"Nunca vi tanta dor em toda minha vida", conta Janov sobre Lennon, abandonado pelos pais e criado por uma tia. "Ele me mandou o disco assim que ficou pronto e eu toquei para um grupo de pacientes. Todos foram à loucura, começaram a gritar, porque o álbum falou para suas almas. Foi incrível."
Os meninos foram à praia- desenhar- um arquiteto daria aula de aquarela na Praia do Morro do Careca- não fui, estava com dor de cabeça e também porque jovens não cansam, e eu iria querer voltar antes- 15 hs e ainda não voltaram- foram num grupo de uns seis jovens.
Passei a manhã cuidando do jardim e tomando sol- uma tristeza me invadiu, senti saudades de um amigo, respirei fundo, pensei nos filhos tão saudáveis e segui.
Na hora do almoço liguei a TV e soube da tragédia na boate em Santa Maria.
É...mesmo com sua vida em paz, há coisas que nos tocam profundamente- ai, a vida... e a mídia explora a dor das famílias, é doloroso demais- coloquei num filme sobre jazz e blues para me distrair, enquanto escrevo. Tenho sono, tomei vinho no almoço.
Nasci pertinho de Santa Maria, nunca estive lá- sai com 2 anos e não voltei. Pai militar, não sinto vínculo nenhum com o RS. Gosto de alguns gaúchos, gosto de Brizola- acabo de ver um documentário sobre ele hoje no Canal Brasil: “É tudo verdade”- sinto falta dele, de Darci... fico feliz por termos sido contemporâneos. Geração interessante, marcante- não conheço nenhum outro político como o velho Briza- e era charmoso... a família está minguando... alguns netos seguem o avô, mas não têm o carisma.
Ontem vi um filme de Truffaut, “Um só pecado”, não lembrava, acho que nunca havia visto, senão lembraria pelo tema e pela atriz- Françoise Dorléac faz a amante de um escritor, um intelectual, escritor famoso. O filme é tenso e tem final trágico. Não gostei muito. A estória é comum e o filme, bem dirigido, claro, incomoda pela tensão que nos provoca. Ponto para Truffaut.
Françoise morreu aos 24 anos... de acidente. Putz! É muito triste. Fez quatro filmes- dois com a irmã, Catherine.
A morte sempre presente, sonhei com meu pai, com um tio querido que morreu há muitos anos... O filme do Truffaut também acaba com um tiro certeiro. É a vida como ela é.
"Aproveitando o clima cinematográfico trazido pelo Festival de Cinema de Cannes, hoje iremos nos aproximar de uma das maiores divas francesas da atualidade: Catherine Deneuve. Há mais de quarenta anos fazendo história no cinema francês, abaixo a primeira parte de uma entrevista feita recentemente com a estrela pela revistaPsychologies (nº 305, mars 2011):
Psychologies: Há muito tempo que queremos ir ao encontro da mulher que se esconde atrás do mito Deneuve, Catherine Dorléac… C.D.: Eu já vou te prévenir que eu não falo da minha vida pessoal, estou aqui unicamente porque estou atualmente em cartaz.
Psychologies: Está bem, falemos de cinema. Você revê seus filmes? C.D.: Eu revi Belle de jour há pouco, numa apresentação, mas..."
Vi, em casa,
sozinha, o filme “Amour”. Estava ansiosa para ver, todos diziam que eu iria
gostar. Claro, gostei, mas confesso que não consigo saber se é um bom filme.
Por que? Porque mexeu demais comigo.
O filme é
comJean-Louis Trintignant, um dos meus
atores preferidos. Um homem com quem saia do cinema a sonhar. Belo, bom ator, o
tímido que me atrai. Na vida pessoal sofreu a morte trágica da filha
assassinada pelo marido- terrível. Pois é, o filme é com um velho que nada
lembra o Trintingnant da minha juventude- nossa juventude- ele é mais velho,
óbvio, pero... Passei o tempo todo entristecida pela velhice de Trintingnan-
tentando ver naquele rosto crispado algum traço de beleza- nada- apenas os
lábios me lembraram os dele. Eu me vi no filme, nos dois personagens, na mulher
vaidosa, que não se aceita com limitações, no homem velho, perdido diante da
dor. Deus meu! Lembrei de um amigo que morreu e que lutou bravamente contra o
câncer, um homem que eu desejei cuidar até o fim, mas a vida não me permitiu.
Não é possível saber se o filme é
bom, diante de tanta emoção.
