domingo, março 31, 2013

Feliz Páscoa!






Impossível passar a Páscoa sem certa nostalgia. Lembro os ninhos de papel celofane cortados, da minha infância e da dos filhos. Dos ovos da açúcar ou coelhinhos de marzipã- minha madrinha sempre trazia, eu não gostava de chocolate quando menina- imaginem.... Hoje não teremos ovos de Páscoa. Aqui faz muito calor, melhor comer chocolate com parcimônia :)

A família hoje sou eu e os filhos. Ah! Dois gatos e um cãozinho fofo. Sinto-me estranha entre os irmãos. O filho surfista está no mar, o outro dorme, o silêncio é quebrado pelo vento forte e pela TV que liguei para ver se acho algo assistível- só reprises.

 Ainda não estou liberada para estripulias, nem jardinagem, nem varrer casa- só depois do dia 15 de abril poderei fazer mais movimentos. Para quem não sabe, fiz cirurgia para retirar cataratas dos olhos. Recomendo- vejo muito melhor agora.

Sempre ouvi que Páscoa é renovação, bom momento para mudanças, novos projetos e tal. Tenho dificuldade enorme para planejar- perseverar. Espero que esta reflexão me ajude a recomeçar o que deixei pelo meio. Desejo o mesmo para cada um de vocês.

 Feliz Páscoa!

sexta-feira, março 29, 2013

quinta-feira, março 28, 2013

Contardo Calligaris e o novo Papa









Papa vai, Papa vem

FOLHA DE SP - 28/03

Não é muito importante que a igreja se modernize, pois seus fieis já estão se modernizando há tempo


Quando eu era criança, meu pai deixava que minha avó cuidasse de minha formação religiosa. Ela comungava todos os domingos. Querendo seguir seu ritmo, eu me preparava confessando-me no sábado, no fim da tarde. Mas eis que, na noite de sábado para domingo, um pensamento ou um sonho vagamente impuros, uma irritação, um palavrão me convenciam: eu já tinha perdido a pureza garantida pela absolvição de poucas horas antes.

Conclusão: eu precisava de uma nova confissão antes da missa de domingo. Às vezes, não tinha mais como, e eu renunciava a comungar.

Enquanto isso, eu constatava que minha avó não se confessava nunca -e olhe que, naquela época, ninguém falava em "absolvição geral" ou em "confissão uns aos outros": a única confissão que valia era a pessoal, com um sacerdote.

Tudo bem, minha avó era (ou parecia) idosa e bem-comportada. Mas, mesmo assim, eu não entendia: para mim, sem confissão (recente e por um sacerdote) não havia como acreditar no perdão divino. Criei coragem e perguntei. Ela disse que pecava pouco e, de qualquer forma, tratava do assunto diretamente com Deus. Rezo para que esse deslize herético tenha sido tratado com indulgência quando ela se apresentou no céu.

Seja como for, foi graças a essa avó muito católica que descobri precocemente o charme e alcance profundo da Reforma protestante. Ou seja, apesar da reação do Concílio de Trento com seus decretos disciplinares, seu índice dos livros proibidos e sua reorganização da Inquisição (hoje Congregação para a Doutrina da Fé, da qual, aliás, Bento 16 foi prefeito antes de ser papa), apesar de tudo isso, o espírito da Reforma protestante ganhou corações e mentes dos católicos -se não de todos, de muitos, a começar por minha avó.

Consequência: tornou-se cada vez mais possível e frequente que alguém se considere católico praticante e decida por si o que é pecado e o que não é, num diálogo privado com Deus, sem desprezar nem a igreja nem o papa, mas sem depender deles.

Conheço numerosos católicos devotos que se casaram, se divorciaram, casaram-se novamente (no civil), não confessam a sacerdote algum o "adultério" no qual eles vivem (segundo a igreja), não se arrependem e comungam, a cada missa, alegremente, considerando-se absolvidos diretamente por Deus.

Às vezes, um pároco conhecido lhes recusa a comunhão; pois bem, mudam de igreja ou, então, esperam para comungar quando viajam e encontram, no exterior ou num lugar remoto do país, uma igreja onde ninguém saiba de sua vida no "pecado".

É fácil encontrar católicos dando provas da mesma liberdade de pensamento em matéria de camisinha e de anticoncepcionais, de homossexualidade e mesmo de aborto.

Por causa desses "novos" católicos (nem tão novos assim, se minha avó estava entre eles), contemplo com um pouco de tédio as especulações mais ou menos esperançosas sobre o rumo que o novo papa imprimirá à igreja. Será que isso ou aquilo vai ser reconhecido ou permitido? E os padres, eles poderão se casar? Como se já não houvesse padres que, em segredo (de polichinelo) e sem a autorização romana, casam e seguem administrando os sacramentos para sua comunidade, a qual os aceita, satisfeita.

Em suma, para uma parte dos católicos (que é difícil medir, mas que é, no mínimo, uma boa minoria), a pauta dos comentários destes dias é irrelevante. Para esses católicos (que, sem se dar conta, foram conquistados pela modernidade da Reforma), o diálogo íntimo e livre com Deus está acima da opinião do papa, do pároco e da Congregação para a Doutrina da Fé.

Alguns deles acabam se tornando anticlericais: acham que o que importa é a mensagem cristã e o resto (a igreja) não passa de folclore, pompa, glose e vida institucional. Outros continuam gostando do ritual e de "seus" padres, embora considerem que a igreja militante é uma assembleia, não uma falange a mando de seus oficiais.

Se esses católicos forem o futuro do catolicismo (um futuro que já começou), a igreja de amanhã será variada e plural. Haverá católicos condenando o aborto em qualquer situação e haverá outros admitindo o aborto nas situações em que lhes parece justificado aos olhos de Deus. E eles conviverão na mesma igreja.

Ou seja, não é muito importante que a Igreja Católica se modernize. Pois seus fieis já estão se modernizando há tempo, optando pela liberdade de sua consciência, sem deixarem de ser católicos.

sábado, março 16, 2013

Um dia para não lembrar





Hoje pensei que fosse domingo 17. Dia 16 é dolorido- pulei. Mas não consegui fugir da verdade- ainda é 16, dia de C.. Um dia me disse que nasceu 6 meses antes pra ficar mais elegante- senão eu seria mais velha- nascemos no mesmo ano. Foi o meu maior sonho e a minha maior dor- sua morte.
Não há consolo, não há trégua. Sim, a vida continua, não seja mórbida, digo para mim mesma, mas ele está sempre presente, basta o silêncio me tomar que sua imagem, suas mãos, seu rosto vem- é preciso fugir da lembrança impressa no corpo, na alma.

Talvez o tempo ou alguém me cure. Espero. Haveria outra vivência amorosa intensa que suplante esta? Eu gostaria.

quinta-feira, março 14, 2013

Poeminha despretensioso- Sem fantasia(revisado)




Amanhecer dói.

Na memória o verso: “Não adianta dormir que a dor não passa”.

Volta, noite adentro, para a cama.

As pernas percorrem o lençol.

Nada a encontrar, nem fantasia.



Publicado anteriormente em 4/02/2011

O novo Papa foi instalado


sexta-feira, março 08, 2013

Uma mulher- Lou Andreas Salomé





Nietzsche viveu com Lou Salomé  um triângulo amoroso, 
ela era casada com o escritor Paul Rée. 
Detalhe da foto com os 3 presentes e o chicotinho  na mão de Lou Salomé.

Mais sobre Lou aqui