Tocou na barriga que crescia, amaldiçoou o filho bastardo.
Desesperada foi até o banheiro, procurou algo pontiagudo.
O cabo de um pente acabou com a angústia.
Foi encontrada numa poça de sangue na banheira.
Ainda vivia quando a irmã chegou.
Sexta-feira, Setembro 30, 2005
O ano Brasil na França

Em homenagem ao Ano do Brasil na França, imagem do Cristo Redentor é projetada na fachada da Catedral de Notre Dame, em Paris.
Na TVE tem um programa "Boulevard Brasil" que eu vejo quando lembro que tem trazido entrevistas falando do Brasil na França, do sucesso de Jum Nakao, do chitão, dos artistas, dos artefatos indigenas etc e tal. Gosto de ver.
Um sonho e o tunel, o futuro.
Esta noite tive um sonho muito angustiante, sonhei que estávamos abandonando nossa casa-era a casa de minha mãe, a casa onde vivi em Cabo Frio, um casarão de 300 metros quadrados que não existe mais- precisávamos ir embora porque a casa seria invadida por pessoas desconhecidas, era um guerra civil, coisa do gênero. A casa era no Rio, eu acho, porque era uma cidade grande, minha mãe estava comigo, nós estávamos assustadas, mas não desesperadas, lembrei de algumas jóias, ela me disse para esconder dentro da parede, havia um espaço na parede onde caberiam as jóias. No sonho eu lembrava dos meus filhos jovens e temia serem chamados para luta armada.
Acordei esquisita, lembrando do sonho, ai fiquei pensando...ontem li em algum lugar sobre os Spans a favor e contra o desarmamento. Este é um assunto que me deixa em conflito, eu sou totalmente pacifista, mas não sei se seria conveniente desarmar a população e deixar as armas para os que as usam de forma irregular- contrabando, trafico.
Quem mora no Rio sabe o temor de uma convulsão social, eu morava em Ipanema, algumas quadras do morro de Cantagalo e Pavãozinho, ali é calmo, mas do outro lado do morro não é, os moradores descem o morro quando estão insatisfeitos e quebram as lojas.
O contraste é muito grande, ali estão as lojas caras, de marca e algumas quadras na frente o morro com as mulheres subindo com baldes de água, jogando lixo lá do alto, é triste ver.
Meu pai tinha uma pistola, era militar, só usava para dar sustos nos ladrões que entravam no quintal, atirava para cima.
É preciso acabar com as fábricas de armas, será que adianta desarmar as pessoas de bem, que provavelmente nunca usarão uma arma? Quem compra arma legalmente não tem que deixar dados num cadastro? Por que não manter isto, o controle?
No sonho minha mãe está junto, é interessante, acho que as jóias podem ser também os escritos, os amores, eu andei falando disto aqui ontem, me expus por email com uma pessoa, fiquei meio desconfortável, acho que não me entendeu, ai a sensação de que falei demais ou o perigo de ser invadida do sonho. Minha mãe é escritora.
Ter que ir embora, é muito ruim ir embora, ontem vi a novela das sete que está acabando esta semana e alguns personagens estão indo embora do país, outros abandonam o casarão, ali falaram em jóias dias atrás.
O post que queria fazer desde quarta é outro, sobre amor, quem sabe amanhã eu faço. Estou falando de amor lá no outro blog, mexe comigo.
O tunel é azul, esperança?
Quinta-feira, Setembro 29, 2005
Album de retrato.

Ontem passei o dia ouvindo João Gilberto, fico mais leve, mais feliz, como me faz bem ouvir o João... é uma benção a voz delicada e afinada dele.
Ouvindo “Retrato em branco e preto” me deu saudades de Chico, Tom Jobim, Caetano, Billie Holiday, são vozes que me fazem bem.
Queria fazer um post diferente o Blogger não deixou, não consigo colocar fotos, foi difícil conseguir estas duas.
Estes olhos já me sorriram

Eu vi o Tom assim pouco antes de morrer. Chorei muito a morte dele.
Leiam o Calligaris ai embaixo, está ótimo.
Retrato em Branco e Preto
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque
Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho
E sei também que ali sozinho
Eu vou ficar, tanto pior
O que é que eu posso contra o encanto
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto
E que no entanto
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes velhos fatos
Que num álbum de retrato
Eu teimo em colecionar
Lá vou eu de novo como um tolo
Procurar o desconsolo
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras
Versos, cartas, minha cara
Ainda volto a lhe escrever
Pra dizer que isso é pecado
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado
E você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração
É possível estar mal e pensar direito?
CONTARDO CALLIGARIS
Uma das questões mais interessantes da psicologia das últimas décadas é a seguinte: em que medida o sofrimento psíquico de um sujeito deve ser relacionado com um defeito de sua percepção e de seu entendimento do mundo? Obviamente, a pergunta é relevante só quando o sofrimento é uma condição severa e duradoura.
Tomemos, por exemplo, a depressão, um estado patológico que, em princípio, não nos torna delirantes nem alucinados. "Ser" depressivo (diferentemente de "estar" deprimido) significa passar, ao longo da vida, por vários episódios de depressão profunda e sofrer de uma constante dificuldade em encontrar a vontade de viver.
Pois bem, será que ser depressivo implica (como causa ou como efeito) um erro de percepção e de pensamento? Qualquer terapeuta gostaria que fosse assim: bastaria corrigir o erro e, com isso, quem sabe a depressão fosse "curada". Se você é depressivo e enxerga o mundo como a brincadeira sádica de um deus maléfico, talvez você seja vítima dessa visão "errada". Ao corrigi-la com as palavras certas, a gente transformaria seu humor de vez, faria de você outra pessoa. Mas sobra a pergunta: será mesmo que, por você ser depressivo, sua percepção do mundo está errada?
Em 1979, foi publicada uma experiência (Abramson e Alloy, "Journal of Experimental Psychology", vol. 108, nº 4), na qual dois grupos de sujeitos (os deprimidos e os "saudáveis") deviam descobrir se suas ações tinham ou não alguma influência sobre uma lâmpada que, de fato, se acendia e se apagava ao acaso. Os não-deprimidos, apesar dos desacertos, concluíram que suas ações eram eficazes. Os deprimidos concluíram (corretamente) que suas ações não tinham eficácia nenhuma e que não havia como fazer a cabeça da maldita lâmpada.
Para alguns críticos, a experiência demonstrava apenas o pessimismo dos deprimidos. Mas resta que, no caso, a conclusão dos deprimidos foi certeira; portanto caberia salientar o extravagante otimismo que extraviou os não-deprimidos e constatar o realismo dos deprimidos. Aliás, a questão levantada pela experiência de 79 entrou para a história da psicologia como problema do "realismo depressivo" (há novas experiências publicadas no recente vol. 134 do "Journal of Experimental Psychology").
O interesse desse debate não é só clínico. Acaba de sair um livro imperdível, "Lincoln's Melancholy: How Depression Challenged a President and Fueled His Greatness" (a melancolia de Lincoln: como a depressão desafiou um presidente e alimentou sua grandeza), de Joshua Wolf Shenk.
Shenk se baseia nos relatos dos que foram próximos de Abraham Lincoln para confirmar que ele foi clinicamente deprimido durante a vida toda. Logo, o autor se pergunta se essa depressão grave e crônica constituiu um impedimento ou se, ao contrário, foi uma vantagem na conduta do presidente americano durante a Guerra de Secessão.
Ora, Shenk argumenta de maneira convincente que a depressão de Lincoln foi responsável por suas qualidades de estadista. A seguir, alguns exemplos:
1) A depressão clínica é sempre acompanhada por um intenso processo de pensamento: reavaliação contínua da realidade, dúvidas sobre a ação certa, exame constante de consciência e por aí vai. Esse processo leva o sujeito a um conhecimento especial das contradições de sua própria alma e da dos outros. Na vida pública, isso permite negociar sem desprezo pela parte adversa.
2) O deprimido que ultrapassa suas crises sem sucumbir tem, em regra, a coragem e a capacidade de encontrar motivações sem recorrer a grandes princípios (o que pediria um entusiasmo que é impossível na depressão). Lincoln, embora convencido de que a abolição da escravatura fosse moralmente correta, nunca invocou a certeza de que Deus estaria do seu lado, mas alegava (inclusive por escrito) que, quanto a Deus, cada lado podia considerá-lo seu aliado. É uma outra qualidade crucial para a vida pública, a não ser que a gente prefira entregar as rédeas do governo a iluminados e fundamentalistas.
3) A adversidade, para o deprimido, é, por assim dizer, natural (nada existe sem antagonismo). Deparar-se com oposição e derrota é, para ele, uma travessia normal. O resultado é a perse- verança.
Recentemente, uma psiquiatra (Kay Redfield Jamison, "Touched with Fire: Manic Depressive Illness and the Artistic Temperament", tocados pelo fogo: a doença maníaco-depressiva e o temperamento artístico) mostrou que uma cura apressada da depressão nos privaria de inúmeros talentos artísticos e literários. Shenk estende o mesmo princípio a uma figura política; ele mostra que, no caso de Lincoln, a depressão não foi "uma falha de caráter que desqualificaria a liderança de um sujeito". Longe de comprometer o pensamento e as decisões do presidente, ela foi o traço de caráter que fez dele o estadista lúcido e necessário num momento sombrio da história de seu país.
Em suma, muitas aventuras dolorosas da mente são partes da subjetividade de quem sofre e, às vezes, partes irrenunciáveis, cuja "cura" deixaria o mundo mais pobre e mais estúpido.
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Contardo Calligaris
Quarta-feira, Setembro 28, 2005
O pássaro de Oscar.

Éramos duas garotas, não sabíamos distinguir entre um sábia e um bem- te- vi e Oscar deixou um pássaro negro para que minha irmã tomasse conta recomendando que era um bicho raro.
Estávamos, os três, na casa de Carlinhos hospedados, assim que chegamos ao Rio, desconhecíamos a cidade, tudo era novo para as duas jovens, que Oscar devia considerar seres inferiores vindos, imagine, de Cabo Frio, uma aldeia, na época. Ficamos sós as duas, todos viajaram, meu amigo disse que não queria confusão com Doutor Rui- era assim que chamava meu pai- e longe não corria perigo, eu era completamente apaixonada por ele, um gaúcho charmoso, o homem mais interessante que conheci.
Oscar foi viajar para Ouro Preto ou Bahia, não lembro mais, com artistas, vivia cercado de gente famosa, havia sido casado com uma atriz muito famosa, filha de uma escritora mais famosa ainda. Esta gente se reunia lá em “petit comités’, que era como chamava as reuniões. Era época de perseguição política, mas eram reuniões sociais, um dos convidados estava no grupo que seqüestrou o Embaixador americano.
Minha irmã incumbida de alimentar o pássaro de nome Bartók- eu desconfiava que Bartók era alguém famoso pela pompa de Oscar ao pronunciar o nome do bicho- aliás, tudo era dito com pompa, ele era o tal, arrogante, eu não conseguia conversar dez minutos com ele.
Pois bem, Bartók comia alpiste, quando acabou a sementinha minha irmã passou a dar jiló e outras frutas para o bichinho que um dia amanheceu morto. As duas tolas não sabiam andar na cidade e não foram atrás de uma loja de pássaros, aposto como tem logo ali, no Humaitá, perto de onde estávamos na Lagoa.
Quando Oscar voltou todo prosa, contando que transou com a filha de um músico famoso dentro de uma Igreja, encontrou no lugar do belo pássaro negro um periquito verde e amarelo que era tudo que ele não queria na ocasião. Imaginem a reação dele.
Terça-feira, Setembro 27, 2005
Coisa mais linda pra machucar meu coração.

Não deixem de ver "Coisa mais linda" (2005), documentário dirigido por Paulo Thiago (Policarpo Quaresma – Herói do Brasil). Veja aqui também.
O filme conta a história da bossa nova através do papo descontraído entre o Roberto Menescal e Carlinhos Lira, sempre simpáticos e charmosos.


Mostra Nara Leão, a musa que congregou o grupo, Silvinha Telles,Tamba Trio, João Gilberto e outros.
Carlinhos Lira é um charme, lembra demais um namorado meu quando está bardado, dá aflição ver, agora está sem barba, circula por Ipanema, a ex mulher também, eu os vi muitas vezes por lá, moravam perto.
Estou ouvindo João Gilberto na Rádio Uol, tentei linkar aqui, mas perdi tempo e nada. Acho que assim vai.
Bom dia para vocês.
Google está de aniversário hoje.
Hoje vi as fatias de bolos, vi o sete, achei que era niver, Marina também comenta. Viva a Google! realmente a melhor coisa da Internet.
Segunda-feira, Setembro 26, 2005
Mini conto.
Acordou às cinco, fez comida para o marido e filho.
Ainda dormiam quando saiu, ele desempregado bebe até tarde, quer sexo na marra, ela finge dormir, mas quando começa a machucá-la cede, o filho deitado no colchão ao lado dorme como um anjo.
Agora ressona alto de boca aberta o desgraçado, vontade de acordá-lo no tapa, jogar água quente na orelha como fez a vizinha no homem dela.
Dá um beijo no filho e sai de fininho, prefere a fera dormindo.
Ainda dormiam quando saiu, ele desempregado bebe até tarde, quer sexo na marra, ela finge dormir, mas quando começa a machucá-la cede, o filho deitado no colchão ao lado dorme como um anjo.
Agora ressona alto de boca aberta o desgraçado, vontade de acordá-lo no tapa, jogar água quente na orelha como fez a vizinha no homem dela.
Dá um beijo no filho e sai de fininho, prefere a fera dormindo.
Sábado, Setembro 24, 2005
Pés, para onde me levas?
Estive pensando que meus contos são muito erotizados e as últimas fotos também, não quero que me vejam assim, eu sou tantas... Aí o Wilton me manda esta foto. Uma foto que vem com uma legenda dizendo que é aqui no nordeste, talvez seja em outro lugar, mas nos toca da mesma forma,eu precisei colocá-la aqui, tinha que mostrar a todos, é comovente.

Aqui eu penso minha relação no mundo virtual, tem me perturbado, intrigado a exposição, a falsa intimidade que o blog cria. Leiam e digam o que pensam, sei que os meus amigos antigos já leram, sorry.
Bom fim de semana para todos.

Aqui eu penso minha relação no mundo virtual, tem me perturbado, intrigado a exposição, a falsa intimidade que o blog cria. Leiam e digam o que pensam, sei que os meus amigos antigos já leram, sorry.
Bom fim de semana para todos.
Sexta-feira, Setembro 23, 2005
O doutor do coração ou "Tacones Lejanos".

