terça-feira, outubro 06, 2009
segunda-feira, outubro 05, 2009
O questionário de Bernard Pivot/ Arquivo

Jeanne Moreau e James Lipton.

James Lipton ,
do “Actor’s Studio”,
tem um programa de entrevistas há nove anos e fez mais de 100 programas.
Lipton entrevistou alguns dos maiores atores e diretores do cinema, e ficou quase tão conhecido quanto seus entrevistados.
O programa é gravado no Actors Studio e conta com uma platéia formada por estudantes.
No final do programa ele faz dez perguntas de um questionário de Bernard Pivot, jornalista francês que já entrevistou mais de 8000 escritores em 28 anos na TV francesa.
O programa do James Lipton passa no canal Multishow aos domingos no início da tarde, sempre vejo quando lembro, muitas vezes passam vários seguidos em "Maratona Actors Studio",
uma delícia,
adoro as entrevistas.
O questionário de Bernard Pivot:
1. Qual sua palavra preferida? solidariedade
2. E a palavra que menos gosta? miséria, miserável...
3. Qual o seu som ou barulho favorito? riso de criança
4. Qual o som ou barulho que menos gosta? som de ambulância
5. Qual seu palavrão predileto? f. da p.
6. O que o excita? um certo olhar
7. O que o repugna? hipocrisia
8. Qual profissão gostaria de exercer se não tivesse a sua? artista plástica
9. Qual a profissão não gostaria de exercer jamais? médico patologista
10. Se o céu existe, o que gostaria que Deus lhe dissesse ao lhe encontrar?
"Bom te ver, venha, vamos encontrar seus amigos "
(esta resposta não é original, eu ouvi de alguém, não lembro quem foi)
E você, quer responder? É divertido.
Seinfeld e Super Homem-deliciosos
domingo, outubro 04, 2009
Canto triste
Pensar o por quê da tristeza é parte da vida dela desde menina. Despertou ouvindo o choro do vento, os olhos enlutados ofuscados pela luz intensa. Seguindo o lamento do vento, lembrou dele, pensou que o seu sonho morreu naquele dia de maio, há mais de um ano. Implorou aos deuses não viver aqueles dias. Os deuses, tiranos que são, gostam de desafios, acreditam que ela suporta mais do que ela mesma supõe. Sobrevive em luto.
Queria arrancar do peito esta dor. Por alguns instantes reconhece que poderia se salvar. Um lampejo aqui, outro ali.
Ela pede tão pouco...
Canto triste de Edu Lobo e Vinícius
Canto Triste
Edu Lobo e Vinícius de Moraes
Porque sempre foste a primavera em minha vida
Volta pra mim,
Desponta novamente no meu canto,
Eu te amo tanto...mais, te quero tanto mais
Há quanto tempo faz, partiste.
Como a primavera que também te viu partir
Sem um adeus sequer
E nada existe mais em minha vida
Como um carinho teu...como um silêncio teu
Lembro um sorriso teu...tão triste
Ah, Lua sem compaixão, sempre a vagar no céu
Onde se esconde a minha bem-amada?
Onde a minha namorada...
Vai e diz a ela as minhas penas e que eu peço
Peço apenas
Que ela lembre as nossas horas de poesia,
Das noites de paixão,
E diz-lhe da saudade em que me viste
Que estou sozinho...
Que só existe meu canto triste...
Na solidão
Uma bela voz que se cala
sábado, outubro 03, 2009
O Indireto Afetivo na Linguagem do Carioca

