Quarta-feira, Março 31, 2010

Vida e morte com Klaus Nomi, Barthes, e Satie



Algumas coisas me tocam muito. Ouvi esta música hoje- recebi via @JorgePontual.
É comovente. Jorge fez um caminho inverso ontem contra a correnteza do BBB postando links de músicos gays, muitos já morreram de AIDS. Vejam aqui.

Outro dia, aquele da piscina que meu filho me deu um banho, eu chorei ao ler um trecho de Barthes em francês.
“ : Du Phoenix, on ne dit pas qu’il meurt, mais seulement qu’il renaît (je puis donc renaître sans mourir ? )*
É possível renascer sem morrer ?
É de chorar esta frase de Barthes- ele está citando “Werther” neste trecho- de Goethe.

*De Phoenix, não dizem que ele morreu, só que renasceu (eu posso, portanto, renascer sem morrer?





Eu adoraria morrer ouvindo esta musica de Satie- já disse antes. Iria sorrindo.

Terça-feira, Março 30, 2010

E-mail para lembrar II



Vocês sabem que sou fã do José Simão. Escrevia sempre para ele- dava dicas. Não tenho mais escrito.

----- Original Message -----
From: simao
To: elianneabreu
Sent: Tuesday, August 09, 2005 9:31 AM
Subject: Re:Fw: Simão


Elianne
Não fique triste não! Fundo de poço tem mola! Pra cima! Um grande abraço do Ze Simao!
Valeu!

Eu havia escrito: Simão, obrigada por vc existir ai e me dar uma alegrada, porque eu ando numa tristeza... Um bj Elianne/laura

A bela do cinema francês



Simplicidade e beleza.

Segunda-feira, Março 29, 2010

Fugindo pelo sonho


Clique na tela que abre no 'youtube'.


"Nursy Betty"- "A enfermeira Beth"


O filme é tenso, mas delicioso, o riso surge, na medida certa, para descontrair a tensão. É um comédia meio torta, acho que é sensível demais para uma comédia. Renée está linda e tocante. Morgan Freeman, como sempre roubando as cenas em que aparece. Greg Kinnear gracioso, apaixonante. Chris Rock, assustador pelo teor de violência- me surpreendeu, estou acostumada a rir com ele.

Eu me emocionei com a personagem sonhadora- quem não gostaria de embarcar num sonho e fugir da dura realidade? Quem me conhece sabe que sou uma eterna adolescente neste aspecto- sonhar é sempre possível.

Amei o filme, foi uma bela surpresa- vi ao acaso no final do dia na TV- o que me chamou a atenção foi o elenco.

Devo estar perdendo outros belos filmes- tenho saído tão pouco...

Aqui está a primeira parte- emociona e choca.

O trailer está aqui, mas vi um trecho e achei que foi editado para parecer mais engraçado do que é.


• Direção: Neil LaBute - Excelente

• Elenco - Perfeito
Renée Zellweger .... Betty Sizemore
Morgan Freeman .... Charlie
Chris Rock .... Wesley
Greg Kinnear .... Dr. David Ravell / George McCord
Aaron Eckhart .... Del

"Que feras -tu de ta vie?"




Et demain que feras-tu de ta vie,
Des forêts et des jardins de ta vie ?
Moi, je ne demande rien de ta vie
Que de la vivre avec toi

Partager chaque saison de ton coeur
Etre seule à l'horizon de ton coeur
Et la rime (?) sans raison de ton coeur
Quel bonheur... si c'était moi

Je veux trouver ta main pour traverser la nuit
Pour effacer les lendemains de pluie
Et quand s'éteint la flamme d'une année de plus
Vivre encore la plus belle année que nous ayons connue

Tant de joies sont à venir dans tes yeux
Tant de fleurs dans le sourire de tes yeux
Que je voudrais m'endormir dans tes yeux
Et m'éveiller chaque jour

Oh... Toute ma vie,
L'été, l'automne et l'hiver de ma vie
Je n'aurai qu'une lumière dans ma vie
C'est toi dans ma vie... toujours...


Aqui
há uma tradução.

Sábado, Março 27, 2010

Levei mais um banho...



Ontem subi para a piscina de tardinha. Relaxei a tensão- ando insuportavelmente irritada e triste. Estudei francês* e me exercitei. Banho tomado, espreguiçadeira embaixo da luz, eu lia e, lá pelas seis horas, aparece meu filho.
Digo: Não pule que eu acabei de tomar banho!
Deu um salto que me encharcou.
Fiquei p da vida. Putz! Já havia tomado uns três banhos. A sorte que os livros estavam dentro de um saco plástico- assim que o vi, guardei os livros, pensei em descer a ladeira com ele. Dan... ai, ai, às vezes acho que ainda se sabe o tamanho dele- está grande e forte. Tem 19 anos. Ficou passado, nemquis ficar mais lá, não era sua intenção acabar com minha tranqüilidade, eu sei. A adrenalina subiu- fiquei irritada de novo. Voltei para casa. Tomei outro banho de chuveiro e relaxei vendo o Seinfeld.
Ele veio se desculpar mais tarde, disse que não o fez antes porque eu iria fazer discurso. Ia mesmo. :)

* Àqueles que vêm aqui para espiar: Se você pensa: "É metida, mesmo". Saiba que estudo sozinha, não posso, no momento, me dar ao luxo de pagar um curso. Deixem de ter inveja de mim, please- minha vida não é invejável, coloque-se na minha pele um dia e veja o que é bom. Não desejo para ninguém o que estou vivendo. Vade retro!

Quando o mar sobe...



Sonhei que ligava para alguém- um irmão, parece R.- e dizia que estava de saída daquele lugar. Olho e vejo uma praia quase deserta. Digo: “Todos foram embora. Pois é, agora que é bom ficar.” (Depois que ele diz algo).

Penso que não gosto daquele prédio à beira mar. Era um prédio de três andares, de uns 50 anos- nada a ver com a paisagem. Um edifício de cidade, já velho.