O coração passou a bater descompassado depois que o marido foi embora, talvez só agora ouvisse seu coração. Assustada correu para a Clínica de Cardiologia.
O jovem médico pediu que sentasse na maca e tirasse a blusa preta- só vestia preto. Despiu a blusa, não sabia onde colocá-la, ele diz:
-Me dê, eu coloco na cadeira.
-Estranho isto, você pegar minha blusa...
-Você viu “De saltos altos”?
-Não.
Na maca, de lado, sentia o corpo do médico encostado no dela enquanto ele deslizava o aparelho de ecocardiografia no seu seio esquerdo.
-É apenas stress, por que está estressada?
Ela conta.
-Também acabo de me separar, sei o que sente. Teu coração está ótimo, mas volte se sentir extrasistole de novo e veja “Ate-me”.
Voltou e desta vez o médico a atendeu numa pequena sala de exames no fim de um corredor comprido. Pediu para que deitasse para tirar a pressão e fazer um eletrocardiograma.
Sentia frio, ele a cobriu com um lençol. Debruçou o corpo sobre o dela e beijou-a, suas mãos aos poucos deslizavam sobre seus seios suavemente. O coração no mesmo compasso que o dele.
Dois toques na porta.
-Doutor, estão chamando da C.T.I.
Meses depois viu “De saltos altos” e entendeu o desejo do médico, agora também dela.
Esta imagem eu acabo de descobrir aqui, um blog maravilhoso,só de beijos.
"De saltos altos" é o filme de Almodóvar como vocês devem saber.
Quinta-feira, Setembro 22, 2005
Todo dia o sol levanta , Caetano e "A lua me disse"

Canto de um Povo de um Lugar
Caetano Veloso
Todo dia o sol levanta
E a gente canta
O sol de todo dia
Fim da tarde a terra cora
E a gente chora
Porque finda a tarde
Quando a lua amansa
E a gente dança
Venerando a noite
Eu gosto muitíssimo das letras e músicas de Caetano, é um poeta extraordinário. Em algumas com uma simplicidade fantástica, noutras uma densidade impar.
Lua lua lua lua
Por um momento meu canto contigo compactua
E mesmo o vento canta-se compacto no tempo
Estanca
Branca branca branca branca
A minha a nossa voz atua sendo silêncio
Meu canto não tem nada a ver
Com a lua
Janelas abertas n° 2
Caetano Veloso
Sim, eu poderia abrir as portas que dão pra dentro
Percorrer, correndo, corredores em silêncio
Perder as paredes aparentes do edifício
Penetrar no labirinto
O labirinto de labirintos
Dentro do apartamento
Sim, eu poderia procurar por dentro a casa
Cruzar uma por uma as sete portas, as sete moradas
Na sala receber o beijo frio em minha boca
Beijo de uma deusa morta
Deus morto fêmea, língua gelada
Língua gelada como nada
Sim, eu poderia em cada quarto rever a mobília
Em cada um matar um membro da família
Até que a plenitude e a morte coincidissem um dia
O que aconteceria de qualquer jeito
Mas eu prefiro abrir as janelas
Pra que entrem todos os insetos
Novela das sete-TV Globo-"A lua me disse", já comentei antes aqui, tem atores ótimos, Zezé Polessa dá um show, Arlete Salles, ótima, como sempre, o Miguel Magno excelente, dá humanidade e sabedoria ao personagem travestido. Outro dia eu vi uma cena onde Elizangela, muito bem no papel da coroa que só gosta de "gatinhos", conversava com Dona Roma sobre o filho que está esperando, vocês acreditam que eu me emocionei? estavam tão convincentes... Tem personagens ótimos, Roma, a avó, feita pela Araci Balabanian , a negra La Toya, não conheço a atriz, é ótima, Telma Reston também está muito engraçada, Débora Bloch, agora a personagem perdeu um pouco o espaço, mas esteve no início maravilhosa, o núcleo do Peru é muito engraçado, também não sei o nome dos atores.
Outro dia Arlete Salles na pele da Adenilde disse:
"Não guarde tristezas como se fizesse álbum de figurinhas, depois não vai ter com quem trocar"
Maravilha!
A novela tem umas sacadas ótimas. Falabella e Maria Carmem Barbosa devem se divertir escrevendo.
O Furacão Rita assusta os americanos, será que adianta Bush rezar? ele disse que rezará, será que Alá é mais poderoso?
Novamente o povo castigado, desta vez pela força de natureza. Mas por que será que o Homem insiste em viver perto do mar, às margens dos rios? historicamente as cidade começaram a margem dos rios, dos mares, foram ficando...eu vivo perto do mar, há vento constante, brisa marinha, ainda bem que não temos furacões por aqui.
Tenho muita pena do povo-um milhão de pessoas- que estão abandonando seus lares, deixando tudo para trás, sem saber se haverá volta. Triste.
É primavera, que os deuses nos ouçam e tragam mais alegrias. Amém!
Terça-feira, Setembro 20, 2005
O colega de trabalho.

Pelo olho mágico viu sua magreza e os olhos ansiosos.
Um beijo frio, uma garrafa estendida.
Pega as taças, acende o aba-jour, ele a segue com o olhar.
À tarde, no trabalho, num momento oportuno encostou o corpo no dela, olharam-se surpresos com o desejo inesperado. Não acabaram a primeira taça, beijaram-se com voracidade, ele a despiu com rudeza, penetrou-a com força.
Enquanto se vestiam ela pediu para ficar só.
No banho esfregava o corpo, as lágrimas misturadas à espuma de sabão, os olhos ardiam.
Lamento.
Segunda-feira, Setembro 19, 2005
Domingo, Setembro 18, 2005

Gosto de parar para pensar na semana que passou e o que ficou para mim, naturalmente cada um de vocês vê ângulos diferentes da mesma cena.
Israel abandona a Faixa de Gaza,talvez seja o fato mais marcante da semana para mim, este drama entre Israel e Palestina é tocante.
Vários palestinos não habituados ao banho de mar morreram na praia, literalmente leiam aqui.
Marilena Chauí fala da crise e do PT,gostemos ou não ela sabe o que diz.
Roberto Jefferson cassado foi um regozijo, ele precisava ser cassado, sua postura arrogante e paranóide me incomodava demais.
Os depoimentos nas CPMIs desta semana foram interessantes, Genoino, completamente desconcertado e comovido, fungava, tive impressão de que choraria a qualquer momento, gostei da fala comovida do Mercadante, parece homem de bem, apoiou o amigo de longa data e lutas, mesmo que vocês pensem, mas apoiar o Genoíno nesta hora? foi bonito o gesto dele.
Luiz Gushiken respondeu com firmeza e duro às críticas e fez com que a oposição ficasse mais branda, vamos esperar os fatos. Gostei do jeito dele, foi o único que não colocou o rabo entre as pernas, que levantou a cabeça e a voz quando sentiu-se atacado.
A intervenção do Supremo vem dar mais tempo aos deputados alargando o prazo para se decidirem pela renúncia ou não, foi estranho, favoreceu a todos os envolvidos, imagino como não andam estressados, todos.
Mas a cena burlesca foi a de Sebastião Buoni: antes de mostrar a xerox do cheque que deu a Severino Cavalcanti, levantou e rezou, ai o advogado pediu que as pessoas o ajudassem financeiramente pois estava com dificuldades. O advogado era parecido com o advogado do Kramer do Seinfeld e a cena foi inacreditável, eu hoje fui conferir para ver se eu não tinha entendido mal, estava certa, foi isto mesmo que eu ouvi e vi. Patético. Ah! e o Sebastião buoni diz que vai se candidatar. Inacreditável. E a mocinha que estava com ele, que pensei fosse filha é a mulher, tudo bem, mas que foi engraçado foi, ela o segurava nervosa, cochichava, o advogado idem. Hilário e constrangedor.Italiano com nome Sebastião é estranho para mim, quem sabe lá é comum? não sei...

Vejam o advogado como é parecido.
Homem volta para casa por linha férrea, depois da passagem do furacão Katrina, nas proximidades de Nova Orleans, nos EUA

O mundo depois de 11 setembro e do Furacão Katrina. Leia aqui.
E como acabou meu inferno astral vou apostar mais, quem sabe o jogo não vira?
Boa noite.
Gabeira na sabatina da Folha.
19/09/2005 - 16h24
Gabeira afirma que daqui a 4 meses será possível avaliar impeachment
O deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) afirmou que no final das investigações, entre 3 e 4 meses, será possível avaliar se existem condições para o "impeachment" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele negou, no entanto, que seja necessária a manifestação popular para conduzir esse processo.
Há 1 mês, quando se avolumaram as conversas entre os partidos sobre a possibilidade de um impedimento do presidente Lula, a principal "variável" observada pelas lideranças políticas foi a justamente a ausência de um "apoio popular" para levar adiante o processo.
"Somente no final das investigações, nós vamos avaliar, daqui a uns 4 meses, no máximo, se é o caso do presidente precisar de um processo de impeachment, mas não é um preciso um grande desejo popular. Não acho que essa variável seja decisiva", disse ele e acrescentou que seria uma questão constitucional "chegar à conclusão que o presidente comentou um crime com punição de impeachment".
O parlamentar, que participou hoje de uma sabatina promovida pelo jornal Folha de S.Paulo, fez críticas à classe política, tanto de direita quanto de esquerda, e ao governo Lula, principalmente quanto a política ambiental e das drogas.
O deputado iniciou suas críticas ao responder porque esteve "ao lado" de alguns representantes da direita quando entregou a representação contra o presidente da Câmara Severino Cavalcanti (PP-PE). "Nesse momento, era uma questão de luta nacional", disse e questionou: "Se não com eles, então com quem?" Gabeira afirmou que parte da esquerda, citando os partidos PT e PC do B, não participou do movimento para derrubar o presidente da Casa, que ele chamou de "humilhação nacional".
O parlamentar afirmou que a eleição de Severino foi resultado de uma "estupidez coletiva" de seus colegas e do governo, que apoiou um candidato "sem trânsito" na Casa. A oposição, por sua vez, votou em um candidato somente para enfraquecer a situação. "Quando os dois erram juntos, aí nós estamos perdidos", disse.
Sobre os partidos de esquerda, afirmou que a classe política vive "um pesadelo", porque as atuais legendas somente atuam em nome da manutenção de poder. Em relação à direita, disse: "há setores da direita com quem você pode conversar, porque existe um padrão ético que você avançar, mas há setores da direita que você não pode conversar, não há conversa que não seja a troca aberta de favores".
Gabeira avaliou as próximas eleições serão caracterizadas por campanhas eleitorais mais baratas e mais "pragmatismo". "A tendência é para o pragmatismo, [da eleição de] de pessoas que não serão grandes líderes, mas que serão capazes de responder a grandes desafios que não foram respondidos pelo PT. Mas nós estamos no campo da imaginação. Eu não sei qual será o desfecho de todo esse processo".
Ele, que afirmou ter votado em Lula nas últimas eleições, afirmou que não tornaria a votar no atual presidente nas eleições de 2006.
Drogas, desarmamento e ambiente
A sabatina não ficou restrita à crise política atual. Questionado sobre o "que se salvaria" do governo petista, primeiro Gabeira afirmou que não conseguia se lembrar de aspectos positivos e depois, concentrou suas críticas ao tratamento do meio ambiente e da política nacional das drogas.
"Um dos testes vitais foi na prevenção do desmatamento, que fracassaram, pois tivemos 126 mil quilômetros destruídos naquele período. Teve [a questão] os transgênicos, a importação dos pneus usados, a questão da Amazônia", disse ele.
Em relação às drogas, o parlamentar reclamou que "não há verba para o desenvolvimento de uma política de drogas no Brasil", que estaria baseada, "por inércia" na repressão. "Há poucos trabalhos estruturados nas escolas. Minha política não é defender uma droga ou outra. A pior droga que existe é a ignorância", disse ele.
Questionado como votaria no plebiscito sobre o desarmamento, ele afirmou que vai votar pelo "sim". No dia 23 de outubro, a população brasileira vai decidir, em referendo, sobre a ilegalidade ou legalidade da venda de armas de fogo e munição no país. "Você vai desarmando aqueles que compram armas legais e favorece os bandidos. A minha proposta com o [movimento] Viva Rio é fazer uma campanha de desarmamento que continue depois do plebiscito".
Gabeira afirma que daqui a 4 meses será possível avaliar impeachment
O deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) afirmou que no final das investigações, entre 3 e 4 meses, será possível avaliar se existem condições para o "impeachment" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele negou, no entanto, que seja necessária a manifestação popular para conduzir esse processo.
Há 1 mês, quando se avolumaram as conversas entre os partidos sobre a possibilidade de um impedimento do presidente Lula, a principal "variável" observada pelas lideranças políticas foi a justamente a ausência de um "apoio popular" para levar adiante o processo.
"Somente no final das investigações, nós vamos avaliar, daqui a uns 4 meses, no máximo, se é o caso do presidente precisar de um processo de impeachment, mas não é um preciso um grande desejo popular. Não acho que essa variável seja decisiva", disse ele e acrescentou que seria uma questão constitucional "chegar à conclusão que o presidente comentou um crime com punição de impeachment".
O parlamentar, que participou hoje de uma sabatina promovida pelo jornal Folha de S.Paulo, fez críticas à classe política, tanto de direita quanto de esquerda, e ao governo Lula, principalmente quanto a política ambiental e das drogas.
O deputado iniciou suas críticas ao responder porque esteve "ao lado" de alguns representantes da direita quando entregou a representação contra o presidente da Câmara Severino Cavalcanti (PP-PE). "Nesse momento, era uma questão de luta nacional", disse e questionou: "Se não com eles, então com quem?" Gabeira afirmou que parte da esquerda, citando os partidos PT e PC do B, não participou do movimento para derrubar o presidente da Casa, que ele chamou de "humilhação nacional".
O parlamentar afirmou que a eleição de Severino foi resultado de uma "estupidez coletiva" de seus colegas e do governo, que apoiou um candidato "sem trânsito" na Casa. A oposição, por sua vez, votou em um candidato somente para enfraquecer a situação. "Quando os dois erram juntos, aí nós estamos perdidos", disse.
Sobre os partidos de esquerda, afirmou que a classe política vive "um pesadelo", porque as atuais legendas somente atuam em nome da manutenção de poder. Em relação à direita, disse: "há setores da direita com quem você pode conversar, porque existe um padrão ético que você avançar, mas há setores da direita que você não pode conversar, não há conversa que não seja a troca aberta de favores".
Gabeira avaliou as próximas eleições serão caracterizadas por campanhas eleitorais mais baratas e mais "pragmatismo". "A tendência é para o pragmatismo, [da eleição de] de pessoas que não serão grandes líderes, mas que serão capazes de responder a grandes desafios que não foram respondidos pelo PT. Mas nós estamos no campo da imaginação. Eu não sei qual será o desfecho de todo esse processo".
Ele, que afirmou ter votado em Lula nas últimas eleições, afirmou que não tornaria a votar no atual presidente nas eleições de 2006.
Drogas, desarmamento e ambiente
A sabatina não ficou restrita à crise política atual. Questionado sobre o "que se salvaria" do governo petista, primeiro Gabeira afirmou que não conseguia se lembrar de aspectos positivos e depois, concentrou suas críticas ao tratamento do meio ambiente e da política nacional das drogas.
"Um dos testes vitais foi na prevenção do desmatamento, que fracassaram, pois tivemos 126 mil quilômetros destruídos naquele período. Teve [a questão] os transgênicos, a importação dos pneus usados, a questão da Amazônia", disse ele.
Em relação às drogas, o parlamentar reclamou que "não há verba para o desenvolvimento de uma política de drogas no Brasil", que estaria baseada, "por inércia" na repressão. "Há poucos trabalhos estruturados nas escolas. Minha política não é defender uma droga ou outra. A pior droga que existe é a ignorância", disse ele.
Questionado como votaria no plebiscito sobre o desarmamento, ele afirmou que vai votar pelo "sim". No dia 23 de outubro, a população brasileira vai decidir, em referendo, sobre a ilegalidade ou legalidade da venda de armas de fogo e munição no país. "Você vai desarmando aqueles que compram armas legais e favorece os bandidos. A minha proposta com o [movimento] Viva Rio é fazer uma campanha de desarmamento que continue depois do plebiscito".
Sábado, Setembro 17, 2005
Mundo vasto mundo.

