terça-feira, dezembro 08, 2009

15 anos sem Tom



Este cara faz falta- pelas ideias, pela delicadeza. Era naturalmente fino, lindo - o mais belo de todos os brasileiros músicos. As melodias ficaram, mas poderíamos ter muitas outras inspiradas na natureza, nas mulheres.
Saudades de Tom.
Lembro do dia em que morreu, tão triste... eu estava no Rio e fui para Cabo Frio , era um fim de semana, uma sexta, acho.


segunda-feira, dezembro 07, 2009

Desta gincana eu gosto



Este post faz parte da Gincana virtual do BlogGincana.
A tarefa era escolher três blogs que nunca participaram da nossa Gincana.

Começo com o da Lucia Carvalho- a Franka. Muitos devem conhecer, é a nossa melhor cronista. Franka escreve sobre qualquer assunto bem e com humor- sempre.É bom começar o dia lendo o http://frankamente.blogspot.com/
Quando fui à São Paulo em 2007 eu a conheci, fui super gentil, gosto muito dela. E, repito sempre, é difícil uma cronista como ela. Vão conferir e me digam.

Amostra do que a Lucia Franka escreve:




Banheiro de festa


- Lúcia, vai ter a festa da nossa amiga esse fim de semana. Você vai? - perguntou a Ângela, minha irmã.
- Acho que sim - respondi.
- Ela quer que eu ajude a produzir a festa dela. Vou fazer isso. Ah, e ela disse que a sua festa não teve uma produção correta. Disse que você errou no banheiro.
- Hã? Eu errei no... banheiro, Ângela? Como? Porque? Tinha papel, toalhinha e...
- Não é isso. Segundo ela, teu banheiro, o lavabo lá da sua casa, era muito caprichado, tinha velinhas, luz fraquinha e tal. Ela acha que foi por isso que tinha muita fila.
- Hã? Fila? Que tem a ver a fila com o capricho?
- A teoria dela é que banheiro de festa tem que ser vapt-vupt. Banheiro de festa não pode propiciar nada.
- Propiciar?
- Foi exatamente a palavra que ela usou, Lúcia: propiciar. A pessoa tem que entrar e sair dali rapidinho. Não pode ter clima em lavabo de festa, senão a pessoa se demora por lá. O clima fica propiciando.
- E tem que ser como, Ângela?
- Ela acha que lavabo de festa tem que ter um clima tenso. Essa é a teoria dela. Uma luz fria piscando sem parar, um barulho de vazamento que parece que vai explodir a privada para os ares, um ventiladorzinho super alto, essas coisas. Pra pessoa querer fugir dali, e logo. Ou até uma porta que não fecha, pra pessoa ter que ficar segurando enquanto usa o banheiro. Sabe como é horrível porta que não fecha. É isso. Um clima tenso, entende? Um clima tenso em banheiro não propicia. E vaga logo.
- E fica sem fila?
- Fica sem fila.

Aqui tem outra historinha divertida.



Leia aqui


O segundo blog que escolhi também foi muito fácil. Martha, é a melhor poeta que eu conheço na blogosfera. Sempre delicada, leve, bonita. Tudo que escreve é poesia.
Leiam uma amostra aqui e descubram a mestre das palavras daqui.

03 Novembro 2009


Poesia

Escrevo nomes
como quem passa batom
e pinta de vermelho
a boca

talvez porque sofra
desse destino
de me balançar
em rede tão fina.

Escolho pernas
cruzo e descruzo palavras
prolongo sílabas e olhares

E porque quero dançar
procuro poesia
no céu da sua boca.

As palavras
doidas pra tecer mistérios...
Confundo lábios e letras.

Martha





03 Agosto 2009

Foto: Haroldo Abrantes

Senhora das terras sangrentas de marte
amolo no esmeril a faca cega da paixão
o que amorteço queda em mim
feito chuva fina.

Quem eu sou e quem eu era
cabem no mesmo espelho
no mesmo rosto
no mesmo peito.

Mas não me reconheço
some a memória de mim
bicho escroto me devora
não entendo mais agora.