Olho para a encosta- falésias- e vejo que o lugar por onde cheguei está fechado- estão fazendo uma obra com cimento lá no alto- seria uma escada de acesso. Penso em como sair dali. Teria que ser pela praia.

Fui buscar uma imagem e lembra Pipa. Vivo dizendo que quero ir à Pipa e nunca vou- é aqui perto- me falta desejo de tudo- sair de casa é difícil sozinha. Dan iria, eu sei, mas agora está estudando- fará vestibular no fim do ano, não posso dispersá-lo mais do que já é.

O prédio é um daqueles prédios pequenos do Rio, de Copacabana- lembra onde morava Renato Russo, em Ipa- perto da minha casa. Sei lá, ontem ele faria 50 anos. Não me diz nada R.Russo- nunca prestei atenção nele- sorry fãs- eu sou de outra geração e não dou conta de saber tudo- não gosto de nenhuma banda, nem Titãs- lamento.

Estive em Pipa uma vez, gostei muito- gente de todos os lugares. Logo que cheguei ao pedir uma informação, conheci um moçambicano, psicólogo, almoçamos juntos e saímos de noite para a rua principal- eu e os filhotes- eram bem menores. O homem era interessante, mas só tinha olhos para as moçoilas de barriga de fora. Nos correspondemos um tempo- ele morava na Europa...Bélgica, acho, já esqueci- Januário o nome dele , lembrei agora. Era de uma linha de psicologia diferente, não lembro mais- algo místico.


Você já ficou preso numa praia porque o mar subiu? Sempre tive medo- uma amiga quase morreu numa ilha em Angra por isso- o marido foi mergulhar de lancha, ela ficou na praia e o mar subiu, subiu. Ela e uma amiga. Esta amiga depois morreu com o marido num acidente de avião. É a vida.

Quando estou num lugar assim, presto atenção na maré- Cabo Frio há lugares, na praia do Forte onde a maré sobe muito, fecha a praia. A nossa casa lá era bem próxima do mar, não à beira mar, uns 70 metros, meu pai dizia. O mar batia à noite: Bam! Bam! Eu tive muitos pesadelos ali por causa do som das ondas se quebrano na praia.

Tenho muito medo do mar- vivo desde os 16 anos no litoral e não perco o medo. Agora estou mais longe, só de carro- uns 7'- a pé só se for andarilho :) Aqui tenho vaquinhas por perto e pássaros, mas, ainda assim, prefiro ver o mar- é libertador.






O caos de Kafka- uma vida atormentada

Foto daqui


Li Kafka quando eu era muito jovem- há alguns anos encontrei um livro de contos curtos dele- excelentes- concisos e bonitos.
Morreu aos 41 anos...
Lembro de meu amigo Pimenta, também morreu tão jovem, e era assim- um homem atormentado e escritor extraordinário.
Uma pena.
Um poema do Pimenta-aqui.

Sexta-feira, Março 26, 2010

A natureza em números

Nature by Numbers from Cristóbal Vila on Vimeo.

A SHORT MOVIE INSPIRED ON NUMBERS, GEOMETRY AND NATURE.

Daqui. Via @cardoso.

Fazer escolhas...





Algumas pessoas sofrem ao precisarem fazer uma escolha. Sim, é necessário escolher o tempo todo. Pode ser uma simples roupa para vestir, uma marca de iogurte ou casar. Em alguns o conflito é tanto, que os mobiliza, faz com que evitem fazer qualquer tipo de escolha.

Alguns não se casam porque não conseguem escolher uma parceira, outros levam horas ao banho porque não sabem que xampu devem usar.

Escrevi algo aqui. Vá ler se te interessar o porquê destes conflitos.

Eu digo apenas o que me veio à cabeça agora, não é texto elaborado, vocês sabem que não gosto de levar horas sobre um texto- é apenas uma resposta a alguém que me escreveu hoje.

Quinta-feira, Março 25, 2010

Um amigo, uma saudade



Sinto falta deste amigo- uma das pessoas mais inteligentes, generosas e geniais que conheci- só no virtual. Saudades de você, Betão. Pensaram que eu falava de Andy Warhol? :)
Vejam mais aqui.

Dançando com Fred Astaire

Quarta-feira, Março 24, 2010

Amor inexprimível


Roland Barthes



“Dois poderosos mitos fizeram-nos acreditar que o amor podia, devia sublimar-se em criação estética: o mito socrático (amar serve para criar uma multidão de belos e magníficos discursos) e o mito romântico (produzirei uma obra imortal escrevendo a minha paixão).
Entretanto, Werther, que outrora desenhava bem e muito, não consegue fazer o retrato de Charlotte( Mal pode esboçar sua silhueta que é, precisamente, aquilo que o atraiu nela)- "Perdi...a força sagrada, vivificante, com a qual criava mundos em volta de mim"

" Na lua cheia de outono
Ao longo da noite
Fiz cem passos em volta do lago"

Haïku


Não existe indireta mais eficaz, para dizer a tristeza, que esse "ao longo da noite"...


Roland Barthes em "Fragmentos de um discurso amoroso"- meu livro preferido.

Barthes morreu atropelado ao atravessar a rua onde lecionava. Leia mais aqui.

Terça-feira, Março 23, 2010

Ces magnifiques!

Esta sou eu na outra encarnação :)
Foto Doisneau,
daqui.



Eu me comovo vendo estas fotos- não sei porque Paris é tão forte na minha memória afetiva-
será que há mesmo, outra encarnação?
As fotos são um espetáculo à parte- algumas vocês já conhecem- mas é sempre bom ver, ou rever, Paris- mesmo que seja no século passado.
E é impressionante como algumas fotos ainda são atuais. Paris se conservou de tal forma que a gente pensa reconhecer a Tabacaria, o Café onde as moças pegam sol-
é provável que ainda estejam lá.


Foto da rue de Lille, Paris-inundada, em 1910 Daqui. Não é de Doisneau.

