Domingo, Fevereiro 28, 2010

A Terra fala- pede socorro

by Tomie Ohtake



Lygia Bojunga Nunes e Ana Maria Machado estão no Chile. Que pena... poderiam passar sem este susto.
Duas excelentes escritoras, mas a experiência será aproveitada por elas, com certeza.

Tenho um livro maravilhoso aqui. Nem sei se ainda existe. Parece que não com estas ilustrações, se não me engano... vou tentar confirmar.
Chama-se: “Sete cartas e dois sonhos” é de Lygia e belíssimo com ilustrações de Tomie Ohtake, aliás o livro foi feito inspirado nas obras da Tomie e não ilustrado por ela- eu acredito. É de 83. Chorei emocionada quando li. Lembrei de meu amigo pintor- é a história de um menino e seu amigo pintor que morre. Um dos meus livros preferidos. Me comoveu tanto que o pego, mas não tenho coragem de ler ainda- ando à flor da pele.

A Terra treme, a Terra fala- pede socorro.

Sábado, Fevereiro 27, 2010

O terror que vem do mar-Atualizado

Free video streaming by Ustream

Ao vivo do Hawai. Tomara que chegue sem força. Nossa amiga Lucia Malla está lá.

Felizmente as ondas foram menores.Ufa!

O depoimento de Lucia está aqui.

Iceberg gigante se solta na Antártida



Leiam mais aqui

Terremoto no Chile



Acordei pensando no meu amigo do post anterior.
Abro a internet e vejo o Chile sob escombros- terremoto.
Via: Cardoso.
http://twitter.com/Cardoso
Triste.

Foto daqui

Sexta-feira, Fevereiro 26, 2010

O amigo que me amou...


Eu tive um amigo que me amava tanto que passava as noites fazendo poemas para mim. Aqui coloquei um.

Um filme adorável




Acabo de ver "Adorável Julia" com Jeremy Irons e Annette Bening- delicioso. Bom para um fim de tarde abafado. Ela, Annette está excelente- gosto muito desta atriz- ele, como sempre correto.
Agora vou ler na rede- sorry.
Ah! esta música é a última que toca- ficou na minha cabeça, é deliciosa também, lembra minha meninice- fase ruim, mas de belas canções.

Quarta-feira, Fevereiro 24, 2010

"O que não tem descanso"...



Uma das músicas mais belas que conheço.
Obrigada, Chico, obrigada Milton.
Quanto amor eu tive!
Quanto deste amor ainda resta em mim?
O bastante para ainda me arrepiar ouvindo isto, ou chorar.



O que será que me dá ( à flor da pele)

Chico Buarque - 1976


O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os unguentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores que vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo

Domingo, Fevereiro 21, 2010

No banho II


By Alissa Monks(site incrível, vão ver)



Um corpo de mulher


Para de trabalhar. O pescoço dói. Há horas naquela máquina. Vira a cabeça de um lado para o outro, sente a articulação áspera.
No banho com a calcinha ensaboada esfrega o corpo. Lava o pano na água do chuveiro. Sente o cheiro morno no sabonete. O algodão, de fibra envelhecida, lembra o paninho de banho da infância.
Esfrega, mais ainda, a barriga, como se acreditasse que ao friccioná-la, purifica-se. Desde que pariu odeia o corpo.
Jamais será amada de novo, intui. Odeia o corpo, sente culpa- odeia odiar-se. Odeia aquele que um dia a amou e a abandonou.
Sai do banho, olha o rosto no pequeno espelho. Há anos vê apenas o rosto. Sorri diante dele- é do sorriso que ele gostava, lembra.
Por um instante pensou vê-lo naquela imagem fundida.

Diário à deriva

Pois é... estes dias recebi um presente pelo correio- fiquei tão feliz :))

Não leia você que me acha umbiguista, tá?

:) Dia 21 de fevereiro de 2010

Ontem foi um dia difícil- dor de cabeça, pressão aumentou- coisa raríssima.
Por que? São tantos os probleminhas familiares... nem conto.

Acho que a notícia da morte da Pia Nascimento me perturbou também- era uma pessoa que eu só conhecia de vista, mas que eu admirava e quem sabe me identificava. Eu a via sempre só- caminhando pela mesma rua- provavelmente tínhamos horários que divergiam, quando ela voltava, eu saia- com Drummond acontecia o mesmo- eu subia a rua para trabalhar, ele descia para namorar. Nunca sei se é subir ou descer- acho que é o contrário- desce em direção ao mar.
Passei o dia com dor, mesmo tendo tomado remédio.

Ao entardecer um irmão apareceu com minha linda e amada sobrinha- ai melhorei- lavei a varanda com ela, brinquei um pouco com a mangueira-ela acabou toda molhada- como crianças gostam. Fez muito calor também- tomei três banhos frios e poderia ter tomado mais.

Dan passou o dia agitando, ao telefone. Fizeram uma reunião à noite- sem hora para acabar- estou com hóspedes hoje, não sei quem ficou por aqui- como minha mãe ontem foi dormir na casa de minha irmã, estão todos nos quartos, dormiram tarde- ficaram jogando. Luc trouxe da viagem um jogo de pôquer- mini cassino- adoraram. Jogam sem apostas em dinheiro. Tenho trauma- o pai gostava de jogar.
Fizeram macarronada de dois tipos- eu só digo onde estão as coisas, se perguntarem- assim eles aprendem a fazer e eu não vou me sentir mal por ter tido que ficar na cozinha. É ótimo- todos participam, fazem bagunça- a cozinha estava limpa quando acordei. Como a casa é grande acho legal eles aproveitarem.

