sábado, outubro 31, 2009

Amenidades de um sábado qualquer



Leiam aqui.

Ri agora quando vi a confusão que a Cam fez achando que meus filhos eram de Drummond.

Depois fui ao Twitter e ri com este comentátio: @jorai "GENTE!!! imagina a Jane Birkin na UNIBAN". Este @jorai é divertido e inteligente.


Daqui


Uma prima acaba de me ligar. Há anos não nos falávamos, parece que foi ontem. Num momento, depois de contar de todos os mortos nestes anos disse: Ah! Eu vejo a novela do SBT, aquela da mulher do Silvio Santos, estória de Janete Clair- tem cada homem bonito... Bom de se ver.
Esta coisa de beleza está no sangue- é mal de família. Que coisa! Queria ser diferente. Vai ser difícil mudar, já é tarde. Esteta nasce esteta- eu acho.
Ah! ela também me mandou rezar para Santa Rita- lembrei de minha tia que era devota da Santa, todas as vezes em que ouço o Jô Soares falar nela lembro de tia Mira- queria ter fé, não tenho-defeito de fábrica.

Ontem comentei aqui sobre a violência contra a moça de mini vestido. vejam a sua foto. Um absurdo em pleno século XXI uma manifestação daquela- me senti na Idade da Pedra.

A faxineira passou o dia aqui. Fala sem parar, houve um momento em que eu disse: Por favor, esqueçam que eu estou aqui, preciso escrever, me concentrar.
Passam o dia: Mãe, acabou a água. Mãe, cadê o dinheiro da água?
Mãe, posso falar com você? Mãe, a gata fugiu.
Dona Elianne, onde coloco esta comida?
Uauuuu Socorroooooooooooooooooo

Um homem veio consertar a lavadora de roupas. Cem reais- assim na bucha.
Lavei duas vezes roupas na máquina. Três homens em casa sujam muita roupa. Outro dia contei 21 camisetas e 11 bermudas. Também molhei o jardim, escrevi aqui, no Twitter... E tem gente que diz que eu não faço nada! Hoje a moça fez o almoço, mas sou eu quem diz o tamanho da batata, da cenoura, se coloca maionese ou não.
“Todo dia ela faz tudo sempre igual...”

Há pouco vi um trecho de Luis Melodia na TV cantando,( há muito tempo não o via)- Pérola Negra- bateu nostalgia. Vejam o vídeo no youtube. Saudades de Gal cantando, de Caetano, do amor do passado- eu era feliz, será que eu sabia? Às vezes, sim.

Daqui do escritório eu vejo a novela das oito da Globo. Faz favor... Texto péssimo. T.A. está sofrível-lastimável- como diz mamita, que volta de Curitiba na próxima semana.
Até a paisagem- cenário- já está cansando- 'queimou' a tal Petra, vai 'queimar' Búzios.
O ator que faz o gêmeo é bom e percebe-se que está estudando, compondo bem os personagens, Lilia Cabral, não precisa se esforçar, é boa atriz. Bárbara Paz vai ser a revelação, acho. EStá muito bem. Pefeita na moça complicada, neurótica, anoréxica e alcólatra-Ufa!, não é fácil.
Tem uma irmã invejosa que poderá ser uma espécie de "A malvada"- deve ser inspirada em Betty Davis.
E a trilha sonora? Péssima.

Esta noite sonhei de novo que estava saindo de viagem e não estava pronta. Faltavam roupas, dinheiro... Eu, hein?

Chega de amenidades, vou deitar no chão e relaxar. Boa noite ou bom dia para vocês.


Que viva Drummond!





Hoje, 31 de outubro seria aniversário de Carlos Drummond de Andrade. Nunca me esquecerei do dia de seu nascimento, se não fosse por ele eu não teria meus dois filhos. Já contei antes esta história, todos os anos conto, então vou repetir os posts anteriores. Quem já leu, sorry.

Drummond entrou realmente na minha vida ao morrer.

Era agosto, meu inferno astral, mês de mau agouro. A TV notícia a morte de Drummond. Fico triste e confusa, não sei se devo ir ao enterro- detesto estas cerimônias.

Dia cinzento, chuva fina, às nove da manhã a imagem do meu amigo no caixão na capela quase vazia me comove, e resolvo ir ao enterro.

Onze horas, hora do enterro, a capela cada vez mais cheia me sufoca. Saio para a varanda do cemitério São João Batista. Ali um homem alto, olhos azuis, de terno de linho azul claro aguarda, como eu, a saída do corpo. Havia outras pessoas: políticos, artistas, gente do povo.

Pergunto a um homem qualquer se há outra saída para o caixão- vi repórteres correndo.
O homem de terno de linho azul claro diz: "Deixe que vou ver". Volta e de longe faz um gesto com a mão para seguí-lo. Diz: "Venha". Fui.

Algum tempo depois eu esperava meu primeiro filho- dele.

Diz um amiga astróloga que quando morre um escorpião nasce outro, no meu caso nasceram dois geminianos.

Devo a Drummond meus dois lindos meninos, hoje homens.