Fico pensando como num mundo tão vasto
nós nos encontramos. Nós, vocês e eu, algumas estão tão longe... a internet facilita o encontro, mas há algo mais, porque há uma escolha, uma seleção. Quero dizer que gosto muito dos meus escolhidos/as, vocês me fazem escrever, buscar imagens bonitas, pesquisar assuntos que em outra época passaria por cima, com pressa, levantar temas que considero relevantes para todos nós.Lamento não conseguir fazer uma viagem diária até vocês, fico cansada com a tela e as informações, porque leio tudo e deixo comentários.
Vocês me fazem bem, elevam meu astral.
Meu obrigada a todos vocês inclusive aos amigos queridos que vêm em silêncio, como Patrício que está lá no Caribe e vi pelo mapa a sua presença, Eva, que representa as moças todas que estão longe e se identificam comigo de alguma forma, os tímidos, fãs silenciosos.
Vejam o mapa que bonito que é.
Aqui faz um dia de sol lindo, já peguei um solzinho na varanda, como o sol faz bem, incrível!
Sexta-feira, Setembro 16, 2005

Hoje eu quero muitas flores, é meu aniversário, já ganhei da Luci, vão ver que linda que ela é.
Amanheci com saudades dos amigos distantes, nem tenho vontade de escrever.
O primeiro a me cumprimentar foi o amigo de quem tenho mais saudades, está se recuperando de uma cirurgia e a seguir vi o post lindo da Luci, amiga nova, moça delicada, sensível. Um ganho estes amigos novos, ontem Mani pediu meu MSN, outro dia foi a Eva que ligou...não vou citar todos seria impossível lembrar de todos e seria injusto, só cito os mais recentes. Há um homem que me chamou para dançar aqui, foi muito bonitinho.
Se estivesse no Rio encontraria os amigos para jantar, fazíamos sempre isto, vou sair para almoçar com meus meninos, meus amores, que já me beijaram muito hoje.
“Por muito tempo achei que ausência era falta
e lastimava, ignorante, a falta
hoje não a lastimo...
porque a ausência, essa ausência assimilada
ninguém rouba mais de mim.”
Carlos Drummond de Andrade.
Mas ainda sinto a ausência como Jean Cocteau diz :
"Aqui estou eu tentando viver, ou melhor, tentando ensinar a morte dentro de mim a viver”
Ainda não sinto como Drummond, ainda é falta, quem sabe um dia eu chegue lá.
Um bom dia para vocês!
Luci muitíssimo obrigada.

Alcachofra, adorooooo, hummmmmmmmmmmm
Quinta-feira, Setembro 15, 2005
Reflexões ao vento.

Leiam aqui o Calligaris, como sempre pertinente, dizendo coisas interessantes.
Li outro dia no blog da Anna Frank:
"As estatísticas policiais mostram que mais de 50 mil estupros são registrados por ano na África do Sul. Especialistas dizem que o número real pode ser o quádruplo disso, já que a maioria dos estupros em que os agressores são pessoas conhecidas, ou em que a vítima é criança, não é denunciada."
Sempre que leio sobre estupros na África ou em outro lugar como na Arábia e adjacências, fico chocada, diz lá que uma criança de uma semana, isto mesmo, uma semana, foi estuprada e também aqui
que uma mulher na Arábia Saudita está sendo condenada por ter matado o sujeito que a estuprava.
Anna mostra no blog uma camisinha feminina anti-estupro, adorei saber que existem, leiam. Alguns acreditam que é um retrocesso, que parece coisa da idade média, mas estuprar não é coisa de homens primitivos que puxavam as mulheres pelos cabelos?
Anna está sempre denunciando, dando informações, é um blog que todos deveriam ler de vez em quando.
Fazendo uma conexão com o texto do Calligaris poderíamos pensar por que os homens fazem isto? Calligaris fala dos grupos, do esgarçamento da individualidade num grupo, para sentir-se aceito eu faço tudo que o grupo me solicita, ou induz. E a questão do estupro seria por que o grupo aceita? a cultura considera a mulher objeto sexual mesmo sem o consentimento dela? E os homens que sentem-se rejeitados pelas mulheres, existem aos milhares por ai, e forçam suas esposas a fazer sexo, seria pela mesma razão, estão ali para serví-los?
Vi uma entrevista de Dominique Wolton, autor da “A Última Utopia” (1993), “Pensar a Comunicação” (1997) e “Internet, e Depois?” (1999). Queria tanto ler... será que acho? a grana está curta, tantas coisas para ler, por isso às vezes digo que queria que a vida fosse como no teatro, primeiro ensaio, depois pra valer- escutei isto numa entrevista com Vittorio Gassman. Também acredito que tudo já foi dito, nós apenas repetimos , não há mais originalidade em nada que fazemos, apenas recriamos, na maior parte das vezes inconscientemente. Dominique Wolton disse uma frase que gostei:" A Europa sabe o que é auteridade", referia-se à união européia, às guerras não tão distantes, ao convivio forçado que levou os europeus a reconhecerem as diferenças. Quanto maior a globalização, maior necessidade de termos nossa cultura preservada, é questão de sobrevivência.
Gostei, o que acham?
Severino mentiu, Roberto Jefferson dançou finalmente, pelo menos por um tempo não teremos que assistir à ópera bufa dele.
Bom dia! aqui ventaaaa, odeio vento, fico angustiada, oummmmmmmmmmmmmmmm
Antes sós do que (mal) acompanhados?
Contardo Calligaris.
Acontece nestes dias, em Bento Gonçalves (RS), o quarto Congresso Brasileiro de Dinâmica Interpessoal, organizado pela Sociedade Brasileira de Dinâmica dos Grupos. Fui convidado a palestrar na abertura, e a ocasião me levou a refletir um pouco sobre grupos e indivíduos.
A literatura é o grande repertório moderno dos ideais, dos sonhos e mesmo dos pensamentos morais. O primeiro romance desse repertório é um sonho de solidão: "Robinson Crusoé", de Daniel Defoe, publicado em 1719. Desde então, a história do homem que sobrevive numa ilha deserta continua nos interessando (a título de exemplo, houve as versões literárias de Coetzee, "Foe", e de Michel Tournier, "Sexta-Feira ou a Vida Selvagem", e, recentemente, o filme de Robert Zemeckis, "Náufrago"). Detalhe: na ilha deserta, estamos dispostos a encontrar ao menos um semelhante, Sexta-Feira, mas à condição de que seja claramente um subordinado.
Visto esse precedente literário inaugural, não é estranho que sejamos criados, em geral, na desconfiança de tudo o que é grupo.
Há dois provérbios que me acompanham desde a infância: "Antes só do que mal acompanhado" (ou seja, sempre melhor sozinho) e o ditado italiano "Chi fa da sé fa per tre" (quem faz sozinho faz por três). Este último, aliás, instilou-me uma antipatia pela pedagogia do trabalho em grupo, e isso atrapalhou a carreira escolar de meus filhos, pois nunca parei de suspeitar que, se João ou Maria viessem "para estudar junto com eles", seria só bagunça ou perda de tempo.
É claro, havia também o provérbio que diz que "a união faz a força". Mas faz a força a que preço? Naqueles dias, a história recente dizia que a massa era poderosa e irresistível, mas irremediavelmente burra e cruel. Meus pais tinham conhecido os 20 anos do fascismo italiano e assistiam ao desastre do socialismo real, manifesto (para quem quisesse ler e ouvir) desde os anos 50. Não seria no Brasil de hoje que eles seriam desmentidos: partidos e movimentos, sobretudo quando têm uma forte coesão, parecem ser sempre piores do que as pessoas que os compõem.
Mais tarde, consagrei minha tese de doutorado a esta pergunta: como é possível que homens quaisquer, como você e eu, sejam levados a funcionar como o braço armado de genocídios e extermínios que repugnariam a suas consciências se eles agissem sozinhos? Cheguei a uma conclusão que tento resumir: não é por medo de punições nem por convicção ideológica. É porque, para o sujeito moderno, tanto a dúvida sobre quem ele é quanto a incerteza sobre o que ele quer da vida são fardos imensos. Ele pode ser levado, portanto, a sacrificar sua individualidade à condição de que o grupo lhe ofereça a ilusória impressão de "saber" quem ele é e quais são suas tarefas. Um homem qualquer pode colocar fogo numa sinagoga repleta ou despedaçar nenês contra uma parede para ganhar o "conforto" de sentir-se parte eficiente de um grupo.
A desconfiança dos grupos não se desmentiu quando me ocupei um pouco da função da turma e da gangue (sobretudo adolescente) na violência criminosa. Por caminhos psicológicos um pouco diferentes, aqui também o grupo potencializa o que há de pior em alguns de nós. Sentir-se reconhecido pelos "compadres" é uma razão suficiente para esquecer-se de inibições e freios morais básicos. Os quatro rapazes que, em 1997, em Brasília, queimaram vivo o índio Galdino, tomados um a um, nunca teriam perpetrado aquele horror.
Aparte: a sedução do grupo não constitui um atenuante. Ao contrário, a covardia que leva alguém a trocar sua humanidade pelo conforto coletivo é, a meu ver, uma agravante.
Dos grupos só se salvaria, em princípio, a família: já em 1812, o alemão J.D. Wyss publicara "Os Robinsons Suíços", em que transformava a gloriosa solidão de Robinson Crusoé no ideal da vida familiar numa ilha deserta. A idéia alimentou um seriado televisivo americano nos anos 60. Na mesma linha e época, a família de "Perdidos no Espaço" chamava-se Robinson. Mas, desde os anos 70, a antipsiquiatria inglesa (Laing, Cooper, Esterson) mostrava que a família era a fonte originária do sofrimento neurótico e da loucura.
Em suma, durante os dois últimos séculos, inventamos utopias coletivas, mas elas devoram nossa liberdade; sonhamos com o calor do lar, mas ele parece ser responsável por muitos de nossos males. Atrás da "união que faz a força", paira o medo (justificado) de que, nessa união, nossa singularidade perca o melhor de si. E, atrás do sonho de Robinson, paira o pavor (também justificado) de uma solidão sem conforto.
Para lidar com esse paradoxo, quando sou chamado a "ajudar" grupos em dificuldade (famílias e casais), adoto um pequeno artifício: em vez de explorar as falhas (ou seja, em vez de perguntar o que cada um estima estar perdendo por causa da relação), tomo, às vezes, o caminho oposto e pergunto o que cada um estima estar ganhando na convivência com o outro.
É pouco, mas é um jeito de as pessoas se lembrarem de que, apesar de todos os pesares, vale a pena pagar um preço para elas não viverem sozinhas. Claro, depende do preço
Acontece nestes dias, em Bento Gonçalves (RS), o quarto Congresso Brasileiro de Dinâmica Interpessoal, organizado pela Sociedade Brasileira de Dinâmica dos Grupos. Fui convidado a palestrar na abertura, e a ocasião me levou a refletir um pouco sobre grupos e indivíduos.
A literatura é o grande repertório moderno dos ideais, dos sonhos e mesmo dos pensamentos morais. O primeiro romance desse repertório é um sonho de solidão: "Robinson Crusoé", de Daniel Defoe, publicado em 1719. Desde então, a história do homem que sobrevive numa ilha deserta continua nos interessando (a título de exemplo, houve as versões literárias de Coetzee, "Foe", e de Michel Tournier, "Sexta-Feira ou a Vida Selvagem", e, recentemente, o filme de Robert Zemeckis, "Náufrago"). Detalhe: na ilha deserta, estamos dispostos a encontrar ao menos um semelhante, Sexta-Feira, mas à condição de que seja claramente um subordinado.
Visto esse precedente literário inaugural, não é estranho que sejamos criados, em geral, na desconfiança de tudo o que é grupo.
Há dois provérbios que me acompanham desde a infância: "Antes só do que mal acompanhado" (ou seja, sempre melhor sozinho) e o ditado italiano "Chi fa da sé fa per tre" (quem faz sozinho faz por três). Este último, aliás, instilou-me uma antipatia pela pedagogia do trabalho em grupo, e isso atrapalhou a carreira escolar de meus filhos, pois nunca parei de suspeitar que, se João ou Maria viessem "para estudar junto com eles", seria só bagunça ou perda de tempo.
É claro, havia também o provérbio que diz que "a união faz a força". Mas faz a força a que preço? Naqueles dias, a história recente dizia que a massa era poderosa e irresistível, mas irremediavelmente burra e cruel. Meus pais tinham conhecido os 20 anos do fascismo italiano e assistiam ao desastre do socialismo real, manifesto (para quem quisesse ler e ouvir) desde os anos 50. Não seria no Brasil de hoje que eles seriam desmentidos: partidos e movimentos, sobretudo quando têm uma forte coesão, parecem ser sempre piores do que as pessoas que os compõem.
Mais tarde, consagrei minha tese de doutorado a esta pergunta: como é possível que homens quaisquer, como você e eu, sejam levados a funcionar como o braço armado de genocídios e extermínios que repugnariam a suas consciências se eles agissem sozinhos? Cheguei a uma conclusão que tento resumir: não é por medo de punições nem por convicção ideológica. É porque, para o sujeito moderno, tanto a dúvida sobre quem ele é quanto a incerteza sobre o que ele quer da vida são fardos imensos. Ele pode ser levado, portanto, a sacrificar sua individualidade à condição de que o grupo lhe ofereça a ilusória impressão de "saber" quem ele é e quais são suas tarefas. Um homem qualquer pode colocar fogo numa sinagoga repleta ou despedaçar nenês contra uma parede para ganhar o "conforto" de sentir-se parte eficiente de um grupo.
A desconfiança dos grupos não se desmentiu quando me ocupei um pouco da função da turma e da gangue (sobretudo adolescente) na violência criminosa. Por caminhos psicológicos um pouco diferentes, aqui também o grupo potencializa o que há de pior em alguns de nós. Sentir-se reconhecido pelos "compadres" é uma razão suficiente para esquecer-se de inibições e freios morais básicos. Os quatro rapazes que, em 1997, em Brasília, queimaram vivo o índio Galdino, tomados um a um, nunca teriam perpetrado aquele horror.
Aparte: a sedução do grupo não constitui um atenuante. Ao contrário, a covardia que leva alguém a trocar sua humanidade pelo conforto coletivo é, a meu ver, uma agravante.
Dos grupos só se salvaria, em princípio, a família: já em 1812, o alemão J.D. Wyss publicara "Os Robinsons Suíços", em que transformava a gloriosa solidão de Robinson Crusoé no ideal da vida familiar numa ilha deserta. A idéia alimentou um seriado televisivo americano nos anos 60. Na mesma linha e época, a família de "Perdidos no Espaço" chamava-se Robinson. Mas, desde os anos 70, a antipsiquiatria inglesa (Laing, Cooper, Esterson) mostrava que a família era a fonte originária do sofrimento neurótico e da loucura.
Em suma, durante os dois últimos séculos, inventamos utopias coletivas, mas elas devoram nossa liberdade; sonhamos com o calor do lar, mas ele parece ser responsável por muitos de nossos males. Atrás da "união que faz a força", paira o medo (justificado) de que, nessa união, nossa singularidade perca o melhor de si. E, atrás do sonho de Robinson, paira o pavor (também justificado) de uma solidão sem conforto.
Para lidar com esse paradoxo, quando sou chamado a "ajudar" grupos em dificuldade (famílias e casais), adoto um pequeno artifício: em vez de explorar as falhas (ou seja, em vez de perguntar o que cada um estima estar perdendo por causa da relação), tomo, às vezes, o caminho oposto e pergunto o que cada um estima estar ganhando na convivência com o outro.
É pouco, mas é um jeito de as pessoas se lembrarem de que, apesar de todos os pesares, vale a pena pagar um preço para elas não viverem sozinhas. Claro, depende do preço
Quarta-feira, Setembro 14, 2005
Mini conto: A janela aberta.