Cato meus pedaços
me colo com rio,
terra, lama, mangue
quero a pele molhada (d’água)
o cabelo de terra, folha, graveto
quero ser árvore.

Minha boca é santa
pela boca tanta
loucura, doçura, sofreguidão
não minto e não digo a verdade
me gasto muito para viver
gasto muito papel para escrever.

Amanhã faço tudo direito
hoje vou dormir com os pés sujos.

Martha







O terceiro blog que escolhi foi o do meu amigo Jôka.
É o cronista visual de Copacabana- lugar que ama e observa com olhos de amante ciumento e crítico. Visual porque prefere imagens a textos maiores- é uma das pessoas que melhor faz blog: escreve pouco, coloca imagens ótimas e é super atual. Morou em Paris, é vizinho do Copacabana Palace, é chic e bonito.
Tem humor ácido, é divertido e muito querido por muita gente- alguns devem passar batido por ali- não há espaço para hipocrisia naquele espaço.
Veja aqui:




Acordei no Domingo com um tum-tum-tum musical muito alegrinho vindo da rua.
Abri a cortina e vi meio incrédulo a seguinte cena: um castelo da Bela Adormecida, todo trabalhado em isopor, se aproximava da minha janela, enquanto uma multidão de gente suarenta (com criancinhas apavoradas nos ombros) saltava do Metrô, e corria na direção da praia.
Olha só a situação.



Mais aqui.

“Atire no dramaturgo”


Mário Bortolotto, o dramaturgo que levou tiros estes dias no bar de um teatro em São Paulo tem um blog. O nome da sua página, seu diário:

“Atire no dramaturgo”.

Putz! Mas que título para um blog! Se fosse meu filho eu proibiria-imploraria para pensar sobre isto.

OK, há mais entre o céu e a terra do que eu suponho, mas qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento sobre inconsciente sabe que não se brinca com as palavras.

Espero que saia desta- ainda está na UTI.

Aqui um vídeo com ele.

quinta-feira, dezembro 03, 2009

O sonho com o Biscoito Globo





Sonhei muito esta noite. Nossa!

Lembro que viajaria para São Paulo, para assistir algo. Era manhã e eu queria me arrumar. Uma amiga dizia que ainda não era hora. Mais tarde olho o relógio e é uma e meia- viajaria as três e meia. Vou tomar banho, antes peço para a amiga receber a passagem- entregaram em casa- paguei com cartão de crédito.

Esta amiga foi a mais querida durante anos, muitos, mais de 20 anos de troca, sabíamos tudo uma da outra. Casou e mudou para pior- ele é rico, mesquinho e insuportável- grosseiro. Ela me tratou super mal, chorei muito e a 'matei' dentro de mim. Pero, tenho sonhado com ela.

No banheiro, enorme e velho, havia dois homens- estavam numa mesa- era como se fosse uma sala com o chuveiro e banheira. Um deles era o ‘homem do shopping’- eu me sinto constrangida em me despir. Mas queria muito tomar banho. Cubro os seios. Uso xampu de Cinézia nos cabelos.

Cinézia é minha amiga querida, digo a ela que eu gostaria que fosse minha mãe- é mãezona- amorosa, acolhedora. Uma paraense que vive no Rio há anos. Hospedei-me lá na última vez que fui. O banheiro da casa dela é mínimo- engraçado que no sonho era enorme- na minha casa em Cabo Frio o meu banheiro era gigante- do tamanho da garagem que havia embaixo.

Arrumo uma mochila com roupas para um dia apenas. Arrumo sem cuidado- coisa que nunca faço, sou detalhista, carrego sempre TUDO.
Antes de viajar a empregada me diz que eu precisava lhe dar trinta reais, que ficou faltando- penso: só tenho notas de cinqüenta.
Ontem dei uma parte do dinheiro para Bethânia, não paguei tudo- esqueci que estou sem carro e o Banco é longe.
Gosto de andar prevenida. Quando viajava muito Rio- Cabo Frio sempre tinha o básico comigo- adoro uma mochila- carrego parte da casa ali. :)

Minha mãe falava na cozinha sobre os Biscoitos Globo que estavam sobre a mesa- eu respondo que comi dois.
Minha mãe sempre sente-se lesada- dá para entender a história dela... Bom, ela desconfia de empregadas, tem fases péssimas- tudo sumiu, jóias foram roubadas- coisas que nos deu, diz que foram roubadas- é f. - difícil. Ela tem certeza que foi lesada, ai...