Outro dia fizeram a festinha de aniversário de um amigo- fizeram uma farra danada na varanda no fim do dia. Acabou cedo, antes das onze. Riam tanto... Nesta eu só vi de longe as pessoas- não precisei fazer ‘sala’- funcionou.

Não tenho vontade de sair de casa. Algo aconteceu comigo- estou evitando encontrar as pessoas. Penso saber o que é, nem vou dizer aqui porque vem espírito de porco perturbar. Tem a ver comigo, sim, óbvio, mas com o que tenho vivido aqui. O que fazer? Ampliar contatos virtuais?

Vocês sabem que os blogs estão em declínio- atualmente uma novidade suplanta outra. O Twitter veio derrubar os blogs. Pessoas que usavam o blog para trocar com amigos agora usam o Twitter- a resposta lá é quase sempre imediata- se a pessoa estiver online re responde na hora- se você posta algo interessante os outros repassam imediatamente, se você lê algo que gosta repassa na hora. Tudo meio simultâneo. A vida agora tende para isto- o imediatismo- sabe-se o que ocorre no mundo em tempo quase real.

Se você quer dizer algo privado, há o lugar para isso e seu amigo te responde em DM- mensagem direta. Pode demorar um dia, mas chega. Pois é, também substituiu o e-mail. Hoje quase não recebo mais e-mails- só de amigos que não estão no virtual- amigos antigos.

Algo suspenso no ar hoje- estive à tarde sozinha- liberdade ‘total’- escrevi e vi um filminho vagabundo com Tom Cruise- queria ver algo leve. Não gosto deste ator- mesmo... deixa pra lá.

Chega de falar. Tks

Aqui no virtual a gente se sente assim- jogando uma carta ao mar :)

Sábado, Fevereiro 20, 2010

A morte de um estilo

Fiquei chocada com a morte de Pia Nascimento- assassinada- que triste!
Me entristecem estes gestos violentos contra pessoas vulneráveis: idosos, mulheres... gente que está em casa, tentando se proteger com cães... É muito triste.


Eu lembro dela, há uns 20 anos, caminhando muito concentrada pela Farme de Amoedo, sempre com algo de oncinha- ou sapatos ou um lenço. Eu detesto esta estampa, mas nela fazia estilo. Eu notava que repetia a roupa. Eu a via muito- e pensava como podemos ser elegantes mesmo repetindo roupas, com roupas mais antigas. Eu a observava porque eu sou assim- uso muito as mesmas roupas, tenho preguiça de comprar, nunca encontro o que eu gostaria- também odeio sair para procurar roupa. Sou uma mulher que tem um estilo e que arrisca pouco. OK. o certo hoje é inovar- mas para ousar você precisa ter estímulo- eu ando sem vontade de sair- dai... Já fui mais moderna, mandava fazer roupas criadas por mim- e ficavam bonitas- é vero.



#cotidiano


No almoço:

Meu filho disse: Este licor existe desde 1885. A nossa empregada: Nossa! Mas ainda está bom?

Outro dia- tarde da noite- ouço um estrondo, no quarto onde viam filmes.

“O que foi?”

“Nada, mãe. A cadeira quebrou.”

Não fui ver. No dia seguinte descubro que um casal de amigos deles quebrou- os dois bem pesados- ela se jogou sobre ele. Agora espero que consertem- é aquela cadeira de escritório com rodinhas, grande- quebraram a perna :)



#ciência


O ovo ou a galinha?


Estudo britânico vê ligação entre vício em internet e depressão

http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/2010/02/100203_internetdepressaofn.shtml

Nem li o estudo, vou dar peruada. Pensem: a pessoa é depressiva, tem dificuldades para sair, viver, a internet abre uma porta enorme. Acredito que o virtual traz mais ganhos do que perdas para um depressivo. Aqui há muitas possibilidades de contatos. Mas se a pessoa tiver uma estrutura psíquica mais grave, poderá entrar num buraco sem fundo, mas isto não é o virtual que traz. Há possibilidade infinita de escolhas- do mais podre ao mais bacana. Eu fico com o segundo, sempre. Muito pouca chateação e muitas alegrias.

Se não fosse o mundo virtual eu não conheceria gente super bacana, interessantes-nem preciso dizer, quem me lê sabe.


Obrigada, arigato, merci, gracias, thank’s, grazie...

Valeu!


Sexta-feira, Fevereiro 19, 2010

Fragmentos de um dia



Ivan Lessa um dia para mim sobre meu conto "Zampanô":

"Drummond dizia que escrever é cortar palavras. Tudo bem. Se não me engano, em "La Strada", a personagem vivida pelo Anthony Quinn é Zampanò. A Giulietta Masina, Gelsomina. Não faz a menor diferença. Taca ficha. Saudações. IL"


Hoje na análise digo que pensei em desistir, (me referia a sexualidade, a ser mulher).
Analista: Desistir é diferente de existir, não apenas pela troca de letras.
Entendi.

Diante da lealdade das mulheres, do post anterior- artigo do Contardo. Quem seriam as mulheres leais? Saquei na hora: mãe, irmã, avó, tia(maternas). Leais entre elas, claro.