Acordou, abriu as janelas, o sol batia no assoalho brilhante, deitou no chão ainda fresco e foi se despindo até ficar nua.
Levantou quando o sol já não a aquecia, em vez de vestir o vestido desbotado pegou um dos vestidos das freguesas prontos para entrega. Escolheu um de seda preto, com leve decote na frente e maior nas costas, uma fenda do lado esquerdo da saia. Vestiu, olhou-se no espelho, gostou do corpo sensual, calçou a sandália preta guardada, suja de mofo.
Passou baton, coloriu as faces desbotadas e dançou sozinha.
Terça-feira, Setembro 13, 2005
Carta de Michael Moore para George W. Bush

Sr. Bush, você consegue imaginar deixar brancos nos telhados de suas casas por cinco dias?
...uma carta pública de Michael Moore para George W. Bush
Prezado Sr. Bush:
Você tem alguma idéia de onde estão todos os nossos helicópteros? É o quinto dia do Furacão Katrina e milhares continuam ilhados em New Orleans a espera de resgate. Pra que lugar deste planeta você conseguiu extraviar todos os nossos helicópteros militares? Você precisa de ajuda para achá-los? Uma vez, perdi meu carro num estacionamento da Sears. Cara, foi um saco.
Outra coisa. Você tem alguma idéia de onde estariam todos os nossos soldados da guarda nacional? Nós realmente poderíamos contar com a ajuda deles agora para fazer o tipo de coisa para a qual se alistaram, como ajudar em situações de catástrofes nacionais. Por que é que eles não estavam lá quando tudo começou?
Na quinta passada, eu estava no sul da Flórida. Depois de alguns instantes, o olho do Furacão Katrina passou sobre a minha cabeça. Só era um furacão de categoria 1, mas já estava bem feio. Onze pessoas morreram e até hoje havia casas sem energia elétrica. Naquela noite, o meteorologista disse que a tempestade estava a caminho de New Orleans. Isso foi na quinta-feira! Alguém te falou alguma coisa? Eu sei que você não queria interromper as suas férias e eu sei o quanto você não gosta de receber más notícias. Ainda mais porque você tinha que comparecer a eventos e havia mães de soldados mortos para ignorar. Você sem dúvida ensinou algo a elas!
O que mais admiro no seu comportamento diante da situação é como no dia após o furacão, em vez de voar para Louisiana, você voou para San Diego para se divertir com os seus amigos empresários. Não deixe que as pessoas te critiquem por isso – afinal, o furacão já tinha passado e que diabos você poderia fazer, colocar o seu dedo no dique?
E não dê ouvidos nos próximos dias, àqueles que vão tornar público como você reduziu o orçamento do Batalhão de Engenharia do Exército de New Orleans neste verão pelo terceiro ano consecutivo. Simplesmente diga a eles que mesmo que você não tivesse cortado o dinheiro para consertar aqueles diques, não haveria nenhum engenheiro do exército para fazer o serviço. Você tinha um trabalho de construção muito mais importante para eles – CONSTRUIR A DEMOCRACIA NO IRAQUE!
No terceiro dia, quando você finalmente deixou a sua casa de campo, tenho que dizer que fiquei comovido por ter feito o seu piloto do Air Force One descer das nuvens enquanto voava sobre New Orleans para que você pudesse dar uma olhadinha na catástrofe. Epa, eu sei que você não poderia parar e pegar um alto-falante e ficar em pé sobre alguns destroços e agir como um comandante supremo. Você já esteve lá e já fez isso.
Algumas pessoas tentarão usar essa tragédia como uma arma política contra você. Simplesmente faça com que o seu pessoal não responda a nada. Principalmente àqueles cientistas enfadonhos que avisaram que isso aconteceria porque a água no Golfo do México está ficando cada vez mais quente, tornando uma tempestade como essa inevitável. Ignore todas as suas historinhas de aquecimento global. Não há nada de diferente em um furacão que foi tão amplo que seria como ter um tornado F-4 que se estendesse de Nova York a Cleveland.
Sr. Bush, fique tranqüilo. Não é culpa sua o fato de 30% da população de New Orleans viver na pobreza ou de dezenas de milhares não terem transporte para sair da cidade. Cara, eles são negros ! Quero dizer, não é como se isso tivesse acontecido com Kennebunkport. Você consegue imaginar deixar brancos nos telhados de suas casas por cinco dias? Não me faça rir! Raça não tem nada – NADA – a ver com isso!
Continue firme e forte, Sr. Bush. Só tente encontrar alguns dos nossos helicópteros militares e mande-os pra lá. Finja que o povo de New Orleans e da Costa do Golfo estão próximos de Tikrit.
Michael Moore
MMFlint@aol.com
P.S. Aquela mãe irritante, Cindy Sheehan, não está mais no seu rancho. Ela e mais um monte de outros parentes de soldados que morreram na Guerra no Iraque estão agora atravessando o país, parando em várias cidades durante a viagem. Talvez você consiga encontrar com eles antes que eles cheguem a Washington D.C. no dia 21 de setembro.
Publicada em português em: http://www.michaelmoore.com.br/site/
Qual a sua opinião a respeito da atitude do governo Bush em relação ao furacão Katrina?

Segunda-feira, Setembro 12, 2005
Homoafetivos, Severino, Tom Zé e outras cositas más.

Ontem fiquei conhecendo o termo homoafetivos, que se refere à casais com união estável de homossexuais, o termo é da Desembargadora Maria Berenice Dias, uma gaúcha, tem um livro sobre o assunto.
Vocês sabiam que a Igreja não casa paraplégicos, cadeirantes? só casa quem for procriar. Alguém brincou que as mulheres na menopausa poderiam anular os casamentos, não é? Muitas iriam adorar a idéia.
Ah! também judicialmente os homossexuais não podem adotar crianças. Podem? Não, um deles pode, no caso deste morrer a criança fica sem proteção porque o parceiro não é legalmente responsável pela criança e nem herdeiro. No caso Cássia Eller a Eugênia tem a guarda do Chicão, foi aceito que ela ficasse com ele, todos conhecem a história.
Você sabia que em 1974 Lula viajou para o Japão para encontro com sindicalistas? Fiquei sabendo por Luiz Felipe Alencastro-
“Boulevard Brasil” TVE Brasil.
Artistas brasileiros fazem sucesso na França,depois de FHC, que deu uma imagem do Brasil mais moderno, Lula tem uma imagem muito boa lá na França. Continuam com a idéia de samba, mulher, carnaval, índios, mas também sabem aos poucos que há inteligência na nossa terrinha (Scliar falava muito em terrinha, lembro dele, “Filhotinha, como vai a terrinha?”).Muitos escritores fazem sucesso lá,não só o Paulo Coelho- o amigo do Jorge Pontual.
O site de Tom Zé, músico maravilhoso e não valorizado aqui na terrinha, tem música falando da atualidade aqui.
Sabia que apenas 1,5% dos brasileiros fazem exercícios com orientação de um profissional. Quem tem dinheiro para academia de ginástica? Só a elite.
Vi a entrevista do Severino aos jornalistas e senti vergonha, meu Deus como ele foi escolhido para presidir a Câmara? revela a qualidade de nossos políticos e me deu vergonha, afinal somos nós que os colocamos lá. Quando ele se referiu a Fernando Gabeira, insinuando homossexualismo e dizendo que Gabeira gostava de tóxicos ( pronuncia “tóchico”), foi vexaminoso, os jornalistas mal continham o riso, ele cínico ainda elogiou os jornalistas, rasgou seda, uma vergonha.
Precisamos tomar posições políticas mais definidas, botar a boca no trombone, algo tem que ser feito, não dá para ficarmos de braços cruzados esperando ver no que vai dar.
Esta imagem com a bola vocês sabem o que é, não sabem? é uma bola de gude no anus de uma moça, é a capa de um disco de Tom Zé da época da repressão política braba, deve ter se divertido muito. Uma senhora irreverência, dou valor.
Responda rápido:
O que é mais feio: o Severino na Câmara, a Igreja não casar seres que se amam, mas não procriam, ou a foto do disco do Tom Zé?
A dor de cabeça hoje está forte, vou sair daqui já, já, senão pioro.
Bom dia para vocês.
Acrescentado dia 13/09 Beth S. diz que aqui ele nega que a foto seja de um ânus. será? estava certa de que seria...:)
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Domingo, Setembro 11, 2005
Um telefonema, uma surpresa e sonhos.

Ontem dez da noite quando fechava a varanda para ir dar uma lida antes de dormir o telefone tocou, do outro lado uma voz tímida: ”É a Eva, Laura, está tarde? Estou te incomodando?”
Eva é uma moça que outro dia me mandou um email dizendo que lê tudo que eu escrevo que gosta muito de mim, mas tem vergonha de comentar lá.
Depois chegou outro email perguntando se podia me mandar uns postais da cidade que mora fora do Brasil, o terceiro perguntava se podia ligar. Respondi que sim.
Conversamos uns 40’, ficamos amigas, é interessante este tipo de contato imediato que o mundo virtual facilita. Ela me disse que ligou porque ficou preocupada comigo porque ando triste. Isto é interessante, eu devo tocá-la, muito. E qual não foi minha surpresa na sua última frase, quando eu disse que podia ligar quando precisasse e ela respondeu que eu também e que eu fique à vontade de precisar de grana, qualquer coisa. Confesso a vocês que foi a primeira vez que eu ouvi isto na minha vida, nunca ninguém se colocou disponível desta forma para mim, talvez por eu passar algo de alguém que se vira sozinha, quem sabe?
Eva me fez muito bem.
Agora quase acordando sonhei com uma amiga que foi minha amiga inseparável enquanto fiz ao curso na Sociedade de Psicanálise, mas que depois se afastou muito, P. é uma pessoa de quem eu gosto muito, admiro como mulher e profissional, indicávamos clientes uma para a outra, nos falávamos diariamente, tínhamos muito assunto, quando eu resolvi morar em Cabo Frio ela disse que eu não fosse que não ia ser bom, eu fui, foi péssimo acabei aqui em Natal. Esta noite sonhei que como estava na frente do consultório dela, numa Vila em Botafogo, eu entrava e perguntava para a secretária se ela estava livre, a moça respondia que ela já estava acabando de atender, ai ela vinha e me abraçava toda dura, mas comovida, chorando e eu também.
Tive um sonho com meu pai muito velhinho nesta noite também, que ele estava sentado num sofá e eu o beijava e dizia que estava tão bonito, tão branquinho- os cabelos eram mais brancos do que os de meu pai na realidade- eu dava um beijo na testa dele, então ele dizia que ia pegar o ursinho de pelúcia para me dar, que ia mandar consertar. Quando se movia estava sujo e eu e uma tia, a irmã dele mais velha, dizia que precisávamos limpá-lo.
Incrível os sonhos.
Eva de alguma forma me lembrou a P., talvez o afeto que me passou.
Fernando, um amigo querido é médico e foi meu homeopata em Cabo Frio, era a única pessoa em quem confiava, contava minhas histórias só para ele, neste sábado ele me avisou que fez um blog, estive lá mais de uma vez. Fernando tinha consultório na mesma Vila de P. em Botafogo.
Dia 9 fez um ano da morte do meu pai, dia 01 de agosto foi aniversário dele, faria 92 anos. Escrevi sobre ele no dia 02, eu acho. Esta tia, Amélia, era muito querida morreu há muitoooos anos, foi a segunda tia que perdi.
Quando eu era menina mais crescidinha minha mãe jogou fora um urso que eu adorava, era grande e marron, peludinho, ela disse que estava velho, lembro até hoje, estava guardado num armário que ficava embaixo da escada que subia para o segundo andar.
Gostei de ter falado com Eva, gostei de ter sonhado com P. -quem sabe não ligo hoje para ela?
Gostei de ver meu pai pensando em me dar algo significativo no sonho, meu pai era um homem seco, não sabia dar presentes, mas era ao mesmo tempo sensível e passava amor, parece contraditório, mas não é, ele foi criado pela mãe portuguesa e fria, mas era muito sensível, se emocionava à toa, nunca me deixou em apertos enquanto esteve vivo, eu sabia que era difícil chegar e pedir, ele fazia cara feia, mas sempre me ajudou, sempre, sinto falta disto, incrível a gente envelhece e ainda procura o colo do pai.
Esta foto é para Eva por ela existir e ser tão generosa, é um broto de Lotus, espero que nossa amizade cresça. Eva é um nome ficticio, eu não exporia a moça assim.
Bom domingo para vocês.
Acrescentado às duas e meia da tarde:
Liguei para P.e contei o sonho, ela disse que lembrei dela porque sua mãe está morrendo de câncer. Conversamos como nos velhos tempos, combinamos de nos falar aos domingos que é mais barato- ela mora no Rio, eu em Natal.
Fico feliz por Eva ter me levado a este gesto, eu adiava a ligação. Bom, por estas coisas vale a vida. Não acham?
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Sábado, Setembro 10, 2005
Sexta-feira, Setembro 09, 2005
A piada de hoje fica por conta do Flávio. Vão conferir, hilário.
A Denise defende as mulheres aqui
Aqui tem dicas do concurso que a Leila pediu para divulgar.
O Pedro Paulo Rangel eu descobri aqui hoje.
Ontem eu descobri este blog que adorei, tem tudo a ver comigo.
Esta moça tem uma sensibilidade incrível e eu gostei dela desde o momento que entrei lá pela primeira vez.
A Denise defende as mulheres aqui
Aqui tem dicas do concurso que a Leila pediu para divulgar.
O Pedro Paulo Rangel eu descobri aqui hoje.
Ontem eu descobri este blog que adorei, tem tudo a ver comigo.
Esta moça tem uma sensibilidade incrível e eu gostei dela desde o momento que entrei lá pela primeira vez.
Mini conto: O médico de Esperanza II

Esperanza chegou cedo no consultório do médico e encontrou a sala quase cheia, era por ordem de chegada, viu que passaria horas ali, fazer o que? Precisava falar com ele.
Sentou num canto e ficou observando as pessoas, havia um casal de velhos, ele tão caidinho, recostou-se no sofá, deslizando, ela faceira com sandália Chanel de saltinho, era estranho ver como ela ainda sentia vida e ele não. Uma mulher idosa com um lencinho na cabeça expunha a quimioterapia, outro casal falava alto, a mulher sentia-se em casa, descalçou as sandálias dos pés feios e mal cuidados. Outra mulher muito estranha e feia agarrava os exames contra o corpo, assim Esperanza ficou horas, olhando e imaginando as histórias de cada um. Já se cansava de olhar o painel de chamada, os números andavam lentos, quando uma mulher gordinha que a olhava com curiosidade disse:
-A Sra. vai se consultar?
-Não só mostrar exames.Eu também, não tenho nada, mas a velha é cheia de problemas, vim trazer os exames dela.
-Quem é a velha? Sua mãe?
-Não, uma mulher que eu cuido, já estou há seis anos com ela, não agüento mais. Hoje dei uns gritos com ela.
-Ela está doente?
-É cheia de problemas, já tem 84 anos.
-Ela tem alguma doença séria?
-Tem tudo alto, açúcar, colesterol, estas coisas,Ah, e tem Parkinson, tem dias que está bem, anda sozinha, tem dias que não, às vezes treme tanto que tenho que dar comida na boca.
-Doença horrorosa, Deus nos livre. O pior é que qualquer uma de nós pode ter.
-Eu não tenho nada, agora estou grávida, estou chateada, não queria.
-Se não queria como aconteceu?
-Esqueci um dia de tomar remédio, na queria mais filhos tenho uma de dez anos, descobri quando estava com 4 meses.
-Não sentia nada?
-Nadinha, nenhum enjôo, nada.
-Sorte sua. Filho é bom, vai te renovar, eu tive com 40 e 42 anos e foi ótimo.
-Não tenho paciência, ter que ficar acordada de noite vai ser um saco.
-Ah, isto é difícil mesmo, mas passa rápido.
-Vou colocar na creche cedo, a outra foi bem pequenina, por que este não iria? não agüento ficar em casa. Vou ter que deixar a velha, ela me paga bem, me dá tudo que preciso, todo mês me gratifica, mas eu não agüento mais ela, é tudo eu, me chama para tudo, nem as filhas ela quer, é só eu.
-Sinal que gosta de você.
-Mas eu cansei, vou sair sem botar ninguém no lugar, as filhas vão ter que se virar, é um povo muito complicado, se eu boto alguém e não dá certo vão cair em cima de mim.
-Esta perto da sua vez.
-Finalmente, estou cansada.
-Tchau, boa sorte, que tenha um bom parto.
Esta historinha é verídica, fiquei com pena da velha, a moça era fria, estranha, imagine como não trata a velhinha, Deus meu, não quero chegar a ficar muito velha, vocês são testemunhas agora, vivo dizendo isto.
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Um grande ator- Pedro Paulo Rangel.