Mais 'Drummond e eu' aqui.

sexta-feira, outubro 30, 2009

A beleza de Gustavo

Ele é meu amigo e tenho orgulho pelo seu bem querer. É um homem especial.
Filósofo e poeta.
Um amigo dos deuses, podem crer.
Acaba de me avisar que fez para mim este belo poema. Me comoveu.



Cantiga para Laura Diz


quinta-feira, outubro 29th, 2009 | Poemas | Nenhum Comentário


Calma minha amiga,

que o trem não vem só.

Muitas luas dão tristezas,

cada qual com o seu pó.



Gustavo de Castro- aqui o blog dele.

quarta-feira, outubro 28, 2009

Mini conto: Vingativa





Os olhos dele pousaram sobre as minhas mãos. Procuro sempre escondê-las- sempre desejei outras, mais bonitas- dedos longos.

Distraída, enquanto lhe contava da viagem, deixei-as sobre a mesa.

Ele perguntou, me interrompendo, ar curioso:

- E a revista, você contínua escrevendo e tentando entrar?

- Nunca mais a comprei, respondo.

Ele, que sentara à minha frente, curva-se sobre a mesa sorrindo e as toca dizendo:

“Descobri que é vingativa.”

Recolhi as mãos num gesto rápido e confirmei.

“Cuidado comigo”.

Agora ele acredita.

domingo, outubro 25, 2009

Olha o PPRangel aqui



Ele me deixou este comentário hoje, fiquei feliz, obvio.



Anônimo PPRangel disse...

Laura querida, veja como abandonei mesmo o blog da SOPPA: só ontem li a gentil mensagem que vc deixou em julho(!) sobre Som & Fúria lá. Obrigado por suas palavras generosas. Também nós, atores e equipe, adoramos participar daquele trabalho e estamos torcendo para que haja uma nova temporada. Vc continua no Rio? Quando será que nos encontraremos de novo pelas calçadas de Ipanema?
Sorte, saúde e beijos para vc!



Algumas pessoas conhecidas me dizem que eu gosto dos famosos, eles não gostam. Estão equivocados, eu gosto de gente que tem talento, conteúdo e que eu admiro. Está cheio de famoso por ai que eu nem ligo. Querem exemplos? Eu cruzei com Carlinhos Lira, Ferreira Gullar, M Colassanti e marido, Jaguar, Fernando Sabino e muitos outros durante anos, nunca quis me aproximar. Por que? Porque não são pessoas que eu desejei chegar perto, não têm algo que me toque, apesar de célebres e que muitos admiram. Zezé M. era minha vizinha... Mario Carneiro eu descobri alguns prédios depois do meu, tarde, mudou-se logo depois para Copa, este eu gostaria de ter chegado perto- mas tinha uma mulher...
Pedro Paulo eu sempre gostei desde a primeira peça que vi com ele, acho que foi: “O despertar da primavera” no início de 70. Ou já o conhecia da TV, não lembro- eu via muito menos TV naquela época- como sempre fui chata e seletiva... Bom...
Eu o encontrei por acaso em Ipanema, no prédio onde era meu consultório, entrei para falar com conhecidos e nos esbarramos. Eu disse: Sou a Laura do blog... Ele foi super amoroso comigo, fez uma festa. Estava comprando presentes de Natal- era véspera de festas natalinas- 2007.
Conhece o blog dele?

Pois é, o mundo virtual nos dá presentes. Estes dias recebi mais um, depois eu conto.

sábado, outubro 24, 2009

Teste sua memória visual


Faça este teste e divirta-se.

Van Gogh

"Noite Estrelada" - Vincent Van Gogh
"Noite Estrelada" - Vincent Van Gogh


"Van Gogh não morreu devido a uma condição delirante, e sim por haver chegado a ser corporalmente o campo de ação de um problema em cujo redor se debate, desde suas origens, o espírito iníquo desta humanidade, o predomínio da carne sobre o espírito, o do corpo sobre a carne, do espírito sobre um ou sobre outra. Onde está, neste delírio, o lugar do eu humano?

"Van Gogh buscou seu espaço durante toda sua vida, com energia e determinação excepcionais. E não se suicidou em um ataque de loucura, pela angústia de não chegar a encontrá-lo, ao contrário, acabara de encontrar-se, de descobrir que era quem realmente era, quando a consciência geral da sociedade, para castiga-lo por haver se apartado dela, o suicidou.

"Isto aconteceu como acontece habitualmente, como uma bacanal, uma missa, uma absolvição, ou qualquer outro rito de consagração, de possessão, de sucubação ou de incubação."

Daqui.

sexta-feira, outubro 23, 2009

Um barato!



Uma escada musical. Delícia.

Drummond e eu- Arquivo




Desde o início do blog venho lembrando o Drummond, o Carlos, tenho muito cuidado ao falar de Drummond, é uma pessoa muito especial.

