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terça-feira, novembro 22, 2016

Alegria, alegria. Obrigada vida!











Hoje é um dia importante em nossas vidas, minha e de meus filhos. Danton, o mais novo, acabou a faculdade de arquitetura. Lucas segue o percurso em engenharia elétrica, faz mestrado em robótica(ou algo similar, nunca sei), gosta muito de estudar.



A alegria é imensa porque foram anos difíceis em muitos sentidos. Anos instáveis. Vivemos nos equilibrando, reequilibrando, do financeiro ao emocional. Anos solitários, diria. Educar filhos sozinha, apenas quem vive isso sabe. Sofremos junto, torcemos, esperamos o melhor. 

Agradeço aos filhos que tenho, agradeço à minha mãe que sempre ajudou-nos, da garra ao apoio financeiro. Hoje, com 90 anos, assistiu a apresentação do neto. Pensei: somos mulheres fortes. Aprendi com ela, talvez, a resistir, a ir atrás do desejo. Ela, separou-se de meu pai com 56 anos de idade, 36 anos de casada- na época em que mulheres não tinham esta coragem- foi morar em São Paulo com novo amor e estudou Letras no Mackensie. Cinco anos depois, só, de ônibus, saia de Cabo Frio, ainda de madrugada, para o curso de Mestrado na UFF. Lecionou na Faculdade de Letras de Cabo Frio. 

Enfim, hoje, os dois formados, homens admiráveis, honrados, bonitos, sinto que têm o básico para seguirem o caminho que escolheram. Desejo o melhor aos dois. 
Obrigada, filhos!

PS: O projeto de final de curso de Danton foi uma pousada, chamou de Vitória Régia.

domingo, agosto 02, 2015

Meu avô, por Danton Abreu





Uma história que Danton Abreu​ contou agora sobre seu avô e me comoveu.

"Meu avô, Ruy Abreu.


Minha avó sempre falou que ele era pão duro- pelo menos 3 vezes ao dia- e eu não tinha muito contato com ele o que me fazia pensar que era verdade.
Um dia sai com meu avô para caminhar (devia ter 7-9 anos).  Vi numa banca uma caneta do Pokemon, e como qualquer criança da época, quis a caneta.
Lembro que fiquei com receio de pedir, porque se tratava de dinheiro com o General Ruy Abreu... A vontade era tão grande que rompi a barreira da inibição e pedi! Já esperando que ele dissesse: "Não, você já tem muito brinquedo", como era de costume- (essa questão do muito dependia do seu referencial, ele não teve brinquedos, era muito pobre). A resposta foi um surpreendente (Será?) sim, e começou a mexer no seu bolso. A primeira coisa que vovô tirou foi seu famoso jornal, que lhe servia como um maravilhoso quebra sol, o segundo ou o terceiro não lembro a ordem, um deles foi um catalogo dos dias do ano, daqueles pequenos com imagem de bichinhos em uma face do papel, e o outro um papel com seu endereço- caso se perdesse, vale salientar que ele já estava começando a ficar senil. Por último tirou um plástico, parecido com aqueles que se guarda cartão de crédito, onde tinha sua identidade, uma nota de dinheiro e moedas. Então começou o momento de suspense para mim, meu avô contando sua nota com as moedas, será que iria dar para comprar?
O dinheiro era pouco, mas deu, e por sinal não sobrou nada de troco para o coitado. Depois que peguei a caneta lembro meu primeiro pensamento: Acho que não devia ter ficado com o dinheiro! O vovô ficou sem nada!
Mas vi sua felicidade em me agradar e não houve em nem um momento resistência para comprar algo tão supérfluo... porque ele era avesso a tudo que não fosse essencial.
Acho que o mais triste é que a caneta não durou um dia, isso me entristeceu muito, pois queria tê-la comigo para lembrar do grande episódio com meu avô, o mesquinho que comprou a caneta do Pokemon para mim!
Mesmo que o vovô fosse mesquinho- o que não é verdade, ele deixou terrenos, casas para todos os filhos e outros necessitados que cruzaram seu caminho.
O generoso Ruy Abreu nos deixou algo mais válido que qualquer dinheiro, que qualquer bem material, nos deixou virtudes plantadas no solo de nossa família!
Realmente, não sei o que seria de minha família sem meu avô! Por isso tenho um sentimento de gratidão eterna por ele!"