Acabo de ver um "Almanaque" na Globonews com Pedro Paulo rangel, eu sorria enquanto via cenas dele em filmes, tv e teatro, uma maravilha de ator. Entrei no Google para pegar uma imagem e descobri o blog dele, pode? Vejam é este.
Sou fã, vou ler tudinho mais tarde.

Ai que saudades de uma boa peça...
Sabem que eu ouvi ou li a Barbara Heliodora citando-o como um dos melhores atores? é... até a dama de ferro ele conquistou. Há uma peça em cartaz, vão conferir. "Sopa de letras". Vi um trecho na TV ele cantarolava esta música.
Manias
Celso Cavalcanti e Flávio Cavalcanti
"Dentre as manias que eu tenho uma é gostar de você
Mania é coisa que a gente tem mas não sabe porque
Mania de querer bem, às vezes de falar mal
Mania de não deitar sem antes ler o jornal
De só entrar no chuveiro cantando a mesma canção
De só pedir o cinzeiro depois da cinza no chão
Eu tenho várias manias, delas não faço segredo
Quem pode ver tinta fresca sem logo passar o dedo
De contar sempre aumentado tudo o que diz ou que fez
De guardar fósforo usado dentro da caixa outra vez
Mania é coisa que a gente tem mas não saber porque
Dentre as manias que eu tenho uma é gostar de você
uma é gostar de você" ...
Quinta-feira, Setembro 08, 2005

"Mira o céu, Gelsomina,
e depois segue de vez a estrada...
pois nessa vida o que vale é a perdição".
Entrem neste blog, eu já havia entrado tempos atrás e perdido o endereço, fiquei feliz por encontrar hoje, ele gosta de Clarice, Leonilson, Ana Cristina Cesar, tudo que eu gosto, ainda achei esta foto maravilhosa de Giulietta Masina em "La strada".
Nova Orleans e a confiança básica no mundo
Contardo Calligaris
Duas ou três vezes por ano, o prédio onde moro fica sem energia por um tempo. Apesar desses cortes, previstos ou imprevistos, não vivo num suspense energético: sigo esticando o dedo para chamar o elevador, convencido de que, lá em cima, alguém me ama. Sem isso, como aceitaria viver no décimo primeiro andar?
Karl Jaspers, o filósofo alemão, dizia que a ciência pede ao usuário uma espécie de fé. De fato, podemos não saber como funcionam o telefone, a televisão, o cabo, mas acreditamos no seu funcionamento.
Para os psicanalistas, essa fé na ciência e na técnica é parte de uma disposição mais geral: a "confiança básica no mundo". Ela acompanha cada sujeito que viu a luz num ambiente que o acolheu com carinho e simpatia. Suponhamos: ninguém nos chutou quando estávamos no desamparo da primeira infância; quando chorávamos, alguém comparecia (mesmo que fosse para nos enfiar uma chupeta na boca quando, na verdade, precisávamos que trocassem a fralda). Em regra, os que tivemos essa sorte (a grande maioria dos humanos) continuamos pensando durante a vida toda que os outros e o mundo nos querem bem.
Conseqüência: podemos viver na Califórnia, embora esteja certo que a região será devastada por um terremoto; podemos viver numa cidade como Nova Orleans, abaixo do nível do mar, protegida apenas por diques antiquados; podemos viver em andares altos, fora do alcance de qualquer escada de bombeiros.
A confiança básica no mundo é também um alicerce da ordem social, pois ela vale como um lembrete permanente que diz: há alguém que cuida, alguém que se importa. Nos termos de nossa infância: os adultos voltarão para nos dar comida e ainda para verificar se a gente se comporta direito.
Não há pesquisas que meçam o número de interrupções da energia elétrica que é necessário para que eu pare de confiar na Eletropaulo. Em compensação, existe a teoria das janelas quebradas, que, nos anos 90, revolucionou nossas idéias em matéria de manutenção da ordem social (George Kelling e Catherine Coles, "Fixing Broken Windows", arrumando janelas quebradas). Experiência básica em psicologia social: se abandono um carro num bairro de classe media, ele será depenado só depois de oito semanas. Se, antes de abandoná-lo, aplico algumas boas marteladas nos faróis e na lataria, ele será depenado em três dias. Outra: num metrô coberto de grafite a criminalidade é muito mais alta do que no mesmo metrô se ele for lavado e limpado a cada noite.
Por quê? Os faróis quebrados e os grafites assinalam que ninguém se importa. E, se ninguém se importa, tudo é permitido. Será que isso basta para entender as rondas armadas de malfeitores e vigilantes em Nova Orleans?
O prefeito da cidade tentou explicar a onda de saques por indivíduos e gangues lembrando que, além dos serviços básicos, também parou de funcionar o comércio de droga, o que teria deixado alguns sujeitos bem "nervosos". É verdade: faz parte da confiança básica acreditar que o traficante da esquina estará lá de novo amanhã. Mas, para explicar o acontecido, não é preciso recorrer à falta de droga (ou de nicotina).
Em Nova Orleans, a ruína da confiança básica foi brutal: o telefone emudeceu, a força acabou, o celular perdeu o sinal, e ninguém respondia aos gritos de ajuda.
Ora, para alguns, abriu-se assim um tempo de desespero. Para outros, a constatação de que "ninguém se importa" foi sedutora e esperada. Nada de estranho nisso: afinal, saquear lojas de armas e circular pelas ruas à procura de comida, de água, de gasolina e de outros humanos que possam ser aterrorizados é o roteiro de numerosas narrativas populares.
Pense nos filmes da tríade de Mad Max, em "O Mensageiro" e "O Segredo das Águas", em "Fuga de Los Angeles" ou "Fuga de Nova York", ou no romance "The Stand" ("A Dança da Morte"), de Stephen King. Pense em videogames como "Duke Nukem" ou "Doom".
Não conheço um adolescente que, em alguma vez, não tenha sonhado com a destruição do mundo (o mundo em que confiamos) e com a aventura de um recomeço radical.
A primeira tarefa é sempre a de armar-se, porque, num universo zerado, não vale o prestígio dos anos ou da experiência, do saber ou do dinheiro: a autoridade é justamente reduzida à sua expressão mais simples e mais facilmente contestável, que é a força.
Qual é o charme desse momento do lobo?
Acontece que o amor que nos acolhe no mundo, instituindo nossa confiança em "alguém que cuida", torna-nos devedores ou, no mínimo, reféns de um passado que é a história dos outros que já estavam lá e nos receberam. Por isso a catástrofe que acaba com nossa confiança no mundo é a última fronteira da autonomia: se não há mais alguém que cuida, ninguém nos antecede, ninguém está acima da gente: somos livres como só pode ser livre quem não tem história.
É a versão extrema do mito, moderno e banal, do "self-made man", o homem que não precisa de ninguém.
Aposto que, nas ruas de Nova Orleans, há alguns desapontados com a volta gradual a um mundo "confiável".
Quarta-feira, Setembro 07, 2005
Para ler e pensar:
Os danos da proibição de armas
Denise Frossard*
O bom senso, sob o fogo cerrado da proposta de proibição do comércio legal de armas, pode ser mais uma das vítimas da ingenuidade ou violência branca da demagogia.
O que se pretende com a proibição? Reduzir a criminalidade é a resposta, tão imediata quanto impensada, que nos vem à cabeça. Mas é uma resposta equivocada. A proibição do comércio legal de armas não fará recuar nem um milímetro a ousadia do crime (organizado), não baixará a taxa de delinqüência das ruas nem mesmo trará o conforto de diminuir a sensação de insegurança que, hoje, atinge em graus variados a sociedade brasileira.
A proibição do comércio legal de armas, como o simples aumento de penas, a mudança do fardamento da polícia, tantas outras medidas (anunciadas ou já implementadas), tem sobre a criminalidade o mesmo efeito de um arco-íris no céu: uma ilusão bonita aos nossos olhos.
No caso da proibição do comércio de armas, a falsa sensação produzirá, no entanto, um efeito danoso: retirará do Estado a possibilidade de controle (ainda que frágil, como agora) e dificultará ainda mais a investigação de crimes praticados com esse recurso.
Proibida a comercialização, o Estado não terá mais instrumentos para o controle da circulação de armas. Como a sensação de insegurança persistirá, porque as verdadeiras causas da criminalidade (corrupção e impunidade) não são resolvidas em razão das deficiências do Estado, o mercado inteiro de armas de fogo irá para a clandestinidade.
As provas desse argumento são muitas. Uma delas está no documento "Fiscalização de Armas de Fogo e Produtos Correlatos", publicado pela imprensa, elaborado pelo coronel de infantaria Diógenes Dantas Filho, que, em conjunto com o Ministério Público Militar Federal, articulou uma ação policial militar para apreensão de armas clandestinas no Rio de Janeiro. O trabalho mapeia as rotas utilizadas pelo tráfico de armas e confirma a existência, em circulação, no Brasil, de 20 milhões de armamentos sem registro, em contraposição a 2 milhões de armas registradas.
É uma absurda ingenuidade de uns (e razões suspeitas de outros) imaginar que, diante da proibição do comércio legal, ninguém mais comprará ou deixará de portar armas. O mercado não vai estancar simplesmente porque o Estado proibiu a comercialização. Historicamente não tem sido assim. Quem não se lembra da Lei Seca, nos EUA, ou da reserva de mercado de informática, no Brasil? Nos dois casos, e em muitos outros que a experiência de proibições comerciais mundo afora construiu, cresceu o mercado clandestino e o contrabando. Esse é o terreno fértil para aumentar a corrupção.
A medida certa está no controle da fabricação e do porte de armas de fogo, e não na proibição da comercialização. Nesse ponto, é bom retirar do debate a idéia equivocada de que os que são contra a mera proibição estão no pólo oposto da argumentação, propondo "às armas, cidadãos". Não é assim. Acredito na eficiência da regulamentação e no controle rigoroso da fabricação, do porte e da importação de armas. Acredito na responsabilização direta e penal de todo aquele que, mesmo não portando armas, estimule o porte ilegal. Venho defendendo publicamente esses pontos de vista desde o começo dos anos 90.
O caminho do controle foi tomado em fevereiro de 1997, com a edição da lei 9.437, que estabeleceu condições para o registro e o porte de armas de fogo e, mais relevante, configurou como crime possuir, deter, portar, fabricar, adquirir, vender, alugar, expor à venda ou fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder (mesmo que gratuitamente), emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda e ocultar arma de fogo, de uso permitido, sem a autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar.
Até 1997, o porte ilegal de armas era uma simples contravenção penal. A partir de então, com a lei 9.437, passou a ser crime, com pena de prisão. Recentemente, o Senado melhorou ainda mais a lei, aprovando um projeto que, entre outras medidas, torna o porte ilegal de armas um crime inafiançável. A proposta do Senado será submetida à Câmara, onde terá o meu apoio.
Apesar de não produzir resultados efetivos para o esforço de redução da criminalidade, que, comprovadamente, tem causas mais graves, a proposta para proibição do comércio legal de armas acabará sendo apresentada à população como um milagroso remédio. E nisto está o segundo, e talvez mais importante, equívoco. Sendo aprovada a proposta e em nada resultando no que concerne à necessidade de redução da criminalidade, veremos aumentar a incredulidade da população com as medidas que venham do Estado. Com isso, continuaremos perdendo um importante aliado na luta contra o crime: a confiança do cidadão no Estado.
*Juíza de Direito; aposentada, fundadora da Transparência Brasil e Deputada Federal pelo RJ.
Denise Frossard*
O bom senso, sob o fogo cerrado da proposta de proibição do comércio legal de armas, pode ser mais uma das vítimas da ingenuidade ou violência branca da demagogia.
O que se pretende com a proibição? Reduzir a criminalidade é a resposta, tão imediata quanto impensada, que nos vem à cabeça. Mas é uma resposta equivocada. A proibição do comércio legal de armas não fará recuar nem um milímetro a ousadia do crime (organizado), não baixará a taxa de delinqüência das ruas nem mesmo trará o conforto de diminuir a sensação de insegurança que, hoje, atinge em graus variados a sociedade brasileira.
A proibição do comércio legal de armas, como o simples aumento de penas, a mudança do fardamento da polícia, tantas outras medidas (anunciadas ou já implementadas), tem sobre a criminalidade o mesmo efeito de um arco-íris no céu: uma ilusão bonita aos nossos olhos.
No caso da proibição do comércio de armas, a falsa sensação produzirá, no entanto, um efeito danoso: retirará do Estado a possibilidade de controle (ainda que frágil, como agora) e dificultará ainda mais a investigação de crimes praticados com esse recurso.
Proibida a comercialização, o Estado não terá mais instrumentos para o controle da circulação de armas. Como a sensação de insegurança persistirá, porque as verdadeiras causas da criminalidade (corrupção e impunidade) não são resolvidas em razão das deficiências do Estado, o mercado inteiro de armas de fogo irá para a clandestinidade.
As provas desse argumento são muitas. Uma delas está no documento "Fiscalização de Armas de Fogo e Produtos Correlatos", publicado pela imprensa, elaborado pelo coronel de infantaria Diógenes Dantas Filho, que, em conjunto com o Ministério Público Militar Federal, articulou uma ação policial militar para apreensão de armas clandestinas no Rio de Janeiro. O trabalho mapeia as rotas utilizadas pelo tráfico de armas e confirma a existência, em circulação, no Brasil, de 20 milhões de armamentos sem registro, em contraposição a 2 milhões de armas registradas.
É uma absurda ingenuidade de uns (e razões suspeitas de outros) imaginar que, diante da proibição do comércio legal, ninguém mais comprará ou deixará de portar armas. O mercado não vai estancar simplesmente porque o Estado proibiu a comercialização. Historicamente não tem sido assim. Quem não se lembra da Lei Seca, nos EUA, ou da reserva de mercado de informática, no Brasil? Nos dois casos, e em muitos outros que a experiência de proibições comerciais mundo afora construiu, cresceu o mercado clandestino e o contrabando. Esse é o terreno fértil para aumentar a corrupção.
A medida certa está no controle da fabricação e do porte de armas de fogo, e não na proibição da comercialização. Nesse ponto, é bom retirar do debate a idéia equivocada de que os que são contra a mera proibição estão no pólo oposto da argumentação, propondo "às armas, cidadãos". Não é assim. Acredito na eficiência da regulamentação e no controle rigoroso da fabricação, do porte e da importação de armas. Acredito na responsabilização direta e penal de todo aquele que, mesmo não portando armas, estimule o porte ilegal. Venho defendendo publicamente esses pontos de vista desde o começo dos anos 90.
O caminho do controle foi tomado em fevereiro de 1997, com a edição da lei 9.437, que estabeleceu condições para o registro e o porte de armas de fogo e, mais relevante, configurou como crime possuir, deter, portar, fabricar, adquirir, vender, alugar, expor à venda ou fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder (mesmo que gratuitamente), emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda e ocultar arma de fogo, de uso permitido, sem a autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar.
Até 1997, o porte ilegal de armas era uma simples contravenção penal. A partir de então, com a lei 9.437, passou a ser crime, com pena de prisão. Recentemente, o Senado melhorou ainda mais a lei, aprovando um projeto que, entre outras medidas, torna o porte ilegal de armas um crime inafiançável. A proposta do Senado será submetida à Câmara, onde terá o meu apoio.
Apesar de não produzir resultados efetivos para o esforço de redução da criminalidade, que, comprovadamente, tem causas mais graves, a proposta para proibição do comércio legal de armas acabará sendo apresentada à população como um milagroso remédio. E nisto está o segundo, e talvez mais importante, equívoco. Sendo aprovada a proposta e em nada resultando no que concerne à necessidade de redução da criminalidade, veremos aumentar a incredulidade da população com as medidas que venham do Estado. Com isso, continuaremos perdendo um importante aliado na luta contra o crime: a confiança do cidadão no Estado.
*Juíza de Direito; aposentada, fundadora da Transparência Brasil e Deputada Federal pelo RJ.
Mini conto: Belinha e o Sargento