Eu e Drummond nos cruzávamos nas ruas de Ipanema. Ele em direção à rua Barão de Jaguaribe, eu em direção à Rua Visconde de Pirajá. Durante anos nos cruzamos. Eu dizia: “Boa tarde, poeta” e seguia. Ele olhava timidamente e respondia. Nossos horários coincidiam- lá pelas três da tarde (engraçado, é o titulo de um conto do Raduan). Drummond, depois me contou que ia visitar uma pessoa, que ele namorava há 30 anos. Dizia gaiato: Se você somar os anos de namoro e de casamento dá mais de 80 anos, minha idade.

Em 1982 a imprensa festejou seus 80 anos. Pensei em escrever uma carta e lhe entregar, mas um dia- nestes meus rompantes- eu o parei e disse que queria cumprimentá-lo pelo aniversário. Ele disse qualquer coisa que não lembro- tipo: eu não mereço. Ele costumava dizer estas coisas-dei um abraço e segui cheia de ansiedade em direção ao meu consultório- o pior é segurar a ansiedade sem poder falar com ninguém até encontrar um amigo, não é?
Lembram da piada do cara que está numa ilha deserta com a Sharon Stone? Para os clientes não podia contar.

Continuei mais dois anos, eu acho, só o cumprimentando, até que um dia eu estava mostrando meus desenhos para Creuza- uma atriz que tinha um restaurante de comida caseira na rua Barão da Torre. Lembro que comprou uma aquarela de uma fatia de melância- nunca mais repeti o desenho. Drummond passou, lá pelas 6 da tarde, eu o chamei e disse que queria lhe dar um desenho. Ele olhava e dizia: "Não posso aceitar, são muito lindos. Você poderia fazer ilustração de meus poemas eróticos...”. Argumentei dizendo que ficaria ofendida se ele não aceitasse, que era um prazer lhe dar um de presente... Aceitou, pegou meu endereço e telefone e saiu apressado-mais apressado que ele só o Chico Buarque- este eu não tive a ousadia de parar, nunca, never. O que faria com Chico na frente? Ficaria deslumbrada e infartava!

Dez dias depois recebo pelo correio o poema “O que se passa na cama é segredo de quem ama”. Lindo poema erótico. Fiquei sem saber o que fazer, liguei ansiosa para meu amigo Chico que disse: ”Ligue para ele”. Perguntei ao poeta se o poema era para eu ilustrar ou era simplesmente um presente, respondeu que era um presente, mas que se eu quisesse poderia ilustrar.

Aqui começou uma bela amizade. Eu não ilustrei seus poemas. Ele dizia: “Não vou publicar senão dirão que sou um velhinho tarado”. Tarado não sei, mas sacana era. Drummond me constrangia no telefone, fazia perguntas íntimas cabeludas, eu não queria responder, ele retrucava: “Mas você não é psicanalista?...”
Para não entrar em detalhes, conto uma historinha que ilustra bem isto.

Um dia o encontrei com a filha na rua Farme de Amoedo, em frente à loja Forma que vende móveis importados. Após as apresentações, ele disse: "Minha filha, a Elianne é psicanalista. Elianne me diga o que significa comprar cadeira?" Eu respondi: “Deixe de brincar, Drummond...” Ele, rapidamente emenda: “Comprar cadeira para ficar ereto”.
Uma outra vez me telefona e diz que fez uma crônica para mim, que a personagem da crônica mora numa cobertura, aí diz: ” Você sabe o que é cobertura? É o que os machos fazem com as fêmeas no cio”. Assim era o Drummond que eu conheci com mais de 80 anos, imaginem antes como não seria? Quando comecei a escrever sobre ele aqui hoje, escrevi que nos cruzávamos pelas ruas, fiz de propósito lembrando dele.

Ele me confessou que sentia desejo por mim, apenas o corpo não respondia mais, e disse uma coisa que me faz muito feliz, afinal ele tinha mais de 80 anos: “Você foi um sangue novo em minhas veias”.
Drummond é mais um dos meus casos impossíveis, a diferença de idade era muito grande e eu não o via como objeto de amor.
A vida me deu vários casos impossíveis, o maior talvez o Jean Guillaume, mas é outra história, outro caso.
Devo ter sido uma amante terrível na outra encarnação, vim pagar os pecados, desejando e sendo desejada por homens impossíveis. Grandes e complicados amores. O pior é que não acredito em reencarnação...

Por hoje chega, outro dia continuo a contar minhas histórias com Carlos Drummond de Andrade.

Mais historinhas aqui e aqui

O poema que ele me mandou:


O que se passa na cama


(O que se passa na cama
é segredo de quem ama.)

É segredo de quem ama
não conhecer pela rama
gozo que seja profundo,
elaborado na terra
e tão fora deste mundo
que o corpo, encontrando o corpo
e por ele navegando,
atinge a paz de outro horto,
noutro mundo: paz de morto,
nirvana, sono do pênis.

Ai, cama canção de cuna,
dorme, menina, nanana,
dorme onça suçuarana,
dorme cândida vagina,
dorme a última sirena
ou a penúltima… O pênis
dorme, puma, americana
fera exausta. Dorme, fulva
grinalda de tua vulva.
E silenciem os que amam,
entre lençol e cortina
ainda úmidos de sêmen,
estes segredos de cama.


Faz bem para a alma, não faz?