Eu fui tomar banho e pedi para a amiga receber a passagem- entregaram em casa- paguei com cartão de crédito.
Sonho muito que estou tomando banho- poderia dizer que tem a ver com culpa, mas acho que é resquício da minha neurose obsessiva- fui muito obsessiva- hoje ainda sou, mas muito menos, nem se compara. Se dormir me sentindo com a cabeça suja com certeza sonharei que estou lavandoa cabeça- tiro e queda.

Mais tarde fico aflita procurando a mochila no aeroporto- sonho recorrente: procurando algo. Encontro-a.

A viagem o sonho pulou. Eu estava chegando onde supunha ser São Paulo e perguntava onde pegar um ônibus para o aeroporto, respondiam que fosse até a avenida beira mar.
No Rio pega-se ônibus na Vieira Souto, em Sampa...

Pensava que não havia ligado para Nilva- amiga querida que vive lá- avisando que estava chegando. Ao mesmo tempo pensava que chegaria bem cedo, mas mesmo assim não seria educado chegar sem aviso prévio. As roupas não dariam para mais de um dia, gostaria de ficar o fim de semana.
Acabo voltando no mesmo dia. Houve um corte sobre o que fui fazer lá.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

No ônibus












Foto daqui

O carro quebrou de novo- está velhinho- e depois que os filhos começaram a dirigir... antes eu usava muito pouco, agora...
C’est La vie.

Peguei um ônibus para trabalhar ontem à tarde. Uma aflição, deu mil voltas- liguei para a cliente das três para avisar que provavelmente atrasaria, a resposta foi que não iria. Ai, ai.

À noite, voltando observei as pessoas. Havia uma mulher com belos cabelos negros presos com um hachi, a cabeça não a obedecia e pendia para os lados, para a frente, para trás- tinha sono. Assustava-se cada vez que sentia a cabeça cair. Pobre mulher.

Um jovem sentado à minha frente, observou quando uma senhora entrou, depois de alguns segundos, virou-se- ela já estava mais para trás. Perguntei: Quer dar o lugar para ela? Sim, respondeu. Eu a cutuquei e ele passou a viajar em pé.

Segurei no colo a mochila de outro rapaz que se equilibrava ao meu lado. E assim seguimos até aqui. Ao descer conversei com uma mulher que vinha na mesma direção. Contou que as filhas foram assaltadas ali, mas conseguiram pegar o homem e está preso. Gritaram, o irmão ouviu, segurou o bandido, a família chamou a polícia. O cara mordeu a moça para pegar o celular com mordida tão forte que ela ficou uma semana sem mover o dedão. Pois é, não há lugar seguro no mundo.

Não me importo de andar de ônibus, o problema é que aqui demoram demais, dão voltas e mais voltas- uma falta de respeito com o passageiro. E sinto mais medo também- há assalto a mão armada por aqui como no Rio. Meu sobrinho já assistiu dois em poucos meses. Sorte que não sofreu nada- tem cara de menino.

O transporte coletivo nos humaniza, podem crer. Ali somos todos iguais. Há pessoas bonitas, feias, pobres, remediadas- só não há gente arrogante, pode crer.
Simpatizo com o rosto das pessoas quando as vejo nestes lugares públicos.

Descia a ladeira do condomínio e uma vizinha- que nunca falou comigo, mal responde meu cumprimento- atravessou a rua para me abordar. Queria apoio contra o síndico. Hoje haverá reunião. A cara dela murchou quando eu disse que já respondi o e-mail dele e que estou de acordo com o aumento de R$150,00 para R$200,00. Ele quer aumentar o salário dos porteiros em cem reais. Justo. Ela veio cheia de veneno- que vá a reunião e coloque suas dúvidas- eu não irei. Eu lhe disse que estava com pressa, fome, e sai andando. Quero distância deste povinho mesquinho e arrogante.