Leia aqui.

Domingo, Março 21, 2010

Um dia, dois gatos e o que não devo contar...




Escrevi agora, não vou reler, sorry.

Meu gato anda muito ligado a mim- agora está deitado aqui na minha mesa- nunca me imaginei com um gato ao lado. Felizmente, a gente muda. Ando pensando nele. Quanto tempo terá de vida? Fui ler aqui.

Ele é de 2003, acho, Luc calculou quantos anos deve ter: 41 anos. Dan, meu filho mais novo, o trouxe, foi abandonado no Jardim da Escola dele. Eu resisti, fiz discurso de que não queria cuidar de bicho- estas coisas.
Hoje, amo de paixão, o meu gatinho. Tem olhos azuis- meu ex também tem- eu digo que é o filho de olhos azuis que eu queria- meus filhos riem. Todos o amamos muito. É dócil, obediente- eu o chamo do jardim da vizinha e ele vem correndo. Acordo com ele me fazendo festinha- é muito bom- ameniza dores.

Minha analista disse que olhos azuis é um significante para mim :), deve ser...

Temos uma gatinha- também estava abandonada- veio substituir a outra que desapareceu. No início eu a achava muito feia- hoje acho lindinha. Também tem olhos azuis, os dele, são cor de água- marinha- que eu amo-, os dela, azul violeta- tipo Liz Taylor. : )
Ela, quando percebe que começo a me mexer na cama de manhã, vai até a porta e 'bate'- se enconta e eu ouço.
Vivo num condomínio fechado, só circulam pela casa da frente e a do lado- ficam mais no muro que nos divide.

Ontem entreguei um presentinho para a vizinha do lado que teve um bebê- é um casal jovem e o filho é muito lindo- riu, tem covinhas- adoro. Fofíssimo.

A empregada, que contratei direto, porque minha mãe vivia aqui- não sabe ler as horas em relógio sem ser digital e é semi-analfabeta. Quando peço para ler algo, nem soletrar consegue. Morro de pena. Dei para ela ler: O menino maluquinho, devolveu depois de meses. Ah! Está na escola há anos- tem 46 anos. Sai daqui correndo para ir para a aula.
Ela diz que cai de sono quando pega o livro na hora de dormir para ler- exausta. Combinei o seguinte: ela vai ler uma página por dia e me contar o que leu. Gostou da idéia- levou Gabriela, cravo e canela. Já contou que se passa num lugar que tem cacau...
Está lendo. Gosto muito dela. Hoje vai chegar mais tarde, vai ver o material para consertar a sua casa- que tem rachaduras nas paredes. Ela tem dois filhos mal educados, não a ajudam e um amante casado que é um zero à esquerda.

Já contei para vocês que aqui para achar um homem disponível é como procurar agulha em palheiro. Só jovencitos, óbvio. Casam cedo, nunca separam- são católicos- têm quantas mulheres quiserem fora do casamento, filhos bastardos aos montes.

A mulher dele, crente-evangélica, do amante da minha querida funcionária sabe, quando ela liga para lá- quase nunca liga, ele liga umas duas vezes por dia para ela. Ela diz algo “como tua alma será salva”e acrescenta o “Jesus te ama”. Não resisti a piada: E seu marido também.
Mas a minha funcionária é discreta e não quer viver com ele- não é burra- é um machista, ciumento, pão duro, mas é amoroso com ela. Conheci- é bonitão, tem um bom carro, não vou contar o que faz, porque esta cidade é uma taba- todos se conhecem.

Natalenses: Não se ofendam- os jornalistas daqui chamam Natal de taba, por que eu não posso chamar? Ipanema é uma aldeia- todos se conhecem, também.

Queria contar uma coisa, mas acho que não devo me expor, mais ainda. Vocês me leem, alguns há anos- me conhecem bastante, mas há os que vêm eventualmente ou os novos que nada sabem. O que ela fez? Deve ter merecido! Podem pensar*. Escrever aqui não é tão fácil quanto alguns pensam- sei que há olhares enviesados, olhares que vigiam o que faço. Vade retro!

*Tks, Luma. Cinco anos aqui e não sabia fazer isto- riscar :) Hoje perguntei para a Luma, que é uma das pessoas mais generosas daqui do virtual. No início era Nemonox quem me ajudava e um rapaz que sumiu, de Recife.
Para quem não sabe: antes da frase coloca: ,no final . Simples, não?

É isto?




No dia em que minha mãe fugiu da minha casa- parece título de filme, ou livro, mas é real- eu comprei umas plantas para a casa e pedi ao dono do horto um pé de arruda. Me deu. Cheguei em casa e ela, a mãe, estava fugindo- com a ajuda de minha irmã- óbvio.
.
A arruda morreu em seguida- completamente.

Ontem vi um filme, nada pretensioso, mas comovente e muito bom: “A família Savage”.

Os atores estão excelentes, a direção não perde a mão.
A história: irmãos, Jon e Wendy- ele mais velho alguns anos- são obrigados a cuidar de um pai que mal conhecem. Os pais os abandonaram cedo- a mãe, depressiva, não aparece quase nada na história, e o pai foi um homem indiferente e bruto com o filho. Wendy vive em NY, tenta a vida como dramaturga, sem sucesso. O irmão é professor de literatura, especialista em Brecht- doutor. Ambos com dificuldade em relacionamento amoroso- e entre eles- irmãos.

“Qual a diferença entre trama(ou seria ação?) e narrativa, para Brecht, professor?”, pergunta uma aluna no momento em que ele desliga o telefone- acabara de ouvir que o pai estava à morte.

Vivemos este drama em nossas vidas. Tão difícil... O que fazer? Abandonar nossas vidas e socorrer os pais? E nossos projetos? Deixá-los num asilo?

É comovente ver a filha tentando resgatar o pai- para ela e para a vida- e ele virar e dizer:
“Eu a pago para cuidar de mim!...” Ele não a reconhecia.