Foto Evandro Teixeira
Este texto de Francisco Bosco é uma beleza, fala de forma clara sobre algo que todos nós sabemos e não sabíamos explicar.
Seria a superficialidade do carioca? Mas como, se parecem tão afetivos?
Leiam e me digam se o filho do João não tem razão.
De Francisco Bosco, do livro Banalogias:
O Indireto Afetivo na Linguagem do Carioca
No Rio de Janeiro contemporâneo há uma figura lingüístico-afetiva que pontua as relações sociais entre cariocas, ou entre um carioca e um estrangeiro. Trata-se – e todo carioca ou qualquer pessoa que já esteve no Rio o reconhecerá – do famigerado
diálogo:
— Rapaz, há quanto tempo!
— Pois é, que bom te ver!
— Poxa, a gente tinha que se falar mais!
— É mesmo, vou te ligar.
— Mas liga mesmo, pra gente se ver, botar o papo em dia.
— Não, pode deixar, vou ligar com certeza.
— Beleza, então. Adorei te ver!
— Eu também, te ligo então. Um grande abraço!
Isso ou variações.
Pois para muitos cariocas, que já estão mais do que familiarizados com o diálogo, e talvez sobretudo para os não-cariocas, que constataram perplexos o encaminhamento futuro dessas promessas, essa figura lingüística acaba por se configurar como uma situação de constrangimento. Afinal, todos sabemos que não haverá telefonema algum. Todos, literalmente, a começar pelos próprios personagens da conversa. E a fórmula do constrangimento, já se disse, é precisamente esta: todos sabem que todos sabem e entretanto ninguém o pode admitir. Curiosas sutilezas sociais. O que impede que se desencubra o não-dito do diálogo é que esse não-dito é sentido como uma mentira: não haverá telefonema, um não ligará para o outro, e vice-versa. Assim, o não-dito é mantido e desenvolvido, cria-se uma conversa sustentando a sua tensão. Está configurada a situação constrangedora.
Mas o que faz com que a situação seja por muitos experimentada como constrangedora é justamente o entendimento desse não-dito, dessa promessa que sabemos sem fundos ("te ligo, com certeza"), como sendo uma mentira. Fulano disse que ia ligar, mas não ligou: mentira, portanto. Pior: fulano assegurou que ia ligar, enfatizou, sublinhou a promessa com todas as inflexões e entonações da convicção. Mentira ainda mais grave, gravíssima.
Entretanto, tudo muda se pensarmos o recalcado do diálogo, o não-dito, não como uma mentira, mas como um modo indireto da verdade. Assim, o horizonte em que a promessa passa a ser verdadeira não é mais a sua efetivação posterior, mas o que, dentro dela, vibra afetivamente: "te ligo" passa a significar "gosto de você", "vou ligar com certeza" traduz-se por "gosto muito de você", e assim por diante, a intensidade afetiva aumentando à proporção das entonações e expressões de segurança. Fernando Pessoa dizia que "a linguagem pode mentir, mas a voz não". Ora, nesse fragmento de carioquês a verdade está na voz, no afeto que nela pulsa e se manifesta explicitamente. Mas, cabe então a pergunta: por que engajar esse afeto em uma promessa sem fundos, que se sabe não será cumprida? Por que comprometer sua verdade associando-o a uma efetivação que não ocorrerá?
A origem dessa curiosa figura sócio-lingüístico-afetiva é uma outra figura: uma sutil transformação da amizade que costuma se dar numa das curvas impostas pelo tempo a determinadas relações. Essa transformação ocorre quando uma amizade intensa passa de um estado de intimidade diariamente atualizada – conversas freqüentes, presença física constante, confissões, vidas em permanente comunicação – para um estado de amizade em que a distância se interpõe e dispersa as trajetórias dos amigos, porém algo da intimidade da outra configuração resiste a essa nova forma e se mantém intenso, incólume à distância. Esse "algo da intimidade" se transforma em um afeto constante que, adormecido e escondido pela distância, emerge efusivamente na presença do amigo. Afeto a distância. Quase-intimidade que se evidencia, para deleite dos amigos, a cada vez que o acaso propicia um encontro. Mas, em geral, os movimentos divergentes das trajetórias de vida são irreversíveis, na medida em que atingem o processo de subjetivação de cada um dos amigos: estes já não são mais os mesmos, pensam e sentem de forma diferente, são outros, não podem ter a cumplicidade que tinham antes, não da mesma forma. O que resiste, o afeto, é resultado de uma intimidade de tal modo condensada que, por excesso, atingiu como que uma existência própria, interpessoal, portanto imune às mudanças de vida dos amigos.