Muito bom fazer análise.

Quinta-feira, Fevereiro 18, 2010

Contardo Calligaris- Mulheres leais




Ótimo o artigo do Contardo Calligaris hoje. Leiam aqui

Quarta-feira, Fevereiro 17, 2010

Matou por amor- Ray Gosling




Apresentador é preso após revelar na TV ter matado parceiro com Aids

Ray Gosling, 70, disse em programa que tinha pacto para colocar fim à dor de ex-parceiro com Aids.


Do G1

Terça-feira, Fevereiro 16, 2010

Uma sessão de análise no Carnaval



Ontem sonhei que Chico Buarque me oferecia a mão para eu levantar- eu estava sentada numa cadeira. Havia bastante gente- talvez fosse uma festa.

Hoje eu estava na frente da casa, aqui no meu condomínio, e ele passava com um cachorrinho. Espero que volte. Digo: Sonhei com você, lembra que uma vez o abordei na rua Nunes Machado e disse que havia sonhado com você? Sempre sonho- algo assim. Ele faz um meneio confirmando que lembrava.
Em seguida estou no quarto dele, sentada numa cama enorme, cheia de coisas. Vi algumas fotos de uma menina linda. Digo que é muito linda e pergunto quem é. Responde que é filha de Olivia e Francis Hime. Numa das fotos a menina está no colo da mãe. Observo Olivia e digo que não a reconheço, deve ter feito plástica, está com olhar diferente. Ele concorda. Para que mudar o rosto? Dizemos juntos.
Ele separa cartas de um baralho. Era um jogo para mim. Nunca vi algo assim. Havia um folheto que acompanhava. Ele me explica. Era algo como sua cor de sorte, seu número... Perguntava que doce gostaria de comer naquele dia. Eu respondo algo com chantilly de verdade.
Neste momento falo ao telefone com Ana Maria que me diz que encontrarei um doce muito bom aqui. Digo que nunca fui neste lugar.
Ela pergunta por Dan, respondo que está ótimo, tirou carteira de motorista, faz as compras da casa agora. O telefone fica péssimo, não a ouço. Digo: você não vai acreditar, agora sou vizinha de Chico e ele e meu amigo.
Não ouço a resposta dela. Desligo.
Ele me diz que esteve doente e só come pão- acho que era brioche- e foie gràs, eu levo um tempo no sonho para lembrar o que é foie gràs.
Ele sai. Agora estou na minha casa com as cartas dele- penso que se ele chegar ainda não tomei banho, mas se for tomar, não ouvirei a campainha.
Dan está com outros dois meninos numa mesa, ainda são crianças- derramam algo- fico zangada- digo que poderiam molhar as cartas do Chico.
Minha irmã telefona dizendo que adiou a viagem com minha mãe- que pagou uma taxa e irão uma hora mais tarde- fala algo sobre trânsito intenso.
Penso que ela tem facilidade em pagar coisas desnecessárias.

Acordei com esta musiquinha no meu radinho subjetivo:
“Eu faço samba e amor até mais tarde...
E tenho muito sono de manhã,
Escuto a correria da cidade,que alarde...”
Pô, que ironia.

Sobre o sonho:

O meu inconsciente é camarada, me dá estes sonhos deliciosos com Chico. Há muitos anos sonho com ele, muitos...

A analista outro dia disse: Chico é um significante.
De acordo.

Eu penso que Chico é um ícone, um mito da minha geração- a analista é mais jovem e é daqui do nordeste. Chico Buarque não tem o mesmo peso que no sudeste- há pessoas que não o conhecem, muitas. Todas sonhamos com Chico lá no Rio.

No sonho apareceu um dado novo: Rua Nunes Machado.
Ulalá! Foi a rua da minha infância em Curitiba. Morávamos numa casa geminada com a da minha avó paterna. Velha fria aquela, seca como um galho. Era portuguesa, usava saia até o pé, cinza, tudo preto ou cinza. Era triste, melancólica, chorava todos os dias na hora da “Ave Maria”.

Allgo novo com o aparecimento da rua no sonho. Lembro daquele lugar. Na casa em frente morava um jovem pianista- era mais velho que eu alguns anos. Tinha um grupo de rock- que era a moda na época. Mas eu o ouvia tocar clássicos. Eu me apaixonei. Não sei se pelo piano ou por ele. Passava o tempo livre olhando o portão para ver se ele surgia. Fui uma menina triste, já contei. Passava muito tempo na janela quieta, observando.

Anos depois eu contei a ele que havia sido enamorada por ele. Perguntou por que não contei antes. Imaginem?! Eu me sentia péssima, auto- estima no pé.

Juarez Machado eu conheci na rua. Ele morava em Curitiba e cruzava a mesma praça que eu : Praça Rui Barbosa. Eu saindo do colégio onde acabava o primário- era o nome do ensino fundamental- ele vinha da Escola de Belas Artes e morava ali perto numa pensão. Uma amiga minha era apaixonada pelo personagem que ele fazia na TV com Ari Fontoura-
um play boy, filho de um deputado nojento- tipo aquele que Chico Anísio fazia. Pois é, Juarez atuou como ator. Era muito bonitinho com cabelão loiro olhos azuis. Eu o abordei e disse que gostaríamos de conhecer o trabalho dele. Fomos- umas cinco meninas. A amiga desapaixonou-se e eu me encantei.