Pais narcisistas, egoistas, que nunca se importaram com filhos, ao envelhecerem precisam deles. O conflito é enorme- há o desejo de conquistar aquele pai (pai ou mãe)- desejo de ser amado- e ao mesmo tempo, ser obrigado e reviver o passado.

A memória afetiva é, sempre, muito intensa- gruda. Daí, o sofrimento maior.

Eu já autorizei meus filhos a me internarem se ficar senil ou der trabalho- não quero que sintam culpa, nem desejo atrapalhar a vida deles. Espero poder pagar um lugar limpinho e com trato.
Eu digo a eles que tem que ser limpinho- se bem que senil... hihihi
Peço aos deuses para ir antes disto, porque sentir- se abandonado não é fácil- sei o que é.
E há lugares onde os velhos sentem-se bem- têm amigos- os outros velhinhos, é melhor do que ficar na casa de um filho com uma nora desejando sua morte. Eu acho.

Meu pai viveu até os 91 anos, sofreu demais nos últimos anos, muito- tadinho- senil, numa cama com dores fortes- sofreu quedas, quebrou fêmur. Muito triste.

Eu vim morar em Natal- ele estava aqui com os filhos homens e solteiros- três.

Quando cheguei ele dizia ao me ver: “Estou reconhecendo você...”- havia afeto na expressão dele. Eu respondia: “Sou sua filha, pai, a Elianne”. Muito triste.
Eu amei este pai- ainda amo. Era calado, esquisito para alguns, mas sempre senti afeto, mesmo no silêncio dele. (Estou chorando.)

Vejam o filme, não estou a fim de falar mais sobre isto- acabo de levar uma porrada inesperada da vida e ... Deixa pra lá. Um dia...

No livro de Chico Buarque, “Leite derramado”, um velho senil passa o tempo todo falando sobre o passado e não se sabe bem com quem fala- não importa...

Quando o pai no filme morre, a filha olha para o irmã e diz: "É isto?". Ele responde: "É."

Ah! tem um "final feliz"- libertador, podem ver, mesmo os que detestam se entristecer em filmes- vale a pena ver.

* Wendy é personagem de "Peter e Wendy" que todos conhecem pelo "Peter Pan". Wendy é levada para a "Terra do Nunca". No filme a personagem é bastante infantil- foge através de mentiras. Mas está, naquele momento, tentando crescer.

E-mail para lembrar I


Esta foto não é do evento, não achei. Foi em Natal-RN.


Há momentos em que é preciso resgatar estes pequenos gestos.Vou criar esta sessão: E-mail.
Vai me fazer bem.


From: marcia tiburi
To: Elianne
Sent: Friday, December 07, 2007 7:34 AM
Subject: Re: olá

Oi Elianne,
foi um prazer conhecer você. Vc é muito gentil, foi realmente muito delicada comigo.
Desejo a vc muita felicidade, muita alegria e para seus lindos filhos.
Assim que der lerei seu conto.
Um beijo
Marcia

E foi tudo pelo ralo...



Ontem no “Saia Justa”, GNT, comentaram sobre um jogador Bruno- não sabia quem era- que teria dito que já bateu em mulher. Achei aqui.

Pois é, a moças, do ‘Saia’ discutiram sobre, e no final começaram a brincar:
“Eu nunca bati na minha mulher”, Beth Lago;
“Eu nunca bati no meu homem”, Maitê Proença
...
“Tem homem que não gosta de bater”
...
Ai, Mônica Waldvogel- que é a jornalista que coordena o programa:
“Tem mulher que gosta de apanhar”.

Pronto, jogou tudo pelo ralo. Beth Lago sacou e falou algo.

Sugestão: Monica Waldvogel, agora faça um bloco de programa sobre o assunto, tratado seriamente. Leve a voz de psicanalistas. Todos sabemos que há homens que têm prazer em bater, que há mulheres que gozam ao apanharem, sim. Mas isto é uma patologia. Nada contra, se o par se encaixa- cada um vive como quer. Mas dizer, levianamente, que há mulheres que gostam de apanhar é quase o mesmo que repetir Nelson Rodrigues:
“Toda mulher gosta de apanhar, menos as neuróticas”.
Nelson jogava, ele podia, foi nosso dramaturgo maior- aquele que escreveu como ninguém sobre as nossas neuroses. Desvelou nossa intimidade.

Em tempo, gosto muito das quatro, tenho uns senões, claro, mas gosto. São gente fina- todas. Conheci a Márcia Tiburi, aqui em Natal, uma simpatia- eu fui convidada para ser mediadora numa apresentação dela- lançamento de livros. Trocamos figurinhas.
Ela disse: "Tão bom encontrar alguém que fala a mesma língua".
Fiquei feliz. Vocês sabem que aqui tenho dificuldades em fazer amigos. Mas isto dá outro post. :)

PS: o programa perdeu muito de um tempo para cá. Eu deixei de ver uns dois anos- fiquei sem SKY- e era muito melhor. Agora cada uma traz um tema, acho muito ruinzinho. Era mais natural, mais dinâmico, caótico, mas divertido- agora parece tudo muito produzido pela mão da direção.
Ah! saquei o que aconteceu com a Mônica Waldvogel: ela é muito séria, quando brinca se perde.
Eu nem vi o bloco que falaram do rei- chega de RC! é uma super exposição que cansa.

Sábado, Março 20, 2010

À Paris- Ives Montand



Que delícia! Ives Montand é uma das minha fantasias de homem ideal- claro que eu sei que ele foi sacana etc e tal, mas era tão charmoso- irresistível. E amou a Simone até envelhecerem- jamais esquecerei uma entrevista dele- há anos- em que dizia que se comovia quando a via colocar óculos de leitura- não é lindo isto?

Encontrei aqui.
É um bom blog, conhecem? Gosto da cultura do espaço.

Auto- retrato




Este post faz parte do Blog Gincana de março. Obrigada por me convidarem.