Belinha era solteira e de bela não tinha nada, não que fosse feia, mas era sem graça, pequenina, cabelos armados em excesso pelos cachos negros, um buço que teimava em não tirar.
A mãe um dia foi uma mulher bonita, ainda guarda traços no rosto que lembram a jovem que fora-um nariz reto e arrebitado, olhos muito negros e grandes, tem um andar elegante, coisa que Belinha não tem.
Conheceu o Sargento no Coral da Igreja, ele nordestino, galante, tem uma postura firme que o torna atraente, másculo, faz sucesso com as mulheres. Assim que o viu Belinha passou a ter sonhos eróticos que a faziam corar quando ele se aproximava, ele percebeu que a perturbava, gostava disto, gostava de vê-la por perto, frescor e sexo à flor da pele.
Chamou-a para conhecer sua casa, foi com a mãe, eram inseparáveis.
A casa simples, casa de homem sozinho, precisava de cuidados, logo as duas assumiram a arrumação, todos os sábados enquanto a filha cuidava dos quartos a mãe lavava a roupa e cozinhava. Belinha acabava rápido a lida doméstica e se deitava na rede com o Sargento, aproveitando que a mãe estava ocupada nas panelas, ele tomava a mão de Belinha, colocava no seu sexo rijo-estava ali a espera desde que ela chegou-e coordenava os movimentos, apertava aquela mão pequenina no seu pênis grande e duro, ela gemia de desejo, contorcia-se na rede.
Um dia o telefone tocou, ele rapidamente foi para fora de casa falar, Belinha o seguiu pé ante pé e ouviu que falava com uma mulher com intimidade. Descobriu ali que ele tinha mulher e filhos à quilômetros de distância.
Ofendida Belinha conta aos prantos para a mãe, nunca mais quer vê-lo, diz soluçando. A mãe argumenta:
- É homem são todos iguais, vai acabar velha e sozinha como eu, ele precisa de uma mulher que cuide dele.
Belinha chora todos os dias ao lembrar do sonho perdido da noite de núpcias quando aquele pênis belo e conhecido tiraria sua virgindade, mas não cede, tinha brio, estava ofendida.
Sábado acordou mais tarde, na mesa um bilhete da mãe:
“Fui lavar as roupas do Sargento, tem comida no fogão”.
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Mini conto: Belinha e o Sargento
Terça-feira, Setembro 06, 2005
Alex Castro avisa:
"Terça-feira, Setembro 06, 2005
O Oliver Está Vivo e Bem
Esse cachorro é duro na queda. Ele foi resgatado por um fotógrafo chinês e, no momento, está em um carro a caminho de Washington, DC"
O cachorinho poodle que estava em Nova Orleans foi resgatado vivo. Uma boa notícia deve ser festejada. Viva Oliver!
O Oliver Está Vivo e Bem
Esse cachorro é duro na queda. Ele foi resgatado por um fotógrafo chinês e, no momento, está em um carro a caminho de Washington, DC"
O cachorinho poodle que estava em Nova Orleans foi resgatado vivo. Uma boa notícia deve ser festejada. Viva Oliver!
Viver é preciso.

Há dias em que eu acordo cansada, nó no estomago, desejando não acordar, não lembrar das dores que foram esquecidas durante o sono.
É preciso reagir, levantar, olhar o céu, agradecer o sol que nos aquece, a comida na mesa, os filhos abençoados.
É preciso lembrar que você é importante para alguns poucos, para outros apenas uma figura curiosa.
Viver é preciso, sem lágrimas para não entristecer os filhos, sem esmaecer para não perder a força que lhe resta.
Viver é preciso...
Segunda-feira, Setembro 05, 2005
Vanessa Redgrave, uma mulher admirável.


Vi no sábado um dos programas do Actors Studio onde James Lipton entrevistava Vanessa Redgrave, é uma atriz que admiro. O primeiro filme que lembro de ter visto com ela foi "Isadora Duncan", ela estava maravilhosa, linda, dançava tão bem que parecia que era a própria Isadora. Isadora Duncan teve uma vida com muitas tragédias, por que será que algumas pessoas têm vidas marcadas por acontecimentos trágicos? eu não sei. Deus assim quis, duvido, para mim Deus é bom, se é que existe...estas pessoas procuram se dar mal, não acredito.

Isadora perdeu dois filhos afogados num acidente e o ex marido se matou. Alguns anos mais tarde ela morreu, aqui sim ela pode ser responsabilizada, num carro conversível quando a enorme echarpe que usava enroscou no pneu do carro e a enforcou, terrível, era 14 de setembro de 1927, Isadora tinha 50 anos. Foi uma mulher à frente do seu tempo. Quando a perguntaram sobre a dança na vida dela, respondeu que nunca dançou apenas vivia a música.
Voltando à Vanessa, é filha de Michael Redgrave, foi casada com o diretor Tony Richardson e Franco Nero, também ator.
Quem a viu linda em "Blow up" filme de Antonioni, em 1966, não esquece, também está perfeita como a amiga de Lillian Hellman(Jane Fonda) em "Julia" um filme comovente, uma história de uma bela amizade entre duas mulheres durante a perseguição nazista.

Mas além de atriz eu a admiro por sua postura política, se posicionou a favor das minorias: palestinos, irlandeses, judeus, mas foi perseguida no EEUU, rotulada "anti-semita", vaiada ao recebe. Foi, ou é, Embaixadora de Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Desde 1954, celebridades serviram de porta-vozes daqueles que freqüentemente não têm voz. Audrey Hepburn, Harry Belafonte, Sir Roger Moore, Jessica Lange e Mia Farrow já foram ou ainda são embaixadores da Unicef. Vanessa continua sendo uma mulher admirável e bonita leiam este relato de Renato Janine, vale a pena lerem.

Hahahahaha...

É evidente que o objetivo das CPIs é enrabar todo mundo, isto é, mostrar que todos os parlamentares têm rabo. Mas, como mostra este documento, os parlamentares têm até orgulho em exibir o seu.

Domingo, Setembro 04, 2005
Uma cidade capaz de dançar no seu enterro

O drama vivido pela população de Nova Orleans me comove, difícil entender, não vou ficar falando aqui de descaso do governo, preconceitos vários, outros estão escrevendo sobre isto.
Entrem aqui no blog do Flávio que ele indica outros blogs que tratam do assunto com mais detalhes, aqui é só uma impressão pessoal, vão até os outros.
Quero destacar o gesto de Fidel:
"O ditador cubano, Fidel Castro, ofereceu enviar 1.100 médicos e 26,4 toneladas de remédios para as vítimas do desastre. "Esse é um gesto sincero, de paz, sem impor nenhuma condição, disse Fidel".
Folha
" Em 2000, Cuba contava com mais de 65 mil médicos, o que representava um médico para cada 168 habitantes. Destes, 30 mil eram médicos de família, que corresponde a um médico para o atendimento personalizado e individual a 120 famílias cubanas. Cada cidadão cubano, em média, recebe mais de sete consultas médicas por ano. Na área odontológica, naquele mesmo ano, contava Cuba com quase 10 mil dentistas, o que representava uma relação de um profissional para cerca de pouco mais de mil habitantes".Leiam aqui.
Leiam este belo artigo que saiu na Folha hoje:
Uma cidade capaz de dançar no seu enterro
CARLOS CALADO
ESPECIAL PARA A FOLHA
Quem teve a sorte de conhecer Nova Orleans sabe que, além da impressionante diversidade musical que a cidade transpirava a cada esquina, ali também havia um ambiente especial. Sem a sisudez de outras cidades dos EUA, Nova Orleans cativava pela descontração, pelos sorrisos que se viam tanto no turístico French Quarter como entre os edifícios do Central Business District.
Na verdade, nem seria preciso ir até a cidade para captar essa atmosfera. Basta ouvir aum dos vários gêneros musicais cultivados ali, seja o rhythm & blues, o funk, o zydeco ou o jazz das bandas de metais, marcados por uma carga de alegria que praticamente seduz o ouvinte, levando-o a sorrir ou mesmo dançar. Não era à toa que, até a chegada do furacão, qualquer dia era dia de festa, nas ruas, bares e clubes noturnos da capital musical da Louisiana.
Dois anos atrás, recém-chegado à cidade para cobrir mais uma vez o gigantesco New Orleans Jazz & Heritage Festival, evento que levava anualmente cerca de 500 mil pessoas ao Fair Grounds (o hipódromo local), tive a sorte de presenciar um dos rituais mais originais e característicos da cultura de Nova Orleans.
Ao cruzar a Canal Street, a longa avenida que se estende do rio Mississippi ao lago Pontchartrain, encontrei um ruidoso cortejo. Centenas de pessoas, incluindo grandes astros da música local, como os cantores Dr. John, Irma Thomas e Deacon John, desfilavam pela avenida, numa homenagem ao veterano guitarrista Earl King, mestre do blues de Nova Orleans, que morrera na véspera.
Animada pelo som estridente dos trompetes e trombones das bandas Rebirth Brass Band e Young Men Olympian Junior Benevolent, incluindo índios do Mardi Gras (o Carnaval local), a procissão seguiu por outras ruas, em direção ao Armstrong Park.
Fechando o cortejo, numa carruagem negra puxada por cavalos, vinha o caixão do saudoso bluesman. Porém, em vez de lágrimas e olhares tristes, o que se via era uma celebração festiva, com os seguidores dançando e cantando. Alguns até portavam sombrinhas coloridas, além de grandes fotos do homenageado.
Rituais como esse, que pouco tinham a ver com as compenetradas tradições britânicas, eram bastante comuns em Nova Orleans já no século 19. Trata-se, segundo antropólogos e historiadores, de uma espécie de sincretismo, originado em rituais e práticas semelhantes às de algumas regiões da África e da Europa.
Assim como algumas expressões musicais bem características de Nova Orleans, esse festivo ritual funerário reforça as diferenças culturais que a cidade revela frente ao resto dos EUA. Para isso contribuiu sua formação étnica e social. Uma das cidades mais cosmopolitas do mundo, Nova Orleans tornou-se um borbulhante caldeirão cultural graças às contribuições de franceses, espanhóis, ingleses, irlandeses, eslavos, italianos, gregos e cubanos, além, é claro, dos africanos que chegaram até ali na condição de escravos.
O clima cosmopolita que já dominava a cidade no final do século 19 explica seu distanciamento da conservadora doutrina luterana que proliferou pelo resto do país. Em Nova Orleans, graças ao contato direto entre negros e brancos, a música e a dança integravam a vida social. O prazer era visto como algo saudável e legítimo.
Traços culturais como esses também ajudam a explicar o papel essencial que Nova Orleans desempenhou na gestação do jazz. Hoje já se sabe que chamá-la de "berço do jazz" é um exagero que virou senso comum, mas não há dúvida de que a cidade desempenhou o papel de grande incubadora nessa criação musical.
Tendo isso em mente, ao ver hoje as tristes imagens de uma Nova Orleans submersa e devastada, penso que nem tudo esteja perdido. Essa cidade tão original e criativa existiu até hoje graças às pessoas, especialmente os artistas que ali nasceram e trabalharam, relacionando-se de uma forma inédita naquele país, em meio a contexto cultural e racial muito particular.
Lembrando da alegria de John Boutté, Ivan Neville, Davell Crawford, Terrance Simien e Corey Henry, músicos de Nova Orleans que se apresentaram aqui em São Paulo no último domingo (ironicamente, horas antes de verem sua cidade ser destruída), torço para que, enxugadas as lágrimas, eles sejam capazes de cantar e dançar no aparente enterro de sua cidade. E que usem a animação de sempre para fazê-la reviver.
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Carlos Calado é jornalista e crítico musical, autor de "O Jazz como Espetáculo", entre outros livros.
Sábado, Setembro 03, 2005
Uma noite na Villa Ipê.