Íamos visitá-lo na TV Iguaçu. Enquanto ele pintava cenários enormes, conversávamos. Eu tinha papo, já gostava de ler e era atualizada- sempre gostei de ser.

Anos depois confessei meu amor platônico por ele. Disse: Por que não me contou antes? Eu te namoraria. Tentamos uma vez, não rolou. Eu estava apaixonada pelo namorado.
Hoje nos queremos muito, eu sei, mas nos estranhamos- ele fica tenso comigo, eu idem.

Os dois eram conhecidos. Juarez muito. Segui a linha do 'sujeito famoso': Chico Buarque. É interessante porque nunca fantasiei estar com ele- acho que é demais. Só em sonho noturno, mesmo. Já encontrei naquele dia com o Raduan, não disse nada ao R. - foi um dia especial- eu amo os dois- de longe.

Chico B. tem um apartamento em Paris- Marais. Passei perto, não sabia onde era, soube depois- perto daquela sorveteria famosa.
No meu sonho ele come comidas francesas. Por que?

Outro dia a analista perguntou: Por que Paris?
Acredito que a minha geração sonhou com Paris- aqueles filmes românticos com cenas maravilhosas pelas ruas parisienses. Belmondo, Jean-Louis Trintignant, Alain Delon, Ives Montand...

As moças ricas da geração de minha mãe tinham governantas francesas, todas falavam francês- a cultura da época era importada da França. Estudei em colégio de freiras de uma congregação francesa, estudei francês- o chic era o Colégio Sion, o meu foi o Colégio São José- mais acessível à classe média.

O grande amor impossível da minha vida, um dos homens mais bonitos e charmosos que conheci- talvez o mais charmoso- Jean Guillaume, era parisiense. Foi o homem que mais me influenciou na vida- eu o conheci quando tinha uns 16 anos, ele era da idade de meu pai. Maravilhoso. Estes dias tomei pastis e lembrei dele- era o que me serviam lá. Delicia- eu trouxe na viagem. Ai que saudades do Jean. Um homem inesquecível. Quem sabe por isso meus amores são impossíveis, quase sempre?

E o príncipe? Será que voltou de viagem? Avisou que estaria viajando- é o homem mais querido que conheço atualmente. Mais um impossível- nem sonhar dá hihihi meu filho avisou: Mãe, este nem vá fantasiar que você não tem chance- o C até tinha... hihihi Certo! :)

Mas há outro o Chico na minha vida- eu vejo por ai o significante- lembro de um Chico, sonho com o outro.

Francis Hime é uma graça, sempre foi. Está com setenta anos e lindo. O meu Chico, era lindo também, tinha um rosto bonito, perfeito no meu ponto de vista. Charmoso, inteligente, querido- tudo. Foi o sonho da minha vida este Chico. Morreu em 2008. De lá para cá... o sonho acabou.

Vou tomar um pastis e brindar pelos meus amores que se foram. Ainda tem o Carlinhos- também importantíssimo na minha formação- a foto está aqui na minha frente. Este teria sido o marido ideal, não fosse homo- c'est la vie.



Foto minha- lugar delicioso- Canal de San Martin- Paris

Segunda-feira, Fevereiro 15, 2010

Domingo de Carnaval...

Meu chão é branco, mas de cerâmica. Adorei esta foto, é do Google.


Ontem, domingo, fiquei atacada por limpeza- aliás, sábado também: Cuidei de plantas, bichos, casa, roupas, móveis, carro- tudo que estava na minha frente. Eu sei o porquê baixou “A Obsessiva”- é uma maneira de pensar menos- distrai fazer estas coisas- ainda mais quando se tem alguém para fazer em outros dias o mais pesado.

Pretendo colocar mais quadros na parede, arrumar melhor a casa- tenho muitos desenhos guardados, muitas coisas.
Fica tudo guardado para quê? É preciso mostrar. Para quem? Sei lá. Quem vier, verá.
Ou quem viver verá? Sei lá.

Hoje com calor, em vez de tomar três banhos, resolvi ir à piscina e foi ótimo- fui à tardinha, não havia mais crianças lá- me dou bem com eles, são meus amigos, mas e a zoeira? Com silêncio consegui rever uns contos- foi bom dar um tempo- hoje fiz uns cortes maiores- por isso escritores deixam amadurecer os textos. Li um pouco também, me exercitei na água- adoro, fico leve.

Meus dois filhotes estão viajando. A casa fica vazia. Minha mãe aqui prefere ficar no quarto ou vendo filme- está sempre contrariada- tem um geniozinho difícil- filha de espanhol, vocês sabem como é: temperamental, autoritária, com mudanças de humor- é geminiana também- eu sou de virgem, pago todos os meus pecados. Reclama do lugar, do isolamento blá, blá, blá.
Luc está no Rio ainda, na casa do pai- fico feliz, há muitos anos não estava tanto tempo com ele- já disse que o pai é ansioso e nervoso, às vezes, é bom para que conheça o pai melhor- ele é ótima pessoa, mas dificílimo também- um escorpião puro. Ulalá- eu dei sorte na vida : ) , não é?
O outro, Dan, foi passar uns dias em Pipa com amigos, levou a prancha para surfar- o coração de mãe fica assustado, mas tento não pensar nada ruim- é bom que vá curtir. Os dois estão homens- e foi agora que amadureceram, em pouco tempo- eram muito meninões- até porque convivem mais comigo e sabem como é mãe- protege mais.