Pele de seda


A pele macia no banho a fez desejar que as mãos dele a tocassem. "Pele de seda", ele dizia. Depois se amavam ainda molhados até o quarto escurecer. Então, ele se levantava, tomava banho. Ela, na cama, à espera do beijo de despedida, enrolava-se no lençol para levá-lo até a porta.
Voltava para a cama, mal comia.
Permanecia assim dias- em estado de graça. Depois vinha a ausência e ia murchando.
Não se queixava, sabia de cor as regras. Desejava apenas amá-lo mais uma vez, quem sabe mais outra, até desistir de viver.
Seria fácil desistir.



Quinta-feira, Março 18, 2010

Lucien Freud expõe em Paris


Na foto, mulher observa a obra "Pluto and the Bateman Sisters", de 1995 (09/03/2010)

Veja fotos da exposição aqui.

Lucien Freud , neto de Freud, e um dos maiores pintores vivos, estará em exposição no Centre Georges Pompidou, em Paris, até 21 de Julho de 2010.
Lucien me interessa por ser neto de Freud em primeiro lugar. Freud é meu mestre, para mim o gênio do século passado- devemos tanto a ele. Foi corajoso, generoso, inovador. Um homem interessante e interessado em entender os porquês de nós todos- humanos. Foi excelente escritor e leitor voraz. Gostava de arte, amava arqueologia, objetos antigos. O pai de Lucien, filho do Sigmund, era arquiteto.

Lucien nasceu em 1922, em Berlim, e em 1933 emigrou para a Inglaterra com a família Freud- perseguida pelo regime nazista.

Gostaria de ver a exposição. São trabalhos que nos impactam pela crueza- muitos mostram corpos nus, corpos humanos ao natural- com suas formas imperfeitas.

O avô mostrou os abismos de nossa existência e o neto mostra, em telas a óleo-suponho-, o corpo torturado- a angústia através da pele- corpo.





Foto by Lucien Freud

Quarta-feira, Março 17, 2010

Escrever- Roland Barthes




"ESCREVER. Enganos profundos, debates e impasses que provocam o desejo de “exprimir” o sentimento amoroso numa criação (notadamente de escritura).

... Saber que não se escreve para o outro, saber que as coisas que vou escrever não me farão nunca amado por aquele que amo, saber que a escritura não compensa nada, não sublima nada, que ela está precisamente ai onde você não está- é o começo da escritura."



"ÉCRIRE. Leurres, débats et impasses auxquels donne lieu le désir d’exprimer le sentiment amoureux dans une création (notamment d’écriture)."
...

" Savoir qu’on n’écrit pas pour l’autre, savoir que ces choses que je vais écrire ne me feront jamais aimer de qui j’aime, savoir que l’écriture ne compense rien, ne sublime rien, qu’elle est précisément là où tu n’es pas – c’est le commencement de l’écriture."

Roland Barthes em "Fragmento de um discurso amoroso"

Terça-feira, Março 16, 2010

O meu amor tinha um jeito manso...



O meu amor tinha um jeito manso...

Hoje faria 63 anos. Quero poder ser feliz- ele amava meu sorriso.
Acordei antes das seis, cuidei do jardim, vou trabalhar de tarde. Preciso escrever e desenhar para ele- já que não consigo desenhar para mais ninguém.
Lágrimas contidas- é preciso ser mais feliz. O olhar dele estará sempre em mim- onde estiver.

Vida longa para Ju!

Foto tirada por mim no atelier dele em Paris em setembro de 2008

Hoje é aniversário desta figuraça- quem o conhece sabe que é um sujeito muito especial.

Inteligentíssimo, talentossíssimo, bon vivant, um homem inesquecível( os mais velhos lembram do "Meu tipo inesquecível" da revista Seleçőes Reader`s Digest- ainda existe, né? Nunca mais vi, meu pai colecionava).

Feliz Aniversário, Juarez!
Espero encontrá-lo de novo ai ou cá no Brasil. Sei que será muito divertido.
Continue com boa sorte, talento e saúde- vida!

Conto sobre nosso primeiro encontro aqui. Mais aqui.

Segunda-feira, Março 15, 2010

E-mail em destaque




Foto Apolônio Hilst(1896-1966)


Imitando meu amigo Eduardo vou colocar trecho de um e-mail que recebi de uma amiga paulista:

"Lindo poema! Acho que nunca contei que a Hilda Hilst e eu somos da mesma família, ainda que longe, e da mesma cidade. O pai dela era um intelectual "caipira", extremamente interessante. Morreu com o diagnóstico de esquizofrenia, mas hoje imagino que era um bipolar I, ou talvez um esquizoafetivo. Era muito amigo de um primo do meu pai, médico, que contava sempre muitas histórias interessantes...
Coloco um site sobre Apolonio de Almeida Prado Hilst, se você tiver curiosidade.

http://www.angelfire.com/ri/casadosol/apolonio.html "


Encontrei este poema do pai de Hilda Hilst no site.
Dizem:
"Um poema bem torneado em que ele compara a poesia parnasiana, a romântica e a futurista, com restrições às duas primeiras e clara preferência pela última. No entanto é significativo que o poema nada contenha da liberdade que reivindicava.:"

É alta e loira. E nem ouro e altura

estilizada.

Orgulhosa e soberana,

tem pose, gestos, figura

e formas de escultura

parnasiana.

Mais nada.

De olhos cor da cinza, tristonhos,

olheiras, spleen ou sono,

não sei se filha dos meus sonhos

ou figura de abandono.

Dizem que tem uma paixão atlântica

por certo moço louro e nunca

lhe diz nada.

É uma balada

romântica.

Não sei da cor, não sei da altura,

não sei do gesto.

Há nela tal mistura

de traços, cor, formas, posturas,

chipre e sândalo

que a estes meus olhos de burguês honesto

é um escândalo

de formosura!

É a mais mulher por ser a mais artista:

um poema futurista...