Perde-se a intimidade, já não se sabe tão bem da vida do outro, mas fica, incorruptível, o afeto, que vem à tona nos encontros fortuitos. Pois, justamente, é essa consciência (que pode ser apenas intuída, porém claramente) da perda irreversível da intimidade, da impossível recuperação da amizade, que virá a produzir o diálogo de que estamos tratando. O afeto é verdadeiro, é uma positividade, mas há em sua formação uma perda, uma impossibilidade: a da intimidade perdida. Isto é, telefonar seria um erro, seria apostar na improvável recuperação do estado antigo da amizade. Doravante a amizade é isso: o afeto efusivo, a alegria dos encontros fortuitos – que entretanto tenderia a perder a efusão se se tentasse um movimento restaurador. O recalcado do diálogo, o não-dito, se forma nesse ponto: é que seria duro demais trazer à tona o núcleo de perda e de impossibilidade que se encontra na formação de um afeto tão positivo, tão efusivamente manifestado. Opta-se por escondê-lo, e para tanto faz-se necessário mascará-lo com a promessa da restauração: "Vou te ligar." Quanto maior a consciência ou a intuição — da impossibilidade, e de quanta perda ela encerra, maior a necessidade de mascaramento: "Vou te ligar, com certeza."
Assim, curiosamente, quanto maior a mentira, maior a verdade. A verdade do afeto não se subordina à efetivação da promessa, mas se manifesta, de forma indireta, através do prometido: "Vou te ligar, com certeza" significa apenas "Gosto muito de você". O não cumprimento da promessa significa a consciência (mesmo que intuitiva) da impossibilidade de restauração da amizade, e o recalcado do diálogo é o mascaramento protetor de um afeto delicado. Pois a verdade nua e crua, desprotegida, poderia ser muito... constrangedora: "Rapaz, há quanto tempo! Veja, gosto de você, fomos muito íntimos, mas hoje somos bem diferentes, não acredito que possamos retomar a antiga cumplicidade, por isso vamos apenas gozar desse momento de alegria fortuita, sem fazer promessas que não poderemos cumprir." Logo o constrangimento também surge de um excesso de dizer, e não apenas de um não-dito gritante. Na verdade, nosso famigerado diálogo carioca só se torna constrangedor se sua verdade nuclear – o afeto incorruptível – não for forte o suficiente para sustentar, à base de cumplicidade, a tensão do mascaramento. Quando o mascaramento é bem-feito, o diálogo transcorre sob intensa e efêmera efusão afetiva – e somente na despedida passa por nós a brisa de uma melancolia.
De: BOSCO, Francisco. Banalogias. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.
sexta-feira, outubro 02, 2009
Viva o Rio!
Vídeo de Fernando Meireles- ficou lindo e verdadeiro.
O Rio merece sempre- tudo. É linda de morrer, de emocionar. Se você não gosta é porque não a conhece, ou deu azar de passar maus bocados lá. E olhe que sofri lá pra cassete, mas fui muito feliz também e a cidade me faz bem- andar pelo Rio na orla é uma benção.
Eu amo o Rio de paixão. Se não tivesse os filhos jovencitos estaria lá.
E não precisa ser carioca para amar o Rio, eu não nasci lá, mas a escolhi como a minha cidade.
Quem sabe voltarei velhinha. Ontem conversando com meu filhote, ele disse: ''Mãe, você precisa voltar para o Rio''. Pode ser...
quarta-feira, setembro 30, 2009
Quarto de hotel I

Ismael Nery, Mulher sentada
I
Sentados de frente um para o outro no quarto do hotel, ela sorria. Ele não sabia o que fazer.
Colocou um dos pés no meio das pernas dele. "Assanhadinha, você” e veio com sede ao pote.
Não beijou sua boca, aflito, torceu e manou nos seios, chupou com força seu sexo, penetrou desajeitado.
Como previa, não haverá outra vez. Ele ainda não sabe.
PS: Achei esta imagem, mas achei que era demais para o conto. É de Klimt.
terça-feira, setembro 29, 2009
Prêmio Jabuti
Brigitte Bardot fez 75 anos esta semana
Clique 2 vezes e verá no youtube.
Ok., está envelhecida, mas deve ser feliz. Amou muitoooo, foi linda, é um mito- não morrerá. Pra que mais? Um corpitcho pra que? Deve comer super bem, beber excelentes vinhos, ser paparicada. Vida longa para BB!
Ué, cadê o Bob Zagury e os outros? Eu a vi de biquini em Búzios, já contei, e o corpo não era exuberante, em algumas fotos dá para ver, era mignon, nada de La Loren.
Aqui ela e o Bob.

Daqui, foi ela que nos lembrou da BB.
A Luma também postou, vejam aqui.
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