E eu, quando viajo?

Enquanto escrevia aqui parei para ver a novela da Globo “Viver a vida”, está melhor agora que o foco saiu do casalzinho: J Mayer e T Araujo. O par romântico agora convence e bastante: Aline Moraes e Mateus Solano- para mim uma revelação, excelente ator e eu sôo conhecia de vista, nem nome não sabia.

Parei para dar comida para o Alf (Alfred), o cão. Não sei se ficaremos com ele, foi adotado e tem trazido problemas- a casa tem pouco jardim, temos dois gatos, ele mordeu a empregada outro dia... é assunto pendente.

Parei também para ver de onde vinha um barulhinho estranho, não identifiquei nem de perto: era um besouro sob um puff, levantei o dito cujo e o besouro saiu- o gato esperando, de olho. Acho que não o comeu.

Atendi o telefone também- Dan dizendo que está na Pousada e exausto, vai dormir cedo. Ufa! Meus filhos não são da noite, o que é um alívio- eu era notívaga- adorava dormir muito tarde- hoje sou outra mulher hohoho
Quem me viu antes, nem acredita. Tudo é possível. Aqui é muito claro e quente, impossível ficar até tarde dormindo, a não ser que fosse no ar refrigerado, estas coisas- mas não é meu estilo.
A empregada nova- nem tanto- há um ano faz faxina aqui- disse que eu deveria ser madame, que se fosse ela no meu lugar, saberia ser- nem em casa ficaria. Eu gosto de fazer coisas, não gosto que me sirvam. Estou habituada a viver só- me virar sozinha- refiro do que esperar sentada o cházinho- vou fazer.

Tomei Tchai estes dias- amo- o original, mas prefiro sem leite- detesto leite.
http://mdemulher.abril.com.br/culinaria/receitas/tchai-425262.shtml

Agora estou ficando com fome, detesto comer esta hora, vou cozinhar uma banana no micro ondas e comer com canela. Jorge Pontual adora banana com canela. Falava muito nisto.

Ok. Chega de diário por hoje. Boa noite.Bom dia, Madoka. Bons sonhos.
Não vou revisar, estou caindo de sono- deem desconto ai, tá?



O puff é filho deste- pequenino- temos este ai, igualzinho, já murcho. Na festa de minha sobrinha as crianças mergulharam com se fosse na água, murchou. :)

Um pouco de Saura



"Cria cuervos"- filme fantástico- adoro.

Sábado, Fevereiro 13, 2010

Ele está voltando


Madonna estará no novo programa de Seinfeld


Eu amo o Seinfeld- tanto que meu gato tem este nome. Posso estar péssima que rio com ele. Que bom que teremos novidades.

"Os atores Alec Baldwin, Tina Fey e a estrela de "Desperate Housewives" Eva Longoria estão entre as participacões especiais no painel rotativo de famosos do "Árbitro matrimonial," que começa no dia 28 de fevereiro nos Estados Unidos na rede de TV NBC."

'O árbitro matrimonial' vai ao ar no dia 28 de fevereiro pela rede NBC.
Participação da estrela será gravada em Nova York na semana que vem.


Do G1

Mais aqui.

Lembram deste episódio? Lembra Woody Allen.

Aqui a série toda.

Até Marlon Brando?



Vejam aqui se não se mover. Via @jorai(Twitter)

Sexta-feira, Fevereiro 12, 2010

Roma, a bela cidade


Veja melhor e outras fotos aqui no UOL.

Quinta-feira, Fevereiro 11, 2010

Central Park

Ai que saudades...









A primeira foto é minha de um Chagall emocionante- está no Musée D' Orsay.

A do meio, Pont Neuf, não sei de quem é, e a última é minha também- um acaso que eu gostei de clicar.

Um dos primeiros lugares que quero rever em Paris é o Museu D'Orsay. O Louvre não me agradou- gente demais, grande demais- tudo em excesso. E estava abafado- me deu vontade de sair logo- vi o principal e sai.

Que bela foto! Marc Chagall em Paris



Daqui.

Quarta-feira, Fevereiro 10, 2010

Amenidades



Ué, Jesus Luz virou estátua?


Madonna não deixará Jesus Pinto da Luz- é óbvio- é romance recente. Os dois ganham com isto, ele, todos sabem, e ela, vocês também sabem- com este pinto iluminado, como disse o Simão- meu querido macaquito. Ulalá.


Entrou um ladrão na casa de Paris Hilton e disse que havia cocaína lá dando sopa e ele e a tchurma cheiraram. Disse que ela era alvo fácil por ser burrinha.
Tsc tsc tsc Pode ser burrinha, mas é rica e livre e ele está preso- gostei.

Dá para confiar na palavra dele? Tadinha da moça... tão pura.

Agora me digam se Paris Hilton não tem algo da Narcisa? Esta seria a nossa Paris Hilton. Tsc tsc tsc A nossa versão é tupiniquim- vive ao lado do Copacabana... Que bobagem eu ia dizer... que pobreza de espírito, Laura!

Elas vivem num mundo irreal, cria-se o mito, viram piada, chacota e são vítimas do próprio mito. Vejam: Marilyn Monroe, Greta Garbo- esta se isolou, Michael Jackson, Xuxa, Marlon Brando, com a vida trágica, deformou-se- um dos homens mais belos de todos os tempos. Conhecemos tantos casos.