"Quem seria esse jovem agricultor ilustrado que, pitorescamente interessado em arte, buscava um ponto de contato para comunicar seu descontentamento com a situação da poesia? Outras cartas seriam disparadas mais tarde, antes e depois da Semana, todas datadas da Fazenda Olho da Itapuí, onde Apolônio cultivava 200 mil pés de café. Menotti logo saberia que se tratava de um fino intelectual do mato - filho de um francês de Lilly casado com brasileira -, alguém mais interessado na poesia que no café, particularidade que lhe custaria caro na quebradeira de 1929. [1]

Pelo lado materno Apolônio era um Almeida Prado, clã que dominava Jaú econômica e politicamente desde o advento da República. A cidade, em 1920, reunia uns 15 mil habitantes ao longo de suas 29 ruas. Já em 1894 todas as casas tinham água encanada e serviço de esgoto; o telefone e a eletrecidade vieram em 1906, em 1908 o calçamento das ruas. Por volta de 1928 circulavam em Jaú mais de dois mil automóveis, proporção altíssima mesmo para os padrões europeus da época. Apesar da precariedade das estradas o correio chegava diariamente. Apolônio foi com certeza um dos primeiros assinantes provincianos de Klaxon, a revista que os modernistas desovaram logo após a Semana, como atesta um rascunho de carta a Oswald de Andrade encontrada entre seus papéis:

Oswald. Alegria, saúde, Klaxon, que Deus exista. Klaxon existe. Klaxon vive. Klaxon é. Não precisa mais de paus nem de pedradas para ser. (...) Klaxon tem asa, é Vida, é Hoje - aeroplano, telégrafo, cinema. (...) Veio trazer-me o bom-dia do século XX.

Mais que as cartas (poucas) que escreveu aos arquitetos da Semana, a maioria delas aparentemente sem resposta, melhor..."

Mais aqui

Domingo, Março 14, 2010

"Se te pareço noturna e imperfeita"

Klimt


Dez chamamentos ao amigo


Hilda Hilst


Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo.
Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há um tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta
Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.
...

Minha medida? Amor.
E tua boca na minha
Imerecida.
Minha vergonha? O verso
Ardente. E o meu rosto
Reverso de quem sonha.

Mais aqui.

Sábado, Março 13, 2010

O que pedir a Vênus?



Escrevo na rede.
Rede vermelha.
Faço pausas para olhar o céu que se colore de azul escuro.
Desejo uma estrela cadente.
Terei de esperar a noite.
Pássaros gritam.
Por mais que me digam os seus nomes- esqueço.
Por que não os retenho?
À minha frente, Vênus.
Sempre presente.
Sempre intenso.
Sempre sobre as nuvens do crepúsculo.
O que poderia pedir para Vênus.
Um amor?

Sexta-feira, Março 12, 2010

Os criativos e a morte de Glauco



Vejam que linda homenagem- aqui.

Pois é, parece que foi morto- e o filho- por um adepto do Santo Daime- onde ele era padrinho. Leiam aqui- o sujeito disse que era Jesus naquele momento(sic). Então por que fugiu? "Jesus" não fugiria. Se estava maluco nao teria esta frieza para estar foragido. Igreja o Céu de Maria...é, ele deve estar lá com Maria. Hã. Igrejas... se eu disser o que penso levo pedradas- e já bastam por estes dias.
Leiam a reportagem e tirem suas conclusões.

Pobre família.

Mataram o Glauco! Viver é impossível!

Clique na imagem para ler melhor.

Mataram o Glauco -assassinado em casa- ele e o filho. Puta que pariu! Parem a rotação que eu quero descer.
Eu acordei chorando, agora mais esta! É demais para mim.
Eu amava os desenhos dele: Geraldinho, D. Martha e outros.
Osasco? Mexam-se, façam alguma coisa! Vão trabalhar com a comunidade!
Eu estou dizendo isto para mim também. Só tristeza no meu peito.
Quero conseguir bater em algumas portas comunitárias e me oferecer para trabalhar. Preciso de forças. Ou vou enfiar a cabeça na terra feito avestruz e esperar um bicho me comer.








O Brasil está em luto hoje. Quem sabe quem é- não morrerá para nós- o Glauco sabe disto.
Paz para a família ferida que sofre luto maior. Minha solidariedade.

Quarta-feira, Março 10, 2010

"Com o olhar como o seu, que me faça sonhar..."




Ufa!

Outro dia tirei o Tarot para mim- de vez em quando faço isto. O jogo me assustou de cara,a carta principal era “A torre” tenho horror desta carta- me dá medo. Dito e feito.
Tudo de cabeça para baixo. Sofrimento, dor, desentendimento, confusão, desarmonia, traição- maledicência – tudo que dói esta ai.

Procuro me tratar- acordo procurando fazer coisas úteis- hoje fiz jardinagem, lavei o carro- trabalhei paca- isto me faz bem. Não consegui me concentrar. Agora melhorei.
Vou continuar minha jornada de auto-terapias :)- vou para a piscina- tem sombra e me exercito.

Também tomo chás medicinais, um calmantezinho leve, e segunda tenho analista.
Outro dia, ela disse: "Desistir é diferente de existir", fez eco- ontem chorei muito cansada de tudo, mas hoje não chorei- plantei.

Na vida tudo se resolve, eu sei. Mas eu queria saber- juro- o que faz com que algumas pessoas gozem de prazer ao me ferir.

Sorry pelo desabafo.

Escutem esta linda canção na voz de Dick Farney. Lamento não tê-lo conhecido- era muito tímida- ele era primo de minha mãe e vivia no Rio- ela em Curitiba. Quando menina estive com o Cyl Farney- tenho foto autografada- era um galã do cinema nacional na época- um sucesso.

Rezem por mim, torçam, meditem, mandem energias positivas- de ontem para hoje quebraram dois vidros aqui: um copo e um pirex- a empregada se cortou- dizem que quando estas coisas acontecem são energias negativas que chegam...

Xô!