O corredor onde eu sentava era comprido e estreito, ali ficavam as portas para os quartos dos pacientes, naquele dia deviam ter uns 30 internos. Um longo corredor onde, além das portas para os quartos, havia os banheiros e no outro extremo o quarto do outro auxiliar psiquiátrico, ficávamos sempre um auxiliar efetivo, com mais de um ano de Villa e outro estagiário.
Eu colocava uma cadeira, estas de plástico branco, bem em frente a janela com grades, ali eu tinha a visão do corredor todo, ficava ali à partir de nove da noite, hora de recolher os pacientes. Ficava estudando, lendo, à uma da manhã chamava o outro para me render, escolhíamos quem ia ficar no primeiro turno. Até meia noite alguns vinham puxar papo, pedir remédio, iam ao banheiro. Depois da uma hora acalmava.
Havia o médico de plantão na casa da frente, a Villa era composta de duas casas, na frente ficavam os consultórios do hospital dia e a atrás a pequena clínica.
Uma noite chegou um homem completamente alterado, veio de outra clínica, estava cheio de hematomas nos braços pelas injeções tomadas, era um rapaz forte, grande, estava revoltado, chegou e quebrou todos os trincos do andar de baixo tal a força, depois de medicado, deitou no sofá da sala de Tv e não quis subir.
Neste dia eu escolhi pegar à uma hora, imaginamos que seria mais fácil para mim, estagiária, que até lá ele estaria mais calmo.
Jonas,o outro auxiliar foi dormir à uma hora e eu fiquei na cadeira embaixo da janela, estava assustada aquele dia como nunca, o paciente lá embaixo a cada meia hora fazia um barulho de arrastar cadeiras, eu corria para a porta do auxiliar, aguardava ali até ele silenciar, imaginava que subiria as escadas, mas voltava o silêncio e eu voltava para a cadeira, ele voltava a arrastar cadeiras, eu corria para a porta do Jonas, e assim fiquei até sete horas da manhã, quando o pessoal da manhã nos rendia. Nunca esperei com tanta ansiedade um amanhecer.
Ele arrastava a cadeira porque era alto e quando esticava as pernas batia nas cadeiras.
Pobre homem.
Acordei com esta música na cabeça, não sabia que era de Roberto Carlos, fiquei surpresa, eu não gosto de quase nada dele, sorry fãs. Bethania canta divinamente como sempre.
Fera Ferida
Acabei com tudo, escapei com vida, tive as roupas e os sonhos rasgados na minha saída.
Mas saí ferido,sufocando o meu gemido, fui o alvo perfeito, muitas vezes no peito atingido.
Animal arisco, domesticado esquece o risco, me deixei enganar e até me levar por você.
Eu sei quanta tristeza eu tive, mas mesmo assim se vive, morrendo aos poucos por amor.
Eu sei, o coração perdoa, mas não esquece à toa, o que eu não me esqueci.
Eu andei demais, não olhei pra trás, era solta em meus passos, bicho livre sem rumo sem laços.
Me senti sozinha, tropeçando em meu caminho, à procura de abrigo um lugar um amigo.
Animal ferido, por instinto definido, os meus passos desfiz, tentativa infeliz de esquecer.
Eu sei que flores existiram, mas que não resistiram à vendavais constantes.
Eu sei, as cicatrizes falam, mas as palavras calam, o que eu não me esqueci.
Não vou mudar, esse caso não tem solução, sou fera ferida, no corpo na alma e no coração.
Eu sei que flores existiram, mas que não resistiram à vendavais constantes.
Eu sei, as cicatriz falam, mas as palavras calam, o que eu não me esqueci.
Sexta-feira, Setembro 02, 2005
Começa a temporada de caças!

Depois de ter passado ontem a tarde toda numa sala de espera de um médico, hoje cansada, acordei mais tarde, com preguiça, resolvi colocar artigos que li para comentarmos e falar abobrinhas.
Roberto Jefferson será cassado, amém!
Vocês estão sabendo a história de Oliver? alguns eu sei que sabem porque já falaram disto, é o cachorrinho do Alex Castro, um blogueiro badalado. Este Alex, que eu não conheço, dizem alguns é o tal do Achcarigadum, eu desconfio que alguém esperto sabendo que Alex ia embora para os EEUU acabou com o blog de críticas aos blogs na mesma semana, não acredito que ele fosse tão bobo que fizesse isto, desse esta bandeira. Não acham? ele mesmo indo embora poderia manter o Achcarigadum um tempo para disfarça. Mas eu quero falar do cachorrinho, que está lá isolado desde que o furacão passou, Alex deixou comida e água mas não sabe se ele sobreviveu, está desesperado e tem gente que vai lá no blog dele dizer barbaridades, palavrões. Eu acho, cá entre nós, que esta desconfiança de que ele fosse o autor do Achcarigadum provocou esta agressividade nas pessoas, e também o fato dele ter conseguido uma bolsa de estudos via Idelber, as pessoas são invejosas, eu li comentários por ai sobre isto, ele se defendeu.
Que má sorte a dele! Havia chegado lá há pouquíssimo tempo e deu de cara com o tal furacão, que está sendo um dos maiores catástrofes em solo americano. Acho que não é hora de regozijos sobre a desgraça alheia, tenho pena dos dois, pobre cãozinho- é um poodle, eu já tive vários, são muito queridos.
Lembrei de" Amores brutos" lembram do cãozinho sob o assoalho, que aflição!
Fenando Gabeira, que é um político que admiro esta sendo ameaçado de cassação, por quebra de decoro parlamentar por ter dito o que TODOS nós pensamos e Severino Cavalcanti.

Entrei no site dele e hoje recebi este email:
"O Dep. Benedito Dias (PP-AP) apresentou uma representação contra o Gabeira pedindo a cassação do mandato dele. Necessitamos de uma ampla mobilização mostrar para eles que não concordamos com isso. Vamos encher a caixa postal de Severino ( dep.severinocavalcanti@camara.gov.br ) e Benedito ( dep.dr.beneditodias@camara.gov.br )!
Assessoria Deputado Fernado Gabeira. Entre no site é muito bom, tem artigos dele ótimos.
Continue acompanhando.
Este post anterior eu havia feito outro dia, estava pronto, me distrai escolhendo fotos dele que considero um dos deputados mais charmosos e elegantes, eu o via na rua sempre é super elegante, no vestuário e nos gestos.
No minimo leiam:
Severino merece ataque de Gabeira
Ricardo A. Setti.
No minimo
01.09.2005 | Esta coluna infelizmente não errou quando, a 17 de fevereiro passado, comentando a eleição de Severino Cavalcanti (PP-PE) para a presidência da Câmara dos Deputados, assinalou ser ele “certamente o parlamentar mais medíocre e apagado a ocupar o posto em muito tempo – provavelmente desde a instalação, em 1890, do Congresso Constituinte que viria a elaborar a primeira Constituição da República, a de 1891”.
A assertiva, porém, era pouco. Severino mostra claramente que se posiciona a serviço do que de pior existe na vida pública brasileira ao procurar melar a punição dos deputados envolvidos no lamaçal de corrupção produzido pelo PT e levantado pela CPI dos Correios e, ainda em menor grau, pela CPI do Mensalão, com uma passagem pela CPI dos Bingos. Tal postura, bem como sua clara posição de considerar o caixa 2 – crime eleitoral e crime fiscal – como coisa menor, são apenas parte de uma gestão espantosa e destrambelhada à frente da casa que, segundo a Constituição, abriga os representantes do povo.
Incapaz de presidir qualquer sessão da Câmara que trate de tema levemente complexo – quando, correndo, delega tarefas ao 1º vice José Thomaz Nonô (PFL-AL) –, desinformado sobre quase tudo o que importa para quem desempenha um posto como o seu, sem noção da responsabilidade que o cargo lhe impõe, carente de compostura e motivo de chacota e riso quando, fora da redoma de ouro de Brasília, aventura-se a falar a auditórios qualificados em São Paulo ou no Rio, Severino merece cada uma das palavras que lhe dirigiu, em histórico episódio protagonizado nesta terça, 30, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), transcritas na nota abaixo.
“Um desastre para o Brasil”
Gabeira falou em nome do que o compositor Chico Buarque corretamente denominou de “a alma ferida” do país. Com algumas explicações entre colchetes, vale repetir o que disse, dirigindo-se a Severino, de pé e dedo em riste:
– Vossa Excelência está se comportando de maneira indigna. (...) Não posso representar [iniciar ação formal contra um colega, por alguma falta grave cometida] contra Vossa Excelência no Conselho de Ética porque sou um deputado isolado [o regimento da Câmara exige para tanto que a ação seja de iniciativa de um partido político]. Mas afirmo que Vossa Excelência está em contradição com o Brasil. A sua presença na presidência da Câmara é um desastre para o Brasil e para a imagem do país. Ou Vossa Excelência começa a ficar calado [referia-se à entrevista, cheia de barbaridades, em que Severino deixou claro à "Folha de S. Paulo" sua disposição de punir o menor número possível de deputados], ou vamos iniciar um movimento para derrubá-lo.
Bomba, bomba
Um tucano graúdo possui boa dose de nitroglicerina armazenada contra o deputado Severino Cavalcanti (PP-PE). Não se sabe até que ponto ele se dispõe a lançar mão do material explosivo caso o presidente da Câmara mantenha a disposição de fazer corpo mole na questão da cassação de mandatos de deputados envolvidos no escândalo do “mensalão”.
Parte do material refere-se a histórias de uma época em que Severino era muito próximo ao ex-prefeito paulistano Paulo Maluf (PP).
Gabeira- um homem coerente.