Li um livrinho sobre Lacan- o grande mito da psicanálise moderna- acabou muito solitário. O autor diz algo como: ele se tornou um ser tão especial que ficou só.

Lacan é assunto para outro post.


E Angelina Jolie está processando os jornais que divulgaram o término do casamento dela com Brad Pitt. Se todos seguissem este caminho talvez a imprensa fosse mais cuidadosa. Lembram quando disseram que a Daniela Mercury tinha um caso com Chico Buarque e foi pivô da separação dele com Marieta? Quem disse foi processado e ele ganharam. Certo! Até porque tanto Chico, quanto Daniela e Marieta são super discretos com relação à vida privada. Alguns a gente sabe que devem avisar os paparazzi onde estão circulando.

Angelina foi ao Haiti, doou um milhão de dólares e visitou vítimas. Tão linda e generosa.


Jolie visita crianças vítimas do sismo no HaitiFotografia © Ariel Marinkovic - AFP


Lembra Audrey Hepburn- também embaixadora da ONU. Entrem neste site e vejam que graça.


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Givenchy e Audrey em suas caminhadas por Paris

Segunda-feira, Fevereiro 08, 2010

Miniconto- Há dias



Responde meu bom dia sem levantar os olhos.
Tomo o café na mesa da cozinha cheia de pacotes de compras da véspera.
Há dias em que levanto e está tudo guardado. Olho a dispensa desorganizada- deixo pra lá.
Falta água mineral, não pedi ontem.
Há dias em que estou assim, me dá prazer deixar tudo pra lá. É uma forma de sobreviver, não ver o que se passa em volta.

Domingo, Fevereiro 07, 2010

O que o Coimbra fazia ali?




by Picasso


Busco silêncio, silêncio interno. Alma sem conflitos. Trégua.

Na rede, ao pôr do sol, leio crônicas de Clarice pela primeira vez. Abro ao acaso. Leio o nome de meu ex- analista Lourival Coimbra.
O que estaria ele fazendo ali? Não tive tempo para muitas questões, li que amigas dela, várias, se analisavam com ele. Ela quis lhe dar um livro “Dr. Lourival deve estar farto de ouvir meu nome”. Mandou “Laços de Família” e na dedicatória justificou a letra feia falando do acidente- queimadura. Coimbra disse: “Clarice dá tanto aos outros, e no entanto pede licença para existir”.

Na crônica ela diz isto:
"Sim, Dr. Lourival. Peço humildemente para existir, imploro humildemente uma alegria, uma ação de graça, peço que me permitam viver com menos sofrimento, peço para não ser experimentada pelas experiências ásperas, peço a homens e mulheres que me considerem um ser humano digno de algum amor e algum respeito. Peço a bênção da vida."

A resposta me pareceu irritada. Eu desconfio o que seja.

É muito desagradável quando um analista diz algo sobre nós através de outra pessoa. Não o autorizamos. Por isso interpretações gratuitas são sentidas como invasivas ou mesmo agressivas.

Ela devia estar curiosa sobre ele, quis lhe dar algo... Bem provável que desejasse conhecê-lo. Poxa, tão bom se ela tivesse feito análise com ele... Foi um equívoco. Ele era um homem extraordinário: original, inteligente, generoso. Passava afeto sem sair do lugar do analista.

Pois é, fui ler para relaxar e ganhei esta lembrança tão forte de Coimbra.

A primeira vez que entrei no seu consultório me vi envolta por livros. Olhei os títulos, muitos não havia lido. Ele me ofereceu. Lembro de ter lido Henri Miller e Charles Dickens- adorei “Grandes Esperanças".

Chorei muito quando ele morreu, pobre Coimbra, caiu na rua com um infarto fulminante. Eu já havia recebido “Alta” ( a 1ª e única). Felizmente havia estado com ele poucos meses antes e contado da minha vida, da maternidade- quando era sua analisanda vivia apaixonada, mas apenas escrevia e desenhava. Fui sem avisar, passava por ali e ele estava só por sorte e foi uma grande emoção para ambos, ficou muito feliz, eu também. Este homem me curou de uma neurose obsessiva (TOC) sem eu perceber. Hoje sei que foi o jeitão dele descontraído, sem fórmulas prontas que tirou o excesso de obsessividade- ficou um restinho. Foram anos de muita produtividade intelectual e amor. Comecei minha formação psicanalítica ali, dividindo dúvidas com ele e o grande amor de minha vida encontrei naqueles dias. Grande em tempo e intensidade.

Clarice não deu certo com analistas- fez um tempo com Ines Besouchet- e depois com o Azulay que não deu conta dela- que pena!


Olhava o céu, de azul passou à rosa, depois o sol em chamas se escondeu deslizando nos coqueiros. Acendi o abajur, passei a ler e ver as estrelas- o céu agora azul escuro, as luzinhas da Fazenda acessas, os grilos cantando, os pássaros gritando. Tenho uma incapacidade total para gravar nomes de pássaros- estes seriam... meu irmão já me disse várias vezes- eles gritam, um som agudo.

