrida, solitária, mesmo cercada por muita gente (vivia com um séquito), com quem eu me identifico em muitos aspectos.

Clarice foi enamorada por Lucio Cardoso, amigo gay, escritor com quem ela trocava ideias. Acredito que o amou a vida toda, amores platônicos e impossíveis são eternos, mesmo que se viva novos amores. Eu sei disto, tive um amor semelhante.

Foi amada por muitos homens, era sedutora, bonita, extremamente bem cuidada. Alguns dizem que era deslumbrante, lembrava Marlene Dietrich.
O marido a amou muito, Paulo Mendes Campos teve um romance com ela, mas era casado- optou ficar com a mulher- ela sofreu com a escolha dele. Teve amigos como Fernando Sabino, Hélio Pellegrino, Rubem Braga, o casal Wayner, Alzira Vargas, Carlos Scliar... muitos...
Eu a invejo neste aspecto.

Gentil, generosa e narcisista- um dos analistas dela disse que ela era de uma ansiedade que poucos suportavam- ele não a aguentou como cliente. Era fechada nela mesma, porque não conseguia sair desta prisão. Disse algo assim, o Azulay. Depois que ela deixou de ser sua cliente, ele foi seu amigo e protetor- um erro perigoso- transformar em realidade aquilo que está no imaginário do cliente- o analista como uma figura paterna.

Mas acontece- e imaginem ter um “monstro sagrado” como cliente- é difícil. Assim como deve ter sido difícil para C. (não é o Calligaris), analisar o Chico Buarque.

Clarice teve um filho esquizofrênico- acredito que não pode haver dor maior- talvez pior que a morte, ter um filho que está ausente, mesmo ali ao seu alcance. Isto é doloroso. Quando meus filhos sofrem eu sofro muito, imagine uma dor deste tamanho.

As irmãs Lispector eram muito amigas, cúmplices, é bonita relação delas. Clarice se sobressaiu, claro. Mas Elisa Lispector, que eu nem sabia que existiu, é ótima escritora também. Há citações de livrosdela muito boas. O sofrimento fez das irmãs Lispector pessoas especiais.

Foi uma pessoa extraordinária. Não há outra palavra. Você pode não gostar do que ela escreveu, mas tem que admirar a figura intensa desta mulher culta, mágica e misteriosa.
Ela queria manter o mistério. Estão tentando decifrar.


Lucio Cardoso

PS: Acabo de escrever, não revi, erros? Deixem pra lá, ou me corrijam, tá?

A bela Jolie



Vi aqui.

A coluna magoou




Eu poderia estar assim, descabelada- não estou porque o cabelo está curto hohoho
O vento é lamento úuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu
O cão choraminha auuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu
A funcionária, não consegue se abaixar- dói a coluna- aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Eu não consigo me virar aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Passei a noite assim com medo de me mexer iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Magoei a coluna, como ela diz.....................................................

A mãe, cara feia, diante do meu belo palavrão: tsc...

“O Deus onde estás que não respondes?”

Li uma frase de Clarice ontem, onde o personagem latiu para Deus ouvi-lo.
Interessante a busca contínua dela por Deus- eu sou tranquila quanto a isto. Nem é assunto que me desperte interesse. Os outros são mais preocupados do que eu- em relação a mim. Sou panteísta e ponto. E, como os budistas, acredito que Deus está em cada um de nós. Alguns nunca o encontram, outros sim,
Ou o inferno são os outros?
Hohoho

Cansei.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Lírios brancos



Foto daqui



Lírios brancos

Te espero
coração em sobressalto

Mas teu silêncio é morte

Caminhas
gestos contidos
meu coração em descompasso
com o roçar das tuas bainhas no chão frio

Teu silêncio é morte

Sufocada saio
Volto
Te encontro
Entregue
Pronto
Teus pés em oferenda

Lírios brancos


Este poema foi feito baseado numa cena do livro de Raduan Nassar “Um copo de cólera”- para mim um dos maiores romances da nossa língua. Não vejam o filme antes de ler o livro, o filme é muito ruim.