Quer saber mais? Leia o continho do blog Escritos- tem a ver.
Merci, arigatô, gracias, Tks, Gracie...
Beijos para vocês- os queridos.

Ah! ontem tive 2 sessões lindas com os clientes meus- fiquei feliz- é gratificante.

Terça-feira, Março 09, 2010

Na vida a gente leva...



Foto daqui, vão conhecer- é legal.

Hoje estou pensando por que algumas pessoas têm prazer em me ferir. Me exaspero pela surdez e insensibilidade.
É só eu me erguer um pouco e lá vem pancada. Oh! pobrezinhos, não fazem por mal- você é que é complicada.
PQP Cansei.

"Na vida
a gente cai seis vezes
e levanta sete."
dizem os chineses, cansa também ser educada- vontade de sair dando soco por ai.
:)
Acho que quando nasci, tudo errado, né? deus disse: vai pra vida levar porrada, quem sabe na próxima...
Só pode.
(nada a ver com meus filhos lindos)
Deus onde estás que não me acodes?

Segunda-feira, Março 08, 2010

Zilda Arns- A mulher ideal





Zilda Arns, a maior perda dos últimos tempos. Para ela minha lembrança emocionada no dia de hoje- eu gostaria de tê-la conhecido- é a mulher que mais admirei e a pessoa que eu gostaria de ser. Ideal de ego- como dizem os psis. Felizmente deixou frutos.

Que se multipliquem figuras como ela neste país de tanta pobreza- o que choca diante do consumismo cada vez mais expressivo.

Foi, além da médica especial, que todos sabem, mãe admirável.

Obrigada, Zilda, por ter existido. Que se multipliquem figuras como ela neste país de tanta pobreza- o que choca diante do consumismo cada vez mais expressivo.



Continuação do vídeo aqui.

Mulheres




Um dia de esperança-
mulheres são fortes e sensíveis.
Não nos deixemos abater.
Um abraço apertado em todas vocês.







Sábado, Março 06, 2010

Uma tarde diferente



Foto de meu irmão e Clarice- são lindos! Ela está bem maior.


Clarice e eu

Ontem, quatro e meia da tarde, fui à piscina com minha sobrinha de oito anos. Eu a amo muito, vim morar em Natal por ela e o pai- meu irmão.
Estar na piscina com ela foi muito diferente, sempre vou sozinha, fico lendo, escrevendo e me exercito com o espaguete. Ela ficou com a bóia e passamos o tempo em competições de quem chegava antes no outro lado. A sapeca me enganava, claro. Dizia um, dois e três. Quando eu ia, ela já estava longe e rindo de mim- rimos muito- coisa rara.

Se divertiu muito tentando me enganar. Eu dizia: Assim não vale- " Esta candidata está desclassificada". Ela caia na risada. Lembrei da “Corrida maluca” com Penélope Charmosa- há tanto não vejo...

Clarice tomou banho de ducha lá no alto- a piscina fica no início do condomínio- moro na última casa- ficou muito surpresa por eu ter levado sabonete, xampu e condicionador. Não sabe que a tia é uma ex obsessiva de livro- meu irmão diz que quando saio para a piscina parece que estou saindo para ir a praia em Ipanema. Levo tudo que posso precisar- desde água até caneta.

Clarice foi tomar banho antes de mim- já estava frio fora da água morna- voltou e sentou na borda da cadeira com uma toalha azul cobrindo os cabelos molhados- estava linda. É muito bonita- a mãe lembra muito Cláudia Cardinale e o pai é o meu irmão mais bonito e charmoso.
Disse:
- Tia quantos litros de água você acha que tem nesta piscina?
- Sei lá... muitos.
- Milhares, milhões...
- Imagine quantos galões de água teriam que usar...
- Milhões.
- É milhares...
- Infinito.
- Infinito acho que só o mar...

Era seis da tarde quando voltamos. Foi muito bom.

Quinta-feira, Março 04, 2010

O blog faz 5 anos! Oba!




Caríssimos, acabo de descobrir que ontem o Blog Caminhar fez cinco anos.
Ufa!
Ulalá!
Escrevo para vocês, podem crer. Meu afeto a cada um e o obrigada por sentirem interesse pelo meu espaço.
Flores amarelas- alegres- para vocês, meus queridos.

Drummond na matinée



Drummond- o Carlos- me contou que foi ver “Garganta Profunda” no Cine Scala, em Botafogo no Rio de Janeiro. Chegou de mansinho, pediu o ingresso, meio de lado para que mal fosse visto- era quase uma linha imaginária. Viu o filme, saia pé ante pé, quando ouviu a bilheteira dizer em alto e bom tom:"E aí, poeta, gostou do filme?"

O 7º conto do outro blog

Fiz novo blog,
Escritos
,
nem todos vocês conhecem,
vão ver e digam se gostam.
Só coloco contos lá. Novos e antigos.
Está aqui.

quarta-feira, 3 de março de 2010


Mini conto VII

Foto daqui



Madrugada


O cão ladra à noite. Assustada olha o jardim. Nada. Olha o quintal. Nada. O cão ainda late insistente.
Tranca a porta do quarto. Dorme encolhida.
Pela luz solar sabia que passava das nove. Procurou não demorar para descer. Abriu a porta da frente com cuidado. Nada mudara. Caminhou à direita no estreito corredor. Ali jazia um homem- a camisa xadrez aberta no peito, a calça rota mostrava um ventre inchado. Não sabe por que não teve medo. Passou ao lado do corpo com cuidado para não esbarrar no braço frouxo. Percebeu que respirava. Sentiu alívio.
Antes de ligar para a emergênciam, vestiu uma roupa de sair, passou batom e tomou o café da manhã na sala.
Merecia.

Quarta-feira, Março 03, 2010

"Não verei jamais..."