Talvez tenha visto Jean- Louis a
primeira vez em “E Deus criou a mulher” o famoso filme com BB. O penúltimo deve
ter sido “Um homem, uma mulher- 20 anos depois”. Vi muitos filmes com ele.
“Amour” traz a estória é de um
casal que vive uma vida pacata e rica- os dois são professores de música. Vivem
sós, têm uma filha, (Isabelle Huppert), que os visita eventualmente, também
musicista. Quebrando a tranquilidade aparece a doença na personagem de EmmanueleRiva. Fui ver sua filmografia e vi que participou de Hiroshima
Meu Amor e muitos outros filmes, como “A liberdade é azul”, muitos
filmes excelentes.
O filme é lento, repetitivo, como a vida de velhos que perderam o
sentido da vida. Um ex aluno vem visitá-los
e lamenta. Os vizinhos se dizem disponíveis, se precisarem, não precisam de
ninguém. A filha nega o que acontece com conversas triviais, e mais tarde,
explode pela impotência diante da morte, ou pela morte em vida.
Um filme sobre a morte, pensamos, por que o título ‘Amour’? Mas é um
filme de amor, aquele homem velho, como o jovem personagem de “Um homem, uma
mulher” ama aquela mulher que definha, que não quer viver, nem ser vista. Ele
realiza os desejos dela. O fim é trágico- tinha que ser.
Alguns dias depois zapeando na
TV, achei um filme: “A caixa de pandora”, de um diretor turco. Na produção,
além da Turquia, havia França, Alemanha e Bélgica. Prometia. Logo nas primeiras cenas senti que
era bom- em cinco minutos eu sei se o filme é bem feito ou não- olho treinado.
A estória
começa com uma manhã insólita para os três filhos de uma velha senhora- recebem
a notícia de que ela sumiu. A trajetória dos três num carro até a aldeia é
longa e conflitiva- discutem, se chocam. Têm dificuldades com a mãe, que foi
diagnosticada com Alzheimer e está sem memória. Lembra do passado apenas.
Adorei o
filme, não tem nada extraordinário, traz uma estorinha conhecida: o que fazer
com o pai ou mãe quando tornam-se dependentes. Quem vai ficar com a mãe? Seria melhor um asilo? O que toca
é a sensibilidade do diretor- escritor, não sei, que fez da personagem
principal uma mulher intrigante apesar da doença. Ela descobre uma brecha naquele turbilhão provocado por
ela, involuntariamente, e desperta no neto compaixão- ele também estava
deslocado naquela família.
Há um momento em que ela diz ao
neto: “Me leve para minha propriedade, antes que eu me esqueça como é.”.
O final do filme fica no ar numa
bela cena dela com o jovem neto transgressor.
Ufa!
Finalmente acabou 2012- ô ano difícil. Não tive paz: a minha mãe aqui-
lamuriosa e rabugenta- e outros problemas periféricos- não meus- mas que me afetavam na
medula.
Pois, pois,
o ano novo começou, mas o esquema era o mesmo. Uma conhecida ficou doente
aqui no dia 31- dores fortes na coluna- e eu estive cuidando dela até dia 19.
Médicos, exames... Sábado foi para sua casa, o irmão médico tem que ser o
responsável- ela não tem família aqui além dele e tem problemas psíquicos que exigem medicação forte- é de temperamento muito difícil- ai ai minha sina...
Agora começo a retomar minha vida. Não deixei de
fazer as coisas básicas, mas escrever, blogar, era impossível com alguém te
solicitando o dia todo.
O blog anda
as moscas- não estou exagerando, é vero, preciso revitalizá-lo- eu amo blogar.
Não importa se tenho poucos leitores, é uma forma de me analisar, pensar o que
estou a viver.
Vou te
contar, o ano passado, foi quase estagnado ( lembro do Y Ching), só não foi
porque tive sucesso no consultório- fico feliz por isso- mas quase não sai, não
viajei, não li- exceto uns 3 livros. Uma pobreza. Nem escrever eu conseguia com
a negatividade que havia aqui.
Bom, me
desejem um feliz ano novo, porque a festa de réveillon não valeu rs
Para você
também sorte. Acho que preciso de boas vibrações- e olhe que eu tenho, viu?
Este programa foiexcepcionalmente agradável.
Quem não viu, tente ver. Ele é bonito, simpático, elegante, inteligente- todos já sabem.
Um homem que eu queria conhecer.