Estendida atravessada na rede, rígida, pensei que seria um bom lugar para morrer. Numa rede olhando o céu. Meditando. Tantas coisas eu pensei. Pensei que ando imobilizada, o ano passado eu passei em casa, continuo sem vontade de sair. Poderia me mover, mas estou cansada- as pálpebras cansadas. Sei que se encontrasse motivação sairia do marasmo, mas não vejo luz no fim do túnel. Nem viajar não está me atraindo-seria porque é preciso. Desde quando fiquei assim? Eu sei. Mas por que não sinto forças para reagir?
Gosto de estar em casa, de arrumar a casa, há dias que trabalho feito formiguinha- há sempre coisas para fazer numa casa, vocês sabem. Eu tenho cortinas para pendurar e não me movo para ir atrás de alguém. Meu filho diz que vai colocar, sai para namorar e volta tarde. Adio. Procrastino. (Esta palavra me lembra Inagaki, amigo virtual-ele fala sobre isto de vez em quando).
Fico melhor por estar conseguindo ler de novo- li a biografia de Clarice, agora peguei as crônicas dela, estou lendo um sobre Lacan, muito bom- está no consultório. Consigo ler no final da tarde, quando diminuem os barulhos da casa.

Estes dias fiz uns continhos, sentei e fiz, o difícil e me concentrar. Eu escrevo duas frases e levanto- vou ver algo, mas continuo pensando no que estou escrevendo. Escrevo mais duas frases e molho plantas. É bom, relaxa.
O pior é que a empregada é uma gralha- vou ter que sair do campo visual dela- acho que se eu passar a manhã lá em cima ela me esquece um pouquinho. Está aqui há um mês, quer saber se deve cortar o chuchu em pedacinhos ou na horizontal... ai ai Respondo que corte como quiser, só não cozinhe demais- sempre passa do ponto- deixo pra lá- quem quer bem feito, faz- eu sei.

Este lero lero aqui me ajuda- quando chego na analista digo que já escrevi aqui hihihi se eu fosse minha analista viria xeretar- mas eu sou uma curiosa irremediável e tenho tempo- nem todos têm. Mas análise não se faz apenas naquele tempo curto da sessão, se faz assim- o tempo todo, até dormindo. Nossa! como tenho sonhado- cada sonho. Freud explica. E viva meu mestre!



Foto minha varanda

Sábado, Fevereiro 06, 2010

Miniconto- Nestes dias...



Nestes dias...



Jogou o paletó sobre o sofá num gesto brusco. Meu coração acelerou. Disse, fingindo naturalidade:

- Tudo bem?

- Como tudo bem? Não está vendo a minha cara...

Olhei, agora com permissão, o rosto dele. Os olhos injetados, fixos em mim.

- Que culpa eu tenho?

- Que culpa eu tenho?... Nenhuma! você vive no seu mundinho, não sabe de nada! Merda de vida! Cale esta boca!, ele disse entrando no quarto.

Sabia que precisava obedecer.

Agora paralisada olhei os braços desbotados da poltrona, os fios esgarçados.

Pensei: É este o meu mindinho- esta poltrona, o quarto de dormir, a cozinha. Pouco olho a janela. Nada fora me interessa.

As lágrimas deslizam, a garganta trava. Tenho pena de mim. Passo o dia a espera dele, cuidando da comida, das camisas... “Passe de novo, não vê que passou mal?”

À noite me ama. Abre minhas pernas com a posse permitida, sorve fluidos. Gosta de me ouvir gemer. Mesmo sem prazer, gemo. Depois sobe o corpo pesado sobre o meu e me penetra. Há dias em que gosto, noutros finjo, nestes pego o membro rijo e com habilidade especial o faço gritar de prazer. Puxa meus cabelos, enquanto suspiro aliviada.

Logo ele esquecerá que estou ao seu lado.


PS: Fiz agora, não revisei, logo...

Um olhar especial


Foto daqui

Um belo fim de semana para vocês. Que foto, hein? Vejam o blog, vale a pena.

Quinta-feira, Fevereiro 04, 2010

Aquele conto que foi traduzido, lembram?


Picasso







O homem menos estranho


Pega o primeiro ônibus que para no ponto, o vento corta seus lábios. Há dias não vê a rua, não quer.

O ônibus está abafado, gosta daquele cheiro de gente, tanto tempo não vê gente. Havia lugares vazios nos últimos bancos, escolhe o que tem o homem menos estranho e senta, perna encostada na perna do homem, nem viu a cara, não importa. A perna revestida de seda dá sensação de segunda pele, desliza, sente prazer em roçar disfarçadamente no estranho. Fecha os olhos, inspira o ar misto de cheiros. Final do dia, cada cheiro uma história, de olhos fechados adivinha que o homem ao lado tem mulher e filhos a espera.

Faz isto sempre, pega um ônibus qualquer, escolhe os dias cinzentos, aqueles que intui não suportará ficar tão só. Estar colada ao homem a esquenta, ele não se afasta, mas pressiona mais a coxa, coxa apertada contra coxa. Finge não sentir a mão que sobe pela sua perna, deixa que o homem a toque, se arrepia, não consegue se mexer, é preciso dizer não, abre os olhos, ele se aproxima e a beija violentamente, morde, machuca, ela não sente prazer, nem medo, apenas vida.


Este conto foi selecionado num concurso de contos do site italiano www.domist.net e foi traduzido para o italiano. Veja aqui.

Terça-feira, Fevereiro 02, 2010

Uma mulher- um livro




A biografia de Clarice Lispector é muito boa. Ele se repete, mas não me cansa.
Vai nos situando geográfica e historicamente.