Já contei antes que em 2008 comprei uma agenda linda-
textos e imagens.
Começa com Brecht, depois Manuel de Barros, Hilda Hilst,
Cecília Meireles, Maiakovski... e por ai vai- cada dia um presente destes.
Ontem li:

“Mas se amo os seus pés
é só porque andaram
sobre a terra
sobre o vento
e sobre a água
até me encontrarem.”

Pablo Neruda, meu poeta preferido.

Tem gente de todas as terras- tem um texto de Patativa- lindo.

Bom, fiquei relendo o que escrevi ali- usei como caderno. Há textos meus muito tristes:

O meu amor morreu. Não é metáfora- virou cinzas. Pediu para que seu pó fosse jogado num pequeno jardim interno- no antigo apartamento onde viveu jovem. Morava li quando o conheci.
Invejo aquela terra úmida que o acolheu.

Dia 16 ele faria 63 anos- morreu em 2008, antes de eu me mudar e viajar- mas dividi com ele a alegria de estar realizando isto- não deu tempo de contar como foi. Em Paris me surpreendia em lágrimas buscando uma forma em mim de guardar o que dividiria com ele- sabia de cor o tom estimulante da voz dele- perdi isto ao vivo, mas ficou em mim. Ainda encontro.

Algo morreu em mim. É difícil inventar novo amor. Para quem endereçarei meus escritos agora?
O triste é que no final eu lhe dizia: Fiz um conto que tem a ver com você, uma hora mando. Não mandava, eram tristes e eu não queria entristecê-lo mais ainda- já bastava conviver com a morte diariamente- câncer. E não se queixava, e era amoroso, e estava sempre pronto a me ouvir.

Sempre me lembro desta música- sem angústia, apenas luto. Ele não foi meu primeiro amor, e pode ser que não seja o último, mas foi o "meu amor"- aquele que me fez sentir-se amada para sempre. Digo que ainda tenho um arsenal amoroso em mim. Morrerei pensando nisto.


Meu primeiro amor

H. Gimenez/Pinheirinho Jr/ Versão: José Fortuna


Saudade, palavra triste
Quando se perde um grande amor,
Na estrada longa da vida
Eu vou chorando a minha dor

Igual a uma borboleta
Vagando triste por sobre a flor
Teu nome sempre em meus lábios
Irei chamando por onde for

Você nem sequer se lembra
De ouvir a voz desse sofredor
Que implora por seus carinhos
Só um pouquinho do seu amor
Meu primeiro amor tão cedo acabou
Só a dor deixou neste peito meu
Meu primeiro amor foi com uma flor
Que desabrochou e logo morreu
Nesta solidão sem ter alegria
O que me alivia são meus tristes ais,
São prantos de dor que dos olhos caem
É porque bem sei quem eu tanto amei
Não verei jamais

Saudade palavra triste quando se perde um grande amor,
Na estrada longa da vida eu vou chorando a minha dor,
Igual uma borboleta vagando triste por sobre a flor,
Seu nome sempre em meus lábios
Irei chamando por onde for
Você nem sequer se lembra
De ouvir a voz desse sofredor
Que implora por teu carinho
Só um pouquinho do seu amor

Meu primeiro amor tão cedo acabou
Só a dor deixou neste peito meu
Meu primeiro amor foi com uma flor
Que desabrochou e logo morreu
Nesta solidão sem ter alegria
O que me alivia são meus tristes ais,
São prantos de dor que dos olhos caem
É porque bem sei quem eu tanto amei
Não verei jamais

Segunda-feira, Março 01, 2010

Os meus escritos


Vocês já viram meu novo blog? Está aqui

A nova funcionária renova






Quando Dra Zilda Arns morreu no Haiti, eu contei para a minha empregada:

- Ela era muito importante, muitas crianças estão vivas por sua causa. Uma pena ter morrido neste terremoto- estava lá, foi fazer palestra.

Ela:

- Morreu de susto?

:) esta é a minha nova empregada.


Sexta limpava as frestas do sofá com um pano, minha mãe observando diz:

- Aqui tem muita poeira, entra até nos nossos pulmões.

Ela:

- É verdade, até no pulmão do sofá está cheio de pó.


Esta é a nova funcionária. Diz cada uma... preciso gravar.


Fala o dia todo. Há horas que, perturbada, digo de longe: Está falando com quem?

- Com o pano de chão.

- Mas pano de chão não ouve.

- Não faz mal, eu falo para não esquecer o que tenho que fazer.


Está sempre ansiosa, dizendo o que fará em seguida:

- Vou cortar a cebola, pegar a carne...


Sexta eu me cansei e olhe que de manhã fui à piscina.

Ela pergunta tudo:

- Está roupa é para lavar? (roupa dos meninos largadas pela casa)

- Isro eu guardo onde?

Respondo:

- Deixe pra lá, A, vá se arrumar para ir embora, eu não sou escrava de casa. Eles guardam depois, eu levo para cima depois.

- Ah! Mas é tão bonita esta casa, precisa ficar arrumada, tão bom casa arrumada...

E sobe, já pronta para sair, levando as roupas que precisam ser guardadas.


E vai por ai dizendo que o chão está limpo e hoje nem precisou passar cloro...

Eu controlo o uso da água sanitária- exagera- o cheiro me dá dor de cabeça- coloca pura nos banheiros, estas coisas.


Ela é excepcionalmente limpa. Me obriga, ou me estimula, a deixar a casa em dia- hoje lavei roupas, passei pano no chão da cozinha. Fora os cuidados com a higiene dos gatos, cão... Cuidar das plantas. Aqui não tem feriado- todos os dias trabalho.


Gosto demais desta maluca. E é sensível- fica com lágrimas nos olhos sempre que ouve algo comovente. Chorou quando chorei outro dia. Bom tê-la aqui. Mas fala... Putz! Ah! Eu lhe dou chá de camomila de manhã- já habituou a fazer. Sexta acabou, fiz de erva cidreira. Não adiantou, estava demais sexta- problemas com filhos- nem conto quantos problemas tem. E vive cantando e é bonita, sai toda formosa daqui- limpa e cheirosa.