quinta-feira, fevereiro 27, 2014

O filho de Josué- crônica















Josué desliga a máquina de cortar grama, fixa o olhar em mim e diz:
- Quero que me responda como uma profissional que é. Uma pessoa que pensa que acontecem coisas que não existem tem o que?
- Não sei... pode ser delírio.
- É meu filho esta pessoa. Ele diz que imagina coisas porque foi estudar para ser padre e imaginava que lá era todo mundo santo, mas tem até sacanagem no seminário.
- Ele precisa ir a um psiquiatra.
- Ele já foi, está tomando três remédios.
- Há quanto tempo?
- Três meses. Vi no "Fantástico" que a pessoa precisa tomar o resto da vida.
- Não sei dizer, o médico saberá. Pode ser que sejam pensamentos persistentes e não delírio. Mas hoje existem remédios para tratar. E se precisar tomar... tem que tomar.
- Ele disse que desde menino tem estes pensamentos, foi menino ser padre.
O sol já estava a pino e eu precisava entrar. Pensava no homem a minha frente com certa ternura, tão mal cuidado... no filho que talvez tenha sofrido assédio sexual naquele ambiente.
- Você quer água Josué? Eu tenho coisas para fazer, preciso entrar.
- Aceito água.

PS: Diálogo real com nome fictício.

sábado, fevereiro 15, 2014

Les diaboliques










Vi ontem Les diaboliques, As diabólicas, de Clozot. Um filme que minha família comenta, gosta, e eu não havia visto.

Alguns filmes desta geração me escaparam, eu era menina e teria que vê-los em cineclubes, agora vejo em casa. Muito bom.

Uma estória ótima que te prende desde o início, com interpretações excelentes de todo o elenco. Simone Signoret jovem e linda, faz uma mulher forte e malvada. Véra Clozot perfeita como a mulher frágil e submissa- era casada com o diretor.

Num cenário estranho- uma escola lúgubre do início do século passado, crianças indisciplinadas, diretor carrasco, mulheres espancadas- há um crime, tudo parece perfeito, até que o cadáver desapareça.

Não vou contar mais. É considerado um dos melhores filmes de todos os tempos- merece ser visto.

Meio Hitchcock, meio terror, gostoso de se ver- um bom quebra- cabeça. Me diverti.

quinta-feira, fevereiro 13, 2014

O amor atemporal no filme "Her"







Acabo de ver "Her", filme de Spike Jonze. Interessantíssimo.

Um filme que fala do amor no nosso tempo ou qualquer outro tempo . Joaquin Phoenix faz o personagem que termina um relacionamento e, em vez do luto natural, engata numa relação virtual com um programa que o assessora, lê, escreve e-mails, marca encontros, o acompanha em passeios. A voz do programa é de Scarlett Johansson.

É um homem solitário que escreve cartas de amor para outros. Cartas imaginárias como o amor virtual. Cartas para estranhos, como a voz familiar que nunca se personificará. O amor permeia o filme. O afeto que nos faz crescer- palavra citada muitas vezes pelo personagem- que nos faz menos solitários, mesmo sendo uma voz programada. A máquina se desenvolve, evolui, cresce.

O amor imaginário, como o real, nos faz melhores. 
 Amores virtuais soam à perfeição, o outro é criado por nós- mesmo que ele exista, esteja lá, escutamos, lemos, aquilo que desejamos. 
 Quando o outro se posiciona, contrariando nosso imaginário, estranhamos, 
desconfiamos de nossa compreensão, queremos estar certos, 
 que nada interfira neste amor pleno- 
 pois é meu, eu criei à minha imagem e perfeição. 

O cenário é bonito, a cidade aparece em belas imagens. O figurino lembra décadas passadas, é unissex O passado nós construímos- é o que narramos(por ai)- penso que a mulher programada diz no filme- não irei conferir. A estória é futurista mas atemporal.
Contraditório? Digam o que acharam. Penso que a escolha do figurino é para confundir, você vê os personagens no futuro com roupas que sua mãe usou. Não vou contar mais, vejam o filme.

Pensem que todo amor vale a pena e sejam tolerantes com máquinas e Homens. :)

 Trailer:





terça-feira, fevereiro 04, 2014

Carta de amor de Richard Burton para Elizabeth Taylor










Daqui.


June 25, 1973

So My Lumps, 

You're off, by God! 

I can barely believe it since I am so unaccustomed to anybody leaving me. But reflectively I wonder why nobody did so before. All I care about—honest to God—is that you are happy and I don't much care who you'll find happiness with. I mean as long as he's a friendly bloke and treats you nice and kind. If he doesn't I'll come at him with a hammer and clinker. God's eye may be on the sparrow but my eye will always be on you. Never forget your strange virtues. Never forget that underneath that veneer of raucous language is a remarkable and puritanical LADY. I am a smashing bore and why you've stuck by me so long is an indication of your loyalty. I shall miss you with passion and wild regret.

You may rest assured that I will not have affairs with any other female. I shall gloom a lot and stare morosely into unimaginable distances and act a bit—probably on the stage—to keep me in booze and butter, but chiefly and above all I shall write. Not about you, I hasten to add. No Millerinski Me, with a double M. There are many other and ludicrous and human comedies to constitute my shroud. 

I'll leave it to you to announce the parting of the ways while I shall never say or write one word except this valedictory note to you. Try and look after yourself. Much love. Don't forget that you are probably the greatest actress in the world. I wish I could borrow a minute portion of your passion and commitment, but there you are—cold is cold as ice is ice.

domingo, fevereiro 02, 2014

Phillip Seymor Hoffman em Before the Devil Knows You're Dead (2007)





Tristeza pela morte deste ator fantástico.

O cinema ficou mais pobre hoje, Phillip e Eduardo Coutinho morreram de forma trágica.

Deixem um vácuo em todos nós.