Em 2002, eu estava com meus dois meninos no Centro do Rio, na Av. Rio Branco e vi Gabeira numa esquina panfletando, parei cumprimentei-o e disse:"Quero te apresentar para meus filhos como um político que eu admiro, um político decente", ele não se surpreendeu, apertou a mão dos meninos-12 e 14 anos, na época- e deu um sorriso aberto, sorriso que eu já conhecia das ruas de Ipanema, é um homem cordial e decente- não esqueci da época que usava sunguinha na praia, ele e Mascarenhas, e dai?
isto não tem nada a ver com postura política ou tem, sim no sentido de coerência e autenticidade. Maconha? Sim, somos a favor da liberação, também sou, por que tanta hipocrisia? Pró homossexuais, sim, a favor de todo tipo de liberdade de expressão e comportamento.
Com ética pela liberdade de expressão e comportamento. É posssível sonhar por um mundo melhor, menos hipócrita para nossos netos.
Leiam o artigo dele para a Folha, está ótimo, é um bom escritor, já leram os livros dele? são ótimos.
Flores, flores
para los muertos
(Folha de S. Paulo, 18 de junho de 2005)
Sempre que os fatos ganham velocidade, costumo comprar um bloco de notas. Anoto frases, idéias, intuições e deixo que se decantem com o tempo. Volto a elas, depois, para rejeitá-las ou desenvolvê-las. A primeira frase que me veio à cabeça foi a da vendedora de flores que encerra um filme.
O pequeno bloco também tem idéias. Por exemplo: comparar a ditadura com o governo Lula. Uma neutralizou o Congresso pelo medo; o outro, pelo pagamento de mesada. Ditadura e governo Lula compartilham o mesmo desprezo pela democracia, ambos violentaram a democracia reduzindo o Parlamento a uma ruína moral.
Os militares prepararam sua saída de forma organizada. Nem muito devagar para não parecer provocação nem muito rápido para não parecer que estavam com medo. Já o núcleo duro do governo Lula parece perdido, batendo cabeça, ou melhor, enfiando-a na areia, sem perceber que a polícia está chegando e, daqui a pouco, alguém vai gritar na porta do Planalto: "Se entrega, Corisco".
Quando era menino e vivia em Juiz de Fora, fazíamos rodas de capoeira, bastante rudimentares, confesso. Mas cantávamos: "A polícia vem, que vem brava/quem não tem canoa, cai n'água".
Tudo isso jorra aos borbotões na minha caderneta. Anotei: chamar alguém do "Guinness", o livro dos recordes, para saber se algum tesoureiro de qualquer partido do mundo se desloca com batedores de motocicleta e carros clones para iludir perseguidores; se algum tesoureiro partidário se desloca com jatos particulares, semanalmente; se introduz no palácio associação de empreiteiros que receberam R$ 1,1 bilhão de dívidas.
Os militares batiam, davam choques e insultavam na sessão de tortura, mas vi muitos dizendo que me respeitavam porque deixei um bom emprego para combatê-los com risco de vida. Eles viam ideais no meu corpo arrasado pelo tiro e pela cadeia.
O PT queria que eu abrisse mão exatamente da minha alma, e me tornasse um deputado obediente, votando tudo o que o Professor Luizinho nos mandava votar. Os militares jamais pediriam isso. Desde o princípio, disseram que eu era irrecuperável e limitaram-se à tortura de rotina.
Jamais imaginei que seria grato aos torturadores por não me pedirem a alma. Não sabia que dias tão cinzentos ainda viriam pela frente. Que seria liderado por um homem que achava que Maurício de Nassau era um deputado de Pernambuco. Logo eu, que sou admirador de um deputado pernambucano chamado Joaquim Nabuco.
Foram os anos mais duros de minha vida. No meu caderno anoto frases e indicações da semelhanças da luta contra a ditadura e da luta contra este governo, desde que comecei a criticá-lo, com a importação de pneus usados. As pessoas têm suas carreiras, seus empregos, sua racionalizações. É preciso respeitá-las, atravessar o deserto sem ressentimentos.
Agora, sobretudo, é preciso respeitar o sofrimento dos vencidos. Outro dia, quando me referi a um núcleo na Casa Civil como um bando de ladrões que atentava contra a democracia, uma jovem deputada do PT estremeceu. Senti que não estava ainda preparada para essas palavras cruas. E fui percebendo pelas anotações que talvez esteja aí, para o escritor, o mais rico manancial de toda essa crise. Como estão as pessoas do PT? Como se ajustam a essa nova realidade, que destino tomaram na vida?
Procuro não confundir, entre os que ainda defendem o governo, aqueles que são cínicos cúmplices e os outros que apenas obedeceram a ordens sob a forma da aplicação do centralismo democrático. Alguns defendem porque ainda não conseguiram negociar com sua própria dor. Não podem suportá-la de frente. Mas terão de fazer algum dia, porque, por mais ingênuos que sejam, já perceberam que a mãe está no telhado.
Vamos ter de encarar juntos essa realidade. A grande experiência eleitoral da esquerda latino-americana, admirada por uma Europa desiludida com Cuba e Nicarágua, a grande novidade que verteu tintas, atraiu sábios, produziu livros e seminários, vai acabar na delegacia como um triste fato policial de roubo do dinheiro público e suborno de parlamentares.
Só os que se arriscarem a ir até o fundo dessa abjeção, compreendê-la em todos os seus detalhes mórbidos, têm chances de submergir para continuar o processo histórico. Por incrível que pareça, o Brasil continua, e a vontade de mudar é mais urgente do que em 2002. Por isso proponho agora um curto e eficaz trabalho de luto.
Anotação final: começa o espetáculo da CPI, secretárias e suas agendas, ex-mulheres e suas mágoas, arapongas, tesoureiros e seus charutos, vossa excelência para cá, vossa excelência para lá, sigilos bancários, telefônicos, emocionais. Viu, Duda, que cenas finais melancólicas quando um mercador tenta aplicar à complexidade da política a singeleza do vendedor de sabonetes?
Fernando Gabeira.
Quinta-feira, Setembro 01, 2005
Mini conto: O doutor assessor
O doutor assessor
O pai morreu quando ele tinha sete anos, a mãe sem recursos para sustentar quatro filhos mandou-o para um seminário, lá teria estudo e não passaria privações, os outros ficaram com ela.
No seminário os filhos da elite aprendiam latim e grego, ele aprendeu a jogar, cozinhar, cozer, marcenaria, usava ferramentas com familiaridade.
Aos dezessete, dez anos de seminário, conheceu uma mulher na cama e desistiu do celibato.
Na cidade grande conheceu artistas, políticos, boêmios. Bonito e garboso, logo se tornou o braço direito de um deputado e assessor parlamentar.
Ia para Brasília às terças- feiras e voltava às quintas, passou a ser exigente em casa, desde o café da manhã até a ceia da madrugada, não podia faltar nada do que ele estava acostumado nos hotéis onde se hospedava.
O amor dela balançou, não adiantavam as rosas vermelhas, nem as declarações de amor noturnas, queria sossego e com o doutor Assessor era impossível.
Um dia chegou mais cedo de Brasília e ficou furioso porque ela ainda trabalhava, trabalhar para quê? ele a sustentaria...
Furioso foi buscá-la no trabalho, no carro em alta velocidade assustou-a, ela decidiu ali que não queria morrer nem a ele.
Tentou conversar, convencê-lo à separação, não conseguiu. Esperou passar o Natal, o Ano Novo- ele era sozinho- no começo do ano voltou a falar que queria separar-se, nada, ele não aceitava, dizia que a amava e a queria. Passou a ficar desconfiado, achava que ela arranjara outro, como não o queria mais? um homem bonito, forte, trabalhador, que só queria o bem dela...
Ela chorou muito em silêncio e um dia decidida quando ele voltou de Brasília ela não estava mais lá, foi embora sem deixar endereço.
Ele não esquecerá aquela quinta- feira, desta vez havia trazido uma corbeille para ela, uma corbeille maravilhosa. Chegou tarde.
O pai morreu quando ele tinha sete anos, a mãe sem recursos para sustentar quatro filhos mandou-o para um seminário, lá teria estudo e não passaria privações, os outros ficaram com ela.
No seminário os filhos da elite aprendiam latim e grego, ele aprendeu a jogar, cozinhar, cozer, marcenaria, usava ferramentas com familiaridade.
Aos dezessete, dez anos de seminário, conheceu uma mulher na cama e desistiu do celibato.
Na cidade grande conheceu artistas, políticos, boêmios. Bonito e garboso, logo se tornou o braço direito de um deputado e assessor parlamentar.
Ia para Brasília às terças- feiras e voltava às quintas, passou a ser exigente em casa, desde o café da manhã até a ceia da madrugada, não podia faltar nada do que ele estava acostumado nos hotéis onde se hospedava.
O amor dela balançou, não adiantavam as rosas vermelhas, nem as declarações de amor noturnas, queria sossego e com o doutor Assessor era impossível.
Um dia chegou mais cedo de Brasília e ficou furioso porque ela ainda trabalhava, trabalhar para quê? ele a sustentaria...
Furioso foi buscá-la no trabalho, no carro em alta velocidade assustou-a, ela decidiu ali que não queria morrer nem a ele.
Tentou conversar, convencê-lo à separação, não conseguiu. Esperou passar o Natal, o Ano Novo- ele era sozinho- no começo do ano voltou a falar que queria separar-se, nada, ele não aceitava, dizia que a amava e a queria. Passou a ficar desconfiado, achava que ela arranjara outro, como não o queria mais? um homem bonito, forte, trabalhador, que só queria o bem dela...
Ela chorou muito em silêncio e um dia decidida quando ele voltou de Brasília ela não estava mais lá, foi embora sem deixar endereço.
Ele não esquecerá aquela quinta- feira, desta vez havia trazido uma corbeille para ela, uma corbeille maravilhosa. Chegou tarde.
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Mini conto: O doutor assessor
Sempre às quintas. Calligaris e Dominguinhos hoje.
Como faço todas às quintas leio o Calligaris na Folha e hoje ele fala de música sertaneja, etc e tal leiam aqui. Ai me deu saudades de Dominguinhos de quem eu gosto muito, escuto Elba cantando "De volta pro aconchego" e choro muito, quem vive longe dos amores deve sentir como eu a música.
Letra de De Volta pro Aconchego
Dominguinhos
Estou de volta pro meu aconchego
Trazendo na mala bastante saudade
Querendo um sorriso sincero, um abraço
Pra aliviar meu cansaço
E toda essa minha vontade
Que bom poder tá contigo de novo
Roçando teu corpo beijando você
Pra mim, tu és a estrela mais linda
Seus olhos me prendem e fascinam
A paz que eu gosto de ter
É duro ficar sem você
Vez em quando
Parece que falta um pedaço de mim
Me alegro na hora de regressar
Parece que vou mergulhar
Na felicidade sem fim.
Tenho Sede
Dominguinhos
Traga-me um copo d'água, tenho sede
E essa sede pode me matar
Minha garganta pede um pouco d'água
E os meus olhos pedem
O teu olhar
A planta pede chuva quando
Quer brotar
O céu logo escurece quando
Vai chover
Meu coração só pede o teu amor
Se não me deres posso até morrer
Letra de De Volta pro Aconchego
Dominguinhos
Estou de volta pro meu aconchego
Trazendo na mala bastante saudade
Querendo um sorriso sincero, um abraço
Pra aliviar meu cansaço
E toda essa minha vontade
Que bom poder tá contigo de novo
Roçando teu corpo beijando você
Pra mim, tu és a estrela mais linda
Seus olhos me prendem e fascinam
A paz que eu gosto de ter
É duro ficar sem você
Vez em quando
Parece que falta um pedaço de mim
Me alegro na hora de regressar
Parece que vou mergulhar
Na felicidade sem fim.
Tenho Sede
Dominguinhos
Traga-me um copo d'água, tenho sede
E essa sede pode me matar
Minha garganta pede um pouco d'água
E os meus olhos pedem
O teu olhar
A planta pede chuva quando
Quer brotar
O céu logo escurece quando
Vai chover
Meu coração só pede o teu amor
Se não me deres posso até morrer
Contardo Calligaris- Os 2 filhos de Francisco.
"2 Filhos de Francisco" e meu gosto pela música sertaneja
Confesso que sempre gostei de música country.
Na trilha sonora da minha infância, na Itália do começo dos anos 50, destacavam-se duas músicas do grande Roy Acuff: "Night Train to Memphis" (o trem noturno para Memphis), que é uma invitação à viagem, e "That's what Makes the Jukebox Play" (é isto o que faz tocar a jukebox), que é uma arranca-lágrimas. Penei para transcrever as letras; depois disso, cantava junto (para desespero de meus familiares).
Mais tarde, gostando do cinema western, fui tomado de paixão por Gene Autry. Traduzir western por bangue-bangue é péssimo: na temática western, como na country, o que importa não são os tiros, mas a vontade de colocar o pé na estrada, as insídias do caminho (bandidos, neve e sol do deserto) e, é claro, a saudade.
Depois de um período em que preferi a canção italiana e o pop, descobri Bob Dylan, em 1964, com "The Times They Are A-Changin'" (os tempos estão mudando), primeiro hino da contracultura. Bob Dylan não é só um cantor country, mas foi graças a ele (e a James Taylor -"Sweet Baby James" ainda é um de meus discos preferidos) que voltei à minha paixão da infância. Desde então, sou fã de Willie Nelson.
Logicamente, uma vez instalado no Brasil no fim dos anos 80, a música sertaneja me conquistou. Mas meu gosto era inconfessável: nos meios que eu freqüentava, escutar Leandro e Leonardo e, logo depois, Zezé di Camargo e Luciano era considerado um sinal de extrema vulgaridade musical. Minha simpatia pelo country americano era aceitável, mas gostar dos sertanejos nacionais, isso era outra história.
Ora, o Brasil, que eu saiba, é o único país que produziu e produz uma música country (a sertaneja) que rivaliza com o country norte-americano. Há razões para isso: o tamanho e a diversidade do território (que ainda comporta áreas selvagens), o passado bandeirante, a origem de larga parte do povo na saudosa viagem do imigrante e a urbanização acelerada, que acarreta uma brutal mobilidade geográfica e social (mais viagens e mais saudades). Esse repertório temático country encontrou, no Brasil, o gênio musical que todos verificam na riqueza da MPB.
Aposto que, se nossas duplas sertanejas cantassem em inglês, elas triunfariam em Nashville como triunfam em Barretos. Mas sempre encontro alguém para me "explicar" que a música sertaneja é "caipira", ou seja, não toca aquelas cordas universais do sentimento que fazem a grandeza do country americano.
Pois bem, os que acreditam na "inferioridade" da música sertaneja deveriam assistir a "2 Filhos de Francisco", o esplêndido filme de Breno Silveira.
A história de Zezé di Camargo e Luciano não é apenas comovedora: ela é a quinta-essência do espírito country (ou sertanejo, tanto faz). Há a roça da infância, que, na saudade da lembrança, aparece como paraíso perdido, embora fosse pobre e obcecada pela vontade de ir embora (é o desejo "louco" de Francisco para seus filhos). Há, na dureza da vida, o constante consolo da música, não como ocasião de devaneio, mas como vontade de dar à experiência a intensidade de um vibrato. Há a estranheza do encontro com a cidade, a dor de uma mudança que troca a miséria tranqüila do campo pela inquieta miséria urbana. Há a errância do menestrel pelo mundo, que cobra um preço, às vezes, fatal. Há a dificuldade de amar e a obstinada permanência dos afetos básicos, familiares.
Em suma, a história da dupla é um repertório quase completo dos temas de sempre da música country, que canta os sentimentos dos desterrados, ou seja, de todos nós, que vivemos na viagem entre a saudade e a esperança.
Mais uma questão: na história de Zezé e Luciano, é crucial o desejo de Francisco que os filhos se tornassem músicos e que a música os levasse longe, na vida e no mundo. É um pai que tem precedentes ilustres -entre eles, o pai de Mozart, o qual tinha uma vantagem: podia pagar as aulas para o filho. Francisco trocou um porco, uma colheita, sei lá quantos queijos e seu revólver por um violão e uma sanfona para os filhos. Será que ele era "doido", como pensava o sogro?
Em geral, não se aconselha os pais a terem um desejo tão definido sobre o futuro dos filhos. No entanto, o drama de muitos pais é que não conseguem transmitir aos filhos nem sequer a capacidade de desejar (seja lá o que for). E o fato é que Francisco conseguiu passar sua paixão para Mirosmar (Zezé), Emival e Welson (Luciano). Foi um fardo para eles? Pois é, desejar não é de graça.
Enfim, é banal ler, em textos de auto-ajuda, que, à força de desejar, a gente consegue: quem não larga o osso é recompensado um dia. Aviso: não é verdade. A "loucura" de Francisco e a paixão que ele transmitiu a seus filhos não garantiam nada: eles poderiam fracassar. A intensidade do desejo não leva necessariamente ao sucesso.
Mesmo assim, há uma boa razão para desejar com força: quase sempre, quem não se atreve a querer "doidamente" sofre da única culpa que a gente nunca se perdoa, a culpa de não ter ousado viver segundo nosso desejo.
Confesso que sempre gostei de música country.
Na trilha sonora da minha infância, na Itália do começo dos anos 50, destacavam-se duas músicas do grande Roy Acuff: "Night Train to Memphis" (o trem noturno para Memphis), que é uma invitação à viagem, e "That's what Makes the Jukebox Play" (é isto o que faz tocar a jukebox), que é uma arranca-lágrimas. Penei para transcrever as letras; depois disso, cantava junto (para desespero de meus familiares).
Mais tarde, gostando do cinema western, fui tomado de paixão por Gene Autry. Traduzir western por bangue-bangue é péssimo: na temática western, como na country, o que importa não são os tiros, mas a vontade de colocar o pé na estrada, as insídias do caminho (bandidos, neve e sol do deserto) e, é claro, a saudade.
Depois de um período em que preferi a canção italiana e o pop, descobri Bob Dylan, em 1964, com "The Times They Are A-Changin'" (os tempos estão mudando), primeiro hino da contracultura. Bob Dylan não é só um cantor country, mas foi graças a ele (e a James Taylor -"Sweet Baby James" ainda é um de meus discos preferidos) que voltei à minha paixão da infância. Desde então, sou fã de Willie Nelson.
Logicamente, uma vez instalado no Brasil no fim dos anos 80, a música sertaneja me conquistou. Mas meu gosto era inconfessável: nos meios que eu freqüentava, escutar Leandro e Leonardo e, logo depois, Zezé di Camargo e Luciano era considerado um sinal de extrema vulgaridade musical. Minha simpatia pelo country americano era aceitável, mas gostar dos sertanejos nacionais, isso era outra história.
Ora, o Brasil, que eu saiba, é o único país que produziu e produz uma música country (a sertaneja) que rivaliza com o country norte-americano. Há razões para isso: o tamanho e a diversidade do território (que ainda comporta áreas selvagens), o passado bandeirante, a origem de larga parte do povo na saudosa viagem do imigrante e a urbanização acelerada, que acarreta uma brutal mobilidade geográfica e social (mais viagens e mais saudades). Esse repertório temático country encontrou, no Brasil, o gênio musical que todos verificam na riqueza da MPB.
Aposto que, se nossas duplas sertanejas cantassem em inglês, elas triunfariam em Nashville como triunfam em Barretos. Mas sempre encontro alguém para me "explicar" que a música sertaneja é "caipira", ou seja, não toca aquelas cordas universais do sentimento que fazem a grandeza do country americano.
Pois bem, os que acreditam na "inferioridade" da música sertaneja deveriam assistir a "2 Filhos de Francisco", o esplêndido filme de Breno Silveira.
A história de Zezé di Camargo e Luciano não é apenas comovedora: ela é a quinta-essência do espírito country (ou sertanejo, tanto faz). Há a roça da infância, que, na saudade da lembrança, aparece como paraíso perdido, embora fosse pobre e obcecada pela vontade de ir embora (é o desejo "louco" de Francisco para seus filhos). Há, na dureza da vida, o constante consolo da música, não como ocasião de devaneio, mas como vontade de dar à experiência a intensidade de um vibrato. Há a estranheza do encontro com a cidade, a dor de uma mudança que troca a miséria tranqüila do campo pela inquieta miséria urbana. Há a errância do menestrel pelo mundo, que cobra um preço, às vezes, fatal. Há a dificuldade de amar e a obstinada permanência dos afetos básicos, familiares.
Em suma, a história da dupla é um repertório quase completo dos temas de sempre da música country, que canta os sentimentos dos desterrados, ou seja, de todos nós, que vivemos na viagem entre a saudade e a esperança.
Mais uma questão: na história de Zezé e Luciano, é crucial o desejo de Francisco que os filhos se tornassem músicos e que a música os levasse longe, na vida e no mundo. É um pai que tem precedentes ilustres -entre eles, o pai de Mozart, o qual tinha uma vantagem: podia pagar as aulas para o filho. Francisco trocou um porco, uma colheita, sei lá quantos queijos e seu revólver por um violão e uma sanfona para os filhos. Será que ele era "doido", como pensava o sogro?
Em geral, não se aconselha os pais a terem um desejo tão definido sobre o futuro dos filhos. No entanto, o drama de muitos pais é que não conseguem transmitir aos filhos nem sequer a capacidade de desejar (seja lá o que for). E o fato é que Francisco conseguiu passar sua paixão para Mirosmar (Zezé), Emival e Welson (Luciano). Foi um fardo para eles? Pois é, desejar não é de graça.
Enfim, é banal ler, em textos de auto-ajuda, que, à força de desejar, a gente consegue: quem não larga o osso é recompensado um dia. Aviso: não é verdade. A "loucura" de Francisco e a paixão que ele transmitiu a seus filhos não garantiam nada: eles poderiam fracassar. A intensidade do desejo não leva necessariamente ao sucesso.
Mesmo assim, há uma boa razão para desejar com força: quase sempre, quem não se atreve a querer "doidamente" sofre da única culpa que a gente nunca se perdoa, a culpa de não ter ousado viver segundo nosso desejo.
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