A outra, que conversava comigo na piscina, estava molhando a grama de costas e assim ficou quando passei- achei ótimo- chega de fingimento. Não foi capaz de vir aqui me dar apoio quando sofri a agressão via e-mail. E olhe que vive na igreja rezando, até na borda da piscina lia livrinhos de reza. Sou muito mais cristã que este povo todo junto- podem crer.

Dicas de um escritor irônico e criativo


No consultório peguei uma revista piauí* e li um artigo de Steve Martin, pensei que fosse homônimo do ator, mas agora descobri que escreve também. Ele fala sobre o ato de escrever e é muito divertido.
Diz:
“Entre todas as artes, escrever é a maneira mais fácil, indolor e alegre de passar o tempo... É verdade que a angústia às vezes visita o escritor. Nesses momentos, paro de escrever e saio para relaxar e tomo um café no meu restaurante predileto, sabendo que as palavras podem ser modificadas, repensadas, manipuladas, e, em último caso, negadas. Eis um luxo que os pintores não têm. Se saírem para tomar um café, a tinta seca e endurece”.

“...Bloqueio criativo: um mito
“O bloqueio criativo é um termo fantasioso inventado por gente que gosta de se queixar, só para ter uma boa desculpa para beber álcool.”
Hihihi
Ai ele diz que acontece do escritor ficar ‘entalado’, mas neste caso, faça como Sófocles ou Rodman, arranje alguém para narrar sua história, que será publicada “conforme contada”. Depois recomenda uma dica, um truque: quando entalar abra um romance publicado de outro autor, pegue uma frase que ache ótima e desenvolva seu texto dali. Se não conseguir com uma frase pegue outra e mais outra. Três frases copiadas não te levarão à cadeia.
Hahaha
Mais: “Uma demonstração de como se escreve na realidade
É fácil falar sobre como se escreve, mais fácil ainda escrever. Preste atenção:
Chamem-me Ishmael. Fazia frio, muito frio aqui nas montanhas do Kilimanjaro. Ouvi sinos. Eles dobravam. E eu sabia exatamente por quem os sinos dobravam. Era por mim, Ishmael Twist. [nota do autor: agora fiquei entalado. Vou até uma rosa e olho no fundo d seu coração.] Isso mesmo, Ishmael Twist.
Eis um exemplo do que chamo escrita “pura”...”é constantemente acompanhada por uma voz que nos repete: Por que estou escrevendo isto? E então, só então, o escritor pode almejar a sua realzação mais alta: ouvir a voz do leitor enunciando a sua pergunta complementar: “Por que estou lendo isto?”
(Última frase escrita por Steve Martin conforme ouvida de Cindy Adams).”

Adorei. E vocês?

*abril 2007

terça-feira, dezembro 01, 2009

Daqui

Clarice sob lupas


Leiam aqui. Um bom texto sobre a biografia de Clarice Lispector.
Ainda bem que ela não vive para não ver a vida analisada microscopicamente, eu odiaria.
OK ela é uma escritora importante, mas bastam os livros, por que vasculhar a vida?
Raduan Nassar diz que tudo que tinha que dizer já disse. certíssimo. Deve ser respeitado seu silêncio.

O depressivo na contramão

O depressivo na contramão

O que a depressão pode nos dizer sobre o mundo em que vivemos?

Eliane Brum
 Reprodução

ELIANE BRUM
ebrum@edglobo.com.br

Repórter especial de ÉPOCA, integra a equipe da revista desde 2000. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de Jornalismo. É autora de A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo)

Em seu último livro, O Tempo e o Cão – a atualidade das depressões (Boitempo, 2009), a psicanalista Maria Rita Kehl nos provoca com uma hipótese sobre a qual vale a pena pensar: a depressão, que vem se tornando uma epidemia mundial desde os anos 70, pode ser a versão contemporânea do mal-estar na civilização. Ela teria algo a dizer sobre a forma como estamos vivendo e sobre os valores da nossa época. Para além da patologia, a depressão pode ser vista também como um sintoma social.

O que nossa época nos exige?

Continue lendo aqui.