O autor interpreta os livros de Clarice os associando aos traumas infantis, a trajetória da escritora judia pelo mundo afora- era casada com um diplomata. Ele enfatiza o judaísmo. Acredito que uma cultura forte como a judaica seja pregnante, sim, mas Clarice não era praticante. Não seguia nenhum ritual. Uma vez fez uma árvore de Natal toda estranha e disse que era assim que ela via a festa.

Esta parte do livro eu gosto menos, não me agrada dissecar analisar textos para descobrir a verdade sobre o autor. Fiz isto algumas vezes quando era estudante- hoje acho que, mesmo sendo psicanalista é invasivo.

Depois que conheci Raduan Nassar sinto maior respeito pelos escritores neste aspecto. Raduan diz que não há mais nada para dizer, já disse o que queria. Eu não insisto, não faço perguntas, respeito o seu silêncio com afeto. Eu detestaria que pegassem meus contos e “lessem” a Elianne que está ali nas entrelinhas. Ah! Faz favor... OK. Clarice está morta, virou celebridade, é importantíssima na nossa literatura, mas prefiro ler os textos dela, sem tentar adivinhar o que está por trás. Se Ulisses, personagem, tem a ver com o Ulisses que foi enamorado por ela.

O autor fala muito da Clarice- animal- eu nem prestei atenção nestas coisas, passava por alto. Mas sei que há pessoas que adoraram este aspecto do livro- cada um lê como quer.
Para mim Clarice foi a mulher sensível, sofrida, solitária, mesmo cercada por muita gente (vivia com um séquito), com quem eu me identifico em muitos aspectos.

Clarice foi enamorada por Lucio Cardoso, amigo gay, escritor com quem ela trocava ideias. Acredito que o amou a vida toda, amores platônicos e impossíveis são eternos, mesmo que se viva novos amores. Eu sei disto, tive um amor semelhante.

Foi amada por muitos homens, era sedutora, bonita, extremamente bem cuidada. Alguns dizem que era deslumbrante, lembrava Marlene Dietrich.
O marido a amou muito, Paulo Mendes Campos teve um romance com ela, mas era casado- optou ficar com a mulher- ela sofreu com a escolha dele. Teve amigos como Fernando Sabino, Hélio Pellegrino, Rubem Braga, o casal Wayner, Alzira Vargas, Carlos Scliar... muitos...
Eu a invejo neste aspecto.

Gentil, generosa e narcisista- um dos analistas dela disse que ela era de uma ansiedade que poucos suportavam- ele não a aguentou como cliente. Era fechada nela mesma, porque não conseguia sair desta prisão. Disse algo assim, o Azulay. Depois que ela deixou de ser sua cliente, ele foi seu amigo e protetor- um erro perigoso- transformar em realidade aquilo que está no imaginário do cliente- o analista como uma figura paterna.

Mas acontece- e imaginem ter um “monstro sagrado” como cliente- é difícil. Assim como deve ter sido difícil para C. (não é o Calligaris), analisar o Chico Buarque.

Clarice teve um filho esquizofrênico- acredito que não pode haver dor maior- talvez pior que a morte, ter um filho que está ausente, mesmo ali ao seu alcance. Isto é doloroso. Quando meus filhos sofrem eu sofro muito, imagine uma dor deste tamanho.

As irmãs Lispector eram muito amigas, cúmplices, é bonita relação delas. Clarice se sobressaiu, claro. Mas Elisa Lispector, que eu nem sabia que existiu, é ótima escritora também. Há citações de livrosdela muito boas. O sofrimento fez das irmãs Lispector pessoas especiais.

Foi uma pessoa extraordinária. Não há outra palavra. Você pode não gostar do que ela escreveu, mas tem que admirar a figura intensa desta mulher culta, mágica e misteriosa.
Ela queria manter o mistério. Estão tentando decifrar.


Lucio Cardoso

PS: Acabo de escrever, não revi, erros? Deixem pra lá, ou me corrijam, tá?

A bela Jolie



Vi aqui.

A coluna magoou




Eu poderia estar assim, descabelada- não estou porque o cabelo está curto hohoho
O vento é lamento úuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu
O cão choraminha auuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu
A funcionária, não consegue se abaixar- dói a coluna- aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Eu não consigo me virar aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Passei a noite assim com medo de me mexer iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Magoei a coluna, como ela diz.....................................................

A mãe, cara feia, diante do meu belo palavrão: tsc...

“O Deus onde estás que não respondes?”

Li uma frase de Clarice ontem, onde o personagem latiu para Deus ouvi-lo.
Interessante a busca contínua dela por Deus- eu sou tranquila quanto a isto. Nem é assunto que me desperte interesse. Os outros são mais preocupados do que eu- em relação a mim. Sou panteísta e ponto. E, como os budistas, acredito que Deus está em cada um de nós. Alguns nunca o encontram, outros sim,
Ou o inferno são os outros?
Hohoho

Cansei.

Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010

Lírios brancos



Foto daqui



Lírios brancos

Te espero
coração em sobressalto

Mas teu silêncio é morte

Caminhas
gestos contidos
meu coração em descompasso
com o roçar das tuas bainhas no chão frio

Teu silêncio é morte

Sufocada saio
Volto
Te encontro
Entregue
Pronto
Teus pés em oferenda

Lírios brancos


Este poema foi feito baseado numa cena do livro de Raduan Nassar “Um copo de cólera”- para mim um dos maiores romances da nossa língua. Não vejam o filme antes de ler o livro, o filme é muito ruim.